Edward Cullen PDV

— Edward e Anthony, onde vocês estavam? Estão atrasados. — mamãe perguntou assim que chegamos em casa.

Ela não estava com uma expressão feliz e eu sabia que era porque odiava atrasos.

— Culpe Edward, ele me carregou para Vegas de manhã cedo e não me deixou aproveitar nada — fez um bico em seus lábios.

Ainda não me perdoou por ter atrapalhado ele de ficar com uma garçonete que nos serviu.

Mas eu o conhecia muito bem.

Se começasse isso, não iríamos embora tão cedo e teríamos chegado ainda mais tarde.

— Só tive que resolver um problema no cassino — fui ameaçar Stefan com os lucros que haviam diminuído. Revisei os livros e não encontrei nenhuma irregularidade, mas manteria meu olho aberto com ele.

— Não importa. Vão logo se arrumar, sua noiva já deve está chegando.

Eu sorri por dentro com isso.

Noiva.

Desde que a conheci no dia anterior não conseguia parar de pensar nela.

Isa...Bella era ainda mais linda pessoalmente e eu não via a hora de torná-la minha.

E eu podia não a conhecer direito, mas sabia que ela tinha me achado atraente também e isso era um ótimo sinal, usaria todas minhas cartas para tê-la na palma da mão.

Nós subimos a escada e fui para meu quarto, tomei um longo banho e sai do banheiro com a toalha enrolada na cintura.

Meu quarto era grande e espaçoso, o segundo maior da casa, parecia um pequeno apartamento, com uma sala de tv e um mini bar. O closet era enorme e já tinha um espaço livre, onde depois Bella colocaria suas roupas.

Comecei a imaginar como seria depois que nos casássemos.

Peguei a roupa que havia separado, era completamente nova. Uma calça social cinza, colete da mesma cor e blusa branca. Coloquei a roupa dobrando a manga cumprida até meu cotovelo.

Olhei as horas, Bella com certeza já deveria ter chegado.

Escutei uma batida na porta e Anthony entrou, estava com uma calça preta e uma blusa branca, com as mangas também dobradas, só que sem o colete.

— Já está pronto ou a noivinha precisa de mais tempo? — provocou.

— Sabe que sempre estou preparado para tudo.

— Então vamos logo que eles já chegaram.

Nós descemos as escadas e me senti ansioso. O que ela acharia quando descobrisse quem eu realmente era?

Entrei na sala de jantar e meus olhos a procuraram rapidamente, quando a olhei tive certeza de duas coisas: Bella não queria ser minha esposa — isso estava claro em sua cara e na forma de se vestir.— E a segunda: eu a queria, ali mesmo, naquele momento.

Ela não iria me assustar tão fácil.

Bella Swan PDV

A boca de Charlie se abriu quando me viu descendo as escadas. Eu ri por dentro.

— Bella, onde pensa que vai assim? — arfou, seus olhos se arregalando.

— O que foi, papai? Não gostou? — dei um sorriso inocente.

Ele balançou a cabeça incrédulo.

— Tem alguma coisa que posso fazer para você tirar isso do rosto?

Não entendia porque ele não gostou da minha aparência.

Eu tinha prendido meu cabelo em um coque feio e todo bagunçado, deixando parte do meu cabelo caído e a outra parte preso, o pior com certeza era minha maquiagem. Passei uma sombra escura em minha sobrancelha, deixando ela grossa e feia; fiz um delineado maior que o outro, passei uma sombra rosa nos olhos, blush demais na minha bochecha e um batom preto nos lábios. Eu estava ridícula.

Quem iria querer se casar com isso? A não ser que tivesse fetiche por palhaço.

— Não, eu vesti o vestido que quis pelo menos — falei.

O vestido era bonito mesmo, seu tecido era macio e de um brilho azul que fazia parecer o céu estrelado. Tinha alcinhas e descia um pouco colado no meu corpo, mas nada vulgar.

— Podia ter colocado uma sandália, pelo menos. — apontou para meu tênis preto surrado e confortável de cano médio. Eu tinha acrescentado uma meia arco-íris de cano alto que ia até as minhas panturrilhas. — Esse povo é muito formal, Bella — passou a mão no blazer que usava. Nem havia notado que ele vestia um terno, só que sem gravata.

Era raro de ver, meu pai ficava bem bonito assim.

Não entendia porque ele nunca havia se casado depois da morte da minha mãe. O amor deles era tão lindo, sabia que o meu e do Jacob seria assim. Só existiria nós dois para sempre.

Esperava que meu "noivo" odiasse meu visual e desistisse dessa ideia assim que me visse, saindo gritando horrorizado.

— Vamos logo antes que eu desista.

Ele suspirou e me seguiu.

O caminho foi feito em silêncio, meu pai parecia nervoso, enquanto dirigia pelas ruas.

— É aqui? — perguntei quando parou em frente a um restaurante.

Um homem em uma moto nos encarou e assentiu com a cabeça, antes de colocar o capacete. Meu pai o seguiu.

— Esse homem vai guiar a gente. Nenhum soldado sabe a localização da casa dos Cullen, só membros do topo da Grand C e os seguranças.

Eu ri.

— Isso é um grande circo, isso sim. Fala sério!

Meu pai apenas suspirou.

— Você tem que se comportar, Bella.

— Eu vou — prometi cruzando meus indicadores e beijando.

Até o final da noite, esse homem iria desistir de se casar comigo.

— Nossa, isso não vai chegar nunca? — falei com raiva. Já estávamos rodando a quase uma hora ou vinte minutos, mas quem liga.

Meu pai me ignorou.

Até que finalmente a moto parou em frente a um muro grande de arbusto com um portão de ferro.

Ele indicou um interfone que tinha e meu pai se aproximou. Percebi que havia uma pequena câmera ali e um sensor digital nele.

Uau. Me senti em um filme de ação e me arrumei no banco.

— Aqui é Charlie Swan e Isabella Swan — respondeu.

Ninguém falou nada, mas o portão se abriu para o lado em uma estrada que subia e não dava para ver onde ia.

— Fala sério, eles moram em um castelo tenebroso, é? Devem ser um bando de vampiros — reclamei.

Meu pai me ignorou e fez uma curva acentuada, foi quando minha boca se abriu ao ver a casa que me foi revelada.

Era enorme de três andares com janelas amplas de vidro, parecia um pequeno palácio, com uma entrada de escadas e colunas de mármore.

Meu coração gelou ao ver um homem parado na estrada. Ele estava segurando uma arma gigante e nos encarava.

Meu pai baixou todos os vidros do carro.

— Pai aquilo é… — sussurrei, meus olhos arregalados.

— Um fuzil M16.

Eu arfei.

— Eu falei que isso não era uma brincadeira, faça tudo que eu disser — meu pai sussurrou.

O homem encarou nós dois, antes de mandar parar em uma vaga, ao lado de uma caminhonete azul gigante.

Eu saí do carro com minhas pernas tremendo um pouco. O arrependimento de ter colocado aquela maquiagem ridícula me consumiu. Puxei a xuxinha do cabelo, deixando solto, porém não podia fazer nada quanto a maquiagem.

Se tentasse tirar só ficaria pior. Pareceria o Coringa, talvez não seria uma má ideia.

Não importava nada daquilo, eu precisava fazer essa gente me odiar.

Havia uma escadaria enorme com pelo menos dez degraus que levavam para a entrada da casa e em cada dois havia homens segurando armas, com coletes a prova de balas e um fones em um ouvido. Todos pareciam me olhar da cabeça aos pés.

A porta da entrada se abriu antes que chegássemos nela.

— Boa noite, sejam bem-vindos à residência dos Cullen. Sou a senhora Cope, a governanta. Eles esperam por vocês na sala de jantar, me sigam — uma senhora falou, seus olhos claros me observaram rapidamente e engoli em seco, sentindo meu rosto esquentar, mas o mantive firme.

Teria que sustentar aquele personagem até o fim.

A casa por dentro era ainda mais bonita, com lustres enormes de cristal, tudo limpo que brilhava. Tinha uma decoração moderna e minimalista. Fiquei encantada por cada detalhe. Não parecia que alguém morava nela e sim casas que só víamos em filmes e catálogos de imobiliárias.

Ela abriu uma porta de madeira grande, eu congelei. Havia quatro pessoas dentro do salão, todas lindas e vestidas formalmente.

Um homem loiro estava na ponta de uma mesa e se levantou para me cumprimentar. Ele usava um terno com colete cinza, seus cabelos estavam penteados para trás e eram ligeiramente grisalhos.

Percebi seus olhos azuis me observando e ele não apareceu muito feliz com o que viu, será que era o chefão?

A mulher ao seu lado, sorriu para mim e se aproximou. Ela vestia um vestido verde musgo elegante, de mangas curtas que iam até um pouco acima do joelho, seu cabelo meio arruivado estava preso em um penteado que deixava seu cabelo todo de um lado. Ela era linda demais.

— Isabella é tão bom finalmente conhecê-la. Eu sou Esme — me abraçou rapidamente — Você é linda, essa sombra rosa realçou seus olhos.

— Ah obrigada — corei um pouco, sem jeito. Pelo jeito a maquiagem não tinha dado certo para parecer ridícula. Ou ela estaria mentindo?

Merda, por que estava me sentindo tão intimidada assim?

— Esse é meu marido Carlisle, nossa filha Rosalie e seu namorado Emmett.

— É um prazer — respondi apenas por educação.

Rosalie parecia um pouco mais velha que eu, tinha longos cabelos loiros e olhos azuis como os do pai, parecia uma modelo tão linda. Juro. Usava um vestido preto, bem elegante.

Emmett era alto e forte como Jason Mamoa, só que com cabelos e barba menores. Tinha um brinco de argola pequeno em uma de suas orelhas.

— Onde está Edward? Bella, está ansiosa para conhecê-lo. — meu pai perguntou.

Edward? Onde tinha ouvido esse nome?

— Ele já está vindo com seu irmão — Esme respondeu com um sorriso gentil.

A porta se abriu de novo e minha boca se abriu um pouco quando duas pessoas entraram na sala.

Elas eram exatamente iguais, só diferenciava a cor da calça social. Um usava uma calça preta com uma blusa de botão branca, o outro a calça era cinza, as mangas da blusa dobradas no cotovelos e colete do mesmo tom. Eu nunca saberia dizer quem era quem, mas não eram completos desconhecidos. Eu já tinha visto, ao menos um deles.

— Desculpem o atraso — aquela voz de novo.

Meu corpo todo se arrepiou, mas logo foi dominada pela raiva, quando ele sorriu, me encarando. Sua sobrancelha arqueou ao encarar minha cara e eu soube que era ele quem eu tinha encontrado.

Aquele salafrário, ele com certeza sabia que era eu e tinha mentido sobre ter se perdido.

Ele ia ver só. Ah se ia!

— Não filho, chegaram bem na hora — Carlisle falou — Essa é Isabella Swan, sua noiva.

Meu estômago embrulhou com aquelas palavras.

Quem eu imaginei que fosse Edward, o da calça cinza e que tinha falado, deu um passo na frente e estendeu sua mão. Seu olhar era intenso em minha direção.

— É um prazer conhecê-la novamente, Bella — Eu não sabia o que fazer, meu pai me cutucou e eu apenas estendi a mão. Edward sorriu e beijou a costa da mesma.

Eu ignorei o calor que senti, quando seus lábios tocaram minha pele.

Estava possessa de raiva.

— Infelizmente não posso dizer o mesmo. — rebati.

— Bella! — meu pai grunhiu.

Dei um sorriso falso.

— Quer dizer, eu estou muito feliz em conhecê-lo — menti. O homem atrás dele riu chamando minha atenção.

Merda! Eu ainda não conseguia acreditar que havia dois daquele homem no mundo.

Carlisle deveria ter um pincel no lugar do …. o que estou pensando?

Respirei fundo organizando meus pensamentos, mas não foi uma boa ideia, pois fui dominada pela fragrância masculina que vinha dele.

Além de bonito, era cheiroso.

Jacob, eu tinha que pensar em Jacob. O homem que eu amava e que sempre amaria. Não importa o quanto aquele homem fosse atraente, eu o odiava.

— Esse é meu irmão, Anthony — Edward nos apresentou.

Anthony se aproximou também, pegando em minha mão. Era a mesma pessoa, mas o toque dele era diferente, um pouco mais frio. Seu olhar verde não era intenso, mas sim sagaz como se soubesse de algo que ninguém sabia.

— O irmão mais bonito — piscou beijando-a também.

— Vamos, sentem-se, o jantar já vai ser servido.

Carlisle sentou na ponta da mesa com Esme ao lado esquerdo e Edward do direito, eu me sentei ao lado de Edward e meu pai do meu outro lado. Anthony de frente para a gente, seguido de Rosalie e Emmett.

Me senti como num filme de realeza, vários funcionários vieram e trouxeram as bandejas e vasilhas com as comidas. Começamos a nos servir todos educadamente.

Coloquei apenas um pouco de comida, não estava com muita fome. Tinha vários talheres na mesa e fiquei feliz de saber o que usar. Mas peguei os errados de propósito.

— Então Isabella, seu pai disse que vai se formar no ensino médio. — Carlisle começou depois de um momento. — Quando é a formatura?

— Dia 22 — respondi enquanto mastigava de boca aberta a colher cheia que havia colocado, seria na próxima semana.

— Ótimo, podemos marcar o casamento para depois que se formar.

O que? Deveria ter falado no dia 31 de fevereiro.

— Dia 18 tem o aniversário do Edward e do Anthony — Rosalie comentou.

— Sim, pode ser no outro domingo então. Vai ser perfeito, o que acha de uma festa ao ar livre? — Esme falou animada.

— Vai ser lindo — Rosalie concordou.

Meu estômago embrulhou e quis vomitar naquela mesa brilhante e bem arrumada.

— Mãe, pai, se puderem agradeceria muito se deixassem para eu discutir esse assunto com Bella depois.

— Ah é claro, querido.

— Não temos muito tempo, Edward — seu pai falou ranzinza.

— Mas temos Rosalie e mamãe, elas com certeza conseguem planejar uma festa com um dia de antecedência. Tenho certeza que elas já tem quase tudo pronto.

— Tudo é questão de contatos, irmão — Rosalie piscou. — Não vejo logo a hora desse casamento, assim eu e Emmett poderemos nos casar também. Essa regra do irmão mais velho ter que casar primeiro, está muito ultrapassada, papai. Ainda bem que não preciso esperar Anthony, só Edward.

— Se fosse depender de mim, irmãzinha iria ficar sem casar — Anthony murmurou.

— Não se pode mudar a tradição da Grand C, sabem muito bem disso. É por causa dessas regras, que conseguimos nos manter no poder até hoje. — Carlisle respondeu em uma voz forte.

Assim que ele terminou de falar um arroto alto e forte escapou da minha boca e automaticamente todos me olharam.

Dei um sorriso sem graça.

— Desculpem — fingi estar envergonhada.

Os olhos de Edward se estreitaram na minha direção e senti como se ele pudesse ler minha mente.

Desafie-o com meus olhos.

— Algum problema? — peguei o pedaço da coxa de frango na mão e esfreguei nos meu lábios, antes de morder e puxar um pedaço, mastiguei de boca aberta.

— Nenhum — sorriu para mim e se virou para seu prato pegando a outra coxa que estava em seu prato com a mão.

— Ah finalmente, não sei para que esse tanto de talher — Anthony pegou o pedaço da asa com sua mão.

Que droga era essa? Parece que eu tinha criado uma mini revolução.

— Assim que eu gosto — Emmett os imitou.

— Crianças — Esme reclamou.

Eu coloquei a coxa no prato e limpei a boca com o guardanapo.

Encostei na cadeira e bati a mão na barriga. Se eu soltasse gases seria demais?

— Bella, se comporte por favor — meu pai sussurrou se inclinando em minha direção.

Eu aproveitei o momento e fingi me assustar e bater meu braço na taça do suco que estava entre eu e Edward, como imaginei a taça caiu no colo dele. Mas, ele foi rápido e afastou sua cadeira, o líquido caiu só no tecido do seu calcanhar, já o copo bateu no chão e se quebrou em vários pedacinhos.

— Ops, desculpem! — olhei para os pais de Edward, que pareciam horrorizados.

Edward se levantou parecendo bravo.

— Se me dão licença, eu gostaria de levar Bella para ver o jardim. — falou.

Antes que eu pudesse negar, meu pai fez eu ficar de pé, puxando meu braço.

— Tenho certeza que ela vai adorar.

Eu bufei e Edward estendeu sua mão, mas não a peguei.

Ele olhou sério para mim e passei por ele saindo pela porta que tinha entrado, escutei ele me seguindo.

— Você sabe para onde ir por acaso? — perguntou enquanto andávamos pelo corredor, eu seguia pelo mesmo caminho que tinha vindo.

— Você sabia que era eu não sabia?

— É claro que sabia.

Virei para ele com raiva, colocando a mão em minha cintura, se pudesse teria feito queimar só com meus olhos.

— Que ótimo! O que pensou que estava fazendo? Queria tirar uma com minha cara, é?

— Não, claro que não. Eu só queria ver você. Tentar causar uma boa impressão. — explicou.

— Boa impressão? — ri. — Pois seu tiro saiu pela culatra. Apenas serviu para ficar com mais ódio de você.

Seu cenho se franziu.

— Ódio? É isso que sente por mim?

Voltei a andar, sem aguentar mais seus olhos intensos vindo em minha direção.

— O que queria que eu sentisse? Está me obrigando a casar contigo, saiba desde já que não quero este casamento.

— Eu também estou sendo obrigado. Você acha que estou fazendo isso por livre e espontânea vontade? É por aqui.

Ele me guiou por outro caminho, segurando em meu braço. Andei contrariada. Nós saímos da casa indo por um caminho de pedra lindo, com árvores ao redor. Percebi mais seguranças ali, a casa era toda cercada.

— Seu pai está te obrigando a isso? — perguntei com a voz mais branda.

— Sim, ele quer finalmente se aposentar e quer que eu assuma o comando da Grand C. Mas para eu me tornar o Don e assumir os negócios, preciso me casar.

— Que palhaçada! Sério, vocês vivem em que século com essas regras ridículas? E tem que ser justamente comigo? Por que me escolheu, aliás?

Edward se virou para mim.

— Não sei, ele me mostrou algumas fotos de filhas de integrantes da Grand C… a sua foi a que eu mais gostei.

— Por que eu? O que viu em mim?

Por mais que eu não quisesse admitir, me sentia poderosa por chamar a atenção de um homem como ele.

Ele deu de ombros voltando a andar.

— Não sei, mas espero descobrir.

Eu bufei caminhando apressada até ele, segurei seu braço e o fiz olhar para mim.

— Diga para seu pai que não quer casar comigo, diga que não sentiu atração por mim, não sei, diga qualquer coisa só, por favor, liberte a mim e meu pai desse acordo. — implorei.

— Não posso dizer isso, eu estaria mentindo. E nenhum membro da Grand C pode mentir.

— Você está brincando não está? — arfei incrédula.

— Claro que não, só mentimos se for para proteger a Grand C, sempre devemos falar a verdade, em toda e qualquer situação.

Eu ri.

— Isso só fica ainda mais ridículo. Vocês são criminosos, ganham a vida roubando pessoas e sei lá fazendo mais o quê, como quer que eu me case com alguém assim?

— Nós não somos tão ruins, acredite. Há pessoas bem piores que nós e é contra elas, que protegemos e salvamos a cidade.

Balancei a cabeça, sem conseguir acreditar.

— Você não pode querer se casar comigo.

— Bem, mas eu quero. Quero muito, e se acha que uma maquiagem ruim e um batom preto vão me assustar está muito enganada. Pode arrotar, peidar ou fazer o que quiser para me assustar, você já é a escolhida para ser minha esposa e se a renunciasse poderia acabar com sua vida.

Eu estremeci com a força com que ele disse aquelas palavras.

— Como assim renunciar?

— Todos já sabem que você foi a escolhida para ser minha esposa, uma vez que tomamos uma decisão, não podemos voltar atrás. Se eu quebrar isso agora, pensarão que você não é digna nem de fazer parte da GrandC e membros fanáticos, poderão tentar matar você e seu pai.

Minha boca se abriu.

— Isso só pode ser piada. Tem câmeras escondidas aqui? Já sei! Estou participando de algum quadro famoso? — olhei ao redor.

— Eu não estou brincando. — sem tom era sério e ele cruzou os braços, fazendo a camisa ficar mais justa em seus bíceps.

Meu coração acelerou um pouco e andamos mais.

Eu parei abismada com o lugar que chegamos.

— É aqui? — arfei.

— Sim, é lindo, não é?

Eu apenas assenti.

O lugar que estávamos era amplo e com grama bem verde, parecia ter um pequeno lago e no centro dele havia um chafariz de pelo menos cinco metros de altura. Parecia de mármore esculpido, embaixo tinham 3 anjos como se segurassem a parte de cima que tinha um grande crucifixo com a imagem de Jesus Cristo em sua Paixão.

— Vocês não são assassinos? Por que a imagem de Jesus aqui? Acha que Deus aceita o que fazem?

— Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra — ele respondeu.

Eu ri de sua hipocrisia.

— A Grand C acredita e segue uma religião, Isabella. Nós sabemos que somos pecadores, mas nem por isso deixamos de acreditar em um Deus, ao contrário vemos como uma missão que ele colocou para nossa família. É por causa da Grand C, que conseguimos controlar muitos crimes bárbaros da cidade. Você não tem ideia de quantas pessoas inocentes conseguimos salvar de abusadores, pedófilos e assassinatos sem motivos.

— Deus nunca aprovaria o que vocês fazem.

— Deus não veio para os justos, veio para os pecadores e acreditamos que de alguma forma com nosso trabalho colocamos um pouco mais de justiça nesse mundo.

Balancei a cabeça.

— Bem? Como pode fazer bem a alguém se está tirando meu próprio livre-arbítrio?

— Eu não estou colocando uma arma em sua cabeça e me obrigando a casar comigo.

— Não, só ameaçando a vida de meu pai e a minha.

Ele suspirou.

— Está certa, os nossos métodos podem não ser usuais,e podemos estar blasfemando, mas é assim que funcionamos. Tenho esperança que até o dia de nosso casamento esteja gostando de mim.

Eu ri.

— Isso nunca vai acontecer.

Ele suspirou outra vez e caminhou até a beira do chafariz, aproximei também notando como era grande e parecia um pequeno laguinho.

— Tem peixinhos — falei animada.

— Sim — Edward concordou — Atrás fica o jardim, pode sentir o cheiro?

Eu assenti.

— É lindo aqui. — falei e realmente era. Estava encantada com o lugar.

— Você pode vir aqui sempre que quiser, quando estiver morando comigo.

Balancei a cabeça em silêncio, pois sabia que nunca moraria ali.

Eu arfei quando Edward se moveu rápido ficando atrás de mim, seu braço rodeou minha cintura e ele me abraçou por trás.

Meu corpo traidor não agiu como eu esperava. Na verdade senti um frio na barriga e minha pele se arrepiou, meu coração batendo acelerado.

Ele não deveria causar aquelas reações no meu corpo traidor.

— Quando casarmos será para sempre. Você será minha protegida, será como uma parte do meu corpo, eu vou cuidar de você com a minha própria vida, Isabella. Não existe divórcio na Grand C, devemos ser mais que parceiros, devemos ser um só — sussurrou se inclinando eu meu ouvido. As ondas de sua voz roçaram a minha pele, intensificando ainda mais as sensações que seu toque me fez sentir. — Espero que se acostume com essa ideia, farei minha mulher em todos os sentidos. — Senti seu hálito no meu pescoço e um beijo em minha orelha.

Eu arfei, sem conseguir me mexer.

Quando consegui, me virei pronta para dar um chute nele e mandá-lo tomar naquele lugar.

Percebi que ele não estava mais ali e estava sozinha.

Porém, meu corpo ainda queimava no local que havia me tocado.

Olhei para a imagem de Jesus.

— É isso que quer para minha vida? — questionei e claro, não obtive resposta.

Eu voltei pelo caminho e encontrei todos na entrada, meu pai já se despedindo. Esme pediu meu celular e dei sem querer. Ela falou que me ligaria. Me despedi de Edward apenas com o olhar, não queria pensar em nada do que seu toque me fez sentir.

A volta para casa fingir dormir sem paciência para escutar algum sermão de Charlie.

Quando chegamos subi direto para o quarto e me joguei na cama, respirando fundo. No mesmo instante meu celular tocou e arfei ao ver que era Jacob.

— Bella, onde você estava?

— Eu fui conhecer o tal do Edward Cullen.

— O que? Onde?

— Na casa dele.

— Espera, está me dizendo que foi na casa dele? E seu noivo é Edward Cullen?

— Sim. Você conhece ele?

— Onde fica?

— Eu não lembro bem Jake, tivemos que seguir um homem em uma moto para chegar. A casa é enorme e tem vários seguranças armados.

— Armados?

— Meu pai disse que era fuzil, sei lá o quê.

— Ah.

— Estou com saudade quero ver você.

— Logo meu amor, tenho que desligar.

— Mas já?

— É, tchau.

— Boa noite — murmurei para um telefone mudo.

Senti um aperto no peito com sua indiferença. Por que ele tinha agido tão estranho?

Limpei uma lágrima do meu rosto e abracei o travesseiro.

Como podia me sentir tão sozinha e abandonada assim?

Edward Cullen PDV

— Pai, pediu que me chamasse? — eu entrei em seu escritório depois de bater na porta.

Ele fumava um charuto, sentado em sua poltrona.

Assim que entrei apagou e apontou para que sentasse em sua frente.

— Não gostei da sua noiva. — falou direto.

Eu dei um pequeno sorriso. Ela tinha ido embora há poucos minutos com Charlie, depois que voltou da nossa caminhada não falamos mais nada e apenas nos despedimos.

Minha mãe fez questão de pegar o número do seu celular, pra começar a planejar nosso casamento.

— Ela apenas agiu daquela maneira para me irritar quando descobriu que a enganei.— expliquei.

— Como assim?

— Eu fui vê-la ontem, precisava encontrá-la pessoalmente antes desse jantar, assim que me viu percebeu que fingir tudo e ficou com raiva.

Ele bufou.

— Não me importo com o que ela pensa, mas acho melhor renunciá-la. Ela não presta para ser a esposa de um Grand Chefão.

— Sabe que não posso fazer isso, muitos membros já estão sabendo desse casamento e que ela é a escolhida. Eles podem matá-la!

— E o que tem isso? Pode escolher outra.

— Mas eu a quero — depois que a tinha conhecido melhor, só fez eu ter mais certeza de minha escolha.

Carlisle se levantou.

— Pois é melhor ela mudar suas atitudes, você tem que ter alguém forte ao seu lado, Edward. Não uma menininha imatura.

— Não se preocupe, Bella só precisa se acostumar mais com a ideia.

— É bom mesmo, não vou tolerar que ela faça disso um circo. Se não eu mesmo cuido disso.

Engoli em seco.

— Ela não irá. — prometi.

Esperava que Bella entendesse de vez tudo que estava em jogo aqui.


Nota da autora:

Oii amores, boa noite com esse capítulo para vocês!

O que acharam?

Espero que tenham gostado hahaha A Bella bem doidinha, mas se lembrem que ela é jovem e está sendo obrigada a se casar com alguém que não ama, vamos ver como vai se desenrolar tudo. Mas o Edward já tá caidinho por ela hahaha Meu mafioso tem um coração mole, sorry hehe

Comentem, ansiosa para saber o que acharam.

Beijos e uma ótima semana

se comentarem bastante, quem sabe volto logo com mais ;)