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Os reflexos da água batiam nas paredes escuras deixando todo o ambiente em um tom azulado, inclusive o rapaz do seu lado. A figura pálida de Squalo refletia as luzes ondulantes, fazendo-o parecer uma criatura sobrenatural aquática. Era hipnotizante, a direção do seu olhar estava presa naquela figura e não iria conseguir se soltar tão facilmente.

Ainda surpresa não conseguia parar de pensar como tinha chegado até ali.

Foi convidada a um encontro pelo tubarão, na verdade tinha sido arrastada quando comentou durante o café-da-manhã que teria o dia livre, deixando todos os membros da Varia espantados com a cena menos Xanxus, claro.

Squalo agarrou firmemente um de seus pulsos e a arrastou para fora do castelo em questão de segundos, não se importando com sua pequena rebelião para tentar voltar e pegar a sua bolsa.

- Voooooi! Não vai precisa da sua bolsa, tudo o que precisamos está em meu carro! – Depois dessa frase entrar por seus ouvidos você deixou de se contorcer e relaxou, facilitando o trabalho de ser arrastada. Sempre quis saber qual era o modelo de carro dele.

O guardião da chuva levou-lhe em direção a uma construção separada do castelo, construída bem depois, e ainda assim seguia o estilo arquitetônico do conjunto. A garagem era equipada com vários meios de transporte, desde motos Harvley Davidson, uma na qual você reconheceu sendo o modelo VRSCDX Night Rod Special, Maserati, Ferrari e lamborghini, pelo menos dois modelos de cada marca, sendo todos pretos. Em um canto perto da porta estava estacionado um tímido cinquecento preto.

- Entre neste aqui! – Squalo apontou para o pequeno carro italiano.

Tocando a delicada maçaneta prata, abriu a porta e sentou-se no banco macio de couro. Uma caixa com CDs, latinhas de coca-cola, chocolates e revistas estava posicionada aos seus pés. Olhou-a e depois para o rapaz de cabelos prateados. A boca dele mudou para um meio sorriso. Escolhendo um dos CDs da caixa, colocou um dos Red Hot Chili Pepers no rádio carro que acelerou ao som de Dani Califórnia.

Deixando a pequena cidade de Castelnuovo di Garfagnana, e indo em direção a Genova, pelo que você tinha xeretado no GPS enquanto Squalo estava prestando atenção na estrada.

Depois de uma hora de viagem ambos estavam deliciando-se com as latinhas de refrigerante, e domada por uma vontade de provar os chocolates, abriu a caixa de bombons. Colocando um na boca derreteu-se com o sabor, estava tão gostoso que chegou a fechar os olhos. Quando abriu-os novamente, pode ver o motorista de observando com o canto dos olhos.

- Voooi, eu também quero um. – Para a sua surpresa a voz dele saiu em um tom quase normal, um pouco mais alto do que a musica que estava tocando.

Gentilmente posicionou o bombom na boca entreaberta de Squalo, este o colocou rapidamente na boca para logo em seguida lamber a ponta de seus dedos que estavam sujas de chocolate.

Retirou os dedos rapidamente e sentiu as bochechas queimarem. Havia quase um ano que havia entrado na Varia como guardiã da nuvem e sempre fora tratada com uma pequena indiferença pelo segundo em comando. Nem mesmo o próprio Xanxus a travava mal, pelo ao contrário, caso fizesse alguma coisa errada, era o vice capitão que seria atingido por um copo de tequila.

Squalo levemente chacoalhou seu braço, acordando-a de sua pequena soneca de viagem. A paisagem havia mudado, de pequenas casas afastadas e rodeadas de verde por construções antigas mais próximas, ruas estreitas abrigavam lojas e restaurantes. Isso explicava o fato de estarem em um carro pequeno, de certa forma.

O carro foi estacionado uma rua atrás do Porto Antico, caminharam até um pequeno restaurante e dividiram uma porção de spaghetti alla marinara, na qual o rapaz gentilmente pagou a conta. Era realmente um dia bem diferente do normal.

Caminharam pela baía na qual ficou encantada com a vista, pegando na mão dele puxou-o para perto e apontou para todas as coisas bonitas que estava vendo, desde casas coloridas e simpáticas até as embarcações enormes e majestosas. Depois de um tempo o rapaz de cabelos prateados foi que lhe deu um pequeno puxão, sinalizando que ele queria conduzir. Levou-lhe até a porta do Aquarium.

E lá estava, depois de uma incrível viagem de carro até um aquarium que parecia mais incrível ainda. A Sala de recepção era um aquário enorme que englobava toda a sala, sendo que enormes raias cinzas passeavam por cima de suas cabeças.

Passaram pelos cavalos marinhos, caranguejos em aquários de mângues, enguias e cobras aquáticas, Squalo fez algumas piadas sobre essas últimas, até chegarem na sala dos tubarões.

Em um aquário enorme, com areia branca no fundo e uma rocha enorme vazada em alguns lugares acomodava um casal de tubarões martelo e três lixas. Quando pararam de frente ao aquário parecia que um dos tubarões lixa que estava deitado no fundo descansando levantou-se e nadou até vocês. Seus bigodes virados para baixo e seus olhos verdes um pouco separados do centro contrastavam com a cor amarronzada de seu corpo. Ele parecia um enorme bichinho de estimação tentando chamar atenção de seu dono, já que nadava de um lado para outro provocando Squalo.

- Ele te reconheceu como dono! – Cutucou a cintura dele com o cotovelo para provocá-lo. Ele respondeu com um "hunf"e uma mão em sua cintura.

Aquele era o aquário final e para saírem tinham que passar pela loja de souveniers, o rapaz já tinha se preparado mentalmente para caso de que você quisesse comprar alguma coisa. E logo que colocaram seus pés na loja você puxou-o para as prateleiras com bichinhos de pelúcia. Entre focas e golfinhos, escolheu um tubarão cinza que era a cara do seu acompanhante.

Squalo pode sentir suas próprias bochechas queimarem, e achou aquilo muito estranho. Não que ele nunca tivesse estado com uma mulher antes, ele nem se lembrara com quantas mulheres já havia saído. Mas você provocava alguma coisa diferente nele, não era apenas a lúxuria pelo seu corpo, e sim pelo fato de ser você.

Quando voltavam para o carro percebeu que Squalo ia na mesma direção que você, ao banco do passageiro e não ao do motorista, e com um rápido comando de mão virou seu corpo de frente para o dele, passou a mão em sua nuca e forçou a boca dele na sua. Podia sentir a figura do guardião da chuva prensando a sua menor contra a porta do carro, os quadris dele contra os seus a mantinha imóvel.

Os primeiros segundos fora uma surpresa e demorou um pouco para reagir, porém passou as mãos em torno do pescoço dele e retribuiu o beijo abrindo a boca, isso deu-lhe total segurança e liberdade para marcar-lhe como território dele. Tubarões são muito territorialistas.

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