03 – Mente segura
Após algum tempo, o laboratório onde Ichi foi criado, teve sua direção tomada por Yamada, e estava em pleno funcionamento.
Rin estava na direção do lugar, por ser a mais experiente dentre os outros funcionários.
Ichi, no entanto, continuava sem reações aparentes, apenas um pequeno bebê, que não se mexia, apenas respirava.
Rin tentava entender, mas a única coisa que podia ver, é que Ikino estava certo, era apenas uma pobre e pequena casca vazia. Mas ainda sim estava vivo, e ninguém podia tirar dele esse direito.
- Ichi... – Rin estava com o rosto bem próximo, observava os olhos amarelos, sem brilho, e a mancha que havia neles, antes branca, tinha tornado-se amarelada. – seus olhinhos são lindos... – Ela acariciou a pele fina do bebê youkai, e viu um estimulo acontecer, viu a pele arrepiar. Rin deu um incrível sorriso. Ficou felicíssima por ele ter novamente reagido, depois de um longo tempo inerte.
Aquelas reações aparentes devia-se a um acontecimento não muito agradável para o dono do espírito, que vomitava sangue onde estava. Não havia problemas aparentes para aquele acontecimento, Sesshoumaru não parecia doente fisicamente, apenas por suas reações frias. Mas ele sentia dores fortes nos pulmões, um pouco danificados.
A busca por Rin tornou-se mais árida a cada dia, mas ele jamais desistiria. Estava caminhando a duas semanas, dias e noites, incansável. E esse esforço estava aparecendo em seu corpo, como forma de graves hemorragias, pois o corpo forte de youkai, havia sido enfraquecido pelo tempo sem exercícios. Ele estava sobrecarregando o corpo...
Rin voltava para casa, era madrugada já, seu pensamento estava absorto em Ichi, e naquela reação inédita. Havia acontecido duas vezes naquele dia.
As ruas não estavam muito claras, a iluminação havia sido cortada, por causa das chuvas fortes que haviam caído mais cedo, só alguns pontos tinha luz. Estava um pouco frio também. Rin dirigia seu jipe um pouco veloz, mas cautelosa.
Estava distraída, vendo apenas um chuviscar no pára-brisa, e que refletia-se também nos faróis. Com isso não contava de, de repente, atropelar alguma coisa que atravessou a rua. Rin gritou ao ver, depois de um relâmpago, seu pára-brisa sujo de sangue. De sorte, ela não havia passado com as rodas em cima, apenas havia baqueado o animal, ou uma pessoa com a frente do carro.
- Meu Deus... o que eu faço... – ela saiu desesperada de dentro do carro, mas o choque foi muito maior ao olhar o que tinha atropelado. – Oh... meu... Deus do céu... – ela abaixou-se rapidamente, e virou o corpo inerte de Sesshoumaru, de vagar e com cuidado.
Com os fortes faróis acesos, ela pode ver o rosto tão pálido quando uma folha de papel, e o roupão encharcado de sangue e água.
Ela não imaginava em encontrá-lo ali, e nessa situação, e sem mais esperas, ela, com toda sua força tentou arrasta-lo, mas parecia impossível com aquela armadura. Com isso, ela retirou a armadura dele e logo depois de tê-lo posto dentro do carro, colocou a armadura atrás, e agora, acelerando quase no máximo, seguiu em frente e em minutos estava em casa.
Com sacrifício, Rin arrastou o corpo para dentro, e o levou diretamente para sua cama. Antes de mais nada, arrancou as roupas do Youkai, e o examinou minuciosamente, não havia nenhuma ferida. Então, de onde era aquele sangue?
Ela não imaginava de onde era, então, depois de limpar o corpo sujo dele, cobriu-o com um lençol limpo, e esperou.
A respiração estava muito ratificada, o peito não se movia normalmente,e a expressão de sofrimento era muito perceptiva no rosto dele. Ela não podia fazer nada além de esperar.
Colocou-o no soro, já que ainda haviam materiais em sua casa, os quais utilizava com freqüência no laboratório, para alimentar Ichi, já que o alimento pela boca estava sendo um desperdício, e o pequeno não se alimentava devidamente, chegando a deixa-lo quase anêmico.
Rin observou-o durante longas duas horas, e chegou ate cochilar um pouco, mas acordou quando ouviu o suporte onde o soro estava cair, e este espatifar-se no chão. Ao olhar o Youkai, o viu sentado sob a cama, estava com a mão na boca, e uma grande quantidade de sangue entre suas pernas. O sangue estava um pouco qualhado, haviam pedaços nele. Rin olhou aquilo inerte, pareciam pedaços de carne.
- O que aconteceu com você? – ela atentou-se desesperada.
- E... eu... am... amo... – ele estava fraco demais... não havia o que fazer... parecia o fim.
Aquelas foram as últimas palavras do Youkai, após entrar em coma. Rin o levou para o laboratório, onde ele foi examinado por completo e o resultado foi desastroso.
- Parece que ele esta deteriorando de dentro para fora... não podemos fazer nada, além de esperar... se o organismo dele reagir aos antibióticos, podemos começar a ter esperanças.
Rin olhou-o pelo vidro, e sentiu um nó na garganta.
Se ele continuasse vivo, Ichi jamais ia ser normal... mas estaria sendo egoísta pensando dessa forma, afinal, aquele ser tinha sentimentos, ou não teria dito "eu amo".
Os dias passavam-se lentos e dolorosos. De um lado Ichi continuava a ter bons resultados, do outro Sesshoumaru ainda em coma.
Rin supervisionava tudo, afinal a experiência jamais teria dado certo se não houvesse uma matriz.
Em um fim de tarde, a neve caia densa do lado de fora, estava bem próximo de virar quase uma tempestade. Mas dentro do laboratório, o pessoal preparava-se para o fim do expediente, mas não Rin. Ela ficaria ate mais tarde, esperando pelos resultados de alguns exames, que decidiriam se ainda poderia haver esperanças para o Youkai.
Após a neve parar de cair, os funcionários pouco a pouco foram indo embora. Apenas Rin e alguns médicos permaneceram no lugar.
Ela adentrou o quarto onde estava Sesshoumaru, ele estava um pouquinho mais corado, e a expressão havia suavizado, parecia dormir, mas não um sono tranqüilo. O coração batia normalmente, e a respiração estava quase normal.
Ele parecia bem.
Ela aproximou-se e observou o rosto dele mais de perto... a boca estava entreaberta, e ela perdeu-se ali, eram lábios atraentes, estavam um pouco ressecados por causa da falta de algumas vitaminas. Então ela molhou uma gaze em um pouco de soro, e delicadamente passou nos lábios dele, primeiro no de cima, depois no de baixo. Com movimentos delicadamente calmos. De repente, a mão do youkai segurou a dela, que assustou-se imensamente com aquele ato inesperado. Ele não estava segurando em uma forma ofensiva, havia carinho naquele toque, e Rin deixou-o continuar, seu coração estava muito acelerado. Ela sentia um misto de felicidade e preocupação. Não sabia o que fazer.
- A...Amo seu cheiro, minha Rin... – ele disse não muito baixo. A voz ainda estava um pouco fraca, mas era muito bonita quando pronunciada com suavidade e carinho.
- O que?... – ela não sabia o que pensar naquele momento. Novamente aquela sensação estranha a tomou, como se alguma coisa fosse aflorar em sue corpo. Era como se ela fosse se lembrar de algo.
- Se... Sesshoumaru-sama... – ela pronunciou sem perceber, e ele abriu os olhos de vagar, e os fixou nos de Rin.
- Lembrou-se deste Sesshoumaru, minha Rin? – ele perguntou-a, sentindo seus pulmões ainda doerem ao respirar.
- Não muito... – o coração de Rin estava indócil dentro do peito. Uma mistura de sentimentos tomou-a e ela estava tão confusa, que nem se lembrava do que estava fazendo ali.
Logo, a porta do quarto se abriu, e um dos médicos observou a cena, e ficou estático com o que acabara de ouvir.
- Nakatomi-sama... – ele pronunciou, e viu o rosto dela um pouco pálido. – a senhora esta bem?
- Sim Irochiro, Sesshoumaru-sama acabou de acordar...
- Sesshoumaru-sama? – ele ficou mais surpreso com o chamado dela, mas tratou de dar as notícias. – Nakatomi-sama, temos... – ele se aproximou um pouco – temos boas noticias. - Pronunciou baixo, vendo que, os olhos do youkai estavam fechados, mas ele não dormia como ele pensava. – os antibióticos funcionaram perfeitamente, e de alguma forma milagrosa, os pulmões dele estão se regenerando.
- Não é por causa exclusivamente dos antibióticos, Irochiro, o organismo dele tem o poder de regeneração. Não é uma ação instantânea ou miraculosa de um minuto para outro. Ele é um youkai, da linhagem pura dos Daiyoukais, que viveram a alguns séculos na região oeste, e dominaram lá por muito tempo.
- Não sabia que sabia tanto sobre essas criaturas, Nakatomi-sama. – admirou-se o jovem, mas não tão jovem médico.
- Nem eu, Irochiro. – ela sorriu um pouco sem graça.
- Irei trazer o restante dos exames para a senhora...
- Por favor, Irochiro, me traga um comprimido para dor de cabeça também.
- Sim, senhora.
Ele saiu em seguida, e Rin voltou-se para a cama, olhando ainda os exames, e um pouco intrigada com o que ainda sentia. Parecia que ela havia levando um choque de conhecimento, quando ele a tocou.
- Ainda esta acordado, Sesshoumaru... sama?
- Sim... minha Rin. – ele pronunciou-se de olhos fechados.
- O que esta sentindo?
- Dores... – ele abriu os olhos, e a fitou.
- Onde esta doendo? – Rin perguntou, aproximando-se do leito novamente.
Então, ele levantou-se um pouco, e pegou a mão dela, e pois onde doía.
- Aqui... – era bem em cima do coração. Ela podia sentir a vibração das batidas enfraquecidas.
Olhou-o nos olhos, olhos dourados, tão brilhantes quanto um diamante sob a luz. De vagar e sem sentir, ela aproximou-se do rosto dele, e ele também o fez, sentindo o coração pulsar forte e dolorido dentro do peito, e também o de Rin, mas não com dores.
Os lábios tocaram-se suavemente, e os olhos dela se fecharam sem que ela mandasse, como se estivesse sido enfeitiçada por aquele youkai, mas não era isso, ela sentia o corpo leve e com o contato dos lábios dele aos seus, sentiu algo dentro dela queimar, como se estivesse rasgando a alma, mas o beijo amenizava a dor, não era tão insuportável.
De repente, Rin separou-se bruscamente, ao ouvir uma movimentação grandiosa no corredor, seu peito ardia demais e sua mente estava turva, sentia tonteira, quase desmaiando, ela pode ver, em uma imagem desfocada, Sesshoumaru contorcer-se na cama, e um pouco de sangue sair de sua boca, que pronunciava gemidos intensos. Ela não viu mais nada além daquilo, antes de desmaiar.
Acordou sendo quase sacudida por Irochiro, que tentava dizer-lhe algo, que parecia urgente...
- Nakatomi-sama, acorde, a senhora precisa ver isso...
- O que esta acontecendo Irochiro? – ela levantou-se, com a ajuda do médico.
- Venha comigo, a senhora vai ficar muito satisfeita!
Rin foi levada para pelos corredores, ainda estava atordoada, sentia ainda um pouco de tonteira, mas mantinha-se de pés e quase correndo.
Ao chegar à sala onde Irochiro a levou, tudo que sentia quase sumiu. A emoção fez seus olhos cor chocolates marejarem de lágrimas.
- Não acredito... – ela aproximou-se do berçário, e chorou mais intensamente. – o que aconteceu para isso ocorrer tão de repente.
- Não sei Nakatomi-sama, ouvimos um barulho, e quando chegamos aqui, isso já havia acontecido, ele já estava...
- Ichi... – Rin o chamou - você pode me entender meu querido? – ela pegou na mãozinha do bebê e ele a apertou com a força que tinha.
Ouviu-se uma onda de conversas sussurrantes quando os presentes viram o bebê, de quase um ano mexer as pernas e braços, logo começando a chorar vigorosamente.
- Ele despertou da hibernação... – um dos médicos, que também fazia parte da equipe que acompanhava os resultados da clonagem, comentou.
Rin pegou o bebê no colo, ele estava bem durinho, e parecia bem saudável, mas havia ainda algo errado, pois ele chorava e também esfregava os olhos, parece que doíam.
- Chamem um oftalmologista para examina-lo! – Rin pediu, e logo o fizeram, sem demoras.
Enquanto todos estavam maravilhados com aquele acontecimento, alegres, podia-se dizer que estavam felicíssimos, Rin pode sentir um frio intenso no estômago, lembrando-se de que, para um viver o outro teria que morrer. E se Ichi estava animado, então...
- Oh meu Deus... – Rin de repente, começou a andar de pressa, saindo da sala, quase correu pelos corredores.
- O que aconteceu senhora...
Ela não dava ouvidos aos presentes, e continuou correndo com Ichi nos braços em direção ao quarto onde Sesshoumaru estava. Mas nem chegou a entrar lá, pois ele estava de pés, fora do quarto, estava com um roupão de hospital, amarrotado por ter estado deitado por algum tempo com ele.
- Sesshoumaru-sama! – ela não pode conter uma alegria devastadora que sentiu, e caminhou até ele.
- O que é isso? – ele olhou o bebê no colo de Rin, e não ficou satisfeito. O cheiro era idêntico ao dele.
- Ele é como se fosse uma parte de seu corpo, um sangue puro, igual à você...
- Como um... filhote?
- Sim, como um filhote. Eu... eu ajudei ele a nascer e crescer...
Rin explicou por alto.
- Sente algo, Sesshoumaru-sama?
- Alguma dor... isso logo passa... – ele começou a caminhar em direção à saída, mas Rin o impediu.
- Não vá...
- Preciso de roupas. Não posso... ficar assim.
- Não existem mais daqueles kimonos que você usava... – ela disse séria, e ele fechou os olhos com frustração. – Não irá encontrá-los em lugar algum. Só existem roupas como as que esses homens estão usando. É muito difícil encontrar kimonos hoje em dia, só alguma pessoa os tem, e eles próprios que fazem, para manter a tradição.
Sesshoumaru examinou aquelas roupas, não parecia tão confortáveis quanto suas vestimentas antigas, mas seria melhor que ficar nu.
- Tenho umas roupas, acho que podem servir nele... – um dos médicos, o mais alto de todos pronunciou-se.
- Não há necessidade... – Sesshoumaru recusou-se orgulhosamente.
- Não pode recusar, você não pode andar nu por ai.
- Não quero usar roupas que um humano imaculou...
- Sesshoumaru-sama... não será por muito tempo... será apenas ate comprarmos roupas novas... iremos agora mesmo se desejar.
- Não pode Nakatomi-sama, ele ainda esta muito debilitado, não pode sair, ou poderá morrer.
- Ele é um youkai, homem... não um ser humano sensível. – ela pronunciou-se e Sesshoumaru apenas moveu-se de onde estava e aproximou-se. – Pegue as roupas para ele, e leve no quarto onde ele estava. Não demore muito.
- Sim senhora...
Os dois caminharam em direção ao quarto dito por Rin, e como pedido, Irochiro levou as roupas do outro médico, que agora ocupava-se cuidando de Ichi, à pedido de Rin.
- Eu te ajudo... – Rin aproximou-se e desfez um laço, que prendia o roupão no corpo do youkai.
Ele permanecia um pouco imóvel, deixando que ela o despisse. E ela o fazia com delicadeza. Corou ao novamente ver os órgãos genitais dele, e alguns detalhes neles chamava ainda mais a atenção. As mesmas marcas que tinha na mão, rosto, pés e cintura, também estava presente no púbis, estas mais fracas que iam da coxa ate a base do pênis.
Ela não ficou olhando muito, mas ele percebeu que ela tinha observado.
- E-er... você... coloca as pernas aqui, e... – ela começou a explicar como fazia, mas ele já havia notado nos humanos, como era posto, então ele vestiu, era uma calça social preta. Se enrolou apenas para fechar o zíper e o botão, e Rin não teve como escapar. Tocou os dedos no local e delicadamente fechou a calça, ficou um pouco corada, mas fez sem nega-lo.
Logo o ajudava com a camisa, era social também, branca. Ela sentiu certa angústia por ver uma manga da camisa murcha, pela falta de um membro ali, mas ainda sim, ele não deixava de ser muito atraente.
- Sapatos... qual o tamanho do se pé? – ela abaixou-se, e com o dedo indicador na boca, passou a olhar os pés de Sesshoumaru. – Hummm... já volto... – ela saiu apressada e foi ate alguma parte do laboratório... e logo voltou com um par de sapatos, roubados cinicamente de um dos funcionários, que havia deixado na caixa de sapatos, perto da portaria. – Esse deve servir... – Ela entregou os sapatos, e ele muito contrariado, mas não com muita opção, colocou os pés no sapato, que, incrivelmente serviu certinho.
Sesshoumaru não estava nem um pouco satisfeito com aquilo, crescia uma revolta grandiosa quando ele sentia o cheiro dos humanos nele. Sentia vontade de rasgar aquelas roupas e ir nu, aonde quer que fosse.
Mas estava frio também, e ele sentiu isso na carne, sentiu ate os ossos doerem um pouco.
Não havia uma pessoa dentro do shopping que não olhava admirado para Sesshoumaru. Ele era muito atraente, mas não era bem por isso que chamava a atenção, os cabelos muitíssimo longos e cor prateada, fazia qualquer um olhar.
Nas lojas de Roupas, ele cheirava todas as peças que vestiria, não queria que houvesse cheiro humano nelas.
Rin fez boas compras de roupas e sapatos, não esquecendo das roupas de baixo.
- Não acredito que vou viver como um humano... – ele reclamou.
- Não irá viver como eles, só se você quiser. – Ela comentou sorrindo. – Vestir-se como eles, não quer dizer igualar-se à eles.
Ele ficou em silêncio, sabia que ela estava certa naquele ponto.
Os dois saíram do shopping em direção ao estacionamento, estava com um pouco de neve ainda, então, ela tomou cuidado para não escorregar. Não houve nenhum imprevisto do tipo.
Rin abriu a porta de seu jipe e colocou no banco de trás todas as sacolas que carregava e também às que Sesshoumaru carregava.
- Entre, antes que congelemos aqui fora. – ela pediu, segurando a porta aberta, e assim que ele entrou, ela fechou a porta e correu para o outro lado, entrando também. – Esta muito frio... – ela soprou as mãos, e depois ligou o aquecedor do carro.
Logo ela estava na estrada, seguindo para sua casa. Não estava preocupada com Ichi, já que o oftalmologista havia dito que, os olhos dele ardiam por terem sido queimados pela luz intensa do flash. Ele não havia dado chance de recuperação, e aplicou um analgésico local, para que aliviasse a dor intensa. Ela ainda não podia tirar Ichi do laboratório, pois o "dono" Yamada não havia dado a permissão para que ela o fizesse. Não queria ficar longe do pequeno novamente, por isso tentava lidar com seus sentimentos de mãe, que tinha pelo pequeno clone.
- Chegamos... – ela comentou, tinha brilhos como gliter nos olhos por saber que sua casa era bem aquecida, e que descansaria finalmente depois de um belo banho quente. – Vamos entrar... – ela convidou-o, depois de estacionar e desligar seu jipe.
A pancada de ar gelado que recebeu, fez com que sua pele arrepiasse e exalasse um cheiro, apenas perceptível para Sesshoumaru, e que ele conhecia bem. Era o cheiro que ela exalava quando estava querendo uma companhia um pouco mais aquecida. Ele não se atreveria com ela, ele sabia que aquela mulher era a Rin, mas não a que criou e fez mulher... Era uma nova Rin, independente e linda, como sua antepassada. Perdeu-se olhando-a. suas pernas moveram em instinto, para dentro do lugar onde ela entrou... e ele só despertou do transe, quando ela fechou a porta, e ouviu-se um peque no baque.
- Você esta bem? – ela olhou-o um pouco. Tinha que levantar a cabeça para o olhar, pois ele era bem alto.
- Sim... – ele fechou os olhos, e respirou de vagar, identificando todos os cheiros que havia na casa... e em um certo lugar, era bem mais delicado. Tinha cheiro de jasmim, e algumas flores mais silvestres.
- Sente-se um pouco... vou preparar um chá quente... você gosta?
- Talvez... – ele acompanhou-a observando as coisas "estranhas" que havia no lugar...
- Se quiser pode ir tomar um banho... e... colocar uma roupa limpa... – ela comentou, observando a reação estranha que ele tinha, em permanecer quieto por algum tempo. – O que esta fazendo?
- Sentindo o cheiro... de um macho humano...
- Um homem? Será que alguém invadiu minha casa? – ela juntou as mãos ao peito, e temeu.
- Não... ele esteve aqui a muito tempo... o cheiro esta mais forte naquele lugar... – ele indicou o sofá.
- Ikino... – ela lembrou-se. – Sim... ele esteve aqui... a muito tempo... – ela saiu de onde estava e seguiu ate uma mesa, onde haviam alguns porta retratos, e ele ficou onde estava, mas observava-a.
Ela olhou em um, uma foto do grupo de trabalho, ate Ichi estava no meio, dentro do útero artificial, onde foi gerado.
Alguns minutos depois, Rin estava na cozinha, fazia o chá que havia dito, enquanto Sesshoumaru permanecia de pés. Percebeu que, ela tinha ficado um pouco triste com o que ele havia dito, ela lembrou-se daquele macho humano...
- Aquele macho... humano... – ela soltou a colher que mexia o chá, sentindo um frio no estômago. – o que você tinha com ele...
- Nós éramos... amigos... amigos muito próximos. – uma lágrima correu no rosto de Rin, e ele abriu os olhos ao sentir o cheiro das lágrimas dela.
Então aproximou-se e a tocou no ombro... mas ele não contava de, ela abraça-lo. Ele a abraçou de volta, sentindo o coração acelerar um pouco. Ele ainda a amava, e amava muito...
- Vou te proteger, minha Rin... – ele acariciou os cabelos dela, ainda presos num coque muito bem feito.
- Me proteger? – ela levantou o rosto, e olhou-o, e ele correspondeu ao olhar.
- Hai... – ele piscou os olhos, e ela de deslumbrou com o brilho que eles emitiam.
- Seus olhos... – ela não completou, pois ele a beijou, dessa vez mais intenso. Rin sentiu novamente o peito doer... parecia que tinha alguma coisa presa em seu interior... ela tentou relaxar... mas não estava conseguindo. Sesshoumaru a apertou contra seu corpo e então Rin abriu os olhos, estava sem brilho neles, como sua alma estivesse saído de seu corpo. Então, concentrou-se, tentou manter se acordada. Aquele era o momento em que a alma dela estava despertando, estava sentindo-se estranha demais... quase desmaiando, o corpo pesava absurdamente, e seus joelhos estavam quase dobrando.
Não era para menos, pois em quase dez segundos, tudo que ela viveu em sua vida passada passou diante de seus olhos, seu corpo estava carregado de lembranças, mas ela não havia perdido a consciência de que era a Rin Nakatomi, a médica especialista em clonagens de animais vivos e pequenos fósseis.
- Sesshoumaru-sama... – ela sussurrou com sacrifício, e logo após isso caiu em um sono, não muito profundo.
- Minha Rin... sua alma esta retornando aos poucos... esta cumprindo a promessa que me fez... – ele segurou-a no braço, e a trouxe para a sala, onde a deitou no tapete, e se acomodou com ela em seu peito. – Te amo, minha pequena... – ele sussurrou, antes de cair em um leve sono.
Algumas horas depois, Rin começou a despertar, ouviu de início, um pulsar rápido de um coração. Ela gostou da quentura e do som que a ninava, mas não tentou-se ao sono novamente. Abriu os olhos de vagar, e viu a inquietude no rosto do youkai que a abrigava em seu colo.
Levantou-se muito de vagar, e sentou sob as pernas dobradas, observou-o no sono, as unhas estavam em um tom esverdeado, ela estava um pouco insegura.
- Sesshoumaru? – ela o chamou, e ele abriu os olhos.
- Tome um banho... vai se sentir melhor... – ela olhou-o novamente e viu parte da franja molhada de suor. De certo ele estava tendo algum pesadelo.
"- Imagino como deve estar se sentindo, em um mundo completamente estranho... – Ela pensou, vendo o levantar-se, e ela o fez em seguida. – Não conhece nada, nem sabe como vai fazer para sobreviver nesse mundo onde não o pertence..."
Rin, sabendo que, os youkais como ele, costumavam banhar-se em grandes lagos quentes naquela época do ano. Havia lido naquele exemplar que comprou no antigo Museu. Mas tinha a sensação de saber daquilo antes.
Com isso, ela preparou, no banheiro de seu quarto, a banheira, com água bem aquecida e mostrou-o.
Ele sorriu, um sorriso meio de lado, e sem nenhuma prática, abriu a camisa, fazendo os botões voarem. Rin observou aquilo, um pouco tensa, e saiu em seguida, fechou a porta, o deixando só. Corou um pouco ao lembrar dele nu, lá no laboratório, onde ele havia ficado em um quarto de repouso. Onde ela o ajudou a vestir-se. Enquanto ele banhava-se silenciosamente, ela preparou uma roupa confortável para ele, dentre as que havia comprado ainda aquela noite. Expô-la em cima de sua cama, e saiu do quarto.
- Ele não pode ficar aqui por muito tempo... ou vou acabar... – o coração dela acelerou, e corou um pouco.
A água quente não deixava com que o olfato de Sesshoumaru sentisse o cheiro que ela exalou naquele momento, em que pensou em algumas coisas que podiam acontecer entre ela e o youkai.
Ela sentia que era o certo a se fazer, sabia o que sentia por ele, mas... sua mente mostrava que aquilo tudo era meio equivocado. A Rin que ele amava era aquela que ele conheceu a alguns séculos, ela era uma pessoa totalmente diferente... mas não deixava de ser a Rin dele.
Ela pensou em descobrir mais sobre aquela estória, entre ele e essa humana. Porque ela tinha que ser a mulher reencarnada da matriz da sua experiência, de sua clonagem. Era coincidência demais.
Havia um único templo que abrigava relíquias e objetos dos antigos moradores daquele lugar. Poderia encontrar algumas respostas lá, talvez. Poderia procurar os moradores do templo, para saber mais sobre estórias. E levaria o livro para que eles explicassem melhor, caso soubessem.
- Porque esta tão pensativa... – ele pronunciou-se atrás dela, que deu um salto ao ouvir a voz grave dele.
- Não faça isso... – ela reclamou, parecendo brava, segurando as batidas cardíacas quase com as mãos.
- Não quis assustá-la... – ele virou-se e começou a caminhar para um canto vazio.
- O que vai fazer?
- Dormir um pouco. – ele sentou-se naquele canto.
- Não... vai dormir no chão... tem um quarto para visitas. Venha comigo... – ela sorriu contente e ele a acompanhou, meio intrigado com tudo aquilo.
- Ela não é mais macia que aquele chão? – ela comentou, olhando-o. – Vai ficar mais confortável aqui...
Ele apenas olhava-a, e depois a cama.
Vou deixá-lo à vontade agora. Tire essa roupa e depois acomode-se na cama... – ela caminhou ate a porta. – Tenha uma boa noite, Sesshoumaru-sama. – logo após ela o cumprimentar, saiu do quarto e fechou a porta. Por um ou dois minutos ficou parada segurando ainda a maçaneta, mas logo partiu para seu quarto.
Sesshoumaru, logo tirou apenas a camisa e deitou-se na estranha – para ele- cama. Estava bastante cansado, mas isso não o fez cair no sono. Não estava acostumado com aquilo, de viver daquele jeito, dormir em locais macios ou coisas parecidas.
Já Rin, permaneceu adormecida profundamente. Ressonava quando Sesshoumaru foi ate o quarto onde ela estava e passou a observá-la. Ela era a mesma Rin, não mudara muito, apenas um pouco em sua aparência, parecia mais madura que a Rin que conheceu nas eras antigas. Lembrou-se mais, lembrou-se de quando sua Tenseiga a ressuscitou, tanto sangue e partes de seu pequeno e singelo corpo dilacerado, pelos dentes daqueles lobos.
Ao lembrar das feridas, estendeu a mão e aproximou-a do rosto de Rin, que suspirava em seu sono. Mexeu-se para lado e seus negros cabelos caíram sob o rosto, e ele delicadamente afastou-os, tomando cuidado para não arranhar o rosto com suas unhas afiadas.
Sesshoumaru baixou os olhos, triste talvez, mas logo ergueu a cabeça, olhando a lua dentre as nuvens densas, através da janela que havia acima da cama de sua amada. Um pouco de vento abriu a janela e ele, sem pensar, saiu por ela.
Assustada Rin acordou, e sentindo um frio cortante a fez recolher. Alcançou logo a janela e fechou-a, olhou ao horizonte pelos vidros, uma figura disforme. Seu sono e cansaço a fez cair novamente no sono, como em um feitiço.
Sesshoumaru voou durante muito tempo, sentindo os ventos gelados atingirem seu rosto, passou por cima de várias colossais construções, e por fim por cima de um lugar, arborizado e com uma força espiritual muito grande. Aquilo chamou a atenção dele que logo desceu ao lugar.
Um morador do templo, despertou de súbito, sentindo o coração acelerado, estava suando muito. Olhou para o lado, sua esposa dormia um sono tranqüilo. Levantou-se de vagar e caminhando do mesmo jeito foi até o quarto onde seus dois filhos dormiam.
Aquela sensação era muito estranha, parecia conhecida. A porta da casa foi aberta, e olhando toda a extensão, não viu nada, só sentiu um vento frio.
- Deve ter sido imaginação minha... – o homem comentou, ajustando seu casaco e logo entrando novamente.
O sol, tímido começou a despertar naquela manha, adentrando invasoramente pela janela. Dentre as nuvens ele queria sobressair.
Rin despertou lentamente, e logo levantou-se.
- Tive um sonho estranho... será o que ele quis dizer... – ela comentou levianamente.
Levantou-se, cobrindo-se com seu robe rosa, e calçou suas pantufas da mesma cor. Caminhou ainda com muito frio para o banheiro, e logo cuidou-se na rotina matinal.
Logo foi para a cozinha, e abriu a dispensa, começando rapidamente preparar o desjejum. Enquanto a água fervia, ela caminhou até o quarto onde Sesshoumaru estaria adormecido. Devagar e sem quere fazer barulho algum, aproximou-se da porta, mas antes de tocar a maçaneta, ouviu uma voz atrás de si.
- O que esta fazendo?
- Ah... – ela assustou-se e logo corou. – eu ia... ahn... você quer desjejuar comigo?
- O que? – ele a olhou confuso.
- Venha, vou servir alguma coisa para você comer... – ele olhou-a caminhar em direção a sala, e a acompanhou sem muito entender.
Observou-a colocar objetos na mesa e logo sentou-se.
- Venha, sente-se... - convidou-o sorrindo.
Ele não se aproximou, continuou observando-a de onde estava enquanto ela se alimentava com gosto.
- Vou sair logo, preciso ir trabalhar, ver Ichi. Estou ansiosa para saber mais sobre ele...
- Como conseguiu fazer aquela criança? – ele interrompeu em um tom meio decepcionado. – Nunca pude ter um filhote puro, pois a minha Rin era humana... ainda é humana.
- Ele é uma cópia idêntica sua, foi tirado um pequeno fragmento de seu corpo, e eu manipulei, logo era uma célula germinada e o coloquei em um útero artificial para que gerasse. Eu fiz você novamente, pois pensava que já estava morto... é algo meio complicado de se explicar, para você que não entende nada sobre genética, ou clones.
-Sim, não entendo... existe possibilidades de as nossas fêmeas gerarem mais de um filhote por vez...
- Isso, é exatamente isso que eu fiz, só que artificialmente, entende. É como se você tivesse nascido de sua mãe duas vezes, tendo um irmão idêntico.
- Não aceito isso... não quero um irmão, já tive muita dor de cabeça com um bastardo antes de adormecer, não admitirei que outro...
- Não vai fazer nada contra Ichi... – ela o olhou magoada, e levantou-se de onde estava. – ele é só um bebê indefeso. E tenho certeza que não vai agir como um animal irracional e machucá-lo de alguma forma.
Rin caminhou para o quarto seguidamente, ia se arrumar para mais um dia de trabalho.
Ele observou-a caminhar, e logo que ouviu a porta bater, fechou os olhos com força.
No laboratório, Rin observava as reações químicas de uma outra célula pelo microscópio eletrônico. Queria entender mais sobre a regeneração dos tecidos presentes no sangue que Sesshoumaru pusera enquanto estava acamado. Era uma incrível visão, ver as células se recuperarem. Ela estudou aquilo durante muitos dias, e sempre que chegava em casa, tinha uma surpresa diferente. Uma vez foi inevitável não sair correndo aos gritos ao ver grande quantidade de pelos nos tapetes e sofá, o qual estava um pouco (muito) danificado. Parecia que havia caído grande quantidade ácido sulfúrico ali e arrancado um pedaço. No canto, Sesshoumaru sentado, arfava, aprecia ter corrido quilômetros.
- O que aconteceu aqui, porque minha sala esta toda destruída? – uma gota gigante pairou em sua cabeça.
- Eu... eu tentei uma mutação, mas ainda estou muito debilitado... – ele olhou as unhas, ainda decepcionado.
Ela olhou-o com dó.
- Logo estará bem... vai dar tudo certo... – ela baixou-se frente à ele e não se atreveu tocá-lo.
Ele olhou-a, com os olhos estreitos, sentiu-os desfocar-se. – Comeu alguma coisa? – ela percebeu a dilatação das pupilas dentro daqueles olhos dourados.
- Não... – Sesshoumaru baixou os olhos, acalmando a respiração.
- Esta ficando desnutrido, a quantos dias não come nada? Acho que desde que chegamos aqui.
- Não gosto de comida humana...
- Carne? Carne crua?
- Saí a procura do tipo de comida que gosto, mas não consegui sentir nenhum cheiro, ele não existe mais. Comi carne de um animal, em uma fazenda, mas não me deixou muito satisfeito, me alimentou por apenas algumas horas.
- É, isso funciona assim comigo também... – ela sorriu sem graça.
- Vou comprar alguma coisa crua para você comer... – Rin saiu, o deixando recostado na parede onde estava.
Algumas horas depois, ela chegou, tinha algumas sacolas nas mãos e Sesshoumaru, ao sentir o cheiro forte de sangue, correu em direção a ela.
- Trouxe carne de carneiro, bovina e de frango... escolha a que lhe cheirar melhor...
- Caçou todos esses animais? Não admito que uma fêmea humana me sustente. – ele a viu dar risadas. – Qual esta sendo a graça? – ele pronunciou-se muito sério.
- Eu não cacei esses animais, eles são abatidos e vendidos em partes no mercado. Não precisamos caçar mais.
- Hum... – ele olhou-a desconfiado.
- Quer que eu tempere, ou prepare para que possa...
- Não há necessidade, eu faço isso... ele pegou uma das sacolas e levou para a sala.
- Melhor que seja em um lugar mais apropriado... – ela sorriu, olhando para a cozinha.
Então ele caminhou de volta e seguiu para o local indicado. Lá despejou as embalagens sobre a mesa, e após rasgá-las começou a comer, sem cerimônias. Rin sentiu o estomago dar voltas, ficara enjoada, pois não imaginava que ele poderia comer aquilo com tato gosto.
Aparentemente satisfeito, ele seguiu para a janela e antes de abrir, olhou para Rin que o observava.
- O que vai fazer?
- Vou sair, procurar um local para descansar, fora daqui... – ele olhou-a mais uma vez. – quer vir comigo?
- Ahn... não, vou descansar... – ele nem esperou que ela terminasse, saiu sem se quer dizer um tchau.
Faltavam poucos dias para o aniversário de Ichi e também o ano novo. O pequeno agora com dois anos, já caminhava com suas próprias pernas. Ele brincava normalmente, e não parecia cego. Seus instintos eram bastante aguçados e sua autodefesa como a de um autêntico youkai.
Rin estudava-o e ele tinha seu próprio lar no laboratório. Não podia o levar para casa, ou um confronto entre ele e a matriz poderia por tudo a perder.
De tanto Rin conversar com o pequeno, ele já falava algumas palavras, era encantador o ver pronunciar algumas coisas.
- Nakatomi-sama, descobrimos um local onde existem muitos registros sobre youkais e suas lendas, dizem que lá, tem muitas coisas, fósseis, pele e até armas feitas de ossos dessas criaturas. Eles não expõem esses itens pois acham que são amaldiçoados, e deixam-nos guardados sob efeito de um lacre, feito por uma sacerdotisa que assumiu o templo com seu marido, depois que seu avô faleceu... – Irochiro estendeu um papel para Rin, que surpresa olhou-o. Localizou-o seguidamente em sua mente, percebendo que ficava a alguns quilômetros dalí.
- Irotchiro-sa...maa... – uma voz infantil pronunciou-se.
- Hai Ichi-kun... – o rapaz baixou-se, encantado.
- Ichi quer papá... – ele direcionou os olhos fechados para o rapaz e os abriu, sem brilho e ainda manchados pela cegueira.
Enquanto isso, Rin tinha uma expressão confusa no rosto, e sentia-se meio incomodada com aquilo.
- Irochiro, cuide de Ichi, eu vou nesse local.
- Mas a senhora deveria esperar, não pode invadir aquele lugar, é um local sagrado...
- Eu sei Irochiro, eu só vou fazer uma visita. E aproveitar e fazer umas orações, tem muito tempo que não as faço.
Ela pegou seu jaleco no encosto da cadeira, mas parou de súbito ao ouvir Ichi chorar com vigor.
- Rin-sama... – o pequeno pronunciou, correndo e abraçando as pernas dela.
Rin o pegou no colo e o aconchegou num abraço, e ele retribuiu, abraçando o pescoço de Rin com seus braços curtinhos.
- Eu volto logo meu querido... – ela o olhou com ternura. Irochiro percebeu o amor materno para com o pequeno e preocupou-se um pouco.
Logo que o colocou no chão o pequeno andou até onde o rapaz estava e começou a brincar com os blocos de madeira que havia no local.
Rin caminhava apressada para seu jipe, ansiosa para conhecer aquele templo, e logo que adentrou e ligou seu carro saiu rapidamente, correu bastante até que chegou finalmente à rua. Estava muito tranqüila e havia muitas arvores pelo caminho, sentiu muita paz interior.
Reduziu a velocidade a quase nada e parou frente a uma gigantesca escadaria, sentiu dessa vez seu corpo vibrar e seu coração acelerar descompassadamente. Não entendeu o porque daquela reação.
Estacionou seu jipe em uma vaga qualquer, e desceu ansiosa, olhou mais uma vez os números no papel e viu que era os mesmos que havia na portaria, próximo as escadas.
- Acho que esta aberto... – ela começou a subir, cada degrau seu coração ficava mais apertado. Parou nos últimos degraus ao ver uma mulher, estava varrendo o templo com uma vassoura muito velha, de palha natural. Ela estava próxima a uma arvore muito grande, parecia antiga demais. Sua casca envelhecida mostrava que sua idade era bem avançada.
Ela observou o local, grandioso e com uma casa. Na porta, havia duas crianças, um menino, o mais velho e uma menina ainda muito pequena, não deveria ter mais de seis anos.
A mulher estava vestida com roupas antigas, um kimono simples, parecia uma aldeã, mas aquele era o uniforme para que ela atendesse as pessoas que ali iam para buscar algum tipo de ajuda.
- Posso ajudar? – a mulher aproximou-se, e olhou-a. Parecia indecisa.
- Ah... bem eu... vim fazer umas orações, e...
- Pode entrar, fique a vontade... – ela foi educada.
- Sim, obrigada. – Rin terminou de subir as escadas e caminhou até um local, onde se faziam as orações.
- A senhora gostaria de um amuleto... – Rin foi desperta por uma pequena menina.
- Nina, venha aqui... – Um homem de longos cabelos negros chamou a menina, ele tinha um rosto muito familiar, e Rin não deixou de observar aquela expressão. Olhou a menina que tinha uma expressão meio decepcionada.
- Eu vou querer um amuleto, pequena Nina... – Rin a olhou e ela abriu um largo sorriso.
- Obrigada, vou lhe dar o meu favorito! – ela tirou do bolso uma bolinha de cristal rosa e entregou a Rin que sorrindo pegou-a. – Essa é a Jóia de Quatro Almas e...
- Nina, não... vamos entrar... – o homem pareceu inseguro quanto ao que a menina ia dizer.
- Mas papai, eu queria...
- Para dentro, já disse para não perturbar os visitantes com isso.
- Sim senhor... – a menina entrou decepcionada e passou pelo pai, entrando logo.
- Me desculpe, ela não se controla...
- Meu nome é Nakatomi Rin... eu vim porque fiquei sabendo sobre umas coisas...
- Rin? – o homem ficou observando.
- Sou médica e trabalho com clonagens em um laboratório próximo daqui.
- Não estamos interessados em nada sobre.
- Inu-Yasha, não seja mal educado, ela não veio aqui para arrumar brigas.
- Mas Kagome, prometemos...
- Não diremos nada além do necessário.
- Kagome... – ele olhou-a, mas ela não deu atenção aos alertas.
- Quer tomar um chá conosco?
- Sim, é muito gentil Kagome-san. – Rin a elogiou.
Logo elas adentraram e começaram a conversar enquanto o homem preparava o chá, observava a conversa.
- Então você tem um filho de dois anos? – Kagome perguntou sorrindo.
- Não é bem um filho, mas eu cuido dele como se fosse, eu o clonei...
- Ah entendi... qual é seu nome mesmo?
- Nossa, me desculpe – Inu-Yasha que observava, fechou os olhos, pois já sabia que a esposa ia reagir de uma forma esperada. – Meu nome é... Nakatomi Rin... mas pode me chamar de Rin...
- Inu... Yasha...
- Você não me deixou dizer...
- O que? – Rin olhou-a intrigada. – porque estão me olhando com esse espanto todo?
- Não... é nada...
- Rin-sama quer saber mais sobre a história da jóia que lhe dei? – A pequena aproximou-se e ajoelhou-se próximo a ela.
- Ah, eu quero sim pequena, mas outro dia, eu preciso ir... estou em cima da hora.
- Nina, venha, vamos levar à senhorita Rin até aos portões do templo.
- Hai!
Logo, as três estavam fora do templo e o homem observava da porta junto com seu filho mais velho.
- O que esta acontecendo papai?
- Nada, não se preocupe. – ele comentou enquanto via a mulher de cabelos longos descer as escadas.
- Kagome... acha que ela pode ser...
- Sim Inu-Yasha, ela é a reencarnação da Rin, mas porque ela voltaria.
- Houve uma grande confusão no museu que abrigava os ossos do Jaken e da Rin... sumiram muitas coisas de lá, e a imprensa não registrou nada sobre o caso, tem algo errado Kagome, mas eu não posso e nem tenho como saber. Não quero pensar, nem imaginar que não posso defender você e meus filhos de um perigo eminente.
- Não se preocupe, não vai acontecer nada. Os youkais foram extintos há muitos anos.
- Espero que isso não volte... – ele abraçou a esposa com carinho, enquanto olhava a filha brincar aos arredores da grande arvore.
Rin dirigia apressada e assim logo chegou ao seu destino. Desceu do jipe rapidamente e correu em direção à sala da reprodução, onde havia feito uma reprodução de tecidos, queria ver se tinha dado certo, e ao chegar lá, a surpresa foi muito grande. Um grande pedaço de pele havia se formado.
- Isso é maravilhoso... – ela comentou para si. – as vitimas de queimaduras irão ter mais chances agora.
Ao fim do longo e vitorioso dia, ela voltou para casa. Satisfeitíssima por muitas conquistas novas. Mas uma surpresa não muito agradável a aguardava.
Ao adentrar em casa, notou que estava muito silenciosa, Sesshoumaru parecia estar dormindo. Mas se surpreendeu ao sentir a mão forte apertar seu braço.
- Eu conheço esse cheiro...
- O que esta fazendo, me solte! – ela pediu um tanto assustada.
- Onde esteve, com quem conversou?
- Com ninguém, agora me solte antes que eu me aborreça de verdade.
- Inu-Yasha...
- Hã? – ela olhou-o muito surpresa.
- Como pode estar vivo, aquele bastardo.
- Você o conhece? – Rin olhou-o incrédula.
- Senti uma sensação familiar naquele templo na noite em que saí, e agora esse cheiro grudado em suas roupas, não há duvidas que seja de meu meio irmão bastardo.
- Irmão?
- Eu irei lá...
- Não pode, ele tem uma família, dois filhos...
Sesshoumaru parou de súbito.
- Não pode ser seu irmão, ele é humano, e não tem traços de youkai, vive em paz com sua família em um templo antigo. Seu irmão esta morto, como já disse, você é o único youkai originalmente vivo.
- Você não entenderia... – ele fechou os olhos.
- Não vá... deixe os em paz.
- Rin...
- Por favor... – Quer que eu conte a história da jóia de quatro almas? ... Quer um amuleto de nosso templo?- Rin lembrou-se de Nina, e do sorriso que a menina tinha nos lábios. – Se você for, pode causar problemas. A filha daquele homem é pequena e pode sofrer um baque psicológico...
- Rin, não é eles, eu quero saber como ele pode estar vivo. Eu, um youkai de linhagem completamente pura, quase não resistiu ao tempo, como um meio youkai pode resistir?
- Meio? – ela olhou-o e caminhou em seguia para o sofá, sentando-se. Observou-o aproximar, e fechou os olhos antes de começar a explicar.
- Meu pai teve uma mulher humana como fêmea, e ela pariu meu irmão... eles eram de espécies diferentes, mas conseguiram gerar uma cria mestiça. De tempos em tempos aquele bastardo se transformava em humano completo...
- Interessante...
No templo, Kagome e Inu-Yasha, já recolhidos em seus aposentos conversavam sobre o passado árduo que tiveram.
-Sesshoumaru desapareceu um tempo depois que matamos Naraku...
- Eu não podia procurar por ele e nem pela Rin mais, eu não tinha com encontrá-los, não na forma humana... depois que ela se tornou mulher, ninguém a impediu de procurá-lo...
- Ela não era uma mulher, ela tinha a minha idade quando te conheci...
- De qualquer forma era uma mulher formada para dar crias...
- Inu-Yasha, mulher humana não dá crias, têm filhos.
- Dá no mesmo...
-De qualquer forma, não os encontramos mais, até voltarmos para assumir o lugar da mamãe e do vovô aqui na era atual. E depois vimos no museu os restos mortais da Rin, e do Jaken... além das coisas do seu irmão...
- É... e desde que passei para esse lado do poço, não consegui mais voltar a ser um meio-youkai... maldição... – Inu-Yasha levantou-se furioso e saiu do quarto.
- Espere... – ela percebeu a angustia do companheiro, mas não o seguiu.
Sem camisa e só com uma calça de moletom, ele saiu, indo para perto da árvore sagrada. Olhou-a, sentindo a brisa esvoaçar seus cabelos longos.
Um som o despertou, e rapidamente se pois em alerta.
- Então... ainda esta vivo, seu bastardo?
- Sesshoumaru... o que quer? – ele não mostrou-se nervoso. – Porque voltou?
- Quero saber porque vocês deixaram a Rin ir a minha procura?
- Não podíamos impedi-la, ela seguiu o destino que quis...
- A Rin me procurou durante muitos anos, adoeceu enquanto me procurava, por sua culpa ela morreu... – ele aproximou-se, com ar de fúria. O coração pulsava rápido, a sensação era como os tempos antigos, pois Inu-Yasha mesmo na forma humana, sentiu seu sangue, ainda misturado clamar, e tentar aflorar em sua aparência.
- Não tenho culpa se ela era seu bichinho e estimação, o que abandonou ingratamente no vilarejo após a morte do Naraku...
- Não podia levá-la, ela era só um filhote... humano...
- Um filhote humano que te amava, e você ingrato, deixou-a lá. Chorou durante dias após sua partida e a Kagome ouviu por várias vezes ela dizer, conversar com os deuses que ia procurá-lo, nem que fosse sua ultima coisa a fazer... e foi o que fez. Após a morte da Kaede- velhota, ela se debandou, foi em uma noite, ninguém viu.
- Esta insinuando que eu sou culpado por ela ter morrido?
- Não tenho nada com isso... – ele deu as costas ao irmão, mas ele o impediu, pondo-se frente a ele.
- O que mais você quer?
- Bastardo, ainda sinto que devo matá-lo... você sujou o nome... – ele foi interrompido por uma pequena menina.
- Papai... quem é esse moço, porque ele esta aqui? – a pequena esfregava um dos olhos, espantando o sono.
O cheiro que invadiu as narinas de Sesshoumaru o fez arregalar os olhos, deu dois passos para traz, atônito. Como aquela pequena humana podia ter o cheiro quase que idêntico ao de seu pai?
Inconformado e confuso, ele saltou, sumindo em seguida.
Inu-Yasha suspirou aliviado, pegou sua filha no colo e a pequena Nina deitou a cabeça no seu ombro, adormecendo logo.
Pensou durante dias e noites, quase não comia, sabia que tinha que ter alguma explicação para aquela pequena garotinha humana estar totalmente impregnada com o cheiro de Inu-Taishou.
Enquanto isso, Rin trabalhava arduamente em um projeto, que beneficiaria muitas pessoas desmembradas.
No laboratório ela trabalhava prazerosamente, entusiasmada com a sua mais nova descoberta que, a partir de uma única célula retirada do corpo de Sesshoumaru, podia, alterando algumas partes, fazer com que se reproduzissem muito rapidamente.
Logo ela imaginou reconstruir aquele membro que faltava no corpo da criatura que mais admirava.
Existia também um médico, especializado em implantes de membros, sendo esses mecânicos, usando linhas finas feitos a partir de neurônios artificiais, inventado por um neurocirurgião, que era obcecado na cura de sua filha que, parou de andar aos dezesseis anos, após um acidente que levou parte de sua coluna.
Esses capilares de neurônios artificiais, desenvolvia a mesma função de um nervo comum, mas que demorava a se adaptar ao corpo, por ser algo artificial.
Após a adaptação do corpo àqueles nervos, o membro mecânico, usando de um microprocessador, recebia ordens vindas diretamente do cérebro, tornando aquele membro mecânico parte integral do corpo, realizando tarefas quase que idênticas do natural. A única diferença era a sensibilidade táctil, que era inteiramente primitiva. E a aparência, era revestido de uma capa de silicone, que imitava a pele humana.
Apenas os ossos, nervos e músculos eram ligados nesses membros artificiais, não tendo nenhum colamento na parte amputada e reconstruída.
Rin imaginava mais longe, pois ao invés da primitiva sensibilidade táctil, a integração completa do membro à partir do revestimento completo do membro de titânio e capilares nervosos artificiais. O membro desempenharia originalmente sua função sem nenhuma imperfeição.
Conversando com o médico, Rin não se deu por vencida pelos conselhos e advertências que o mesmo deu.
O tecido poderia rejeitar a prótese por ser algo sintético, mas as teorias de Rin eram muito convincente, o problema agora era convencer Sesshoumaru topar a cirurgia.
A pele feita a partir de células clonadas retiradas de uma pequena parte de Sesshoumaru, foi minuciosamente estudada por Rin, e ela conseguiu ótimos resultados, alterando algumas partes, obrigando a célula a se adaptar aos membros artificiais.
Realizados os testes, os membros podiam agora serem implantados, e com o poder de regeneração, multiplicava-se rapidamente, formando em pouco tempo, membros quase idênticos aos originais.
O problema era a dor dos ligamentos nervosos sintéticos aos originais, eram cirurgias minuciosas, demoradas e cansativas.
Rin estava saindo-se muito bem, recebendo elogios e ofertas de todos os estados, e, até cientistas americanos ficaram interessados nos projetos.
Mas ela não estava interessada em nenhum dinheiro além do que já tinha ganho com todas as cirurgias feitas... todos os ganhos eram apenas para cuidar de Ichi e Sesshoumaru, que vez em quando desaparecia por semanas.
- Você confia em mim? – certa tarde, ela aproximou-se do youkai, e olhou-o sorrindo
- Não mais do que deveria... – ele foi frio, apesar do seu coração estar aquecido pelo amor pela aquela mulher.
-Deixe eu devolver seu braço... vai ser melhor...
- Não tenho necessidade disso... não estou me queixando a falta desse braço...
- Gostaria de ajudá-lo... – ela levantou frustrada. - ...mas se não quer, não vou mais tocar ...
- Porque quer que eu tenha dois braços? Te incomoda a falta deste? – ele encarou as costas da mulher, e sentiu-a exalar um único cheiro, agradável, adocicado.
- Me empenhei nessas pesquisas para ajudar Ichi voltar a enxergar, as células que tirei de seus tecidos regeneram-se e eu pensei em usar desse poder que elas têm para devolver a visão do pequeno, manipulando córneas e influenciando-as a produzirem a cura da cegueira dele... mas vi também a possibilidade de vê-lo inteiro também...
- Importa-se mais com aquela cópia falsa do que comigo mesmo... me usou apenas para curar aquele boneco bastardo?
- Não te usei, não seja tolo... – ela virou-se e o encarou furiosa.
- Faça...
- Fazer? – ela não entendeu.
Ele pousou calmamente a mão no meio do peito e arrancou de uma vez a camisa que vestia, a rasgando, e sem querer talhou o peito, fazendo sair do arranhão algumas gotas de sangue.
Rin levou a mão nos lábios, não acreditava que depois de meses pedindo ele finalmente aceitara a oferta.
- Não precisava machucar-se... – ela tirou, sorrindo, um lenço do bolso, e delicadamente limpou o sangue escorrido em um ponto.
- Deve lembrar-se, de que eu não estou fazendo isso porque é de minha vontade, apenas quero ver você sorrir... isso me deixa satisfeito.
Ela recolheu a mão e baixou o rosto.
- Embora eu não seja a sua Rin, me sinto responsável pela promessa que ela te fez...
- Rin... vocês são quase a mesma pessoa... se parece com ela, têm a alma dela... o cheiro... o mesmo cheiro...
- Não continue... – ela afastou-se. – eu sei que somos... eu não posso...
- Não vamos falar nisso... – ele tocou-a no ombro e apertou suavemente.
- Precisamos fazer os exames, preparativos para sua cirurgia... teremos um mês para te preparar. – Rin animou-se.
Sesshoumaru fechou os olhos, sentindo uma pequena sensação de estar sendo uma cobaia.
Era para seu bem afinal, ganharia seu braço novamente e poderia sentir ela em seu abraço por completo.
N/A: Oi pessoas XD~~
Peço mil desculpas por demorar tanto para postar... Eu ando sem muito tempo para escrever e editar os capítulos... e essa fic está quase pronta...
Prometo que vou tentar postar um pouco mais rápido os capítulos!
Um beijo e um grande agradecimento para todos que deixaram comentários!
