04 - Completa incompletude
Faltava pouco mais de duas semanas para a cirurgia que devolveria o braço de Sesshoumaru. Ele não estava nem um pouco empolgado, ao contrario de Rin, que sorria sempre que olhava para o youkai no canto, onde ele costumava ficar.
- O que você têm? – ela olhou-o, no canto, permanecia de olhos fechados, parecia dormir, exceto pelo dedo indicador que movia-se impaciente.
- Estou entediado... não há nada nesse lugar que possa ser feito, não há nenhuma batalha, nenhum ser que eu possa matar e ficar satisfeito.
- Você não precisa ser um selvagem nessa era, seja apenas passivo e divirta-se como nós nos divertimos...
Ele abriu os olhos e viu ela sentar-se, com uma bacia de pipocas, e logo ligou a televisão, para assistir desenhos. Antes que ela sentasse, sentiu um vento e quando olhou para trás, só viu as cortinas sacudindo... ele havia saído, ela aproximou-se da janela e maneou a cabeça ao perceber que ele só havia deixado o cheiro para traz.
Sesshoumaru, ao invés de saltar dentre os prédios, caminhou por vários quarteirões, e em alguns cantos, viu casais se agarrando. Podia sentir o cheiro que eles emanavam. Como cio dos cães.
Ele voltou a andar e interessou-se por um lugar incomum para ele, não era como os outros, que também era incomum, esse era extenso e cheio de pessoas. Um parque, e tinha cheiro adocicado.
Todos olhavam para ele, os cabelos muito longos e a aparência muito branca.
O cheiro adocicado, o enjoou um pouco, então ele saiu em direção oposta onde a brisa soprava, era um local mais reservado, e escuro, onde havia uma pequena ponte que atravessava um córrego de fluxo não muito intenso, mas que deixava o reflexo da lua vivido. Ele apenas parou na metade do caminho, e passou a observar aquele reflexo prateado. Dentro de sua mente só haviam pensamentos antigos, onde Rin, sua Rin corria feliz pelos campos, colhendo flores para o agradar, montando por várias vezes coroas, vezes mais rejeitadas por ele mesmo. Mesmo assim a menina nunca desanimava, estava sempre procurando um jeito de agradá-lo. Ele arrependia-se um pouco daqueles atos nesse momento, que sentia-se só, único dentre toda aquela espécie.
- Olá? – um pequeno ser o cumprimentou, para sua surpresa.
O youkai apenas a olhou, e estreitou os olhos ao sentir o cheiro conhecido da pequena ao seu lado.
- O senhor é tão diferente de todos, seus cabelos são como a lua... porque o senhor usa essa maquiagem no rosto?
- Você, é filhote daquele bastardo... – ele sussurrou, mas ela pode ouvir, e atentou-se, levando as mãozinhas junto ao peito, sentindo um pequeno e notável receio.
- Meu nome é Nina, e o do senhor? – ela afastou-se apenas um passo.
Sesshoumaru, porém apenas voltou-se para o reflexo no lago, não respondendo-a.
- Nina! – Uma voz pode ser ouvida a distancia, sendo reconhecida por ambos.
- Adeus senhor... – ela virou-se e começou a correr em direção à voz que a chamava, mas não precisou muito. Kagome chegou onde ela estava e agarrou a filha como se fosse ser atacada por aquele youkai.
- S-Sesshoumaru? Como pode estar vivo?
- Mamãe, eu já sonhei com ele uma vez... – Nina abraçou a mãe, sentindo-se mais segura.
- Então... vejo que Inu-Yasha não contou que eu já havia feito uma visita ao templo?
-Inu-Yasha... não me contou nada... porque ele fez isso?
- Pergunte àquele bastardo... – ele olhou-a friamente, e Kagome pode sentir um frio intenso na espinha, o qual não sentia há muito tempo.
- Rin esteve no templo... ela esta procurando por alguma coisa?
- Apenas quer entender mais sobre youkais. Não é a mesma Rin que eu conheci.
Kagome pode sentir uma pequena semelhança entre a historia deles e a dela com Inu-Yasha. Mas a diferença era que agora ele estava no presente e ela também é do presente. A viagem contraria de uma história que já havia sido vivenciada por outros corpos.
- Kagome... – ele a chamou quando ela se virou para ir embora.
- Sim? – ela não se virou. Como não houve pergunta ela saiu.
Sesshoumaru olhou-a e viu a garotinha acenar sorrindo. Logo voltou a observar o lago, permaneceu ali por algumas horas, voltando depois para "casa" onde Rin havia adormecido no sofá.
A televisão ligada mostrava cenas de um filme, e a bacia de pipocas agora quase vazia em cima da mesa de centro.
Ele aproximou-se sorrateiro, e passou a observá-la. Ela suspirava, e ele pode sentir o coração acelerar dentro do peito, pousou um dos joelhos no chão, e aproximando-se dela, fechou os olhos ao sentir o calor da respiração dela em seu rosto, lembrando-se da ultima vez em que sentiu sua Rin naquela caverna úmida, lembrando-se dos últimos suspiros que deu em seus braços. Antes que se permitisse, seus lábios encostaram nos dela, sentindo seu sangue ferver. Mas afastou-se antes que Rin acordasse. Apertou os olhos e apenas um lágrima correu em sua face, no lado esquerdo.
"- Estaremos sempre juntos... Sesshoumaru..."
"-Estaremos minha Rin..."
"- Me perdoe..."
"-Porque me pede perdão?"
"-Isso irá doer, eu não gostaria que sentisse nenhuma dor... – Ele pousou os dedos nos lábios dela, logo dando um carinhoso beijo."
"- Não irá doer mais do que ficar sem você... – ele segurou forte a madeira talhada, cuidadosamente afiada."
"- Quando eu não mais respirar, você também adormecerá... – ela segurou a estaca, e ele pousou a mão sob a dela, ajudando a cravar em seu coração. Apenas um gemido foi proferido por ele, para que sua companheira não sofresse tanto."
"- Estaremos juntos logo meu amor... – ela estendeu a mão e pousou no rosto dele, traçando as marcas paralelas, e ele aproximou-a mais de seu corpo, podendo assim sentir sua respiração se findar, caindo em um sono profundo logo após."
- Eu deveria ter morrido... – ele pensou, sentindo falta da era antiga, quando Rin andava junto com ele.
Sesshoumaru saiu do local onde estava Rin, e sentou-se em um canto. Fechou os olhos e manteve-se passivo.
Não havia nada que podia fazer a não ser esperar, a não ser viver até o fim de seu tempo.
Os dias passaram-se rapidamente e logo a semana da cirurgia chegou.
De inicio, o diretor geral do laboratório foi contra a cirurgia do youkai já que ele não estava sob custódia deles, pois ele representava um perigo para todos os funcionários do local, além de não poderem o manter sempre adormecido por questões éticas. Rin muito esperta logo arrumou um jeito, dizendo que ele havia cedido a célula para a clonagem, e que se não fosse pelos dois, ele e ela não teriam descoberto o mundo dos youkais. Mas também porque ela havia desenvolvido a prótese orgânica, o que poderia ajudar muitos deficientes físicos. Ele serviria como uma cobaia.
Os ossos com base de aço e cobertura de titânio, revestido por organismos vivos, feitos com a própria organização viva do youkai, o que evitaria por completo a rejeição do órgão, já que era parte dele.
Rin preparou-se durante toda a semana, e também o braço que estava praticamente pronto. A única coisa que faltava era conectá-lo no youkai. E o sangue verdadeiro começar acircular no membro.
Para o manter vivo, o membro era mantido nos líquidos modificados, com uma imitação do sangue do youkai, feito por Rin. Havia apenas uma diferença, ainda não havia aparecido as marcas sob o punho, Rin não conseguia explicar do porque, tinha feito tudo certo, até a trama genética estava idêntica.
Um grupo de médicos ajudaria Rin a realizar a cirurgia, que seria bastante complicada.
E faltavam poucos dias.
Ela cuidou pessoalmente da dieta do youkai, que se recusou primeiramente a se alimentar com o que ela servia.
Rin preocupava-se com a alimentação dele, e sabia que aquela não era a dieta certa para ele, que se alimentava de carnes nobres que continham nutrientes únicos.
- Inu-Yasha, porque não me contou que havia visto seu irmão? – Kagome perguntou, durante o almoço, sendo calma com as palavras, o que deixava o rapaz muito atento.
- Não achei necessário, nós tivemos uma conversa hostil, e ele ainda tem obsessão em me matar por eu ter o sangue de nosso pai correndo nas veias.
- Não tem mais, você é humano.
- Kagome... eu sou humano porque nesta era, meu sangue esta reprimido pela força da arvore sagrada e também pela ausência da força sinistra que mantinha meu sangue ativo. Nas luas mais fracas, eu sinto muito incômodo, pois o enfraquecimento dos poderes da arvore faz com que minha natureza reaja, querendo voltar a naturalidade hibrida...
- Eu sei de todas essas coisas, meu amor... – ela acariciou o rosto dele, terminando por fim em acariciar uma das mechas que caiam na frente da orelha direita. – ... mas eu não fiquei feliz em ter me escondido isso, é muito importante para toda a nossa família. Se seu irmão resolve se rebelar...
- Ele não vai, eu não posso lutar com ele dessa forma, e ele não aceitaria um desafio, a não ser que fosse de igual para igual... – ele segurou na mão dela carinhosamente. – Minha forma humana salvou vocês.
- Pode ser que ele ainda queira a...
- Ele não vai querê-la, ele não pode usá-la e não tem porque utilizá-la nessa era. Não existe com o que lutar aqui, a não ser contra o envelhecimento, a saúde...
Kagome olhava-o intrigada, sentia-se segura com aquelas palavras. Não tinha como Inu-Yasha voltar a ter a forma de meio-youkai, o que não deixava-a preocupada.
Após o almoço, ele saiu, começando a caminhar, com os pensamentos totalmente conectados nas eras antigas. Passou por uma livraria e começou a andar pelos corredores de livros, ainda pensando num passado distante, mas tudo fugiu de sua mente, quando encontrou em uma das prateleiras, um livro grosso de capa branca e letras negras, lia-se "Clonagens, ou cópias perfeitas."
Folheando o livro, lembrou-se daquela cientista que havia ido ao templo, Rin, que supostamente era a reencarnação daquela garotinha, que foi ressuscitada por Sesshoumaru, resolvendo seguidamente procurá-la e saber se ela era realmente a reencarnação da menina.
Programou-se e procurou o melhor jeito de chegar ao laboratório, mas não contava da surpresa que o aguardava: Rin estava saindo para almoçar entrava em seu jipe e com ela havia uma criança, era idêntico ao seu meio irmão, e ele não podia sentir o cheiro, mas o pequeno Ichi sim, que parou ao sentir a presença.
- Ichi, querido, temos que ir, ou vamos nos atrasar, o que você tem? – ela o pegou no colo e adentrou o carro, mas ele se colou a janela como se pudesse ver o que estava a sua frente.
Inu-Yasha seguiu o carro enquanto pode, mas sua força humana era nada comparado ao que era antes. Ele acabou desistindo e voltando à porta do laboratório, e adentrou.
- Gostaria de conversar com a doutora Nakatomi,quando ela retornar.
- Não sei se ela poderá te atender senhor, ela anda bastante ocupada e...
- Não me importa, eu quero falar com ela e a esperarei. Sei que quando me ver aqui irá querer falar comigo também. Sei de coisas que muito a interessa.
- Senhor, não podemos permitir que fique aqui esperando, a doutora Nakatomi é muito ocupada, ela não poderá o atender, terá que voltar na próxima semana...
- Eu não posso ficar aqui, mas posso ficar lá fora, não podem me impedir de falar com ela... – ele saiu decidido e sentou-se no meio fio do outro lado da rua.
Um tempo depois, Rin finalmente chegou, Ichi havia adormecido e ela o pegou delicadamente nos braços, para não o despertar.
- Como consegue andar com esse youkai por aí sem que ninguém a interrogue? Já pensou na possibilidade das forças do governo tomarem-no de seus braços para fazer todos os tipos de exames e dissecações possíveis?
- Quem... – ela virou-se, e deparou-se com um rosto bastante familiar.
- É melhor protegê-lo, ou irá virar uma cobaia nas mãos desses carniceiros.
- O que quer... Inu-Yasha? – ela o apertou contra o peito.
- Apenas conversar, e saber algumas coisas sobre meu irmão... e esse outro youkai que esta em seus braços. Não me deixaram te esperar lá dentro...
- Vamos até meu laboratório, também tenho muitas perguntas para fazer. Pode me ajudar em muitas coisas...
Os três entraram e após pedir a autorização à Yamada, diretor geral do laboratório de pesquisas, eles adentraram. Inu-Yasha não deixou de mostrar a língua à recepcionista, travesso por ter podido entrar.
- Então, você é o irmão caçula de Sesshoumaru?
- Pode parecer mentira, mas sou. No passado tivemos muitas desavenças e brigas, por eu ser filho de uma humana com o nosso pai, que era de linhagem pura...
- Certo, então, você deve ter um pouco menos de idade que ele, mas ainda assim um centenário? – ela olhou incrédula e com um ar debochado, de quem não estava acreditando. – Quer mesmo que eu acredite nisso?
- Porque foi procurar nossa família então? – ele olhou para ela sério.
- Eu sei que há lendas sobre aquele templo e Sesshoumaru disse que o irmão bastardo dele estava morando lá. – ela levantou-se e caminhou até o local onde estava cercado por um cortinado. – só que é impossível, eu pensei depois de algum tempo e cheguei a conclusão de que não há possibilidade de um outro ser, a não ser o que clonei e Sesshoumaru estejam vivos nessa era. São muitos anos, séculos, entende?
- Isso é uma história longa e complexa, e que levaria muito tempo para contar e explicar...
- Me de uma amostra de seu sangue, posso examinar e provar à você que é apenas um simples humano. Pode ser que ele tenha parentesco com você, mas de muitas gerações atrás.
- Eu não deveria ter vindo aqui... – ele levantou-se frustrado, e ia caminhando para a porta de saída.
- Espere... – ela o chamou e ele não olhou para trás. – Pode me contar essa história?
- Para não acreditar? – ele fechou os olhos e voltou a caminhar saindo do lugar completamente frustrado.
Rin ficou horas pensando no que o homem dissera a ela, e não conseguiu trabalhar com eficiência, preferiu voltar mais cedo para casa.
Tomou um demorado banho, mas ainda assim as palavras ecoavam em sua mente. E uma curiosidade demasiada a tomou.
Depois do banho, ela procurou por Sesshoumaru, que havia chegado. Entrado pela janela como sempre.
- Podemos conversar um pouco?
- Não estou com muita vontade de conversar... – ele estava frustrado, podia-se ver manchas de sangue na gola da camisa branca que usava.
- Foi caçar? – ele apenas não respondeu, mantendo-se de olhos fechados. – Conversei co Inu-Yasha hoje... – ela saiu, caminhando para a cozinha. Ao ouvir o nome, ele rapidamente atentou-se.
- O que ele queria?
- Eu não sei, ele foi lá e me disse um monte de coisas... Acho que esta procurando alguma ajuda.
- Não acho que seja isso... – ele afirmou com certeza.- Inu-Yasha nunca procurou ou pediu ajuda, a não ser para o grupo dele, que viveu em nossa era.
- Vou visitar a família dele no próximo fim de semana. Quero saber sobre a história que ele tem para contar.
- Aquela garota, Kagome... ela veio de outra era, desta era e ajudou aquele bastardo a reunir uma jóia que havia sido fragmentada pela própria flecha dela.
- Nina me falou dessa jóia, mas ele a impediu de entrar em detalhes.
- Ele esta se escondendo, bastardo covarde.
Ela não tinha como não acreditar, se o próprio Sesshoumaru se referia aquele homem como seu irmão. Mas Rin não era uma mulher que acreditava fielmente até que os olhos dela visse num microscópio as semelhanças genéticas. E ela buscaria um jeito de ver isso.
Mas não agora.
Faltavam poucos minutos para a entrada dela na sala onde realizaria a cirurgia onde devolveria o braço esquerdo do youkai.
Ele estava impaciente, e não queria que nenhuma outra pessoa tocasse nele.
- Doutora... o seu paciente não quer deixar que eu aplique a anestesia, assim fica difícil de trabalhar com ele... – o anestesista informou-a, com expressão de braveza no olhar, e preocupação.
- Ele é excêntrico demais, deveria saber disso, os outros da equipe não o informou disso? Não o toque por enquanto...
- Mas precisamos dar início antes que a senhora entre, para estar preparado para começarmos, assim vai demorar mais tempo...
- Não se preocupe com o tempo, mas sim com o sucesso da cirurgia. – ela informou-o amarrando a mascara atrás da cabeça. – desse sucesso depende não só ele, mas muitos deficientes físicos...
- Sim senhora, me desculpe... – Rin saiu na frente e ele acompanhou-a.
Chegando à sala, encontrou Sesshoumaru pronto à sair, arrancava o soro sem pena de seu braço.
- O que esta fazendo? – ela olhou-o muito aborrecida.
- Não quero que esses humanos cheguem perto de mim, não quero que me toquem.
- Não seja tolo, deite-se, eu vou cuidar de você... – ela o guiou para a cama, e ele aceitou, apenas porque o cheiro dela estava cada vez mais parecido com o de sua Rin. Um toque confiante e carinhoso, o fez ceder a anestesia local. E ele começou a ficar sonolento, com as doses aplicadas ao soro de sedativos, mas para que apenas ficar sonolento.
Rin contou com uma boa equipe, que a ajudou o bastante.
Inicialmente ela havia feito as incisões, circundando a área em que havia se formado uma camada de gordura, de onde o membro foi arrancado. Após a remoção, ela procurou todos as pontas nervosas, que haviam calosidades, terminais deformados pela amputação.
- Esse... braço foi arrancado friamente ou... – ela sentia alguma dificuldade em achar alguns tendões. – o objeto usado estava completamente cego.
- Doutora, houve uma alteração nos batimentos cardíacos...
- Eu senti, eu peguei um dos principais nervos, o que faz ligação ao músculo do peito, tente regularizar os batimentos, ele segura bem a dor, mas o corpo reage de forma diferente. – ela olhou o rosto dele, e viu uma expressão perturbada. Ele mantinha os olhos fechados e a respiração alterava quando em vez.
- Doutora... – um dos enfermeiros estendeu uma pinça com a ponta mais fina, depois de ver a dificuldade que ela estava tendo em pegar um finíssimo nervo.
Logo que conseguia ver nitidamente maioria dos nervos, ela finalmente pediu que drenassem os líquidos nutritivos do braço, e cuidadosamente o entregou a Rin, que o preparou.
- Sesshoumaru, vamos colocar agora o braço e fazer os ligamentos, deve doer mais do que o normal, não quer adormecer?
- Hum... não... prossiga... – a voz estava mole, sonolento.
Um dos presentes, segurou cuidadosamente na altura certa e Rin, inicialmente, preferiu fazer os ligamentos ósseos. Ela fez dois pequenos furos no osso do youkai e fixou duas placas finas de platina, as que seguidamente seriam presas a dois furos que haviam no osso artificial, feito inicialmente de aço revestido de titânio, pequeníssimas fissuras por onde fluiria sangue, como artérias artificiais que, alimentariam o osso por dentro, onde teria a medula, que era formada por material orgânico já produzido no laboratório.
Em seguida, com a ajuda de outro médico, ela começou a ligar as artérias, uma das principais não estava aceitando as finas linhas que suturavam e rasgava, fazendo com que eles tivessem trabalho redobrado, pois era por essa que o membro começaria a ser alimentado. Até então a coloração do braço era branca gesso, e logo que conseguiram, ele admitiu um rosado, mostrando que já começara a mostrar vida. Rapidamente, Rin conectou os nervos e os tecidos, estranhamente começaram a amolecer.
Os batimentos cardíacos alteraram muito e o youkai começou a ficar agitado, preocupados com o bem estar dele, somaram uma pequena quantidade de sedativo e aplicaram gradativamente até que ele adormecesse de vez. Só assim normalizou e eles conseguiram também se acalmar.
Qualquer movimento brusco, poderia resultar na perda de quase nove horas de trabalho minucioso.
Delicadamente, um dos enfermeiros secava o sangue que vazava de alguns capilares, e outro suturavam as partes que faltavam. Por fim a pele, a que deu um intenso trabalho e mais duas horas, e Rin deixou com um outro especialista em micro cirurgias, que ligou parte das artérias subcutânea, e pequeníssimos capilares nervosos, responsáveis pelo tato.
Por fim, eles limparam todo o local, desinfetando por completo e cuidadosamente os locais onde haviam sido suturado, enfaixaram e o repousaram, deixando-o em um constante soro com misturados de nutrientes que não deixariam com que o corpo inicialmente não rejeitasse o membro implantado.
- Eu não quero um chá, mas sim um café forte adoçado. – Rin observava seu paciente pelo lado de fora, por um vidro, ele ressonava, fragilizado pelos sedativos. – Fique aqui, por favor, e me ligue a qualquer reação, qualquer pulsar mais forte, me ligue. Preciso ser informada de qualquer pequeno movimento.
- Sim senhora... creio que ele não irá mexer nenhum músculo até a recuperação e aceitação do corpo. A dor seria intensa e poderia causar lesões...
- Não sejamos pessimistas, hum? – ela sorriu. – Ele vai acordar em algumas horas e iremos saber se tudo deu certo.
Logo após dizer isso, ela saiu, foi até ao quarto de Ichi, olhou-o adormecido em sua caminha, e saiu em seguida. Desceu até a recepção e avisou que sairia, iria comer algo e descansar alguns minutos.
- Inu-Yasha... eu estou preocupada... – Kagome observava o marido de costas para ela na cama.
- O que aconteceu Kagome? – ele virou-se, e s olhos castanhos podiam ser vistos na penumbra.
- Devemos dar uma boa limpeza... amanha naquele lugar...
- Não acho que seja uma boa idéia mexer nessas coisas agora, Kagome... – ele foi contra, virando-se de volta para o canto.
- Teremos um evento em duas semanas, precisamos deixar tudo preparado para ser exposto... Nina esta muito animada...
- Kagome, esses humanos não deveriam brincar com certas coisas. A energia que essas coisas emanam não faz bem a ninguém.
- Não tem porque ter medo, eu os purifiquei e meu avô lacrou-os antes que falecesse...
- Os amuletos do seu avô não valiam nada.
- Amanha vamos limpar aquele local e você vai me ajudar...
Inu-Yasha suspirou, ela não entendia os motivos daquela preocupação.
O dia estava começando a clarear quando Sesshoumaru abriu os olhos. Sentindo os músculos completamente doloridos. Rin estava dormindo na cadeira ao lado.
- Rin... – ele sussurrou e nisso ela despertou.
- Sesshoumaru, como se sente? – ela preocupo-se.
- Não estou com dores, mas me sinto fraco...
- Isso é por causa dos sedativos... ainda estão ativos no seu sangue.
Ela rapidamente caminhou até o outro lado , descobriu o braço e surpreende-se com o resultado, apavorou-se de início.
O membro estava roxo na parte da ligação, e as marcas paralelas começavam a aparecer, estava um avermelhado.
Ela tocou no membro, e ele olhou-a, os olhos brilhando, parecia satisfeito de alguma forma.
- Sente isso? Sente meu toque?
- Sinto, eu acho que... – ele mexeu o dedo indicador, e Rin iluminou o rosto com um sorriso. – posso mexer um pouco... eu não sinto, é como se estivesse dormente.
- Descanse, logo tudo vai normalizar e você conseguirá movimentar o braço...
- Meu corpo esta absorvendo aos poucos... – ele esforçou-se e tocou a mão na dela, e ela imediatamente segurou-a.
- Não se esforce... por favor... pode causar alguma lesão... – ela foi cuidadosa e repousou o braço dele novamente na cama. – durma, e quando acordar vai se sentir melhor. – ela acariciou o rosto dele, e ele fechou os olhos, e os manteve assim até adormecer.
Três dias depois...
-Doutora... – um dos médicos, ortopedista, que ajudou na perfuração óssea, parecia preocupado, as radiografias mostravam calos em volta da ligação entre o osso e a prótese.
- Não entendo, será o que esta causando essa reação?
- Parece uma pequena infecção... mostra uma massa escura como o próprio osso... parece coágulos. Teremos que abrir e fazer uma raspagem, se for mesmo uma infecção.
- Não é uma infecção, ele não esta tendo febre, o organismo dele esta reagindo normalmente e os exames de sangue estão normais. "- Meu corpo esta absorvendo aos poucos..." – ela lembrou-se. - O corpo dele esta absorvendo o material, e transformando em massa óssea.
- Está louca? Isso é titânio, não há como ser absorvido por nenhum tipo de organismo, por isso é usado em próteses há anos... não há rejeição...
- O corpo dele é diferente do corpo humano, tem propriedades curativas. – eu recolhi algumas células do pedaço de tecido que tirei enquanto fazia curativo no peito dele, onde estava aquela madeira, fiz algumas modificações nos núcleos das células e horas depois eu voltei a olhar e as células estavam exatamente iguais a antes de eu as modificar. Foi como se o material genético modificado absorvesse o outro. Depois disso eu fiquei pensando como eu consegui clonar Ichi. Não sei de onde o material entregue à nós foi tirado. Se bem que eu fiz uma reforma nos capilares da trama do DNA, e completei com os de uma célula humana.
- Doutora, tire algumas amostras desse material que se formou em volta do osso e estude-o. Embora os músculos e nervos forem orgânicos, "clonados" dos originais, o osso continua sendo artificial. Se realmente ele estiver colocando um invólucro no osso protético, o que pode ser possível, e não o que me disse, será uma boa, assim a aceitação será melhor. Não tem como ele transformar o metal mais duro existente em osso só porque ele é um youkai. – o médico olhou incrédulo e irônico para Rin, saindo da sala seguidamente.
Rin voltou-se para as radiografias e estudou-as por alguns minutos, logo saindo e seguindo para o quarto onde Sesshoumaru estava.
- O que será que está acontecendo? – ela murmurou. E delicadamente começou a desenrolar as ataduras do braço do youkai, que abriu os olhos ao toque. – Desculpe, eu não queria acordá-lo.
- Estou bem... – ele observou-a, sem forças para levantar-se da cama ainda.
- Ainda está doendo? – ele maneou a cabeça, negativamente
Ela terminou de tirar o curativo e ficou satisfeita ao olhar. Estava menos roxo e minava pouco sangue o que queria dizer que as duas peles estavam se aceitando e começando a cicatrizar.
- Vou precisar tirar umas amostras de sangue e... da massa óssea que começou a formar-se em volta da prótese interna. Vai ser só uma pequena picada. – Rin deu um sorriso. Mas o youkai não estava nem um pouco preocupado com isso. Era resistente à dor.
- Não podemos mais correr Inu-Yasha, temos que limpar isso hoje, falta pouco mais de uma semana para começar...
- Não insista Kagome, eu não vou entrar naquele lugar e pronto! – ele foi teimoso e continuou recostado na batente da porta, enquanto Kagome segurava a vassoura na mão.
- Então eu vou sozinha... seu imprestável! – ela olhou-o brava e saiu, seguindo para um antigo depósito.
Sem escolha, ela suspirou fundo, olhando todas aquelas coisas empilhadas. Pouco a pouco, ela foi retirando as caixas e expondo-as, tirando cada objeto e limpando-o.
Entre pergaminhos, armas e roupas, havia muitas lembranças, muitas coisas e uma, foi a que fez Kagome quase chorar de saudades. Em uma pequena caixa, com enfeites dourados, um rosário azul desbotado, com algumas contas descascando. Uma lembrança que Miroku havia dado à ela antes que voltasse definitivamente para a era atual.
- Este ficará em um pequeno altar... uma lembrança muito preciosa... – ela separou a caixinha e continuou a limpeza, até que a noite começou a cair.
Quando ela finalmente saiu do depósito, estava quase tudo limpo. Na manha seguinte, começaria a montar e arrumar as coisas nos locais onde ficariam expostos.
- Mamãe... – Nina chamou por Kagome bocejando.
- Sim, Nina?
- Cadê o papai? – ela olhou para a mãe confusa.
- Esta conversando com seu irmão no quarto, ele anda muito estranho ultimamente...
- Sabe o que ele tem mamãe? – Ela sentou-se à mesa, observando a mãe terminar de dobrar os panos de copa e guardá-los nas gavetas.
- Ele mexeu em alguns objetos de seu pai e esta cheio de perguntas sem respostas...
- Ele foi até o depósito mamãe – a menina levou as mãos na boca e manteve uma expressão de extrema reprovação. – ele... mexeu nos objetos sagrados do papai?
-Nina... – Kagome sentou-se e acariciou o rostinho da filha. - ... tudo será respondido nos momentos certos. Seu irmão esta com doze anos, quase na idade certa de saber...
- Mamãe... o que quer dizer?
- Youkais existiram há muito e muito tempo e...
- Kagome... – Inu-Yasha apareceu, interrompendo-a, e as duas presentes passaram a olhá-lo. – Ele e muito teimoso, e não quer me devolver a Tessaiga. Ele escondeu-a em algum lugar, e não quer me contar...
- Tessaiga? – Nina olhou-o confusa. – O que é isso papai?
- Ele pegou ela? – Kagome arregalou os olhos preocupada. – Como ele conseguiu achar?
- Não sei... mas me preocupo, ainda há muita energia sinistra nela... pode causar algum mal à ele...
Enquanto isso no laboratório...
-Senhorita Nakatomi... creio que deva vir conosco até o quarto de Ichi... – um dos enfermeiros preocupados chamou-a.
-Aconteceu algo? – ela seguiu-o e ao adentrar no local surpreendeu-se, completando com preocupação a situação.
- Ele caiu da cama e desde então não responde a nenhum tipo de chamado...
- Ichi... – ela abraçou o pequeno youkai, que abriu os olhos cegos, ele respirava com intensidade.
- Mãe... – ele chamou-a, fazendo com que o coração de Rin desse um salto no peito.
- Rin... – Sesshoumaru, estava de pés, e tinha uma expressão de dor no momento. – Há algo errado... sinto uma... – ele caiu de joelhos, e Ichi começou a chorar vigorosamente.
- Sesshoumaru-sama... – ela levantou-se com Ichi nos braços e caminhou até Sesshoumaru, que tinha o braço esquerdo ensangüentado, ele não o mexia e estava pendido. – Seu braço esta sangrando muito, tem que voltar para a cama... tem apenas poucos dias que fez essa... Sesshoumaru! – Ela exclamou, ao vê-lo cair desacordado e Ichi parar de chorar, acalmando-se.
- Calma doutora, ele apenas esta desacordado...
- Chame os outros e coloquem no na cama novamente. Ichi querido, esta se sentindo melhor? – Ela olhou-o, logo colocando de pés no chão.
- Sim Rin-sama... – a voz infantil soou sonolenta.
- Esta acontecendo alguma coisa, errada. – após colocar Ichi na cama, ela seguiu para o quarto onde o outro youkai estava. Ele estava respirando rápido e o coração estava pulsando descompassado.o sangramento na ferida cirúrgica havia sido estancada, e o braço estava cada vez mais saudável. E agora podia ver-se claramente as marcas paralelas, mas ainda mais claras do que as outras, espalhadas pelo corpo dele.
- Ele esta realmente aceitando o braço como se fosse dele, veja isso doutor... – ela segurou na mão dele, mostrando as marcas e depois comparando-as com as da outra mão e as do rosto. – ele já esta mexendo os dedos. Pode ser que haja alguma complicação agora que ele levantou-se... nunca vi tamanha teimosia.
Rin velou o sono do youkai durante toda a noite, marcando todas as modificações que aconteciam de três em três horas, ate que não suportou mais, e acabou adormecendo. As olheiras eram perceptíveis e o cansaço era cada vez mais perceptível, ela havia emagrecido um pouco. A dedicação para com os dois youkais era muita. Um capricho e cuidado digno.
Rin fez alguns exames e resolveu manter o youkai sedado, para que o braço cicatrizasse, já que se ele continuasse acordando ia acabar fugindo do local de cuidados e terminar com complicações, como uma infecção na ferida cirúrgica.
Era uma manha de sexta-feira, o sol estava prestes a despertar, mas havia duas pessoas que trabalhavam desde as cinco da madrugada.
Antes que os fiéis chegassem ao templo, para ajudar a montar todas as barracas e pequenos santuários, Kagome e Inu-Yasha ajeitavam alguns detalhes e ela fazia orações e purificações de alguns objetos sagrados já a muito guardados.
- Niwa não devolveu a Tessaiga ainda, você deveria tê-la deixado na outra era... – Kagome repreendeu Inu-Yasha, que olhou-a brava.
- Não deixaria ela na outra era, não sou louco... e se eu precisasse usá-la?
- Aqui? Na forma humana? – ela satirizou.
- Ela é minha herança... devo preservá-la...
- Tanto que nem sabe onde está... descuidado...
- Como eu ia saber que Niwa ia achá-la escondida perto do poço? Aquele maldito lugar estava trancado à doze anos...
- Vamos achar sua herança... não se preocupe. – Kagome olhou desgostosa.
- Espero que sim... me preocupo com meu filho acima de tudo.
Inu-Yasha olhou para cima, onde ficava o quarto do filho, com olhos perdidos na preocupação.
- Nakatomi-sama, deixaram esse convite para a senhora ontem à noite. Como a senhora estava ocupada, cuidando do youkai, não quisemos incomodá-la, então deixei para entregar esta manhã, quando viesse até a recepção...
- Obrigada Midori... foi muito gentil de sua parte. – Rin saiu em seguida, precisava ir em casa, tomar um banho, comer algo, já que estava com fome. – Volto daqui a algumas horas, qualquer coisa não hesite em me ligar.
- Sim senhora.
Rin estava relaxando no banho, a água caía quente e corrente em sua cabeça, de onde não saiam as imagens da cirurgia feita há alguns poucos dias atrás. Sesshoumaru apenas dormia, obrigado pelos sedativos, a única maneira que ela havia encontrado para deixar ele quieto na cama. Mas existia uma maneira, e ele havia descoberto por acaso, enquanto mantinha-se silenciosamente e de olhos fechados, uma das enfermeiras que tinha sido contratada, conversando com o ortopedista. Diziam sobre as doses de sedativos para ele manter-se no laboratório, e que podia ser perigoso para todos um ser desconhecido a solta pelo local sem nenhuma restrição.
Enquanto Rin tomava banho tranquilamente, sentindo o corpo relaxar, Sesshoumaru surpreendeu a mesma enfermeira, que, ingenuamente aproximou-se para aplicar mais uma dose, a agulha estava a centímetros da pele, a seringa voou, e a mão forte do youkai segurava o braço delicado da moça, que entrou em estado de choque no momento. Ela até então, não havia visto o youkai acordado, e só cuidava para que ele permanecesse bem e todas as anotações do prontuário ficarem atualizadas.
- Não irá mais me dopar, eu irei embora... – ele foi direto, levantando-se do leito, ainda segurando o braço da moça, que estava paralisada de medo, os olhos arregalados e o grito travado na garganta.
Sesshoumaru apenas largou-a, que caiu de joelhos, logo sumindo como uma bola brilhante pela janela.
O paradeiro era certo. Seu braço novo estava começando a adaptar-se nas naturais funções, apesar das pontadas agudas que dava, era suportável. Perto dali, ainda com resíduos de drogas em seu sangue a sonolência e a velocidade ainda eram muita, resolvendo assim repousar um pouco, em uma próxima pequena parte de mata, onde havia um rio corrente.
O cheiro do local lembrava muito o passado e o tempo meio frio fazia a saudade apertar. Semi nu a friagem era ainda maior.
Após duas horas a fuga, Rin ficou sabendo. No banho, com o celular no quarto e o telefone fixo distantes, ela não pode ouvir os chamados constantes, vendo só após seu descanso que seu youkai havia fugido.
Ela sabia que podia haver complicações nas ligações cirúrgicas, estava completamente preocupada, mas não sabia por onde começar a procurar. Foi até o laboratório, ficou um pouco com Ichi, até que dormisse e logo saiu, deixando-o aos cuidados dos que ficaram. Médicos e enfermeiros confiáveis.
O convite que recebera, mostrava que era na noite seguinte, aconteceria o evento no templo Higurashi.
Ela não estava certa de que iria, mas algo a puxava para ela ir.
Inquieta, sentou-se na cama, e abriu a gaveta de seu criado, puxando dela o volume "Extinção do circulo perfeito da morte":
"(...) Não era de costume youkais partilharem seus sentimentos com humanos, eles serviam mais como diversão para os mais poderosos, e alguns caçavam mulheres, as mais belas para ter noites de prazer, logo as matando para que não germinassem as sementes fecundadas.
A definição para os Inu-youkais seria mais perfeita se disséssemos assíduos caçadores, eram fies em perseguirem suas presas que poderia durar por séculos, caso elas fossem fortes o suficientes para enfrentá-los em uma batalha frente a frente.
Entre as características principais dessas criaturas estava a solidão.
A maioria dos animais, entre mamíferos e pássaros, formam casais que perduram por toda a vida, diferente dos Inu-youkais, e a maioria das outras espécies, formavam casais apenas para acasalarem, e a mãe amamentava-os até atingir a idade de cinco anos, após abandonanva-os para que continuassem a vida solitariamente, como ficavam por toda a sequência vital.
Machos adultos costumavam matar sua mãe para tomarem-lhe o lugar hierárquico na região, quando fortes o suficiente para enfrentá-la.
Capítulo seis – Inu-Youkais linhagem pura e Inu-Youkais híbridos
Restos mortais encontrados em uma caverna secular, a Oeste deste país, mostram que a linhagem de alguns Inu-Youkais começavam a misturar-se com humanos, dando filhos híbridos.
O fóssil integro encontrado descansando sobre uma pedra, juntamente com outro youkai, não Inu-youkai, mostrava marcas ósseas de unhas, o que demonstrava que ela era submetida aos tratos e vontades de seu senhor. As vestes era de fino trato, o que mostrava que era algo semelhante a princesa de algum reino próximo... (...)"
- Isso é um monte de besteira, esse autor estava delirando ou drogado quando escreveu esse livro... – ela virou a contra capa e viu a fotografia de um senhor muito familiar. Sim era aquele mesmo homem que estava no museu aquela noite. Mas ele parecia saber muito mais sobre youkais do que estava escrito no livro. – Myagi Jyaken... – Rin leu em voz alta. – De onde saiu esse nome...
Do outro lado do bairro, um rapaz de pouca idade estava sobre um galho de árvore, observava a lua.
- Niwa, desce já daí...
- Não enche pai... eu não quero muita conversa...
- Não tem mais respeito pelo seu pai Niwa? – Kagome repreendeu-o. – Nós só queremos conversar...
- Eu não vou descer, enquanto vocês não pararem de torrar minha paciência com essa estória de que eu tenho que saber sobre essas besteiras que contam. Todos na escola debocham da minha cara por causa disso...
- Então é isso? – Kagome observou. – Eles não sabem o peso da responsabilidade e...
- Pois é mãe, eu não quero herdar responsabilidade nenhuma, sabe porque? – o garoto olhou para trás, e ela pode ver um brilho prateado em seus cabelos. Logo levando as mãos na boca. – Porque eu não sou um monge, muito menos um ancião cheio de histórias para contar para aqueles fiéis idiotas.
Num salto, Inu-Yasha chegou ao galho onde o garoto estava, e Kagome impressionou-se ainda mais, olhou a lua muito clara sobre eles percebendo que estava quase cheia. A muito tempo não via uma lua tão clara e grande como aquela.
- Você vai descer comigo agora, seu moleque atrevido! – Ele pegou-o pelo braço e praticamente obrigou a pular. Inu-Yasha caiu de pés, mas o garoto caiu, dobrando os joelhos, ralando-os um pouco. Kagome logo o acolheu, olhando apreendendo o marido em seguida.
- Seu bruto, não viu a altura daquele galho, ele não é um meio youkai como você! – ela disse finalmente, e Niwa olhou para a mãe com os olhos arregalados.
- Meio? Do que está falando mãe?
- Já esta na hora de saber Niwa, eu sou um meio youkai, Inu-Youkai, e que lutou com muitos youkais na era antiga para... – ouviu-se muitas risadas, as lágrimas caiam dos olhos do garoto que gargalhava do que o pai dissera. Mas logo e subitamente engoliu o riso sendo seguro pelo colarinho bem próximo ao rosto do pai.
- Olha bem nos meus olhos Niwa... – o garoto estava estático, os olhos fixos pode ver um brilho completamente diferente...
- I...Inu-Ya...sha... – Kagome assustou-se vendo algumas mechas dos cabelos negros descolorir subitamente.
Um sorriso de lado, maldoso formou-se e as unhas rasgaram a camisa de Niwa, que olhava assustado o que via, os olhos do pai mudar de castanho para um intenso dourado.
- Acha isso engraçado Niwa? – ele viu o filho tremer e acreditar em cada palavra. – Dê risadas Niwa... – o tom de ameaça soava assustadoramente, mas logo tornou-se um gemido, o que fez o homem soltar a gola do garoto, e caiu de joelhos se contorcendo.
- Pai... pai! – Niwa abaixou e tocou o ombro do pai que o empurrou com força, e ainda gemendo saiu, e andando rápido e oscilante entrou no antigo santuário onde guardava o poço. Niwa então fez que seguiria o pai, mas Kagome o conteve, apoiando apenas a mão no ombro do filho mais velho.
- Ele vai ficar bem...
- Eu não fazia idéia de que essas histórias todas podiam ser verdade. Mãe... eu... – ele olhou para o braço, fechando a mão em punho. - ... eu tenho sangue de youkai...
- Calma filho, você não é...
- Mãe, tem idéia do que é ser filho de lenda? Isso é o máximo!
- É... é? – ela alegrou-se, mas preocupo-se seguidamente, dando um sorriso meio sem graça.
- Droga... – dentro do santuário escuro, Inu-Yasha ainda se contorcia, parecia uma dor, seguido de excitação, era como o ápice o que incomodava e fazia o coração pulsar rápido e dolorido. – se não parar vou acabar como um meio-youkai, o que esta acontecendo comigo... – ele sentiu os pelos eriçarem nas costas chegando na nuca, o fazendo novamente cair de joelhos, e tendo assim uma súbita melhora, sumindo completamente com os sintomas.
Arfando e sentindo-se um pouco fraco, ele abriu a porta corrediça do local, sendo rapidamente observado pelo filho e Kagome.
- Inu-Yasha! – ela correu até ele e o abraço, sentindo o suor dele molhar seu corpo.
Um pouco receoso, Niwa aproximou-se, e olhou o rosto do pai, que sorriu para ele, dessa vez sem maldades no rosto.
- Esta tudo bem... eu estou normal novamente... – Inu-Yasha fez um cafuné rápido na cabeça do filho que sorriu desconfiado. – Preciso da minha Tessaiga filho, preciso que devolva-a para mim...
-Vou buscá-la... está escondida na mata... bem distante. – o garoto saiu correndo, sem medo de entrar na mata escura.
- Ele ficou assustado, Nina vai aceitar melhor quando souber... ela tem mais maturidade, se parece mais comigo. – Kagome sorriu satirizando a situação.
- Isso não tem graça. – os dois caminharam até o banco perto da arvore sagrada e sentaram-se.
Um olfato apurado capturou muitas partículas, e dentre elas uma muito familiar que, fez com que o dono do olfato levantasse a cabeça e arregalasse os olhos.
- Esse cheiro... – Sesshoumaru levantou-se, sentia o sangue correr rápido pelas veias, e o nervosismo fazendo com que seu braço recém implantado cicatrizasse com mais velocidade.
Apenas de calças, ele caminhou rápido em direção ao odor, que vinha dos cabelos de Niwa.
Era como se ele estivesse indo em direção à caça, e de repente parou, assustado com o que seus olhos presenciaram.
Niwa, o filho mais velho de Inu-Yasha segurava a Tessaiga nas mãos, sem nenhuma restrição, nenhuma rejeição. A aura da espada estava mais fraca, mas o seu poder sinistro continuava o mesmo.
Ele aproximou-se silenciosamente do garoto, que não percebeu, assustando-se grandemente ao olhar para trás.
- Um... youkai? – ele temeu pronunciar a ultima palavra e esperto começou a correr desesperadamente em direção ao templo. Sesshoumaru o seguiu e viu quando ele aproximou-se rápido do pai, caindo de joelhos arfava e chorava assustado.
- O que aconteceu Niwa? – Kagome percebeu o desespero e tomou o filho nos braços.
- Essa espada esta amaldiçoada, ela chama youkais adormecidos na floresta... – ele tremia um pouco transpirava um bocado.
- Do que está falando? – Inu-Yasha pegou a espada da mão do filho e passou a olhar para a mata de onde o garoto havia saído, mas não sentia nada além do vento.
Sesshoumaru observou a família entrar em casa e logo sentou-se próximo ao lugar, sua ferida cirúrgica, apesar de superficialmente cicatrizada, ainda doía muito, por causa das ligações nervosas, que levavam mais tempo para adaptarem ao corpo.
Em casa, Rin andava de um lado a outro, preocupada com o youkai, e também pensativa. Queria conversar mais com aquele ancião que vira no museu.
Por hora tinha que adiar esse pensamento curioso, e procurar pistas. Estava bem tarde e ela preferiu esperar o sol aparecer para começar a procurar. Deitou-se um pouco demorando muitas horas até adormecer completamente.
Os raios solares penetravam por dentre as folhas das árvores naquela branca manha. O tempo estava quase limpo, com algumas nuvens branquinhas como algodão, no céu.
Sesshoumaru suspirou muito fundo, e abriu os olhos, estava recostado numa árvore, como na era antiga, mas com a diferença: não só o canto dos pássaros penetravam em seus ouvidos, mas também sons contorcidos de motores de carros em movimento, e pessoas conversando. Franziu o cenho, perturbado com aquilo. Teria que se acostumar aquilo, já que não havia outra maneira de viver naquele "mundo" onde não pertencia.
Logo cedo, começaram os preparativos para o festival anual no Templo Higurashi. Kagome e Niwa saíram em busca de alguns itens que faltavam. Inu-Yasha e Nina ficaram encarregados de receberem os visitantes, o irmão de Kagome e sua família.
- Quanto tempo Inu-yasha-sama... – Souta cumprimentou o cunhado dando-lhe suaves tapinhas nas costas.
- Sim bastante, como está indo a vida de casado? – ele quis saber.
- Bem melhor do que eu esperava, ela esta grávida de novo...
- Mas não parece... ela parece até mais magra que da ultima vez e...
- Tio! – Nina correu em direção ao rapaz, e pulou nos braços dele, afagado-o com um abraço carinhoso.
- Como está pequena Nina? – Souta colocou-a no chão, após abaixou-se até ficar da mesma altura que a menina.
- Bem, estou cuidando dos youkais fossilizados que papai trouxe da floresta... – ela parecia empolgada com o assunto.
- Isso é muita responsabilidade... melhor voltar para onde estão, ou podem fugir...
- É verdade! – A menina colou as mãos em cada lateral do rosto, mostrando-se assustada e logo saiu correndo, voltando a uma pequena tenda aberta, com alguns frascos e fósseis.
- Nárya, vou com Inu-Yasha aos fundos do templo, me chame quando Kagome chegar, por favor. – a voz saiu suave e a mulher, segurando uma menina pela mão, acenou com a cabeça, afirmando o pedido.
Rin desjejuava naquela manha, esperava que Sesshoumaru voltasse na madrugada anterior, sempre fazia isso quando fugia do laboratório, mas não foi assim dessa vez, o que deixava-a mais preocupada ainda.
O alimento descia empedrado pelo esôfago da moça, que forçava a alimentação para não sentir-se fraca. Logo que terminou, seguiu para a sala e pegou seus documentos e o livro, mas logo o soltou observando a capa, decidiu não levá-lo ao trabalho.
O dia seguia cansativo para ela, pois era a ultima semana do mês, e ela fazia exames completos no pequeno clone para saber como estava o funcionamento do pequeno, se estava bem, ou com algum problema de pequeno porte.
Colheu algumas amostras de sangue e colocou-os em observação. Os resultados ficariam prontos alguns dias depois, quando os componentes sanguíneos estivessem separados.
Após fazer isso, banhou e vestiu Ichi, não percebendo por fim que havia uma pequena bolha no couro cabeludo da criança.
Seguiu assim para o leito onde Sesshoumaru estava e passou a estudar os prontuários, as ultimas anotações feitas pelos enfermeiros e médicos que o examinaram. Os resultados estavam satisfatórios para menos preocupação. Faltava agora achá-lo.
- Ele esta bem, espero que não ocorra nada de errado com aquela ferida, sistemático como é, vai arrancar o braço e jogar todo um trabalho no lixo...
- Preocupada, Nakatomi-sama? – uma enfermeira, muito jovem que passava pela porta perguntou, ao ouvir Rin comentar.
- Sim... apenas pensando alto...
- A senhora vai se atrasar se continuar aí, não tem um festival para ir hoje? – ela lembrou-a, fazendo Rin dar um tapa na própria testa ao olhar o relógio.
- Quase me esqueci da hora... Obrigada. – ela saiu do local apressada, e esbarrou com alguns funcionários no caminho, mas conteve-se ao ver Yamada aproximar-se. – Boa tarde senhor?
- Rin, quero conversar com você, sobre esse youkai que operou. – ele estava sério. Vi algumas fotos e um pequeno vídeo da cirurgia que realizou junto com aqueles outros profissionais. – ele ficou ainda mais sério.
- Alguma coisa de errado Yamada-sama? – ela preocupou-se um pouco ao ver o homem franzir o cenho e fechar os olhos.
- Eu não quero que nosso laboratório seja especulado pelo governo Rin... e chegou aos ouvidos de certos indivíduos a história de que "pode" existir um ser misterioso vivo dentre os humanos. Fui chamado para ser interrogado por um dos graúdos do governo e estão começando a achar que eu estou escondendo alguma coisa aqui no nosso laboratório. – eles passaram a caminhar e Rin estava muito preocupada com aquela conversa.
- Yamada-sama, eu não conversei com ninguém sobre esse assunto, sobre o youkai ou o clone...
- Não Rin, não foi você eu sei disso... – ele parou e olhou-a gentilmente, mas voltou a seriedade do assunto novamente. – Izumo... ele contou aos federais sobre o que viu fazer aqui, e contou detalhadamente. – ele gesticulou com as mãos enfatizando. – Me preocupo com o que eles poderão fazer com o nosso laboratório.
- Todos sabemos que os youkais existiram sim, e que viveram nesse país a séculos. O governo não moveu uma palha para descobrir o que houve, porque se extinguiram ou se ainda existe algum, porque tentariam se apossar de nossas descobertas?
- Porque eles são a autoridade máxima, e querem tudo para si Rin.
- Ichi... – ela pensou alto. – O que vamos fazer?
- Temos que escondê-lo, não podemos mais deixá-lo aqui, não podemos deixá-lo próximo a nós, funcionários do laboratórios. Se necessário, devemos destruir todos os documentos sobre Ichi. Se ele cair nas mãos do governo, vai virar cobaia e certamente ficará preso à espera de uma possível dissecação. – Rin olhou-o assustada. – Izumo tem testemunhas, o médico que cuidou de Ichi, o que circuncidou-o, ele deu o depoimento dele falou sobre o clone e das características físicas.
- Mas ele estava dormindo quando o médico examinou-o, ele ainda estava em estado de coma... era como um boneco...
- Mesmo assim, respirava e o coração estava pulsando. Eu vi em alguns exames que as ondas cerebrais estavam ativas, o cérebro dele estava tendo funções, emitidas pelo sub consciente. Então isso prova que ele estava vivo.
- O que vamos fazer, onde vamos escondê-lo?
- Não sei Rin, a única coisa que sei é que eles virão na próxima semana e se não encontrarmos um local seguro para escondê-lo, ele será levado e nós dois seremos presos por ocultação de informações, que deveriam pertencer ao governo.
- Não podemos fazer experiências sem antes colocar todos por dentro?
- Rin, sabe muito bem que não, essas informações não é do nosso nível, a segurança nacional toma conta de toda e qualquer experiência que for ofensiva aos seres humanos. Izumo sabe sobre o youkai, a matriz eu digo?
- Não tenho certeza senhor. – ela estava em dúvida, mas lembrava-se do incidente no museu a oeste. – Mas acho que eles têm uma idéia de quem ele seja e a periculosidade que representa.
- Não entendi... – ele olhou-a completamente confusa.
- Lembra-se do incidente no museu, próximo ao laboratório a oeste?
- Eles devem ter ligado os pontinhos, chegaram até meu nome por causa daquele lugar.
- Devemos começar a pensar em uma solução senhor, e bem rápido.
- Certamente Rin, e eu conto com sua ajuda! – ele olhou-a e deu uma piscadela.
Logo que chegaram a saída, cada um caminhou para seu carro, e Rin saiu mais rápido, pois tinha que ir em casa banhar-se e ir ao festival. Não estava nem um pouco empolgada, mas precisava voltar lá e mais rápido que nunca encontrar Sesshoumaru. Se os homens do governo pusessem as mãos nele, seria um problema sério. E Rin não tinha idéia do quão sério poderia ser.
