05 – A Alma adormecida e os sentimentos dispersados

Poderia ser mais fácil para aquele ser único, se o amor de sua vida estivesse por completo ao seu lado. Mas por algum motivo, Rin não havia despertado completamente seu eu para aquele Sesshoumaru. Sua vida sem ele durante seus anos de vida, vivido naquela era, apagou quase que completamente os vestígios da vida passada.

O youkai sofria com isso, e naquela tarde, ele sentiu-se ainda mais solitário. Vestido apenas com a calça que estava no laboratório, Sesshoumaru sentia um pouco de frio, e fome. Seu estado enfraquecido o deixou com fundas olheiras, e lábios pouco úmidos.

A ferida cirúrgica latejava, sua recuperação estava cada vez melhor, seu organismo agora, havia absorvido quase que completamente aquele novo membro, que apresentava as marcas quase que na cor fiel. As unhas estavam se alongando aos poucos e ele quando em vez testava sua força, fechando a mão esquerda, e percebendo que podia dominar aquele novo membro.

Era quase noite quando as luzes do templo começaram a se ascender, e o festival estava a pino naquele anoitecer. Amuletos de todos os modelos eram vendidos para ajudar na conservação, e para mantê-lo funcionando.

- Nina! – Kagome chamou pela filha mais nova, que alegre olhou-a.

- Sim mamãe? – ela sorria com seus dentinhos de leite tão branquinhos, e podia-se perceber que... suas presinhas eram um pouco mais salientes, mas nada que fosse anormal para aquela época. Kagome as vezes imaginava como Inu-Yasha era quando tinha aquela idade.

- Vou até o santuário norte para buscar mais amuletos... comporte-se.

- Mamãe, traga mais joias de quatro almas também! As que estão aqui serão poucas...

- Ok... – Kagome seguiu para o lugar, deixando a filha mais nova com a bancada de amuletos místicos.

A noite estava apenas começando, e Inu-Yasha estava um pouco entediado ao lado do pequeno santuário em que estava a amostra sua preciosa Tessaiga. A velha e enferrujada espada, estava sob uma pele vermelha, também bastante velha e rasgada, bastante remendada em algumas partes.

Aquelas vestes o protegeu em inúmeras batalhas, e havia muito sangue de youkais impregnados , e algumas manchas de seu próprio sangue hanyou.

Todos os anos naquela mesma época, havia um festival no antigo templo, mas jamais eram iguais.

Inu-Yasha dava inúmeras explicações sobre sua espada, e era considerado um sábio por alguns frequentadores do templo, pois suas histórias eram verdadeiras, mas muitos acreditavam que era passada de geração em geração até chegar nele para que pudesse passar adiante.

Niwa tomava conta de outra parte do festival, a parte da comida. Como estava chegando a puberdade, não podia ficar muito próximo aos restos de objetos ou youkais que tinham energia sinistra ainda muito pouco ativa. Seu sangue estava em transição e podia acontecer uma transformação repentina. Nada que não pudesse ser prevenido antes que acontecesse.

Preocupados, seus pais não queria que ele participasse do festival, mas depois do ocorrido com seu pai, ele preferiu acatar as restrições que eles puseram em sua participação no festival.

O cheiro do alimento bem temperado, invadiu a floresta que havia atrás do templo, onde a barraca das especiarias estavam postas.

Sesshoumaru estava não muito próximo dali, e estando um pouco fraco, seu olfato apurado não estava funcionando direito ainda. Mas pode captar o cheiro do alimento, e o cheiro era bastante parecido com o que sua pequena Rin fazia quando pescava na margem do rio. Rapidamente suas lembranças foram aguçadas, e apoiando-se na arvore que estava recostado, levantou-se. Seus cabelos muito longos, estavam um pouco emaranhados, e havia folhas e pequenos galhos secos pendurados nele, o que mostrava que ficou bastante tempo ali. Seguiu caminhando, perseguia o cheiro que vinha de um pouco longe dali. Seus pés descalços faziam barulho quando esmigalhava as folhas secas no chão. Mas esse barulho era imperceptível, pois o barulho das pessoas conversando e algumas cantarolando abafava qualquer barulho que vinha da floresta, exceto a do vento farfalhando as folhas.

Rin acabara de chegar ao local, e foi recepcionada por Nina, que a abraçou com muito carinho e deu a ela de presente, um chaveirinho, onde havia uma bolinha rosada de vidro.

- Ela irá te proteger de todos os espíritos malignos existentes... eu mesmo a consagrei.

- Obrigada minha linda... – Rin olhava-a e lembrava-se de Ichi e daquela pequena bolha que havia descoberto em sua cabeça dias atrás. Aquilo a preocupava, pois o pequeno jamais reclamou de quaisquer que fosse a dor, ele era um pequeno youkai, resistente a dor como sua matriz.

- Nina... – Kagome começou, mas parou ao ver Rin, e observou sua expressão preocupada. – Rin... Está um pouco abatida...

- Sim, eu não dormi bem essa noite, Sesshoumaru fugiu do laboratório... fizemos o reimplante do seu braço esquerdo... mas ele sumiu e não sabemos como ele esta... a última vez que o vi, ele estava fraco, sedado...

- É difícil saber onde ele está, sempre foi assim...

- O que é difícil, é acreditar que o seu marido é secular...

- É... eu fiquei assustada quando caí no poço, e descobri ele adormecido naquela arvore.- Kagome apontou para a arvore, e Rin olhou, e um pouco curiosa caminhou até ela, observando em seguida a casca da árvore com uma grande cicatriz.

Inu-Yasha olhou de longe a mulher de cabelos longos, bem próxima a arvore, lembrando-se de quando Kagome o despertou. Alguns garotos aproximaram-se tirando-o das lembranças e fazendo com que os garotos entendessem alguma coisa sobre a era feudal.

- Que bom que veio Rin, assim você esquece um pouco do trabalho e conhece mais do universo youkai, temos muitas coisas aqui que representa a era feudal, onde o Sesshoumaru viveu. – Kagome tratou de despertar a atenção de Rin, que ainda expressava muita preocupação nos olhos. Entrelaçou seu braço no dela e a guiou para alguns quiosques, mostrando alguns pedaços de youkais secos e ossos.

O vento soprou forte e o cheiro de alimentos assados foi levado por ele para dentro da floresta, e junto com esse cheiro o de várias pessoas.

- Kagome, posso ajudar em alguma coisa? – Rin quis ser prestativa e Kagome olhou-a sorrindo.

- Hai, se você quiser... – Kagome não terminou, ao sentir o som particular e bem conhecida da Tessaiga vibrando.

- Kagome! – Inu-Yasha gritou, segurando a espada. Kagome pode ver os olhos do marido quase mudarem de cor, e Rin levou as mãos nos lábios.

- Inu-Yasha? – ela se aproximou e Rin também, vendo agora os olhos do homem da cor dos de Sesshoumaru.

- Kagome... essa energia sinistra... é conhecida...

- É melhor você entrar, deixe Niwa cuidar da... – Kagome calou-se ao ver Sesshoumaru pousar frente a eles, sem camisa, apenas com uma calça e descalço.

-Sesshoumaru?! – Rin olhou-o muito surpresa. O braço estava recuperado e a marca da ferida cirúrgica estava apenas avermelhada.

- Sesshoumaru! Não pode ficar aqui está chamando muita a atenção e... – Kagome começou, mas parou ao ver que ele direcionou-se para Inu-Yasha e o encarou... – Meu Deus... parem com isso vocês dois! Kagome entrou na frente de Inu-Yasha que já rosnava.

- Inu-Yasha... me dê a Tessaiga... – os olhos do youkai cintilavam o vermelho e as marcas estavam pouco dilatadas em seu rosto.

- Ah! Sesshoumaru... não tem porque querer a Tessaiga aqui... não tem como dominar um mundo que é apenas de humanos... – Inu-Yasha esbravejou, e algumas pessoas já curiosas com a aparência do youkai começaram a se aproximarem.

Algumas sussurravam "cosplay" aqui e ali, outras imaginavam que era apenas mais uma atração do templo, já que a exposição do evento era sobre criaturas.

Sesshoumaru apenas ignorou os olhos preocupados do meio irmão e saltou sobre ele indo em direção onde Niwa estava.

- Não se aproxime! – Niwa olhou assustado para a figura a sua frente, mas não reagiu, ficando estático quando ele empurrou o garoto, caindo sentado. Sesshoumaru parou a fala da multidão, e todos sem exceção olharam para ele.

Inu-Yasha tentou reagir, mas Rin o conteve.

- Fique calmo, não reaja se não pode ser pior.

- Não tem ideia do que está me pedindo...

- Youkai... – Nina aproximou-se e segurou na calça puxando, para chamar a atenção. Sesshoumaru estava com o braço esticado, a centímetros da Tessaiga, mas parou e olhou para a pequena.

As roupas, os cabelos negros... Rin... era a pequena Rin? Não, não era...

- Não pode pegar isso, ela pertence ao templo, então por favor, vá embora sem machucar as pessoas aqui, por favor... – a voz infantil tocou profundamente o coração endurecido.

Sesshoumaru levou a mão no rosto, e logo abaixou-se para olhar nos olhos da garotinha. Inu-Yasha nesse momento correu e se pôs atrás do youkai.

- Não irei pequena... hanyou... – Sesshoumaru tocou o ombro da menina, que sorriu docemente.

- Eu já sabia... mas fiquei com muito medo, porque você empurrou meu irmão... – ela virou-se e apontou para Niwa, mas quando olhou novamente para frente, ele havia sumido.

Em apenas um salto, Sesshoumaru voltou para a floresta. Todos aplaudiram, pensando que era uma apresentação.

Rin correu até próximo a arvore sagrada e olhou durante bastante tempo para o local.

- Sesshy... – ela sussurrou baixinho e uma lágrima correu em seu rosto. Logo ela foi desperta quando Kagome apoiou a mão em seu ombro, Rin olhou-a com tristeza.

O Fim do festival havia chego, e agora, Niwa ainda um pouco tremulo varria papéis do chão.

A arvore sagrada estava repleta de pedidos. Rin despedia-se de Kagome, Nina e Inu-Yasha.

Respirando fundo, ela abriu a porta do seu jipe, e adentrou-o. Não demorou mais do que 25 minutos até chegar em sua casa. A sensação era de solidão completa. Até chegar a sala.

- Rin... – Sesshoumaru estava em pé, e observava o rosto dela.

- Sess... – ela começou e seus olhos cintilaram.

Aquele cheiro era conhecido pelo olfato apurado de Sesshoumaru, ele a faria chorar novamente?

- Não chore... – ele pediu, aproximando-se; tocou o rosto de Rin com sua mão esquerda mostrando à ela que o seu rabalho, no reimplante de seu braço funcionara perfeitamente, ela sorriu e conteve as lágrimas.

- Porque sumiu? Porque foi naquele templo, o que tem aquela espada... porque ainda procura pelo passado Sesshoumaru-sama?

- Rin... minha pequena... – ele apenas a abraçou forte, e beijou o topo de sua cabeça. – Quero viver com você em paz...

- Precisamos conversar, uma conversa muito longa e chata. Eu preciso que você entenda o que está acontecendo, eu preciso que você entenda a era em que nasci... – Sesshoumaru afastou-se e olhou nos olhos da mulher a sua frente. – O que aconteceu?

- Quero saber o que tem a me dizer... – ele respirou fundo, e continuou a encarando.

- Primeiro... vem comigo. – ela segurou na mão dele, e o guiou para o seu quarto. – aguarde aqui que eu vou preparar um banho para você. – Ela sorriu e ele sentiu o coração pulsar mais forte.

Rin preparou a banheira como da primeira vez em que ele esteve ali. E não demorou muito para que ele se livrasse das roupas e adentrasse a agua quente, enfim relaxou.

Enquanto o youkai tomava seu banho, ela preparou uma roupa para que ele vestisse, e sapatos. O silêncio era muito grande no local, e ela estava ansiosa e curiosa. Ela não havia lido todo o livro "Extinção do circulo perfeito da morte", e também não sabia se lá havia alguma coisa escrita sobre o comportamento daquele youkai em particular.

Sem fazer sequer um barulho, cainhando de meia no assoalho, ela chegou da porta do banheiro, a cena era totalmente paralisante para ela...

A banheira não era muito grande, para a altura de Sesshoumaru, ele estava recostado e sua cabeça deitada na beirada, os cabelos caiam encharcados pelas beiradas da banheira até o chão, os olhos semicerrados, mostravam um pouco de brilho às luzes das velas perfumadas acesas em volta da banheira. Rin pode imaginar ele segurando uma taça de vinho tinto. Era tão chamativo que ela só despertou do transe quando sentiu a agua molhar suas meias.

- D...desculpe, eu... – ela virou-se, mas ele a segurou pela mão, ela não tentou soltar-se, deixando com que os dedos dele comprimissem delicadamente os seus.

Pode ouvir o barulho da agua movimentando se, e logo suas costas sendo molhadas , pelo abraço dele. Ela apenas fechou os olhos e respirou fundo. Será que ela podia relaxar? Ela merecia isso, e Ichi, e o governo? E...?

- O seu cheiro... doce... – a voz era grave e lânguida, sedutora. Ele não perdoou a pele fina do pescoço, uma mordiscada apenas, logo uma lambida com a ponta da língua. Ele sentiu o corpo dela amolecer e aquele cheiro delicado pairar no ar. – Mais uma vez, pura para este Sesshoumaru? – ele a soltou do abraço e começou a acariciar os braços dela, começando dos pulsos e subindo, roçava as unhas com tanta leveza que parecia uma caricia dos ventos, causando arrepios e sensações diferentes.

Rin corou e escondeu o rosto com as mãos, não sabia o que fazer naquela situação, ele, apesar de sobrenatural era um homem, sedutor e até o momento carinhoso. Um homem... não... O homem... o homem que ela amava.

No momento em que assumiu aquele sentimento, seu coração deu um salto, começando a pulsar forte e muito rápido, sua respiração se alterou e Sesshoumaru percebeu isso, o cheiro mudou de doce para o de medo, ela estava assustada e confusa. Então sua reação foi a de estaticidade, ainda assim, saiu do local, o deixando sozinho.

Minutos depois, o youkai saiu do banheiro, e parou frente a cama. Observou a sequencia das roupas e a seguiu.

Rin andava de um lado a outro da sala, estava apavorada com aquele sentimento que acabara de descobrir. Era estranha a sensação de descobrir algo que já sabia, mas estava oculta por alguma força maior, algum bloqueio. Logo que acalmou-se ela voltou ao quarto, e olhou-o. A camisa social branca estava ainda com quatro botões fora do lugar, então ela se aproximou.

- Desculpe por... – ela parou ao sentir as mãos dele sob as dela.

- Acho que entendo o que aconteceu... – ele apenas comentou e logo deixou-a terminar de arrumá-lo, ensinou por fim ele colocar os sapatos, e estava finalmente pronto.

Rin olhou para ele e sorriu, ele estava lindo, mas faltava algo. Sem dizer uma palavra, ela caminhou até sua pequena penteadeira e pegou uma escova de cabelos. Curioso ele observou os movimentos.

- Posso? – Ela sorriu novamente, mas ele não entendeu, apenas fechou os olhos e esperou.

Rin então aproximou-se e tocou uma das mechas de seus cabelos começando a escova-los delicadamente. – Sente-se aqui... ela pediu, e ele sentou-se na cama. Rin passou quase uma hora penteando os cabelos longuíssimos do youkai, que por ser muito liso e fino, faziam nós difíceis de serem desfeitos. Ao fim, ela observou o rosto passivo do youkai, sua respiração estava totalmente tranquila e relaxada, ela percebeu que ele havia adormecido. Sorriu apenas, e viu-o abrir os olhos quando ela já estava parada há cinco minutos observando.

- O que quer conversar comigo? – Ele pronunciou-se, levantando em seguida começou a caminhar para fora do quarto. Rin o seguiu, deixando antes a escova com alguns fios de cabelos dele sob a cama.

- Como era o governo de seu tempo? – ela começou, sentando-se no sofá, e ele continuou de pés, observando ela atentamente. – Um governo, um comandante, ou seja lá como vocês os chamavam. – ele continuou calado, e Rin continuou. – Hum... certo. Nós humanos temos um governante, e é ele quem comanda todo o lugar em que moramos... – Rin o viu fechar os olhos e aproximar-se, sentou-se por fim ao lado dela, mas no chão, como fazia nas florestas. Rin então, escorregou do sofá e sentou-se sobre as pernas, e continuou. – Ele manda em tudo e... eles querem dominar tudo e...

- Seja mais direta... – ele comentou em tom vazio.

- Querem aprisionar Ichi... para estuda-lo, para o disseca-lo vivo... – Ela começou em tom triste.

- Então querem pegá-lo... hum... isso não me interessa...

- Eles irão pegar o pequeno e logo farão mais clones, terá muitos iguais a você...

- O que? – ele olhou com ar enfurecido.

- Eles talvez usem o pequeno para chegar a você e o aprisionar novamente...

- Matarei um a um que tentar encostar em um fio de cabelo...

- Calma... – ela tocou o braço dele. – Eu só preciso leva-lo para um lugar seguro. Você e o Ichi... – Rin sorriu, com os olhos quase fechados.

A imagem da pequena Rin, que levou alimento para ele na floresta quando estava ferido pela "Ferida do vento" apareceu bruscamente em seus pensamentos. Aquela menina frágil e toda machucada, faltando-lhes dentes. O coração do youkai deu uma disparada sinistra e ele deixou uma lágrima cair. Rin ficou séria na hora e aproximou-se.

- Sesshoumaru-sama?

"- Eu quero ficar do seu lado para sempre, Sesshoumru-sama! – uma pequena garotinha com um kimono estrupiado e sujo comentou em suas primeiras palavras em anos de silêncio."

"- Sesshoumaru-sama! Sesshoumaru sama! – Uma garota já um pouco crescida correu em direção ao youkai, e ele pode sentir um forte cheiro de sangue, ela estava com as mãos bastante sujas de sangue, e também seu kimono.

- Jyaken, arrume roupas limpas para Rin, e que sejam grandes o suficientes para esconder-lhes os joelhos... – Sesshoumaru falou simplesmente, identificando o cheiro do sangue que sujava as vestes da garota.

- Sim, Sesshoumaru-sama!

- Sesshoumaru-sama?! – Ela não entendeu, olhando-o e ainda mostrando as mãos sujas.

- Isso é natural de toda fêmea Rin, agora vá se lavar!

- Hai! – Ela virou-se e saiu correndo em direção ao rio..."

" A lua estava alta e cheia, Rin ressonava em algum canto mas seu cheiro delicado atormentava o olfato do youkai, que estava próximo.

- Jyaken!

- Sim, Sesshoumaru-sama?

- Leve Ah-Um para pastar...

- Mas... esta quase amanhecendo... – ele calou-se quando viu o olhar inflamado de seu senhor. – Sim senhor.

Sesshoumaru aguardou algum tempo, até não se ouvir mais os passos dos companheiros, e levantou-se. Caminhou silenciosamente até chegar onde Rin estava e a observou.

A menina quase mulher estava deitada de lado, suas pernas estavam quase a amostra e seus pés um pouco sujos das caminhadas. As mãos estavam debaixo do rosto, formando um pequeno travesseiro, ela estava com os cabelos sobre o rosto, negros e brilhavam com as luzes da lua que penetravam dentre as folhas. Ele abaixou-se e apoiou-se em um dos joelhos, estendeu a mão e com cuidado tirou uma mecha de cabelos que caia sobre a boca e o nariz da moça, ela respirou bem fundo e virou-se de ventre para o alto, ainda dormindo. Sesshoumaru a admirou até que ela espreguiçou-se para acordar.

Desde essa noite ele passou a observar com outros olhos, vezes mais sedentos pelas curvas sinuosas que ela apresentava."

-Sesshoumaru...? – a voz de Rin podia ser ouvida ao longe. – Acorde, Sesshoumaru-sama!

-Oh... Rin...Eu... – Ele voltou a si, mas não sentia-se confortável com o que veio a sua mente tão repentinamente.

- Sesshy? – ela aproximou-se demais, e tocou-o delicadamente, enxugou as lágrimas escorridas e aconchegou seu rosto entre suas mãos.

-Rin... eu recordo de cada segundo... que passamos...

- Ah... – ela suspirou com tristeza. – Eu não consigo me lembrar. Elas estão presas em minha alma, mas eu sei que faço parte dessa história agora, e eu quero saber tudo o que puder me contar sobre... – ela foi interrompida bruscamente, carinhosamente por um beijo e suas mãos escorregaram do rosto para o peito do youkai, que a abraçou tão forte que quase não permitia que seus pulmões se enchessem de ar. Rin apenas aceitou o beijo sem relutância, e deixou sentir as caricias que a língua do youkai fazia em sua boca.

E um misto de prazer e medo tomou-a quando ele rasgou com foça a camisa que ela usava, mas foi apenas isso. Ele passou a língua delicadamente nos lábios dela, a fazendo gemer, voltando a beijá-la quase que desesperadoramente.

Mas as carícias não passaram de carícias, e Rin acabou adormecendo no colo de Sesshoumaru, que permaneceu imóvel, sentindo apenas o calor do corpo dela.

- Kagome... – Inu-Yasha chamou-a.

- O que foi, Inu-Yasha? – ela levantou o rosto para olhá-lo.

- Eu estou tendo um mau pressentimento sobre algumas coisas.

- Pare com isso, você não deveria comentar essas coisas, Niwa já esta sismado com tudo que esta acontecendo, se continuar assim, logo Nina também vai estar cheia de dúvidas.

- Oh... eu não quero assustá-los, mas... algo dentro de mim está me incomodando... é a mesma sensação que tive quando aquela flecha atingiu meu coração.

- Hum... – Kagome virou para o canto, e interpretou aquilo como uma preocupação, por Sesshoumaru estar vivo, e nesta era. Ele nunca gostara de nenhum outro humano, apenas de Rin. Bem e o que ele teria vindo fazer no templo, e porque depois de tudo o que aconteceu que novamente começaria a perseguir a Tessaiga?

Eram muitas perguntas sem respostas, e que só o tempo poderia responder.

Era manha, uma bela manha com sol, mas ainda estava um pouco frio.

Rin abriu os olhos, mas o calor estava tão agradável que ela estava com preguiça de se levantar, mas ainda assim, ela teria que trabalhar, e cuidar de Ichi, e pensar em algum lugar seguro para que o pequeno pudesse ficar.

- Rin... – Sesshoumaru pronunciou o nome dela quase que em um sussurro, e a voz do youkai a fez lembrar. Ela deu um salto completamente corada com tudo que aconteceu, e segurava a blusa ainda rasgada para que seu seio não aparecesse, ele apenas deu um sorriso de lado, apoiando o cotovelo no joelho, enquanto a outra perna se mantinha esticada, ele estava olhando para ela, e seu coração estava em uma calmaria muito grande. Parecia o fim da guerra.

- Ah... bem eu... preciso ir trabalhar, eu preciso pensar muito hoje, tenho que arrumar um lugar seguro para Ichi. – ela comentou seguindo para o banheiro. – Mas volto ao entardecer, quero que me conte mais sobre... – ela voltou à sala, e frustrou-se quando percebeu que estava falando sozinha. – Uh... ele se foi de novo... – ela fechou os olhos e voltou ao banheiro.

- Ohayou! – Rin adentrou as portas do laboratório muito sorridente. – Yamada-sama já chegou?

- Hai Nakatomi-sama! Ele está com Ichi.

Rin assentiu com a cabeça e logo saiu da recepção. Encontrou Yamada com Ichi no colo, e assim que ele sentiu o cheiro dela, esticou os braços. Rin aproximou-se, e ele pulou do colo de Yamada para o dela!

- Ohayou Yamada-sama, Ichi... – Rin atentou-se ao senhor a sua frente. –Está tudo bem Yamada-sama?

- Receio que teremos problemas mais cedo do que eu pensava... – Yamada levantou-se de onde estava, e caminhou em volta da mesa que havia na sala, tamborilando os dedos sob uma folha. Rin colocou Ichi no chão e aproximou-se, e logo pegou o papel.

- O que? – Ela olhou incrédula.

- É isso mesmo, é um mandado de busca dos federais, eles estão entrando... eu preciso que leve Ichi para sua casa hoje, eu vou me encarregar de destruir os dados, embora que seja quase inútil relutar, eles vão investigar a fundo... Izumo conseguiu o que queria.

- Então, nós vamos perder, é isso?

- Hum... – Yamada baixou a cabeça. – vamos tentar não ter muitas esperanças... eles usarão de força bruta e até podem nos matar por informações como essas... Ichi... se crescer e ficar como o Youkai de sua origem, pode ser ofensivo aos humanos, mesmo sendo criado entre eles. Pelo que eu li, essas criaturas são como animais selvagens. Uma vez selvagem, sempre selvagem. Agora eu peço que vá, e logo encontre um local seguro, e não olhe para trás.

- Yamada...sama. – ela olhou-o, e ele apenas fechou os olhos.

- Hai... – ele fez uma pequena reverencia, e logo saiu da sala.

Rin olhou para o canto e viu uma pequena mala pronta. Caminhou até ela e pegou-a, logo, tomou Ichi nos braços e saiu do local. Ela caminhou depressa até a saída, e sem pensar, jogou a mala pela janela do jipe, no banco de trás, e depois abriu a porta.

- Ichi, você fica aqui bem quietinho.

- Hai Rin-sama! A voz infantil fez com que Rin sorrisse, mas sua preocupação era muito grande.

Minutos depois ela caia na estrada, não estava muito rápido, mas sua preocupação a deixava um pouco desorientada, por fim a levando ao caminho errado e quando percebera, já estava em frente as escadarias do templo Higurashi.

- Ahn... eu não sei como eles vão reagir a isso, principalmente o Inu-Yasha, apesar de já ter visto ele uma vez... – Ela sussurrou com o dedo indicador no lábio, estava em dúvida se aquilo era mesmo uma boa idéia.

Aquilo não envolvia só ela, Ichi, o laboratório e Sesshoumaru, mas também envolveria todos daquela família!

Rin desceu do jipe, e pegou Ichi nos braços, logo o colocou no chão, e o pequeno sequer esperou, começou a subir as escadarias correndo, estava numa alegria contagiante, e final, era a segunda vez que ele saia do laboratório, e apesar de não enxergar com os olhos podia sentir o local e também o cheiro.

- Ichi, cuidado, vai de vagar! – ela sorriu, e começou a subir também, mas mais de vagar.

Kagome estava sentada no banco, próximo a arvore sagrada, ela observava Inu-Yasha que varria o templo, próximo ao pequeno santuário do poço. Atentou-se quando ouviu passos nas escadarias, e uma voz conhecida, mais uma infantil junto.

Kagome quase eu um salto quando o pequeno ser terminou as escadas e parou no início delas, e levantou os bracinhos, indicando que tinha vencido-as.

- Inu...Ya...sha... – ela levou a mão fechada ao peito, e deu dois passos para trás.

Inu-Yasha logo sentiu um frio percorrer a espinha e olhou em direção a Kagome, que parecia muito assustada. Ele caminhou de pressa soltando a vassoura de mato no meio do caminho.

Logo Rin apareceu no topo da escada e Ichi correu de volta para próximo a ela e a abraçou nas pernas.

- Olá! - Rin sorriu para o casal e pegou o pequeno no colo em seguida. – Desculpe aparecer assim de repente...

- Rin... essa criança é... – ela estava estática, e aproximou-se para olhar melhor o rosto do menino.

- Hum.. não, ele não é filho do Sesshoumaru. – ela comentou sorrindo. – É um clone dele. E... eu preciso da ajuda de vocês...

- Não! – Inu-Yasha interveio e virou o rosto em direção da árvore sagrada.

- Inu-Yasha! – Kagome recitou o nome dele em tom de aviso, e ele arrepiou-se dos pés a cabeça. – Vamos Rin, vamos entrar...

Dentro de casa o clima ficou um pouco pesado por causa da teimosia de Inu-Yasha.

- Então, oque esta acontecendo Rin-chan. – Kagome começou, após sentar-se no sofá. Ichi ficou quieto, existiam muitos cheiros estranhos ao seu redor, e ele reagia normalmente dessa forma quando alguém entrava no laboratório, o qual não conhecia.

- Irá começar uma busca pelo laboratório, eles querem Ichi... querem o poder sobre tudo que estamos fazendo e Yamada-sama não quer perder nosso esforço para o governo. Ichi precisa de cuidados especiais, ele é um Youkai delicado e está em uma fase de transição, principalmente agora que ele saiu do lugar de onde ele nasceu.

- Hum... eu acho que estou entendendo... eu não posso deixar esse youkai junto dos meus flhos...

- Inu-Yasha, vamos moderar, não podemos expor nossos filhos, mas também não podemos deixar de ajuda-los...

- Então como vamos fazer para ajuda-los sem colocar em risco nossas crianças? – Inu-Yasha fechou os olhos e cruzou os braços frente ao peito.

- Temos nossa chácara, seguindo para o oeste, próximo a reserva floresta. A chácara que o vovô comprou antes de falecer...

- Não tem energia lá... – Inu-Yasha respirou fundo, e sentou-se no sofá.

- Oh... me desculpem... – Rin levantou-se e Ichi a acompanhou, segurando na calça dela. - Eu realmente não quero causar problemas à ninguém.

- Não está causando problemas... – Kagome olhou para o marido que a encarou, com uma expressão de arrependimento. – só estou preocupada com você e o pequeno...

- Kaa-san! _ Nina adentrou o lugar com a alegria contagiante de sempre, mas parou e ficou séria ao ver o pequeno. Ichi dessa vez reagiu, e caminhou até a menina, parando frente à ela.

- Eu... conheço esse cheiro... – Todos olharam surpresos em direção aos dois, Inu-Yasha levantou-se. – Rin-sama...

- Há algo errado Ichi? - Ela aproximou-se e abaixou para ficar da mesma altura do menino. Ichi tinha cinco centímetros a menos que Nina, e era um pouquinho mais magrinho que ela.

- Rin-sama, quem é essa menina? Ela tem um cheiro de uma pessoa que conheço, mas eu não consigo me lembrar do rosto dessa pessoa...

- Ichi... – Rin olhou para Kagome e Inu-Yasha, e depois para o pequeno. – Essa é Nina, Filha do Inu-Yasha com a Kagome...

- Ah... ele é filho daquele youkai... ele é igualzinho... – Nina observou, ainda desconfiada, mas aproximou-se docemente seu rosto ao dele, e o olhou bem de perto, os olhos não piscavam.

- Não... ele não é filho daquele youkai Nina-chan. – Rin explicou, observando a menina afastar-se um pouco e sorrir com meiguice.

Nesse momento, Niwa adentrou a sala também, e não pode esconder a cara de espanto ao ver o pequeno Ichi também.

- Aquele youkai da floresta... – Niwa aproximou-se, e Ichi identificou o cheiro do menino a sua frente, era como o de Inu-Yasha.

- Youkai da floresta? Refere-se à Sesshoumaru? – Rin observou o olhar espantado de Niwa para o pequeno.

- Ele é filho... pai, há youkais nessa era? Eu o vi na floresta e...

- Niwa... – Inu-Yasha começou, sob o olhar de Kagome e Rin. – Aquele youkai que você viu na floresta aquele dia... é meu irmão mais velho.

- Ah... irmão? – o menino olhou-o, não escondendo a surpresa. – Eu fico cada dia mais confuso com tudo isso... eu não aguento mais essas coisas...

- Niwa! – Kagome o chamou preocupada, ao vê-lo correndo.

- Ele vai entender Kagome, um dia ele vai entender! Inu-Yasha semicerrou os olhos, e logo saiu, indo em direção ao quarto do filho.

Enquanto a conversa rolava, entre Kagome e Rin, os pequenos se divertiam, brincavam com uma bolinha amarela e alguns blocos de madeira.

- Tem certeza de que não vamos atrapalhar? Talvez eu tenha que convidar Sesshoumaru... eu não faço idéia de como vou segurá-lo lá.

- Não deveria se preocupar tanto com Sesshoumaru... ele é invulnerável a humanos, não há armas que o segure...

- Hum... não na era antiga mas agora há armas de fogo e algo que o faz ficar tão indefeso quanto qualquer outra coisa. Sedativos.

- Oh... sedativos? Então ele não pode se defender disso... é complicado... segundo o que você me contou, se o governo colocar as mãos em alguma célula de quaisquer que seja, eles poderiam os matar apenas em troca de informações. Precisam ir para a chácara. Precisam se proteger e lá, não há nenhum contato com a cidade. Mas terão que esperar até que religuemos a energia...

- Não... não podem dar sinal que há alguém morando lá. Certamente, como aqui é o templo que mais há lendas sobre youkais, é capaz de virem até aqui. Então, qualquer movimentação de vida em alguma propriedade, eles especulariam e acabariam descobrindo... complicaria muito para vocês estarem escondendo coisas do governo, então pela Nina e pelo Niwa, precisa esquecer, pelo menos por enquanto, que nos viu. Eu agradeço imensamente pela ajuda...

- Rin... – Kagome segurou forte na mão de moça e a olhou nos olhos. – Você... se lembra do que aconteceu?

- O que aconteceu? – Rin ficou confusa, mas entendia o desenrolar daquela conversa. – Eu não lembro o que aconteceu, ou o porque aconteceu, eu sinto muitas sensações, quando Sesshoumaru se aproxima, quando ele me toca, eu sinto como se o conhecesse, mas não o conheço.

- Sim, eu sei como é... temos histórias praticamente iguais, com algumas diferenças. – Kagome sorriu e levantou-se.

- Mas eu... – Rin corou, e sentiu-se um pouco constrangida em dizer.

- Eu sei, e por isso deve lutar, muito...

Rin voltava pelo mesmo caminho que fizera mais cedo, já com o endereço em mãos da antiga chácara. Dirigiu de vagar, e quando fez a ultima curva para a rua onde morava, o susto foi grande, a fazendo frear bruscamente. Saiu correndo do carro ao ver Izumo parado na porta de sua casa, ele a aguardava. Ela estava apavorada. Ichi dormia no banco de trás do carro. Rin olhou pelo retrovisor, preocupada com o pequeno. Precisava avisar Sesshoumaru de onde estava, precisava pegar algumas coisas, mas aquelas circunstancias não a deixava com muita escolha, a não ser seguir em frente...

N/A:

Olá!

Peço mil desculpas por tudo pessoal.

Aconteceu uma pequena tragédia com essa história a algum tempinho atrás.

Meu HD, que tinha até 0 7 capitulo dessa fic pronto queimou, e eu estou tendo que reescrever tudo novamente, então peço gentilmente que tenham um pouquinho de paciência!

Eu não vou desistir de nenhuma fic minha, podem ficar tranquilos!

Esse capítulo não teve muita ação, desculpem. Eu tive que reler toda a história para pegar o fio da meada, e estou cheia de boas idéias para colocar nela...

Espero que gostem do capítulo, apesar dele ter sido meio fraquinho =(

Beijos e até a próxima =3