Capítulo 4

Sakura andava alegremente pelos corredores da casa, era bem cedo ainda, mas como Hinata havia a recomendado estava ali.

Tinha acordado com o raiar do sol e estava muito empolgada mesmo com aquela coisa a apertando talvez nunca fosse se acostumar com aquilo, mas sentia-se bonita como nunca havia sentido antes, estava perfumada e com um vestido verde claro que tinha várias camadas era lindo mais pesado, seus cabelos estavam macios como nunca, só não soube fazer nenhum penteado além de sua habitual trança.

Estava ansiosa pelo o que iria aprender hoje.

_Mocinha onde está indo? - perguntou uma senhora muito bonita, os cabelos eram negros assim como seus olhos, de repente se lembrou do noivo de Hinata, será que essa seria a mãe dele? A senhora estava vestida com um belo vestido verde escuro com alguns detalhes de fios dourados, e tinha algumas jóias. Ela era muito bonita.

_Bom dia senhora, estava indo acordar Hinata, sou Sakura a nova dama de companhia dela. – eu disse meio acanhada ela me olhava de cima a abaixo me analisando, minhas bochechas ficaram rubras.

_Sou Mikoto Uchiha. Ah sim, já ouvi falar de você. Meu filho a agrediu? – perguntou desconfiada.

_Não, senhora. Ele somente se excedeu um pouco. – abaixei o olhar, na verdade meus braços ainda estavam vermelhos, mas não queria mais problemas.

_Claro,- pela feição dela, ela não acreditou nem um pouco em mim – Itachi sempre foi o mais impulsivo e explosivo dos meus filhos, Sasuke é o mais retraído tanto que é difícil manter uma conversa com ele.- ela desabafou- Já tomou o desjejum?

_Na verdade eu...

_Então me acompanhe, meu esposo teve que partir para uma viagem ainda estava escuro lá fora, e ninguém mais nessa casa acorda tão cedo. – disse tentando me convencer

_Mas tenho que acordar Hinata, ela pediu que fosse bem cedinho. – Oh meu deus, Hinata vai me matar se eu não acordá-la.

_Oh querida então você não conhece bem a Hinata, o cedo dela é somente das oito pra lá, e eu preciso de companhia, se eu não me engano esse é o seu dever, não? – disse enquanto nos encaminhávamos para... para não sei onde.

_Mas...

_Mas nada, querida. Agora sente-se. – quando dei por mim estávamos em uma sala que tinha uma mesa enorme, com tanta comida que nunca visto em toda minha vida, tinha doces geléias, bolos, e pães que pareciam ter acabado de sair do forno.

_Nossa...- suspirei

_ O que disse? - perguntou gentil

_Nada.

_Então me conte, mora com seus pais?

_Não senhora, na verdade nunca os conheci, moro com meus avós.

_Que triste, também não fiquei muito tempo com meus pais, muito jovem fui morar com meus tios e quando alcancei a idade certa me casei com Fugaku – disse suspirando

_A senhora parece amar muito seu marido. – disse

_E amo, mesmo com os altos e baixos do casamento. Não vai comer, querida?

_Não muito obrigada. – disse envergonhada.

_Irá me fazer essa desfeita? Nem mesmo um desses bolos deliciosos de ambrosia que Inore acabou de fazer.

_É que eu não sei.

_Oh querida não se sinta envergonhada, pode comer quiser, Hinata logo irá treiná-la e terá todas as bases das boas maneiras. – disse elevando a xícara a boca. Realmente estava constrangida, mas resolvi tentar, pequei um pedaço do bolo que ela havia falado. Nossa estava divino, nunca tinha comido um bolo tão gostoso, que minha avó nunca saiba disso.

_Está de seu agrado?

_Nossa está muito bom, melhor da que o da minha avó. – eu disse sorrindo

_Chá? – me ofereceu

_Não obrigada, não gosto muito de chá.

_Não? Como não? E o que quer beber, um suco talvez?

_Café.

_Café preto? – perguntou surpresa. Não sei por que as pessoas se espantam tanto, é só café, e eu raramente tinha a oportunidade de tomar já que era bem caro.

_É sim, eu gosto.

_Se a menina quer café, dê café a ela – aquela voz se pronunciou, ah por que ele tinha que aparecer. – Bom dia, mãe.

_Bom dia Itachi, estava comentando aqui com Sakura que as pessoas dessa casa têm o péssimo costume de acordar tarde o que não é o seu caso, já que nem em casa você dorme. – ihhhh acho que tem alguém está com problemas.

_Mãe, por favor...

_Por favor, nada! Itachi, você já é um homem feito, e sua noiva está nessa casa você deveria ter um pouco mais de respeito por ela e pela sua família também.

_Respeito? Respeito, mãe? – riu seco – Realmente é muito ingênua minha mãe. Mas não pretendo ferir seus belos ouvidos com minhas palavras. – Senhora Mikoto fez uma careta feia quero sair daqui, a situação parece muito séria.

_Meu filho, o que está acontecendo com você? Sai dia e noite para se deitar com essas rameiras, esse não foi o filho que eu criei, e eu não irei tolerar esse tipo de comportamento dentro da minha casa! – ela nem parecia mais aquela senhora doce de antes. – Até agredir meninas você o fez, não creio que chegou a esse ponto.

_Não agredi ninguém. Essa garota sai espalhando calunias sobre a minha pessoa e você acredita em qualquer uma. Claro todas são minhas vitimas.

_Ela não espalhou nada, Itachi! Sua noiva me contou, na verdade informou isso na mesa de jantar na frente de todos sem falar nos criados que não param de cochichar pelos cantos! – disse furiosa, tenho que me lembrar de nunca irritar a senhora Uchiha, se não teria sérios problemas.

_Perdi o apetite! – ele disse e se levantou nervoso e seguiu seu caminho com passos duros.

_Onde eu errei na criação desse menino, Sakura? - ela realmente estava triste – Desculpe por ter que presenciar essa cena.

_Perdoe a mim, senhora por toda essa confusão.

_Vamos esquecer isso, sim? Seus cabelos são lindos e esse rosa realmente atrai muito olhares, não? Tem muitos pretendentes, querida?

_Não senhora. – disse vermelha e o resto do café da manhã foi assim senhora me fazendo perguntas super indiscretas e eu ficando vermelha como um tomate maduro.


Já tinha acordado Hinata que pareceu bem satisfeita por eu ter me dado bem pelo menos com a sogra dela, que segundo Hinata era um amor de pessoa, e eu concordava. Agora eu estava ajudando ela se vestir por que hoje ela iria almoçar com umas amigas.

_Esse ou esse? – me perguntou ela com dois vestidos um azul e outro amarelo, ambos muitos lindos.

_Acho que o azul, ela combina com seus cabelos.

_Boa escolha, está aprendendo, e devo dizer que seus cabelos estão lindos, dá até vontade de tocá-los. – disse se vestindo – Essas misturas que eu lhe dei são milagrosas.

_São mesmo. – disse rindo

_Estou muito animada pelo almoço de hoje e não vou precisar que me acompanhe, não quero você perto daquelas mulheres fúteis e invejosas quiçá podem te corromper apenas a olhando.

_Então porque você vai? – perguntei confusa

_ Ora por que são minhas melhores amigas! – a olhei mais confusa ainda – Você vai entender logo. Quero que fique aqui, hoje terá suas primeiras aulas para aprender a ler e escrever.

_Sério? Oh muito obrigada, estou tão feliz.

_Sei que está, mas não sei a hora que seu professor poderá vir então não saia, ande pelos jardins, tome chá com Mikoto qualquer coisa para se distrair, não hei de demorar – disse terminando de borrifar um pouco de seu perfume.

_Mas você disse professor, como um homem?– perguntei meio receosa, eu nunca tive muito contato com homens e não sei se seria bom uma moça tendo que passar tanto tempo com um que não seja seu familiar.

_Não seja ingrata, Sakura. Não há nada que precise se preocupar, ele é de minha inteira confiança. Confia em mim? – disse ajeitando seu cabelo de frente ao espelho.

_ Claro que confio Hinata.

_Então tudo bem. Fiquei á vontade. E boa sorte. – disse e saiu me deixando naquele quarto enorme. Bom, mãos a obra.


Depois de guardar todos os vestidos e sapatos e bagunça enorme que estava naquele quarto, resolvi sair um pouco.

Andava pelos corredores rogando para não esbarrar em ninguém ou quebrar qualquer coisa, que eu sabia que se o fizesse morreria tentando pagar. Até que avistei o que eu acho que era uma mulher com uma cesta enorme andando ziguezagueando, Oh meu deus ela vai cair.

_Cuidado! Cuidado! – não adiantou muita coisa, ela se estabacou no chão - Você está bem?

_Estou sim, ai meu deus eu sou uma desastrada! – disse frustrada se levantando – Olá, sou

Konan. A mais estabanada das empregadas. Prazer. –ela era bonita, tinha os cabelos escuros com leves reflexos roxos e deveria ser um pouco mais velha do que eu, talvez a idade de Hinata vinte ou vinte um anos.

_Prazer, sou Sakura a nova...

_A nova dama da senhorita Hinata, sim eu sei, todos sabem, já chegaste aqui batendo de frente com um dos filhos do patrão.

_Mas não foi minha culpa eu juro, não estava roubando nada. – tentei me explicar

_Também sei disso, fique calma e acho que todos sabem também, só temos que descobrir se isso é bom para você, na minha humilde opinião ser motivo de fofoca não é nada bom. Mas fazer o que a criadagem fofoca é inevitável, faz nosso dia clarear. – disse rindo e ela parecia ser uma boa pessoa e bem faladeira também. - E agora terei que lavar todos esses lençóis de novo, isso que dá ser desajeitada dessa maneira.

_Posso ajudar se quiser.

_Uma dama querendo lavar lençóis, virou moda em Paris por acaso? – perguntou debochada

_Não sei se percebeu senhorita desajeitada, mas eu não sou uma dama comum. – eu disse

_Eu percebi logo, foi no exato momento em que perguntou se eu estava bem. – riu – Tudo bem, toda ajuda é bem vinda.

_Então vamos? – perguntei animada

_Vamos! – ajudei a ela a catar os lençóis e fomos lavar os tais lençóis. Chegamos lá atrás área de serviço onde tinha grandes tinas para lavar as roupas.

_Você mora aqui? – perguntei enquanto Konan colocara água nas tinas, que bom pelo menos não iríamos ter que tirar do poço.

_Moro sim desde pequena, minha mãe era empregada e morreu de febre amarela e a senhora Mikoto me deixou continuar aqui, ela sempre foi muito bondosa. Mora aqui também?

_Não, moro com meus avós na floresta, nem te falarei o quanto foi difícil para me deixarem vir trabalhar aqui.

_Muito protetores? - acenei com a cabeça que sim e ela foi pega o sabão – Minha mãe também era assim. – disse e colocou as ***** para esfregarmos os lençóis, não iria dar muito trabalho já que estavam quase limpos só com poeira.

_Ai acho que vou morrer! – eu disse pegando fôlego.

_Se você não aquentar não precisa continuar, Sakura. Já me ajudaste bastante.

_Não é isso é essa coisa que está me apertando.

_Que coisa? – perguntou confusa.

_Esse tal de espar.. ah sei lá o nome disso

_Espartilho? –riu – Realmente você é diferente das outras damas, gosta de lavar roupa, mas tenho certeza que é a única que faz isso com um espartilho tão apertado. Vai tirar isso, menina e volta aqui para me ajudar. – disse rindo de mim

_Mas não é que minha avó fala é só ter um pouquinho que seja de intimidade e já vira bagunça – disse brincando com ela – Onde é o lavabo por aqui?

_Ah é muito longe vai ali para trás da casa, bem mais para trás não passa ninguém lá mesmo. A essa hora devem estar almoçando. – ela disse e eu me afastei um pouco mais para trás da casa. – Precisa de ajuda? –escutei ela gritar.

_Não eu resolvo isso. – disse e encontrei um cantinho escuro comecei a desabotuar o vestido com certa dificuldade.

_Quando terminar isso aqui vamos comer? Estou morrendo de fome! – ela continua gritando

_Vamos sim! – respondi e agora com muito esforço estava me livrando do espartilho depois fui o tirando aos poucos, consegui e meus seios pularam para fora e agora sim eu consegui respirar normalmente. Até que eu ouvi palmas.

_Parabéns, amo espetáculos! – oh não era o noivo de Hinata, rapidamente tentei me cobrir – Pode continuar quero ver o resto do show – que homem ridículo.

_Senhor, por favor... – eu estava assustada, o que faria agora? Por que aquele homem tinha que aparecer em todos os lugares. Ele estava muito bem vestido como sempre, suas roupas lhe davam um ar sombrio.

_"Senhor " gosto que me chame assim me faz lembrar que você sempre irá estar abaixo de mim, figurativamente falando é claro, mas não me importaria se fosse na prática. –disse ele se aproximando de mim, não poderia dizer que ele era um homem feio, seu nariz era pequeno, tinha uma pele alva e traços bem fortes e masculinos, tinha ombros largos e seu corpo parecia ser forte, seus cabelos eram grandes e ele os prendia levemente, não falaria que era feio, pois com certeza não o era. Mas por que tinha que ser tão ... argh... tão assim.

Ele se aproximava cada vez mais, e a cada passo que ele dava eu retrocedia um.

_Senhor Itachi, por favor. – eu disse em um tom implorativo, que tipo de homem é esse? Não tinha respeito por sua noiva.

_Mas quando estiver gemendo, quero que me chame pelo nome. – ele disse e eu tentei correr, mas ele me encurralou arrancou o espartilho das minhas mãos._ Não se esqueça disso. – ele disse e eu dei um pisão no pé dele.

_Ah! - e sai correndo, mas pude ouvir ele gritar.

_Como seu eu fosse querer algo com uma pobre imunda como você!

Corri o mais rápido que posso arrumando meu vestido. Será que devo fugir? Ou volto para Konan, como se nada estivesse acontecido? Mas se ele vir atrás de mim? Oh meu deus! O que eu faço?

Vou falar com Konan. Isso. Nada aconteceu, pronto. Continue andando, tentando não parecer que acabei de ser atacada pelo noivo da minha senhora e amiga.

_O que houve com você? – me perguntou

_Ah nada, nada! – respondi voltando a esfregar os lençóis.

_Então por que você está pálida como se estivesse visto um fantasma?

_Pior que um fantasma. – sussurrei

_Como?

_Nada.

_Você está estranha, mas vou fingir que nada está acontecendo. – percebi que ela era bem sincera. – Cuidado para não estragar esse vestido, além de que ficar o resto do dia molhada não será bom para você.

_Ah, por favor, Konan como eu poderia me molhar? Não sou tão desajeitada como você.

_Ah quem sabe assim! – ela disse e jogou água em mim.

_Não acredito! – ri – Talvez assim! – joguei mais água nela.

_Não, não, seria assim. – me jogou um monte de água.

_Ah é? – joguei um balde de água nela.

_Oh meu deus! - nós riamos muito, e tinha água por toda parte, e não parávamos de jogar uma na outra naquelas horas meu vestido fino, deveria estar muito mais que encharcado.

_Agora você vai ver. – disse pronta para jogar mais um balde cheinho nela, mas ela se abaixou.

_Mas o que é que está acontecendo aqui? – eu acho que errei meu alvo, e acertei um alvo bem mal-humorado.

_Senhor Sasuke. - disse Konan assustada.

Oh meu deus, agora eu realmente estou em maus lençóis.


Importante:

Gente sei que não informei a vocês a época dessa história, por que eu realmente não a estabeleci, mas o mais próximo que quero é quase no final da Era Vitoriana, nessa época as mulheres usavam várias camadas de corpetes, anáguas, uma armação de saia ou crinolina, e um vestido comprido com metros de lã grossa ou seda, e também babados no corpinho e era adornado com tecido, fitas e contas complementares.

Não estou dizendo que a fic se passa exatamente nessa época, é mais como uma referencia comportamental e de estilo.


Exagerei no cap?
É eu sei, estou muito empolgada com essa fic *-*
Sasukito apareceu né, no ultimo minuto do segundo tempo, mas apareceu será que ele vai ficar muito fulo com a Sakura? kkkkkkk Vocês vão ter que esperar, haha
Gostaram de saber um pouco da Era Vitoriana? Roquira Marani também é cultura u.u (Não sigo a risca a moda da época, mas é a minha base)
Até o próximo
kissus