Capítulo 8

"Mulheres da minha terra! Gatas borralheiras com o cérebro vazio, que esperam, sentadas á lareira e com estremecimentos mórbidos, a hipotética aparição do príncipe encantado; [...] bonecas de luxo, vestidas como senhoras de Paris e com a inteligência toda absorvida na decifração das modas, incapazes de outro interesse ou de outra compreensão! [...] Pobres mulheres da minha terra! "

–Florbela Espanca

Estava indo para sala quando ouve um som de choro, pensou ser a mãe de Karin de novo, já que a mesma não parava de chorar um minuto afinal não tinha nem uma semana do velório da ruiva. Todos estavam espantados com a morte prematura dela até pensaram que Sasuke tinha a jogado da janela de seu quarto, mas ele não estava em casa, não tinha nenhum outro indicio de nada então a morte da moça foi considerada um horrível incidente. Até tinha alguns que especulavam sobre a menina ter se suicidado por causa do amor não correspondido, já que isso estava ficando cada vez mais comum naqueles tempos.

Sakura foi para sala e surpreendeu em encontrar a esposa Madara chorando no colo de dona Mikoto. Já fazia algum tempo que Madara e a família tinham voltado para casa, agora eles moravam perto do centro e nunca mais tinham aparecido.

_Eu não aguent-to mais, ele me b-bateu, me bateu e-eu não t-tinha feito n-nada. – a mulher chorava desesperada e mal conseguia falar por causa dos soluços.

_Acalme-se Tayuia, já tentou conversar com ele, tentar agradá-lo de alguma forma? – Dona Mikoto perguntava gentil enquanto acariciava os cabelos alaranjados da moça. A senhora Uchiha sabia quanto Madara podia ser cruel, sabia o que tinha acontecido com as outras duas esposas dele e temia pelo bem estar da moça.

_Eu faço tudo que ele me pede, mas ele não olha para mim! Não dorme mais comigo, prefere ficar com uma puta de esquina do que comigo! – a moça estava visivelmente transtornada.

_Minha filha, você tem que fazer alguma coisa, sei que é difícil, mas não tente confrontá-lo diretamente pode ser pior para você.

_Então o que eu faço? – a menina tentava achar uma solução, até que a porta é aberta bruscamente e Madara furioso entra na casa sem pedir licença puxando Tayuia pelos braços.

_O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? VEIO ME ENVERGONHAR? – o homem estava alterado e parecia alcoolizado também, ele berrava assustando todos e ainda mais Sakura que via aquela cena horrorizada.

_Não grite na minha casa! – Mikoto exclamou calma e altiva – Tayuia é minha convidada e está comigo, quando ela quiser ela irá ir embora!

_ELA É MINHA MULHER! EU FAÇO O QUE EU QUISER COM ELA!

_Qual é o problema? – o jardineiro Pain apareceu ali sério e mesmo com aquele tamanho todo -o ruivo era incrivelmente musculoso- não conseguiu tirar nem um pouco da coragem de Madara que apertava os braços da jovem – Quer que eu retire o senhor Madara daqui senhora? – Pain parecia calmo, mas tinha um olhar sério.

_Criado insolente! Não fale como eu não estivesse aqui, posso muito bem acabar com essa sua vidinha miserável em minutos! – bradou Madara, mas o homem não pareceu recuar com a ameaça dele, se descuidando Madara afrouxa o aperte no braço da moça que foi para perto de Mikoto.

_Não será preciso. Este senhor já estava de saída. – disse calmamente, Madara entendendo o recado se vira para ir embora, mas antes fala cheio de fúria contida que estava esperando a esposa em casa, depois dele sair a mulher desaba em choro novamente temendo o que estaria esperando logo que chegasse em casa.

Sakura assistia a tudo em estado de paralisia, sabia que algumas mulheres apanhavam de seus maridos e eram tratadas com muito descaso, mas nunca tinha visto a situação tão de perto, sentiu seu coração apertar e lágrimas se formarem em seus olhos.

Que Deus a ajude!


Sua mão já estava melhor, graças a Itachi. Um mês havia se passado desde a morte estranha e prematura de Karin, não que eu gostasse dela ou a santificasse como muitas pessoas tinham feito apenas por causa de sua morte, mas mesmo assim eu respeitava a dor de seus entes queridos. A mãe de Karin ficou arrasada com a morte da filha e se trancou no quarto tentando suicídio e depois desse episodio lamentável teve de se afastar da cidade indo tirar umas férias no campo. O que na verdade ninguém sabe é que a jovem senhora está internada em um hospício e não vem apresentando melhoras, e isso me deixa de certo modo um pouco angustiada e indignada, mesmo não conhecendo ela muito bem, não gostei nada do que aconteceu.

A família Uzumaki por mais simpática que fosse só provou ser mais uma das famílias sustentadas por aparências, - como os próprios Uchiha- já que Kaede foi jogada naquela clínica sem chances de contestar, por que claro uma das famílias mais importantes da região não poderia ter uma louca em casa.

E a cada dia que passa só me vejo mais desencantada por esse mundo que pensei que fosse repleto de cavalheiros, damas e príncipes encantados e na verdade é composto por inveja, favores, dinheiro, poder, sexo e prestígio, onde o caráter e a moralidade foram convidados a se retirarem.

E eu realmente não quero fazer parte disso, não quero casar se for para apanhar todo dia do meu marido depois que ele chega as tantas em casa por que ficou com alguma rameira de bordel. Não quero ser presa pela conveniência como Hinata, e nem mesmo agir como ela, traindo o noivo com o próprio irmão dele, irmão esse que me beijou depois de ter me pegado em flagrante observando minha amiga em um momento íntimo com o jardineiro.

Oh deus, onde vim parar? O que eu estou fazendo?

A cada dia que passa vejo que não fui feita para esse tipo de lugar, como eu vou encarar Sasuke depois do beijo? Como Hinata iria reagir se descobrisse? Como devo me comportar diante das investidas libertinas de Itachi?

São tantas coisas que minha cabeça chega doer. Será que todas as moças se sentem assim? Confusas e presas em um antro de cobras que ao mesmo tempo são tão gentis e manipuladoras. Talvez elas já tenham sido educadas para tal coisa. E quanto a mim? Tenho chance de sobreviver aqui? Realmente não sei, só digo que não vou deixar tudo isso me comprometer, não mesmo.

Hoje vai ter uma festa, um baile, e a dona Mikoto me disse que lá eu seria apresentada a sociedade, sinceramente eu não vejo necessidade disso. Ela me explicou que assim seria um modo mais fácil para ser aceita e conseguir um pretendente. Queria perguntá-la quem tinha dito para ela que eu queria um marido! E ainda mais um marido como esses homens da corte que provavelmente só sabiam tirar proveito das mulheres, assim mesmo como os próprios filhos dela, realmente senti vontade de falar, mas não o fiz, apenas sorri e acenei como manda a etiqueta. Etiqueta uma pinóia! A qual eu detesto tanto, aprendi pensando que só saberia ser educada e refinada para me manter no emprego, mas na verdade é uma desculpa boba para sugar a inteligência das mulheres.

De qualquer modo eu não conseguiria ser rude com a doce Uchiha, mas o que ela tinha de doce tinha de mandona e enxerida. Será que minha mãe era assim também? Ou era uma alma atormentada como a pobre mãe da Karin? Onde ela estaria agora?

Bom isso não importava agora, porque eu já estou atrasada tenho que ajudar Hinata se arrumar e me arrumar também. Não sei por que mais tenho um pequeno pressentimento que eu não deveria ir a esse baile.


Já estavam no tal baile e Sakura já estava cansada, não sabia o porque de tanta preparação. Tinha ficado horas se arrumando com a ajuda de Inore e Konnan que pareciam animadas por ela estar indo a festa. A única parte que ela gostou foi o vestido, esse era lindo e um dos primeiros que ela usava que era dela mesmo e não de Hinata. O vestido foi feito sob medida para ela a pedido da importantíssima senhora Uchiha então já poderiam imaginar como ele deveria ser belo, seus cabelos estavam encaracolados em um penteado elaborado, usava lindas e suaves luvas de seda e não quis colocar muita maquiagem ou jóias, mas o colar de sua mãe estava consigo, dentro de suas vestes, era ele que a dava forças.

A moça nunca havia se sentido tão deslocada na vida e ela nem ao menos tinha entrado no salão ainda, isso porque segundo a Uchiha mais velha eles iriam chamar ela pelo nome e ai sim ela poderia descer pela enorme escadaria e deslumbrar a todos. A menina se perguntava porque todo esse alarde somente por causa de uma dama de companhia, mas ai se deu conta que ela não era uma simples dama de companhia, ela era uma jovem apresentada pela família Uchiha, agora ela oficialmente pertencia a elite da sociedade . Não estava em um posto alto como uma filha de grandes monarcas, e nem tinha dinheiro ou família nobre, mas agora ela seria reconhecida e poderia contrair casamento com um homem da corte se assim desejassem.

A verdade era que Sakura queria sair correndo dali, mas seu vestido enorme a impedia de tal ato. Escutou seu nome sendo chamado e respirou fundo tentando se concentrar para não tropeçar ou cair.

Ela viu o salão todo decorado perfeitamente com detalhes dourados e pedras brilhosas e corou ao perceber que todos a olhavam. Os homem em seus trajes elegantes e as mulheres em seus vestidos luxuosos, todos pareciam ter parado apenas para vê-la descer. Ela desceu graciosamente a escadaria e logo ao fim dela Sasuke a esperava com um meio sorriso difícil de resistir.

Todos ali estavam curiosos com a menina da floresta que os Uchihas estavam protegendo, mas ao verem a bela moça com exóticos cabelos róseos se surpreenderam. Mikoto estava satisfeita com a surpresa de todos, e ainda mais com a inveja que estavam sentindo da menina e claro da imperiosa família Uchiha, teria que conversar com Sakura esse sucesso todo poderia ter sérias consequências.

Na mesma mesa Madara e Fugaku sempre tão impassíveis se encontravam estupefatos, nunca tinham prestado atenção de fato na moç Fugaku pensava estar somente atendendo mais um capricho de sua esposa e não esperava por essa, ele acenou com cabeça para Madara que entendeu o recado, então pediram licença e se retiram da mesa.

_Você percebeu a semelhança? – Madara o mais velho começou.

_Isso é impossível, ela não pode, ela não sobreviveu. –Fugaku estava transtornado como aquilo era possível?

_Eu sei, a história foi que se atirou na cachoeira com a criança nos braços, todos viram!

_Ela pode ser alguma parente dela. – replicou Fugaku.

_Parente dela aqui? Não seja tolo, irmão. Isis era uma prisioneira da guerra ela atravessou mares para chegar aqui. Como poderia ter algum parente dela logo aqui? Muito improvável. – apontou Madara.

_A filha de Isis está viva. – Os irmãos Uchiha observavam a dança suave que a rosada estava com Sasuke, se perguntavam como podiam ser tão estúpidos para não ver a semelhança estava de baixo de seus narizes ou melhor de seu "teto", a moça de madeixas rosadas deslizava pelo salão, encantando a todos que admiraram a candura dela, a menina parecia uma fada.

_A questão agora é o que vamos fazer a respeito?


Sasuke estava deslumbrado com a beleza da moça, ela tinha uma aparência angelical e ao mesmo tempo despertava em si sensações que realmente não eram nada puras.

Ela foi até ele que ofereceu seu braço para acompanhá-la na música suave que começava. Sakura estava sem graça por estar perto dele. Eles não se falavam desde o acontecido e depois da morte de Karin menos ainda. Ela só queria distância dele, porque nada bom sairia dessa situação toda.

_Está tão quieta. Algo lhe incomoda. – ele disse e não foi uma pergunta.

_Não, estou ótima. – mentiu, ele sorriu e a girou delicadamente, e continuou a guiá-la pelo salão e onde outros casais também se juntaram a dança.

_Não minta para mim, Sakura. Passei tempo suficiente para te conhecer um pouco e sei quando esta mentindo. Como agora.

_Não estou mentindo.

_Não está? Tudo bem. Então me responde alguma coisa, você gostou do seu primeiro beijo? – ele perguntou sussurrando a ultima parte fazendo a moça estremecer. Ela tentou se afastar mais ele enlaçou sua cintura firmemente para não deixá-la escapar.Igualzinho de quando ele havia me beijado, pensou – Você não me respondeu ainda, amor.

Sakura não sabia como reagir, e ele a chamando de amor o que realmente não ajudava em nada. Suas bochechas formigaram. Maldito Uchiha sedutor!

_Não vou responder a esse tipo de galanteio. – respondeu altiva, tentando manter a compostura e levantando a cabeça para encarar, com indiferença fingida, aqueles olhos negros tão perigosos. A diferença de altura entre eles era notável, Sakura deveria bater abaixo de seus ombros, e ela ser tão pequena diante de si e fazia Sasuke querer protegê-la, o que era algo estranhamente novo para ele.

_Não vai, menina atrevida? Então vais ficar dançando aqui comigo a noite inteira. – ele disse apertando um pouco mais sua cintura fina e a fitando com um olhar desafiador, a moça apenas bufou.

_Você sabe que está sendo mal educado. – reclamou.

_Eu? Mal educado? – perguntou com falsa indignação - Espero que minha mãe não saiba disso se não ficaria muito desapontada. – disse em tom de deboche, estava se divertindo.

_Talvez sua mãe seja a culpada, umas boas palmadas quando mais novo certamente resolveriam o problema. – ela disse mal humorada e pensou que seria rudemente repreendida, mas se surpreendeu com a risada suave que preencheu seus ouvidos.

_De fato, talvez se tivesse sido corrigido com mais severidade as coisas fossem diferentes hoje. Mas agora quem esta sendo mal educada aqui? O que eu deveria fazer? – perguntou risonho – Talvez umas boas palmadas no traseiro lhe coloque nos eixos, não? – Sakura sentiu seu rosto queimar de vergonha. Como ele poderia dizer uma coisa daquelas? Então ela dá um forte pisão no pé do moreno, que reclama de dor, ela aproveita esse momento em que ele afrouxa seu braço para sair suavemente do centro do salão sem fazer grande alvoroço e sem chamar atenção.

Procurou Hinata pela multidão e a encontrou com um grupo de moças muito belas e que pareciam pertencer a elite da sociedade já que esbanjavam jóias e adereços.

_Sakura que bom que veio. Queria apresentar as meninas para você, essas são Tenten Hiyuga, esposa de meu irmão, aquele que atendeu Karin, lembra-se? – Sakura apenas assentiu- Essa é Temari Nara e Ino Yamanaka que em breve se tornará Sabaku no. – disse arrancando risadinhas de todas ali. – Pois é meninas essa aqui é Sakura, minha dama de companhia e a nova queridinha da família Uchiha. – Sakura não gostou do modo que Hinata a apresentou, mas resolveu fingir que não escutou.

_Prazer em conhecê-las. – disse educadamente.

_Prazer. – somente Temari a respondeu, as outras fizeram pouco caso da rosada e continuaram a conversar sobre vestidos e casamentos, família e a nova moda que estava surgindo em Paris; Hinata pareceu não se surpreender com a atitude das amigas e continuou conversando com elas, então Temari se aproximou de Sakura e começou uma conversa.

_Então Sakura como está sendo para você conviver com a nobreza? – a loira parecia ser bem mais simpática que o resto das moças ali. – Os boatos correm sabe e ouvi dizer que você era uma menina selvagem, mas vejo que tudo pura mentira. Mesmo não sendo criada nesse meio parece se sair muito bem.

_Bom eu meio que estou me acostumando ainda.

_Realmente espero que não se acostume, só assim você sempre irá estar alerta, em um ambiente como esse é bom sempre estar preparada. Sabe essas duas aqui morreriam para ser uma protegida dos Uchihas, mesmo que fossem pobres se foi necessário, por isso elas não te cumprimentaram, qualquer uma delas daria um dos braços para poder ser uma Uchiha.

_Mas eu não sou uma Uchiha. – disse como se fosse óbvio, e realmente era.

_Oh menina, ainda é ingênua. Claro que não é, mas irá ser em breve.

_E porque acha isso? – perguntou Sakura intrigada, não estava entendendo nada que a loira falava.

_Porque eles te acolheram e fizeram um baile para você, oras! Por que acha que está aqui? Veio ser apresentada a corte e logo pode ser comprometida em casamento.- disse empolgada

_Mas eu não quero me casar!

_Como não?! – a loira estava surpresa.

_Não quero e pronto, só irei casar por amor e com um homem que me respeite.

_Não sei se era amor querida, mas que alguma coisa estava acontecendo naquela dança, não estava? – indagou com um sorriso discreto - Mas não acredito que Fugaku a case com um dos filhos dele. – disse pensativa - Mas está claro como água que você já faz parte da família. - Antes de poder retrucar um homem moreno se aproxima.

_Poderia roubar minha esposa por um instante para uma dança? – ele perguntou gentil para Temari que sorriu radiante com o convite e sussurrou um "Depois conversamos".

Sakura estava confusa, aquela festa era para ela? Para ser apresentada e depois virar noiva de um Uchiha? Estava furiosa, por que mentiram para ela? Se soubesse dessa tramóia toda não tinha colocados os pés ali. E afinal quem eram esses Uchihas que pensavam que podiam controlar a sua vida? E com quem iria se casar? Com algum primo distante deles? Não queria nem pensar nisso agora, só precisava um pouco de ar. Saiu discretamente para o jardim e sentou com dificuldade em um dos bancos frios de mármore que havia ali no jardim daquele lugar, que era absurdamente lindo e tinha um chafariz enorme com uma estatua de anjo bem no meio dele.

Estava com tanta raiva que não percebeu uma pessoa se aproximar._ Com licença, posso me sentar aqui? – ela se assustou e apenas assentiu, ele sentou ao seu lado e a rosada se pegou o observando. Era um homem muito bonito, ele era alto e tinha cabelos vermelhos como labaredas, e mesmo estando meio escuro dava para ver os olhos verdes dele, talvez devesse ter a mesma idade de Sasuke, então foi pega em flagrante olhando para ele. Então virou o rosto tentando esconder o quanto tinha ficado com vergonha.

_Não precisa ficar com vergonha. – ele sorriu – Que falta de educação a minha não? Meu nome é Gaara Sabaku No, é um prazer senhorita ... – ele disse esperando que ela completasse.

_Sakura, prazer.

_É muito bela Sakura, agora entendo o porque ter um baile desse porte para apresentá-la.

_Eu não sabia que esse baile era para mim, se não provavelmente não teria vindo. – disse suspirando.

_E por que não? Não está gostando?

_Não é isso, é o jogo escondido por trás de todo esse baile, é tudo tão sujo, acredita que querem me casar com alguém que eu nunca vi? Eu não conseguiria.

_Uma moça que não quer se casar? Interessante. Mas não sei por que está tão surpresa a maioria dos casamentos são arranjados pela família. Casamentos são como acordos comerciais. – o ruivo não entendia o problema da moça, mas estava intrigado.

_Mas eu não quero isso para mim, eu não seria capaz de suportar viver o resto da minha vida com um homem que eu não ame.

_Amor ? – riu – Não existe amor, senhorita.

_Claro que existe! – disse indignada - Não sei sobre sua família ou você, mas eu fui criada onde todos nós nos amávamos muito.

_Não disse isso, realmente amo muito minha mãe, bom ela nem é minha mãe de sangue, é minha madrasta, mas a amo muito. Mas não era isso que eu estava falando. Eu disse que não existe amor verdadeiro entre homem e mulher.

_Como não? Então quer dizer que nunca amou ninguém de verdade?

_O amor é uma ilusão e a senhorita vai cansar de ficar esperando seu príncipe de armadura reluzente, aconselho continuar sentada nesse banco para não encher seus pés delicados de calos. – o ruivo disse zombando da menina.

_Vocês burgueses são tão idiotas! – disse raivosa, sabia que não estava sendo justa em despejar todas suas frustrações naquele homem, mas não conseguia mais segurar. – Eu querer um casamento de verdade, com amor e respeito, não quer dizer que eu espere um príncipe em um cavalo branco. O mínimo que eu desejo é respeito e reconhecimento, não vou aceitar nunca ser uma esposa submissa ao marido que abaixa a cabeça para tudo, não quero ser tratada como uma chocadeira. E eu não vou deixar pisarem em mim como pisam em um tapete! – a voz de Sakura saiu determinada e petulante, como nunca havia sido antes. Era isso, a jovem e inocente Sakura que cresceu na floresta estava amadurecendo, mas o que esse amadurecimento e essa postura iriam causar a ela? Talvez muitos problemas. O ruivo olhava abismado para a moça como ela podia dizer uma coisa daquelas.

_Você senhorita, deveria se sentir honrada em se casar com algum homem da corte, ainda mais sendo uma pessoa como você, criada e nascida na pobreza. – disse prepotente. – Mulheres foram feitas para procriar, cuidar da casa e proporcionar prazer aos homens. Claro que as casadas só fazem as duas primeiras com perfeição, são todas bonecas de trapos, sensíveis e frágeis, além do mais, minha futura esposa não vai gemer na minha cama como uma puta, para isso que existem os bordéis. – assim o ruivo termina de falar sente sua face esquentar tinha acabado de levar um bofete no rosto.

_Tenho pena da sua mulher e vou rezar aos céus que você morra bem cedo para deixá-la em paz em breve. – disse indo embora dali, e iria se o ruivo não a parece bruscamente impedindo sua partida.

_Como você ousa? Sua selvagem imunda! Nunca nenhuma mulher levantou a mão para mim, acha que vai ficar por isso mesmo? – ele dizia furioso enquanto a sacudia.

_Me solte, seu porco nojento! – ela gritou – Todos lindos e belos por fora, mas podres por dentro. – disse se debatendo enquanto lágrimas caiam de seus olhos.

_Sabe o que eu irei fazer? Vou te tratar igual a uma selvagem que você é! – ele tentou abaixar a parte da frente do vestido dela, mas ela se protegeu com os próprios braços. – Sakura estava com medo do poderia acontecer dali para frente. Ela sentiu seu corpo sendo puxado e logo foi abraçada, não sabia o que estava acontecendo, se virou e viu Gaara no chão com o nariz todo ensanguentado enquanto Sasuke partia para cima dele e Itachi a abraçava.

_Sasuke deixa ele ai. Não vamos tumultuar a festa por motivos insignificantes. Sakura está muito abalada, melhor irmos para casa logo. – Itachi disse tentando ser razoável, não importava o quanto queria quebrar a fuça daquele Sakabu nojento , Sakura era mais importante, pelo menos naquele momento. Sasuke deixou o ruivo.

_Isso não vai ficar assim! – disse e foi embora praticamente soltando "fogo pelas ventas".

_Me solte. – Itachi e Sasuke escutaram aquela voz chorosa, Itachi desfez o abraço e Sakura se afastou deles.

_Está tudo bem agora, Sakura. – disse Sasuke tentando acalmá-la

_Não, nada está bem. Por que ninguém me contou que esse baile era para mim? E que logo depois iriam escolher um marido para mim? Essa é a minha vida! Eu faço as minhas decisões! – ela disse se recompondo e sua voz já se tornava mais firme.

_Quem disse que você vai se casar? – perguntou o mais novo.

_Não importa, por que eu não vou.

_Não se estresse revolucionária. Ninguém vai te obrigar a se casar. – Itachi disse rindo, estava surpreso com a firmeza e petulância da moça, mas isso não tirava a aparência angelical que ela tinha.

_Não vão?

_Claro que não. Minha mãe com toda certeza vai encher sua paciência com os pretendentes maravilhosos. –revirou os olhos- Mas ela não obrigaria você a casar com quem não lhe agradasse. – Sakura caiu em si e percebeu que realmente Mikoto não ira fazer aquilo com ela, e talvez ela estivesse exagerando, um pouco e fazendo uma tempestade no copo de água. Sakura percebeu que com pouco que tempo que ela vinha convivendo com aquelas pessoas havia ouvido e visto muitas coisas que mudaram seu modo de pensar e ver as coisas.

_Claro, por eu não deixaria ninguém casar-se com Sakura se não fosse de boa índole. –resmungou Sasuke carrancudo.

_Ah é mesmo e porque não? – Itachi perguntou, os três se encaminhavam para onde estava a carruagem.

_Porque eu não irei deixar um maldito como Gaara tratar uma menina desse jeito. Ela mal deu seu primeiro beijo e aquele imundo já queria arrancar fora o vestido dela. – Sasuke disse furioso e Sakura sentiu suas bochechas queimarem, porque ele tinha que falar sobre aquilo? Tudo o que ela queria era esquecer isso para poder encarar Hinata normalmente, não queria ficar no meio daquela confusão por ter beijado o namorado de uma moça que é noiva.

_ Como assim primeiro beijo? – Para Itachi aquela conversa estava bem interessante, ele olhou para Sakura esperando uma resposta, a moça apenas desviou o olhar e começou a andar mais rápido, á frente deles, então ele encarou Sasuke e o mesmo deu ombros._ Pode desembuchando.

_Eu dei o primeiro beijo da Sakura. – Sasuke disse como quem acabava de dizer que ganhou um doce.

_Você fez o que, seu pervertido?!

_Não me recrimine, tudo bem. Sei que se pudesse faria o mesmo. Itachi os lábios dela parecem mel. – Itachi arqueou a sobrancelha e riu.

_ E onde a bela Hinata entra nessa história mesmo? – Sasuke agora tinha percebido que não tinha pensado em nenhum momento desde o beijo com Sakura, e depois veio a morte de Karin, e mesmo assim não tinha á procura da Hyuuga só não sabia se isso era bom ou ruim.

_ Em lugar nenhum, não sou que tenho um compromisso com ela. - disse despreocupado.

_Eu acho que você tem mais compromisso com ela do que eu. – Itachi zombou do irmão.

_Ah me deixe em paz! – exclamou. Os dois continuaram andando em direção a carruagem, mas quando chegaram lá Sakura já tinha partido, deixando os irmãos Uchiha a pé e frustrados por terem que esperar o cocheiro voltar para buscá-los.


Já era tarde e Sakura teve que dormi nos Uchiha outra vez, aquilo estava se tornando um habito muito ruim. Ela deu uma desculpa esfarrapada para Mikoto falando que estava se sentindo mal e que não pode continuar no baile, a morena não acreditou muito, mas resolveu não questionar, então Sakura teve o maior trabalho para poder "desmontar-se" já que tinha que tirar aquele vestido muito pesado , todos adereços e maquiagem, então a rosada toma um banho gelado e tentou dormir.

Umas duas horas depois ela ouve alguém batendo em sua porta e vai atender, mal abre a porta e sente seus lábios sendo capturados com firmeza, dessa vez a língua passa atrevidamente por seus lábios e começa a explorar a sua boca de maneira exigente, os corpos estavam colados, mãos fortes foram parar em sua cintura enquanto as de Sakura envolveram o pescoço do homem, sentiu um perfume forte e diferente, e tão rápido quanto começou o beijo acaba. Ela abre os olhos confusa e ao mesmo tempo em um estado de torpor, ela nunca tinha pensado que beijar poderia ser tão bom, foi tão bom quando a primeira vez. O que surpreendeu ela era a pessoa que a olhava com o sorriso mais depravado e malicioso que ela já tinha visto na vida, mas mesmo assim não deixava de ser belo.

_Ele tinha razão, seu lábios parecem mel. – Itachi disse, realmente notava-se a inexperiência da moça, mas isso só instigou mais Itachi, que queria mais.

_O que você está fazendo aqui? Já pensou e nos encontram desse jeito? Enlouqueceu? – ela sussurrava, mas mesmo assim não deixava de mostrar o quanto estava brava.

_Calma, eu só estava curioso. – ele disse levantando as mãos em sinal de rendição e ela lhe lançou um olhar furioso .

_Vá embora! – ela mandou séria, isso mesmo, Sakura tinha acabado de mandar Itachi Uchiha ir embora e ele não pareceu se incomodar, ao contrario, ignorou a moça e desceu seus olhos pela camisola dela, que mesmo sendo longa era branca e leve, ou seja, fina e transparente. – Sakura deu um soco no peito do homem que não fez nem cócegas nele, mas o fez rir, ela tentou fechar a porta, mas ele não deixou.

_Seu pervertido! Vá embora daqui! – esbravejou esquecendo-se de baixar o tom de voz.

_Tudo bem já vou. – ele disse, mas antes de ir, rouba um selinho dela e depois sai correndo, isso mesmo, correndo. Sakura vendo a cena se pergunta se o moreno mais velho estava em seu juízo perfeito, ela fecha a porta e se joga na cama puxando seus cabelos de nervosismo, esses Uchihas estavam a pondo completamente louca.

Só podem estar querendo brincar com ela, não é possível!


Olá, pessoas lindas do meu coração. Não me matem ou me torturem mentalmente, andei muito ocupada e só pude postar agora.

Mas fiz um capítulo bem grandão para recompensar vocês.

Gente fiz isso para dar uma noção das roupas, mas vocês podem imaginar do jeito que quiserem.

user/Roberta_Felinto/story/61725

Quem se surpreendeu com a Sakura? Tadinha dela os Uchihas não a largam mais.

E ela adora dar uma pisada nos pés deles,não?

Mas o que será que Madara e Fugaku vão fazer? Afinal quem é o pai da Sakura? Sabemos que é um Uchiha, mas qual deles?

Mistérios. haha

Gostaram? Espero que sim :))
Kissus