- Que flores lindas! - uma moça de cabelos grandes e claros exclamou - elas só brotam uma única vez durante todo o ano, e certamente não é esta a época dela... é única! Como você conseguiu? - a moça, cuja beleza era equivalente a da mesma rosa que segurava, indagava ao seu amante.
- Bem, eu estava preparando meu experimento para a aula de hoje, a de Ciências Espirituais... e após pensar bastante, não me vinha outra coisa na cabeça a não ser você. Então, usei um kidou de equivalência nestas flores e, como já apresentei o trabalho, pensei em entregá-las à minha verdadeira fonte de inspiração... - explicou um calmo Sousuke, enquanto ajeitava com a sua mão esquerda os cabelos esvoaçantes da linda e tímida garota a qual apreciava o rosto. Os prendia gentilmente atrás de sua orelha enquanto ela procurava desviar o olhar, envergonhada.
- Pare com isso, Sousuke! Não gosto que faça isso com os outros olhando! O que vão pensar de nós? - reclamou a garota, ao mesmo tempo em que admirava o carinho do tenente.
- Que ótimo, então teremos testemunhas! - brincou Aizen.
A moça ria, a medida em que era acompanhada por Sousuke até sua casa, e então, veio a dúvida. Tinha que perguntar...
- Mas afinal, não entendi, o que eu tenho a ver com as flores? Os kidous de equivalência não consistem em...
- ...realizar uma ligação espiritual entre meios equivalentes. - interrompeu Aizen, explicando tudo o que havia pensado. - embora seja uma explicação simples, é complicado demonstrar isso de forma prática. Contudo, pensando em você, me veio a solução rapidamente. O problema era encontrar o objeto certo para ligar à qualidade certa.
- Qualidade? Objeto? Não estou entendendo, Ai-kun. - gostava de chamá-lo assim, embora ele odiasse apelidos. Seu nome era tão simples, combinava com tudo, porque todos tinham que apelidá-lo? - e pare de falar de forma nerd, não sou burra, mas você complica as coisas falando desse jeito.
- Bem, simplificadamente falando... - foi cortado por uma expressão dura brotando do rosto da menina, que claramente sugeria que ele pulasse essa parte. - ...err, ok... queria ligar algo a você, então pensei numa flor, e como estamos no outono, seria o exemplo perfeito para executar o kidou.
- Como assim? Você está dizendo que ligou uma flor a mim? Você sabe que não pode ligar planos físicos ou espirituais a sentimentos, não é? O kidou falha após doze horas... e não acredito que você trapaceou desse jeito só pra ter a nota do seu trabalho...
- Não. Não fiz isso... eu... - tremia, mas tinha que falar - liguei a vida... não, a essência vital das flores... à sua própria vida, Masaki. - sorriu - Para que ela nunca desabroche. - ele sim, desabrochou em um sorriso simples, misto de vergonha e desabafo.
- A..a...Ai-kun... ~ AI-KUUUN! - voou aos braços do tenente da quinta divisão.
Ela sempre quis que seu amor fosse correspondido, mas tinha medo de errar. Já ele, sempre quis dar todo o seu amor a alguém, mas tinha medo de não conseguir compreender os outros. Contudo, naquele momento, eram o casal mais perfeito que poderia se ver em toda a Soul Society. E shinigamis eram imortais. Um casal imortal.
Se existisse uma coisa que um kidou não poderia suportar por muito tempo, com certeza seria a perfeição. "Mas isso é besteira, afinal, era um kidou de equivalência, com uma regra simples e clara: durar tanto quanto o seu alvo equivalente" - pensava Aizen, enquanto despertava de suas lembranças. Estava no caminho da sua mais nova missão como tenente do esquadrão, ao lado do capitão Shinji. Ao contrário do que a oficial do quarto esquadrão, Masaki, alegava, seu kidou havia sido executado perfeitamente e, mesmo após 48 horas, as flores não haviam desabrochado. O destino daquelas pequenas plantas era o de sorrir, infinitamente, por toda a eternidade, assim como Masaki havia jurado, naquele mesmo momento, há 40 hoas atrás, que iria viver para sempre ao lado do seu amado tenente.
- Está perfeito! - exclamou Aizen para si mesmo, olhando para o vazio que, aos seus olhos, hospedava a imagem de seu amor. Seu capitão, percebendo a distração, advertiu o tenente - Ô Aizen, seu vagaba! Ficar sonhando com a tua guria não vai te ajudar na hora em que aqueles hollows chutarem seu tras... - foi interrompido por um punho fechado em direção ao seu rosto. - Ahhhh! Mas quem foi o insolen... - outro punho parecia marretar seu cérebro. Na verdade, era o mesmo do golpe anterior.
- Shinji, seu cabeçudo! Não sabe reconhecer um cara apaixonado? Deixa ele aí, não vê que ele será inútil nessa missão? - aqueles chinelos pisando em seus ombros deixavam claro quem o estava esbofeteando.
- Hiyoriii... - Shinji esboçou um movimento para tirar o traseiro da oficial de cima de sua cabeça. É quase desnecessário dizer que foi uma inútil tentativa. - Aiiiii! Sua... sua... - sua mão tinha agora estampado o logotipo da grife de calçados mais famosa da Seireitei. Ele odiava aquele chinelo, a dor permanecia por semanas.
Enquanto observava o "casal" brigando, Sousuke imaginava como estaria sua amada, agora sozinha por algumas horas, ao redor do quarto esquadrão. Imaginava que ela estaria pensando nele, lembrando de seu cheiro, admirando as flores que agora viveriam junto com ela. Relaxava a cada pensamento, mal podendo esperar o momento de encontrá-la novamente, e suspirando a cada segundo.
Na Seireitei, o capitão da Décima Primeira Divisão passava pelo Quarto Esquadrão. Achava tudo aquilo um tédio... não entendia como tinha que passar pelo domínio de um grupo tão idiota para que pudesse chegar à sua doceria predileta. Sua brutalidade não permitia que entendesse toda a cooperação que ligava os esquadrões, mas sua cobiça levou seus olhos na direção de uma bela mulher que por ali passava.
Masaki pensava em Aizen, minutos atrás, enquanto preparava seu banho matinal. Pensava no destino que haviam traçado para si mesmos, e como era engraçado que tudo aquilo estivesse tão entrelaçado, como se tivessem nascido para se conhecer e se apaixonar. Foi seu último pensamento, antes de deixar algumas pétalas que havia colhido caírem e, ao se abaixar para pegar novamente, esbarrar com o rosto pálido e triste do capitão do Décimo Primeiro Esquadrão.
- O.. o... Olá, capitão! O que faz por aqui? - perguntou a tímida, mas receptiva Masaki.
- Apenas passando. - esboçou o capitão, enquanto continuava andando, ignorando Masaki como se fosse um inseto.
Masaki não gostava do modo como foi tratada, embora aceitasse. O capitão tentou esconder por um momento, mas sua mente não o deixava esquecer o que viu: o que a oficial carregava eram ingredientes próprios de quem estava preparando um banho no mínimo, caprichado. Porcamente cheirou suas próprias axilas e, vendo que o cheiro começava a não agradar qualquer um, virou para trás, avistou Masaki e a chamou:
- Ei, mulher! - a agressividade na voz do capitão assustou a oficial, que se virou imediatamente, mesmo que temendo o que lhe fosse pedido.
- Sim, capitão do décimo primeiro esquadrão. Posso lhe ajudar? - Masaki disse, friamente.
- Não me chame assim - retrucou o capitão - soa como se eu dependesse de um título. Meu nome é Isshin, e preciso de um favor seu.
--- Fim do Capítulo 2 ---
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É isso aí, galera. Pra quem queria uma continuação, após semanas sem inspiração, finalmente consegui escrever esse capítulo. Espero que gostem, e anseio por comentárioooos!!! ^^ Digam se gostaram, se acharam horrível... enfim! 02:26 da madruga, preciso dormir! Até o próximo capítulo!!! XD
