"God Said that when you die, your life will pass before your own eyes. If you want to feel it right now, Just do it, do it, do it!"
Cantor: Gackt - Música: Jesus
É fato que até o mais negro dos seres humanos precisa de pelo menos 1% de luz. É graças a ela que a habilidade de enxergar é desenvolvida, possibilitando a um ser dividir as tarefas de sensibilidade por todo o seu corpo, sem sobrecarregar uma determinada parte. Também é graças a ela que as trevas não conseguem tomar conta totalmente de algo: qualquer objeto imerso proliferamente em trevas deixa de existir totalmente, ou se torna parte dela.
- "E... Escuro... O que aconteceu? Porque está tudo escuro?" – As palavras ecoam pela mente do tenente, como uma pedra que cai em um buraco sem fim. – "Eu... eu... estou morto? Não... não pode ser! Improvável! Eu estava bem... eu estava..." – Como em um filme onde um quebra-cabeça é montado de acordo com o raciocínio do protagonista, Aizen relembra os fatos que precederam seu atual estado. – "... Empalado..." – Ao mesmo tempo que relembra como foi sobrepujado, se pergunta como teve tamanho descuido, a ponto de sequer perceber aquele braço vindo naquela lentidão. Lembrava também do oficial que gritara seu nome e do capitão Shinji correndo para socorrê-lo... então, tudo escurecia até o ponto em que estava agora. O vazio era tamanho que não enxergava nada que distanciasse um palmo de seus olhos. Se é que havia algo para se enxergar. Subitamente, um branco tão claro quanto a luz do sol invade a escuridão, e agora Aizen podia enxergar claramente que nada havia ali, a não ser ele.
Era difícil acreditar que estava ali, mas ele entendia o que acontecia. O ciclo ao qual tanto odiava era o mesmo do qual irremediavelmente começara a fazer parte. Qual seria seu destino? Voltaria a ser um humano? Tal como aqueles que uma vez eram reconhecidos por ele como "família", e que, em seu último "encontro", nem o perceberam, pois estavam ocupados demais comprando coisas sem sentido, ou correndo atrás de outros humanos com maior poder aquisitivo... – "Que tolice!" – pensava. Não, não era isso. – "Eu sou um shinigami, eles nunca poderiam me ver. Até agora, pelo menos" – lembrava. "Quem sabe? Talvez, agora eu finalmente possa me sentar ao lado do sol, e deixá-lo irradiar meus olhos em amarelo... É isso." – parecia ter descoberto a solução de seus problemas, e se contentava pouco a pouco com a dor, que ia gradualmente desaparecendo. - "Adeus, amigos." – as imagens dos tenentes, assim como a de seu capitão, a quem tanto protegeu, iam se esvaindo pela sua mente. – "Masaki-kun..." – A imagem não o deixava ir. Estendia a mão em sua direção, e ele respondeu estendendo a sua de volta. As lágrimas que via no rosto dela evidenciavam que ela já sabia. Que a sentença de vida de seu amor já havia se encerrado. Que a noite maravilhosa havia se acabado e só restava uma vela a ser apagada, da qual o próprio vento cuidou. – "Adeus... Masaki-kun" – se despedia, a medida que a pintura em branco que cobria sua visão agora tomava de volta os profundos tons de ébano.
Masaki, ao mesmo tempo em que desesperadamente recitava kidous para tentar estacar o ferimento de Aizen, chorava copiosamente a cada olhar em volta do seu amor ferido. Tentava, em vão, se concentrar no que estava fazendo, com esperança de que uma vez mais pudesse ver aquela linda expressão a qual jamais deveria ter deixado partir.
"Primeiro dia de Inverno, 2 da manhã". Assim haviam acabado de datar o ocorrido. Ao ouvir isso, Shinji sente um calafrio que jamais havia sentido antes. Pela primeira vez, sentiu medo de ouvir a verdade. Masaki, ao ouvir a notícia, gritou sem piedade, não ligando para o fato de que, onde eles estavam o silêncio era uma ordem imperial.
"Não pode ser! Ainda estou cuidando dos ferimentos, são quase quatro da manhã, e eu ainda o tenho. Não vou deixá-lo partir, ele não pode! Não pode... fazer isso... me deixar... aqui..." – era difícil de acreditar. Ele era forte e corajoso, mas não foi o suficiente para salvá-lo. Só então, o choque, como uma machadada certeira que rasga de uma vez só o pescoço do infortuno coelho, a atinge e revela a terrível imagem que ali jazia: um corpo moribundo. Percebeu que, há duas horas, vinha cuidando de um corpo sem vida. Fazia duas horas que aquela pessoa havia parado de lutar contra a impiedosa maré. Enquanto uma memória manteve sua esperança, a realidade tratava de carregar a fonte de seus sonhos, deixando apenas uma impiedosa imagem em seu lugar. "Ai-kun", costumava chamar. "Sousuke", Shinji abaixa a cabeça respeitosamente. "Amigo", os outros tenentes lamentavam. O relógio completa os segundos que faltavam, testemunhando juntamente com os demais o fato de que há duas horas, o tenente do quinto esquadrão, Aizen Sousuke, estava morto.
Também há duas horas, num submundo de miséria e dor, chamado pelos humanos de "Inferno", recebia um novo convidado. Ali não era seu lugar, mas por alguma razão era ali onde fora parar. Um par de olhos azuis forçava as sobrancelhas a abrirem.
--- Fim do Capítulo 4 ---
Ok, pessoal. Demorei bastaaaante, Mi-chan já estava arrancando minha pele, então, tá aí! E no final de semana já tem o próximo capítulo. Só falta finalizar e digitar. Agora tenho escrito os capítulos durante a longa viagem para o meu trabalho, o que me dá bastante tempo para escrever e imaginar o que farei com Aizen... XD
Mi, vou refazer o review que te dei no teu último capítulo, quero um review legal nesse aqui também, viu? Aishiteruu! Você é a principal razão dessa fic continuar! ^^
