..::Capítulo 1::..
Favela da Rocinha, Rio de Janeiro, Brasil-1998
- Vamos garota, entra logo dentro dessa porra de armário que o meu cliente está chegando!
Desculpe-me por começar a minha história desse modo, mas a minha mãe é muito sem educação. Sim, essa era a minha mãe. Agora vocês devem estar se perguntando o porquê dela me prender dentro do armário, não é? Bom... É uma coisa que ela faz comigo desde pequena, estou quase acustumada já. Minha mãe é o tipo de mulher que as pessoas chamam de "mulher da vida", ela vende o corpo para conseguir dinheiro. Estranho uma menina de 6 anos saber desse tipo de coisa, não é? O mais estranho é que eu vejo esse tipo de coisa. Minha mãe me tranca dentro do armário para eu...Bem... Ver ela transando com os clientes dela. Ela diz que quer que eu aprenda desde cedo e fala que é legal ser assistida por alguém enquanto um cara a come. Eu acho que mais nenhuma mãe faz isso com a filha, já que ela me ameaça caso eu conte isso a alguém. Opa, chegou alguém...
Entrou dentro do quarto um homem loiro de cabelos compridos, eu não consegui indentificar o rosto, mas percebi que ele era bem bonito. Ele já chegou agarrando a minha mãe pela bunda e a tacando com força na cama. Começaram a se despir e... Fazerem você-sabe-o-quê. Estava já tão acustumada com aquilo que nem ligava mais.
Eu tinha um pai também, ele não era o cara mais certinho do mundo mas eu o amava. Ouvia rumores pela favela que ele era um assassino traficante e bêbado. Ninguém se metia com ele e nem comigo, todos o respeitavam muito. Até a minha mãe. Minha mãe tentou se separar do meu pai várias vezes (talvez fugir seja a palavra mais apropriada), já que ele sempre bateu muito nela e em mim. Não que minha mãe ligasse muito pra mim, claro.
Meus pais não gostava muito de mim, isso era evidente, mas eu não conseguia odiá-los, foram eles que me trouxeram a vida! Eles que me deram teto, comida e cama quente. Amor eu nunca tive deles, mas estranhamente eu possuia muito amor dentro de mim, e acho que isso basta.
Sempre falaram pra mim que eu era boazinha demais, santinha demais. O tom era sempre de crítica, mas eu sempre amei isso. Não entendia qual era o prazer dos outros em serem maus com as outras pessoas... Eu não tinha dinheiro, mas quando eu tinha alguns trocados, eu sempre comprava comida e dividia com as outras crianças da favela. Era legal, até a minha mãe descobrir e me espancar até desmaiar. "O dinheiro suado que eu consigo você fica gastando com esses pivetinhos?" Era o que ela berrava e repetia para mim, sem parar. Parei de fazer isso quando ela me deixou 5 dias dentro de casa sem comer nada. Foi para me intimidar, mas só me deixou mais triste pela quantidade de crianças que não possuem
alimento todos os dias. Senti na pele.
Algumas pessoas falaram para mim que eu era muito azarada e estranha, mas eu não achava isso tudo de mim, não. Tá, azarada eu até podia ser, já que eu nasci no dia 24 de Outubro, o dia que não possui nenhum anjo. Como assim? Bom, cada dia do ano existe um anjo protetor, menos o meu. É, é bastante estranho mesmo. As vezes eu tenho sonhos estranhos, como por exemplo, demônios e anjos se atracando até a morte. Eu acordava berrando e chorando nessa hora, mas meus pais nunca vinham me consolar. Meu raciocinio foi quebrado com o som de minha mãe gemendo e uivando alto. Tapei os ouvidos com força, era a parte que eu mais odiava.
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E ai está o capítulo 1 :D Por favor, não me soquem nos comentários o.o
Carol Anne Keat: To continuando (: Espero que continue gostando XD
Larissa Motoko: Nossa, obrigada XD Fico feliz que tenha gostado do inicinho :)
Beijinhos :D
