..::Capítulo 2::..

Copacabana - Rio de Janeiro - 2009

Nossa, você por aqui de novo? Você não mudou nada mesmo. Bem, eu mudei. E muito. Você lembra de quando eu ainda era uma menininha que ficava escondida dentro do armário? Pois é... Tanta coisa mudou. Então, já que você só voltou depois de 11 anos, eu vou dar uma resumida da minha vida. Eu continuei vivendo daquele modo, até entrar na escola. De início todos me amavam porque eu sempre fui boa e carinhosa com todos, até eles descobrirem quem minha mãe era. Pior ainda, descobriram que os maridos de todas as professoras e até o da diretora, comeram a minha mãe. Verdade seja dita, minha mãe era uma mulher linda, mas não ajudou na minha vida social na escola. Comecei a sofrer perseguição e preconceito. Uma vez o professor de Geografia falou que só me passava de ano (e olha que eu só tirava 10 com ele) se eu desse para ele. A humilhação era assim, constante. Escapei várias vezes de estupros, já que eu tinha mania de ficar até tarde na biblioteca da escola, estudando. Sempre fui assim, estudiosa e dedicada em tudo que eu fazia e, mesmo recebendo essa discriminação toda, não conseguia odiar ninguém. Minha mãe sempre dizia (com nojo e escárnio, claro) que transbordava bondade de mim por todos os meus poros. Sempre considerei isso algo legal.
Foi ai que aconteceu o ápice de tudo: Alguém colocou a carteira de uma menina da minha sala na minha bolsa. Nem preciso dizer que o escândalo foi geral na escola inteira. E eu fui expulsa. Eles conseguiram fazer o que sempre quiseram. Minha mãe não gostou muito da idéia e acabou me expulsando de casa. " Não vou sustentar nenhuma vagabunda ladra na minha casa" Ela dizia. Era óbvio que ela não acreditava em mim, mas eu não a culpava, as evidências eram claras.

Quando fui oficialmente expulsa por meu pai e minha mãe, quebrei o meu porquinho que eu guardava todas as minhas economias e fiz uma mala com tudo aquilo que eu precisava : Roupas, cosméticos e objetos de valores sentimentais.
Ao sair pela porta da sala, dei um ultimo adeus para os meus pais, que continuaram vendo TV, ignorando a minha partida. Foi a última vez que eu os vi.
Desamparada, sem casa e sem amor, encontrei um beco escuro e por ali fiquei a noite toda, chorando e rezando. Deus não me ouviu e eu acabei por dormir ali mesmo. A noite era clara e as estrelas pareciam mais berrantes do que nunca. O céu daquela noite me marcou, já que estava ao contrário do meu estado de espírito.
Acordei sobressaltada quando vi vários homens perto de mim. Sentia pelo olhar deles que eles queriam me fazer alguma maldade mas, como sempre, usei nome do meu pai. Não só se afastaram quanto me deram um dinheiro extra. Até hoje estou para agradecê-los por isso, o dinheiro me ajudou bastante na minha nova vida.
Enfim me levantei e coloquei os 50 miréis no bolso. Estava na hora de procurar um novo lar. Andei, andei, andei e só encontrei prédios caríssimos, coisa que meus 250 reais não conseguiriam nunca pagar. Saí da zona cara da cidade e me lembrei de um lugar que sabia que conseguiria encontrar um apartamento bom para morar. Peguei um ônibus(que paguei com os passes que a minha antiga escola me dava) e me dirigi para a famosa Vila Mimosa.
[N/A: Caso tenha falhas geográficas, perdão, eu não custumo visitar a Vila Mimosa, sabem?XD]
Cheguei lá encontrando tudo o que eu já conhecia, já que minha mãe as vezes fazia bicos por lá e me levava junto para realizar seu estranho fetiche ( Vocês lembram que ela gostava de transar com os clientes enquanto eu ficava trancada no armário?).Era um lugar de uma rua única e estreita, os sobrados eram todos colados e embaixo haviam muitos bares e danceterias. Era bonito e charmosinho, até. O pouco tempo que eu levei lá consegui conhecer algumas pessoas legais. Eu havia conhecido uma pessoa em especial, a Angela. Ela virou muito amiga minha (minha melhor amiga, para dizer a verdade) e nos falávamos todos os dias pelo msn antes de ser expulsa de casa. Cheguei lá a procurando e quando ela me viu, tomou um susto. Não imaginava me encontrar ali sem minha mãe. Desabei em cima dela e comecei a chorar contando tudo que havia acontecido. Ela me acolheu e me levou para sua casa. Preparou um chá quente para mim e me deu um tranquilizante. Dormi a tarde inteira e só acordei no dia seguinte com o cheiro do café sendo feito e posto na mesa.
Expliquei a minha situação para ela e falei que não queria morar com ela, não queria dar trabalho. Ela entendeu e me fez uma pergunta cruxial: Eu poderia alugar um apartamento com os 250 reais que eu tinha no bolso, mas... e depois? Eu não tinha como pagar nada! Não tinha dinheiro, habilidade profissional... Zero. Comecei a me desesperar. OMG, teria que virar mendiga? Era esse o meu destino?
Então Angela me deu a seguinte solução: Ser garota de programa.
No inicio achei meio estranho e neguei de prontidão, mas o que eu podia fazer? Era isso ou morrer de fome! Não podia ficar no sobrado de Angela sem fazer nada, apenas dormindo e comendo o dia inteiro. Angela tinha que ralar muito e se deitar com muitos homens fedidos para conseguir dinheiro. Avaliei a situação e gostei. Tá, não gostei, mas era aquilo ou nada. E quando não se tem nada, qualquer coisa serve, até vender o corpo.
Foi dando a tardinha eu me arrumei e peguei um ônibus para a igreja. Não sabia se esse era o caminho certo, mas era o caminho que a vida estava me mostrando. Cheguei na minha igrejinha, sentei no banco e comecei a rezar e chorar. Por mais que as coisas estivessem dando "certo" eu não conseguia deixar de me sentir fraca e com medo. Eu era virgem. Ia perder a minha virgindade com um qualquer? Um homem de 50 anos, gordo, funcionário de baixo calão de uma empresa, feio, narigudo, fedorento e careca? Vocês devem estar se perguntando se eu perdi minha virgindade com um cara assim, não é? Graças a Deus, não.
Cheguei em casa e contei minha situação para Angela. Ela entendeu meu desespero e resolveu me ajudar. Ela tinha um cliente lindo de morrer muito gentil e ia me indicar para ele. A minha sorte foi que eu sempre fui muito bonita, o que causava inveja em todas as meninas da minha idade (outro pretexto pro Bullying injusto que eu recebia). Ela ligou pro cara e, quando ela comentou que eu era virgem, percebi que ele ficou mais animadinho ainda. E ele topou. Marcou comigo em um Motel 5 estrelas na Zona Sul do Rio de Janeiro. É, o cara além de tudo era rico. Fui vestida normalmente, não queria "puta" escrito na testa. Ainda. Estava com vergonha, não sabia ainda como agir. Eu via minha mãe fazendo, mas estar na platéia e estar no palco são duas posições completamente diferentes.
Fiquei sentada na recepção esperando o meu primeiro cliente, quando ELE apareceu.(n/a: antes de tudo, não é nenhum personagem ainda ^^") Era um homem alto e de cabelos negros. Seus olhos eram verdes e seu corpo era atlético e malhado. Morri. Ele foi super simpático comigo, engraçado e agradável, muito diferente dos homens que eu via tratando a minha mãe. Acho que é a diferença de nível, né? Ele se apresentou com o nome de Bruno. Quando chegamos no quarto, sentei na cama e esperei ele vir com tudo. Idiota, eu esqueci que ele se tratava de um cavalheiro!
Ele abriu uma garrafa de espumante, colocou uma música calma e deixou a luz bem fraca. Começou a conversar comigo, me fazer carinho, beijos, abraços e...Rolou. Tenho que dizer que foi perfeito. Rolou uma química indescritível e ele foi um amor o tempo todo comigo. Doeu? Sim, doeu, mas ele era tão fofo que eu esquecia de tudo ao redor.
Quando tudo acabou, ele agradeceu e me deu uma grana boa: 340 reais! Wow, nem eu sabia que eu era tão boa assim! Ele falou que amou ter feito programa comigo e queria fazer mais vezes, se eu não me importasse. Nem me importei, né? Ele me deu carona até a Vila e eu cheguei em casa correndo para contar tudo para Angela. Ela ficou feliz por mim e eu também estava radiante. Também pudera, o meu primeiro homem era um Deus! Mas o mais engraçado é que eu não sentia nada por ele, só simpatia e atração física. Ele foi o primeiro, mas não me sentia apaixonada. Eu, que sempre me considerei uma romântica inconsequente, achei estranho. E o mais engraçado disso tudo é que eu não me sentia suja, sabia que estava usando meu corpo, mas a minha mente continuava a mesma. Não mudaria minha forma de pensar e agir (lembram que minha mãe falava que eu era boazinha e ingênua demais?) por causa disso. Era mais forte que eu, fazia parte da minha essência.
[n/a:Não quis detalhar o lemon. Lemon da Bella tem que ser com o Edward u.u]
No dia seguinte, eu já comecei a procurar um lugar legal para morar. Tinha que ser um apartamento confortável, bonito e pequeno, já que eu iria morar sozinha e eu teria que atender meus clientes lá. Peguei o jornal O Globo e abri nos Classificados. Sentei na mesa da cozinha de Angela e, enquanto tomava um café-com-leite, comecei a procurar um apartamento legal. Encontrei um mais rápido do que eu espera, em Copacabana. Era um apartamento com uma sala, quarto, banheiro e cozinha. Não parecia ser bonitinho, mas eu iria pintá-lo e reformá-lo. O bom era que ele era mobiliado. Menos mal.
Marquei com o corretor e lá fui eu conhecer minha futura casa. Confesso que me enganei, o apartamento era uma gracinha! Ainda bem que só eu iria morar naquele cubículo. Somente o quarto que era grande. Ainda bem, iria precisar de bastaaaante espaço.
Fechei com o corretor com uma entrada de 150 reias. Perfeito, ainda tinha dinheiro para economizar e comprar comida! Achei estranho um apartamento tão lindo como aquele ser tão barato, mas o corretor foi super sincero comigo e falou que aquela área era barra pesada. Ok, eu nem precisava me preocupar muito com isso, já que eu teria que ter na minha cama esse tipo de gente.
O apartamento já era oficialmente meu, podia dormir lá, se quisesse. Mas resolvi ainda não. Primeiro tinha que adquirir fama de garota de programa para conseguir meus próprios clientes. Voltei a Vila e encontrei Angela usando seus trajes de trabalho, desfilando e rebolando. Devia estar caçando clientes. Contei a ela que tinha conseguido o apartamento e ela ficou super feliz por mim. Ela perguntou se eu ia me mudar e eu contei para ela minha idéia. Ela achou sensata e me apoiou. Falou que iria me ajudar a adquirir fama.
E então eu trabalhei na Vila durante um tempo. Conseguia os melhores clientes, os mais bonitos e agradáveis. Fiquei tão acustumada com esse tipo que rejeitava todos os que não me agradavam. Com eles caidos aos meus pés, abusava do preço: Era em torno de uns 300 e poucos reais. Alguns torciam a cara, outros diziam que eu merecia até mais do que isso. Minha auto-estima ficava lá em cima. E quando eu e Angela andávamos juntas então? Não tinha pra mais ninguém. Angela era linda também, mas sua beleza era diferente: Seu cabelo era de um cacheado loiro e seus olhos oscilavam de um azul para um verde. Seu rosto de bonequinha era lindo e seu corpo possuía cada curva que dava inveja em qualquer uma. Angela e eu recebemos o apeliado de "Pecados de Salto", pela nossa mania de sempre usar saltos gigantescos. Confesso que não gostava do apeliado. A palavra pecado não me trazia uma sensação boa, afinal, ainda era católica, continuava indo a missa todos os domingos e rezava todos os dias pelos meus pais. Eu amo meus pais, nunca consegui desejar nenhum mal a eles. Na verdade, eu nunca consegui desejar mal pra ninguém. Angela ficava impressionada, ela achava que meu jeitinho meigo e bondoso iria sanar com o tempo e eu iria ficar pervertida e maliciosa. Mas não aconteceu. Eu nem me vestia que nem puta fora da Vila. Ninguém dizia que eu era prostituta.
Minha fama foi logo adquirida e eu, finalmente, pude sair da Vila. Até chamei Angela para morar comigo, mas ela gostava muito daquele lugar. Tá né, quem era eu para dizer o certo ou o errado para alguém?
Minha vida naquele novo apartamento era feliz. Na minha cama, só os homens mais bonitos e legais. Eu era seletiva. Não porque eu fosse metida ou gostava de me sentir melhor do que as outras da minha profissão, mas deitar com homens nojentos e agressivos me lembrava dos meus momentos de vouyer com minha mãe. E aquilo definitivamente não eram lembranças legaiS.
Por essa minha mania de só transar com meus clientes se eles fossem bonitos, acabei ficando famosa. Quem não iria querer transar com a prostituta que escolhe os caras a dedo? A auto-estima deles ia lá em cima. Bom, a minha conta bancária também.
Acabei comprando um computador e criando um site em que os caras mandava a foto deles e eu dizia se queria ou não. Confesso que isso era um saco. Coloquem-se em meu lugar: Eu tinha que abrir em torno de 100 fotos por dia! Era desgastante.
Mas só por isso e também pelo apartamento bonito que eu tinha, eu cobrava de 500 pra cima. Sim, falavam pra mim que era MUITO caro, mas não ligava. Se um não quisesse, já tinham 10 atrás. Eu agradecia todas as noites por minha mãe ter me feito tão bonita.
O tempo foi passando, passando e eu não conseguia largar essa vida. Eu tinha uma conta bancária que eu guardava todo o dinheiro que eu ganhava, além de uma pequena poupança. Um dia eu iria largar aquilo tudo pra trás, pagar um supletivo e entrar na faculdade. Era meu sonho. Meu grande e ilusório sonho.
Bom, essa foi a minha história até agora.
Eu sei, a minha vida é desinteressante e chata, mas é a minha vida. Garanto que você irá encontrar uma história melhor na novela das 20h.
Eu sempre fui Bella - A sem graça, Bella - A chata, Bella - A certinha. Estava acustumada com esses apeliados. Minha vida não podia ser nada diferente disso, não é?

Porém, mal sabia eu que minha vida ia virar de cabeça pra baixo.
Vocês acreditam no diabo? Pois é, eu também não acreditava.

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Capítulo 2 tá ai :) Espero que vocês gostem e não me espanquem nos comentários XD

Lilly Nightfall: Primeiramente, bem vinda :D Sim, eles são maus o.o Não é para menos, eles são os demonios XD

Larissa Motoko: A Bella não tem anjo :T Lembra que Deus esqueceu dela? Aaahh... Mas o Edward vai "cuidar" dela XD Espera só o terceiro capítulo (H)

Carol Anne Keat: Aaah Carol se acustuma XD Normalmente em minhas fics a Bella sempre sofre 8D Mas para quem termina com Edward Cullen, o que é sofrer um pouquinho? XD E sobre os pais... Coloque a culpa no Emmett e no Edward :X

~[MCF] Pra sempre (H)