Atualização de 11 de Julho de 2010: O hiato acabou! Além do Episódio 07 já estar na metade do caminho, acabei de fazer umas mudanças nessa parte do Ep01; mudança aplicada também ao primeiro one-shot de O Diário de Kristen Lane. Quem já leu... Bom, confira mais uma vez para saber!
Parte II
Pronta para começar uma jornada, Sally parte para o laboratório do professor Elm. Vestindo uma blusinha de alças caídas, regata preta sobreposta, legging azul e saia roxa de cintura alta e uma mochila cheia, ela parte cheia de confiança, lembrando dos conselhos da mãe: "Mantenha-se sempre preparada para a jornada, freqüente os Centros Pokémon, concentração é essencial em qualquer batalha, faça vários rivais..."
Quando chega no laboratório, Sally encontra outra garota na porta conversando com o professor Elm, que acena:
-Ei, lá está ela!
Sally se aproxima e cumprimenta:
-Como vai professor? Já está tudo pronto?
-Fico feliz por vê-la aqui, Sally!- responde Elm, e apresenta: -Quero que conheça Amara. Ela veio buscar seu primeiro pokémon, como você.
Sally observa Amara atentamente: a garota, vestida com uma blusa verde curta por cima de uma camisa branca de mangas compridas, calça jeans azul e mochila verde-musgo, parece nervosa, mexendo nos cabelos escuros e compridos e logo depois disfarçando. "Será que ela pode ser uma boa rival?", pensa Sally, e pergunta:
-Não é da cidade, certo? Nunca te vi por aqui.
-Na verdade, eu sou da cidade Hillstone- responde Amara, timidamente. -Fica perto da cidade Azálea, então meus pais concordaram em me trazer de carro.
-Estava explicando sobre a escolha do primeiro pokémon enquanto esperava você e seu primo, Sally- explica o professor, com certo entusiasmo.
Ao ouvir o comentário sobre a chegada do primo, Sally faz careta de insatisfação que deixa Elm e Amara perplexos. Mas sua expressão muda ao ver um automóvel preto parar ao lado deles.
De dentro do carro saem Lena, ajeitando os cabelos loiros com os dedos, e Tracey, retirando as bagagens do porta-malas. "Ele mudou um bocado em seis anos", pensa Sally, olhando o outrora primo tropical agora transformado em um rapaz notável, de moletom bege, calças pretas e ar de intelectual. "Mas isso é só estampa; aposto que continua o mesmo de sempre!"
Elm se aproxima e cumprimenta:
-É bom vê-lo aqui, Tracey! Professor Carvalho me avisou que viria!
-E é um prazer para mim conhecê-lo professor!- responde Tracey com um aperto de mão.
Tracey apresenta Lena, que cumprimenta os outros. Elm, então, conclui:
-Já que estão todos aqui, por que não entramos no meu laboratório? Afinal, essas mocinhas estão ansiosas para começar uma jornada!
O grupo segue em direção ao laboratório. Elm convida Lena que, um pouco indecisa, resolve ir com eles. Sally e Tracey ficam mais para trás, e começam a conversar:
-Seis anos é um tempo longo, certo, Sally?
-É acho que dá tempo de crescer bastante. Mas aposto que não mudou uma vírgula!
-Pode ser. Mas, quer saber? Você também não mudou muito.
-Duvido; melhorei muito.- E acrescenta, com certa irreverência: -Olha, acho que, bem no fundo, e até há uma chance (bem pequena) de não brigarmos muito durante a viagem.
Sally avança, com sorriso cínico, e Tracey para, frustrado.
-E depois ela diz que "melhorou muito"...- murmura.
No laboratório, o professor Elm orienta:
-Sally e Amara, como treinadoras iniciantes sob minha tutela, você têm direito de escolher cada uma um pokémon dos três selecionados para iniciantes de Johto. Os pokémons são: Chikorita, do tipo grama; Cyndaquil, do tipo fogo; e Totodile, do tipo água.
Tira do bolso fotos dos pokémons: Chikorita, com suas sementes no pescoço, uma grande folha no topo da cabeça e olhinhos vermelhos; Cyndaquil, o camundongo com focinho comprido costas azul-escuras e olhinhos fechados; e Totodile, o pequeno crocodilo azul com grande boca e expressão agitada. Amara observa atentamente a foto de Cyndaquil, enquanto Sally se interessa por Chikorita.
-Há dois dias entreguei Totodile para uma garota da cidade Goldenrod. Felizmente Chikorita e Cyndaquil estão aqui, em ótimo estado de saúde.
De uma cúpula vermelha em um dos cantos da sala, Elm retira duas pokébolas e as abre, liberando os pequenos pokémons.
-Mas que gracinhas!- exclama Amara, abaixando-se para acariciá-los.
-Está correto, professor, estão perfeitamente saudáveis e alegres- observa Tracey, retirando um caderno de desenhos de sua mochila.
Impressionada com a técnica de Tracey ao desenhar, Amara pergunta:
-Seus desenhos são incríveis! Você é alguma espécie de desenhista de pokémons?
- Na verdade isto é parte do meu trabalho; estes desenhos são os meus registros das observações em pokémons.
-Meu primo é observador pokémon- explica Sally. -Mas há pouco tempo fiquei sabendo que ele tem aproveitado de um certo cargo mais alto, algo tipo assistente do professor Carvalho em Kanto, certo, Tracey?
Tracey fica lisonjeado com o comentário da prima, corando; Lena, tentando quebrar seu silêncio, pergunta para as garotas:
-E então, decidiram com qual pokémon cada uma vai ficar?
Sally responde com entusiasmo, pegando Chikorita no colo:
-Eu já havia decidido ontem, Lena. Vou ficar com a Chikorita! Sei que será a companhia perfeita.
-Então vou ficar com Cyndaquil- diz Amara. -Gostei dele desde o começo! Vamos ser bons amigos.
Sally e Amara brincam com seus novos pokémons, quando um pequeno pokémon aparece na entrada da sala, extremamente cauteloso. Tracey percebe, e pergunta:
-Professor, aquela Eevee é daqui?
Ao notar os olhares de todos voltados a ela, Eevee abaixa suas orelhas marrons e encolhe-se, com uma preocupação estampada em seus olhos pretos. "É ela!", pensa Lena, surpresa.
-Essa Eevee está aqui há duas semanas- responde Elm, pegando a pequena Eevee do chão. -Ela foi entregue a meus cuidados pelas forças Ranger do Arquipélago Sevii; sofreu maus tratos em um quartel-general da Equipe Rocket.
-Então esse medo todo é uma espécie de trauma?- pergunta Lena, estranhamente espantada. "Eu devia saber que ela teria seqüelas..."
-Eu creio que sim, Lena. Bandidos da Equipe Rocket não costumam ter piedade.
-ISSO É REVOLTANTE!- grita Sally, causando espanto geral. -O que esta Eevee pode ter feito para merecer um tratamento tão terrível?
Com a explosão de Sally, a Eevee se encolhe ainda mais assustada. Chikorita tenta brincar com ela usando dois chicotes de cipó, causando apenas mais medo na pequena pokémon. Elm diz, tentando acalmara todos:
-Não se preocupem com ela, tenho certeza de que aos poucos ela ficará melhor. E vocês têm uma jornada pela frente, não precisam se preocupar com...
Elm interrompe, ao ver pingos de chuva pela janela, que começam a ficar cada vez mais fortes, se transformando em um temporal.
-Chuva forte hoje?- questiona Amara. -Mas meus pais acompanham a previsão do tempo; se soubessem que haveria chuva forte hoje, teriam me trazido para cá amanhã!
-Tem razão, Amara. Venho para cá várias vezes, já conheço o clima da região. Nunca vi tempestades nesta época do ano- explica Lena, observando preocupada.
-Acho que é melhor então esperar essa chuva passar antes de sairmos- decide Tracey.
-Esperar, esperar...
Sally e Chikorita sentam em duas cadeiras, emburradas. Tracey as olha com cara de reprovação, enquanto Lena continua a observar a chuva pela janela, certa de que há algo errado.
Esperando a chuva passar, o grupo está reunido no laboratório, esperando o professor Elm entregar os últimos itens para as duas treinadoras iniciantes.
-Aqui estão as últimas coisas que vocês precisam: um kit com cinco pokébolas e uma Pokedex.
-O que é essa Pokedex?- pergunta Amara, segurando desajeitadamente a agenda vermelha virtual, com monitor e botões internos.
-Funciona assim, Amara- explica Sally, apontando a câmera da borda superior da agenda para os pokémons, que diz:
-Chikorita, o pokémon Folha. Ela balança sua folha para manter os oponentes em guarda. Porém, uma doce fragrância Também sai da folha, criando uma atmosfera agradável que acalma os lutadores.
-Cyndaquil, o pokémon Rato de Fogo. Ele acende chamas das suas costas para se proteger. O fogo queima vigorosamente se este pokémon está furioso; porém, quando está cansado, ela acende em incompleta combustão.
-A Pokedex faz registros dos pokémons que você vê e é uma boa fonte de informações de seus próprios pokémons. Eu mal via a hora de ganhar uma desta!
-Mas como você sabe tudo isso?
-Acontece que minha mãe já foi treinadora e hoje dirige um Centro de Treinamento na cidade.- gaba-se Sally, balançando sua Pokedex azul entre os dedos. E desafia: -E do jeito que ela me ensinou bem, tenho certeza que vou vencer muitos oponentes menos experientes!
-Ah, é? Mas não conte em me vencer tão fácil!
-Opa, meninas, o que é isso, é um pouco cedo para começarem a disputar!- pede Tracey, notando o clima de rivalidade explosiva no ar.
-Tá bom, Tracey-protetor-da-paz-mundial, eu vou me conter. Afinal, estou de bom humor e nós ainda vamos ficar um bom tempo juntos, mesmo.
-Como assim, Tracey? Você é assistente do professor Carvalho em Kanto, mas vai viajar por Johto agora?- indaga Amara.
-Na verdade, o professor me mandou para investigar o porquê de várias espécies pokémon do mundo estarem mudando de habitat. Quando minha tia soube que eu teria que viajar, pediu que eu acompanhasse Sally em seu começo de jornada.
"Ótimo, agora eu pareço uma bonequinha de porcelana que precisa ser protegida de quebrar!", revolta-se Sally em seus pensamentos. "Como se não bastasse ter ficado um ano de molho em casa… Ah, quer saber? É melhor eu sair daqui e evitar discutir. Afinal, de qualquer forma este é meu começo tão esperado!"
Enquanto Elm, Tracey e Amara conversam sobre os tipos de pokémons da região de Johto -"Amara deve estar perdida entre aqueles gênios", nota ela- e Lena se mantém pensativa, Sally nota que a pequena Eevee do professor não está no laboratório, e se afasta com Chikorita prédio adentro.
Conforme vai andando pela moradia, a treinadora vai notando os prêmios expostos nos armários cor de marfim e as fotos nas paredes. "Prêmio de melhor pesquisa sobre personalidades de pokémons da Universidade de Violeta, Primeiro Lugar da Olimpíada de Matemática do Colégio New Bark…", observa ela, e percebe que nunca deu atenção devida à grande inteligência de seu novo tutor pokémon. Admira as fotos nas paredes da sala de estar: uma mostra Elm com seu filho Vincent, um garoto loiro com a mesma expressão carismática do pai; outra mostra Elm com seus antigos colegas de faculdade e o professor Carvalho, e Sally nota que o rosto de Elm pouco mudou desde aqueles tempos. Várias outras fotos ainda mostram o professor com a família, durante pesquisas e com outros tutelados.
-O professor tem muitas boas lembranças, pelo jeito… Veja Chikorita, acho que à esquerda fica o estoque de pokébolas dos treinadores. Que tal conhecer os pokémons?
-Chikori!
As duas entram na sala de pokébolas, com armários repletos destas. No centro da sala, um computador ligado com diversos pokémons nele listados chama a atenção de Sally; não pelos dados, mas por ali estar Eevee, que se assusta com a chegada das visitantes e tenta fugir.
-Ei, espera! Na precisa ir embora! A gente não sabia que você estava aqui, e também não queremos te machucar.
Sally entra na frente de Eevee para Pará-la e abaixa-se para acariciar sua cabecinha, mas a criaturinha de pelos castanhos recua, completamente assustada. Chikorita desanima, e a treinadora fica perplexa.
-Eu não entendo, Eevee… O que fizeram com você?
Eevee sobe na mesa do computador; ajeita os pelos brancos do pescoço e se deita, observando aquelas que não querem lhe fazer mal. Sally suspira. Vira a cadeira em frente á mesa ao contrário e se senta virada para Eevee. Sorri, e comenta:
-Sabe, eu já vi muitos pokémons com a minha mãe, mas nunca vi um Eevee de perto, e olhando para você agora, vejo que é muito linda! Vai arrasar muitos pokécorações por aqui, sabia?
Eevee levanta a cabeça devagar e continua a observar Sally; ainda assim, não tenta nenhuma aproximação, parece preocupada demais para isso. Tomada pela sensação de um pequeno sucesso, Sally arrisca:
-E não será boa apenas no amor; aposto que será uma superlutadora, com muitos ataques fortes!
Por uma misteriosa razão, Eevee se assusta e fecha os olhos ao ouvir essas palavras. Segundos depois, a janela da sala se abre violentamente devido á força do vento e da chuva, fazendo papéis voarem. Surpresa, Sally tenta segurar algumas folhas de papel e vai fechar a janela.
Lutando para enxergar entre os cabelos da franja devido á ventania, ela acha a tranca da janela num lugar muito alto, onde não alcança. Ouve-se um poderoso trovão. "Calma, Sally, é um trovão comum, se foi ouvido é porque já passou, calma… Ah, estou ficando encharcada… Cadê a bendita tranca…"
Trovões sucessivos são ouvidos, deixando Eevee cada vez mais assustada e se encolhendo com as orelhas abaixadas. Para ajudar sua treinadora, Chikorita sobe na mesa de computador e usa seus chicotes para empurrar a tranca.
É quando o mais alto dos trovões soa, fazendo Eevee perder o controle e gritar; Chikorita se assusta com o grito e arranca a tranca sem querer, e Sally, que empurrava a janela, também se espanta e escorrega no chão molhado, caindo de costas. O vento começa a ficar menos forte; a treinadora se levanta e, revoltada com o susto, grita:
-O QUE DEU EM VOCÊ, EEVEE! Isso é jeito de gritar!
Sally só percebe o erro que cometeu quando Eevee recua em direção à janela. Tenta consertar:
-Olha, desculpa… Eu não quis gritar, é que às vezes eu sou meio idiota e me descontrolo e…
Ela se aproxima, mas Eevee salta desajeitadamente para a janela e escorrega para o lado de fora.
-Eevee, está chovendo forte! Pula aqui dentro!
Eevee está apavorada demais para responder Sally; no meio da forte chuva, tudo o que lhe vêm à mente são as lembranças de estar em um ambiente terrivelmente semelhante… Após o barulho de uma trovoada, ela foge correndo pela chuva. Sally corre para fora da sala.
