CAPÍTULO IV

Rin encontrava-se concentrada na máquina de escrever quando ouviu uma leve batida na porta. Antes que dissesse para entrar, Kouga surgiu à frente dela.

- Ora, ora, vejam só! Que garota mais esforçada você tem me saído nestes úlTimos dias!

Rin parou de datilografar e olhou para ele por cima dos óculos.

- É uma visita de negócios ou veio aqui para arruinar meu dia, Kouga?

Ele deu uma risada, ignorando a pergunta.

- Ouvi dizer que deixou Bankotsu na mão ontem à noite.

- Mesmo? E como conseguiu essa informação?

- Cruzei com ele no corredor quando já ia indo embora. O pobre homem estava com lágrimas nos olhos. É um pecado o que você faz com o sexo masculino.

- Pecado é o que eu gostaria de fazer com você, Kouga!

O rapaz sentou-se na beira da escrivaninha chegando com o rosto bem próximo do dela.

- Estou às ordens para quando você quiser, fofura.

- Kouga! - Ela se esquivou. - Você tem a mente mais suja que conheço.

- E quem não tem a seu lado, boneca? Só mesmo nosso geninho lá dentro. - Ele fez um gesto indicando a sala de Sesshomaru. - E por falar no "Homem das Neves", soube que vocês dois tomaram café da manhã juntos hoje no Maria's.

Rin ajeitou-se na cadeira. Ali vinha coisa!

- O sr. Taisho fez a gentileza de me dar uma carona ao escritório, Kouga.

- Sr. Taisho? Pensei ter ouvido Kanna dizer que já o chama de Sesshy.

Rin lançou-lhe um olhar furioso.

- Você e Kanna cansam a minha beleza, Kouga. Não sabem fazer outra coisa a não ser falar da vida alheia. E quando não têm o que dizer, inventam.

- Calma lá, mocinha. Não foi invenção minha que vocês tomaram café da manhã juntos, sabe muito bem. E nem que o chamou de Sesshy.

- Para seu governo... - Rin se interrompeu ao ouvir a campainha do interfone. - Sim, Sesshy?

- Rin... - a voz de Sesshomaru soou no aparelho. - Por acaso não encontrou minhas abotoaduras no seu carro? Deixei-as no porta-luvas ontem à noite.

Rin olhou para Kouga no mesmo instante. A expressão atônita do rapaz era digna de uma fotografia.

- Não, eu. ..eu não achei nada - respondeu, sentindo que corava. - Mas acredito que ainda estejam lá.

- Espero que sim, porque elas me custaram muito caro. Não costumo ser tão descuidado, mas ontem, depois que nós... quero dizer, depois que saí do seu apartamento, esqueci-me de pegá-las.

Rin sentia que seu rosto estava ficando cada vez mais vermelho. Podia bem Imaginar que conclusões Kouga estaria tirando daquela conversa.

- Não se preocupe. Tenho certeza de que vou encontrá-la quando chegar em casa.

- Obrigado.

- Não há de quê.

O interfone silenciou mas Rin não teve coragem de olhar para Kouga. Retomou à máquina como se nada tivesse acontecido.

- Ora, ora, ora... - Kouga sorriu triunfante. - Como estamos, hein?

- Não é o que você está pensando, Kouga.

- Não? Pobre Bankotsu. Passado para trás por um...

- Não continue, Kouga!

- Tomando as dores do chefe também, Rin? Quem iria acreditar!

Rin o fitou furiosa. Falassem dela na firma, que não se incomodava. Mas não admitiria que fizessem mau juízo do seu chefe. Ele não merecia. O único problema seria como defendê-lo, sem quebrar a promessa que lhe havia feito.

- Escute, Kouga, se não veio fazer nada de importante por aqui, pode dar o fora que tenho muito trabalho.

O rapaz levantou-se no mesmo instante.

- Calminha, amor. Na verdade vim à procura de informações sobre a conta corrente da Rockwell. Pode arranjá-la para mim?

Rin foi até o arquivo e tirou uma pasta de uma das gavetas.

- Cuide para que volte a mim no mesmo estado, por favor.

- Não se preocupe, fofura. - Kouga deixou a sala, sorridente.

Trinta minutos depois, após uma leve batida na porta, Rin entrou na sala de Sesshomaru. Havia vários papéis espalhados sobre a mesa, mas ele não estava trabalhando. Mais uma vez encontrava-se olhando para a janela completamente distraído, muito longe dali.

- Sesshy! - ela o chamou. - É hora do almoço. Lembra-se que combinamos passar no oftalmologista?

Ele pareceu assustar-se ao vê-Ia. Devia estar a quilômetros de distância; provavelmente pensando em Kagura, Rin deduziu. Gostaria de saber como se sentiria se algum dia um homem a amasse daquele jeito. Saía com diversos rapazes, era verdade, mas nunca se apaixonara por nenhum deles. Também nunca recebera uma declaração de amor verdadeira e sincera. Kanna era quem tinha razão. Trocava de par rapidamente para não lhes dar chance de se apaixonarem por ela.

- Não pensei que fosse tão tarde. - Ele levantou-se olhando o relógio. - A manhã passou tão depressa.

- Não mudou de idéia sobre as lentes de contato, mudou?

- Acho que não. - Ele a fitou indeciso. - Você deu a entender que elas são tão importantes.

Sesshomaru parecia deprimido. Será que não exagerara um pouco naquela questão dos óculos, Rin ficou imaginando.

- Quer saber de uma coisa, Sesshy? - disse num impulso. - Se eu fosse Kagura, gostaria de você de qualquer jeito. Com óculos ou sem.

- Você é muito gentil, Rin.

- Mas não se esqueça de que agora já sei o que há por trás desses óculos! - Ela sorriu. - Só que não vem ao caso, não é mesmo? Kagura é que importa.

Sesshomaru desviou os olhos e pegou o paletó sobre a cadeira. Cada vez que Rin tocava no nome de Kagura sentia vergonha de estar enganando-a.

- Escute, Rin - disse enquanto vestia o paletó. - Há... há uma coisa que preciso lhe falar.

- Algum problema? Não me diga que Kagura cancelou a viagem?

- Não, não. - Ele comoveu-se com a preocupação dela. - É que... Bem, é que...

Rin o fitou curiosa.

- É que...?

- Não sei dançar.

- Não sabe dançar?!

- Quero dizer... faz muito tempo que não danço, perdi a prática.

Rin teve a impressão de que não era aquilo que ele ia falar, mas não disse nada.

- Está preocupado por causa da festa? - indagou, saindo com ele para o corredor.

- Estou. Não levo muito jeito para essas coisas. Não quero parecer ingrato, mas dançar não é comigo.

- Por que acha isso?

- Freqüentei algumas festinhas quando era garoto e posso lhe garantir que foram noites memoráveis. - Ele riu. – Por razões catastróficas, é claro.

Eles chegaram ao elevador. Sesshomaru apertou o botão e ficaram aguardando.

- Mas um pouquinho você dança, não?

- Dois prá lá, um prá cá. Nada mais.

- Já é o suficiente, eu lhe garanto.

Ele a examinou durante alguns instantes, com uma expressão muito preocupada.

- Algo me diz que Kagura sabe mais do que isso.

- E está com medo de desapontá-la. Eu entendo. Sabe que estilo de música pretendem tocar na festa de ano-novo?

- Canções populares, acredito. Como nos outros anos.

- Nesse caso vai ser mais fácil do que você imagina. Certamente vão tocar algumas seleções românticas e você poderá tirar Kagura para dançar, sem medo.

O elevador chegou. Sesshomaru esperou que Rin passasse e em seguida entrou. Sua situação estava piorando a cada minuto. Já deveria ter imaginado que uma mentira levaria a outra, a mais outra e assim por diante. Acabaria sufocado em meio às próprias mentiras.

- Acho melhor esquecermos essa história de festa do Natal, Rin - disse preocupado. - Você é muito gentil em querer que eu vá, mas não me sinto à vontade em festas.

- Pois aí está mais uma razão para você ir. - Num gesto impulsivo, Rin deu-lhe o braço. - Escute, você não precisa ser um grande dançarino ou muito desinibido para gostar de uma festa. Seja você mesmo e vai ver como tudo sairá bem.

Sesshomaru sentiu vontade de sentar-se no chão e começar a chorar. O que dera nele para se meter em tamanha encrenca? A resposta estava bem ali ao seu lado, mais exatamente de braços dados com ele.

Rin voltou ao assunto da dança quando se encontravam a caminho para o oftalmologista.

- Tive uma idéia, Sesshy! Já que está tão preocupado a respeito da dança, por que não dá uma chegada esta noite na minha casa?

- Dar uma chegada? Hoje à noite na sua casa?

- Sim, hoje à noite. Podemos praticar um pouco de dança. Tenho um estéreo e uma coleção de discos bem atuais. Quando Kagura chegar, você vai estar afiadíssimo.

Sesshomaru deu tamanha freada ao perceber o sinal vermelho que por um triz não bateu no carro da frente. Quando Kagura chegar, pensou. Ao elaborar todo aquele plano maluco havia se recusado a pensar no que aconteceria quando o ano-novo chegasse. Achava que tudo teria se arranjado até lá. Agora já não tinha mais tanta certeza assim.

- Você já tem sido gentil demais, Rin. Não posso aceitar que além de tudo me ensine a dançar.

- Imagine, eu adoro dançar! E olhe, você podia chegar bem cedo, assim preparo alguma coisa para a gente comer. Cachorros-quentes, por exemplo.

- Fico envergonhado... Não imaginei que iria dar tanto trabalho a você quando pedi sua ajuda.

Ela riu, cruzando as pernas.

- É que você não sabia que teria uma professora tão exigente.

- Tem razão. - Sesshomaru tentou rir. - Eu não sabia mesmo...

Após a consulta com o oftalmologista os dois passaram numa óptica onde encomendaram as lentes.

E o horário do almoço terminou.

- Eu sinto muito, Sesshy. - Rin se desculpou ao voltarem para o carro. - Não imaginei que perderíamos o almoço.

- Não se preocupe, nós vamos almoçar. Esqueceu-se de que está com seu chefe?

Rin olhou para ele, admirada. Sesshomaru Taisho sugerindo que quebrassem as regras? Era uma novidade para ela.

- Está bem - concordou sorrindo. - Estou mesmo morta de fome.

- Depois de todos aqueles folhados no café da manhã? Não imaginei que comesse tanto.

- Ninguém acredita. Mas é que faço muitos exercícios depois que volto do trabalho. Ajudam a queimar as calorias. E você? Faz ginástica ou pratica algum esporte?

-Quando sobra tempo vou a uma academia. E às vezes ando de bicicleta nos fins de semana.

O rosto de Rin se iluminou.

- É mesmo? Eu também tenho uma bicicleta. Nós dois poderíamos... - O sorriso sumiu dando lugar ao desapontamento. - Sempre me esqueço de Kagura, Sesshy. Vai querer ficar o tempo todo com ela, não é mesmo?

- Bem, talvez não todo o tempo.

- Não...?!

- Quero dizer, Kagura mora longe daqui. Como vou poder ficar o tempo todo com ela?

Rin o estudou durante alguns instantes antes de falar.

- Sempre pensei que sua intenção fosse armar uma cilada para Kagura. Não vai pedir a ela que fique aqui para sempre?

Sesshomaru franziu as sobrancelhas.

- Está esperando um milagre de mim, Rin. Acha mesmo que vou conseguir que Kagura se mude de Nova York para Oklahoma?

- Qualquer mulher apaixonada seguiria o homem que ama. Eu seguiria. - Porque estava dizendo aquilo, Rin não tinha a menor idéia.

- Você se esquece que Kagura não me ama?

- Ainda não! - Ela ergueu o dedo com autoridade. - Mas não duvido como vai se apaixonar por você antes que o próximo ano comece.

- Deus te ouça!

Rin e Sesshomaru almoçaram num restaurante francês. Ela adorou a comida, mas ficou impressionada com a conta. Foi a refeição mais cara que já havia feito em toda a sua vida. E, para completar, Sesshomaru não a deixou pagar sua parte.

Durante o resto da tarde ela esteve ocupada datilografando relatórios a serem enviados aos acionistas. Sesshomaru atendeu a vários telefonemas e às cinco horas teve uma reunião com os outros diretores. No final do expediente ele a deixou em seu apartamento e foi para casa tomar um banho a fim de voltar mais tarde.

Assim que Rin entrou, o telefone começou a tocar. Era Bankotsu.

- Sinto muito, mas não vai dar, Bankotsu. Tenho um compromisso com meu chefe esta noite.

- Outra vez?

Bankotsu queria levá-la para jantar. Rin odiava ter que dizer outro não a ele, mas começava a perceber que odiaria mais se cancelasse o compromisso com Sesshomaru. Divertia-se tanto com ele... Conversavam sobre os mais variados assuntos, ao passo que com Bankotsu dificilmente a conversa ia além das quadras de basquete.

- Seu chefe nunca lhe dá folga? - Bankotsu revoltou-se do outro lado da linha. - Diga a ele que você não é de ferro!

- É um caso especial, Bankotsu. Quem sabe a gente se vê numa outra noite, hein?

- Pode apostar como vou cobrar, Rin. E não vou aceitar desculpas!

- Adeus, Bankotsu.

Ela desligou antes que o rapaz continuasse a conversa. Kanna a chamaria de louca se soubesse o que acabara de fazer com Bankotsu, mas não se importava. Desde que descobrira a nova face de Sesshomaru, a idéia de conhecê-lo melhor começava a entusiasmá-la. O chefe reservado e metódico vinha se mostrando um homem simpático e atraente, cuja companhia a agradava cada dia mais.

Antes de ir para a cozinha, Rin trocou a saia por um jeans e um suéter folgado. As sete horas em ponto já havia cozinhado salsichas, esquentado pãezinhos e preparado um molho temperado com chilli. Quando Sesshomaru tocou a campainha, a mesa estava arrumada com dois lugares, e uma frigideira com batatas fritas chiava sobre o fogão.

Rin correu para abrir a porta, mas mal trocou duas palavras com ele com medo de queimar as batatinhas.

- Oi, Sesshy! Vá entrando e fique à vontade. Minhas batatas fritas estão no ponto de tirar.

Antes que Sesshomaru respondesse ela já havia sumido. Com um sorriso nos lábios ele a seguiu até a cozinha.

O cheiro era delicioso. E a visão de Rin, de costas, mexendo no fogão, foi realmente uma surpresa. Uma surpresa ao mesmo tempo agradável e comovente. Em toda a sua vida não se lembrava de algum dia ter uma mulher cozinhando especialmente para ele. Tirou a jaqueta de couro, colocou-a num dos bancos.

- O cheiro está delicioso, Rin.

- Você acha? - Ela se voltou com um sorriso nos lábios; mas ao vê-lo parou estática. - Sesshy!

- Alguma coisa errada?

- Não! Você está sensacional com esta roupa! - Ele vestia calças cáqui e uma camisa pólo branca de mangas longas. Nunca imaginara que sem o terno Sesshy ficasse tão atraente.

- Que bom que você gostou. - Ele sorriu satisfeito.

- E está de fato muito elegante. Nem parece o meu chefe.

- Também não me sinto como seu chefe nesse momento.

O que Sesshy queria dizer com aquilo? Que também não a via como secretária e sim como mulher? Ora, mas que bobagem, a única mulher a ocupar os pensamentos dele era Kagura.

- Por que não se senta, Sesshy? - Ofereceu, arrumando as batatinhas num prato. - Já está tudo pronto, só falta levar para a mesa.

- Nesse caso, posso ajudá-la. - Ele aproximou-se tirando-lhe o prato da mão. - Ao menos sei carregar as vasilhas - disse rindo.

Rin pegou os pãezinhos no forno e colocou-os sobre a mesa com as salsichas e o chilli. Pouco depois eles se encontravam sentados, preparando cachorros-quentes enquanto conversavam.

- Está animado por causa das lentes de contato?

- Estou só imaginando como vou ficar sem meus óculos. Uso-os há tanto tempo que provavelmente vou me sentir nu sem eles.

- Ou consciente demais de si próprio.

Sesshomaru a fitou, surpreso.

- Você me conhece melhor do que eu mesmo, sabia?

- Foi uma simples dedução. Acho que acontece com todo mundo que tira os óculos depois de muitos anos com eles.

- Talvez.

- Só espero que não tenha tomado a decisão por minha causa, hein? Quero que faça isso por você mesmo, Sesshy. - E por Kagura, ela devia acrescentar, mas não o fez. Havia pensado muito naquela situação e chegara à conclusão de que queria ajudar Sesshomaru porque desejava que ele fosse feliz. Não por causa de uma mulher que sequer conhecia. Mas porque gostava dele.

- Tomei a decisão por motivos certos, Rin. – Ele a fitou bem sério. - Pode acreditar.

Por motivos certos. Provavelmente ele se referia a Kagura, Rin concluiu dando um longo suspiro.

- Não vejo a hora de chegar o dia da festa de Natal, Sesshy. Vai ser maravilhosa, aposto. Acho que resolveram esbanjar este ano, graças aos lucros que você trouxe à firma.

- Que nada. Seguros se vendem praticamente sozinhos. Da mesma forma como as pessoas se vendem às outras.

- Não é o que pretende fazer com Kagura? Vender-lhe sua imagem?

Rin notou que havia tocado em algum ponto delicado. Os olhos de Sesshomaru se arregalaram.

- Não! - Ele negou com veemência. - Não é bem assim. Quero apenas que ela me veja como realmente sou. E que desfaça a impressão que tem de mim.

- E qual é essa impressão?

- Sei lá. Que sou uma traça devoradora de livros, acho - ele riu. - Não. Talvez não uma traça e sim uma máquina que trabalha com perfeição, mas não faz nada além disso.

- Sesshy! Isto é horrível de se dizer.

- Mas verdadeiro.

- Não posso acreditar. Como sabe?

- Ela nunca me olhou como um homem.

- Talvez porque nunca tenha demonstrado que se interessa por ela como homem.

Sesshomaru abaixou a cabeça, sem jeito.

- Talvez...

- Quando pretende se declarar a Kagura, Sesshy?

Aquele era seu maior dilema, ele pensou.

- Há dois dias não pensou noutra coisa - comentou preocupado. - Cheguei à conclusão de que terá de ser no momento certo. Talvez na festa de véspera de ano-novo, quem sabe?

- Vai esperar tanto assim? Podia ir para Nova York. Não acha que estará perdendo momentos preciosos?

- Não.

- Não...?

Rin parecia tão confusa que Sesshomaru resolveu explicar melhor.

- Primeiro quero dar tempo a Kagura para que me conheça bem. A única ocasião em que ficamos sozinhos é no... - Céus! Ele quase ia dizendo no escritório! Se não tomasse mais cuidado acabaria pondo tudo a perder, justo agora que as coisas iam indo tão bem! - Quero dizer, era na faculdade e algumas vezes durante alguns dos encontros de negócios que tive com o irmão dela.

- Ele também está no ramo de seguros?

- Quem...?

- O irmão de Kagura!

- Oh sim, sim, ele trabalha em seguros.

Sesshomaru às vezes se portava de uma forma tão estranha, Rin pensou, preparando seu segundo cachorro-quente. Parecia estar a milhas de distância dali...

- Talvez esteja certo, Sesshy - disse após pensar um pouco. - O momento certo é muito importante nesses assuntos do coração.

- Não quero me precipitar e pôr tudo a perder logo no início. Se eu adiar para o ano-novo, ao menos terei desfrutado da companhia dela durante alguns dias, caso leve um fora. - Ele olhou para Rin com uma expressão resignada. - Sei que almejo uma jóia preciosa, Rin. E não tenho grandes esperanças. Pelo menos minha tentativa terá valido a pena se eu esperar até o úlTimo momento.

Rin segurou a mão dele sobre a mesa, lutando para controlar as lágrimas.

- Você diz coisas tão lindas, Sesshy. Deve amá-la muito, não?

- Sim, Rin, eu a amo muito - respondeu acariciando a mão dela com o dedo.