Capítulo 6

Dean e Sam acordaram com o telefone tocando. Era uma 1:55 da madrugada.

– Dean, você pode vir aqui?

– Bia?

– Pode ser que fosse um pesadelo, mas, dentro das circunstâncias eu preferi te ligar.

– O que foi?

– Quando fui olhar que horas eram eu vi um reflexo no vidro do relógio... Era um rosto. Desculpe, só venha se quiser. Nessas horas é tão ruim morar sozinha...

– Claro. Já estou indo aí.

– Muito obrigada, Dean.

Dean e Sam chegaram na casa de Bia, que estava espernado com a porta aberta, muito assustada, Max ao seu lado.

– Obrigada por terem vindo.

Eles entraram.

– Não foi um pesadelo. Posso jurar que vi o reflexo do mesmo rosto no vidro da janela.

­– Como ele era?

– Francamente, não era muito nítido. Não deu pra ver exatamente se era homem ou mulher, mas...

Bia tremeu ligeiramnete.

– Ali, no espelho! – gritou aflita.

Dean e Sam olharam para grande espelho na parede.

– Não vejo nada.

– Eu ainda vejo.

– Você vê, Sam?

– Não.

– Sumiu. É um homem. Cabelos compridos. E... uma cobra em seu pescoço, como se fosse um cachecol.

– O que acha, Sam? Bill Stynter?

– Só pode ser, Dean.

– Então, na verdade, aquele que achavamos que era a vítma é na verdade o assassino?

– Sei lá. Talvez ele só esteja aparecendo para Bia para tentar avisar algo.

– Estranho... Acho que ele não faria isso. E uma cobra no pescoço? Acho que na verdade Bill é o assassino.

– É o que está parecendo. Acho que já estou entendendo. Provavelmente Bill levou a picada da sua cobra de estimação. Se ele estava envolvido com magia negra, talvez isso tenha ajudado ainda mais para que seu espírito voltasse. Provavelmente ele era mesmo algum psicopata doidão, que foi picado pela sua cobra de estimação e resolveu atormentar seus vizinhos por que entregaram para a polícia que ele estava envolvido com magia negra.

– Sam, leve Bia no carro e esperem lá.

– OK.

Dean ficaria dentro da casa de Bia esperando que algo acontecesse. Ficou parado na frente do espelho. Faltava um minuto para duas horas da madrugada. E o espírito tinha implicado com o número dois. Mas talvez ele só matasse o morador real da casa. Mas se ele não matasse Bia, talvez ele matasse a pessoa da próxima casa. Dean olhou o relógio. Era arriscado, mas talvez fosse melhor usar Bia como ísca.

– Esperem, não vão!

Bia e Sam pararam abruptamente.

– Acho que ele quer Bia. É melhor acabarmos de uma vez com esse espírito para que ele não volte nunca mais.

Duas horas. Bia ficou na frente do espelho e Dean e Sam esperam do lado de fora da casa. O espírito provavelmente iria preferir que Bia estivesse sozinha. A garota olhava fixamente para seu própro reflexo, concentrada. De repente, um som de chocalho. O reflexo de Bill apareceu no espelho com a cobra cascavel enrolada no pescoço. Bia se afastou. De repente, o reflexo pareceu se materializar. Bill saiu do espelho, ele e a cobra olhando para Bia. Bia gritou. Dean e Sam entraram na casa. A cobra caiu no chão e Bill ficou onde estava, inerte. A cobra aproximou-se agilmente de Bia, e quando estava pronta para dar o bote, Dean tirou uma faca do bolso interno do casaco e cortou a cobra ao meio.

– Ferro puro, queridinha.

O espírito de Bill gritou alto e se transformou em uma fumaça densa, que logo desapareceu, ao mesmo tempo que a cobra.

– Aposto que aquela cobra não vai mais picar... ou envenenar ninguém. – Falou Dean.

Bia suspirou, aliviada.

– Você vai ter coragem de continuar morando sozinha? Isso não te deixou com medo? ­– Perguntou Sam.

– Na verdade, isso me deu coragem.

– Porque acha que Bill gostava tanto do número 2?

– Não sei, Dean. Provavelmente por que a cobra tem dois dentes, e esses dois dentes marcaram a pele de Bill, e o mataram. Dois dentes acabaram com a vida do cara, provavelmente seja por isso.

–Oh, Deus. Como existem pessoas que possam se meter com magia negra? Na minha opinião isso é suicídio. É como usar drogas: não há uma explicação sensata para dizer por que uma pessoa se mete com essas coisas.

– É, mas já que você comparou magia negra com drogas, eu diria que em que elas mais se assemelham é que as duas levam a pessoa para o pior lado.

– Bem, mas e vocês, onde moram? – Perguntou Bia, desviando do assunto – Com certeza não moram naquele hotel.

– É, nós vivemos na estrada.

– Como vivem? Vocês trabalham, não é? Digo, esse trabalho de vocês é remunerado?

– Longa história.

– De novo com esse negócio de "longa história", Sammy?

– De novo com esse negócio de "Sammy", Bia?

– Desculpe, eu não sabia que você não gostava que te chamassem de Sammy.

– Desculpe, eu também não sabia que você não gostava que te dissessem que algo é uma longa história.

Dean interrompeu.

– Não briguem, crianças. Temos que ir, Sam. Estamos saíndo hoje da cidade. Gostei de você, Bia.

– Também gostei de você, Dean. Você também é legal Sammy.

– Ah, é. Eu também achei você legal, mas não tenho muito para dizer, essa é uma longa história.

Todos sorriram.

– A gente se vê por aí, Bia.

– É, a gente se vê, Dean.

Dean e Sam entraram no Impala e caíram na estrada.