Capitulo 3

Não consegui ver o rosto dele, mas o vampiro, extremamente gostoso, do meu lado me retirou daquele lugar. Não consegui falar não para ele, ou fazer qualquer outra coisa. Ele consegue mexer com todos os nervos do meu corpo.

Estávamos em um corredor muito grande. Na parede tinha braços segurando tochas, a maioria acesas com fogo, mas a única coisa que consegui reparar é no homem na minha frente. Com aqueles olhos pretos, a única parte de seu corpo visível, pois o restante estava todo coberto. Ele me guiava pelo longo corredor e tudo parecia obedece-lo.

Aqueles olhos profundos como a escuridão. Tudo o que importa neste momento são esses olhos.

Mas após alguns instantes eu comecei a escutar uns gritos e voltei para a realidade. O que eu estava fazendo? Sendo seduzida por um vampiro com olhos profundos quando tenho humanos para salvar.

Concentrei-me para saber se ainda tinha tempo, ou pessoas vivas. Consegui escutar muitos corações. Virei e comecei a ir em direção a sala. Tudo em mesmos de um quarto de segundo. Mas o vampiro ao meu lado também era rápido e segurou meu braço.

- Sua vida vale mais do que daqueles mortais. A única coisa que você poderá fazer lá é pedir para morrer também. – A cada palavra o olho dele brilhava mais. – Você seria um grande desperdício. – Ele passou um dedo em meu rosto. A cada palavra me deixando mais raiva dentro de mim.

Sem pensar o que realmente estava fazendo segurei a garganta dele e encostei-o na parede.

- Se pensa que vou aceitar tudo o que você propõe fácil, está muito enganado.

- Nunca gostei de garotas fáceis.

- E eu nunca gostei de assassinos.

- Sempre tem uma primeira vez. – Ele puxou meu corpo para perto do dele e deu um meio sorriso. – E se você for para aquela sala... Ninguém poderá te salvar. Será o seu fim.

- Você está me subestimando? – Ele ainda mantinha os nossos corpos muito próximos, mas não de uma maneira ameaçadora.

- Não, apenas comprovando os fatos.

- Você não sabe do que sou capaz.

- Talvez eu saiba mais sobre você do que você pensa.

O que ele esta querendo dizer? Ou será que ele está apenas me enganando? O que será que ele está pensando? Preciso salvar aquelas pessoas.

Fui me afastar dele, mas ao mesmo tempo em que fazia isso todos os meus sentidos me avisavam que não deveria fazer isso, como se fosse muito perigoso. E isso só acontece quando é realmente perigoso.

- O que você pode fazer para me impedir? – Perguntei ainda mantendo a distância entre nós.

- Nada que você não queira. – Ele aproximava seu rosto do meu

- E como você pode saber o que eu quero?

- Eu apenas sei... Mas se você quiser pode me falar.

Claro, agora vamos brincar de gato e rato. Como se já não fossemos fazer alguma coisa parecida. Preciso pensar rápido. Tem pessoas morrendo e estou aqui parada. Eu olhava para a direção da sala e para ele.

- Você não pode fazer por eles. A maior parte estava ciente do que iria acontecer.

Como que um ser humano deixa um vampiro se alimentar dele? E ele ainda fala isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Vamos fazer uma fila para quem quer morrer perdendo todo o seu sangue por um ser imortal que vai sugar todo o seu sangue. Sentia o medo de algumas pessoas, mas em comparação ao tanto de humanos ainda estava fraco. Era o medo desamparo de um coelho para a raposa, de um rato para a coruja.

- Você precisa ir embora, antes que vire a sobremesa. – Ele me falou com o olhar duro.

- Eu não posso deixar essas pessoas.

- Não tem nada que você possa fazer por elas. Siga até o fim do corredor e não olhe mais para trás. Você precisa ir embora.