Humanos são loiros e vampiros são ruivos...
... Mel é doce, mas não é tão doce quanto você.
Declaração: Saint Seiya não é meu... Se fosse, Orpheu teria conhecido Alberich.
Descrição: O loiro trabalha numa floricultura. O ruivo, bem... Acredite ou não, é um meio-vampiro bilionário! A vida(?) desses dois irão dar mil voltas quando os dentes de um cravar no pescoço do outro... Ou no punho. Yaoi.
EntregaxVisita
Ás oito horas da manhã, Orpheu e sua querida tia se encontravam acordados. Ela, ainda resmungava consigo sobre algumas pintas que tinham aparecido em seu braço durante a noite. Apesar de pequenas, eram escuras, o que destava ainda mais sua pele tão branca, assim como era a do sobrinho, só que sem pintas!!! Seu humor estava pior, superava até o dia que apareceram espinhas em seu rosto. O mais jovem se lembrava até hoje o quanto a mulher gritava, chorava e passava cremes em seu rosto. Ia toda a hora para o banheiro, afim de ver algum progresso milagrosamente rápido...
- Hunf! Vê se pode, querido! É só eu ficar alguns minutos debaixo do Sol, dormir e na manhã logo encontro essas manchas! - Tomava seu café-com-leite, olhando sempre para seu braço, exposto.
- Mas tia, elas são tão pequenas... Além disso, estão bem próximas ao ombro. Não acho que alguém iria reparar nisso. - Despreocupadamente, jogou a panqueca para cima, virando-a e pegando, logo em seguida com a frigideira.
- Meu sobrinho, desse jeito você nunca vai conquistar mulher alguma! Isso porque não pensa como uma! O problema não é a localização das pintas, apesar de ser irritante também. O problema, é ver minha pele se transformando em pele de sapo! Logo, irão nascer outras aqui, outras cá, outras acolá... E adeus pele jovem, brilhante e cem por cento branca!
- Bobagem... O importante é a beleza interior, minha tia. - Colocou o alimento sobre outros, que estavam num prato.
- Ahaahahahah! Suas piadas estão ficando cada vez mais engraçadas, sobrinho! Conte elas para as mocinhas, ok?
- Sim... Mas não era uma piada... - Sussurou a última frase, enquanto servia-a. Pegou um pequeno frasco, contendo mel, e despejou sobre as panquecas, colocando pó de cacau por cima após isso.
- Estão com um aspecto ótimo, Orpheu! Sim, sim! Pode até casar!
- Tia... Não falemos disso na mesa, por favor... - Pediu educadamente, se sentando em seguida.
- Ahhh, pensar no futuro nunca é demais. Lembre-se disso, um dia irá de agradescer!
- Sim, tia. - Começou a se servir. Mas, inesperadamente, seu celular começou a tocar.
- Alguma admiradora?
- Tia!
- Ok, ok. Atende logo.
- Alô? Hã? Por que eu? Ah, não, quero dizer... Sim. Tudo bem então. Obrigado, senhor. Thau.
- Quem era?
- Meu patrão. Me ligou pedindo para que eu fosse fazer uma entrega no lugar do Seiya, que torceu o tornozelo.
- Pega a moto do seu tio emprestada. Sabe, aquele velhaco até que serve para alguma coisa... - Disse rudemente. O loiro sabia, fazia tempo, sobre desentendimento entre os dois. Tudo porque seu tio dispensou ela... E se casou com a irmã.
- Não fale assim dele, por favor. No fundo, ele é uma boa pessoa... Só não sabe se expressar direito.
- Ahahahaahah! - Forçou o riso, sendo irônica. - Você está ficando bom nisso! Devia virar comediante! Ou ator, como sempre te aconselhei!
- ... - Ficou quieto, sabendo que ela tinha razão numa coisa: Devia pedir a moto emprestada para seu tio.
Sendo assim, terminaram o desjejum e cada um foi para um lado: Orpheu para a floricultura e a mulher para a casa de uma amiga. Se ontem o dia estava frio, hoje estava de congelar os ossos. Aproveitando que recebeu algum dinheiro do Wils, o dono da moto que mais tarde pediria emprestada, pegou um ônibus. Sentia-se bem, porque de alguma forma estava esgotado, logo de manhã . Devia ser por causa do pesadelo que teve, mas sentia que não era somente aquilo... Algo mais profundo... Escondido... O pertubava. Não sabia o que era, entretante, sabia que tinha alguma coisa haver com o ruivo... Quando deu por si, já estava no ponto onde teria que descer.
Daquele lugar até a loja, o loiro sempre tinha que andar um pedaço. Perna direita, perna esquerda. Parecia estar sendo observado. Braço direito para frente, braço esquerdo para trás. Sentia o olhar aguçado e malicioso vindo de todas as direções. Perna direita, perna esquerda. Que desconforto! Não tinha ninguém na rua, somente uns carros passando e plantas! Braço esquerdo para frente, braço direito para trás. Não, impossível... Devia ser coisa de sua imaginação. Passos foram se tornando mais agéis. Olhou, afinal, para trás, se certificando. Não. Nenhuma alma humana passeando. Suspirou, aliviado.
- Bom dia, Orpheu! - Madelaine, a balconista, que por acaso também estava entrando na porta do local de trabalho, saudou o outro. - Orpheu?
- Ah, desculpe. Não te ouvi... Bom dia também. - Sorriu, encantadoramente. A mulher ficou sem graça e também sorriu, sentindo um repentino calor passar por todo seu corpo. - Aliás, obrigado por ter transmitido meu recado ao chefe ontem.
- Amigos são para essas coisas... - Entrou, ainda olhando o outro, corada. Algumas colegas olharam os dois e fizeram diferentes reações. Poucas estavam observando somente o loiro, enquanto a maioria lançava olhares de assassinos para cima da outra.
- Bom dia Orpheu!
- Como está hoje, Orpheu?
- Está frio, né, Orpheu?
Começou outro dia, quase igual. Pelo menos, a maior parte dele. Trabalho, ser assediado pelas colegas, recusar convites de jantares, cinemas, e outros mais indescentes, trabalhar, trabalhar e trabalhar. Chegou meio-dia, pegou sua pequena marmita que sempre trazia e almoçou. Pouco antes de dar uma hora e meia, o funcionário foi falar com seu patrão. Seu tio não morava tão longe dali, mas a pé, demorava um pouco para chegar até lá.
- Senhor, gostaria de pedir para me liberar agora.
- Hum? Por quê? Sua moto foi para o concerto?
- Ahn, não exatamente... Vou pegá-la emprestada com o meu tio.
- Oh, sim, sim. - Outra vez aquela sensação de ser observado... Mas não ousou mover a cabeça. Aliás, o chefe parecia muito pensativo, ou era impressão sua? - Bem, depois da entrega está dispensado.
- Hã? Mas, como assim...?
- Você trabalhou muito bem até agora, meu jovem. Merece essas horas de descanso. - Ele sorriu, fazendo um gesto com a mão, o dispensou. - Vamos, pode ir. E não se atrase, ouviu?
- Sim, senhor! - Tirou o avental e colocou-o no gancho, como sempre fazia no fim do dia. Deu um breve adeus para seus colegas de trabalho, que começaram a falar baixinho da sorte que o loiro tinha, e para suas admiradoras, que ficaram tristes ao saber que só iriam encontrar o homem só amanhã.
Corria. Sim, tinha razão... Deveria se mostrar eficiente e não se atrasar, mostrando o quanto aquela floricultura, apesar de simples, era muito boa. Talvez, daquele dia em diante, o tal ruivo só iria fazer pedidos de flores na loja que o loiro trabalhava. Parou, vendo o sinal ficar verde e os carros se movimentarem novamente. E Seiya? Será que ele estava bem? Será que se encontrava quieto e calmo, como Shiryu mandou-o ficar? Mas é claro que... Não. O garoto era daqueles energicos, que funcionavam sem bateria e durante um dia inteiro, sem se cansar. Atravessou na faixa, anotando mentalmente: Deveria passar na casa do amigo após a entrega.
Recomeçou a correr, para se esquentar. Tinha se esquecido de colocar sua blusa, na pressa - Se bem que logo a vestiria. Após alguns minutos, suas faces se mostravam coradas, o que deixava-o com uma bela imagem, causando milhares de suspiros as mulheres que passavam na rua. Chegou a linda e espaçosa casa de seu tio, rico e aposentado. Apertou a campainha e esperou...
- Quem é?
- Sou eu, tio. Orpheu.
- Ah! Mas que surpresa agradável! Entre, entre! Deve estar congelando aí. Também, onde se viu não colocar uma blusa nessas condições?
- Esqueci no meu local de trabalho, mas logo vou voltar e vestir novamente ele...
- Sim, sim! Vejo que aquela mulher não te afetou do jeito que eu temia. - Trouxe alguns biscoitos e colocou na mesinha de vidro, então, se sentou na poltrona da sala. - Mas me diga, para que precisa de minha moto?
- C-como soube...? - Esfregava as mãos, sentindo-as frias. Será que ele, Orpheu, era tão transparente assim? Até seu tio fazia adivinhações sobre seus objetivos.
- Oras, não é difícil juntar dois mais dois. Você disse que ia voltar ao trabalho, e se esqueceu de pegar algo que é seu, algo que uma visita não faz. Aliás, faz tempo que não pede minha moto emprestada. - O convenceu de comer dois ou três partes daquele doce.
- O office-boy da floricultura está machucado, então, me pediram para substitui-lo numa entrega, tal pedido foi feito ontem.
- Isso que é azar! - Exclamou, mexendo no bolso de sua calça. - Espero que seu chefe aumente um pouco seu salário por isso. - Tirou as chaves, jogando-a para as mãos do sobrinho.
- Mas é só um pequeno serviço...
- Mesmo assim. Nessa vida, devemos saber aproveitar as grandes oportunidades. - Filosofou o mais velho. - Esse é o conselho que te dou. Venha mais vezes aqui sobrinho, faz tempo que não conversamos direito. Se precisar, minta para aquela morcega velha, sim?
- Ah, tudo bem... - Apesar de querer defender sua tia, mesmo ela sendo tão fútil, não tinha tempo para debater. - Então, já vou indo.
- Tenha cuidado. Meu capacete está naquele banquinho. - Wils se ergueu e foi para o portão junto ao sobrinho, se despedindo dele. - Ah, mais uma coisa... - Procurou algo nos seus bolsos e encontrou em sua calça. -Tome.
- O que é isso?
- Um amuleto que uma vendedora de rosas me deu. Pobre velhinha, parece que acredita nessas coisas misticas... Ela me disse que tinha chego a hora de passar isso adiante; Que o 'próximo' iria precisar, e muito, disso. E como eu sei que você gosta dessas coisas, resolvi te dar.
- Ah, muito obrigado tio. Vou sempre usar ele. - Sorriu, passando o colar em volta do pescoço. - Bem, até mais!
- Vai com cuidado! - Acenou, enquanto via o jovem ir com sua moto. - Esse rapaz está cada vez mais parecido com você, Juliet... - Suspirou, adentrando sua casa.
Estava com frio, pois o vento batia em seu corpo com uma velocidade congelante. O tempo também não ajudava. O capacete se ajustava muito bem a sua cabeça, sendo que tinha uma coloração azul claro e listras pretas, como as de um tigre. Em contraste, tinha o tal amuleto: Era um colar de corrente, parecia um pouco usado; cravado nos pequenos ferros, tinha uma pedra cor de lavanda e roxo escuro, isso por causa das ondulações por dentro da pedrinha; E o mais estranho era uma espécie de anel, que circulava aquele pedaço de vidro; era prateado e tinha alguns riscos estranhos perfurados.
Agradeceu a Deus quando enfim, retornou a loja. Apressadamente, entrou nela e pegou seu casaco, recebendo uma bronca de Madelaine por ter esquecido aquilo, além de um sermão. Pegou o buque de flores e colocou-o numa caixa, que estava na moto. Vinte e cinco para uma hora. Depois que certificou-se da encomenda, amarrando a caixa muito bem, montou no veiculo e saiu. Sorte sua que não estava chovendo. Tudo bem que a rua do Alberich era uma antes da sua, mas daquele jeito era melhor... Se fosse a pé, com certeza iria acabar estragando o buque. Estava voltando para casa... E o melhor de tudo! Tinha a tarde de sexta livre!
- Hum... É aqui. - Parou em frente da conhecida mansão.
Não que já tivesse entrado ali. Quando criança, sempre que passava com seus pais ou com seus amigos na calçada de tal monumento, diminuia os passos e ficava olhando para as paredes pálidas e o jardim muito bem cuidado. Era muito curioso, assim como todas as outras crianças. Mas tinha uma diferença: Todos falavam que aquela mansão era assombrada, que nem nos filmes, apesar da ótima aparência. Orpheu não achava isso. Comparava aquilo com uma morada simples e bonita dos filmes americanos.
Já corado pelo calor de seu próprio corpo, desceu e foi abrir a caixa. Se lembrou do Seiya dizendo uma vez: " Sabem, meu pai me contou que nunca viu uma criança brincando ai dentro. Nem quando o Alberich alguma coisa teve seu filho. E é estranho, porque pouca gente trabalhava e trabalha ai dentro. E ele disse que o meu vô disse: ' Sempre vivi aqui e notei uma coisa estranha, meu filho: Todos esses Alberichs não tem somente o nome igual, mas também a aparência'. Estranho, né, gente?".
Repentinamente, se lembrou também de quando Seiya, Shiryu, Minu, Hyoga e ele tentaram entrar no recinto... Quase foram pegos, aquilo era um fato. Desde então, sempre começaram a passar longe de tal morada. Para Orpheu, isso é, até naquele instante. Mordeu o lábio inferior, sentindo um peso na conciência, e com isso tornando seus beiços mais avermelhados. Parecia um personagem de conto-de-fadas, de tão belo estava naquele momento. Apertou sutilmente o botão, vendo atraves das barras de ferro alguma empregada aparecer, parecendo assustada.
- Boa tarde! Eu vim entregar o buque encomendado pelo senhor Alberich! - Disse um tanto alto, porque carros estavam passando pela rua.
- Ah, sim! Por favor, me acompanhe...
- Ahn... A senhorita não irá pegar? - Estranhou. Por acaso não era só entregar para aquela mulher e ir embora?
- Não, meu senhor pediu para que eu levasse você para dentro. Ele quer conversar...
- Como assim?
- Depois ele te explica. Se quiser colocar sua moto para dentro, pode. Assim não correrá o risco de ser roubada. - Sorriu ela, dando espaço para que o mais jovem passasse pelo portão com a moto.
- Obrigado...
- Freya. Meu nome é Freya. E você é Orpheu, não é?
- Ah, sim. Obrigado Freya. Devo imaginar que Alberich falou sobre mim...
- Mais ou menos. Meu senhor descreveu sua aparência e me disse que chegaria com uma moto e um buque. E seu nome... Foi minha irmã que me disse. Ela trabalha na mesma floricultura que você. - Fez um gesto para que ele a seguisse.
- Hum... Me diga, tem alguma idéia do que ele quer falar comigo?
- Infelizmente não... - Estremeceu, abrindo a grande porta detalhada.
Quase deixou as flores cairem no chão. O lugar era imenso, bonito e o melhor de tudo... Luxuoso! Era melhor do que pensava. Tudo muito bem iluminado, branco, com objetos que pareciam valer mais do que ouro, sem nenhuma sujeira... O piso então! Nunca vira um tão brilhoso! Quando viu a mulher já distante de si, apertou o passo. Não devia estar olhando abobado para a casa dos outros. Nem um que sua tia gostaria imensamente de morar. Eles foram para o segundo andar da mansão.
Uma outra frase, de quando Seiya era pequeno, veio-lhe a sua cabeça: " Sabe Orpheu... Eu acho que aquela família, é uma família de vampiros!". Bem, levando em consideração os corredores iluminados, seu amigo e o resto que pensava naquela possibilidade estavam errados. Aquele lugar era muito aconchegante, tanto que tinha deixado com o mordomo seu casaco. Se pergntava quantos degraus a mais tinha que subir...
Chibi-Chibi-Chibi-Chibi-Chibi-Chibi
Usava agora uma camisa de manga comprida, jeans negro e estava livre de seu sobretudo. Tinha uma corrente de bronze no pescoço, fina. Seu cabelo estava onduladamente perfeito, como sempre. Sua pele, apesar do ar frio, não estava rachada. Parecia fresca até demais. Sorria, enquanto tomava sossegadamente o vinho branco de sua taça. Fechou a pasta que falava sobre o humano, aguardando-o. Sentia o cheiro simples e inocente de sua vítima.
Fechou num só movimento o livro que lia. Deixou-o sobre a mesinha de madeira escura, observando agora a porta. Agora, o cheiro tomava-lhe o olfato... Seu desejo cresceu, mas tinha que se controlar. Ouviu batidas na porta e visualizou primeiramente a empregada, que tinha ficado séria e assustada. Ele dispensou-a.
- Feche a porta, sim? - Sua voz saiu fria e sedutora. (N/C: Acho que só o Albe para ter essa voz...)
- S-s-im, senhor. - Freya curvou-se um pouco e saiu, fechando a porta. Agora, Orpheu e Alberich estavam a sós...
- Oh, enfim chegou o que encomendei... - Olhou para o seu relógio negro. - E são exatamente duas horas! Impressionante. - Deu um sorriso e se levantou, aproximando-se dele.
- Fazemos o que podemos. - Retribuiu o sorriso, não notando nada.
- Oh, as rosas estão muito frescas... Isso é bom. - Pegou com os dedos uma, arrancando-a do arranjo.
- Onde posso deixar o buque, senhor?
- Já disse que pode me chamar de Alberich. - Levou a planta próximo as narinas. - E pode deixar nessa mesinha.
- Ah... Sim, se... Alberich. - Depositou o conteúdo ali, se virando e encontrando o ruivo sentado em sua poltrona. - Está entregue, então eu vou...
- Espere. Eu gostaria de fazer uma outra encomenda.
- Sim. Estou ouvindo. - "Então era por isso que eu tinha que entrar".
- Gostaria de receber amanhã, nesse mesmo horário, um buque de Violetas e Lírios.
- Vamos providenciar. - Tirou de seu jeans azul um papel e uma caneta, anotando o pedido.
- Orpheu, você gostaria de trabalhar para mim?
- Sim, Albe... Hã? - Olhou confuso para o mais velho. - O que disse?
- Eu perguntei se gostaria de trabalhar para mim.
- Não, obrigado. Eu estou muito bem trabalhando na floricultura...
- Não precisa deixá-la. Digamos, seria um trabalho extra. Você vai ganhar uma ótima quantia e só fará uma coisa bem simples...
- Mesmo assim, recuso. Eu não preciso de dinheiro urgentemente.
- Oh, que pena. - Estendeu a mão, tendo outro cartão entre os dedos. - Mas se mudar de idéia... É só me ligar.
- Sim, Alberich. Mas creio eu que não irei precisar disso. - Guardou os pepéis novamente, pensativo. Por que o dono estava lhe fazendo aquela proposta? Quer dizer, essa era a segunda vez que se viam... Ele nem sabia direito quem era o loiro, e, mesmo assim... Balançou a cabeça levemente, fitando o mais rico.
- Quem sabe? Agora, pode ir. - Fez um gesto com a mão direita, muito breve.
O humano se virou, afinal, e foi caminhando em direção da porta. Trancou-a e foi descendo, procurando a empregada assustada; Sentia menos frio agora. Enquanto isso, Megrez cruzou os dedos, fixando seu olhar num ponto qualquer da janela, parecendo pensativo e muito sério. Pegou seu celular, no bolso, e discou um número muito bem conhecido por si. Ouviu duas vezes o chamado e enfim atenderam. Ah, aquela velha iria ouvir poucas e boas...
- Alô, meu querido Alberich.
- Ah, então ainda se lembra de mim, minha senhora?
- Mas é claro. O primeiro nós nunca esquecemos... - A mulher cruzou as pernas, enquanto na sua casa, acendia um insenso. - E a resposta é: Eu não vou deixar você matar mais ninguém.
- E você age dessa forma? Brilhante! Sabe que aquele amuleto, praticamente, pode matar um vampiro!
- Isso é, se você quiser matar o hospedeiro.
- Ele é o meu alvo! Você não tem que se intrometer na minha vida!
- Eu dei essa vida para você, Alberich. Lembre-se disso na próxima vez que me ligar. Aliás, eu consultei seu futuro...
- Não temos futuro, sabe disso.
- Depende... Algo pode acontecer e mudar nossa vida, às vezes. - Ela enrolava uma mecha de seu cabelo, sorrindo feito uma mãe paciente.
- ... Isso nunca irá acontecer, não comigo.
- Todo vampiro já fez. Não importa se foi tarde ou cedo. veja meu exemplo, nosso exemplo.
- Isso me dá mais uma razão para não fazer.
- Oras, vamos! Sei muito bem, você foi afetado por esse humano loiro! Tanto que senti daqui sua exitação!
- Me desculpe por isso. Agora, pode tirar aquele amuleto dele.
- Não irei fazer isso, meu filho. Não faça isso, se não quiser se arrepender depois. Ouça-me com atenção, porque... Eu sei bem como é. - Do outro lado da linha, um leve suspiro se formou. - Mas minha parte eu já fiz. O resto, o destino irá cuidar. - E desligou.
O ruivo sabia, não adiantaria ligar novamente, nem mandar alguém atrás dela. Passou sua mão pelos seus fios, bagunçando-os um pouco mais. Aquele mesmo assunto de sempre voltava, não importa como. Fazer um 'filho da noite'. Não era tão fácil assim, aquela vampira sabia. Algumas das crias se revoltavam, outras suicidavam, mas resumindo, tudo dava errado inicialmente. O próprio já tinha feito aquilo com ela... Xingou-a mentalmente, sabendo que corria o risco dela ouvir tudo.
---CHibi-Chibi-Chibi-Chibi-Chibi-Chibi
Durante o ocorrido, Orpheu não conseguiu encontrar a mulher, então pediu educadamente para o mordomo abrir o portão para ele ir. Pretendia conversar com seu amigo machucado, naquele momento, precisava de conselhos. Claro, o melhor seria falar com o chinês, mas este se encontrava no trabalho, muito ocupado, como todo médico. Acelerou um pouco mais, logo, parando em frente do prédio. Deixou a moto no estacionamento e pegou o elevador.
- Olá Seiya! Como está? - O lindo e amigo loiro adentrou o quarto do mais jovem, se surpriendendo por alguns segundos. - Shiryu? Você por aqui?
- Boa tarde, Orpheu. - Ambos disseram, ao mesmo tempo que o moreno de longos fios ajeitava a almofada do moreno de fios curtos.
- Ah, eu consegui tirar férias. Disseram que eu estava trabalhando demais... E resolvi visitar nosso amigo aqui.
- Ou seja: Ficar de olho para o Seiya não piorar, não é?
- Ei! Parem de rir! Eu estava muito bem sem a ajuda de vocês! - Reclamou o garoto, balançando o punho no ar, ouvindo as risadas daqueles dois palhaços.
- Oras! Assim você parte o nosso coração!
- É! Se eu soubesse que iria ser tratado assim, teria voltado para casa!
- Hunf! - Cruzou os braços, olhando malignamente para o mais brando entre os três, notando algo... - Ei, Orp... Por acaso, você não devia estar na floricultura?
- Ah, sim. Mas o patrão resolveu me dar a tarde livre. - Achou engraçado o pequeno ficar ainda mais irritado, vendo que mais uma vez não tinha 'pego o outro fazendo algo de errado'.
- Que bom, Orpheu. Você anda merecendo umas férias também. Além de um aumento.
- Shiryu, você está parecendo meu tio. Ele também anda dizendo isso...
- E eles estão certos!! Você é o único que trabalha naquele lugarzinho! E eu, claro, quando tem entregas.
- Mesmo assim... Eu já estou bem com meu salário atual. - Se sentou na ponta da cama, pensativo. - Aliás, foi bom te encontrar agora Shi. Eu preciso desabafar mesmo...
- E eu?! O que tem de errado em desabafar comigo?!
- Nada Seiya, nada. - Suspirou, tentando começar, mesmo ouvindo o resmungo do moreno. - Bem, sabe aquele dono famoso da fábrica...
- Ah é! Alberich Megrez! Me fala, como foi? Você viu ele?! Apertou a mão dele?! Falou com ele?!
- Seiya!
- Desculpe, Shi... Continue, Orp.
- ... E, bem, ele me propos um emprego extra...
- O quê?!!! Como assim?! Isso é brincadeira, né?! Como você pode ser tão sortudo assim?! Dá um pouco dessa sorte para mim, Orp... Ai!
- Seiya! Se controle!
- Bem... Era por isso, Seiya.
- Ai... Agora entendo... Ai...
- E bem, o que você respondeu? - Voltou a ajeitar seu 'paciênte', puxando a orelha deste.
- Eu recusei...
- ... Orpheu, sinto falar, mais você é um bobo. Recusar uma proposta de emprego de Alberich Megrez?! Tá louco?
- Eu vivo bem como estou, como já disse. Não preciso de grana... - Aceitou a água que o médico lhe oferecia.
- E deixe-me adivinhar... Agora, você está confuso, porque seu coração lhe diz para não aceitar, mas os outros não.
- É... E penso na minha tia e no meu tio, também, sobre falar ou não...
- Melhor falar, pronto. - Respondeu a pergunta quase não feita. Então, tudo mergulhou em silêncio... Não absoluto porque Seiya choramingava algo sobre: " Por que ele? Por que não eu?".
- Tem razão... Só espero que essa não tenha sido uma escolha errada. - Expirou profundamente, sentindo o pescoço ficar quente. e também um aperto no coração. Não sabia, mas amuletos não só afastavam forças malignas, como também... Atraiam amor para o dono e para o 'par'. Mal sabia o quanto dinheiro iria precisar daquele dia em diante.
Chibi-Chibi-Chibi-Chibi-Chibi
Chibi- Ok, ok. Estou enrolando, para os ansiosos de plantão, peço para esperarem mais um pouco. Albe ainda está se preparando psicologicamente. - Dá um sorriso amarelo e um sapato acerta-a. - Ai! Eu disse para esperar!
E vou tentar fazer três capítulos só de lemon... A pessoa que pediu isso não tem dó do pobre Orpheu. Tcs, tcs. Ainda bem que a empresa em parceria com a Megrez's Company tem muitos brinquedos...
Bem, no próximo capítulo já deve sair o limão... Se preparem XD E desculpem os erros. Eles me perseguem ;-;
Bye bye o/
