O resto do dia passou tranquilamente e no começo da noite jantaram juntos como de costume.

Era domingo e não teriam treinamento naquele dia, Aioria estava deitado em seu quarto após o almoço pensando nela...ouviu leves batidas na porta

"Aioria, mais tarde vou passear pela praia quer vir?" Ele respondeu que sim, sem se levantar da cama "volto mais tarde!" ela desapareceu pela casa deixando-o sozinho no quarto com seus pensamentos.

Ela passava a maior parte de seu pouco tempo livre treinando, Mu a estava ajudando com seu golpe e Shaka a estava ensinando a meditar para concentrar mais energia, Aioria não entendeu como ela conseguiu obter a ajuda de ambos, provavelmente porque nenhum dos dois teria um discípulo disputando a armadura naquele momento. Sempre que possível ela treinava corpo a corpo com as amazonas de prata, Shina e Marin a estavam ajudando com isso para que ela se preparasse melhor, e ele não sabia de onde ela tirava tanta energia para fazer tantas coisas ao mesmo tempo enquanto passava por um treinamento tão rigoroso... ela realmente é bem mais forte do que parece e está obstinada, ele pensava deitado em sua cama. Acabou adormecendo.

Foi despertado com leves batidas na porta, "vamos está na hora".

Aioria levantou-se e abriu a porta com uma fisionomia sonolenta, ela começou a rir ao vê-lo tão letárgico "então você dormiu a tarde inteira, foi?".

"Poxa, eu precisava descansar" ele retrucou.

"Vem preguiçoso, vamos passear" ela disse rapidamente o puxando pelo braço.

Ele vestiu a camisa e foi acompanhá-la numa volta pela praia. O dia estava lindo, o por do sol naquele lugar era fantástico. Ele quase nunca ia ali, não gostava de ficar sozinho naquela imensidão, o sentimento de solidão que o invadia desde a morte de seu irmão sempre parecia um pouco maior, como se se ampliasse naquele cenário. Talvez porque os dois costumavam brincar por ali quando pequenos, onde sempre se aventuravam a ver o pôr-do-sol em uma rocha afastada da praia que existia ali perto.

A presença dela levava os sentimentos ruins embora, ele se sentia bem e apreciava a beleza do lugar como se fosse a primeira vez que o visse.

Nashira se sentou na areia e tirou os sapatos, vamos molhar os pés???

Ele se sentou e fez o mesmo. Os dois brincavam na beirada da água chutando água um no outro e rindo, foi quando ele perguntou se ela queria ver o final da tarde do local mais bonito da praia.

"Onde fica?" ela questionou intrigada.

"Ali naquela pedra" ele disse apontando uma pedra que parecia emergir no meio do mar.

"Ahn", ela disse desapontada.

"O que foi não gosta de pedras?" Ele brincou.

"Não sei nadar" ela respondeu timidamente.

"Se você quiser te levo até lá", ele respondeu sem pestanejar e ela sorriu, "então vem!" ele chamou, mas notaram que ambos estavam vestidos demais para entrar na água.

"Será que alguém vem aqui?" Ela perguntou com um olhar maroto.

"Essa praia é bem deserta, nunca vejo ninguém por aqui" – ele respondeu. "Bem, então vamos lá!" Ela disse se sentando na areia para se livrar da roupa de treinamento que vestia e ficar em suas roupas de baixo.

"Não é roupa de banho, mas acho que serve", disse rindo e olhando para ele. Ele se sentou e começou a fazer o mesmo, incrédulo com a situação em que se colocou, não sabia muito bem como seria vê-la tão...despida.

Quando ele ficou de cueca olhou para o lado e conteve a respiração, não esperava vê-la assim, não que não o quisesse mas, observou seu corpo e não imaginava que ela usava uma lingerie tão bonita por debaixo daquele uniforme largo e sem graça. A roupa que ela vestia minutos antes o faziam esquecer que estava com uma mulher e não com uma menina e mesmo o robe comportado que ela usava para andar em casa não permitiam ver o que ele estava vendo naquele momento, ela estava com uma lingerie delicada e escura que mostrava todas as curvas do seu corpo, o sutiã era decotado e permitia delinear claramente a forma arredondada dos seios...ele conteve o suspiro balançando a cabeça e desviando a atenção.

Ela percebeu o olhar discreto e insistente dele e corou levemente.

"Vamos?" Ela disse olhando para ele, que ficou sem jeito.

"Claro", ele disse se levantando.

Ele realmente tem um corpo muito bonito, ela pensou caminhando para o mar e observando-o andando em sua frente.

Ele entrou na água e fez menção de ir na frente, era melhor não ficar olhando muito para ela naqueles trajes, mas ouviu a voz atrás de si. "Ei, esqueceu que eu não sei nadar?"

Ele olhou meio sem jeito, esquecera-se completamente que prometeu ajudá-la a chegar até a pedra, mas agora não sabia muito bem se conseguiria se controlar para tanto.

"O caminho é raso?" Ela perguntou, ele pensou um pouco e se lembrou que sim e assentiu com a cabeça, "então tá, me dá a mão" ela segurou sua mão com força e foi andando junto dele. Ele não falava nem olhava para o lado, apenas caminhava devagar dentro da água para chegarem à pedra e verem o final do dia juntos...

"Que idéia mais idiota que eu tive" ele pensou se controlando para não admirar a mulher que segurava sua mão. Porque inventei de levá-la lá onde eu ficava com meu irmão...talvez porque ela fosse a única pessoa que o fazia sentir-se tão bem desde que seu irmão o deixara...

Quanto mais eles entravam mar adentro mais forte ela se segurava na mão dele, e aos poucos foi se aproximando e encostando em seu braço, com medo das ondas. "Ela tem medo de água", ele pensou com um sorriso no rosto.

Ela percebeu que ele estava sorrindo "Ta rindo de mim né!", ela disse cortando seus pensamentos.

Ele rapidamente se recompôs e zombou, "é engraçado que você não tenha medo de morrer por uma armadura, mas tenha medo de algumas ondinhas".

Ela deu de ombros e continuou andando

"Acho que aqui está muito fundo, Aioria. Tem certeza que eu consigo ir caminhando?"

Ele parou e pensou, provavelmente não, havia se esquecido que ela era mais baixa que ele, o que fazer agora...

Sem pensar muito no assunto achou melhor carregá-la até a encosta da pedra.

Assim ele a ergueu nos braços e caminhou até a pedra bastante concentrado nos passos na água. Era melhor não pensar na proximidade dos corpos e na ausência de roupas...

"Chegamos" ele disse colocando-a no chão.

Ela olhou para cima, com um olhar interrogativo, como eles iriam subir até lá??? Ela pensava.

"Vai, é só escalar um pouquinho", ele disse como que lendo seus pensamentos.

"Com você a aventura é garantida não é?" Ela disse rindo.

Tentou apoiar os pés no fundo para pegar impulso, sem sucesso, ele levantou-a um pouco pela cintura e ela conseguiu se firmar e subir na formação rochosa. Enquanto isso ele ficou observando sua subida.

Droga de idéia, agora vou ficar sem dormir uma semana até conseguir esquecer este passeio, ele pensava.

"Você não vem?" Ela disse enquanto se acomodava "estou indo" ele respondeu subindo na pedra.

Era uma rocha larga e plana, a sensação era de estar flutuando no meio do oceano em caminho ao horizonte, era mesmo uma vista linda! Ela pensou. Acomodou-se confortavelmente.

Ele começou a subida e ao chegar ela já estava sentada confortavelmente apreciando a bela paisagem e aguardando o espetáculo do final do dia que estava se aproximando.

Ele olhou por um momento admirando a beleza daquela mulher na sua frente, ela estava calma e completamente distraída, tão diferente daquela menina faladeira que ele estava acostumado, talvez fosse a ausência de roupa que estivesse afetando seu juízo, pensou se sentando em silencio ao seu lado. Evitava ficar encarando-a e pensando demais no assunto de vê-la em suas roupas íntimas. Achei que ela usasse peças mais simples, pensou ele lembrando-se da roupa de treinamento dela que a deixava muito parecida com um garoto.

Fechou os olhos por um momento imaginando se poderia tê-la assim tão perto para sempre...

"Aqui é mesmo muito bonito. Não sabia que você vinha muito aqui." Ela disse cortando os pensamentos dele, que permanecia calado desde que chegaram.

"Eu não venho, me dá uma sensação de solidão ficar aqui sozinho" – ele respondeu sem fita-la.

"Ah, mas agora você está em ótima companhia" – ela disse em tom de brincadeira enquanto sorria e piscava para ele, que corou um pouco.

Como você descobriu este lugar? Ela perguntou curiosa...

Eu vinha aqui com meu irmão quando era pequeno...depois que ele...ele se calou e ficou triste.

você não tinha mais voltado aqui? Ela perguntou

Ele fez que não com a cabeça

Ela tocou em seu braço com delicadeza, queria poder abraçá-lo mas ficou com medo de se aproximar e passar uma imagem equivocada.

Acariciou de leve seus cabelos e sorriu brandamente...ele ficou meio desconcertado com a delicadeza do gesto.

Após alguns minutos ela se afastou devagar, deixando-o imerso em seus pensamentos. Algum tempo depois começava um bonito pôr do sol.

O espetáculo do final do dia, as cores, o cheiro do mar, a companhia, era um final de tarde perfeito. Eles sorriam mergulhados em seus próprios sentimentos.

O pôr do sol passou e o céu ficou escuro, eles permaneciam ali imóveis e calados.

Depois que escureceu o mar ficou um pouco mais agitado, "vamos voltar" ela perguntou com uma voz insegura.

"está com medo de água de novo" ele disse rindo

"O mar está muito agitado e a maré vai subir, senão voltarmos não vou dar pé", ela disse encabulada.

"Então vamos" – ele assentiu, queria carregá-la por todo o percurso, mas sabia que seria mais sensato manter certa distância.

Ao descer percebeu que a maré já tinha subido muito e que ela não teria como voltar caminhando. Ela desceu com cuidado e segurou-se em seu pescoço. "Vamos bem devagar" – ele disse e foi voltando para a margem a carregando em seus braços, enquanto ela enlaçava seu pescoço com os dois braços.

Era uma sensação estranha aquela, sentir seu corpo tão perto, os braços dela em seu pescoço, seus braços sustentando as costas e coxas dela, aquelas coxas roliças e tão femininas que ele podia apreciar mais abertamente enquanto a carregava.

Ela estava um pouco assustada com a força da maré e a cada onda apertava mais seu corpo contra o dele, ele adorava aquela sensação de proximidade, mas não podia demonstrar afinal, aquilo não era uma conduta adequada da parte dele como seu mestre.

Ela envolvia o pescoço dele com os dois braços e se apertava contra ele com medo de ser levada pelas águas, ele sentia a respiração dela acelerar, e seguia carregando-a com cuidado enquanto caminhava de volta à areia.

Era bom sentir aquela proximidade, seu calor, seu corpo, seu cheiro...aquele cheiro que sempre o deixava inebriado, não entendia como era possível.

A mente dele começou a divagar pelo corpo dela, percebendo cada movimento, cada respiração, observando suas pernas claras, a barriga lisa, seus seios, seus braços que enlaçavam o pescoço dele... droga eu não devia pensar nisso ele se repreendeu mentalmente, estava começando a ficar difícil se controlar e não tinha meio de se desvencilhar daquela embaraçosa situação de excitação em que ele se encontrava. E se ela perceber...o que vai pensar, ele se recriminava tentando desviar o pensamento da idéia de tê-la tão perto.

Estavam chegando em um ponto mais raso quando uma onda os atingiu com força e ele se desequilibrou, ela se desesperou, agarrou seu pescoço com mais força e gritou. Eles foram arremessados um pouco mais adiante num ponto bem raso da água onde caíram desequilibrados, ela sentada e ele tombado por cima dela, meio agachado meio ajoelhado entre suas pernas, levado pelos braços dela que continuavam ao redor de seu pescoço.

Ela tinha os olhos cerrados, e naquele segundo ele pensou como seria tão bom simplesmente se deixar cair e sentir seus corpos próximos de novo...bastava que ele se abaixasse um pouco mais sobre ela para que seus lábios se tocassem...

Mais que depressa Aioria se repreendeu pelo pensamento, e com a mesma fúria com que finalizou seus devaneios se virou para ela e disse bruscamente "quer me matar de susto, já estamos no raso!"

Ela abriu os olhos e soltou o pescoço dele meio sem jeito, levantou-se da água sentindo um pouco de frio, limpando a areia e saindo do mar com um jeito infantil "me...me desculpe" ela disse enquanto virava as costas.

Ele permanecia imóvel, observando aquela figura frágil e pequenina se afastar sem jeito e caminhar pela areia. Sou um estúpido, pensou sem jeito.

Ela já se vestia e ele ainda estava parado, hipnotizado na chegada da areia repassando mentalmente como ele conseguiu estragar uma tarde perfeita.

Saiu da água e se vestiu calado, era melhor ir para casa.

Ela estava sentada na areia, imóvel, abraçava as próprias pernas e ainda parecia assustada com o que aconteceu.

Ele sentou-se quieto do seu lado e ficou pensando na ironia daquele medo de água em alguém tão valente.

"Desculpe" ela disse sem olhar em seus olhos "espero não ter te machucado". Droga, sou mesmo um estúpido, ele pensou olhando para ela.

"Não devia ter ido lá sem saber nadar" ela completou se levantando cabisbaixa.

Tudo o que ele queria no caminho de volta era poder abraçá-la, ainda se lembrava de seu calor em seus braços e da proximidade de seus corpos na água...o que poderia dizer para consertar as coisas...era o que se indagava enquanto caminhava calado.

Nashira chegou e foi para o seu quarto se trocar, não saiu para o jantar e nem depois dele.

Aioria já não sabia direito o que fazer, achou melhor não perturbá-la. Não sabia como encará-la após aquela tarde e não tinha idéia do que dizer para se desculpar, havia sido rude desnecessariamente. Ela não tinha culpa do seu descontrole emocional, embora fosse a responsável por ele.

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Bem pessoal, "muita água ainda vai rolar debaixo desta ponte", espero que nossa heroína não se afogue... risos

Agradecimentos especiais pelas reviews e sugestões a Chidory maxwell, Danda e Nicka I.

Ah, Danda pode deixar, vou inserir os demais na trama... bem, pro Saga eu tenho outros planos... hahahaha (risada maligna).

Nicka I, pois é, o ciúme nos cega... e os leoninos são os mais ciumentos, acho que só perdem para os escorpianos viu!!! Veja só que situação... nosso querido Oria com ciúmes do Shun... risos

Bjus,