Os dois deixaram a loja com várias sacolas, que Aioria se encarregou que carregar.
Qualquer um que observasse de longe a figura dos dois passeando pela cidade realmente os confundiria com um casal de namorados, já que andavam de braços dados e conversavam de forma cúmplice enquanto caminhavam e observavam tudo ao seu redor.
Acabaram encontrando com Shun e June, o que causou um visível constrangimento a Aioria e acabou divertindo muito Nashira.
Após passearem bastante e ela convencê-lo a comprar algumas roupas de passeio eles retornaram, afinal, a semana começaria e aquela seria uma longa semana, provavelmente as lutas entre os aprendizes teriam início.
Voltando para casa se depararam com Mu que estava apreciando o final de tarde na varanda da primeira casa.
Ele olhava o casal com uma expressão divertida no rosto e Aioria abaixou a cabeça para não pensar o que o amigo estaria tramando, já que não perdia a chance de soltar uma gracinha acerca de seus sentimentos.
- Bonito dia não é – ele disse simplesmente.
- Sim, um ótimo dia para um passeio – ela emendou.
- Vejo que vocês se divertiram, quantas sacolas! Mu disse brincando.
- Comprei algumas coisinhas – ela riu observando a mão de Aioria que estava cheia de sacolas de várias cores e tamanhos enquanto ela segurava em seu braço livre.
- Você já esteve na feirinha de domingo, Mu? – Aioria perguntou entrando na conversa e mais tranqüilo por ainda não ter sido interpelado com alguma indireta.
- Ainda não! É de lá que vocês vêm?
- É sim, vamos convidá-lo da próxima vez, é muito divertido – emendou.
Nashira sorriu concordando com a cabeça, mas sentiu um aperto no peito ao ouvir a frase, se sentiu como se fosse só mais um de seus amigos.
Discretamente ela soltou o braço de Aioria e os dois continuaram caminhando lado a lado. Ela ia repassando mentalmente o agradável dia que tiveram e sua ingenuidade de achar que poderia existir algo além de uma amizade entre eles.
Não pode evitar pensar no que os demais insinuavam, mas o comportamento dele era tão imprevisível.
Ele ia caminhando perto dela se perguntando o porquê da distancia entre eles se antes andavam tão próximos, não entendia bem a repentina distância dela... Seria algum receio por estarem no santuário??? Continuou caminhando e achou melhor não perguntar.
Voltaram para casa onde permaneceram o resto dia, conversando, provando as roupas novas e contando casos engraçados sobre os demais.
À noite viram Shura e Shina em uma situação não muito convencional, era óbvio que estavam rumando para a casa de capricórnio com vários assuntos inacabados, a julgar pelo desespero com que se beijavam.
Aioria e Nashira riam da situação embaraçosa dos dois e começaram a conversar sobre cavaleiros, amazonas e seus romances.
- Então é verdade que temos alguns casais de namorados no santuário? Ela perguntava com um sorriso divertido
- Agora que a guerra passou todos têm mais tempo livre, até para namorar.
- E você não vai namorar ninguém? - ela perguntou em tom de brincadeira.
Ele ficou sem jeito e respondeu secamente:
- Não tenho tempo para este tipo de bobagem.
Ela olhou espantada a resposta, não podia imaginá-lo tão insensível, será que já havia sido magoado.
- Você acha bobagem gostar de alguém? - ela insistiu.
Aioria ficou sem jeito com a pergunta, foi pego de surpresa e não podia entregar seus sentimentos tão facilmente.
- Quando escolhemos esta vida, temos que estar dispostos a nos sacrificar o tempo todo, não temos tempo para gostar de ninguém - ele respondeu.
- Mas você mesmo disse que a guerra acabou - ela replicou insatisfeita com a resposta.
- Mas pode voltar a qualquer momento, e como você acha que se sentiria vendo quem você gosta lutando, provavelmente ate a morte?!
Ela fez uma cara decepcionada.
Talvez eu tenha exagerado, ele pensou. Mas não sabia como dizer que já estava apaixonado, por ela. Foi pego desprevenido com a pergunta e, como de costume, acabou fazendo tudo errado.
- Preferiria isto a nunca gostar de ninguém - Ela disse se levantando.
- Acho melhor ir descansar, esta semana será longa, boa noite! – Foi tudo que ele ouviu ao vê-la se retirando da sala.
Ele permaneceu na sala mais um pouco, imerso em seus pensamentos. Seria uma longa semana, as lutas entre os aprendizes iriam começar e talvez ele sofra muito ao vê-la lutar e possivelmente se ferir. Não queria admitir, mas já gostava de alguém e talvez omitir este fato fosse pior do que assumi-lo.
Lembrou-se do passeio que fizeram mais cedo, dela segurando em seu braço, qualquer um que os visse facilmente os confundiria com namorados, recordou-se deles na praia e a proximidade dos seus corpos, seria tão bom se pudessem simplesmente ficar juntos. Melhor parar de pensar nisso e ir dormir! Ele se repreendeu mentalmente e deixou a sala cabisbaixo.
Ela acordou agitada na manhã seguinte, sabia que aquela semana seria decisiva e rapidamente se arrumou para o treino. Acho que vou usar minhas roupas novas, pensou. Acabou um pouco desanimada após a conversa que teve com Aioria e com a declaração dele de que não pretendia gostar de ninguém.
Seria mesmo verdade? Ele seria tão insensível a ponto de não se apaixonar por ninguém? Lembrou do jeito dele quando se tocavam e do olhar insistente que ele lançava sobre seu corpo, do embaraço e da preocupação dele quando brigaram por causa da reação estranha dele quanto a proximidade dela com Shun... definitivamente não conseguia entender as atitudes dele!
Acabou se arrumando o melhor que podia para um treinamento, colocando uma calça preta justa e uma blusinha azul que deixava um de seus ombros à mostra, ambas da leva de roupas que havia comprado no dia anterior.
Saiu para tomar café e ignorou a cara de bobo do mestre quando a viu em suas novas roupas de treinamento. Terminaram de comer em silencio e saíram para treinar.
Ela estava chateada, não entendia aquela atitude fria dele, tinha certeza que ele não era assim.
Ao se dirigirem ao local de treinamento foram informados que as lutas entre os aprendizes teriam início naquele mesmo dia, todos os aprendizes deveriam ir para a arena.
Que droga! Aioria pensou, sequer conseguiu desfazer o mal-entendido do dia anterior. Não conseguia falar como se sentia.
Seriam 4 lutas, entre os 8 candidatos à armadura. Naquela semana teriam 4 finalistas que disputariam entre si, ao final apenas dois aprendizes lutariam pela armadura de ouro. As duplas eram decididas por sorteio, e o resultado seria totalmente imprevisível.
Pelo caminho Aioria percebeu que ele não fora o único a reparar nela com suas novas roupas de treinamento, o que o deixou extremamente irritado.
Chegaram na arena minutos antes do início do sorteio, ela lutaria com o discípulo do cavaleiro de câncer.
Ela ficou apreensiva.
- Logo com o pupilo daquele infeliz que me odeia! Resmungou.
Aioria estava preocupado, o cavaleiro de câncer era extremamente sanguinário nas lutas, provavelmente seu discípulo traria tais semelhanças para a arena.
Mas tudo estava decidido e logo a luta começaria.
- Vem vou te ajudar a se alongar. Aioria disse antes que ela fosse chamada à arena.
O alongamento foi bem feito, Aioria se lamentava por não saber o que dizer para quebrar o mal-estar da noite anterior enquanto a auxiliava. Puxava seus braços para trás alongando-os e acertando sua postura enquanto apreciava o quanto aquela calça delineava as curvas dela. Se repreendeu mentalmente, ela estava se preparando para uma luta!
Estavam terminando o alongamento e Aioria quase com coragem para dizer algo quando ela foi chamada a arena.
- Deseje-me sorte!
- Você vai se sair muito bem! - ele disse em um tom tranqüilo, mas a verdade é parecia que seu coração sairia pela boca naquele momento.
Observou-a caminhando lentamente para a arena, estava se concentrando para a luta, ele pensava vendo-a caminhar com a mesma mansidão de antes dos treinamentos corporais.
Shaka parou ao seu lado e tocou seu ombro com intuito de tirar aquele semblante de desespero do rosto dele
- Tudo bem meu amigo! É só uma luta, ela agüenta, foi bem treinada! - ele disse calmamente.
- Eu sei...mas se ela se machucar eu mato aquele infeliz! - Aioria grunhiu entre dentes.
Shaka olhou incrédulo a atitude do cavaleiro.
- Aioria ela quer esta vida, e você tem que aceitar, não pode lutar por ela ou protegê-la, só pode torcer por ela e ensiná-la tudo o que puder, da melhor forma que conseguir. - Shaka disse em tom firme.
- Eu sei que você tem razão, mas minha vontade... - interrompeu a frase, sua vontade era ir lá, tira-la daquela arena e cuidar dela para sempre, para que ninguém jamais pudesse machucá-la.
- Você já pensou que o que admira tanto nela é a sua força? A sua vontade? Se você tirar isso dela provavelmente deixaria de amá-la. - Shaka completou calmamente.
Amor, do que ele estava falando, ninguém poderia saber daquilo... Aioria pensava olhando confuso para o amigo.
- Ora meu amigo, eu te conheço há anos e nunca te vi tão sorridente. Sem falar que todos já comentam as variações de lobo faminto e bobo apaixonado com que você olha pra ela. – Shaka disse rindo da fisionomia assustada de Aioria.
- Eu não faço isso! - ele protestou com a veemência de uma criança.
- Pensa que ninguém notou sua cara durante o alongamento dela? – Shaka completou em tom de deboche.
Aioria abaixou a cabeça envergonhado, todos já haviam percebido, somente ele não conseguia admitir seus próprios sentimentos.
Soou o gongo para o início da luta e eles pararam imediatamente com a conversa. Aioria nunca se sentiu tão ansioso.
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Oi Pessoal,
Desculpem o atraso em postar este capítulo. Enquanto os dois se acertam, melhor acrescentar um pouco de sangue na história, quem sabe assim o Aioria agiliza!!!
Espero que estejam gostando!
Bjus,
