Os dias transcorriam de forma habitual e os dois rapidamente se acostumaram com a nova rotina de permanecerem na sala namorando por algum tempo antes de irem dormir.
Novamente ficaram juntos por algum tempo após o treinamento, quando se despediram e foram para seus quartos, mas o sono esqueceu-se de os acompanhar.
Ela levantou e se sentou no sofá, estava pensando nele, no seu corpo, no seu cheiro e nos seus beijos...não sabia como estava se segurando tanto e evitando de se jogar nos seus braços e se entregar.
Ouviu passos e se surpreendeu com um beijo no pescoço.
- De novo sem sono? - ele perguntou sentando-se junto dela.
Acho que estou realmente preocupada com as próximas lutas. Ela disse.
- Eu sei, quando lutei por minha armadura ficava várias noites sem dormir também. Ele riu.
Ela se sentia mais segura e tranqüila quando estava em seus braços.
- Dorme comigo? Ela pediu, mas se arrependeu ao olhar e perceber que ele havia entendido bem mais do ela havia dito.
Ele a olhava com espanto e com um sorriso bobo brincando no canto dos lábios, ela corou violentamente e corrigiu
- Quero dizer...só dormir mesmo, sabe...como aquele dia no sofá... me sinto bem quando você está perto. Ela completou timidamente.
Ele baixou a cabeça sentindo a face corar, como podia ter pensando que ela falaria daquela forma, obvio que era um pedido bem mais inocente do que seu corpo gostaria, mas como negar-se a ficar um pouco mais perto dela.
- Tudo bem. Quer dormir aqui no sofá?
- Acho aqui meio pequeno e certamente amanhã todos no santuário vão comentar, podemos dormir lá no quarto mesmo, o que você acha?
Caminharam em silencio e de mãos dadas, ela tirou o robe e ele viu que ela dormia com uma camisola perola, tão clara quanto sua pele.
Ela se deitou olhando para o teto e deixou um espaço no travesseiro para que ele fizesse o mesmo, era um tanto constrangedor pensar em dormir com ele...ainda mais da forma casta como pretendia, quando seu corpo clamava por muito mais que a mera companhia do cavaleiro.
Ele virou-se de lado e a abraçou, ela virou-se para ele e assim adormeceram.
Foi uma sensação maravilhosa acordar sentindo-se protegida por aqueles braços fortes. Ela se aconchegava no calor do peito dele, pensando que este ainda dormia.
Ele mantinha os olhos fechados, sentindo o perfume dela e sua aproximação tão doce.
Permaneceram ali deitados por mais de uma hora, apenas sentindo a presença um do outro.
Olharam-se, beijaram-se, tocaram-se, quem dera aquele dia não chegasse e eles pudessem ficar assim pra sempre...mas não podiam, não com a proximidade de mais uma das lutas.
Levantaram-se e foram treinar, mas a arena estava cheia de mestres e discípulos treinando freneticamente.
- Vamos para a praia? Ela perguntou
Ele olhou incrédulo. Como alguém que dizia estar empenhada em conseguir a armadura podia querer ir à praia em dia de treinamento?!? Se perguntou enquanto a seguia sem dizer nada.
Ela chegou na praia e procurou um local de difícil acesso. Foram até algumas ruínas que tinham uma bela vista do mar e estavam completamente desertas.
- Pronto já podemos começar o treinamento. Quero te mostrar meu novo golpe antes da próxima luta. Ela disse.
Ele sorriu aliviado – era a mesma teimosa que ele conhecia e amava, jamais poderia reconhecê-la em alguém pouco dedicado ou fútil - pensou.
O treino foi muito produtivo e ela lhe mostrou seu novo golpe, um soco envolto em redemoinho, um golpe de difícil visualização pelo adversário e que tornava o contra-ataque quase impossível, já que ela formava uma barreira com seu cosmo evitando as investidas do adversário enquanto atacava.
No fim do dia ela estava realmente exausta, ele a olhava admirado e comovido por tanta dedicação.
- Vem cá eu te levo, ele disse pegando-a no colo. Acho que depois do treinamento posso me aventurar a cuidar e você não posso?! Ele disse sorrindo enquanto a carregava para casa, desfalecida de cansaço em seus braços como uma criança.
Ele entrou pela porta e pediu a criada que preparasse a banheira.
- Banheira?! Ela perguntou confusa
- É senhorita você merece um ótimo banho depois de tanto esforço!
- Você tinha uma banheira só pra você e nunca me contou??? Ela fez drama.
- Ora mas a casa não é minha, eu não podia ter uma banheira só para mim, não???
- Aaaaa...e porque agora esta me contando, para me fazer inveja é??? Ela resmungava fazendo pirraça como uma menina.
- Porque agora a banheira é nossa. Ele sussurrou em seu ouvido enquanto a carregava para seu quarto.
A criada saiu do banheiro e informou que estava tudo arrumado, ele olhou para ela que estava intrigada e um pouco encabulada com a novidade do dia.
Encostou a porta do quarto para que não fossem incomodados e começou a beijá-la e a puxar sua camisa que estava suja e suada do treinamento, ela corou violentamente ao ver sua peça de roupa no chão do quarto.
Ele continuou o que estava fazendo, tocando seu corpo enquanto a beijava e tirava sua calça.
Será que ele iria tirar toda a sua roupa...ela pensou e começou a ficar nervosa com a idéia, tinha certeza de seus sentimentos, mas queria esperar um pouco mais para...enfim...para se entregar...
Aquela deliciosa situação a estava deixando confusa e ela não sabia o que fazer, quando deu por si já estava em roupas intimas e sendo carregada para a banheira.
Pronto, seu banho relaxante.
Ele a deitou confortavelmente na banheira, tirou as próprias roupas ficando com a roupa de baixo e estava lá dentro com ela lhe massageando as costas.
Ela suspirou aliviada ao perceber o intuito do namorado que sorria enquanto se divertia lhe massageando o corpo cansado e dolorido.
- Por que esta cara de preocupação, achou que eu fosse tirar toda a sua roupa, foi? Ele disse rindo muito da fisionomia séria que ela assumiu no quarto enquanto ele a despia.
- É...bem...na verdade... (ela engasgou) ... eu achei sim...
Ele riu alto do constrangimento dela.
- E era isso que você queria? Perguntou olhando-a nos olhos e deixando-a ainda mais encabulada.
Ela baixou a cabeça e respondeu baixinho
- Na verdade sim, mas não agora.
Droga porque ele tinha o dom de deixá-la encabulada, parecia que ele se divertia muito com a inexperiência dela...ela pensava constrangida.
- Foi o que eu pensei – ele disse calmamente.
Ela sorriu enquanto se virava para beijá-lo.
Ele massageava seus ombros e suas costas tentando controlar seu desejo da melhor forma possível. Vai compensar, ele pensava enquanto a observava imersa na água.
Após o banho ela correu em seu quarto e se trocou, estava com muito sono e com as peças de roupa de baixo molhadas. Quando voltou Aioria já estava cochilando. Ela acomodou-se silenciosamente ao seu lado e dormiu também, se sentia tão bem ali com ele, não poderia ser mais feliz.
Amanheceu e ela se sentia com calafrios, seria o dia de mais uma luta, a mais importante, a decisiva. Após esta disputa conheceriam os finalistas na disputa pela armadura. Abriu os olhos devagar e percebeu que estava sozinha na cama. Espreguiçou-se e levantou.
Aioria estava sentado na sala, pensativo.
- Caiu da cama? Ela perguntou, dando-lhe um beijo de bom dia.
- Apenas pensando... ele disse de forma reticente.
- Também estou nervosa hoje, vamos tomar nosso café, não sabemos quando vai começar.
Eles tomaram café em silencio, era um dia muito importante.
Seguiram lado a lado para o campo de batalhas, não eram mais apenas discípulo e mestre, ou um casal apaixonado, eram companheiros...estavam juntos.
Os competidores foram chamados à arena, estava na hora, ela pensou.
Ele beijou-lhe rapidamente os lábios desejando boa luta, ela assentiu com a cabeça e se dirigiu para o local imaginando quem seria seu oponente.
Apenas quatro dos oito aprendizes ainda estavam classificados. Apenas o cavaleiro de leão, de capricórnio, de escorpião e de touro haviam conseguido que seus pupilos se classificassem.
Iria enfrentar o discípulo de Shura, cavaleiro de capricórnio.
Sabia que aquele era um dos mais fortes dentre os cavaleiros de ouro, certamente não seria um luta fácil...lembrou-se de seu novo golpe...talvez precisasse dele, principalmente se o discípulo manipulasse algum tipo de arma com os braços como seu mestre.
A batalha começou de forma muito equilibrada cada ataque ou defesa dos oponentes era rapidamente repelidos ou controlado, no entanto seu oponente tinha uma surpresa, um braço afiado, bem similar à excalibur de seu mestre.
Em poucos momentos Nashira percebia os diversos pequenos cortes oriundos dos ataques dele que ela não havia conseguido repelir completamente.
Em um pequeno lapso e distração ela quase foi atingida no abdômen, conseguiu desviar, mas o corte fora profundo e sangrava abundantemente. Provavelmente estaria morta se não se esquivasse pensou sentido o sangue jorrar e a dor do ferimento, mas se levantou e continuou a luta.
Acertou um chute no rosto do oponente que lhe abriu o supercílio e agora os dois sangravam na arena.
O oponente se concentrava provavelmente para o golpe fatal, era a hora ela pensou enquanto rapidamente elevava seu cosmo.
Não percebeu, mas criou um enorme redemoinho ao redor da arena dificultando a visão de qualquer um que não fosse um cavaleiro de ouro, o oponente desferiu seu golpe afiado como mil navalhas pronto a retalhá-la, mas a defesa que ela havia criado com o cosmo se mostrou bastante eficiente repelindo o golpe com certa dificuldade. Ela lançou seu golpe com toda a energia que lhe restava e em um instante tudo estava terminado e seu oponente estava no chão.
Ela ouvia os aplausos mas de repente tudo estava ficando escuro e silencioso, Aioria foi o ultimo rosto que ela viu correndo em sua direção antes de apagar.
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A disputa pela armadura continua e está ficando cada vez mais difícil...
Agradeço aos que estão acompanhando a fic.
Tathy S.G obrigada pela review, que bom que você está gostando!!!
Bjus,
