Eu fechei os olhos, pendendo o corpo e o pescoço para trás quando a boca de James desceu da minha boca para meu colo. Eu não me lembrava exatamente de quando ele havia aberto minha blusa, ou do momento em que eu tirara a dele, mas eu tinha certeza que as duas coisas haviam acontecido - os lábios dele queimavam a pele perto da alça do meu soutien, e eu sentia a de seu tórax movendo-se rápido por baixo dos meus dedos.

Meus braços seguravam sua cabeça no meu colo, os dele arqueavam minhas costas na direção de seu corpo. Minhas pernas rodeavam sua cintura, as dele simplesmente serviam de mais apoio ainda para meu corpo sentado na bancada da sala de poções. Nossas bocas se perdiam uma da outra, achando qualqure parte do corpo para beijar, quse suspirando.

Eu estava enlouquecendo.

Desistindo da idéia de prender sua cabeça ali, puxei-a na direção de meu rosto, gemendo contra sua boca quando nos encontramos. Era o suficiente para que ele gemesse também e para que nossas mãos voltassem ao passeio – as dele para a frente de meu corpo e em direção aos botões restantes, as minhas para seu dorso nu e direcionados para o botão de sua calça jeans e para dentro dela.

Agora sim eu estava enlouquecendo – e ele também, pelo visto.

"Eu amo você"

Era um sussurro meu contra sua boca. Era um sorriso dele contra a minha.

"Eu também" disse, deslizando a boca pelo meu rosto até alcançar minha orelha "Eu também amo você"

Era um sussurro seu contra a minha orelha. Era um sorriso meu contra a dele.

Como eu amava esse garoto, Merlin. Só você sabe o porquê – porque nem eu sei – eu o rejeitei por mais de dois anos.

"Muito"

"Muito, Lily"

Eu sorri, deliciada, e voltei a beijá-lo. A noite já ia avançada – da última vez que olhei o relógio, eram quase duas horas – mas eu não estava com um pingo de sono ou com vontade de sair dali. Ao contrário, cada milímetro do meu corpo rezava para que houvesse uma magia qualquer que fizesse o tempo parar.

E, eu tinha certeza, o de James também.

Eu não queria sair mesmo dali.

"James?"

"Hum?"

"A gente pode ficar?"

A minha blusa desaparecera e a calça dele começava a cair. Daqui a pouco, eu ia perder o restinho do controle que tinha e desfazer o enlace das minhas pernas em sua cintura para jogá-la de vez no chão enquanto meus dedos arrumavam um jeito de entrar na sua única peça de roupa restante.

Uau, Lily. Bem que Marlene disse que você era mais tarada que ela. Mas quem não seria tarada com um namorado desse?

Eu que não, obrigada.

Não que eu estivesse, bem... pretendendo alguma coisa a mais que algumas peças de roupas a menos. E James, eu acho, sabe disso.

Não que isso o impedisse de... bem... ficar um pouco animado com isso tudo.

"Quanto você quiser"

"E se for, tipo assim, atééééééé..."

"Dá para calar a boca?"

Eu calei, rindo, sendo beijada em seguida. Senti suas mãos abrirem a minha saia e, em seguida, levantar um pouco meu corpo para tirá-la.

E, pronto, minhas pernas abaixaram sua calça.

"Você está me enlouquecendo"

Era para isso que eu estava ali, dãã.

"Quem tem que calar a boca agora?"

Foi a vez dele rir e, parando para me dar um selinho, me apertar num abraço ao sussurrar mais um "Eu te amo" no meu ouvido, antes de voltar à sessão quase-sexo.

Sua boca já deixava meu ouvido para correr por meu pescoço. Minhas pernas voltavam o enlace, e suas mãos começavam a brincar com a parte de trás do meu soutien. Ele sabia que não deveria tirá-lo, mas isso não o impedia de tentar nem de insistir ou de descer os lábios para encontrar o fecho – que, muito espertamente planejado por Marlene ficava na frente – e brincar com ele entre os lábios. Às vezes, sua língua alcançava minha pele, e eu era obrigada a prender alguns gemidos que o deliciariam por completo.

Merlin, aquilo era bom demais.

***********

Claro, nem sempre foi assim. Houve aquele tempo, no começo do namoro, em que nos contentávamos com olhares e beijos furtivos no corredor. E, depois, veio aquele do "Hmmm, minha mão já pode passear por mais lugares do que o bolso de trás de sua calça e sua cintura por debaixo da blusa". Pouco tempo antes do Natal vivemos o terceiro – digamos que o meu frenesi de conseguir um presente para ele era aliviado durante certas noites da torre de astronomia e algumas blusas jogadas ao canto em conjunto com botões abertos.

Estávamos naquele "Hmm, quero você"

É, é isso aí. Engana-se quem diz que, para quem ama, olhar ou qualquer coisa do tipo já é suficiente. Depois de um tempo, você se acostuma a querer sempre mais da outra pessoa.

E isso, claro, era inversamente proporcional à quantidade de roupas que você quer e precisa.

E, como que de repente – embora não fosse assim, eu sabia – eu passei a olhar James com outros olhos.

Não que eu nunca tivesse pensado, quer dizer. Na realidade, esses pensamentos cruzaram minha mente – inocentemente – pela primeira vez no quinto ano, quando o vi com o tórax e a barriga totalmente tonificados pelos exercícios físicos que ele era obrigado a fazer desde os doze anos devido ao quadribol. Totalmente fora de propósito, algum pensamento do tipo 'Ah, pelo menos aquelas garotas tem alguma razão de cair por ele se o virem sem blusa'.

A segunda vez foi quando nós dois saímos amigavelmente pelos jardins de Hogwarts, ele me explicando sobre o mapa que eu havia acabado de descobrir. Começara a chover do meio do nada e, então, tivemos que correr para baixo da zona seca de uma das torres do castelo.

E ele, bom, tirara sua camisa de novo.

E, bom, estava ainda melhor que dois anos antes.

Foi aí que eu percebi que estava apaixonada.

Vinte e sete beijos mais intensos até eu tomar coragem de segui-lo e passar a mão pro cima de sua calça na parte debaixo de sua cintura. Mais doze até eu abri-la de vez mas deixá-la ali, e mais dezesseis até eu toma vergonha na cara e deixar de colocar minha mão só pela parte de fora.

Agora era o aperitivo para o grand finale.

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... Minha saia já estava perto de seus pés, e sua calça fora de qualquer ponto da minha visão se eu resolvesse olhar. Ele vestia uma peça de roupa, eu duas. Sussurrávamos um contra o outro – ele ainda me disse algo como "Estou em desvantagem", me fazendo dar um ligeiro tapa em seu ombro antes de voltar a escorregar para uma marca que eu já havia feito em seu pescoço – e ríamos às vezes, quando eu dizia que ele entrava em um território meio proibido demais.

Ainda, mas não por muito tempo.

Os primeiros raios de sol já começavam a bater na nossa pele e irritar meus olhos, mas nenhum de nós dois ligava para isso. Os sons do castelo já estavam muito mais fortes mas, mesmo assim, distantes o suficiente para que nós não nos desesperássemos.

"Droga"

"Merda"

Ele sorriu contra meus lábios, arrastando seu rosto – com a ponto do nariz roçando a minha pele, como eu sabia que ele fazia só para me provocar por causa da sua respiração quente e tudo o mais – por meu pescoço até alcançar a base de meu colo. Apoiou a cabeça ali e, com os olhos fechados aos meus toques em sua nuca, começou a acariciar de leve minha cintura.

"Banheiro dos monitores?"

"Cadê sua capa?"

Ele apontou para um canto, levantando o rosto e me dando um selinho. Eu, relutante, deixei que ele fosse embora e pegasse ao menos a calça – não, eu não reparei nem um pouquinho em como sua cueca estava um pouco muito esticada – sorrindo quando ele me tacou sua blusa.

Eu adorava usá-la.

"A gente pode tomar banho junto dessa vez?"

"Não"

Ele fez biquinho, com um feitiço pegando todas as nossas roupas, mas eu sentia que ele prendia um sorriso.

Eu também.

*************

Eu me acomodei mais no corpo de James, fechando os olhos "Hogsmeade?"

"Isso"

"James, estamos burlando regras"

"Hmm, o que fizemos ontem à noite?"

Eu sorri, abaixando um pouco mais o rosto para ver se escondia o rubor dele. A minha sorte era que não nos desgrudamos desde então porque, se tivéssemos, eu viraria um tomate ambulante até me acostumar a ele de novo.

Nenhum de nós dois cansava dessa rotina.

"Só se comprarmos chocolate"

"Um para cada um?" ele retrucou, me fazendo rir contra seu peito. Ele era delicioso, Merlin "Vamos então?"

Eu fiz que sim, fechando os olhos "A gente pode escapulir o jantar porque eu tenho que voltar cedo"

"Por quê?"

"Eu preciso dormir, James"

"Aaaaaaaaah, isso é perda de tempo. Sabia que eu vi uma pesquisa que, se um ser humano vive 81 anos, ele passa vinte e sete dormindo?"

"Fui eu quem te mostrou, anta"

Ele riu e beijou o lóbulo da minha orelha, voltando a recostar-se na árvore enquanto penteava meu cabelo. O sol do final de janeiro batia na parte debaixo das minhas pernas, me aquecendo um pouco para um dos últimos dias frios do ano, mas nada – nada mesmo – se comparava aos braços do meu namorado.

"Mas nós vamos ou não?"

"Podemos ir, James. Mas só com chocolate"

James riu de novo, agora beijando a pontinha do meu nariz "Como você quiser"

***************

A gente olhava um para o outro de um jeito totalmente fofo durante o período da manhã. Depois do almoço, o olhar mudava um pouco e, finalmente, depois da janta – quando nós dois geralmente tínhamos tarefas da monitoria para serem feitas – mudava completamente.

Começava com um andar e, quando já estava suficientemente tarde, um entrelaçar. Depois, vinham os apertos de mão e o rodear dele por meus braços e meu por sua cintura, quase instantaneamente seguidos de toques na pele desses mesmos lugares. Já conversávamos, mas era nessas horas que meu rosto se levantava e o dele abaixava, nossos lábios roçando um no outro toda vez que falávamos alguma coisa.

Eu amava esse jogo silenciosamente combinado pela gente.

O primeiro round terminava com a entrada em uma sala. Começava a segunda parte: olhávamos um para o outro, eu com um brilho meio tímido – como ele adorava me lembrar – e ele com um meio safado – que, e ele também adorava me lembrar, ia para os meus olhos também depois de um ou dois minutos – antes de um dos dois colocar o outro contra a parede.

Mais ou menos como na sala de Slughorn.

Um rosto roçava no outro enquanto os olhos ainda se olhavam. As respirações se misturavam uma com a outra até sermos obrigados a entrecortá-las para recuperar o fôlego. As mãos se perdiam no corpo um do outro, os dedos às vezes se tocavam no meio do caminho e as pernas se entrelaçavam.

Os sussurros se intensificavam e, depois deles, vinham os gemidos. Primeiro, contidos, soltos contra alguma parte do outro, depois com um quê mais aberto. Os corpos se juntavam ainda mais e eu podia sentir seu coração acelerado sobre o meu, quase no mesmo ritmo, ditando nossas ações.

Era cada vez melhor.

**************

"Achei que você quisesse um chocolate"

"E eu queria um. É só que, depois de cinco dias e doze horas sem os seus, eu fiquei com vontade e não consegui largar o de cereja"

James riu, apertando minha mão um pouco mais forte. Eu adorava secretamente quando ele fazia isso – dava uma sensação de segurança, sabe...? – porque, geralmente em seguida, ele a deixava para me abraçar pelos ombros e beijar minha testa.

Mas não hoje.

James me parou na frente de uma entrada feita de pedras, apoiando-se nela enquanto me puxava junto e me colocava entre suas pernas, meu corpo junto ao seu. Nossos rostos estavam mais ou menos da mesma altura graças ao seu apoio.

Óbvio, eu tive que beijá-lo.

Aquele turbilhão das últimas semanas tomou conta de mim de novo, e eu não conseguia pensar em mais nada. Era só sua língua contra a minha, suas mãos apertando firmemente minha cintura, eu me acomodando entre suas pernas.

Ele e eu.

"Eu queria te mostrar uma coisa"

"O que é?"

Ainda sussurrávamos nos intervalos dos beijos.

"Tá a fim de andar ou quer ser carregada?"

Eu sorri, fazendo-o parar no último instante possível de voltar a me beijar. Podia senti-lo abrir os olhos mas mantive os meus fechados "Adivinha?"

Ele riu e, me dando um último selinho, voltou a apertar minha mão – dessa vez sim, ele passou o braço por meus ombros e beijou a lateral da minha testa – e a me puxar na direção de uma pequena colina.

Merda, eu estava de salto fino.

**************

Eu sempre tive o sonho de dormir com o cara numa praia.

É isso aí. Algo como ir para lá no amanhecer, comer dando comidinha na boca um do outro antes de descansar e dar uma caída no mar. Iríamos ver o pôr-do-sol sentados na areia e, quando a noite finalmente caísse e a praia ficasse deserta, ele correria atrás de mim e me jogaria na areia, com o mar batendo em nossos pés enquanto ele ajeitava minha franja.

É isso aí. Eu sou a personificação de filmes água-com-açúcar trouxas.

Eu nunca havia dito isso a ninguém. Mesmo na época em que acreditava piamente que esse era o sonho de toda garota – mesmo bruxa – eu não contei nem a Marlene ou Alice. Era uma coisa só minha, mas que eu estava disposta a seguir de qualquer jeito.

Foi exatamente por isso que me surpreendi quando, ao ver aonde James me levara, eu pensei uma coisa completamente diferente.

"Eu me lembrei de quando você disse que queria ver a lua cheia comigo" James começou, me fazendo desviar o olhar do céu para olhar para ele "Claro, só começa amanhã, mas como eu vou estar meio ocupado eu pensei que não teria problema em ela estar um pouco... torta, acho"

Eu sorri, deixando sua mão e indo para a frente da colina. A paisagem era mesmo estonteante: as luzes de velas e tochas se estendiam pelo povoado, e algumas últimas pessoas entravam nos pubs e bares.

"A gente podia ter visto lá da torre de astronomia. Não precisávamos arriscar uma expulsão"

"Perigoso é divertido, como Sirius sabiamente disse"

Eu ri, agora voltando a olhar para ele. Nesse pequeno intervalo, James sentara exatamente no meio arrancando algumas folhinhas do chão enquanto retribuía meu olhar.

Nós dois sorriamos.

"Mas, de qualquer jeito, eu realmente não pretendia que você visse a lua, de verdade"

Sério?

Eu também não.

**************

Foram três "Eu te amos" murmurados por cada um antes de apoiarmos o rosto um no outro. Alguns sussurros mais sobre coisas que nenhum dos dois entendeu antes de nos desfazermos das blusas, e alguns toques mais até nos desfazermos das calças.

Não foi preciso nada disso para me fazer esquecer de praia ou qualquer outra coisa – até a lua estava esquecida no céu.


Hmmm, olá. Então. Lembra o que eu disse sobre odiar o capítulo interior? Esqueçam. Ele é o amor da minha vida comparado a esse daqui.

Não que eu não tenha gostado de escrever. Eu amei, na realidade. Foi muito bom mesmo. É só que, bom, quando eu fiz essa fic eu ainda não tinha a menor idéia do que ia ser. Mais ou menos como o capítulo anterior, eu a mudei trezentas vezes - primeiro, cada pecado ia estar relacionado a um ano deles, depois a um momento qualquer e, ainda, com vários personagens inclusos. Até que cheguei nisso daí, com o mínimo de coerência e continuidade entre si.

Talvez vocês se perguntem "Nooooosa, o que isso tem a ver com o cápítulo?"

Aí que entra um negocinho adorado pela ditadura militar: a censura.

Era muito melhor, acreditem. Eu tive que refazê-lo milhares de vezes até achar que nada iria agredir muito o estipulado nem o público - desculpem, tem gente que lê e que eu não faço a menor noção de idade - ou qualquer outra coisa. Entãããããão, saiu isso daí.

Espero que gostem X)