Bom, ai está o prólogo. Espero que vocês gostem. ^^
PROLOGO
- Faz mais de dois anos! — protestou Edward Cullen, ao telefone. — Dizem que vocês são a melhor agência de detetives do país. Como isso é possível, se nem conseguem encontrar uma mulher desaparecida?
— O problema, Sr. Cullen, é que a pessoa em questão realmente não quer ser encontrada. Isso dificulta um pouco nosso trabalho.
Edward afastou uma pilha de papéis para o lado, lutando contra a frustração que aqueles telefonemas sempre lhe causavam. Mais tarde, sua décima segunda secretária teria de lidar com aquela bagunça. Ou seria a décima terceira?
— Preciso fazer-lhe uma pergunta. Só isso. Uma única pergunta, e ela estará livre para voltar a se esconder onde quiser.
— Eu entendo, Sr. Cullen. Mas receio que ela não quer mesmo responder à sua pergunta.
"Mas que brilhante dedução!", ironizou Edward, em pensamento.
— E quanto aos parentes? — perguntou ao detetive. — Lembro-me de ela haver falado sobre a mãe.
— Lembra-se do nome dessa pessoa?
— Não.
Seguiu-se um momento de silêncio do outro lado da linha.
— Continuaremos a investigação, Sr. Cullen. Ela acabará aparecendo algum dia desses. Voltaremos a conversar no próximo mês, como sempre.
— Está bem.
Edward colocou o telefone no gancho e ficou de pé, com um ar impaciente. Droga, por que estava sendo tão difícil saber se Tanya havia mesmo tido um filho seu? Seria pedir demais à Providência Divina?
— Isabella Swan, dirija-se ao supervisor Carlisle, por favor.
Ela ouviu os burburinhos começarem assim que entrou no corredor dourado. Todos por ali viviam sempre cochichando a respeito dela, mesmo que isso fizesse ofuscar sua auréola ou provocasse o escurecimento de uma ou duas penas de suas magníficas asas. De fato, Bella já estava cansada de ouvir sempre a mesma pergunta: "O que um anjo como ela está fazendo em um lugar como este?"
Como se não bastasse, tinha de ouvir as reprimendas de seu supervisor, que solicitava sua presença sempre que ela fazia uma nova travessura cheia de boa intenção.
— Não vemos um comportamento tão censurável desde que Cleópatra insistiu em querer fazer parte do nosso grupo! — salientara o supervisor, durante uma de suas reprimendas. — Você não está mais na terra, Isabella Swan. Aprenda a lidar com isso, senão acabará sendo expulsa daqui com auréola e tudo!
Bella suspirou. Ali estava ela mais uma vez, pronta para se apresentar ao supervisor Carlisle, depois de falhar em sua décima segunda missão angelical.
O que eles queriam afinal? Não tinha muita prática em lidar com assuntos ligados ao Paraíso, e reconhecia que sempre fora mesmo um pouco atrapalhada.
Praticar aquele ato nobre, causa de sua presença ali, fora realmente muita ousadia de sua parte. De fato, tinha dúvidas se não cometera um grande erro. Se houvesse tido tempo de pensar, não teria pulado na doca para salvar aquela criança. Ainda mais se soubesse que acabaria se afogando.
— Srta. Swan? — chamou-a o supervisor, de pé, à porta de sua sala. — Quanta bondade sua atender ao meu pedido! Entre, por favor.
Bella entrou na sala e olhou por cima do ombro para o anjo-chefe.
— Ficou sarcástico de um momento para outro, Carlisle? Pensei que esse tipo de atitude não existisse no Paraíso.
Ele franziu o cenho. — Digamos que você tem o dom de despertar o que existe de pior em mim — respondeu.
— Não estou surpresa. — Bella sorriu, com candura. — Pareço surtir esse mesmo efeito na maioria dos habitantes do paraíso.
— Sim, já notamos. — Ele, indicou uma cadeira. — Sente-se, por favor. Você sabe que nunca fui de dar importância a formalidades.
— Deve ser por isso que sempre nos damos bem no final — Bella falou, sentando-se. — Aposto que me chamou aqui para gritar mais um pouco comigo.
— Não costumamos gritar por aqui.
Bella riu. — Claro que gritam — insistiu ela. — Ainda que com incrível bondade. — Inclinando a cabeça de lado, fitou-o com seus lindos olhos castanhos. — O que eu fiz de errado desta vez?
Carlisle respirou fundo. — Já enviamos Ângela para arrumar a bagunça que você aprontou naquele restaurante.
— Oh. — Bella cruzou as pernas. — E Ben tirou o dia de folga?
— É Eric — corrigiu ele. — Sim, ele ainda está se recuperando, depois de haver consertado sua última missão.
— Entendo que quebrei um pouco a rotina daquele hotel, mas...
— Aquilo foi um verdadeiro desastre, Srta. Swan.
— Isso parece estar se tornando minha especialidade — admitiu ela, com um sorriso pesaroso.
— Tem razão. E nos traz ao dilema de sempre.
— Serei expulsa do paraíso?
Bella tentou se manter calma. Afinal, sabia que era apenas uma questão de tempo até seus superiores perceberem que haviam cometido um erro a seu respeito.
— Ainda não — respondeu gentil.
— Então, qual é a proposta?
— Terá uma última chance para cumprir sua missão.
— A décima terceira? — completou ela, rindo. — E o que acontecerá se eu falhar novamente?
— Será expulsa do paraíso.
Bella suspirou, reconhecendo a gravidade da situação.
— Tudo bem, Carlisle. Agradeço por me dar essa última chance, mas estou acostumada a levar uma vida difícil. Não me abalarei se algo der errado — afirmou.
Passara a vida inteira em busca do Paraíso, desejando ser amada e aceita. Quando era jovem o suficiente para acreditar em sonhos, chegara a cogitar a possibilidade de viver um grande amor. Porém, nunca encontrara alguém especial. Pelo menos não na Terra. Então, por que esperar que a situação fosse diferente no paraíso?
— Aqui as coisas são diferentes — afirmou o anjo. — Os anjos que a estão ajudando também se encontram em treinamento, mas nem por isso suas imperfeições se tornam menos evidentes.
Bella arqueou uma sobrancelha.
— Está lendo meus pensamentos? Isso não é contra as regras por aqui?
— Às vezes, os desejos clamam tão alto que os anjos conseguem ouvir. Principalmente quando esses desejos vêm do fundo da alma.
— E mesmo? Nunca ouvi falar disso antes.
— Talvez por não estar prestando atenção suficiente em sua condição. Podemos voltar ao que interessa?
— Sim, claro. Qual será minha última missão?
— O nome de seu novo protegido é Edward Cullen, e sua tarefa será simples: terá de encontrar uma esposa para ele.
De fato, a missão parecia bem fácil. Porém, se conhecia bem o anjo Gentil...
— E o que mais? — perguntou, desconfiada.
Ele sorriu. — Ele terá de amá-la com sinceridade.
— Mais alguma coisa?
— Não. Faça com que ele encontre uma esposa para amar de verdade e sua missão estará cumprida.
O modo como ele a olhou deixou Bella ainda mais desconfiada.
— Vamos lá, Carlisle, fale de uma vez. O que mais terei de fazer?
O supervisor sorriu. — Já que é sua última chance, vou lhe dar uma ajuda extra desta vez. Decidi mandar um anjo da guarda com você.
— Ah, não... Essa não... – Ela gemeu em protesto.
— Pode se acostumar à idéia, Bella, porque Jacob irá acompanhá-la.
Bella gemeu novamente depois suspirou conformada. Talvez Jacob pudesse ajudá-la. Isso é, se ele conseguisse manter aquela boca enorme fechada...
