Gostaria de agradecer as rewies que eu recebi pelo ultimo capítulo. ^^ Tatyperry: a Bella simplesmente não tem juízo. É desastrada sim. Mas não consigo mesma. Pelo menos não tanto. A loucura e o desastre dela refletem em outras pessoas.
My Odd World': ^^ que bom que você está gostando. Espero que continue assim. xD
Fernanda Kowalewicz: Eu sou fã de romances e assim que vi essa pela primeira vez, pensei: "Simplesmente e absurdamente Bella." Adoro coisas loucas. Ainda mais quando há possibilidade de se tornarem reais e lindas.
mione03: Tecnicamente o Anjo vem mais de Midnight Sun do que de Crepú está lá. xD Ahh e espero meeeeeeesmo que você continue gostando da fic.
Reneesme Carlie Cullen: Obrigada por estar acompanhando a fic e por ter feito uma autora feliz! *-*
Bom, agora sem mais demoras e boa leitura. E lembrem, façam uma autora feliz. *-*
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CAPITULO II
Bella havia acabado de sentar-se à mesa que seria sua dali em diante, quando Edward abriu a porta que separava as duas salas. Parecia aborrecido, mas ela não ficou surpresa.
Tentara mencionar aquele último item de uma maneira casual, para que ele nem notasse, mas, pelo visto, não tivera sucesso. O brilho de fúria nos olhos dele comprovou isso.
— Srta. Swan! — Notando que chamara a atenção de outros funcionários, ele abaixou o tom de voz. — Venha até meu escritório. Agora!
Oh, Deus... Ela não via uma expressão tão furiosa quanto àquela desde que o supervisor Carlisle descobrira que ela havia deixado Napoleão Bonaparte entrar no paraíso para dar uma espiadela no lugar. O pior era que Edward parecia estar ainda mais furioso do que ele.
Os olhos verdes haviam adquirido um brilho intimidador. Os cabelos acobreados, levemente caídos sobre a testa, atribuíam-lhe um charme especial, assim como os traços másculos de seu rosto, marcados pelos lábios firmes.
— Claro, Sr. Cullen — respondeu Bella, com incrível calma. — Algum problema? — perguntou, ao fechar a porta do escritório.
— Pode-se dizer que sim. O que diabos você quis dizer com encontrar uma esposa para mim?
— Então é isso...
— Sim, é isso mesmo.
— Estava em sua lista.- Ela deu de ombros.
— Não diga tolices!
— Quer que eu lhe mostre? — inquiriu Bella, mantendo o tom calmo.
— Isso seria interessante, já que fui eu mesmo quem escreveu aquela lista. Não escrevi nada sobre encontrar uma esposa.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Quer dar licença para eu passar e pegar a lista ou terei de forçar a passagem? — Ela o desafiou.
Um brilho insinuante surgiu nos olhos de Edward.
— Esta é a proposta mais tentadora que já recebi. Pretende mesmo cumprir a ameaça?
Bella observou o rosto bonito dele, imaginando quanto parecia convidativo se envolver com alguém que era um exemplo da beleza masculina. Porém, lembrou-se a tempo de que sua missão era a de encontrar uma esposa para ele, e não realizar seus próprios desejos terrenos.
Ele deve ter percebido a recusa em seu olhar, porque assentiu em silêncio e ficou de lado, dando espaço para ela passar. No entanto, ele também pareceu deduzir o pensamento dela, pois tocou-lhe a mão, já sobre a maçaneta da porta.
Foi como se uma corrente elétrica percorresse os corpos dos dois. Mas eles não desviaram os olhos e nem afastaram as mãos.
— Entendeu por que não dará certo trabalharmos juntos? — perguntou ele indicando com o queixo as mãos dos dois. — Você sente o mesmo, não?
Ela não podia negar que havia algo diferente entre eles. Fazia muito tempo que não sentia o toque carinhoso de um homem, mas não podia se deixar levar por sensações que pertenciam ao passado.
— Assim que eu encontrar uma esposa para você, isso não o incomodará mais. Prometo. O que está sentindo é uma distração momentânea, mas logo passará.
— Passará logo porque você não continuará trabalhando comigo — disse ele. — Tenho contatos. Arranjarei um emprego para você em outro lugar. Esse caminho pelo qual estamos seguindo só nos trará problemas.
— Lamento, mas é o único caminho que conheço — afirmou Bella.
Edward afastou sua mão, como se temesse que aquilo fosse mais além.
— Pegue a lista.
Pela primeira vez na vida, ou depois da morte, Bella achou impossível se equilibrar sobre o salto de oito centímetros.Não que ela tivesse muito equilíbrio antes. Mas naquele momento, parecia quase impossível se manter de pé. Mantendo a concentração, para não perder o equilíbrio, adiantou-se para pegar a lista.
Depois de respirar fundo, ela retornou ao escritório e fechou a porta.
— O último item diz: "Encontrar uma esposa para mim" — declarou, colocando o papel sobre a mesa.
Ele franziu o cenho, ao ler o item.
— Que tipo de brincadeira é essa? — indagou, em um tom ameaçador.
Aquela não era uma pergunta que ela poderia responder. Pelo menos, não ainda. Sentando-se diante da mesa, abriu o bloco de anotações e olhou para ele.
— Não acha melhor falarmos sobre o tipo de mulher que você prefere?
— Não! — O grito exasperado fez Bella se sobressaltar. — Quero que me diga como esse item veio parar na minha lista.
— Você não o escreveu? — inquiriu ela, com um ar inocente.
— Claro que não! — Contendo um pouco o tom impaciente, ele perguntou: — Não foi você?
— Não.
Mas ela deduziu quem poderia ter feito aquilo. Anjos da guarda eram sempre muito matreiros quando queriam. Edward colocou o papel de lado e fitou-a nos olhos.
—A honestidade é algo muito importante para mim — disse ele. — Na verdade, é o primeiro item da minha lista de virtudes.
Bella arqueou uma sobrancelha. — Outra lista?
— Srta. Swan!
— Tudo bem, tudo bem. Acho que já falamos sobre honestidade. Eu nunca minto, lembra?
— Foi o que disse.
— Agora que nos entendemos a esse respeito, podemos voltar ao que interessa? Se me disser o que espera de uma esposa, poderei cuidar melhor do assunto. Prometo que manterei a questão em sigilo.
— Esqueça isso. Eu a contratei para ser minha secretária, nada mais. Não quero ouvir falar sobre essa história de me arranjar uma esposa. Entendeu?
Bella suspirou.
— Esse é o quarto item?
— Acho que o primeiro item abrange esse também. Sou o chefe, lembra? O que eu digo é lei. Nada de discussão ou de argumentação. A palavra final é sempre minha.
— Estou começando a achar que essa regra vai ser uma verdadeira maldiç... —Bella se interrompeu, diante da palavra pouco celestial. — Um verdadeiro desafio — emendou.
Edward disfarçou o riso. — Posso sobreviver a isso.
Ele sim, mas talvez ela não, pensou Bella.
Não tinha certeza de quanto tempo teria para cumprir sua missão, mas achava que o prazo duraria um mês no máximo. Se não obtivesse nenhum resultado dentro desse período... De súbito, sentiu uma onda de determinação.
- Poderia me dizer pelo menos quais são as qualidades que você gostaria de encontrar em uma esposa? — perguntou com calma, tentando não demonstrar seu desespero. — Prometo que não voltaremos a falar nisso.
— Você nunca desiste?
— Não posso desistir —Não se quisesse continuar no paraíso. Acrescentou ela mentalmente.
— Então, deixe-me facilitar as coisas para você — falou ele. — Minha mãe é quem cuida dos assuntos sentimentais na minha vida. Ela decidiu que quer me ver casado e está se empenhando para conseguir isso.
— Deve ser bastante embaraçoso.
— E mais inconveniente do que qualquer outra coisa. Pelo menos uma vez por mês ela faz reservas em um restaurante, em meu nome e no da vítima do momento, e me avisa no último instante.
— Que estranho.
— Concordo plenamente.
— E por que você não se recusa a ir?
— Porque acho que seria injusto com a pessoa envolvida. Quando minha mãe me avisa, a "pretendente" já se encontra a caminho do restaurante. Quanto à minha mãe... Digamos que tenho razões para não censurá-la. Portanto, não preciso de sua ajuda para encontrar uma esposa. Tenho certeza de que o encontro que minha mãe deve ter programado para essa noite dará bons resultados.
— É mesmo? — Bella sorriu, esperançosa.
— Sim.
— Fale-me mais sobre a candidata. Como ela é?
— Não está mesmo me ouvindo. – Ele suspirou e massageou a testa com as pontas dos dedos.
— Claro que estou. Ouvi e posso repetir cada uma de suas palavras, desde que nos encontramos. E pode acreditar, você não falou pouco.
— É mesmo? Deve estar sendo bastante tedioso para você — Edward ironizou. — De qualquer maneira, quero que mais um detalhe fique bem claro: ficará aqui apenas por duas semanas. Depois disso, quero vê-la fora da minha vida de uma vez por todas.
Um breve ruído vindo da porta interrompeu a conversa.
—Oh-oh — disse Jasper. — Acho que chegamos na hora errada,
Jacob.
~*~
— A culpa não é minha — insistiu Bella. — Edward Cullen é uma pessoa muito difícil de se lidar. E não me olhe desse jeito, porque eu estou tentando. Trate de sair desse sofá, Jacob. Se ele encontrar mais um pêlo de cachorro nas almofadas, não vai esperar duas semanas para nos dispensar.
Jacob latiu energicamente, antes de afundar um pouco mais no sofá.
—Para sua informação, eu tenho um plano — Ela continuou. — Se ainda não notou, esta é a agenda de Edward — anunciou ela, tirando o objeto de uma das gavetas da mesa dele. — Essa noite, ele terá um encontro com uma garota
chamada Kate, no restaurante Sarduccfs. — Ela sorriu. — Lembra-se desse restaurante? Foi engraçado o que aconteceu por lá.
O cão ganiu baixinho, cobrindo os olhos com as patas por um momento.
— Tenho certeza de que já esqueceram — disse ela. — De qualquer maneira, iremos até lá esta noite para observá-los.
Com um pouco de sorte, Kate será perfeita para Edward e bastará apenas um "empurrãozinho" para os dois se casarem e serem felizes para sempre.
Para sua surpresa, ela conseguiu chegar ao restaurante juntamente com Edward e Kate. Porém, ele não pareceu nem um pouco satisfeito com a "coincidência" de encontrá-la por lá.
Pelo visto, senso de humor não era algo natural na personalidade dele. Isso tornava essencial que a futura esposa dele fosse bem-humorada.
Bella observou Kate com ar de curiosidade. Mas logo notou que, se a moça tinha algum senso de humor, devia mantê-lo bem escondido.
— O que está fazendo aqui? — perguntou Edward, em um tom impaciente.
— Vim jantar. E vocês?
— Temos uma reserva, como você bem sabe.
— Oh. Então é necessário fazer reservas para jantar aqui? — inquiriu Bella inocentemente.
— Na verdade, é essencial. — Olhando para Jacob, ele acrescentou: — Trouxe o cão?
— Jacob sempre me acompanha.
— Mas nunca o deixarão ficar aqui dentro. E proibida à entrada de animais em restaurantes.
—É mesmo? Bem, nunca tive problema com isso antes.
Bella olhou para Kate. A moça era alta e linda, mas parecia não gostar de falar muito. Estava vestida com um tailleur cinza, em estilo conservador, e com os cabelos presos em um coque baixo. Os belos olhos castanhos retribuíram o olhar de Bella com atenção.
— Não vai nos apresentar? — Kate perguntou a Edward, em um tom polido.
Ele se mostrou visivelmente relutante.
— Essa é minha secretária, Srta. Swan. Isabella, essa é Kate Denali.
As duas trocaram um aperto de mãos.
— Vocês se conhecessem há muito tempo? — indagou Bella.
Edward a fuzilou com o olhar. — Não comece, senão terá de procurar um novo emprego amanhã mesmo.
— Meu Deus, Edward! — Kate interveio. — O que ela fez de errado? Isabella quer apenas saber a quanto tempo nos conhecemos.
— Não foi exatamente isso o que ela quis dizer — salientou ele.
— Não?
— Foi apenas uma pergunta amigável, Edward — afirmou Bella.
— Você já sabe a resposta — assegurou ele. — Então, por que perguntou?
— Edward, se ela soubesse a resposta, não teria perguntado — insistiu Kate, que se voltando para Bella, respondeu: — Eu e ele acabamos de nos conhecer.
— Excelente!
— O que diabos está querendo dizer com isso? — perguntou ele.
Kate franziu o cenho. — Não seja indelicado, por favor — pediu ela. — Estamos tendo apenas uma conversa social.
— A intenção da Srta. Swan não é inocente, pode acreditar.
— Estou querendo apenas salientar quanto os primeiros encontros são especiais — explicou Bella. — Os primeiros olhares... A súbita consciência da presença física um do outro... O primeiro toque... A ansiedade em saber se o outro é mesmo tão sexy quanto parece...
Kate arregalou os olhos. — Mas eu nunca pensei dessa maneira.
— Srta. Swan...
— Não mesmo? — Bella continuou se dirigindo a Kate.
— Oh, sempre achei os primeiros encontros a parte mais romântica de um relacionamento. E o período em que a paixão cega o casal com relação a certas verdades. — O cão puxou a barra da saia dela, distraindo-a por um momento. — Pare, Jacob. Estou falando sobre a parte engraçada de tudo isso.
Quando a ânsia de amar faz os apaixonados ignorarem os defeitos um do outro...
Kate cruzou os braços. — Que defeitos? — perguntou ela.
— Bem, deixe-me ver... — Bella colocou a mão no queixo por um segundo pensando. Mas não teve de se esforçar muito para encontrar a resposta. Bastou lembrar de seu dia com Edward. — Ter um temperamento difícil, por exemplo. Ou uma desagradável tendência à teimosia. Oh, e sempre querer as coisas feitas à sua maneira. Esse tipo de coisa... — Jacob ganiu, em protesto, e Bella olhou para ele. — Eu me lembro do que Carlisle disse. Amor verdadeiro. Tudo bem, mas quando se ama, releva-se os defeitos. — Ela olhou para Edward. — Certo?
— Eu gostaria que alguém me explicasse sobre o que ela está falando — pediu Kate, confusa.
— Não se preocupe em entender agora, querida. O fato é que vocês ainda não se conheceram o suficiente para saberem quais são as qualidades e os defeitos um do outro. A realidade do tédio ainda não os afetou. Com sorte, isso não acontecerá até que estejam devidamente casad...
— Srta. Swan... — Edward a interrompeu.
— Sim?
— Acho melhor não terminar a frase.
— Talvez devêssemos ter continuado com a parte informal da conversa — disse Kate.
— Está vendo? — Ele forçou um sorriso. — Eu disse que a intenção dela não era inocente. Se a conhecesse tão bem quanto eu, já teria se dado conta disso.
Kate arqueou uma sobrancelha. —Talvez eu devesse ter perguntado há quanto tempo vocês se conhecem.
— Nós nos conhecemos hoje — explicou Bella, rindo.
Seguiu-se um silêncio embaraçoso.
— Srta. Swan! — Edward foi o primeiro a quebrá-lo. — No caso de não haver notado, não estou nem um pouco satisfeito com seu comportamento.
Ela deu de ombros, com um sorriso se insinuando nos lábios
— Estou acostumada com isso. Pareço ter um "dom" para falar e fazer coisas erradas. Mas se isso o fizer sentir-se melhor, saiba que se eu falhar dessa vez nunca mais atrapalharei ninguém. Meu supervisor acabará enviando Eric ou Ben para consertar meu fiasco. Não será afetado pessoalmente, prometo.
Edward franziu o cenho, sem ter a mínima idéia do que ela estava falando. Porém, antes que pudesse dizer algo, o maitre os interrompeu.
— Srta. Swan! Que prazer em revê-la!
Bella virou-se e sorriu. — Olá, Rollo. Como está Beatice?
— Bem melhor, obrigado. — Olhando em volta, ele perguntou: — O que achou da reforma que fizemos?
— O restaurante ficou lindo. Não dá nem para notar os locais que foram atingidos pelo fogo. Sinto muito por tudo aquilo.
— Ora, já nos recuperamos, não se preocupe. Veio jantar?
— Há um lugarzinho para mim?
— Claro que sim. Sempre há. — Ele lançou um olhar preocupado para Jacob. — Mas você conhece as regras...
— Eu avisei — interveio Edward.
Com um suspiro resignado, Bella abriu a bolsa e tirou dela uma espécie de elástico vermelho. Passou-a pela cabeça de Manchado e centralizou o laço em seu pescoço.
— Pronto. Está bom assim?
— Perfeito! — exclamou o maitre. — Sabe que nossas regras são muito rígidas, mesmo para convidados ilustres.
— Eu entendo — anuiu Bella, tendo de conter o riso diante da expressão atônita de Edward.
Despedindo-se com um breve aceno, ela acompanhou Rollo até o salão principal.
— Acho que nos saímos bem, não? — perguntou a Jacob, que respondeu com um latido.
~*~
— Será possível que eu sou o único que acha estranho comer em um restaurante cinco estrelas com um cachorro? — questionou Edward, indignado.
— Você não está comendo com um cachorro — salientou Kate.
— Não importa.
— Sim, claro que importa — insistiu ela. — Está comendo no mesmo restaurante que um cachorro, mas não na companhia dele.
— E você não acha isso estranho?
Kate deu de ombros. — Por que eu deveria?
Edward olhou para os ocupantes das outras mesas.
—Não acredito que ninguém faça sequer uma reclamação.
É como se nem estivessem notando! Há um labrador surdo sentado à mesa, usando uma gravata vermelha, e todos agem como se isso acontecesse todos os dias!
—Bem, você tem de reconhecer que ele não está enfiando as patas no prato e nem latindo alto —Kate argumentou enquanto examinava o menu. — As entradas parecem ótimas, não?
Edward ia responder, mas desistiu por pura impaciência. Abriu o menu com um gesto firme, furioso por sua nova secretária haver chamado sua atenção pela vigésima vez nos últimos dez minutos.
Não que ela houvesse feito isso deliberadamente. Bella não sorrira nem acenara em sua direção. Não era preciso. Bastava ficar sentada ali, naquela mesa próxima, para impeli-lo a olhá-la a todo instante.
Ela ocupara a mesa central do salão, com seu vestido azul e os cabelos castanhos refletindo a luz vinda do alto. Ela não apenas era a mulher mais bonita do salão, como também parecia muito à vontade tendo um cão como acompanhante.
Notou que ela também os observava de vez em quando. Não tinha idéia do que deveria estar se passando pela mente dela, mas pela expressão de seu rosto não parecia ser algo bom. Deus, o que fizera para merecer uma secretária tão excêntrica? Devia ter sido um pecado bem grave.
— Já decidiu o que vai pedir como entrada? — A pergunta de Kate lhe interrompeu os pensamentos.
— O quê? Oh, uma sopa de ervilhas.
Ela anuiu, satisfeita. —É exatamente o que eu pretendia pedir. Pelo visto, temos muito em comum.
Ele suspirou. Sim, claro. Ambos compartilhavam um interesse por ervilhas. Sem dúvida, haviam nascido um para o outro.
~*~
— Pare de reclamar, Jacob. É importante que façamos uma lista. Edward gosta de usar esse método e eu também. Agora, pare de protestar e diga o que posso incluir nela. Ele considera a honestidade como a principal das virtudes, portanto, esse será o primeiro item da lista.
Ela olhou discretamente na direção da mesa dele.
— Mas como poderei saber se Kate é honesta? Isso não é algo que se percebe facilmente. Gentil não lhe disse algo que possa ajudar?
Jacob suspirou.
— Vejamos... Qual o próximo item? Senso de humor. Essa escolha é minha, não de Edward. Com um temperamento como o dele, é muito importante que ele encontre alguém que o faça rir de vez em quando. E ela também tem de ser determinada. Uma pessoa de personalidade fraca logo o deixaria aborrecido.
Jacob latiu com firmeza.
— Por que você insiste em trazer isso à tona? Sei muito bem que ele terá de amá-la. Só que ele não acredita no amor, como você já deve ter notado. — Estreitando o olhar, acrescentou: — Diga-me uma coisa: como poderei convencê-lo a acreditar no amor, se nem eu mesma acredito nele?
Jacob olhou-a em silêncio, como que lamentando a dificuldade que ela teria de enfrentar.
~*~
— Como está a sopa? — Kate perguntou.
— Oh, muito boa.
— A minha está meio insossa.
— Talvez porque você não quis colocar queijo.
— Detesto queijo. E detesto sopa insossa.
Edward pegou o saleiro e aproveitou para olhar discretamente para o relógio. Droga. Teria de ficar ali pelo menos mais quarenta e cinco minutos, antes de conseguir escapar.
— Sal faz mal para a saúde, sabia? — perguntou ela.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— É mesmo? Quer um pouco?
— Não estou gostando disso — disse Bella. — Os dois estão comendo a mesma coisa, mas parecem muito... – Ela se interrompeu procurando as palavras.
Jacob ganiu.
— Isso mesmo. Entediados. Onde está aquela chama que já deveria ter surgido entre os dois? Edward não segurou a mão de Kate nenhuma vez, não lhe sussurrou nada ao ouvido e nem sequer a fez rir. — Ela olhou para o cachorro. — Como poderão ter um relacionamento duradouro agindo assim logo no primeiro encontro?
Rollo apareceu ao lado dela.
— Como está o jantar, Srta. Swan?
— Maravilhoso. Mudaram o tempero do molho do fettuccine?
O maitre assentiu. — Notou?
— E também acrescentaram anchovas — continuou ela. — E estão usando azeite grego. Essa não foi uma boa mudança, Rollo.
— Por favor, Srta. Swan — sussurrou ele. — Fale mais baixo, ou acabará revelando nossos segredos.
— Oh, desculpe-me.
Bella olhou mais uma vez na direção da mesa de Edward e fez um sinal para Rollo, que se inclinou para ouvi-la melhor.
— Com que freqüência ele vem aqui?
— O Sr. Cullen? Duas vezes por mês pontualmente.
— Sempre com uma acompanhante diferente?
Rollo deu de ombros. — É bem raro, mas às vezes ele chega a se encontrar duas vezes com a mesma mulher.
Bella se tornou pensativa por um momento. Quando Rollo fez menção de se afastar, ela o puxou de volta.
— Nos encontros que duraram mais de uma vez, ele tentou beijar a acompanhante?
— Não que eu tenha notado — respondeu o maitre.
"Essa não!", pensou ela.
— Ele não tenta nem tocá-las?
Rollo pensou por um momento, antes de sorrir, com ar de triunfo.
— Isso só aconteceu uma vez. Ele ajudou uma delas a se levantar, porque a moça havia torcido o tornozelo.
Bella soltou-lhe o braço, deixando-o finalmente endireitar o corpo.
— Ele nunca discute com elas?
— Nunca.
— Nem compartilha segredos?
— O Sr. Cullen? Imagine!
— Nem ri com elas?
O maitre balançou a cabeça negativamente.
— Obrigada, Rollo.
Jacob soltou um suspiro quando o maitre se afastou.
— Sim, foi o que pensei — disse Bella, lançando um olhar determinado na direção da outra mesa. — Parece que, além de trabalhar como secretária, também terei de ensinar a Edward algumas lições sobre romance. — Balançando a cabeça, acrescentou: — Até Deus duvida das coisas que nós, anjos, temos de fazer...
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Continua...
Bom, desculpem os erros (a fic não foi betada e nem revisada) e até a próxima com Bella de conselheira matrimonial. Ou quase isso.
