Cap10 Certeza?

A viagem não fora longa, logo estava de volta, mas com a volta viera a notícia de que viajaria mais.

No início eram curtas e tinha um período de tempo comprido entre uma e outra.

Seu pai queria que ele fosse se entregando aos poucos. Mas conforme foi entrando mais e mais nos negócios as viagens aumentavam junto com o tempo delas e o período em casa diminuía.

Nesse tempo Sakura ainda ia ao carvalho, mesmo que Eriol e Tomoyo não fossem. Tinha vezes que a matilha aparecia, mas sempre sentia falta de um 'lobo'.

Quando Syoran voltava Sakura o recebia pulando em cima dele. E quanto mais ele se entranhava no trabalho, quando voltava aparecia com uns papeis dizendo que apesar de ter voltado ainda tinha coisas a fazer, mas dava pra ficar ali pelo menos.

-Agora até entendo porque meu pai quase não saía do escritório quando voltava – comentou.

Ele conversava como se nem estivesse mexendo nos papéis, até perguntaram se realmente estava trabalhando e ele simplesmente dizia.

-É fácil o que tenho pra fazer, nem pode ser considerado trabalho. O único problema é o tamanho disso.

Tomoyo e Eriol muitas vezes deixavam os dois sozinhos dando qualquer desculpa. Já que Syoran ficava cada vez menos. Sabia que apesar deles contestarem e dizerem para eles aparecerem, internamente agradeciam.

Tinhas vezes que Sakura só ficava com a cabeça encostada no ombro de Syoran e via-o trabalhar.

T – Sakura. Quando que o Syoran volta?

S – Não faço a mínima idéia. Ele até mencionou que iria demorar – suspirou – Cada vez mais ele ta metido numa viagem e menos aqui.

E – Achei que já tinha se acostumado às demoras, apesar delas crescerem cada vez mais.

S – Aceitei, mas a comunicação caiu gradativamente, até por celular – levantou o cel olhando-o desanimada.

E – Ele está cada vez mais ocupado, ele já trazia trabalho pra cá, imagina agora que ele deve estar realmente integrado.

S – Mas nem mais cartas, mensagens eu recebo.... aaaa eu quero noticias .

T – Ele não mandou recentemente?

S – 'Qualquer dia te ligo' Ponto. Isso foi há semanas atrás ¬.¬ se já não fez um mês.

E – Não ta exagerando?

S – Não. Ele já ta meses viajando sem voltar e dando poucas noticias. Quando ele ligar... – ela estava com os olhos em chamas.

O celular começou a tocar e a cara de Sakura mudou completamente, de uma com raiva á uma mega feliz.

-Syao-Syao *-**... Ta ta já sei, mas você ficou de dar essa ligação há um tempão Syao-Syao .... Sim faz tempo sim ò.ó...

Tomoyo e Eriol só ficaram olhando e rindo.

-Sim são eles rindo sim... Espera vou botar no viva voz – ela perto um botão e botou o cel no meio do grupo.

-E ai Syao-Syao – falou Tomo.

-Nem comecem – ouvi-se a voz irritada de Syoran.

-Isso ao fundo é barulho de papel e caneta?

-Papelada, pra variar.

-Que feio descendente. Tem que fazer seu trabalho direito.

-Já falei que isso é coisa fácil. E também era agora ou nunca que eu iria ligar.

-E ia me deixar de molho mais um mês! – reclamou Sakura.

-Dois na verdade.

-E ainda admite! Ò.ó

-Não tenho culpa se... – ouviu um toc toc – Espera, já venho e fiquem quietos.

Ouvisse uns barulhos antes dos passos e o abrir de uma porta e a voz de Syoran ao longe.

-Mais papel?

-Sim – a voz grave de um homem foi ouvida – pensei ter ouvido sua voz.

-Pensava alto.

-Sei – demorou um segundo a vir não era de alguém que acreditava no que foi dito.

-Mais alguma coisa?

-A folha 25. Preciso dela.

-Já cuidei dessa.

Passos, mais barulho bem perto e novamente passos se afastando um pouco.

-Só isso?

-Sim... - poucos passos antes da voz grave voltar - .

-Sim?

-Seu pai pode já ter confiança em você, mas não significa que o resto tenha. Estamos de olhos abertos.

-Já sei. E desculpe, mas tenho muito trabalho se não se importa.

Passos e a porta se fechando com calma e novamente passos.

-Ainda estão ai? – o barulho de papel e caneta ao fundo voltou.

-Sim – responderam em coro.

-Acho que nunca mais vou reclama se tu não ligares – falou Sakura.

-Ouviram?

-Sim - novamente em coro.

-Mas que desconfiança é essa? – perguntou Eriol.

-Eles até ligam muito para a sua origem, mas seu passado sempre vem à tona. Não importa o que você é no presente o passado te persegue – suspirou.

Eriol e Tomoyo até sabiam sobre a história, mas Sakura parecia ser a única que realmente entendia a grandiosidade daquilo.

-Bem pelo menos já fez uma conquista – falou Sakura animada – seu pai tem confiança em você.

-Ele já até quer que eu assuma boa parte, ou pelo menos metade, mas eles ainda querem que eu vá com calma. Pra eles não basta ser bom tem que ser mais.

-Você não está sendo excelente? – perguntou Tomoyo

-Acho que nem isso é bom o suficiente. Acho que tem que ser perfeito e convenhamos ninguém é.

-Eles implicam assim mesmo com todos? – perguntou Sakura.

-Primeiro investigam seu passado depois decidem como tratar e se fizer por merecer.

-E impressão minha ou você ta abaixando a voz? – falou Eriol.

-Ta certo. Eles adoram xeretar, mesmo que você realmente não esteja fazendo nada de errado e mesmo que não seja, qualquer coisinha eles acham um escândalo. Imaginem um de verdade.

-Nossa que rigorosos – falou Sakura.

Ouviram a porta ser aberta.

-Falando sozinho?

-Pensei que respeitassem o "bata antes de entrar". Qual papel quer?

-06. Que fone é esse?

-Até o senhor ouve música enquanto faz seu trabalho que eu sei. Aqui está.

-Está sendo petulante sabia?

-Estou com uma pilha de papéis do meu tamanho e tenho que terminar ainda hoje. O Sr. já ficou irritado por muito menos. Ainda mais que não tinha sempre alguém rondando o corredor o tempo todo. Essa pessoa tem um andar muito duro, faz muito barulho.

-Irei ver quem é e falar com ele – falou a voz grave, mas se notava um nervosismo escondido.

E se ouviu a porta ser fechada.

-Adoro fazer isso – novamente o barulho de papelada ao fundo.

-Isso foi cruel – falou Eriol rindo.

-Cruel? Isso? Você não viu nada, isso sim – ele suspirou – tenho que desligar ou vou tê-lo no meu pé o dia inteiro. Tchau.

-Tchau – falaram em coro novamente.

Os anos foram passando e Syoran conseguiu subir de nível. Já não tinha tantas indiretas quando estavam de olho nele e já o respeitavam mais. Mas com isso as ligações pareciam ter sido anuladas e cartas demoradas e mensagens pareciam os únicos meios de comunicação.

Ainda mais quando ele começou a viajar para lugares onde o fuso horário era de grande diferença.

Nas raras vezes que ele voltava, Tomoyo e Eriol sumiam. E sempre era recebido com um abraço de Sakura, que cada vez mais parecia demorado para soltá-lo, mas não ligava. Tinha vontade de não soltá-la.

Chegaram a pegar o colar e a pulseira e usarem – afinal 'eles' não estavam mais ali - numa forma de tentar diminuir a saudade.

Sakura apertava a pulseira contra ao peito quando sentia saudades.

Syoran apertava o nome Lobo na mão quando estava sozinho em seu quarto.

-Recebi uma carta – falava Sakura pulando de encontro a Eriol e Tomo que estavam embaixo do carvalho.

-O que diz? – perguntou Tomo.

-É bem grande. Ele está contando do lugar em que ele está. Tem uma floresta, pequena, lá. E...

-E... –falaram Tomoyo e Eriol querendo que ela continuasse.

-Tem uma historinha de lá...

Ela resolveu ler em voz alta.

Na floresta à noite dizem ouvir o uivo de um lobo solitário. Um uivo lindo, mas solitário.

Alguns dizem que é um lobo desgarrado. Em busca de uma família.

Outros que é um sobrevivente de uma matilha que foi morta, por temerem que ela atacasse as pessoas, e busca seus companheiros.

Essa é a que todos acreditam. E dizem estar arrependidas por terem concordado com a morte do bando, que fora sem motivo afinal eles não fizeram nada.

Na floresta não há muito animais e dão comida para o lobo, que não a come.

Já procuraram, mas não o acharam.

Acham que é trauma do que ocorreu com sua família e por isso teme os humanos, mas está sempre a procurar pela família perdida.

As pessoas ficaram incrivelmente compadecidas e decidiram nunca mais matar um animal da floresta sem motivo. O que está ajudando a aumentar o número de animais nela, mas ainda não viram nenhum lobo. Ainda assim toda noite se ouve o lindo uivo solitário do Lobo.

Compadeço e compreendo completamente a dor 'dele'.

Diz ai pro Eriol: desgraçado, na próxima vez fale com todas as letras ao invés de enigma os quais eu só vá conseguir entender depois de anos.

Com muitas saudades Lobo.

Sakura estranhou. Não o nome na carta, até mensagens no telefone usavam os apelidos, mas sim o motivo de ele ter posto Lobo - que se referia ao da história - com letra maiúscula e aspas no'dele' e também...

-O que ele quis dizer com essa mensagem Eriol? – perguntou Sakura.

-Nada – Eriol tinha um sorriso enigmático e contente no rosto.

-Ta, finjo que acredito ¬-¬ Diz logo.

-Só ele pode dizer o que tem que ser dito.

-Ah Eriol não começa com charadas. Se ele demorou anos eu vou demorar séculos.

-Tem coisas que só um pouco de atenção é o suficiente para se perceber.

-Eu disse pra não começar .

Aquela festa monótona o estava entediando desde a hora em que chegara, mas fingia achar agradável, apesar de não mostrar emoções. Gostava de fingir ser imune às próprias emoções.

O casebre - que parecia mais com uma mansão - estava enfeitado numa elegância exagerada, quase como se dissesse explicitamente 'sou rico'. As pessoas se encontravam bem vestidas.

-'Fingidas' – não conseguiu não pensar vendo as pessoas forçarem muito a simpatia e os elogios.

Syoran sentiu o celular tocar e pediu licença com quem conversava. Ao ver qual celular que tocava foi para o jardim do lugar, ficou entre as árvores que ali havia – quase formando uma mini floresta.

-Cerejeira? – atendeu.

-Oi Lobo – a voz dela parecia não ter aquela alegria que sempre tinha – liguei em má hora?

-Não, na verdade agradeço, mas é madrugada ai. O que aconteceu?

-Nada. E aitambém é noite não?

-Me liga de madrugada e diz que é nada? – não deu ouvidos a outra pergunta.

-Só estou sem sono e resolvi te ligar. Afinal o que quis dizer com agradecer?

-Há, é que estou numa daquelas festas e queria escapulir de onde estava.

-Por quê?

-Não sei se já recebeu a carta que te escrevi... Sobre meu pai inventar de arranjar uma noiva pra mim.

-Chegou hoje. Estou meio á par da situação. Conseguiu convencer seu pai?

-Sim, já resolvi as coisas com ele. Falta conseguir tirar essa idéia da cabeça dos outros – suspirou.

-Na carta... Parecia que você já tinha encontrado alguém – não soube ao certo se aquele era um tom triste ou se era baixo por não querer acordar seu irmão.

Ouviu um barulho atrás de si.

-Me da só um minuto Cerejeira.

Virou-se e viu uma mulher, da sua idade. Sabia que ela era filha de... Alguém, não lembrava mais quem era filha de quem, depois de tantas que apareceram.

-Desculpe, não sabia que estava aqui – ela falou.

Ele sabia que era mentira, pois havia percebido que ela o vira, mas tinha que ser educado. Maldita hora em que seu pai dissera "agrade e seja gentil" até com os familiares deles.

-Tudo bem – e já ia sair pra outro lugar e retomar a ligação se a garota não tivesse falado.

-Não precisa sair. Desculpe se interrompi a sua ligação, mas perdão por perguntar. Quem é cerejeira?

Ele ia responder que era uma parente que gostava desse apelido, mas veio uma idéia melhor ainda em sua cabeça.

-Minha noiva. Sem querer ser mal educado, mas deixei-a esperando na linha.

-Ah sim claro, desculpe – e saiu quase correndo.

Syoran voltou à ligação.

-Cerejeira? – não houve resposta – Está ai? – Ouviu um leve farfalhar do outro lado da linha – Sakura?

-Desculpa! – ela parecia ter acordado de um transe.

-Eu ouvi um farfalhar, não me diga que você está no carvalho?

-Resolvi caminhar um pouco – falou sem graça.

-Isso é caminhar pouco? Você sabe que o carvalho não é nem um pouco perto da sua casa.

-E como sua noiva irá conviver com o apelido Cerejeira?

-Não muda de assunto.

-Então quer dizer que realmente arranjou e não me disse nada!

-Você está exagerado, além do mais.... – ela não o deixou concluir a frase.

-Esquece. Não quero saber. Achei que pelo menos me diria assim que achasse, mesmo que a carta não tivesse chegado.

-Mas...

-Esquece. Estou cansada e vou dormir.

-Cerejeira!– em resposta ouviu o "tuuuu" do telefone.

Sakura ao contrário do que dissera não foi pra casa.

Encolheu-se entre as raízes do carvalho e chorou.

Finalmente entendera o que Eriol queria insinuar com Tem coisas que só um pouco de atenção é o suficiente para se perceber.

Distraída da forma que era, nem percebia os próprios sentimentos, os verdadeiros sentimentos.

E agora era tarde. Ele já arranjara outra.

Nota da Asth: Pobre Sakura, parece que é impossível amar sem ter algum problema. Mas é assim mesmo!

N/A: Antes de mais nada desculpa . Minha antiga beta desapareceu e só agora consegui uma nova -.-' e também tive vestibular.

Arigato Asth por betar a fic o/

Bem gente é o seguinte a fic ta quase no fim i.i mais 2 caps e fim y.y

To pensando num extra, mas não vou prometer nada xp e ele tb seria curto nada longo.

Arigato a todos que acompanham a fic e esperaram pacientemente o/ (ou nem tanto xD) e postarei 2 caps na próxima vez \o/

#No próximo cap. Desentendimentos a mais ocorrem ... omg Sakura o.o .... Lobo? Mei????? .... No próximo cap. Diga

P.S.:se fico ruim essa sinopse ñ notem to enferrujada XD