Cap11 Diga 1

Sakura olhava o celular desligado.

Desligara devido à insistência dele tocar. Sabia quem era e não pretendia atender.

Queria até ouvir, mas não tinha certeza se ia gostar e preferia não arriscar. Nem sabia como reagiria, ou como se desculparia se fosse tudo um grande engano, o que diria? 'desculpa, perdi a cabeça porque acabava de descobrir o que sentia por você e senti o mundo acabar'

-Muito que irei conseguir dizer isso – falou desanimada.

Mas logo pensava: "e se ele dissesse que havia arranjado depois que mandou a carta? E queria falar pessoalmente?"

-Qualquer coisa menos isso – fechou os olhos e enterrou o rosto nas mãos, deixando o celular cair de qualquer jeito na grama.

Não ligava mais o celular, chegara a dizer que o perdera. Não abria mais as cartas, só as jogava dentro da gaveta onde as guardava junto com as outras de uma época em que tudo parecia mais simples e fácil.

Uma vez veio uma caixa onde havia um ursinho segurando uma rosa numa pata e na outra uma carta. Fez como fazia com as outras: tocava dentro da gaveta e quase deu o mesmo destino à rosa, mas resolveu botá-la num vasinho e deixá-la em cima da mesa e deixara o urso na sua cama – as vezes dormia abraçada a ele.

Ficava olhando a rosa e o ursinho e não conseguia frear sua mente sobre o que poderia estar escrito na carta. Uma vez chegou a abrir o envelope, mas não passou além disso, logo tocou de volta a gaveta.

Queria acabar com aquele sofrimento todo e ler de uma vez aquela carta, mas tinha medo de vir um sofrimento maior, tinha até medo da resposta desejada por não saber como iria encará-lo ou o que diria pra se desculpar.

Tomoyo e Eriol chegaram a falar com ela, mas ela não quisera ouvir e se mandara. Odiou-se por ouvir o que Tomoyo gritara.

-Ele não esta nem conseguindo trabalhar direito!

Evitava Syoran e agora Tomoyo e Eriol também, apesar de não ser tanto, só se afastava quando eles insistiam em querer falar sobre Syoran, o qual se tornou assunto proibido.

Tinha viajado para passar uns dias na casa de seu avô, férias, e agora que estava de volta apesar de não querer foi parar no carvalho.

Não parava de se perguntar "e se ele aparecer?"

Quando ouviu um barulho na mata quase dera um pulo, mas ao ver uma garotinha de uns 6, 7 anos saindo dela ficou meio que sem reação.

Ambas se encararam. A garotinha se aproximou.

-Oi – falou animada – me chamo Mei.

-Está sozinha?

-Moça tem que responder primeiro com o seu nome, e falta de educação não dizer.

Sakura com certeza estava ficando desconcertada com aquilo, e até com vontade de rir pelo jeito da menina.

-Sou Sakura. Agora me diga, você veio sozinha até aqui?

-Já sou grande pra ir sozinha aos lugares.

-Grande? Que idade você tem?

- 8 anos – inflou o peito.

-Ainda é uma criança. Não deve andar sozinho por ai, é perigoso, ainda mais numa floresta.

Sakura não conseguiu não pensar "olha quem fala".

-Você não é minha mãe pra me dizer o que fazer – fez cara de emburrada.

-Por que veio pra cá?

-Só fui caminhando, quando vi cheguei aqui.

-"Conheço essa história" – pensou – O que aconteceu?

-Como assim?

-O que aconteceu para você só vir caminhando até aqui.

-Só deu vontade de caminhar.

-Posso te conhece só há alguns segundos, mas tenho certeza que você não veio até aqui por vir.

-Árvore grande essa não? – falou Mei olhando o carvalho.

Sakura entendera o recado e resolveu deixar por isso mesmo, quem sabe conquistando mais a confiança da garota ela falasse algo.

Acabou que só estava conseguindo falar sobre trivialidades, mas conquistara a garota, principalmente quando ela falou.

-Posso te chamar de mãe?

-Que?! ._.

-Vai Tia Sakura me deixa te chamar de mãe.

-Não posso você tem uma mãe e...

-Você não vai ocupar o lugar da minha verdadeira mãe, só me deixa te chamar de mãe.

-Bem... Ok então, se ela não for se chatear por isso.

-Ela não vai ^-^

Ouviu ao longe passos apressados que iam se aproximando.

-MEI!!

Essa voz....

-Pai! – falou a garotinha se levantando e indo em direção a mata, mas antes que entrasse um homem saiu dela.

Sakura não teve mais dúvidas, era ele.

-Mei que idéia é essa de.... – ele parou de falar ao avistar Sakura.

Sakura nem conseguiu encará-lo se levantou, pretendia sair dali. Ainda mais com essa: ele tinha uma filha.

-Sakura espera – Syoran a alcançou e segurou seu braço.

-Eu tenho um compromisso agora preciso ir – se livrou dele sem olhá-lo.

-Sakura espera só um minuto pra eu poder esclarecer.

-Não quero saber. Ainda mais essa de uma filha que pra falar a verdade nem tem como ter 8 anos, a menos que tenha mantido isso em segredo há mais tempo. Tchau! – saiu em disparada, já estava se segurando ao máximo pra não chorar.

Sakura não queria, mas voltara ao velho carvalho.

Não saíra de casa, mas não conseguia se acalmar lá. Resolveu caminhar e acabara voltando pro carvalho. Ali era o único lugar onde sentia algum conforto.

Quando ouviu um barulho na mata chegou a se levantar, mas era só Mei.

Que parecia com uma cara realmente triste.

-Podemos conversar? – ela perguntou olhando pro chão.

-Claro, mas já vai escurecer. – Sakura respondeu e voltou a se sentar.

Mei sentou ao seu lado dizendo que não tinha problema. Ficaram um tempo em silêncio e Mei achou um graveto. Ficou brincando com ele antes de começar a falar.

-Sabe... – começou Mei olhando fixamente para o graveto com o qual brincava – meu pai ficou realmente triste ontem quando você foi embora sem dar chance pra ele se explicar. Eu queria ajeitar as coisas já que foi minha culpa – ela respirou fundo - Syaoran não é meu pai de verdade, ele é primo da minha mãe... Meu pai verdadeiro morreu, nem o conheci. Minha mãe também morreu, mas recentemente. Eu até tenho um padrasto, mas não nos entendemos. Nós realmente somos estranhos vivendo juntos. Conheci tio Syao no enterro da mamãe. Ele foi o único que realmente me entendia. O jeito com que ele se preocupa comigo creio que deve ser o jeito que um pai de verdade deve se preocupar. Ele diz que até posso chamá-lo de pai, mas quando estamos só nos dois ou alguém que sabe da história. Ele também já tentou fazer eu e o meu padrasto nos entendermos, mas não tem jeito. Não é o mesmo do que ele e o pai dele.

Sakura não sabia o que sentia, mas a puxou pra mais perto de si a abraçando e a garotinha retribuiu.

-Também perdi meus pais ainda pequena. Mas foi o inverso na ordem.

-Você tinha madrasta?

-Não.

-Então com quem você ficou?

-Eu tenho um irmão mais velho.

Ficaram em silencio um tempo até Mei se pronunciar de novo.

-Agora perdoa o papai e vira a minha mãe.

-Como? o.õ

-Eu quis dizer pra vocês ficarem juntos ^.^

-Ele já não é comprometido o.õ?

-Não. Por que achou que ele era?

Novamente a conversa é interrompida por passos e novamente Syoran aparecee do meio da mata.

Mei se levantou alegre indo em sua direção.

-Pai, eu resolvi tudinho ^-^

-Tudo o quê? o-õ

-Mamãe agora irá te perdoar ^.^

-Que mãe? ._.

-Ora, aquela mãe – apontou pra Sakura – Diz pra ele mãe.

Sakura não conseguiu evitar rir da cara de "boiei" de Syoran.

-Conversamos outra hora – falou Sakura – leva essa aí pra casa.

Syoran olhou de uma pra outra até que disse.

-Espera aqui que já volto, não fuja – falou Syoran, e fez Mei andar pra dentro da mata.

Sakura jurou ter ouvido Mei gritar 'vai com mais calma'.

Agora se sentia mais tranqüila pra falar com ele, só precisava pensar no que iria dizer.

-Ai Deus, eu não pensei nisso.

Começou a sentir vergonha do escândalo que fez, o que talvez pra ele parecesse pouco.

Ficou viajando em seus pensamentos sobre as possibilidades de sumir enquanto ainda dava ou pensava numa coisa convincente para falar.

Novamente os passos, bem rápidos.

Ao olhar para a figura que sai da mata, notou que já era bem tarde, mas a lua estava dando uma boa luminosidade. Via que ele arfava.

Levantou-se e nem precisaram dizer uma palavra, se abraçaram.

Ele a apertava e ela fazia o mesmo.

-Desculpa, eu... Eu... – falou Sakura tentando achar a desculpa que ainda não achara.

-Acho que foi um pouco min. Acho que te dei motivos pra pensar errado. Não precisa se desculpar.

-Eu pensei que fosse te perder – falou Sakura com o rosto enterrado no peito dele.

Syoran tentou a afastar para encará-la, mas ela não cedia.

-Cerejeira será que dá pra olhar pra mim?

-Não. Já é embaraçante eu descobrir que fiz tempestade num copo d'água. Não vou conseguir te encarar.

Syoran sorriu e voltou a abraçá-la.

-Você me fez ficar numa tempestade marítima não dando sinal de vida ou de que estava lendo as cartas – falou baixo – você não leu nenhuma sequer?

-Não.

-Nem a do urso?

-Não.

Ele suspirou.

-Pretende ler agora?

-Sim.

-Então me deixa falar o que está lá, mas dá pra me soltar um instante e me encarar?

-Não dá pra falar sem eu te encarar?

-Preferia dizer isso olhando nos seus olhos, mas já que quer assim – respirou fundo – você não estava errada quando disse que parecia que eu já havia encontrado uma noiva....

Sakura congelou e esperou ele continuar.

-O único problema é que ela se tornou minha noiva sem nem sequer saber e nem sabe do que eu sinto – ele fez uma pausa, como se escolhesse o que dizer – no nosso ultimo telefonema, não sei direito o que você ouviu.

-'Minha noiva. Sem querer ser mal educado, mas deixei-a esperando na linha' Você disse isso.

-A partir daí fui considerado comprometido.

-Mas você não estava falando com ela? – Sakura finalmente se afastou.

-Se aceitar o pedido – a encarou.

-Mas ela ainda não aceitou o.õ

Syoran riu.

-Falar com outras palavras.

Ele se afastou e tirou uma caixinha de veludo do bolso passando a mão pelos cabelos, gesto que Sakura reconhecia como nervosismo puro.

-Por mais que essa sua distração seja um defeito em você, gosto dele, gosto de tudo em você. Sempre gostei só não percebia como era esse gostar e achava que era só amizade ou como uma irmã. Mas foi quando eu estava naquela cidade, de onde pertencia a carta sobre o lobo, que percebi o que sentia por você, meus uivos me fizeram ver – novamente passou a mão pelos cabelos antes de abrir a caixinha e estender a Sakura enquanto falava – depois do que ocorreu após o telefonema resolvi para de perder tempo e Sakura.... Quer ser Minha flor de cerejeira?

Sakura não sabia o que fazer. Até dizer um maldito sim parecia impossível naquele momento em que só olhava para a aliança que reluzia com o brilho da lua.

Mas o momento de tensão foi quebrado com um barulho junto de um grito.

-EEEEEEE!!!!!

-Mei?!!! – gritaram juntos.

-Papai pediu mamãe em casamento – saiu pulando de trás de uma moita.

-Mei o que faz aqui? – perguntou Syoran, ainda um pouco surpreso, mas já botando o tom severo na voz.

-Queria ver essa cena *-*

-Mesmo que quisesse não deveria ter vindo ò.ó já deve passar da sua hora de ir pra cama.

-Hoje é dia pra festejar – Mei fazia uma dancinha.

-Mei! – falou Syoran mais severo o que fez Mei parar.

-Ta to indo pra casa.

-Sozinha é que você não vai!

Syoran novamente se viu naquele impasse, queria ficar e receber uma resposta, mas tinha que levar Mei pra casa.

Porém sua atenção se voltou completamente a Sakura quando esta pegou a caixinha e pegava a aliança.

-Conversamos melhor depois, leve-a – Enquanto botava a aliança no dedo.

-Talvez não fosse tempestade num copo d'água – Syoran puxou-a para um beijo.

Sakura sentiu-o se afastar com esforço e sair andando com Mei.

Agora não se importava de ter sido um beijo rápido, teriam mais tempo e o usaria para dizer o que não havia dito antes.

N/A: FIM. THE END.

O próximo capitulo será na visão do Syoran, então vou deixar pra falar lá.

Nota da Asth: Que bonitinho! Os dois já estão juntos! \o/