O primeiro amor à gente nunca esquece; ainda mais quando se tem a certeza de estar diante de sua alma gêmea. De estar diante da pessoa que te faz perder o sono, te faz sair de si quando a toca e a beija. Assim podemos dizer ser o relacionamento de Haruka e Michiru. Duas garotas eternamente apaixonadas.

Passaram-se 8 anos desde daquele 1º encontro. Encontro onde selaram seus destinos como guerreiras. Não. Não foi somente o fato de já estarem predestinadas a estarem juntas como guerreiras que as uniam ainda mais. É muito mais profundo que isso. Tão profundo quanto à imensidão do mar e o infinito do céu: o amor.

Sim. O amor que as uniam era de fazer qualquer um pedir para estar apaixonado e desejar ter alguém ao lado por toda a vida.

Amor esse que as consumiam dia a após dia a ponto de não mais saberem viver uma sem a outra. Três anos atrás, ou seja, no quinto aniversário de namoro, oficializaram a relação em uma cerimônia íntima com a presença de suas amigas, companheiras de lutas passadas e com os pais de Michiru e Haruka.

A aceitação desse fato no começo foi digamos, que, contraditória para as duas famílias. A princípio não estavam a favor e houve muita discussão e interferência dos pais para que essa união não fosse realizada.

Nada do que faziam ou falavam surtia qualquer efeito que fizesse com que as jovens mudassem de idéia. Até mesmo sobre a questão de filhos e tudo mais que pudesse envolver o assunto "família".

O que fizeram foi justamente aumentar ainda mais o desejo que ambas tinham de ficar unidas para sempre.

- Lembra Ruka... - falava uma rouca Michiru que acabara de acordar-lembra-se do nosso primeiro encontro e de tudo que acarretou nossas escolhas?

- Lembro de todas as maneiras. Lembro, aliás, do tempo que fazia: um dia ensolarado, me preparava para uma corrida. Kami-sama!!! Lembro até de ter sido meio rude no começo. Mas depois... - dizia Haruka, passando a mão pelos cabelos esverdeados e macios de Michi. - aquela visão de você, me fez ruborizar pela primeira vez em minha vida.

- Ara!!!!! A grande Tenoh Haruka-san em um momento de sinceridade e humildade? – bom, digamos que essa frase foi pura ironia – mas, você não ficava atrás Ruka. Aquele uniforme a deixava tentadora. – sorri com as mãos nos lábios.

- Convenhamos sereia. É quase impossível não olhar pra mim.- falou a tão humilde Haruka e claro não poderia faltar o ataque de seu sorriso encantador e sua passada de mão jogando os cabelos para trás.

Realmente, essa brincadeira de Haruka veio com um pouco de verdade e Michiru sabia muito bem o quão irritante poderia ser passear com a velocista, pelas avenidas, sem serem notadas. Seja pela imensa multidão de homens com os ferormônios a flor da pele para chegar perto de si para uma foto, seja pela multidão de garotinhas apaixonadas e loucas por um autógrafo de Tenoh.

Aproveitou que Michi encontrava-se distraída em lembranças e roubou-lhe um beijo doce e demorado, afinal era sua esposa. Finalmente aquela sereia era sua, somente para si. Passaram-se 5 anos para que a atual situação que agora vivem, ser possível. Mas agora é real, e a prova de tudo isso era a aliança de ouro branco em sua mão.

Haruka lembrara como se fossem ontem quando enfim tomou coragem suficiente para pedir sua sereia em casamento.

****** Flashback******

Era noite. Uma noite típica de filmes românticos. O ar estava com perfume de dama da noite. A lua estava cheia, o céu repleto de estrelas cintilantes, além de um friozinho leve, que serviria de desculpa perfeita para se ganhar um abraço.

Haruka estava ansiosa. Havia preparado tudo para que aquela noite fosse realmente perfeita. Arrumou desde as velas até a trilha sonora mais adequada para deixar a noite com clima romântico; dando margem para diversas situações agradáveis, se é que podem imaginar queridos leitores.

O que não faz uma mente apaixonada para surpreender quem ama? O jantar era para comemorar o quinto ano que estavam juntas e seria esse o dia perfeito para pedir sua sereia em casamento.

"- Estamos comemorando bodas de madeira – pensa Haruka – mesmo que ainda não seja de maneira oficial; mas nesta noite, nesta noite tomarei minha bela deusa do mar. A pedirei em casamento. Kami-sama que me ajude. Tenho certeza que irei surpreender a minha sereia". – terminava de colocar a garrafa de champanhe francês no balde de gelo.

O jantar estava pronto, graças a ajuda que teve de Hotaru e Setsuna, porque sozinha na cozinha, Haruka é uma negação ou então possui instinto Nero, o incendiário, talvez. Seria um tanto arriscado que Tenoh Haruka arrisca-se a se aventurar e fazer o jantar sozinha, visto que da última vez que quis fazer uma surpresa para todos no café da manhã colocou fogo em metade da cozinha por conta de meras torradas.(realmente impressionante leitores, nem me pergunte como consegui Haruka fazer tal façanha – risos) Imagina então deixar Haruka assar um peru a 120º, forno baixo? A reforma da cozinha tinha saído um pouco salgada, já que fora a própria Tenoh quem teve que arcar coma reforma.

Então eis que surge o motivo de tão belo e romântico jantar: Michiru.

Lá estava ela, linda como sempre em um de seus vestidos que deixava evidente suas belas curvas. Era um vestido em degradê verde, de tecido leve. Seu cabelo estava preso com uma trança estilo medieval com algumas flores e finalizando o penteado como um broche em forma de estrela do mar na cor verde escuro com pequenos brilhantes.(Tinha certeza que tinha custado os olhos da cara, mas era só um detalhe.)

- Kami-sama Michi, tudo isso é só para mim? Não estou tendo uma miragem não? – Haruka exclama e esfrega os olhos temendo ser apenas mais um de seus sonhos.

- Ara Ruka-chan, eu miragem? Desde quando? Quer um beslicãozinho ou uma mordidinha? – ri de seus pensamentos com sua parceira. E você realmente se superou não honey? - Michiru falava com um sorriso desdenhoso - fez tudo isso e não queimou nem um pedaço da cozinha?

Haruka ria com graça da ironia de sua Sereia. Tinha certeza que de todas, essa era a sua melhor qualidade.

- Pois é Sereia. Digamos que a minha beleza não seja apenas minha única qualidade. – ajeitando o cabelo e arrumando o blazer. Estava com uma calça social preta, uma camisa azul clara com os dois primeiros botões abertos, revelando um decote discreto, seu pingente de cruz e blazer preto, algo bem esporte. E para completar tinha estampado no rosto seu melhor sorriso.

Então as duas se aproximaram. Seus corpos já pareciam irradiar eletricidade quando estes se encontravam próximos. E beijaram-se. Um beijo demorado nos lábios da sailor dos mares deu a sailor do vento. Aqueles lábios que a cada dia a deixava mais hipnotizada. Era a sua droga, seu vício mais forte: os lábios da Sereia.

Então se separam devido a falta de fôlego.

- Ruka.... – Michiru faz uma pausa – cada ano que passa você faz uma surpresa para mim e o máximo que pude pensar foi esse relógio.

Pega o relógio em suas mãos e vê que há algo escrito:

"Parabéns pra nós Haruka! São cinco maravilhosos anos ao seu lado. Não sei o que faria se não estivesse comigo, pois, as ondas do mar não podem mover-se sem a graça de seu vento. Te amo!"

"Michi"

- Oe Michi. Não tem com o que se preocupar. Adorei o relógio e tenho certeza que esse não será meu único presente já pensando no que estaria por vir depois do jantar.

- Ara Ruka. Não estraga minha surpresa! – ri ruborizada

O jantar foi o mais maravilhoso e romântico que já puderem ter nesses cinco anos. Foram então para fora dançar a beira da piscina, onde Haruka já havia pedido para Hotaru deixar o som preparado para elas. Naquele doce momento de estarem assim juntinhas dançando, Tenoh sentiu que era o momento mais apropriado para pedir Michi em casamento. Parou a dança de repente, fazendo com sua parceira a fitasse nos olhos.

Tenoh podia ver claramente o olhar de Michi com um misto de confusão e surpresa que dizia "porque se afastou de mim?" Tenoh adorava essa expressão de sua amada, com jeitinho de "quero mais" fazendo-a rir. Foi então que tomou uma das mãos da sua amada e ajoelhou-se frente a ela.

-Michiru, eu sei que estamos juntas a exatos cinco anos e eu tinha certeza que desde do momento que te vi, precisaria de você, ou melhor, teria a necessidade de ter você ao meu lado. As lutas, o fato de termos morrido duas vezes me fez apenas amá-la ainda mais e queria saber se aceitaria passar o resto da vida comigo: uma simples mortal que talvez seja capaz de te trazer felicidade. Você Kaiou Michiru aceitaria se casar comigo? - disse isso quando tirou um anel do bolso do blazer e mostrou para ela. Era um anel de vários brilhantes que brilhava o suficiente para iluminar uma cidade (que hora eu procuro pra fazer piada...)

Michiru não sabia o que fazer. Estava ali a olhar sua amada diante de ti a pedir-te em casamento. E sua parceria ali, ainda ajoelhada, esperado por uma resposta. De imediato a primeira reação de Michi veio com uma lágrima cristalina que brilhava com a luz do luar, enquanto descia por sua face de tamanha felicidade.

- Claro que aceito Haruka! Kami-sama!!! Que emoção! Acredite se quiser; estou sem palavras, te amo tanto que nem sei...Realmente Haruka, cada ano que passa você só tem me surpreendido.

- Claro, senhora Tenoh, afinal meu dever é agradar a minha esposa - nisso coloca o anel no dedo de Michiru.

- Então honey prepare-se que minha surpresa não ficará atrás, afinal também tenho que agradar minha esposa - insinuações a parte esse aniversário digamos foi o mais interessante.

****** Fim do flashback******

- Então, Haruka são seis horas e você como bom "pai" que é tem que levar a Hotaru no colégio.

- Ela tem mesmo que ir pro colégio Michiru? Veja bem, faltando menos de um mês para as férias de verão e a hime já fechou esse semestre antes do outros alunos. Quer mesmo que eu me levante? - joga charme pra ela.

- Ara Haruka! Francamente!! Eu e Setsuna temos tanto trabalho pra criá-la e você sempre vem com maus exemplos. Que pensaria o senhor Tome a ouvir tais palavras? Vai achar que somos irresponsáveis com sua filha.

- Oe, oe, não diria que sou mau exemplo; apenas a levo pra o lado mais divertido das coisas.

- Touché Tenoh-san. Agora levante-se como uma boa esposa, e me faça companhia arrumando as coisas aqui para tomarmos café da manhã.

- Tem certeza que só quer minha companhia sereia? É que a cama ainda está com seu perfume. Está sendo difícil para mim ter que sair desse ninho de amor.

- Vamos Tenoh. Por mais que você seja tentadora com essa camisola semitransparente, (sim camisola. Tenoh queria fazer uma fantasia para sua amada, e sair da rotina do velho samba canção e camiseta, se bem ela faz sucesso na cama com qualquer roupa. Ou seria sem roupa alguma? o.O bem fica a critério dos leitores), temos deveres a fazer e não somente pensar em nós honey! – Michi levanta e tira o lençol da cama, derrubando uma certa velocista no chão e rindo da travessura.

Ok, ok. Michi-san, Você venceu. – mostrando bandeirinha branca de rendição. – mas se prepara que depois terá volta, a se terá. Declarou guerra contra uma Tenoh. Não terá chance quando eu voltar querida. – levanta-se massageando a região glútea e indo para o banho. (ah sim! A casa das outers senshi era um lindo sobrado com um enorme quintal com piscina nos fundos para eventuais visitas das demais garotas e reuniões de família.).

- Haruka meu bem, não ouvi reclamações vindo de sua parte ontem à noite. – disse aproximando-se. – chegou a ser divertido te maltratar.

- É; talvez porque estejamos casadas e meus deleites de prazer estejam virando rotina. É sempre bom variar um pouco.- disse beijando demoradamente nos lábios. Michiru não tinha como evitar. Os lábios foram apenas o começo. Haruka tinha que provar todo o seu corpo. Estava em seu pescoço agora mordiscando e beijando aquela pele doce.

- Não Haruka..-disse com uma voz rouca – tinha que resistir ao desejo de ter Haruka agora, afinal Hotaru tinha que ir pra escola e como bons pais tinham que deixar os desejos egoístas de lado e partir para a responsabilidade(droga de responsabilidade)- Haruka..a Hotaru vai pra escola daqui a meia hora, eu tenho que arrumá-la e fazer o seu café,eu prometo que te recompenso depois.

- Então nada me resta a não ser um banho frio.

Michiru já havia descido e se encontrava na cozinha preparando o café. Nesse exato momento Setsuna aparece.

- Bom dia Michiru-san.

- Ohayo Setsuna-san, dormiu bem?

- Desde que troquei de quarto tenho tido as melhores noites de minha vida.- disse tomando um gole do seu chá verde.

- Que bom né?-Diz uma Michiru ruborizada.

- Mas cadê a Haruka e a Hotaru? Que eu saiba é a vez dela de levá-la a escola.

- Ara, dou apenas três segundos para a cavalaria estar solta.

- Do que você est..-foi cortada uma confusa Setsuna com um barulho de milhares de pés e risadas no andar de cima.

- Há! Vou ganhar de você hoje Haruka-papa!

-Não se eu puder evitar Hime-chan!

- Isso é o que vamos ver!

E assim desceram as duas crianças da casa: uma de 7 anos e outra com a idade mental de 5 anos.

- Ganhei!

- Sorte Hime-chan.

- Bom dia "crianças".

- Bom dia Setsuna-baachan.

Existem vários pecados no mundo, mas chamar Setsuna de velha ou avó como foi o caso, é o mais grave de todos. Só os corajosos ou obtusos ousariam falar tal coisa. Advinha em qual classificação encontrava-se Haruka? Afinal, só por ter vivido mais de 3000 anos não quer dizer que seja velha, certo?

- Não vou discustir com você hoje Haruka..Estou atrasada volto na hora do jantar certo? Tchau Hotaru-chan, Michiru-san e Baka-kun.-disse abaixando-se pra beijar Hotaru e sai pela porta.

- Você adora provoca-la né Haruka?

- Pois é Haruka-papa.

- Desculpa minhas senhoras, mas faz parte da minha natureza.

- Então está certo. Toma seu lanche Hotaru e Haruka....Limites de velocidade respeitados, nada de perseguições policiais e coloque o cinto em Hotaru, me ouviu?- disse apontando para a velocista.

- Sim senhora!-respondeu batendo continência

- Vai sua Baka..-disse rindo e dando um beijo rápido em seus lábios.

- Vamos nessa Hime-chan!

- Sim Haruka-papa.

Setsuna tinha mesmo razão, havia duas crianças em casa.