Enquanto os pensamentos tomavam conta da mente de Haruka, algo lhe mexia por dentro. Não sabia bem o que era, ou como explicar a possibilidade de, se fosse possível, conceber um filho que fosse seu e de sua Michi. Nesses anos todos, nunca havia parado para pensar nesse fato. Pelo menos não até aquele momento em que estava com seus amigos no box da equipe.

- Está certo, acho que posso fazer minha sereia mais feliz ainda se ela assim desejar, mas o problema é: como eu faria isso? – pensava Haruka já em cima da moto preparando-se para voltar para casa.

No parque da cidade, três figuras passeavam alegres, rumo à casa das outers. Eram Serena, Rini e Hotaru. Setsuna havia levado Hotaru para a casa da Serena para brincar com Rini, e esta mais tarde levaria Hotaru para casa, aproveitando o estado em que se encontrava, faria bem uma caminhada e aproveitaria para fazer um pedido a Michiru.

- Olhe Hotaru, o meu irmãozinho está se mexendo na barriga da mamãe. Sente como ele brinca. – Rini trazia a mão da amiga até a barriga de sua mãe, para sentir os movimentos do bebê.

- Nossa! Como ele se mexe bastante aí dentro. É muito legal. Será que minha Michiru–mamá também vai poder me dar um irmãozinho um dia? É que às vezes em sinto tão sozinha. Claro que você Rini, é minha melhor amiga, mas queria alguém para poder brincar por mais tempo. – faz carinha de carente.

- Olhe Hotaru, - Serena abaixava-se perto da pequena. Acredito que tanto Michiru, quanto Haruka fazem de tudo para fazê-la feliz, e dar a você tudo o que for necessário. Mas daí a te dar um irmãozinho, eu não sei como seria. Mas até lá; que tal irmos até aquela sorveteria antes de chegar em casa?

As duas crianças respondem "sim" em coro, animadas com a idéia, e saem logo à frente de Serena para escolherem seus sabores favoritos.

- Céus, como falar para a Hotaru que tanto Michiru como Haruka não podem lhe dar um irmão? A não ser que... - Serena pára por um instante ao pensar que poderia interferir de alguma forma -. Não, não, não. Isso seria loucura demais. Haruka não estaria disposta a...

Completaria seus pensamentos se não fossem por duas pequenas a lhe chamar a atenção para a enorme taça de sorvete que pediram.

- Tem certeza que vocês irão comer tudo isso? – Apontava Serena para a taça de seis bolas de sorvete com calda e granulado mais canudinhos de biju.

- Sim mamãe. Iremos comer todas juntas, já que aqui tem nossos sabores favoritos não é mesmo Hotaru.

- Claro, e fica mais divertido comer com mais gente, não é mesmo Rini?

- Sim é divertido, mas também acaba rápido. Mamãe essa última colher era minha, sabia? – fala a Rini com cara de pidona.

- Mas querida, seu irmãozinho queria experimentar e não poderia deixar com vontade. – dizia Serena com o mesmo ar maroto de quando ela e Darien se conheceram.

- Vamos logo então, senão fica muito tarde e ainda preciso fazer um pedido para a Michiru antes de Darien chegar para nos levar para casa.

- Mas, que pedido é esse que você vai fazer para a Michiru-mamá? – indagava Hotaru.

- Bem, será um quadro que quero dar de presente para o Darien. – dizia Serena imaginando como seu amado iria reagir ao receber tão inusitado e ao mesmo tempo encantador presente.

Só não imaginaria ela, que esse presente iria provocar grandes revoluções em certo casal. Muitas mudanças estariam para acontecer no momento que fosse feito esse quadro.

Chegando á casa das outers, Michiru de longe poderia ouvir as risadas de Hotaru e Rini se aproximando, com suas brincadeiras e travessuras.

- Michiru-mamá, Rini e sua mãe estão aqui. Você fez aqueles bolinhos gostosos pra gente comer?

- Claro que sim. Vamos pegar as bandejas e enfeitar e poderão ficar lá varanda, enquanto converso com a Serena.

Já no ateliê, Serena estava sentada em uma das poltronas feita de palhas e bambus, com almofadas floridas, admirando as belas telas e também algumas flores que ali havia. Na verdade, era um painel com flores trepadeiras que formava um muro vivo cheio de cores e perfumes.

- É maravilhoso. Lindo, exatamente o que eu precisava. – suspirava Serena ao contemplar a linda paisagem que ficava mais bela ainda com o por do sol.

- O que houve Serena? – indagava a jovem pintora.

- É que, bem... – Serena estava meio envergonhada de expor sua idéia, mas manteve-se firme e continuou. – é que eu gostaria que você pintasse uma tela para mim. Na verdade eu quero que você me pinte no quadro, estando eu envolvida por algumas faixas em degrade rosa, azul e lilás, deixando apenas evidente o meu ventre. Quero presentear Darien com esse quadro. Acha que seria possível?

- É um presente lindo Serena, estou lisonjeada por tal pedido. Quando que uma guardiã do reino poderia pintar um retrato de um dos membros da família real, ainda mais este sendo a rainha em um estado tão agraciado! – Michiru dizia isso com certo ar melancólico e ao mesmo tempo cheio de alegria por poder fazer uma tela totalmente diferente das habituais.

- Bem, mas aqui não precisamos dessas formalidades Michiru. Eu poderia ir a qualquer outra pessoa, mas sei do seu bom gosto e sensibilidade para com as artes, por isso acredito que fará uma bela tela e talvez possa até exibi-la na grande exposição que será daqui um mês não é mesmo?

-Sim é verdade. Creio que Darien realmente irá se surpreender. E pensar que em outros tempos você era a nossa "cabecinha de vento", não é mesmo? Michiru ria ao lembrar-se dos velhos tempos de quando tudo começou.

- Ara Michi-san, e você tinha que lembrar esse apelido? – Serena passava a mão na barriga como instinto na forma de proteger os ouvidos de seu bebê. Endy ainda é muito novo para saber desses segredos de sua mãe. E as duas riram

- E a propósito como estão aquelas duas danadas? Estão muito quietas pro meu gosto – dizia Serena.

- Se estão quietas assim deve ser porque Setsuna chegou e deve estar entretendo elas com algumas de suas aventuras pelo portal do tempo. E isso de certa forma a deixa feliz, porque a missão de cuidar do portal não é tarefa fácil. O bom é que ela agora está trabalhando com o pai de Hotaru e isso tem deixado ela um pouco mais feliz. – contava Michiru.

- Ela está gostando do professor? Que meigo!!! Parece típica história de colégio versão adulta de a aluna e o professor – comentava Serena rindo, achando ótima essa idéia de sua amiga do tempo encontrar alguém.

- Psiu Serena, fale baixo. Não deixe ela desconfiar que sabemos disso. Não sabemos como poder ser a fúria de uma mulher controladora do tempo. – Michiru, fazia sinal de silêncio com o dedo indicador entre os lábios quando nota Serena diferente.

- Que foi isso agora? É impressão minha ou sua barriga mexeu?

- Sim, mexeu Michiru. Endy às vezes dá cada salta que me deixa sem ar. Está sendo complicado achar uma boa posição para dormir com esse enorme barrigão- Serena sorri, acariciando seu ventre.

- E... Eu posso pedir um favor Serena? Eu posso por a mão em sua barriga para poder sentir. Dá para ouvir também o coraçãozinho dele batendo?

- Bem, Darien diz que dá sim. E claro que pode sentir ele. E com certeza ele ficará muito feliz se puder ouvir uma boa música.

- Isso seria uma indireta para eu deixar algumas das minhas músicas gravadas para quando você vier para fazer a tela Serena?

Serena envergonhada, cora – Ara Michiru, suas músicas são tão e com certeza em deixaria bem mais a vontade.

- Está certo. Eu vou deixar.

Nesse momento Michiru se aproxima de Serena para tocar-lhe o ventre e encosta o ouvido para ouvir o pequeno ser vibrar no ventre de sua mãe. É quando, neste instante, Haruka chega de forma silenciosa e observa a cena.

- Serena, como ele pula! Acho que gostou de mim. Deve ser um estado de graça maravilhoso conceber uma vida não é mesmo?

- Olha, é algo que não dá para explicar. Claro que tem as partes chatas com os enjôos no começo, ou desejo de algo diferente, os pés inchados. Mas quando nasce e você pode ver a carinha dele, ou dela pela primeira vez, é uma emoção que não há como descrever. Só vivendo esse momento para poder entender de fato como é.

Haruka, da porta do ateliê, ouve a conversa e ao mesmo tempo sente na alma de sua amada certo vazio. Claro que ela sabia que não poderia passar pelo momento maravilhoso que Serena se encontrava. Mas faria qualquer coisa pra ver sua sereia feliz.

Nisso, seu celular toca, denunciando sua presença para as duas figuras que estavam lá dentro.

- Haruka? Tudo bem? É Darien. Creio que Serena esteja aí com vocês mais nossa filha. Fiquei de buscar elas, mas vou me atrasar um pouco no trabalho. E como que para variar, a cabecinha de vento da Serena esqueceu o celular em casa, queria saber se poderia levar elas até em casa.

- Claro, não tem problema nenhum. Aproveito e mostro umas manobras radicais pelas ruas de Tóquio. – ria ao falar assim para Darien.

-Por Deus Haruka!!!! Quero minhas coelhinhas sãs e salvas. Estou começando a achar que não foi boa idéia confiar meus tesouros em suas mãos, ou seria volante? Isso me faz lembrar que fios brancos começam a querer surgir na minha sedosa cabeleira negra.

- Ok. Foi só para descontrair. Pode ficar tranqüilo que as levarei com segurança. Afinal sou a melhor piloto do Japão ou já se esqueceu disso? E quanto aos fios brancos; nada que um xampu tonalizante não resolva o problema – ria ao imaginar a cena do Darien com pincel pintando as mexas do cabelo.

- E é justamente o que temia ouvir de você. – ria. E nada de xampu tonalizante não. Esses cabelos brancos não chegaram em mim tão cedo, eu acho!

- Nobre senhor, jamais deixaria que algo acontecesse as suas preciosas. – fala com a voz de quem deve respeito a um rei.

- Mas não precisa fazer cena de côrte real Tenoh. Aqui não precisamos disso. E muito obrigado pelo favor.

Como que saindo de um transe com o tocar do celular da Haruka, Michiru tem um estalo e repara sua doce amada a fitar-lhe com ternura.

- Quem era Tenoh?

- Era o Darien. Ele pediu para que eu levasse certa cabecinha de vento que esqueceu o celular até em casa porque ira sair atrasado do trabalho, - falava isso olhado para Serena que fazia cara de reprovação ao ouvir tal apelido que seu marido tão carinhosamente, às vezes a chama.

- Ara Haruka, até você me faz lembrar o Darien falando assim. Não tem jeito mesmo. Acho que não vou conseguir ficar livre desse apelido tão cedo não é mesmo? E que cheiro bom é esse?

- Pelo visto não é só o apelido que você não irá se livrar tão cedo, seu apetite também continua o mesmo, comentava Haruka.

- Ruka, há de convir que Serena nesse estado especial, deve sentir cheiro de comida á quilômetros de distância. – agora era Michiru que aproveitava carona no comentário de sua amada para fazer uma brincadeira. Se bem que o cheiro está muito bom mesmo. Que será que as meninas e Setsuna estão aprontando na cozinha?

- Tem um cheiro de especiarias. Parece algo muito bom e familiar- Haruka completava.

Saindo então do ateliê, as três, colocaram-se a caminha em direção a cozinha.

- Não acredito!! Arroz ao curry com frango xadrez? – Serena vibrava como uma criança em frente a vitrine de doces.

Estão com água na boca? E olha que vem muito mais por ai.

Aguardem os próximos capítulos.