Temporada de Chuva

Supernatural - Fanfiction

Capítulo 3 – Sapos

Era quase meia-noite quando ouviram pela primeira vez. Dean estava esticado na cama, cochilando, enquanto Sam estava deitado na cama ao lado, zapeando pelos canais da tevê. Não conseguia dormir, pois não parava de pensar na história contada pelos habitantes da cidade. Seria mesmo uma lenda? Ou seria...

Thump!

Sam levantou-se de um salto, com um grito abafado.

"Dean? Você ouviu isso?"

O irmão murmurou algo incompreensível. Ainda se encontrava na linha tênue entre sonho e realidade.

Thump!

Abriu os olhos, pulando da cama.

"Sam?"

"Dean, acho que..."

Ouviram de novo o mesmo ruído, de algo batendo, algo caindo no telhado acima de suas cabeças.

Thump! Thump!

"Deve ser verdade, Dean. Acho que estão realmente chovendo sapos!"

"Fala sério, Sammy", brincou o irmão, tentando disfarçar seus nervos, sem querer acreditar no que estava ouvindo. "Aqueles caras devem estar jogando um monte de pedras para nos assustar."

O ruído ficou mais forte, mais alto, repetindo-se.

"Você acha?"

Como que para responder a essa pergunta, o vidro da janela se quebrou, permitindo a entrada do ar frio da noite, que soprou as cortinas brancas para longe. E então aquilo estava diante deles, um sapo, não um sapo comum, mas um animal do tamanho de um antebraço humano. Ele abriu a bocarra, soltando um grito agudo e revelando uma fileira de dentes pontiagudos.

"Meu Deus, o que é isso?", Sam gritou, quase caindo para trás.

Dean pegou uma espingarda em cima da mesa e acertou no meio do animal, fazendo-o explodir em pedacinhos gosmentos, manchando as paredes do quarto de amarelo.

"Talvez eles tenham mesmo dito a verdade."

"Dean, olhe!"

Mais sapos entravam pela janela quebrada, todos idênticos ao primeiro. Assim que colocavam os olhos nos Winchester, abriam a boca e, gritando, exibiam seus dentes, famintos. Dean jogou outra arma para o irmão, e ambos começaram a acertar os sapos. Mas eram muitos.

"Eles não vão parar de entrar, Dean! Temos que ir para o porão, agora!"

Abriram a porta e atravessaram o corredor, em direção às escadas que levavam ao andar térreo. Era praticamente uma tempestade agora, com o ruído dos sapos batendo nas laterais do motel ficando cada vez mais ensurdecedor. Puderam ouvir outras janelas se quebrando através das portas fechadas dos outros quartos, além do grito agudo dos sapos.

"O que você acha que é isso, Sam?", gritou para o irmão, enquanto desciam correndo as escadas.

"Não faço a menor ideia, Dean. Mas parece que eles querem nos devorar."

A escada terminava ao lado da recepção do hotel, de frente para a porta de entrada. Ao chegarem lá, ficaram paralisados. A porta abriu-se num baque, com o peso dos sapos que se acumulavam ao seu lado, que logo tomaram a recepção, coaxando aquele estranho grito agudo. Dean entregou duas pistolas para o irmão, mantendo as espingardas consigo.

"O porão está do outro lado."

"Vamos ter que atravessar isso?!"

"Vamos ter que correr, Sammy. Agora!"

Sam disparou na frente, atirando em direção ao chão. Eram tantos animais que nem precisava mirar. Dean veio em seguida, explodindo-os com as balas de espingarda. O tapete verde que cobria o chão da recepção foi sendo tomado por um líquido amarelo e gosmento, que grudava nas botas dos irmãos à medida que passavam.

Chegaram à porta que dava ao porão. Dean buscou a chave nos bolsos, enquanto Sam continuava atirando nos bichos, que não paravam de entrar pela entrada do motel.

"Dean, mais rápido!"

"Estou tentando, Sammy!"

"Aaah!"

Um sapo havia passado pelas balas de Sam, mordendo com força sua perna esquerda. Dean virou-se e disparou um tiro de espingarda. Em seguida, virou a chave do porão e entraram, fechando a porta atrás de si. Os animais continuavam tentando segui-los, batendo seus corpos bizarros contra a porta.

"Você está bem, Sam?"

"Um sapo me mordeu. Me mordeu, Dean!"

Mostrou a perna para o irmão. O sangue escorria pelo ferimento aberto, manchando a bainha da calça. Mesmo assim, a mordida não havia sido muito profunda.

"Vamos procurar alguma coisa para parar o sangramento."

Desceram as escadas. Dean encontrou um interruptor, enchendo a sala de uma luz fraca, amarelada. Olhou em volta. Era um quarto pequeno, sem janelas, com diversas prateleiras cheias de caixas. Havia um forte cheiro de mofo no ar.

"Dean, não temos tempo para cuidar disso agora. Ajude-me a colocar essas caixas na frente da porta. Isso vai ajudar a segurá-la."

Começaram a mover as caixas, empilhando-as e cobrindo a porta com elas. Quando terminaram, sentaram-se no chão empoeirado. Sam havia encontrado um pedaço de pano limpo e amarrou-o em volta de sua perna ferida. Dean encostou-se na parede, segurando a espingarda.

"Dean? Quanto tempo acha que isso vai durar?"

Ele olhou para o relógio. Três horas da madrugada.

"Não faço ideia, Sammy."

Ficaram ali, esperando, enquanto escutavam o barulho dos sapos batendo lá fora.