Título: Manhã de Outono

Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Manhã de Outono" da autora Diana Palmer e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.

Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.

Esta é uma fic que se passa num universo alternativo...

N/A – Uau...acho que a fic não fez sucesso... mas já que comecei..vou terminar...Capítulo 2 pra vocês =)

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CAPÍTULO DOIS

Durante o restante da noite, tentou evitar Harry, grudando-se em Hina e Phillip como uma sombra, enquanto cui­dava das feridas emocionais. Harry parecia nem notar. Estava com Lilian e um dos congressistas mais jovens do grupo, imerso em uma discussão.

— Sobre o que será que eles estão conversando agora? — perguntou Phillip, dançando com Hermione pelo salão, embalados por uma das poucas músicas lentas do grupo.

— Sobre salvar cobras — murmurou ela, fazendo bico. Seus olhos estavam repletos de mágoa, escuros como jade.

Phillip suspirou profundamente.

— O que ele fez agora?

— O quê? — perguntou ela, erguendo o rosto corado e fitando os olhos divertidos e pacientes de Phillip.

— Harry. Não faz nem dez minutos que ele chegou e vocês dois já estão se evitando. Estão repetindo a briga!

Ela cerrou o maxilar.

— Ele me odeia, eu já falei.

— O que ele fez? — repetiu.

Ela olhou para o botão da camisa de Phillip.

— Ele disse... Ele disse que eu não podia ser promís­cua.

— Que bom para Harry — disse Phillip, com incômo­do entusiasmo.

— Você não entende. Isso foi apenas o início — ela explicou. — Impliquei com ele por não ser nenhum san­to, e ele retrucou dizendo que eu estava me intrometendo na vida dele. — Hermione ficou tensa ao se lembrar da raiva quente e pungente que emanava de Harry. — Eu não queria dizer nada em especial.

— Você não sabia de Delia? — ele perguntou delica­damente.

Ela o fitou, incógnita.

— De quem?

— Delia Ness. Ele acabou de terminar com ela — explicou.

Seu corpo esbelto foi dominado por uma onda de afli­ção, e Hermione se perguntou por que pensar em Harry com outra mulher lhe causava essa reação.

— Eles estavam noivos?

Ele riu suavemente, fazendo-a corar.

— Não. Ela está correndo atrás dele desde que ter­minaram o namoro, choramingando e enviando cartas. Você sabe como essas coisas podem afetá-lo. — Phillip a segurou e rodopiou-a, acompanhando a música, vol­tando a abraçá-la levemente. — Isso não melhorou em nada o humor dele. Acho que Harry ficou contente com a viagem para a Europa. Já faz mais de uma semana que ela não telefona.

— Talvez ele esteja sentindo falta dela — sugeriu.

— Harry? Sentindo falta de uma mulher? Querida, Você o conhece melhor do que isso. Harry é o verdadei­ro homem auto-suficiente. Nunca se envolve emocionalmente com as mulheres.

Ela estava brincando com a gola do terno de Phillip.

— Ele também não precisa descontar a irritação em mim — protestou, zangada. — Principalmente durante a minha festa de boas-vindas.

— Culpa do fuso horário — defendeu Phillip. Ele pa­rou junto com a música e fez careta quando o rock re­começou. — Vamos nos sentar um pouco — gritou, ten­tando fazer-se ouvir. — Minhas pernas se embaralham quando danço isso.

Ele a acompanhou pelo salão, até a varanda, conduzindo-a, amigavelmente pela mão.

— Não deixe Harry estragar sua noite — disse gentil­mente, enquanto se inclinavam sobre a balaustrada de pe­dra, olhando para as luzes da cidade, que brilhavam como jóias no horizonte escuro. — Ele teve uma semana difícil. Não foi fácil resolver a greve na fábrica de Londres.

Ela assentiu, lembrando que uma das maiores indús­trias têxteis da empresa estava instalada lá, e essa situa­ção sequer se assemelhava à primeira greve que havia prejudicado a produção.

— Aquela filial só dá problema — acrescentou Phillip, suspirando. — Não sei por que Harry não fecha essa fá­brica de uma vez. Temos indústrias o bastante em Nova York e Alabama para não permitir a queda da produção.

Ela brincava com as folhas enquanto ouvia a voz agra­dável de Phillip. Ele estava explicando como a empresa seria mais lucrativa se eles comprassem duas outras fá­bricas de algodão, incorporando-as ao conglomerado. Discorria sobre quantos eixos cada uma teria que operar, e como novos equipamentos poderiam aumentar a produção. E tudo o que ela ouvia era a voz intensa e furiosa de Harry.

Não era culpa dela que a amante rejeitada dele não aceitava "não" como resposta. E Hermione não precisava investigar a vida particular dele para saber que Harry tinha muitas mulheres. Seu rosto ruborizou ao pensar em Harry envolvendo uma mulher em seus braços fortes, com o torso nu e bronzeado, acolhendo um corpo delica­do contra seu peito musculoso, recoberto por uma leve penugem escura.

Ela ficou ainda mais vermelha. Estava chocada com os próprios pensamentos. Só tinha visto Harry sem ca­misa uma ou duas vezes, mas jamais esquecera aquela imagem. Ele era só músculos, e os pêlos negros que o cobriam todo o tórax enfatizavam sua virilidade. Não era difícil entender o efeito que ele causava nas mulheres. Hermione tentava não pensar nisso. Ela sempre fora ca­paz de separar o Harry que fazia parte da sua família do Harry arrogante e atraente, que cativava todas as mulhe­res, onde quer que estivesse. Pensou fixamente em seu rosto obscuro, e tentou se lembrar que ele a vira crescer — da infância à adolescência — até se tornar mulher, e sabia muito sobre ela para achá-la atraente. Ele sabia, por exemplo, que ela atirava objetos na parede quando ficava nervosa, que nunca enchia as fôrmas de gelo. Sa­bia que tirava o sapato na igreja e que subia em árvores para se esconder do padre, quando ele ia visitá-la, nas tardes de domingo. Sabia até mesmo que, às vezes, ela jogava a roupa suja atrás da porta e não no cesto. Hermione suspirou pesadamente. Ele sabia demais.

— Hermione! Ela assustou-se.

— Desculpe, Phil — disse rapidamente. — Meus pensamentos se perderam na noite. O que você estava dizendo?

Ele balançou a cabeça, rindo.

— Não importa, querida. Não era nada importante. Está se sentindo melhor agora?

— Eu não estava bêbada — defendeu-se.

— Não, só um pouco tonta. Três taças de ponche, não? E a mamãe despejou toda a garrafa de rum no drinque, para a alegria de nossos convidados.

— Não percebi que estava tão forte — admitiu Hermione.

— Tem efeito cumulativo. Quer voltar lá para dentro?

— Precisamos voltar? — perguntou. — Não podemos escapar pela porta dos fundos e ir ver o novo filme de ficção científica que está passando na cidade?

— Fugir da própria festa? Que vergonha!

— É, estou envergonhada — concordou ela. —Mas podemos?

— Podemos o quê!

— Ir ver o filme. Por favor, Phil — implorou. — Sal­ve-me dele. Eu minto para a Lilian e digo que seqües­trei você, sob a mira de um revólver.

— Você vai fazer isso? — perguntou Lilian, rindo. — Por que você quer seqüestrar o Phillip?

— Tem um filme novo de ficção científica e...

— E assim você ficaria longe de Harry até amanhã de manhã, é isso? — adivinhou a mãe de Phillip.

Hermione suspirou, apertando as mãos.

— É — admitiu.

— Bem, ele já foi embora. Ela ergueu os olhos rapidamente.

— Harry?

— Sim, Harry. — Lilian riu suavemente. — Recla­mando da banda, do ponche, dos políticos, do fuso horá­rio, dos sindicatos, da poluição, das mulheres. Eve quase chorou de alívio quando ele disse que ia se retirar.

— Espero que ele tropece pelo caminho.

— Você é muito maliciosa, não? — perguntou Phillip, implicando com ela.

Lilian curvou-se, cansada.

— De novo, não. Sinceramente, Hermione Granger, essa guerra eterna entre você e o meu filho mais velho vai me deixar com úlcera! O que ele fez dessa vez?

— Disse que ela não podia ser promíscua — reve­lou Phillip. — E ficou zangado quando ela disse que ele a tratava de uma maneira, mas agia de modo contrário consigo mesmo.

— Hermione, você não disse isso para o Harry! Hermione parecia um pouco desconcertada.

— Eu só estava brincando.

— Querida, sorte você não estar próxima a nenhum poço onde ele pudesse jogá-la — Lilian disse. — Ele está completamente mal-humorado desde que Delia, com quem ele se divertia, tornou-se muito possessiva e ele a dispensou. Lembra, Phil? Foi quando Hermione es­creveu dizendo que ia fazer um cruzeiro em Creta com Missy Donavan e o irmão dela, Ronald.

— Por falar em Ronald — disse Phillip, pronun­ciando o nome dramáticamente —, o que aconteceu?

— Ele me fará uma visita quando terminar o congresso de escritores — disse ela, sorrindo. — Ele acabou de ven­der outro livro de mistério e está muito entusiasmado.

— Ele planeja passar alguns dias aqui? — perguntou Lilian. — Harry não gosta de escritores, desde que aque­le repórter fez uma matéria sobre seu caso com a garota do concurso de beleza. Como era o nome dela, Phil?

— Rony não é repórter — Hermione rebateu. — Ele só escreve ficção.

— A matéria de Harry com a garota do concurso era exatamente isso, ficção — sorriu Phillip.

— Você não pode hospedar Ronald enquanto Harry estiver aqui. Tenho a impressão de que ele não gosta des­se homem.

— Rony não aceita derrotas — respondeu Hermione, lembrando do temperamento difícil e do cabelo verme­lho do amigo.

Lilian franziu o cenho, enquanto pensava.

— Phillip, acho que você deve dar a Delia e o número de telefone secreto de Harry, antes que o amigo de Hermione chegue.

— Será apenas por um ou dois dias — protestou ela. Seus traços jovens e suaves se acentuaram. — Achei que Greyoaks também fosse minha casa.

O rosto de Lilian ficou mais tranqüilo e ela envolveu Hermione em seus braços.

— Querida, claro que é, você sabe disso! Mas Harry também está em casa, e isso vai gerar problemas.

— Só porque Rony é escritor?

— Essa não é a única razão. — Lilian suspirou, batendo-lhe nas costas carinhosamente. — Harry é muito possessivo com você, Hermione. Ele não gosta que saia com homens mais velhos, principalmente com tipos como Jack Harris.

— Um dia ele vai ter que me soltar — disse Hermione, com teimosia, afastando-se de Lilian. — Sou mulher, e não a criança para quem ele comprava chiclete.

— Se começar uma guerra com Harry diante de tais circunstâncias, teremos grandes problemas.

Hermione ergueu a mão para afastar a mecha de cabelo que o vento levou até sua boca.

— Não conte a ele que Rony virá — disse, levantando o rosto, desafiadora.

Phillip fitava Lilian.

— O seguro de saúde dela está em dia?

— Harry controla todo o nosso dinheiro — relembrou Lilian. — Você pode ficar totalmente sem mesada, e até semcarro.

— Não há nenhuma revolução sem sacrifício — disse Hermione, orgulhosa.

— Que tristeza! — lamentou-se Phillip, virando-se.

— Volte aqui — chamou Hermione. — Ainda não acabei!

Lilian começou a rir.

— Acho que ele foi acender uma vela para você. Se planeja enfrentar Harry, vai precisar de ajuda espiritual.

— Ou talvez seja Harry quem precise — devolveu Hermione.

Lilian apenas sorriu.

Quando chegaram, a casa estava tranqüila. Lilian suspirou, genuinamente aliviada.

— Até o momento, tudo está indo bem — disse, sor­rindo para Hermione e Phillip. — Agora, vamos fazer si­lêncio ao subir...

— Por que vocês estão fazendo tanto silêncio? — per­guntou uma voz profunda e irritada.

Hermione sentiu todas as resoluções que tomara enfra­quecerem, quando virou-se e encontrou-se diretamente com os olhos verdes e zangados de Harry.

Ela baixou o olhar. O coração batia forte dentro do peito, enquanto escutava Lilian explicando por que os três estavam tão silenciosos.

— Sabíamos que você estaria cansado, querido — dis­se ela gentilmente.

— Cansado que nada! — disse, segurando um copo com um líquido amarelo-escuro e bebendo tudo num só gole. Olhou para Hermione. — Vocês estavam a par de minha briga com Hermione.

— Ela estava sob os efeitos do ponche, Harry — reve­lou Phillip, sorrindo. — Estava anunciando sua indepen­dência e preparando uma revolução sagrada.

— Por favor, cale a boca — conseguiu pronunciar Hermione, em um sussurro torturante.

— Mas, querida, você estava tão corajosa na casa dos Barrington repreendeu Phillip. — Não quer ser uma mártir da liberdade?

— Não. Isso está me enojando — corrigiu ela, en­golindo em seco. Olhou para o rosto duro de Harry. De repente, todas aquelas palavras ásperas voltaram e ela desejou fervorosamente ter aceitado o convite de Gina para passar a noite em sua casa.

Distraído, Harry brincou com o líquido amarelo que havia sobrado no copo.

— Boa noite, mãe, Phil.

Ao se encaminhar para a escada, seguida por Phillip, Lilian lançou um olhar de desculpas para Hermione.

— Você não prefere discutir sobre a fusão com a em­presa Banes? — Phillip sorriu para Harry. — Seria mui­to mais simples.

— Não me abandonem — urgiu Hermione.

—Foi você quem declarou guerra, querida — respon­deu Phillip. — E eu acredito na política de não-interferência.

Ela apertou as mãos, tremendo debaixo de seu casaco de pele, apesar do calor da casa e do fogo nos olhos de Harry.

— Bem, vá em frente — murmurou ela, deixando os olhos caírem para a gola aberta da camisa de seda dele. — Você já me atacou uma vez, pode arrancar o meu braço.

Ela riu delicadamente e o fitou, surpreendendo-se ao ver divertimento em seus olhos.

— Venha até aqui conversar comigo — disse ele, virando-se para guiá-la até seu escritório. Hunter, o ca­chorro de porte grande, levantou e abanou o rabo. Harry afagou-o carinhosamente enquanto se sentava no braço da poltrona, perto da lareira.

Hermione ocupou a cadeira diante dele, observando distraidamente a madeira empilhada no chão.

— O papai costumava usar essa lenha — lembrou ela, referindo-se afetuosamente ao pai de Harry, embora ele fosse apenas um primo distante. Ele era como o pai que ela havia perdido.

— Também costumo usar, quando preciso me esquen­tar. Mas hoje não está tão frio — respondeu ele.

Ela analisou aquele corpo grande e bruto e se pergun­tou se ele jamais sentia frio. Seu corpo parecia irradiar calor, como se houvesse uma fogueira ardendo debaixo daquela pele morena.

Harry bebericou sua bebida e entrelaçou as mãos atrás da cabeça. Seus olhos escuros pregaram Hermione à cadeira.

— Por que você não tira esse casaco logo, em vez de parecer que está dez minutos atrasada para algum com­promisso?

— Estou com frio, Harry — murmurou ela.

— Então, aumente o termostato.

— Não vou ficar aqui por tanto tempo, vou? — per­guntou, esperançosa.

Aqueles olhos verdes e tranqüilos analisaram mi­nuciosamente a pele suave e rosada que aquele vestido branco revelava, fazendo-a se sentir jovem e incômoda.

— É necessário me olhar dessa maneira? — pergun­tou, inquieta, brincando com a barra do vestido.

Ele tirou o maço de cigarro do bolso e, lentamente, acendeu um.

— Que revolução é essa? — perguntou, com natura­lidade.

Ela piscou.

— Ah, isso que o Phil disse? — perguntou, engolindo em seco. — Eu só... Ele riu.

— Hermione, não consigo me lembrar de nenhuma conversa com você em que não tenha gaguejado.

Ela contraiu os lábios.

— Não gaguejaria se não me bombardeasse sempre que tem oportunidade.

Ele ergueu a sobrancelha escura. Parecia completa­mente tranqüilo, imperturbável. Tal postura a irritava, e a levava a se perguntar se não havia algo que o descon­trolasse, o tirasse do sério.

— Eu a bombardeio?

— Você sabe muito bem disso. — Ela analisou as linhas duras de seu rosto, reparando em sua exaustão. — Você está muito cansado, não? — perguntou, de re­pente, calorosa.

Ele deu uma tragada.

— Estou morto — admitiu.

— Então, por que não vai dormir? — indagou. Ele a analisou calmamente.

— Não queria ter estragado sua festa. Aquela ternura familiar em sua voz despertou certo aborrecimento, e ela tentou não fitá-lo.

— Tudo bem.

— Não, não está tudo bem. — Ele jogou as cinzas no cinzeiro, ao lado da poltrona. Suspirou profundamente, aliviando o peito. — Herms, acabei de terminar um rela­cionamento. Essa mulher não me deixa em paz e, quan­do você disse aquelas coisas, eu exagerei. — Ele deu de ombros. — Tenho estado bastante irritado, ou, do con­trário, não teria dito tais palavras. Ela deu um breve sorriso.

— Você a amava? — perguntou gentilmente. Ele explodiu em risadas.

— Não seja infantil. Preciso amar uma mulher para levá-la para cama?

As bochechas dela ruborizaram, deixando-a com um nó na garganta.

— Não sei — admitiu.

— Não — disse ele, com o sorriso desaparecendo. — Acho que não. Eu acreditava em amor, quando tinha a sua idade.

— Cínico — acusou-o. Ele apagou o cigarro.

— Culpado. Descobri que o sexo é melhor sem a bar­reira emocional.

Ela baixou os olhos, mortificada, tentando não ver o divertimento profano no rosto dele.

— Está envergonhada, Herms?— repreendeu-a. — Achei que tivesse amadurecido depois da experiência com Harris.

Ao fitá-lo, lançou-lhe chamas esverdeadas.

— Temos de discutir isso de novo? — perguntou.

— Não, se você aprendeu algo com esse episódio. — Ele olhou para o vestido. — Mas tenho minhas dúvidas. Você está usando algo por baixo dessa maldita camisola?

— Harry — explodiu ela. — Não é uma camisola!

— Mas parece.

— É o estilo. Ele a fitou.

— Em Paris, a moda é um colete aberto, sem nada por baixo.

Furiosa, ela jogou o cabelo para trás.

— Se eu morasse em Paris, seguiria a moda. Ele limitou-se a sorrir.

— Seguiria? — Harry fitou-a novamente, concentran­do-se no decote, despertando sensações estranhas nela. — Será?

Ela segurou as mãos, pousando-as em seu colo. Sen­tia-se humilhada e desprezada.

— Sobre o que você queria falar comigo, Harry? — perguntou.

— Convidei algumas pessoas para nos visitarem. Ela se lembrou do convite que fizera a Ronald Donavan e conteve a respiração.

— Quem? — perguntou educadamente.

— Dick Leeds e a filha dele, Vivian. Eles vão passar uma semana aqui, enquanto eu e Dick resolvemos esse problema trabalhista. Ele é o chefe do sindicato que está nos dando toda essa dor de cabeça.

— E a filha dele? — perguntou, detestando-se pela própria curiosidade.

— É loura e sensual.

Ela o fitou.

— Do jeito que você gosta — devolveu. — Com ênfase no sensual.

Ele a observou, divertindo-se em silêncio. Estava tão furiosa que seria capaz de jogar algo nele.

— Bem, espero que você não pense que vou ajudar Lilian a entretê-la — disse. — Porque também vou re­ceber um convidado.

Alertas de perigo irradiavam daqueles olhos escuros.

— Que convidado? — perguntou resumidamente. Ela ergueu o queixo, com coragem.

— Ronald Donavan. Algo explodiu no rosto dele.

— Na minha casa, não — disse, num tom cortante.

— Mas, Harry, já o convidei — queixou-se.

— Você me escutou. Se não quisesse passar vergonha, devia ter me consultado antes — acrescentou secamente. — Como ia agir, Hermione? Encontrá-lo no aeroporto e só depois me contar?

Ela não conseguia encará-lo.

— Mais ou menos isso.

— Ligue para ele e diga que houve um imprevisto. Ela levantou os olhos e fitou-o. Harry estava sentado com uma pose de conquistador, mandando na vida dela. Se ela cedesse, nunca mais seria capaz de enfrentá-lo. Nunca. Não podia deixá-lo vencer dessa vez. Contraiu o maxilar, teimosa.

— Não.

Ele se levantou lentamente, com delicadeza para um homem tão grande. Aqueles ombros largos a intimida­vam, mesmo sem ver seus olhos firmes e intensos.

— O que disse? — perguntou em um tom suavemente falso.

Ela entrelaçou os dedos, indiferente.

— Eu disse não — repetiu, com a voz áspera. Seus olhos verdes o atraíam. — Harry, essa casa é minha tam­bém. No mínimo, passou a ser depois que você me convidou para morar aqui — ela o relembrou. — Não disse que você podia usar essa casa para en­contros românticos!

— Você traz mulheres para cá — devolveu ela, relem­brando, com angústia, a noite em que, depois de chegar em casa mais cedo que o previsto, acidentalmente en­controu Jéssica King e ele sentados nas mesmas cadeiras em que se encontravam agora. Jéssica estava nua até a cintura, e Harry também. Hermione quase não reparara na loura. Seus olhos estavam enfeitiçados pela visão do peito nu e forte de Harry, explorado pelas mãos daquela mulher. Depois disso, não conseguira tirar essa imagem da cabeça; aquela boca sensual, aqueles olhos enegreci­dos pelo desejo...

— Trazia — corrigiu ele gentilmente, lendo o pensa­mento dela com uma precisão perturbadora. — Quantos anos você tinha naquela época? Quinze?

Ela assentiu, desviando os olhos.

— Só isso.

— E gritei com você, não? — relembrou. — Não es­perava que você chegasse em casa tão cedo. Estava an­sioso, impaciente e frustrado. Quando levei Jéssica para casa, ela estava chorando.

— Eu não devia ter entrado sem bater — arrependeu-se. — Mas tínhamos ido à festa do colégio, eu havia recebido um prêmio e mal podia esperar para lhe mostrar.

Ele sorriu calmamente.

— Você sempre vinha me falar de seus triunfos. Até aquela noite. — Analisou a aversão que ela demonstra­va. — Construiu uma parede entre nós desde então. No momento em que começo a me aproximar, arranja algum motivo para nos afastar. Da última vez, foi Jack Harris. Agora é esse escritor.

— Não estou tentando construir nenhuma parede — disse, na defensiva. Seus olhos o acusavam. — É você que não me deixa ser independente.

— O que quer? — perguntou ele.

Ela analisava os detalhes cuidadosos da lareira, em tons bege e branco.

— Não sei — murmurou. — Mas nunca vou descobrir se continuar me sufocando. Quero ser livre, Harry.

— Nenhum de nós é livre — disse, filosofando. Seus olhos estavam pensativos, seu tom, amargo. Ele a enca­rou intensamente. — O que a atrai em Donavan? — in­dagou, de repente.

Ela deu de ombros e um lampejo iluminou seus olhos.

— Ele é divertido e me faz rir.

— Isso é tudo o que procura em um homem, diver­são?

A maneira como ele falou lançou-lhe arrepios pelo corpo. Quando Hermione o fitou, a expressão em seu rosto era enigmática.

— O que mais posso querer? — perguntou sem pensar.

Um sorriso lento e sensual curvou os lábios dele.

— O fogo que um homem e uma mulher podem des­pertar ao fazer amor.

Sentindo-se incômoda, ela se mexeu na cadeira.

— Hoje em dia, isso é supervalorizado — disse, fin­gindo ser sofisticada.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou.

— Silêncio! — Hermione repreendeu-o. — Assim, vai acordar a casa toda.

Ele deixou os dentes brancos à mostra, contrastando com sua pele morena.

— Está vermelha como uma beterraba — comentou. —: O que entende de amor, menina? Seria capaz de des­maiar se um homem começasse a fazer amor com você.

Ela o fitava, ofendida.

— Como você sabe? Talvez Ronald...

— Talvez não! — interrompeu ele, com olhos con­fiantes e sagazes. — Você ainda é virgem, Herms. Se eu ti­vesse alguma dúvida quanto a isso, teria arrancado você de Creta tão rápido que nem teria percebido.

Ela fez careta.

— A virgindade não é nenhum prêmio hoje em dia — suspirou ela.

O silêncio dele durou tanto tempo que a atenção de Hermione voltou-se para o tique-taque do relógio de seu avô, pendurado na parede.

— Não comece a pensar em se livrar da sua — ad­vertiu-a.

— Harry, não seja tão antiquado — reclamou. —Afinal — acrescentou, com um sorriso travesso —, como você estaria hoje se todas as mulheres do mundo fossem puras?

— Muito frustrado — admitiu. — Mas você não é uma das minhas mulheres, e não quero que se ofereça como uma ninfomaníaca.

Ela suspirou.

— Não corro esse risco — acrescentou, fazendo-se de boba. — Não sei como fazer isso.

— Esse vestido é um bom começo. Ela olhou para baixo.

— Mas cobre meu corpo — protestou. — É muito mais recatado do que o vestido de Gina.

— Reparei — disse ele, divertindo-se.

— Gina o considera o homem mais sensual da Terra. Ela sabia que o encontraria na festa.

As feições de Harry endureceram.

— Gina é uma criança — resmungou, virando-se. — Sou muito velho para incentivar essa adoração heróica.

Gina tinha a mesma idade de Hermione. Ao ouvir aqui­lo, seu coração caiu num precipício e ela sentiu vontade de bater nele. Harry sempre a fazia se sentir desajeitada e ignorante.

Fitou suas costas largas. Era muito bom olhar para ele. Harry era grande e vibrante, cheio de vida. Um homem tranqüilo, carinhoso. Um déspota!

— Se não posso convidar Rony, acho que vou encon­trá-lo no congresso de escritores.

Ele virou-se para fitá-la, intimidando-a.

— Está me ameaçando, Herms? — perguntou.

— Não ousaria fazer isso — respondeu, com veemên­cia.

Sua expressão era incompreensível.

— Depois, voltaremos a esse assunto. Fitou-o, zangada.

— Tirano — resmungou.

— Isso é o melhor que você tem?

— Chauvinista! — disse, tentando novamente. — Você me irrita, Harry.

Ele se aproximou lentamente.

— O que acha que faz comigo, Hermione? — rosnou. Ela olhou para seu rosto arrogante, ele estava muito próximo.

— Devo irritá-lo na mesma medida — admitiu, sus­pirando. — Paz?

Ele sorriu para ela, indulgente.

— Paz. Venha aqui.

Harry segurou o queixo dela e ergueu seu rosto. Hermione fechou os olhos, esperando o toque breve e familiar daquela boca. Mas não sentiu nada.

Confusa, abriu os olhos e fitou-o, a uma distância debilitante. Estava tão perto que podia ver as manchas douradas em sua íris verde e as pequenas linhas que se formavam no canto dos olhos.

Ele tocou no pescoço dela, acariciando-a calorosa­mente.

— Harry? — sussurrou, insegura.

Ele contraiu o maxilar. Ela pôde ver o músculo enrijecendo-se por baixo daquela boca sensual.

— Bem-vinda, Hermione — disse asperamente, começan­do a se afastar.

— Você não vai me dar um beijo? — ela perguntou, sem pensar.

Ele ficou totalmente sem expressão. Apenas seus olhos ardiam lentamente enquanto a fitava.

— Está tarde — disse abruptamente, virando-se. — E estou cansado. Boa noite, Hermione.

Ele saiu e deixou-a ali, parada, olhando para o vazio.

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N/A – Oie meus amores...Eu espero que vocês tenham gostado deste capítulo...Ele é meio parado, mas depois vai ficando bem interessante...

Eu acho que vocês lêem mais não comentam...e assim eu não sei se estou agradando ou não =/ Vamos lá povo...não custa deixar uma review pra essa fic...custa? hauaauhauhaua... Até o próximo capítulo.

2Dobbys – Ow linda...adoro suas reviews...Arrumei certinho...haauahau...o que achou? Beijinhos

Beijoooo meus amores...e até o Capítulo 3