Título: Manhã de Outono

Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Manhã de Outono" da autora Diana Palmer e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.

Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.

Esta é uma fic que se passa num universo alternativo...

N/A – Capítulo 4 pros meus amores...e galera...vamos caprichar nas reviews?? Só pra eu ficar bem feliz!

CAPITULO QUATRO

Trabalhando na casa de Lilian, havia a governanta, sra. Johnson, e mais duas empregadas que corriam em círcu­los, à noite, preparando o jantar. A cena era quase cômica e Hermione teve que se esforçar para não rir.

— Não coloque o vaso de flores secas ali — orientou Lilian, enquanto uma das empregadas colocava-o na entrada da sala.

Hermione decidiu que era melhor ir lá para fora e não ficar no meio do caminho.

Phillip estava saindo de seu pequeno carro esportivo, quando ela surgiu pela porta da casa. Ele hesitou por um instante ao ver Hermione vindo em sua direção. Então, saiu do carro e fechou a porta.

— O que aconteceu com você? — ele perguntou ale­gremente.

— São as flores secas — ela respondeu, enigmática. Phillip piscou os olhos.

— Você bebeu o uísque de Harry, Hermione? Ela balançou a cabeça.

— Você tinha que estar lá para entender — ela disse. — Sinceramente, parece que vamos receber algum chefe de Estado. Ela rearrumou os móveis duas vezes, e ago­ra está ficando maluca por causa das flores. Pense bem, Phil — acrescentou ela, em um sussurro conspiratório —, os Leeds não podem nem salvar o rio.

Ele riu.

— Provavelmente não. Harry já deve estar chegando — constatou, depois de olhar para o relógio. Hermione olhou para o jardim e para o caminho de pe­dras que levava até o gazebo escondido. — Como será a sra. Leeds? — murmurou, pensativa.

— Vivian? — perguntou ele, sorrindo. — Parece uma modelo de revista. Ela é atriz, e já é bem conhecida.

Ela se sentiu mal.

— Velha? — perguntou.

— Vinte e cinco anos não é velha, querida. — Ele riu. — Harry não consegue ficar muito tempo sem mulher, ele realmente pode escolher.

Hermione sentiu vontade de bater nele. De gritar. De fa­zer qualquer coisa, menos ficar ali parada com um sorriso plastificado no rosto, fingindo que nada daquilo tinha im­portância. De repente, de maneira terrível, tudo importava. Harry era dela... Ela congelou e franziu o cenho. Dela!

— Hermione, você não está escutando — Phillip disse pacientemente. — Perguntei se queria ir ao King's Fort Comigo e comprar um ou dois vestidos novos.

Ela o fitou.

— Para quê? — perguntou, indignada. — As roupas que tenho não são nenhum trapo.

— Claro que não — disse ele, acalmando-a. — Mas Lilian sugeriu que talvez você quisesse algumas roupas novas, já que vamos receber convidados.

Ela respirou profunda e irritadamente.

— Devo usar minhas melhores roupas, não? — Ela imaginou uma roupa tão ousada que até mesmo Harry repararia nela. Um pequeno sorriso contorceu seus lá­bios rosados. — Tudo bem. Leve-me para algum lugar caro, como a Saks.

— Uh, Hermione... — exclamou Phillip.

— Harry só vai receber a fatura no mês que vem — re­lembrou ela. — A essa altura, posso estar em St. Martin, Taiti ou Paris...

Ele achou graça.

— Tudo bem, menina incorrigível. Vamos lá. Temos que nos apressar ou não estaremos aqui quando os con­vidados chegarem.

Hermione não disse nada, mas era exatamente isso que pretendia fazer. A idéia de cumprimentar Vivian Leeds a deixava com vontade de passar vários dias na cidade. Mesmo sem conhecê-la, já não gostava dela.

Ela deixou Phillip em um café pequeno e exótico, no shopping, enquanto vasculhava o departamento de rou­pas femininas, sonhando com Harry vendo-a experimen­tar sucessivos vestidos caros. Ia mostrar para ele! Seria a mulher mais bonita que ele já havia visto, e faria com que ele parasse para observá-la!

No entanto, quando experimentou um dos vestidos elegantes que havia escolhido, tudo o que viu no espelho foi uma menininha brincando de se vestir de gente gran­de. Parecia ter 15 anos. Toda a animação desapareceu de seu rosto. Todo o seu corpo parecia desajeitado enquanto olhava para seu reflexo.

— Não ficou bom? — perguntou a vendedora, loura e simpática.

Hermione balançou a cabeça, com tristeza. — Parecia tão bonito no manequim. — Porque foi feito para um corpo mais alto e esbelto que o seu — respondeu a outra mulher, com seu porte majestoso. — Posso sugerir alguns modelos?

— Por favor! — Hermione suplicou, com os olhos arregalados. — Espere aqui.

Os três vestidos que a outra mulher trouxe pareciam muito menos dramáticos do que os que Hermione havia escolhido. Eram vestidos simples, sem nenhuma fenda, as cores eram pálidas, verde-claro, cinza e bege. Mas em Hermione, eles cobravam vida. Combinado com seus olhos castanhos e cabelo negro, o vestido verde-claro ficara um arraso. O cinza enfatizava suas curvas e escureciam seus olhos. O bege, por fim, ressaltava seu rosto delicado, e seus contornos singelos lhe conferiam uma elegância que estava muito além da sua idade.

— E esse é para a noite — disse a mulher finalmente, trazendo um vestido vinho de veludo, com um grande dê cote em V e fendas dos dois lados.

O vestido era um sonho, pensou Hermione, analisando-se no espelho; seu rosto brilhava ao imaginar como Harry reagiria a seu estilo sedutor. O brilho se esvaiu de sua face quando se lembrou advertência que ele fizera quanto a provocá-lo. Mas, certamente, ela tinha o direito de usar o que queria.

— Hermione, temos que ir — chamou Phillip. Ela arqueou uma sobrancelha e seus olhos dançaram animadamente. Qual seria a reação de Phillip a esse belo vestido?

Ela abriu a cortina do provador e saiu. Ele a fitou com os lábios levemente entreabertos e olhos castanhos perplexos.

— Hermione? — ele perguntou, como se não confiasse mais em seus olhos.

— Sou eu — garantiu ela. — Ah, Phil, isso não é um sonho?

Ele assentiu dubiamente.

— Um sonho.

— Qual é o problema? — perguntou, aproximando-se para fitá-lo, enquanto a vendedora sorria furtivamente, ao longe.

— Tem certeza de que é permitido usar algo assim em público?

Ela sorriu.

— Por que não? Está na moda. Você gostou mesmo? Ele respirou profundamente.

— Querida, eu adorei, mas Harry... Ela o fitou.

— Já sou adulta e tenho sempre que lembrar Harry disso...

— Se usar esse vestido, não vai precisar relembrá-lo novamente — ele disse, observando as curvas suaves e expostas de seus seios sob o decote. — Ele vai poder ver por si mesmo.

Ela jogou o cabelo comprido para trás, desafiadora.

— Aposto que essa atriz usa roupas mais reveladoras do que eu.

— E usa — concordou ele —, mas o estilo de vida dela é bem diferente do seu, querida.

— Quer dizer que ela dorme com homens, não, Philip? — persistiu.

— Silêncio, pelo amor de Deus — disse ele calma­mente, olhando em volta para ver se havia alguém escondido. — Lembre-se de onde estamos.

— Mas ela dorme, não? — continuou.

— Já soube que você discutiu com Harry sobre a visita de seu amigo escritor — disse Phillip tranqüilamente.

— Mas acredite que vai se vingar dele se insultar sua última conquista feminina. Ele vai acabar com você, Kate.

Ela sentiu a raiva se acumulando dentro das entranhas.

— Estou cansada de ouvir Harry me dizendo como viver minha vida. Quero morar sozinha.

— Não diga isso a ele — implorou Phillip.

— Já disse — respondeu ela, com os olhos brilhantes.

— E o que ele disse?

— Disse não, claro. Sempre diz não. Mas, dessa vez, não vai funcionar. Vou conseguir um trabalho, alugar um apartamento, e você vai me ajudar — acrescentou, com olhar malicioso.

— Ah, não vou mesmo! — retorquiu ele. — Não vou enfrentar Harry por sua causa.

Ela bateu o pequeno pé no chão.

— Esse é o problema dos homens de hoje em dia!

Ele ergueu as sobrancelhas divertidamente.

— Qual é o problema?

— Ninguém é corajoso o bastante para enfrentar Harry minha causa! Aposto que Rony faria isso — acrescentou, com teimosia.

— Se ele fizer, vai desejar não ter feito — disse Phillip,

— E, se você comprar esse vestido, Hermione, vou passar o fim de semana fora. — Ele estremeceu. — Não agüen­to ver sangue.

— Harry não vai fazer nada — disse ela, presunçosa,

— Não diante de seus convidados.

— Harry pode fazer qualquer coisa, a qualquer mo­mento, na frente de qualquer um. E, se você ainda não sabe disso, é mais louca do que eu imaginava. — Ele ba­lançou a cabeça. — Desista, Herms. Harry só quer fazer o que é melhor para você.

— Esse não é o ponto, Phillip — respondeu ela, acariciando o veludo com as mãos delicadas. — Não quero passar o resto da vida com alguém me dizendo o que fazer. Harry não é o meu defensor.

— Se sair à noite com esse vestido, vai precisar de um — murmurou ele, fitando-a.

Ela se inclinou para a frente e beijou o rosto do primo.

— Você é legal.

— Hermione, tem certeza...

— Não se preocupe tanto — aconselhou-o. Ela se en­caminhou para a vendedora. — Vou levar todos — anunciou, com um sorriso. — E o de veludo verde também.

Phillip franziu o cenho.

— Qual de veludo verde?

— É muito mais ousado do que esse — mentiu, lembrando-se da gola alta e das linhas sóbrias do vestido que havia experimentado antes. — As costas ficam comple­tamente nuas — acrescentou, num sussurro perverso.

— Meu Deus, nos ajude! — rogou Phillip, erguendo olhos ao céu.

—Não se preocupe com Ele — disse Hermiobe. — Ele tem de se preocupar com guerras e inundações.

— E eu tenho que me preocupar com você — rosnou.

— Que sortudo! — Ela deu tapinhas na bochecha dele antes de pagar as compras. — Venha, precisa assinar o cheque.

— Que nome você quer que eu coloque? — ele perguntou.

— Ah, bobinho! — Ela riu.

Ela e Phillip conseguiram entrar sorrateiramente pela porta dos fundos e subir para se vestir para o jantar sem serem vistos. De maneira despreocupada, depois de tomar banho, Hermione escorregou o vestido cor de vinho por seu corpo. Prendeu o longo cabelo em um coque sedutor no topo da cabeça, com pequenos cachos caindo por suas bochechas rosadas. Usava apenas um pouco de maquilagem, o suficiente para conferir-lhe um ar misterioso com um toque de sofisticação. A mulher refletida no espelho não se parecia em nada com a menina que saíra do quarto naquele mesmo dia para ir às compras.

Satisfeita com o que viu, borrifou um pouco do Givenchy e desceu as escadas alegremente. Ouviu vozes vindo da sala de estar, e Harry estava entre eles. De repente, sentiu-se nervosa e inquieta. Isso não ia funcionar.

Levantou a cabeça, expondo a curva do pescoço e, juntando coragem, entrou no recinto.

De imediato, pôde perceber duas coisas: a loura pos­sessiva que agarrava o braço de Harry como uma parasi­ta, e a raiva repentina e ardente nos olhos dele, enquanto fitava Hermione Granger.

— Aí está você, querida — disse Lilian, gaguejando ao ver o vestido. — Como você está diferente, Hermione — acrescentou, com um olhar de censura.

— Onde você arranjou esse vestido? — perguntou Harry, com a voz áspera e baixa.

Ela começou a falar e, então, virou-se para Phillip, que escondia o rosto atrás das mãos.

— Phillip comprou para mim — disse apressada­mente.

— Hermione! — rugiu Phillip.

Harry sorriu como um leão faminto, comparou Hermione, tremendo.

— Nós discutimos isso mais tarde, Phil.

— Pode ser depois do enterro de Hermione? — pergun­tou ele, lançando-lhe um olhar lancinante.

— Não vai me apresentar à sua convidada? — per­guntou Hermione, com vivacidade.

— Dick Leeds e sua filha, Vivian — informou Harry, indicando um homem alto, grisalho, com olhos azuis cintilantes, e a loura também de olhos azuis ao seu lado. — Essa é Hermione.

— Granger — acrescentou ela, orgulhosa. — Sou a mais nova, perto do Phillip.

— Como vai? — perguntou Dick Leeds, estendendo lhe a mão. Ele sorriu. — Então, você não é uma Potter? — perguntou.

— Sou prima — explicou. — Lilian e sua família me acolheram quando meus pais morreram, e me criaram.

— Aparentemente, não tivemos muito sucesso nisso interrompeu Harry secamente. Seus olhos prometiam vingança, enquanto incendiava o corpo dela, demorando-se no decote.

— Se você não parar de implicar comigo, Harry — disse docemente, aceitando uma taça de xerez de Phillip Eu vou bater em você com o meu ursinho de pelúcia.

Vivian Leeds não achou graça, embora seus lábios te­nham se esforçado para sorrir.

— Quantos anos você tem, senhorita Granger? — perguntou ela, indiferente.

— Sou muito mais nova do que você, senhora Leeds, com certeza. — Hermione devolveu o mesmo sorriso falso. Phillip engasgou com o drinque.

— Uh, como foi a sua viagem, Viv? — perguntou rapidamente à loura.

— Muito boa, obrigada — ela respondeu, devorando Hermione com os olhos. — Lindo vestido — elogiou. — Ou o que vemos dele...

— Esse trapo? — menosprezou Hermione, com insolência. Seus olhos analisavam o vestido de seda rosa que outra mulher usava. — Pelo menos, ele é quente. Não me importo muito com a moda. Para mim, alguns vestidos parecem mais camisolas do que roupa de sair à noite provocou. O rosto da senhora Leeds ruborizou, seus olhos azuis se acenderam como fogos de artifício.

— Vamos comer — sugeriu Lilian repentinamente.

— Mostre o caminho, mãe — pediu Harry. Diverti­mento e raiva conviviam naqueles olhos negros e, ape­nas por um instante, o divertimento pareceu vencer. Mas, então, aquele olhar obscuro dirigiu-se para Hermione e o sorriso desapareceu. Ele estremeceu ao ver sua pele deli­cada exposta, e ela sentiu como se ele a houvesse tocado. Entreabriu os lábios sob um sopro de ar. Ele a fitou e viu a expressão em seu rosto jovem. Algo brilhou naqueles olhos verdes, como uma erupção vulcânica. Hermione sabia que ia enfrentar uma guerra antes de a noite acabar. No entanto, foi capaz de devolver o olhar desafiador de Harry, e até mesmo sorriu. Se ela ia ser o prato principal, devia aproveitar o aperitivo.

Phillip passou por ela, enquanto se dirigiam à sala de jantar.

— Sentindo desejo suicida? Ele está ardendo de raiva, e esse sorriso doce não ajudou.

— Os revolucionários não podem se preocupar com o amanhã — respondeu, atrevida. —Além do mais, Harry não pode me matar.

— Não? — Phil lançou um olhar cauteloso para o ir­mão, que os fitava por cima do ombro de Vivian.

— Phillip, você não está com medo dele, está? — im­plicou ela. —Afinal, vocês são irmãos.

— Então — ele comparou —, somos Caim e Abel.

— Não se preocupe. Eu o protejo.

— Por favor, não — pediu ele, lamentando-se. — Por que você disse a ele que comprei esse vestido?

— Você realmente pagou por ele — respondeu ela, inocente.

— Sei, mas não fui eu que tive a idéia de comprá-lo.

— Seja sensato, Phil — disse ela, tentando suavizar a reação. — Se eu tivesse dito que foi idéia minha, ele teria voado na minha garganta.

— E fazer com que voe na minha é melhor? — ele resmungou, analisando-a.

EIa sorriu.

— Do meu ponto de vista, é — respondeu, rindo. — Oh, Phil, me desculpe, de verdade. Vou contar a verdade.

— Se você tiver uma oportunidade — murmurou, assentindo na direção do irmão.

Harry acompanhou Vivian até seu lugar na mesa e virou-se, segurando uma cadeira para Hermione. Ela se aproximou com a mesma firmeza e autoconfiança de um terrorista condenado, que se encaminha para a forca.

— Bela festa — sussurrou ao se sentar.

— E está apenas começando — respondeu ele, com um sorriso que não se espelhava em seus olhos. — Se fizer mais um comentário malicioso para Vivian, vou acabar com você, Hermione Granger.

— Foi ela que começou — disse, evitando um olhar

— Está com ciúmes? —provocou suavemente. Os olhos dela ficaram agitados, lançando chamas verdes.

— Dela? — perguntou, orgulhosa. — Não tenho mais 15 anos — completou.

— Antes de a noite acabar, você vai desejar ter ape­nas 15 anos — ele arrematou, com delicadeza. — Eu prometo.

A raiva profunda que contaminava aquela voz lançou-lhe um arrepio pelo corpo. Por que teve que abrir a boca e desafiá-lo? Será que não havia recebido advertências o suficiente? Sentiu uma pontada de medo ao pensar no que a esperava. Parecia que não conseguia evitar as brigas com Harry, e duvidou até mesmo de sua própria audácia. Será que estava enlouquecendo?

Vislumbrar o rosto dele do outro lado da mesa era o bastante para fazê-la desejar subir as escadas correndo e bater a porta do quarto.

O jantar parecia um banquete. Vivian monopolizou Harry de tal modo que ele mal conseguiu conversar com outra pessoa; aqueles frios olhos azuis faziam incursões freqüentes para analisar a expressão calma de Hermione. A animosidade que eles guardavam era glacial.

— Você não está colaborando com as relações inter­nacionais — observou Phillip, quando todos se levanta­ram da mesa e voltaram à sala de estar para o drinque.

— Harry está fazendo o bastante por nós dois — res­pondeu, lançando um olhar apático para a loura, que es­tava pendurada no braço grande e musculoso de Harry, como se ele fosse uma bóia de salvação. — Ele tem mau gosto — declarou, sem pensar.

— Eu não diria isso — discordou Phillip. Os olhos dele dançavam enquanto avaliavam as costas graciosas da loura. — Ela faz bem para os olhos.

— Faz? — indagou com desdém magnânimo. — Sinceramente, para mim, não faz.

— Não seja tão amarga — aconselhou. — Está se esquecendo por que ela está aqui, querida. Lembra da greve? — Oh, me lembro — disse. — Mas será que Harry se lembra? Achei que o pai dela fosse o objetivo principal. — Parte dele, pelo menos. Ela o fitou.

— O que você quer dizer com isso, Phil? — perguntou curiosa.

Ele evitou aquele olhar cortante.

— Logo, vai saber. Veja, mamãe quer falar com você.

Lilian estava mostrando alguns quadros antigos para Dick Leeds, no entanto, sorrindo, saiu de perto dele e aproximou-se de Hermione.

— Você está fazendo isso de novo, querida — queixou-se olhando cuidadosamente na direção de Harry. — Hermione, será que você consegue não ser hostil com ele pelo menos por uma noite? Os Leeds são nossos convidados.

— São convidados de Harry — devolveu ela.

— Bem, essa casa é dele — respondeu Lilian, com um sorriso conciliador. — Johnny deixou tudo para ele.

Ele achou que Harry fosse me impedir de esbanjar tudo. — Você não teria feito isso — Hermione protestou. Lilian suspirou.

— Talvez não — disse, saudosa. — Mas isso é uma questão discutível. E você não está ajudando a melhorar o temperamento dele.

— Só comprei um vestido novo — disse, na defen­siva.

— Esse vestido é muito maduro para você, Hermione

— ela contrapôs calmamente. — Phillip não tirou os olhos de você a noite toda, e cada vez que ele a fita, Harry fica mais zangado.

— No final das contas, Phillip e eu não somos paren­tes — observou Hermione.

Lilian sorriu.

— E não há outra pessoa com quem gostaria mais de vê-lo casado, você sabe disso. Mas Harry não aprova, e ele pode dificultar muito as coisas para você.

Ela franziu o cenho.

— Ele não aprova nenhum dos homens que conheço — reclamou.

Lilian começou a dizer algo, mas desistiu.

— Isso vai se resolver. Enquanto isso, por favor, seja educada com a sra. Leeds. É muito importante causar uma boa impressão. Não posso dizer mais do que isso, mas confie em mim.

Hermione suspirou.

— Eu confio.

Lilian deu um tapinha no ombro de Hermione.

— Agora, seja simpática e me ajude a entreter Dick. Harry vai levar Vivian até King's Fort e mostrá-la a ci­dade à noite. Por alguma razão que não entendi, está an­siosa em conhecer a cidade.

Hermione havia entendido, e isso não melhorou seu humor. Principalmente quando viu Vivian e Harry encaminhando-se para a porta sem sequer olhar para trás.

Queria pegar o vaso precioso e inestimável da dinastia Tang que enfeitava o hall e jogá-lo na cabeça negra de Harry. No entanto, podia se consolar com o fato de que, pelo menos até de manhã, não teria que olhar para ele, o que já era uma bênção.

Dick Leeds era uma pessoa interessante. Hermione gostou do homem, que parecia ter a mesma personalidade dura de Harry. Logo, ele se retirou para o quarto, alegando estar cansado da longa viagem. Lilian o seguiu, suspirando.

— Como Dick — disse a Phillip e Hermione —, estou começando sentir um pouco o peso da idade. Boa noite, crianças.

Assim que Lilian se retirou, Phillip desafiou Hermione em um jogo de cartas, mas ela protestou.

— Vai me ganhar de novo. — Eu lhe dou uma vantagem de dez pontos — prometeu.

— Tudo bem — ela concordou. Ele puxou-lhe uma cadeira na pequena mesa, ao lado da janela escura.

— Sente-se, trouxa, quer dizer, parceira.

Ela sorriu.

— Por que Harry não pode ser como você? — perguntou, distraída, enquanto embaralhava as cartas.

— Simpático, fácil de conviver e divertido?

— Ele era assim, quando você era mais nova — respondeu, piscando os calorosos olhos castanhos. — Foi só depois que você começou a crescer que acha que ele mudou.

Ela fez uma careta e mostrou a língua para ele.

— Eu não acho, eu sei! Ele rosna para mim o tempo todo.

— Você consegue irritá-lo, querida. Como hoje à noite.

O rosto dela se fechou, como uma flor frágil ao sentir um vento frio.

— Não gostei dela.

— E o sentimento parece ser mútuo. Acho que mulhe­res atraentes nunca gostam umas das outras. — Ele a ana­lisou discretamente. — Mas acho que o ódio dela nasceu do seu próprio ódio. Você não foi nada simpática.

Hermione suspirou com um ar de derrota.

— Tem razão, não fui — admitiu.

— Você está tentando se vingar de Harry — insistiu ele.

— Meu arsenal é limitado quando tenho que lutar contra seu irmão.

Ele baixou três cartas em seqüência e descartou uma.

— Isso vale para todos nós.

Ela aproximou suas cartas aos lábios, puxou outra do bolo, verificou, fez uma careta e descartou-a.

— Não entendo por que não posso ter um apartamento — disse, encostando os lábios fartos nas cartas. — Posso arranjar trabalho e me sustentar.

— Trabalho fazendo o quê? — ele perguntou educa­damente.

Ela o fitou.

— Esse é o problema. A escola não me preparou para nada. Já sei — disse, animando-se. — Vou me oferecer para ser mulher de um homem rico! Sou muito qualifi­cada para isso! Phillip enterrou o rosto nas mãos.

— Não ouse dizer isso para Harry enquanto eu estiver presente. Vai achar que foi sugestão minha! Ela riu ao ver a expressão no rosto dele. Phillip era muito divertido, um verdadeiro cavalheiro. Gostava mais dele do que dizia. Ele era o irmão que queria ter. Mas

Harry... Concentrou-se novamente nas cartas. Estava tão envolvida no jogo que esqueceu a hora. Faltava apenas uma carta para ganhar o jogo quando, de repente, ouviu um barulho na porta da frente. Ficou congelada na cadeira.

— Ops — murmurou, sem forças. Phillip reprimiu uma risada ao ver suas feições suaves. — Parece que eles chegaram — comentou, ao ouvir a voz de Vivian dizendo boa noite do alto da escada.

Antes que Hermione pudesse responder, Harry, com seu porte grande, sombrio e formidável, entrou. Ele olhou para a mesa, jogou o paletó em cima de uma poltrona e tirou a gravata, atirando-a descuidadamente em cima do paletó.

— Vocês se divertiram? — perguntou Phillip com malicia, sem deixar de observar a mancha de batom no colarinho de Harry.

Ele deu de ombros. Encaminhou-se para o bar e serviu-se de uma dose de uísque.

— Acho que é melhor eu ir me deitar — anunciou Philip, medindo o humor de Harry com uma precisão suíça. — Boa noite.

— Acho que também vou — disse Hermione, espe­rançosa, levantando-se assim que Phillip fez sua saída apressada, desaparecendo pelo hall.

Hermione estava logo atrás dele, com a mão na maçane­ta, quando a voz de Harry a parou.

— Feche a porta. Ela saiu.

— Por dentro — acrescentou ele com um tom doce, mas, ainda assim, ligeiramente ameaçador.

Serena, ela respirou profundamente e voltou para a sala de estar, fechando a porta, relutante. Apoiou-se nela e lançou um olhar nervoso para ele.

— O passeio foi bom? — perguntou.

— Não comece — grunhiu ele. Aqueles olhos furio­sos analisaram seu corpo, recoberto pelo vestido de veludo, com duas fendas laterais e um grande decote. No entanto, parecia que ele estava tocando-a.

— Dick foi dormir. Ele é muito simpático — murmu­rou, tentando adiar o máximo possível aquele confronto. Já vira Harry de mau humor várias vezes, mas, a julgar pelo controle que testemunhava em seu rosto, dessa vez a situação era muito pior. A coragem que sentia antes se dissolveu agora, uma vez que estava sozinha com ele.

— A filha dele também. Não que você tenha tentado descobrir.

Ela se moveu contra a madeira fria da porta.

— Ela morde.

— Você também, querida — respondeu ele, levando o copo aos lábios. — Quero a verdade, Herms. Phillip com­prou esse vestido para você?

De repente, ela se sentiu fraca, derrotada. Harry sempre vencia.

— Não — admitiu. — Isso é, ele pagou, já que não tenho cartão de crédito. Mas Lilian tinha dito que eu pre­cisava de roupas novas — acrescentou, na defensiva.

— Eu tinha dito a mesma coisa, mas não imaginava que você fosse se vestir como uma prostituta qualquer.

— É o estilo, Harry! — devolveu.

— São as mesmas palavras que você usou depois da festa dos Barrington — relembrou-a. — E eu disse a mesma coisa que vou dizer agora. Um vestido como esse eleva a pressão sangüínea do homem até mesmo se estiver no manequim da loja. Em você... — Ele deixou os olhos terminarem a frase, acariciando-a sensualmente.

— Vivian estava usando menos roupa — respondeu, com a voz minguando, sentindo o rubor tomar conta de suas faces. — O vestido dela era quase transparente.

— Você quer insultá-la? — perguntou ele. — Esse vestido mal cobre seus seios.

Ruborizou ainda mais ao escutar aquelas palavras, e fitou-o, ultrajada, com seus olhos verdes faiscantes.

— Tudo bem, nunca mais vou usar esse vestido, Harry! Mas não entendo por que a roupa que uso faz tanta diferença para você!

Ele a fitou intensamente, apertando o copo com mais força.

— Não entende? Ela endireitou os ombros. — Você está agindo como um tirano — acusou-o. Escorregou as mãos com sensualidade pelo vestido e ergueu o rosto, desafiadora. — Qual é o problema, Harry? Eu o incomodo? — perguntou, com ousadia. — Você prefere que eu use meu uniforme do colégio?

Ele pousou o copo na mesa e encaminhou-se para ela deliberadamente, com os olhos em chamas, e o rosto duro como granito. Ao ver o que havia naqueles olhos, ela virou de costas, dominada pela sensação de pânico, e agarrou a maçaneta. Mas havia demorado muito. Ele conseguiu pegá-la e girou-a com força, segurando-a com firmeza, enquanto ela se debatia contra a porta.

N/a – Oie meus amores, desculpe pela demora pra atualizar...mas estou qse sem tempo de atualizar...Trabalho o dia inteiro e qdo chego to mais morta do que viva...Aí bate a preguiça e fico sem vontade de transcrever o livro. Sem contar que qse não recebi reviews e a única conclusão que eu cheguei, foi que a fic ta muitoo ruim...

Bom...espero que gostem deste capítulo...Beijinhoss

ps: Obrigado pelas reviews: 2Dobbys, Lalah-chan, Lilyzinha...