Título: Manhã de Outono

Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Manhã de Outono" da autora Diana Palmer e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.

Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.

Esta é uma fic que se passa num universo alternativo...

N/A – Capítulo 5.. Depois de mto tempo sem atualizar...no final eu explico cm detalhes..Boa leiitura


CAPITULO CINCO

Ela encarou o rosto de um estranho, e sentiu a voz em bargada.

— Harry, você jamais iria... — Irrompeu em lágri mas, assustada com o que lia nos olhos escuros dele.

Ele se moveu, comprimindo Hermione contra a porta com seu corpo enorme e ardente. Ela sentiu a pressão daquelas coxas fortes e poderosas, o cinto de metal con tra a barriga. Ouviu o farfalhar do atrito entre os tecidos, enquanto as mãos de seu guardião tomavam as suas para amainar sua resistência.

— Não faria? — rosnou ele, lançando um olhar para os lábios trêmulos de Hermione.

Impressionada com o rosto escuro e leonino daquele homem, tão próximo ao seu, ela o encarou desamparada até que ele repentinamente cobriu-lhe a boca com os lá bios, forçando-lhe a cabeça sob uma pressão impiedosa. Ela manteve os lábios firmemente fechados; o corpo trêmulo, sentindo um medo súbito do que Harry lhe solicitava. Ela enrijeceu-se, lutando instintivamente, enquanto ele pressionava os lábios contra sua boca, escravizando-a mordiscando dolorosamente seus lábios inferiores.

Um soluço irrompeu-lhe da garganta apertada, en quanto abria espaço para o implacável, ardor daquele homem experiente. Nada do que havia experimentado antes a preparara para aquela paixão adulta que sentia por Harry. E aquela paixão produziu uma reação que mesclava medo e choque dentro dela. Não era um namo rado provocando seus sentidos. Era Harry. O Harry que a havia ensinado a cavalgar. O Harry que a havia levado para as aulas de líder de torcida e jogos de futebol ame ricano com sua amiga Gina. Harry, um homem confiante, um protetor e agora...

Ele ergueu o rosto subitamente, examinando os danos que causara aos lábios inchados e machucados de Hermione. Ela estava com os olhos feridos, as faces ariscamente ruborizadas e os cabelos desgrenhados.

— Você está me machucando — sussurrou ela, nervo sa. Então, enfiou os dedos por dentro dos cabelos soltos, para ajeitá-los, com lágrimas escorrendo-lhe dos olhos.

Os olhos de Harry pareceram enrijecer-se ao encará-la. Sua respiração tornou-se intensa e rápida. Os olhos cintilavam, revelando sentimentos incomensuráveis.

— Isso é o que acontece quando você joga esse adorá vel corpinho para cima de mim — declarou ele com voz cortante. — Avisei antes que você começasse a exibi-lo, mas não me deu ouvidos. Talvez eu tenha finalmente conseguido fazê-la entender.

Ela inspirou soluçante, emitindo um som que pareceu perturbá-lo. Os olhos dele suavizaram-se, apenas ligeira mente, enquanto vagavam pelo rosto daquela mulher.

— Deixe-me ir, Harry — implorou ela, num sussurro trêmulo. — Prometo que vou vestir apenas farrapos fe chados para o resto da vida!

As sobrancelhas pesadas de Harry arquearam-se, uni das, e ele largou os braços dela, apoiando as mãos sobre cada lado de suas faces contra a porta, pressionando-a para que ela sentisse a força de seu peito e suas coxas vigorosas.

— Está com medo? — perguntou com a voz grave e indolente.

Hermione engoliu em seco, assentindo, hipnotizada por aquele olhar.

Ele pousou os olhos sobre aqueles lábios inchados e feridos e baixou a cabeça na direção dela mais uma vez. Ela sentiu uma língua acariciando-lhe a boca delicada mente, curando-a e atormentando-a. Soluçou mais uma vez, mas agora não de dor.

Ele afastou a cabeça e prendeu seu olhar ao dela. Deparou-se com uma expressão de curiosidade e incerteza. Ela sentiu a sinceridade dos olhos de Harry e viu o fôlego esvaindo-se de seu corpo. O coração acelerava com a intensidade daquele momento. Subitamente, desejou trazer aquela boca para junto de si, para senti-la nova mente. Abrir os lábios de Harry e sentir seu gosto. Beijá-lo voraz e intensamente e sentir aquele corpo contra o seu como antes, mas, desta vez, sem raiva.

O queixo de Harry enrijeceu-se. Seus olhos pareciam explodir em luz e escuridão. Então, de repente, soltou-a, afastou-se dela e retornou ao bar. Serviu-se de outra dose de uísque, encheu um copo de conhaque para ela e diri giu-se à porta, onde ela se encontrava, dura como gelo. Estendeu a mão e lhe entregou o drinque.

Sem dizer uma palavra, ele tomou a mão dela e puxou-a para a mesa. Ao encostar no móvel, ele se deteve, segurando Hermione diante de si, enquanto ela beberica va, nervosa, o forte líquido âmbar.

Ele bebeu o drinque de uma só vez, afastando o pró prio copo, e, em seguida, o dela. Estendeu os braços para tomá-la pela cintura e trazê-la para junto de si com de licadeza. Ele encarou as faces ruborizadas de Hermione durante um momento e disse, num ímpeto silencioso, pleno de emoções:

— Não pense demais — declarou ele, num tom que a fez lembrar da infância. A voz gentil de Harry a acal mava quando sentia seu mundo desabar. — As táticas podem ter sido diferentes, mas foi apenas uma discus são. Chega.

Ela deixou transparecer uma calma que não sentia, e parte da tensão se dissipou de seu corpo ainda em choque.

— Isso não parece um pedido de desculpas — retru cou ela, lançando-lhe um olhar tímido.

Harry arqueou a sobrancelha.

— Mas não vou me desculpar. Você que pediu isso, Hermione, e sabe muito bem disso.

Ela suspirou trêmula.

— Eu sei.

Com os olhos, ela percorreu as linhas poderosas do seu peito.

— Não quis dizer o que disse.

— A única coisa que você precisa lembrar, meu anji nho — disse ele, indulgente —, é que a luta verbal faz o sangue de um homem ferver. Você pode me provocar sem se dar conta. Está me escutando?

— Estou. — Os olhos escuros e curiosos a encararam por um instante. — Não pensei que você... — ela se interrompeu, tentando encontrar as palavras. — Não temos o mesmo sangue, não precisamos que você se proteja de mim, Hermione — declarou ele num tom grave e tranqüilo. — Não estou ficando maluco e reajo como qualquer homem normal quando vê uma mulher em um vestido tão decotado. Phillip também poderia ter perdido a cabeça da mesma forma — acrescentou, áspero.

Ela sentiu o coração agitado e segurou a respiração.

— Talvez — sussurrou. — Mas ele teria sido... gentil, acho.

Harry não quis discutir a questão. Sua mão quente e grande erguera o rosto dela diante de seus olhos. — Uma outra diferença entre mim e Phillip, Herms, é que não sou um amante gentil. Gosto de mulheres experientes.

— Elas cobram o dobro do honorário? — indagou ela com um quê de petulância e um sorriso oblíquo, tocando cuidadosamente em seus lábios feridos com as pontas dos dedos.

Os lábios de Harry ficaram mais protuberantes e seus olhos cintilaram. Era como se nunca houvesse vivenciado uma cena tão alienante.

— Isso funciona em mão dupla, querida — respondeu ele, pensativo. —Algumas mulheres teriam devolvido o elogio, com interesse.

Ela o encarou no fundo dos olhos. Isso está começan do a ficar interessante, pensou ela, atordoada.

— As mulheres mordem os homens? — perguntou, num suspiro, como se fosse um tema impróprio para ou vidos decentes.

— Mordem — respondeu ele, também em sussurro.

— E agarram e gritam como carpideiras.

— Não quis dizer depois — retificou ela —, quis di zer, quando... é, deixa para lá, você só quer zombar de mim. Pergunto para o Phillip.

Ele riu baixinho.

— Você realmente acha que ele já sentiu esse tipo de paixão? — indagou.

Ela franziu o cenho.

— Ele é homem.

— Os homens são diferentes — ele a lembrou. E bai xando os olhos para os lábios dela, continuou. — Coitadinha, eu machuquei você, não? — perguntou, gentil.

Ela se afastou e ele a soltou.

— Tudo bem — murmurou Hermione. — Como você disse, fui eu que pedi por isso. — Ela desviou o olhar de Harry. — Você é muito sofisticado.

— E você uma menininha deliciosa — retrucou ele.

— Não queria ter sido tão violento, mas queria mostrar como você é capaz de provocar um homem com um ves tido desses. — Ele sorriu, seco. — Meu ponto de ebuli ção é baixo, Herms, e eu avisei.

— Não achei que estivesse falando sério — declarou ela, com um suspiro.

Harry varreu Hermione com os olhos.

— Agora você já sabe.

— E sei muito bem — concordou ela. Ao virar-se para sair, quase derrubou o inestimável vaso de porcelana de Lilian sobre a mesa de mármore. — Vou devolver todos os vestidos que comprei, antes que seja tarde.

— Herms, não seja ridícula — repreendeu ele. — Você entendeu o que eu quis dizer. Não quero que saia por aí com decotes que vão até a cintura, só isso. Ainda é jo vem demais para perceber no que está se metendo.

Ela se dirigiu à porta, toda digna de si e com a pos tura tão perfeita que até a Mademoiselle Devres a teria ovacionado.

— Não sou mais criança, Harry, sou?

Ele virou-se de costas, inclinando a cabeça e acenden do um cigarro com mãos firmes.

— A que horas o tal do escritor chega aqui? Ela soluçou, nervosa e hesitante.

— Amanhã de manhã.

Observou-o caminhar até a janela e abrir a cortina para olhar para fora. Suas costas largas a encaravam e, de súbito, ela se recordou do aconchego e da sensualida de das palmas das mãos daquele homem. — Não vai me pedir para cancelar o compromisso de novo, vai? — perguntou ela, testando-o, sentindo um ar repio de medo e excitação percorrer seu corpo.

Ele a fitou do outro lado do cômodo durante um tem po e, finalmente, respondeu:

— Ao menos não vou ter de me preocupar com você fu gindo, sorrateiramente para a convenção com ele, enquan to ele estiver sob o meu teto — afirmou, indiferente. — E ele teria o caminho livre para seduzi-la, pelo que vi hoje.

Os olhos de Hermione o metralharam.

— Isso é o que você pensa! — gritou.

Ele apenas riu, gentil e sensual.

— Antes de você sair, agarrada ao peito nu e atraente dele, lembre-se de que não fui eu que tentei seduzi-la. Você já deve ter percebido que adolescentes safadas não são o meu tipo. Não que você se encaixe nessa categoria — acrescentou ele, com um riso sarcástico. — Ainda fal ta muito para você ser uma mulher de 21 anos.

Essa doeu, doeu muito mais do que o sabor arrasador de tê-lo como amante.

— Rony não concorda com isso — informou-lhe.

Ele havia levado o cigarro à boca rígida, seus olhos rindo de Hermione.

— Se eu tivesse a experiência limitada dele, também concordaria com ele — menosprezou-a.

Aquela declaração deixou Hermione desconfiada.

— E o que você sabe sobre as experiências dele? Ele a estudou por um longo e estático silêncio.

— Você achou mesmo que eu ia deixá-la ir para Creta com ele e aquela irmã irresponsável sem investigar quem são essas pessoas?

O rosto de Hermione enrubesceu de ódio.

— Não confia em mim mesmo, não é?

— Muito pelo contrário. Confio totalmente. Não con fio é nos homens — afirmou, arrogante.

— Você não é o meu dono — gritou ela, enfurecida com aquela certeza serena.

— Vá dormir antes de me tirar do sério outra vez.

— Com todo o prazer — retrucou ela. Saiu pela porta sem nem mesmo desejar boa-noite e passou metade da noite sem conseguir dormir.

Aquela noite, os sonhos de Hermione foram invadidos por Harry. E, quando acordou com o estrondo do trovão e o barulho da chuva, tinha em mente a imagem vivida de si mesma naqueles enormes braços e aquela boca ardendo em sua pele. Aqueles pensamentos eram tão embaraçosos que a atrasaram para o café. Achava que não ia conseguir encarar Harry sem trair as suas emoções e se entregar.

Mas suas preocupações eram infundadas. Harry já ha via ido para o escritório quando Hermione desceu as esca das e deparou-se com Vivian, sozinha à mesa do café.

— Bom dia — cumprimentou Vivian, educada. Suas feições louras e delicadas estavam ressaltadas pela blu sa e saia amarelas. Parecia magra e ultra-elegante. Ela mirou a calça jeans e o suéter branco de gola rulê com desgosto.

— Você não acredita em moda, não é?

— Na minha própria casa, não — respondeu, apa nhando o creme para acrescentar sobre seu café fumegante. A sra. Johnson entrava e saía da cozinha, trazendo mais das formidáveis louças para a mesa.

Vivian a observou colocar duas colheres de açúcar no café.

— E também não conta calorias, não é mesmo? — divertiu-se.

— Não preciso — respondeu Hermione, tranqüila, sem deixar transparecer sua irritação. Por onde andam Lilian, Phillip e Dick Leeds?

Vivian a observou erguer a xícara até a boca e, com olhos de águia, deteve-se no machucado de seu lábio inferior, que palpitava levemente esta manhã, um do loroso lembrete da chocante intimidade que tivera com Harry.

Os olhos apertados da loura cravaram-se no prato de Hermione ao ver ovos mexidos.

— Você e Harry ainda ficaram muito tempo aqui em baixo ontem à noite — disse em tom de conversa.

— Tínhamos assuntos para resolver — murmurou Hermione, odiando perceber que aquela lembrança a ator mentava novamente. Estava sendo forçada a ver Harry de uma maneira totalmente nova, e não sabia ao certo se era isso que desejava. Agora, temia-o mais do que nunca: um medo delicioso e efêmero que acelerava seu pulso somente ao imaginar aquela boca dominando-a. Como teria sido, perguntava-se, relutava em imaginar, se ele não tivesse se enfurecido...

— Você deve ter sentido a falta de Harry hoje de ma nhã — comentou Vivian com os olhos estranhamente desconfiados e monitorando Hermione, que se servia de ovos e presunto. — Ele me pediu para descer assim que o despertador tocasse para que tomássemos café juntos.

— Que simpático.

Hermione estava de cabeça baixa e não viu o sorriso malicioso que se formou nos lábios de Vivian.

— Ele estava louco para sair antes que você descesse — continuou com a voz fria e baixa. — Acho que está com medo de que você tenha interpretado com exagero o que aconteceu ontem à noite.

O garfo de Hermione pesou sobre os dedos, colidindo fortemente com o prato de porcelana e produzindo um som alto e tilintante. Hermione ergueu o olhar, espantada.

— O quê? Ele disse isso? — perguntou, incrédula. Vivian era a imagem da sofisticação.

— Claro, querida. Estava eriçado de remorsos e dei xei que desabafasse. Foi o vestido, claro. Harry é homem demais para não se deixar provocar por uma mulher seminua.

— Eu não estava...!

— Ele faz sexo muito bem, não acha? — perguntou Vivian com um sorriso dissimulado. — É um amante tão vivo, tão atencioso e excitante.

O rosto de Hermione estava roxo. Ela tomou um gole de café, ignorando a temperatura da bebida.

— Você entende que isso não pode voltar a aconte cer? — perguntou a mulher gentilmente, sorrindo para Hermione. — Agora entendo por que Harry não contou para você a verdadeira razão de eu ter vindo para cá com meu pai, mas... — Ela se interrompeu no meio da frase, insinuante.

Hermione a fitou, sentindo seu mundinho seguro desabar à sua volta. Era como se estivesse sendo enterrada viva. Mal conseguia respirar, sentia-se sufocada.

— Você quer dizer que...

— Se Harry ainda não contou, não vou contar. Ele não queria anunciar a notícia logo. Não até que sua família me conhecesse.

Hermione não conseguia assimilar as palavras. Então era isso. Finalmente Harry decidira se casar com aqueIa perua loura. E, depois de ontem à noite, ela chegou a pensar que... Cerrou o rosto. O que importava agora? Harry sempre havia sido como um irmão, apesar do ar dor violento da noite passada. E, segundo ele, aquilo fora apenas para adverti-la. Ele receava que ela interpretasse demais? Ele ia ver só!

Vivian, presenciando o olhar de desespero estampado no rosto da jovem, cobriu o sorriso com a xícara de café que bebia.

— Vejo que entendeu. Não vai contar nada para Harry sobre o que eu disse, certo? Ele ficaria tão bravo comigo...

— Claro que não — respondeu Hermione, em voz bai xa. — Meus parabéns.

Vivian sorriu docemente.

— Espero que nos tornemos grandes amigas. E esque ça o que aconteceu com Harry. Ele também só quer es quecer. Afinal de contas, foi apenas uma distração, nada para se levar a sério.

Claro que não, pensou Hermione, sentindo-se repenti namente vazia. Forçou um sorriso, mas, felizmente, o resto da família chegou naquele momento e ela conse guiu enterrar a tristeza na conversa.

Hermione sempre gostou de aeroportos; os viajantes com suas bagagens e sorrisos a fascinavam, e ela gosta va de sentar para observá-los e criar histórias. Uma jo vem loura, alta, bronzeada e de pernas longilíneas correu para os braços de um moreno grande e irrompeu em lá grimas. Ao observá-los, enquanto esperava pelo avião de Ronald Donavan, Hermione se questionava se aqueles dois estavam fazendo as pazes. Devia ser isso, porque o homem a beijava como se acreditasse que nunca ia revê- la, e lágrimas incontidas escorriam pelas faces pálidas da jovem. A emoção daquele beijo ardente fez com que Hermione se sentisse uma voyeuse e ela desviou o olhar. Via em ambos uma paixão profunda que não lhe era familiar. Jamais havia sentido tamanho desejo por um homem. O mais próximo havia sido quando Harry a beijou pela segunda vez, aquele toque sensual e ardente que incitava os desejos mais ávidos de seu corpo intocado. Se ele a tivesse beijado uma terceira vez...

Enfim, avistou Rony Donavan vindo em sua direção. Lançou-se em seus braços estendidos e o abraçou, er guendo o rosto para beijá-lo firme e apaixonadamente.

Os olhos azuis de Rony sorriram para os dela, sob o choque do contato daqueles cabelos ruivos sobre suas sobrancelhas.

— Sentiu minha falta? — brincou.

Ela confirmou com a cabeça genuinamente.

— Você acha que eu teria vindo até aqui, contra a von tade de toda a minha família, se não tivesse sentido?

— Eu sei. É uma viagem longa, não? Eu podia ter ido de ônibus.

— Não seja tolo. — Ela entrelaçou seus dedos nos de Rony enquanto rumavam à esteira de bagagens. — Que tal um tour por Charleston antes de irmos para casa? Os con vidados de Harry fizeram, e você tem o mesmo direito...

— Convidados? Eu cheguei em um momento inopor tuno? — indagou ele imediatamente.

— Harry está cortejando um sindicato e uma mulher ao mesmo tempo. Vamos simplesmente sair do caminho deles. Phillip, Lilian e eu vamos cuidar de você, não se preocupe.

— Harry é seu tutor, não é? — perguntou, enquanto apanhava a mala na esteira.

— É, e um primo distante. Fui criada pelos Potter. Infelizmente o tempo não está dos melhores para um tour — ela se desculpou, apontando para o céu cinza e chuvoso ao saírem do aeroporto e dirigirem-se para o estacionamento. — Tem chovido o dia todo e pode ser que haja inundações. Sofremos muito com os furacões aqui na planície.

— É muito baixo aqui? — perguntou ele.

— É tão baixo que precisamos olhar para cima para ver as ruas.

— A mesma tolinha de sempre — provocou ele. — É bom estar no sul de novo. Não conhecia ninguém do sul antes de conhecer você. Na verdade, essa é a primeira vez que vou passar um tempo aqui.

— Vai descobrir muitas coisas. Principalmente, que muitos de nós acreditam na igualdade, que muitos sabem de fato ler e escrever.

Naquele momento, começou a chover torrencialmente. Ambos correram para o carro, sem conseguir evitar que se encharcassem.

Afastando os cabelos molhados do rosto, Hermione deu ré com seu pequeno Porsche branco e saiu do estaciona mento. Ela dirigia com cuidado não apenas por causa do curso que freqüentou, mas também porque, quando recebeu o carro de presente de Harry, ele passou uma semana como passageiro, para monitorar seus movimentos. Quando ele dava instruções, ela ouvia; afinal, Harry havia competido em Grandes Prêmios por toda a Europa.

— Está chovendo muito! — riu ela, tentando enxergar por entre os limpadores de pára-brisa. Era difícil identificar os outros carros, mesmo com os faróis acesos.

— Não me culpe. — Rony riu. — Não trouxe a chuva comigo.

— Espero que pare logo — desejou ela, lembrando das duas pontes que tinham que atravessar. Quando ha via inundação, as pontes ficavam sob a água e era im possível passar.

— Desculpe por não termos ido buscar você de avião, mas o Cessna precisava de uns reparos. Foi por isso que Harry teve de levar seus convidados de carro. Há um jatinho executivo da empresa também, mas um dos vice-presidentes precisou voar até as usinas na Geórgia.

— Sua família deve ser proprietária de várias indús trias.

Ela desdenhou com os ombros.

— Só três ou quatro usinas de tecelagem e cinco con fecções.

Ele arregalou os olhos.

— Só...

— Muitos dos amigos de Harry têm muito mais — ex plicou ela. Ela seguiu a 26 até pegar a saída e cair na Rutledge Avenue. — Vamos passar em volta da Battery e vou mostrar os principais marcos da Meeting Street. — Se conseguir ver alguma coisa nessa chuva.

— Conhece bem a cidade?

— Tinha uma tia que morava aqui e eu costumava passar o verão com ela. Ainda gosto de vir para cá nos finais de semana, para sair à noite.

Não comentou que nunca havia vindo sozinha, nem que estava fazendo esse passeio sem a permissão de Harry. Lilian e Phillip tinham reclamado, mas ninguém conseguia detê-la a não ser Harry. E eles não consegui ram encontrá-lo a tempo, antes de ela sair. Hermione ainda podia ver a expressão presunçosa de Vivian Leeds e seu orgulho ferido. Se ele estava envolvido com aquela loura, jamais deveria ter tocado em Hermione... Mas ela o provocou. Ele a acusou de tal ato, e ela não podia negar. Só não sabia por quê.

— Gostaria de usar essa região como pano de fundo para um livro — declarou ele, enquanto se aproximavam de Battery, avistando o quebra-mar e seguindo para a parte velha da cidade. Ela sorriu ao ver o interesse entu siasmado de Rony.

— Você conhece a história dessas casas antigas da ci dade? — perguntou ele.

— Só de algumas. — Ela apontou para uma casa bran ca de dois andares. — Aquela ali, por exemplo, data de 1820. Foi construída com madeira de palmeira fincada na lama, seguindo uma técnica local, contra terremoto. Esse estilo foi utilizado depois pelo famoso arquiteto Frank Lloyd Wright. Foi uma das poucas construções que sobreviveram ao terremoto de Charleston em 1886, que destruiu a maior parte da cidade.

— Nossa!

Ele apontou para o White Point Garden, onde um pequeno grupo de pessoas desembarcava de uma charrete.

— Há vários passeios de charrete pela cidade velha. São divertidos. Mas infelizmente não temos tempo hoje.

— Não havia uma nuvem sequer no céu quando saí de casa — suspirou ele.

— É a vida. Olhe para a esquerda. Aquela primeira casa pertencia a um dos Middleton, que era dono do Middleton Place Gardens. A segunda casa foi construída num estilo típico de Charleston, tijolos sob revestimentos de tábuas de cipreste. Data do século XVIII.

— Mocinha, você entende muito de arquitetura — elogiou ele.

— Não como a tia Hattie. Foi ela que me ensinou. Ali mais abaixo você vê um bom exemplo de construção estilo Adams, a casa Russell. Hoje ela é a sede da Funda ção Histórica de Charleston. Queria ter mais tempo para mostrar a Market Street para você — disse ela, pesarosa, prestando atenção no trânsito. — Há um lugar em que você pode pedir a comida que quiser em barracas individuais e há todos os tipos de lojinhas e galerias de arte. Mas acho que é melhor pararmos em um restaurante perto da minha casa. O vento está forte e acho que a chuva não vai cessar tão cedo.

— Talvez na viagem de volta — sugeriu ele, sorrindo. Ela retribuiu o sorriso, ligando o rádio em uma esta ção local. Estavam dando a previsão meteorológica. Pre viam inundações na área de King's Fort e a alta dos rios nas cercanias de Charleston.

— Espero que não esteja com fome. Temos que che gar em casa antes de a água cobrir as pontes.

— Que aventura — brincou ele, observando a intensa concentração de Hermione ao tráfego.

— E é. Você está com fome? — insistiu ela.

— Estava pensando em um coquetel de camarão — admitiu ele.

— Vou pedir para a sra. Johnson preparar um para você assim que chegarmos em casa. Sempre temos ca marão congelado, porque é o prato predileto de Harry.

Ele olhou para fora da janela para o céu cinza-escuro, para as luzes das lojas e dos carros.

— Algumas dessas árvores estão inclinando demais — comentou ele.

— Já vi quase encostarem no chão durante um furacão — lembrou ela, aflita. — Estou com medo. Se eu sou besse que teríamos tempo, pararia para ligar para casa. Mas não vou arriscar.

— Você é o piloto, querida — declarou ele.

Ela sorriu de soslaio. Se Harry estivesse com ela, es taria na direção, mesmo que o carro não fosse dele. Ela se endireitou no banco. Comparações eram injustas, e ela não tinha o direito nem de pensar em Harry, agora ele que estava praticamente noivo. Mas não podia parar de pensar no que ia acontecer quando chegasse em casa. Como Philip afirmou uma vez, quando ficava irritado, Harry não se importava com as pessoas à sua volta.

A chuva os seguiu até King's Fort e, apesar das rea firmações periódicas de Larry, Hermione não conseguia evitar a tensão. O pequeno carro esportivo, a despeito de seu design e mecânica brilhantes, era leve demais para enfrentar aquela tempestade. Em um momento, Hermione quase bateu em uma caixa de correio, quando o carro derrapou. Ela conseguiu desviar, mas ficava cada vez mais nervosa. Não havia onde parar até chegar a King's Fort, senão já teria parado.

Cerrou os dentes e continuou dirigindo, tentando esconder o nervosismo. Se ao menos Harry estivesse com ela!

Eles se aproximavam da primeira ponte e ela tentava enxergar se ainda havia passagem.

— E então? — perguntou Rony. — Ainda estou ven do a rua.

— É — respirou ela, aliviada. Diminuiu a marcha para avistar melhor o nível da água. Estava apenas alguns centímetros abaixo da ponte. Em mais alguns minutos... ela se concentrou em atravessar a ponte, sem pensar.

— Ainda falta muito até a segunda ponte? — pergun tou ele.

— Uns 30 quilômetros.

Rony não disse nada, mas ela sabia que eles estavam pensando a mesma coisa, que aqueles poucos minutos representavam a diferença entre conseguir ou não cruzar a ponte.

Não havia quase fluxo nenhum de carros nas ruas. Só viram dois carros e um deles era da polícia. Rony começou. — Mas e se a gente não conseguir atravessar a segunda ponte?

Ela umedeceu os lábios com a língua.

— Vamos ter que voltar para King's Fort e passar a noite em um hotel. — Ela previu a fúria de Harry quan do a reencontrasse. — Mas o rio não deve estar tão alto ainda. Acho que vamos conseguir.

— Só por via das dúvidas, que tipo de temperamento tem o seu tutor?

Ela pressionou as mãos contra o volante, sem res ponder.

Quando chegaram à longa ponte, seus piores medos se confirmaram. Dois homens uniformizados estavam interditando a passagem.

Ela baixou o vidro, assim que um deles se aproximou. Ele tocou o chapéu como sinal de respeito.

— Perdão, a senhora terá de retornar a King's Fort. O rio já alcançou a ponte.

— Mas é a única ponte para Greyoaks — protestou ela, sabendo que a passagem não seria aberta por per suasão.

Os homens uniformizados desculparam-se com um sorriso.

— E, senhora, infelizmente. Mas a passagem não será aberta até que o nível da água baixe. Perdão.

Ela suspirou.

— Então terei de voltar para King's Fort e ligar para casa...

— A senhora não está com sorte — disse o oficial com um sorriso pesaroso. — As linhas telefônicas estão mudas. De qualquer forma, o dia está sendo difícil para todos. Gostaríamos de poder ajudar.

Ela sorriu.

— Obrigada mesmo assim. Fechou o vidro e hesitou por um momento, antes de dar ré, manobrar o carro e voltar rumo a King's Fort.

— Estou me sentindo mal com essa história — disse Rony, gentil.

— Não seja bobo — respondeu ela com um sorriso. — Está tudo bem. Vamos apenas chegar um pouco atra sados em casa, só isso. Ele observou sua expressão.

— Explico tudo para ele — prometeu.

Ela confirmou com a cabeça. Mas, sob aquele sorri so de coragem, ela se sentia uma colegial rebelde sendo mandada para o gabinete do diretor. Harry não ia enten der. E agora ela torcia para que o rio não baixasse até que Harry esfriasse a cabeça.


N/A – OK OK, Podem me atirar pedras e outras coisas..Eu esqueci que estava adaptando esse livro. Na verdade só fui lembrar qdo resolvi arrumar a minha estante. Peço desculpas pela demora.

Será que posso desejar um Feliz Natal atrasado?E um 2010 maravilhoso?

Agora falando um pouquinho mais séria...Deixem reviews..nem que seja pra pedir pra eu desistir. Prometo que se eu tiver bastantes reviews pedindo pra continuar...eu atualizo antes de 2010 =) ou deleto né.

Desculpem de novo! Esse capítulo não é dos mais empolgantes..mas eu prometo que ele meklhora! Beijinhos