Título: Manhã de Outono
Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Manhã de Outono" da autora Diana Palmer e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.
Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.
Esta é uma fic que se passa num universo alternativo...
CAPITULO SETE
EIa se atrasou de propósito para o café. Desceu a escada e olhou em volta, torcendo para que Harry já tivesse saído. Lilian estava terminando uma torrada, sentada na frente de Phillip, que tomava um gole de café. Harry, Dick Leeds e Vivian não estavam à vista.
— Nossa, como você está arrumada — comentou Lilian, contemplando o belo terninho bege e a blusa de crepe marfim que Hermione vestia. Seu cabelo estava preso num coque, com cachos emoldurando seu rosto, calçava sandálias de salto agulha. Era o retrato de uma executiva.
— Modernosa — acrescentou Phillip, piscando o olho. — Aonde você vai com sua plumagem mais bela, passarinho?
— Vou procurar emprego — respondeu com um sorriso frio.
Lilian engasgou e Phillip teve que bater-lhe nas costas.
— Emprego? — perguntou. — Fazendo o quê, Hermione?
— Depende do que eu encontrar — respondeu a jovem, com um brilho de teimosia em seus olhos verdes. — Não discuta, Lilian — acrescentou, percebendo a imediata desaprovação naquele rosto pálido de olhos escuros.
— Não ia fazer isso, querida — Lilian protestou. — Só ia perguntar como você pretendia contar para Harry.
— Ela já contou — disse Harry, aparecendo na porta vestindo um belo terno cinza com uma gravata estampa da que realçava seu tom de pele. — Vamos, Herms.
Estava quase tremendo de emoção, com os grandes olhos verdes arregalados, mesmo sabendo que não ia brigar. Todas as suas resoluções desapareceram quando ele a confrontou. De qualquer maneira, depois de on tem a briga estava encerrada mesmo. Ela não agüentava mais.
— Ela não tomou café — observou Phillip.
— Ela vai aprender a descer a tempo, não? — respon deu Harry. Havia algo vagamente ameaçador na maneira com que fitava seu irmão menor.
Phillip sorriu, envergonhado.
— Só um comentário — ele riu.
Os escuros olhos de Harry viraram-se na direção de Hermione, examinando-a possessivamente.
— Vamos, eu disse.
Ela se levantou, deixando uma xícara de café fresco e ovos mexidos para trás, seguindo-o apreensiva até o hall.
— Aonde vamos?
As sobrancelhas grossas levantaram-se. Abriu a porta para ela.
— Trabalhar, é claro.
— Mas ainda não tenho emprego.
— Tem sim.
— Qual?
— Minha secretária.
Desatinada, acompanhou-o para fora, e só conseguiu falar enquanto caminhavam para a garagem, no passo apertado de Harry.
— Ouvi direito? — perguntou, sem disfarçar sua incredulidade.
— Ouviu. — Pegou um cigarro e inclinou-se para acendê-lo enquanto dirigia.
— Mas, Harry, não posso trabalhar para você.
Seus olhos escuros examinaram brevemente o rosto dela.
— Por que não?
— Não sei datilografar rápido o suficiente — respon deu, aflita. Passar o dia inteiro perto dele, todos os dias, seria uma agonia, não uma alegria.
— Você está dentro da média, pequena. Serve. — Ele acendeu o cigarro e pôs o isqueiro no lugar. — Disse que queria um emprego.
Sentada tensa ao lado de Harry, ela olhava para os carros que passavam na outra pista, sem realmente vê-los.
— Onde estava Vivian essa manhã? — perguntou, com voz baixa. — Vocês chegaram tarde ontem à noite.
— É, chegamos.
— Não é da minha conta, é claro — disse, evitando fitá-lo.
Ele apenas sorriu, concentrado na rua.
O moderno e bem cuidado complexo Potter Mills ficava no andar térreo do imenso parque industrial da cidade. Hermione já havia estado inúmeras vezes no edifí cio, mas nunca como funcionária.
Seguiu Harry até seu atraente escritório, onde a mo bília escura era adornada por elegantes enfeites em tons de chocolate e creme. Um quadro da mesma extensão do sofá de couro chamou sua atenção. Observou a paisagem marítima, as cores do pôr-do-sol misturando-se com as nuvens, a praia e suas palmeiras, em tons de branco e prata. Em primeiro plano, havia as silhuetas de um ho mem e uma mulher.
— Gostou? — ele perguntou, enquanto checava as mensagens em sua mesa.
Ela assentiu.
— E St. Martin, não é? — perguntou em voz baixa. — Eu reconheço esse lugar.
— E bem que deveria. Nós dividimos uma garrafa de champanhe debaixo dessas árvores no seu aniversário de 18 anos. Quase tive que carregá-la de volta para a casa.
Ela riu, lembrando do próprio prazer borbulhante da quela noite, da companhia de Harry e do barulho das on das. Conversaram muito, lembrou, caminharam pela es puma das ondas e beberam champanhe, enquanto Phillip e Lilian perdiam dinheiro num dos cassinos.
— Foi a melhor festa de aniversário que já tive — murmurou. —Acho que não nos desentendemos nenhu ma vez durante toda a viagem.
— Gostaria de repetir essa viagem? — perguntou ele, abruptamente.
Ela se virou. Ele estava de pé em frente à sua mesa, com as pernas ligeiramente afastadas e as mãos sobre os quadris esguios.
— Agora?
— Semana que vem. Tenho uma viagem de negócios para o Haiti — explicou, misteriosamente. — Pensei em ficarmos alguns dias em St. Martin e, de lá, eu iria até o Haiti.
— Por que Haiti? — perguntou, curiosa.
— Você não precisa me acompanhar nesta parte da viagem — ele respondeu de maneira definitiva.
Ela examinou o quadro novamente.
— Nós? — perguntou num fio de voz.
— Vivian e Dick também, num último esforço para conseguir a cooperação dele.
— E a dela? — perguntou, com mais amargor do que imaginava sentir.
Houve uma longa pausa.
— Achei que agora você já soubesse por que ela também veio.
Hermione baixou os olhos em direção à moldura do quadro, sentindo-se morta por dentro. Ele estava final mente admitindo.
— Sim — sussurrou. — Eu sei.
— Sabe mesmo? — ele murmurou, franzindo as so brancelhas.
— Alguém mais vai junto? — ela perguntou. — Phillip?
— Phillip? — repetiu asperamente. Suas feições endureceram. — O que está havendo entre vocês, Hermione?
— Nada — defendeu-se. — Só gostamos da compa nhia um do outro.
Os olhos escuros de Harry pareciam explodir em chamas.
— Mas é claro que levaremos Phillip. Assim você terá alguém com quem brincar!
Sua voz era cortante.
— Não sou criança, Harry — disse, com uma digni dade silenciosa.
— Vocês dois são crianças.
Ela levantou os ombros delicados.
— Você não me tratou assim ontem à noite!
Um sorriso lento e vago apoderou-se de seus lábios tensos.
— Você não agiu como uma. — Seus olhos vigorosos analisavam aquele corpo no atraente terninho.
Ela sentiu o rubor subir pelas bochechas ao ouvir as palavras dele, lembrando a sensação do seu peito quente, aquela textura áspera contra seus seios.
— Phillip — debochou ele, buscando seu olhar. — Você o queimaria vivo. É intensa demais para ele. Para Donavan também.
— Harry! — brandiu, envergonhada.
— Bem, é verdade — rosnou, os olhos fixos no rosto dela, remoendo aquelas lembranças. — Quase não dor mi ontem à noite. Sentia suas mãos me tocando... Seu corpo como seda, se contorcendo contra o meu. Você pode estar um pouco verde ainda, menininha, mas tem bons instintos. Quando finalmente parar de fugir da pai xão, será uma mulher e tanto.
— Não estou fugindo... — sussurrou involuntaria mente, antes de perceber o que dizia.
Ficou ali de pé, observando-o, subitamente vulnerá vel, ávida ao lembrar das mãos dele tocando sua pele nua e da violência de suas emoções. Queria tocá-lo, abra çá-lo, sentir seus lábios contra os dele... Ele sentiu perfeitamente essa onda de desejo. Seus olhos escureceram violentamente quando ele levantou e contornou a mesa, caminhando em sua direção. Não havia mais fingimen tos entre eles agora, apenas um fio de desejo ardente.
— É melhor que o que vejo nos seus olhos seja verdade — rosnou ele, ao alcançá-la, lançando as enormes mãos para pegá-la pela cintura e trazê-la para junto de si.
Exultante, ela sentia o peso daquele corpo grande e musculoso junto ao seu. Levantou o rosto em direção ao dele, e seu coração disparou ao encontrar aqueles olhos a apenas milímetros de distância. Tremeu quando ele inclinou a cabeça.
A boca estava faminta e o beijo machucava. Virou-se para cima, segurando-o, enquanto aqueles lábios se afas tavam e se aproximavam dos seus, ardentemente.
— Harry — sussurrou sofregamente.
Ele tirara a mão de sua cintura para cobrir-lhe o seio, pesando levemente enquanto lançava a língua para dentro do calor de sua boca.
— Você está envenenando lentamente o meu sangue, Hermione — ele sussurrou asperamente. Seus dedos se contraíram e ele observava como aquele rosto rubro reagia, desamparado. — Olho para você e só consigo pensar em senti-la sob minhas mãos. Lembra de ontem? — cochi chou contra sua boca. — Seus seios apertaram-se contra mim, sem nenhum pedaço de pano impedindo que sen tíssemos a pele um do outro...
— Oh, não — gemeu, atordoada. — Não é justo...
— Por que não? — Levantou-a até que seus olhos es tivessem na mesma altura. — Diga que não queria que eu fizesse o que fiz. Diga que, quando lhe soltei, seu cor po não ardia feito o meu.
Não podia, pois o desejava. Isso estava escrito em cada linha de seu rosto avermelhado, nos grandes olhos verdes que buscavam desesperadamente os dele, no si lêncio do escritório.
— Gostaria de levar você sozinha à Martinica. Só nós dois, Hermione. Eu lhe deitaria na areia, na escuridão, e degus taria cada doce pedaço do seu corpo com meus lábios.
A intensidade de suas palavras a deixava ofegante.
— Eu... não iria...
— Até parece que não. — Beijou-a avidamente, bus cando seus quadris, colando-os aos seus sensualmente, até que as sensações fizeram com que Hermione soltasse um gemido.
— Você me deseja, Herms? — provocou com um suspi ro. — Deus sabe o quanto eu a desejo. Foi errado tocar-lhe daquela maneira. Agora, só consigo pensar no desejo que sinto por você. Me beije, querida.
Ela obedeceu, pois era tudo o que queria naquele mo mento. Senti-lo, o toque, o gosto e o cheiro dele, seus longos braços prendendo-a a cada parte de seu corpo vigoroso, enquanto sua boca roubava tudo o que a dela podia oferecer. Levou uma eternidade até ele finalmente levantar a cabeça e fitá-la com olhos ardentes.
Com uma rapidez quase dolorosa, a porta foi aberta e a voz esganiçada de Vivian quebrou a emoção que os unia.
— Olá — disse com seu sotaque britânico. — Espero não estar interrompendo nada.
— Claro que não — disse Harry, virando-se com um largo sorriso. — Eu lhe prometi um tour, não? Vamos. Hermione — disse, de costas para ela —, venha.
Ela ainda tremia e queria recusar, mas os olhos de Vi vian já demonstravam suspeita, então não ousou.
Harry acompanhou-as pela enorme fábrica, mostran do as principais áreas de interesse: a sala de treinamento, onde as novas costureiras aprendiam a usar os equipa mentos mais modernos; a esteira de calças, em que cada operador de máquina de costura exercia uma diferente função na fabricação de uma calça; a sala de corte, onde enormes pedaços de tecido eram esticados e cortados em camadas de diferentes espessuras. Hermione lembra va de termos específicos da indústria têxtil, ouvidos na infância: os meninos que carregavam pacotes de tecidos estampados para as costureiras, as supervisoras que cuidavam de cada grupo de costureiras, os esticadores que alisavam os tecidos, os cortadores que cortavam, e os inspetores, responsáveis por detectar os produtos de se gunda ou terceira classe e evitar que fossem enviados como produtos de primeira. Havia também as passadeiras, os empacotadores e as lavadeiras, que testavam a lavagem das roupas. Centenas de máquinas de costura funcionavam juntas na sala da esteira das camisas. Essa seção tinha máquinas que faziam casas de botão, além dos outros equipamentos específicos. As cores brilhantes captaram os olhos de Hermione.
— Esse tom de azul é lindo! Harry riu.
— Vou levá-las na usina de tecelagem, para verem como é feito. É um processo onde chumaços de algodão são amarrados e passam por uma torrente de rocas, em salas diferentes, para produzir um novelo. Atualmente, usamos algodão e rayon. Antes, a usina trabalha estrita mente com algodão.
— Que interessante — disse Vivian, sem entusiasmo. — Nunca estive numa usina.
Hermione olhou-a, boquiaberta. Definitivamente essa não era sua primeira vez. Quando era mais nova, vivia atrás de Harry e Phillip, porque todo o processo da fa bricação de roupas a fascinava. Mas nunca mais havia estado numa usina de tecelagem e era jovem demais para entender a maior parte do que viu na época.
— Quantas blusas são feitas em uma semana? — per guntou Hermione, observando as diferentes fases de fabri cação enquanto passavam. Por causa do barulho, quase gritou no ouvido de Harry.
— Aproximadamente dez mil dúzias — respondeu ele, sorrindo ao ver o choque em seu rosto. — Acrescen tamos vários equipamentos novos. Temos mais de seis mil operadoras de máquinas de costura nessa fábrica e são necessários em torno de 150 mil jardas de tecido por semana para manter essas senhoras ocupadas.
Hermione olhou para trás.
— As calças...?
— É uma instalação separada, querida — lembrou ele, olhando para a porta que unia os dois departamen tos. — Só temos umas trezentas máquinas na esteira de calças. Nosso principal negócio são as blusas.
— É enorme! — exclamou ela. Harry assentiu.
— Nossos negócios são volumosos. Temos contratos com duas das maiores empresas de vendas por mala di reta e você deve lembrar que temos nossa própria cadeia de ponta de estoque. É uma tremenda operação.
— Deve dar rios de dinheiro — comentou Vivian, e Hermione podia ver os cifrões nos olhos dela.
As sobrancelhas de Harry moveram-se, mas ele não respondeu.
Quando terminaram o tour, Vivian convenceu Harry a levá-la para um café e ele deixou Hermione com um gra vador cheio de cartas a serem datilografadas. Ela ficou revoltada, pois Vivian havia tomado café-da-manhã em casa e ainda ganhava café e rosquinhas, enquanto ela, que havia sido afastada de seu café, não recebia nada. Sentiu-se um tanto reconfortada quando Harry voltou e pôs um copo de isopor com café e uma embalagem de lanchonete na frente dela.
— Café-da-manhã — disse. — Lembro que fiz com que perdesse o seu.
Ela sorriu, satisfeita.
— Obrigada, Harry.
Ele deu de ombros e caminhou até a porta que separa o seu escritório do dela.
— Algum problema com o gravador?
— Só com a sua linguagem — respondeu, atrevida. Ele levantou a sobrancelha, divertido.
— Não pense que vai me mudar, Hermione.
— Não conheço mulher corajosa o suficiente para tan to, Harry — disse com doçura angelical, enquanto ele saía da sala. Deixando o trabalho de lado, abriu seu café fumegante.
Era quase fim de expediente quando Phillip passou no escritório para visitar Harry. Ele apoiou as mãos na mesa de Hermione e sorriu para ela.
— Vida dura, hein?
— Você não sabe nem da metade — lamentou-se. — Nunca imaginei a quantidade de correspondência ne cessária para manter uma fábrica como essa funcionan do. Harry escreve até para deputados, senadores e para a associação de indústrias têxteis. Aliás, eu não sabia que esse ano ele é o presidente.
— Viu o quanto está aprendendo? — provocou Phillip. Segurou-lhe o queixo, inclinando-se para sussurrar:
— Harry já lhe deu chibatadas?
— Ele tem uma chibata? — sussurrou de volta, rindo.
Por azar, exatamente neste momento Harry resolveu abrir a porta do escritório. Lançou um olhar tão tene broso para Phillip, que este se afastou da mesa e enrubesceu.
Harry fechou a porta de seu escritório.
— Leve Hermione para casa — disse secamente. — Vivian e eu vamos jantar fora.
Deixou o escritório sem olhar para trás, enquanto Hermione permaneceu sentada, com o coração apertado, pensando como Harry podia ter sido tão carinhoso mais cedo e tão detestável agora. O que foi que ela fez? Ou será que Harry já estava começando a se arrepender?
Os dias transformaram-se em rotina. De manhã, Hermione ia e voltava do trabalho com Harry. Embora ele sempre fosse profissional com ela, Vivian sempre parecia lívida quando Hermione e Harry iam embora juntos, A não ser candidatar-se a um emprego, a loura fazia de tudo para manter Harry ocupado no seu tempo livre. E era bem-sucedida.
No sábado, Hermione estava disposta a relaxar e, como Vivian havia convencido Harry a levá-la de avião para fazer compras em Atlanta, Hermione chamou Phillip para ir com ela a um shopping novo da cidade. O pedido pareceu incomodar Harry, mas Hermione ignorou sua irrita ção. Afinal de contas, que direito ele tinha de interferir na vida dela? Estava envolvido demais com Vivian para se importar com o que ela fazia. Só o fato de pensar em ir às ilhas com ele já lhe metia medo, embora soubesse que jamais seria forte o suficiente para recusar o convite. Amava-o demais, queria demais sua companhia para recusá-la. Ele podia se casar com Vivian, mas pelo menos Hermione teria algumas memórias para guardar.
— Você está me levando para a forca — reclamou Phillip, cambaleando até o banco mais próximo, no sho pping movimentado. Sentou-se e suspirou teatralmente.
— Só fomos a cinco lojas. Você não pode estar cansado.
— Cinco lojas e você experimentou 15 modelitos em cada uma!
Ela sentou do lado dele, suspirando pesadamente.
— Bem, estou deprimida. Precisava fazer algo para me alegrar.
— Eu não estou deprimido. Por que tive que vir junto?
— Para carregar as sacolas — disse ela, espertamente.
— Mas, Hermione, querida, você não comprou nada.
— Comprei sim. Naquela lojinha de onde acabamos de sair.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— O quê?
— Isso. — Entregou-lhe um saquinho contendo uma caixinha de jóias com um delicado par de brincos de safiras e diamantes dentro. — Não são lindos? Coloquei na conta do Harry.
— Oh, não — ele gemeu, enterrando o rosto nas pró prias mãos.
— Bem, você pode carregá-los. Então, será necessário.
— Como vou sobreviver a todas essas honras que você me confere? — perguntou ele, com falsa humildade.
— Não seja malcriado — censurou-o, empurrando-o com o ombro. — Estou realmente deprimida, Phil.
Ele examinou seu rostinho abatido.
— Qual é o problema, querida? Quer que eu mate um dragão para você?
— Mataria mesmo? Chegaria sorrateiramente en quanto ela dorme e...
— Você precisa fazer um exame de vista — observou ele, erguendo uma sobrancelha enquanto cruzava os braços e se recostava no banco de madeira. — Vivian não é um dragão.
— É o que você pensa. Espere até ela ser sua cunhada e me diga se gosta dela.
— Vivian? Casada com Harry? — disse ele, num so bressalto. — De onde tirou essa besteira?
— Não é besteira. Ela faz o tipo dele. Bonita, sofisti cada e loura.
— É o tipo dele mesmo. Mas você realmente acha que ele está pensando em casamento? Isso não faz o tipo dele.
— Vai ver ela é especial — murmurou, odiando tudo naquela mulher.
Olhou para o vazio, sentindo dores que nunca havia sentido antes.
— Ela me disse que Harry queria que ela viesse nos conhecer.
— Eu sei. Ela tem poder sobre o pai. Controla tudo o que ele faz. Ainda não a viu dando ordens a ele o tempo todo?
Ela ajeitou-se no banco e cruzou as pernas.
— Harry passa o tempo todo com ela. Não me diga que são só negócios — respondeu, alisando o jeans macio da calça de grife que usava. Olhou para suas botas decaubói cor de creme e fez uma careta para o arranhão que havia na ponta de uma delas.
— Nós também passamos bastante tempo juntos — ele lembrou. — Mas somos só amigos.
Ela suspirou:
— É verdade.
— E Harry detesta isso. Olhou para cima, assustada.
— O quê? Phillip sorriu.
— Ele tem ciúmes — riu.
Ela ficou vermelha como um pimentão e desviou o olhar.
— Você é louco!
— Sou mesmo? Ele é exageradamente possessivo quando se trata de você. Sempre foi, mas, recentemente, tenho até medo de me sentar do seu lado quando ele está em casa.
Ao ouvir tais palavras, sentiu seu coração disparar. Queria muito que fossem verdadeiras, mesmo sabendo que não eram.
— Ele é só dominador. — corrigiu, nervosa.
— E mesmo? É por isso que ele começou uma briga com o seu namorado e o mandou embora? — Phillip olhou-a cuidadosamente.
— Quando voltamos de Charleston, Harry não estava e você se escondeu no quarto com dor de cabeça. O que aconteceu entre vocês enquanto estávamos fora?
O rubor dominou-a até os dedos do pé. Não conseguia responder.
— Seu rosto se ilumina quando ele chega — conti nuou, sorrindo. — E ele a observa, quando acha que não tem ninguém olhando. Parecia uma pantera grande e es fomeada fitando uma saborosa gazela.
Ela não sabia disso e seu coração se descontrolou.
— Oh, Phil, jura? — perguntou involuntariamente, seus olhos revelando todos os sentimentos guardados. Ele assentiu com a cabeça, silenciosamente.
— Era exatamente o que eu pensava — disse, suave mente. — Pendurando seu coração na penca que ele leva nas costas, querida?
— É assim tão óbvio? — suspirou, melancólica. Fi xou o olhar nas pessoas que passavam.
— É, pois sempre fomos muito próximos. Eu já sabia por que você comprou aquele vestido sexy antes mesmo de você se dar conta. Queria saber que efeito ele teria sobre Harry. Bombástico, não? — provocou com um sorriso.
Ela enrubesceu loucamente.
— Você se esconde atrás das cortinas? — sussurrou, envergonhada.
— Não sou adolescente, Herms. Você e Harry sempre tiveram um relacionamento intenso. Você exige muito dele. E não é difícil imaginar o tipo de reação que causa. Harry não é nenhum cavalheiro.
Como Phillip conhecia mal o próprio irmão, pensou, lembrando calorosamente daquela manhã preguiçosa no gazebo...
— Ou é? — cochichou ele, reparando em sua expres são sonhadora.
— Não se meta.
— Não estou me metendo — disse suavemente. — Mas não quero ver você acabar como a perdedora da história. Harry é um homem vivido. Ele pode se sentir tentado por uma mulher, mas tem medo de redes. Não tente domá-lo. Daria no mesmo que construir uma cerca em volta do ar.
— Você está querendo dizer que não sou páreo para Sua Alteza.
— E exatamente o que estou querendo dizer — disse, com suave compaixão, acariciando-lhe a mão. — Hermione, uma mulher vivida pode atrair um homem de ma neiras que uma inocente nem imagina. Não quero vê-la sofrendo. Mas você deve saber que não é páreo para Vivian.
— E quem disse que eu queria ser? Você faz com que Harry pareça um...
— Harry é meu irmão e eu faria qualquer coisa por ele. Mas ele acabou de perceber que coisinha deliciosa você se tornou e perdeu o bom senso. No entanto, não vai demorar muito para encontrá-lo e esse minúsculo espaço de tempo pode ser o suficiente para destruí-la. — Apertou a mão dela e suspirou. — Ame-o como um irmão. Mas não como um homem. Não preciso dizer como Harry se comporta em relação ao amor.
Ela sentiu a vida se esvaindo de seu corpo. Seus om bros caíram enquanto balançava a cabeça levemente.
— Ele não acredita no amor — sussurrou, trêmula.
— Harry só quer uma coisa das mulheres. E você não poder dar isso a ele.
Ela sorriu, desejosa.
— Mesmo se eu oferecesse, ele não aceitaria.
— Não deliberadamente — concordou. — Mas você poderia fazê-lo esquecer seus escrúpulos, por menores que sejam. Ou não sabe que os homens são especialmente vulneráveis às mulheres que desejam?
— E Harry sendo Harry, casaria comigo, não? Mesmo odiando a idéia e a mim, ele faria a coisa certa.
— É exatamente o que quero dizer. — Ele segurou a mão dela suavemente. — Nada no mundo me deixaria mais feliz do que vê-la casada com meu irmão. Mas co nheço Harry bem demais, e você também. Ele é muito cínico para mudar da noite para o dia.
— Você não acha que ele seja capaz de... se importar com uma mulher?
Phillip deu de ombros.
— Harry é um homem misterioso. Eu morei minha vida inteira com ele e existem partes de sua personali dade que nunca pude explorar. Talvez ele seja capaz de amar. Mas acho que, de certa maneira, tem medo disso.
Tem medo de ficar vulnerável. Eventualmente, ele pode se casar para deixar um herdeiro para Greyoaks. Ele pode até se apaixonar, não sei.
— Você disse que ele é possessivo comigo — lembrou ela.
— Claro, ele passou metade da vida tomando conta de você. Mas o que ele sente de verdade, ninguém sabe.
Ela mordeu os lábios e assentiu com a cabeça, virando para a calçada.
— Você está certo, é claro — forçou um sorriso. — Vamos tomar um sorvete?
Ele segurou-a pelo braço, impedindo que levantasse.
— Desculpe, não quis magoar você.
— E por que acha que magoou? — perguntou com um sorriso alegre demais.
— Está apaixonada por ele.
Seu rosto empalideceu. Tinha acabado de começar a admitir isso para si mesma. Mas, confrontada com a acu sação, percebeu que não podia negar. Tentou pronunciar algumas palavras, mas a língua não ajudou.
Ele percebeu a confusão em seu rosto e se levantou.
— Sorvete. Claro. Qual sabor, Herms... Creme ou morango?
Faltavam apenas dois dias para a viagem a St. Martin. O ritmo do escritório estava frenético. Hermione datilo grafava até seus dedos ficarem dormentes, e o humor de Harry, agradável como sempre, parecia estar o tempo todo por um fio.
—Você sabe muito bem que não deve usar a inicial do meu nome do meio na assinatura — rosnou, batendo na mesa com as cartas que ela havia acabado de datilogra far. — Refaça tudo!
— Se você não gosta da maneira com que faço as coi sas— reclamou, contrariada —, por que não chama Vivian para trabalhar para você?
— Ela estaria aos prantos agora — admitiu, com um leve sorriso.
Ela endireitou-se na cadeira ao lado da mesa dele, cru zando impacientemente as pernas bem torneadas sob a saia cinza que combinava com a blusa de seda.
— Tem medo de manchar sua armadura brilhante? — ela perguntou.
Ele examinou-a através da fumaça de seu cigarro, os olhos verdes estavam pensativos.
— Com você não corro esse perigo, não é, Herms? — perguntou com a voz baixa. — Você sabe tudo sobre mim, minhas falhas, meus hábitos.
— Será que o conheço mesmo, Harry? — pensou em voz alta. — Às vezes, você me parece um estranho.
Ele levou o cigarro à boca.
— Como naquele dia no gazebo, Hermione? — perguntou suavemente, observando o rubor que invadia seu rosto. Voltou seus olhos rapidamente para o bloco de papel e seu coração disparou.
— Eu não sei mais o que você quer de mim, Harry.
Ficou de pé em frente a ela, levantando seu rosto pelo queixo, para fitá-la com um olhar penetrante.
— Talvez isso seja bom para nós dois — disse, rudemente. — Você é muito jovem, Hermione.
— Oh, sim, comparado a você sou uma mera criança — retrucou.
— Uma gatinha — censurou-a. Algo selvagem e peri goso fervia em seus olhos. — Você me arranharia se eu fizesse amor com você, Hermione, ou ronronaria? Ela respirou secamente.
— Nenhum dos dois!
— Acha que não sou capaz de lhe ensinar a ronronar, Herms? Naquele dia sua boca estava selvagem. Ainda pos so sentir o gosto.
— Eu... não sabia o que estava fazendo — sussurrou num fio de voz, envergonhada com a lembrança de sua reação naquele dia.
— Na verdade, nem eu — murmurou, vagamente, ob servando sua boca de maneira desconcertante. — Toquei em você e perdi a noção das coisas. Só pensava em fazer amor com você até desabar, exausto.
Ela tomou fôlego, encarando-o. Era como se estivesse sendo atingida por um raio. Com ele, acontecera a mes ma coisa, mas Harry só admitia a atração física, exata mente como Phillip havia previsto. Ele perdeu a cabeça por desejo, não por amor.
— Vivian não o deixa exausto? — perguntou com a voz tensa, sofrendo com a certeza de que seus sentimen tos em relação a ele eram em vão.
Silenciosamente, ele buscou seus olhos.
— Não desse jeito. Ela olhou para baixo.
— Você sempre pode achar outra mulher Harry — en gasgou.
Ele se inclinou, apoiando as mãos no braço da cadei ra. A fumaça do cigarro circundou as narinas dela.
— Não uma como você, meu bem — rosnou. — Ou quer tentar me convencer de que deixaria outro homem tocá-la da mesma maneira que eu?
Sentia o calor subindo por sua garganta, seus olhos fi xaram-se na gravata dele. Lembrava-se do toque de suas mãos em suas costas nuas, levemente áspero, acarician do os locais certos.
— Você estava com medo porque era a sua primeira vez. Mas se eu tivesse insistido em fazer amor com você, não teria me impedido. Nós dois sabemos disso.
Sentia-se incrivelmente envergonhada. Odiava-o pelo efeito que suas palavras produziam nela. Tornava-a vulnerável. Nunca um homem a fizera sentir-se vulnerável; isso era novo e desconcertante. Para disfarçar seu medo, mostrava-se geniosa.
— Você é realmente convencido, não? — perguntou atrevidamente, fitando-o com olhos cintilantes. — Como sabe que eu não estava apenas experimentando, Harry? Viu uma sombra surgir em seus olhos. — Como sabe que outros homens não me fazem sentir da mesma maneira?
— Que outros homens? Phillip?
Ela desviou o olhar e fixou-o em seu bloco de papel, Havia uma raiva contida na voz dele e Hermione sabia que era melhor não alfinetá-lo propositalmente. Se ele a tocas-se, iria à loucura. Era sua reação natural àquela vibrante masculinidade que emanava de cada músculo de seu corpo. Estava muito vulnerável agora e a única maneira de evitar que ele percebesse era mantê-lo a distância.
— É melhor nos livrarmos das obrigações — ele disse friamente, sentando-se em sua mesa e apagando o cigarro preguiçosamente. — E aquele carregamento de algodão que nossa usina na Geórgia nunca mandou? — perguntou com a voz baixa. — Confira com o escritório de é se foi enviado ou não. Os esticadores precisam dele para o próximo corte.
— Sim, senhor — respondeu no seu tom mais profis sional. — Mais alguma coisa?
— Sim — disse ele, asperamente, olhando para ela. —Mande uma dúzia de rosas para Vivian.
Foi um golpe violento, mas ela nem piscou. Anotou metodicamente em seu bloco e acenou com a cabeça.
— Uma dúzia. Vou ligar imediatamente para o florista. Como você quer o cartão?
Ele continuava a fitá-la.
— Mande escreverem, "Obrigado por ontem à noite" e assinarem "Harry". Anotou?
— Claro — respondeu. A voz soava um pouco so frida, mas não deixou que transparecesse em seu rosto. — Mais alguma coisa?
Ele girou a cadeira, virando-se para a janela.
— Não.
Ela saiu e fechou a porta silenciosamente. Ao chegar em sua mesa, os olhos estavam cheios de lágrimas.
N/A – Eu demoro a atualizar...mas não esqueci a fic...hauahuahauha..
E aí..o que acharam do capitulo? Adorei todas as reviews...Acho que aos poucos as pessoas vão curtindo um pouco mais essa fic. Tenho em mente adaptar outros livros que li, mas isso vai depender de vocês.
Eu particularmente amo e odeio o Harry...não sei direito...hauahuahuhau...e vcs?
Próximo capítulo chega bem rapidão se eu receber muitas reviews!
Ah..mais uma coisa...próxima atualização tem recadinho para cada pessoa que comentou ;)
Beijinhoss
