Título: Manhã de Outono

Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Manhã de Outono" da autora Diana Palmer e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.

Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.

Esta é uma fic que se passa num universo alternativo...

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CAPÍTULO OITO

— Imagine uma semana em St. Martin — suspirou Lilian, estudando a lista de tarefas que havia deixado para a sra. Johnson e para as outras diaristas enquanto a família estaria longe. — Que gentileza de Harry levar todos nós, principalmente por ele estar se dando tão bem com Vivian!

— Ah, é muito agradável — acrescentou Hermione, melancólica.

— Eles mal se separam — a tia suspirou. — E formam um casal magnífico; Harry é tão moreno e Vivian tão loura. Acho que ele está levando tudo muito a serio dessa vez. — Ela apertou as mãos e sorriu, radiante. — Eu adoraria planejar um casamento na primavera. Poderíamos decorar a casa com orquídeas...

— Desculpe, Lilian, mas acho melhor eu começar a arrumar as minhas coisas — disse Hermione alegremente, levantando-se do sofá. — Você se importa?

Lilian estava imersa em seus próprios planos.

— Não, querida, vá em frente - murmurou, absorta em pensamentos.

Hermione subiu as escadas, sentindo-se morta por dentro. Ao passar pelo quarto de Vivian, seus olhos foram atraídos pelo enorme arranjo de rosas vermelhas, em cima do toucador, diante da porta aberta. Sem duvida, ela havia feito isso de propósito. Hermione sentia como se tivesse recebido um tiro. Pelo menos Harry sequer suspeitava sobre seus sentimentos em relação a ele. Isso teria sido insuportável, principalmente depois que ele começou a demonstrar um interesse tão intenso e repen tino pela loura sedutora. Iam sair à noite e estavam tran cados no escritório de Harry desde a hora do jantar. Da mesma forma que ocorrera tantas vezes depois de sua volta a Greyoaks, Hermione foi atrás de Phillip, buscando companhia. E isso parecia chamar a atenção de Harry do um modo extremamente violento.

Na manhã seguinte, ele encontrou Phillip sentado a mesa dela e explodiu.

— Você não tem nada para fazer, Phillip? — rugiu para o irmão mais novo.

— Tenho, sim — respondeu.

— Então, por que diabos não se levanta daí e vai fazer algo — retrucou ele, com uma pergunta sucinta e irritada.

Phillip levantou-se, colocou as mãos no bolso e, com tranqüilidade e franzindo o cenho, estudou aquele ho mem maior e mais velho.

— Ia pedir para Hermione escolher um filme para vermos hoje à noite — informou. — Alguma objeção?

— Devia se interessar um pouco mais pela empresa — Harry retribuiu.

— Eu me interesso — Phillip o relembrou. — Como todos os outros acionistas.

— Tente agir de acordo — ele disse friamente. Seus olhos saltaram para Hermione. — Venha e traga o bloco, preciso ditar algumas cartas. — Ele voltou para seu es critório e fechou a porta brutalmente.

Phillip ficou olhando para ele, sem se ofender. Conhecia Harry muito bem. Um leve sorriso curvou seus lábios. — Eu juraria que, em um homem menos poderoso, isso significa ciúme — implicou, fitando Hermione. Ela levantou, exalando um suspiro e segurando o caderno contra o peito.

— Mas não em um homem praticamente noivo de uma mulher como Vivian — observou ela. — Melhor irmos trabalhar de uma vez, antes que nos demita. Phillip deu de ombros.

— Com o temperamento que ele tem demonstrado ultimamente, não sei se eu não ficaria aliviado com isso.

— Por falar em alívio — começou ela, baixando a voz — você prometeu me ajudar a procurar um apartamento.

— Não até voltarmos de St. Martin — disse, com teimosia. — E, mesmo assim, só se o humor de Harry melhorar. Não tenho instinto suicida, Hermione, e não vou enfrentar Harry por sua causa. Ela suspirou.

— Isso não vai ser preciso — informou amargamente.

— Ele vai ficar feliz ao me ver ir embora, e você sabe disso.

Ele a analisou.

— Será que vai mesmo? — murmurou. — Hermione! — Como um trovão, a voz de Harry soou pelo sistema de comunicação interna. Ela vacilou e correu para o escritório dele. Ele estava sentado à mesa, recostado à cadeira, com os olhos presos nela enquanto entrava pela porta.

— De agora em diante, não incentive o Phillip a desperdiçar tempo conversando com você durante o horário de trabalho — disse, sem preâmbulos, com os olhos ardentes. — Não pago a nenhum de vocês para que fiquem de conversa fiada.

Ela o encarou, beligerante.

— Preciso de sua permissão para dar bom dia a Phillip agora? — retrucou ela.

— Nesta empresa, sim — respondeu, sucinto, fitando-a ferozmente com olhos escuros. — Vocês estão sempre juntos agora. Não podia imaginar que seria um sofrimento tão grande para você passar apenas oito horas longe dele!

Ele puxou a cadeira para frente e pegou uma carta; seu rosto leonino estava tão duro quanto a mesa de car valho sob suas mãos poderosas. Mesmo sem querer, ela se lembrou do calor e da ternura daqueles dedos rígidos em sua pele nua...

— Está pronta? — perguntou resumidamente.

Ela se sentou rapidamente, apoiando o caderno no colo.

— Quando você estiver — disse, valendo-se de seu tom mais profissional.

Durante o restante do dia, Hermione e Harry mantive ram um clima frio e cortante entre eles, o que surpreen deu parte dos funcionários. Já tinham se envolvido em muitas discussões, desde o comentário de Hermione sobre a secretária dele, mas dessa vez era diferente. Estavam se evitando completamente. Não discutiam porque não estabeleciam contato algum.

— Aconteceu algo entre você e Harry? — Vivian perguntou a Hermione naquela noite, enquanto esperava que Harry se vestisse para seu jantar romântico. — Faz alguns dias que vocês mal se falam, Hermione, jogada no sofá, lendo um livro, com um macacão marfim, fitou-a friamente. O vestido azul que a atrizusava não escondia nada, sem precisar deixar lugar para a imaginação. No entanto, até mesmo Hermione tinha que admitir que ele realçava seu corpo, seu belo rosto e seu cabelo louro, elegantemente penteado. Era exatamente o estilo de Harry, pensou, amarga.

— De maneira alguma — respondeu Hermione, por fim. — Harry e eu nunca fomos muito próximos — mentiu, relembrando dias mais felizes, quando não havia um olhar ou uma palavra cruzada entre eles, quando os olhos de Harry eram mais carinhosos.

— É mesmo? — sondou Vivian.

Ela sorriu, orgulhosa, admirando-se no espelho que havia na parede, entre dois elegantes castiçais de bronze.

— Realmente espero que nós duas solucionemos os nossos problemas. Morando na mesma casa, você sabe... — Ela deixou sua voz sumir, insinuante.

— Vocês já marcaram a data? — perguntou Hermione, cuidadosamente despreocupada.

— Ainda não — respondeu a loura. — Mas não vai demorar muito.

— Estou muito feliz por vocês dois — murmurou, fitando-a sem expressão.

— Está pronto, querido? — derramou-se Vivian quando Harry entrou no quarto. — Estou completamente faminta!

— Então, vamos — ele respondeu, com um tom sen sual em sua voz que Hermione não deixou de perceber. No entanto, ela não tirou os olhos do livro, não olhou para ele, nem lhe dirigiu nenhuma palavra. Sentia-se morta, congelada. Apenas quando a porta bateu, conseguiu re laxar. Por sorte, pensou, Dick Leeds e Lilian também haviam saído, e ela conseguira convencer Phillip a ir ao cinema sozinho. Não havia ninguém para vê-la chorar. Agora, com certeza, teria que sair de Greyoaks. Jamais poderia viver junto com Vivian.

O dia seguinte amanheceu radiante e ensolarado, per feito para a viagem a St. Martin. Hermione e Phillip foram os últimos a sair. Vivian, com um terninho branco ren dado muito atraente, estava agarrada ao braço de Harry como uma hera, enquanto Dick Leeds e Lilian os se guiam, imersos em uma conversa animada. Hermione usa va um vestido simples, em tons verdes e marrons, o que ressaltava o castanho profundo de seus olhos, valorizando seu cabelo escuro, longo e ondulado. Estava vestida de maneira confortável, e não estilosa; sabia que não era páreo para aquela loura. Nem estava tentando ser. Havia perdido Harry, mesmo sem jamais ter tido a chance de ganhá-lo. Havia uma diferença de idade muito grande entre eles.

— Você está destruindo meu coração — disse Phillip tranqüilamente, observando-a enquanto ela, por sua vez, olhava para Harry e Vivian.

Ela ergueu os olhos tristes, encontrando os dele.

— Por quê?

— Nunca vi uma mulher amar um homem da maneira como você ama Harry — respondeu, também com tranqüilidade, sem a alegria costumeira.

Ela encolheu os ombros, em um gesto despreocupado.

— Vou superar — murmurou. — Vai... Vai levar algum tempo, só isso. Vou voltar ao normal, Phil. Ele a pegou pela mão e segurou-a gentilmente, enquanto caminhavam em direção ao pequeno jato da empresa.

— No início, juro que achei que fosse uma paixão passageira — admitiu suavemente. — Mas estou começando a ver que eu estava muito errado. Você faria qualquer coisa por ele, não? Seria capaz até mesmo de deixar o caminho livre para ele se casar com outra mulher, con tanto que ele esteja feliz?

Ela fechou os olhos.

— Não é disso que se trata o amor? — perguntou, em um sussurro delicado. — Quero que ele seja feliz. — Novamente, fechou os olhos por um breve instante. — Quero tudo para ele.

Phillip apertou-lhe a mão.

— Não morda o lábio dessa maneira, querida — disse, em voz baixa. — Não o deixe ver que você está sofrendo.

Ela forçou uma risada, que mal conseguiu passar pela garganta apertada.

— Claro que não — disse, animada. — Nós, revolu cionários, somos muito valentes.

— Essa é a minha menina. Mas por que já está desis tindo da batalha?

— Quem disse que estou desistindo? — perguntou, fitando-o. — Já tenho o emprego que queria, mas não o apartamento. Para isso, vou esperar até voltarmos para casa!

Ele riu.

— Realmente, essa é a minha menina. Sabia que você podia resolver tudo.

— Claro que nós podemos — disse, com um sorriso alegre.

— Nós? — ele indagou, apreensivo.

— Você conhece muita gente que trabalha no merca do imobiliário — ela o relembrou. — Tenho certeza de que vai me ajudar a encontrar algo que eu possa pagar. Em um bom bairro.

— Agora, espere um minuto, Herms... Mas ela já estava entrando no avião.

Vivian estava sentada no lugar do co-piloto, e Hermione ficou eternamente agradecida por isso. Não conseguiria suportar aquela companhia insolente e aquele sorriso maligno perto dela durante toda a viagem.

— Está muito pálida, querida — disse Lilian, soli dária, esticando o braço para segurar a mão fria de Hermione. — Quer tomar um comprimido para enjôo?

— Já tomei dois — respondeu, com brandura. — Mas eles só me deixaram tonta e sonolenta.

— Um pouco de conhaque pode lhe ajudar — sugeriu Dick Leeds gentilmente, sentando-se ao lado dela.

Hermione balançou a cabeça, sentindo-se ainda mais nauseada.

— Vou ficar bem — assegurou-lhes.

— Deite-se um pouco — recomendou Phillip, quando os passageiros mais velhos mudaram de lugar. — Tire os sapatos e durma um pouco — sugeriu, ajudando-a a se esticar em uma das poltronas confortáveis. — Vamos chegar antes que você perceba.

Eles pousaram no aeroporto Queen Juliana, em St. Martin, na parte holandesa da ilha. Assim que desceram do avião, a primeira coisa que Hermione percebeu foi o ar quente e úmido que a envolvia. Observou o céu azul, as palmeiras e as bandeiras que oscilavam orgulhosamente no terminal. Lembrou-se da ilha com prazer, já que havia se hospedado várias vezes na casa da família.

Um funcionário da alfândega pegou seus formulários de imigração e passaportes, sem muito alarde. Harry re tirou os carros que havia alugado e todos seguiram em direção à casa.

— Onde fica a casa? — perguntou Vivian, fitando to das as construções de telhados vermelhos, à medida que dirigiam pela estrada.

— Em St. Martin — respondeu Harry, ao volante. — No lado francês da ilha, que, por falar nisso, é bem francês. O lado holandês, onde estamos agora, tende a ser mais americanizado.

— Isso é confuso — divertiu-se Vivian.

— Não muito — simplificou Lilian. — A gente aca ba se acostumando. A divisão é tanto política quanto lin güística, mas as pessoas são encantadoras de ambos os lados da ilha. E você vai adorar as lojas em Marigot, que fica bem perto da nossa casa.

— E os restaurantes — complementou Phillip, sorrin do. — Você nunca provou frutos do mar mais saborosos.

— O que você gosta daqui, querido? — Vivian per guntou a Harry.

— Da paz e da tranqüilidade — ele respondeu.

— O que não é muito comum durante a alta tempora da — riu Phillip.

— Bem, estamos na temporada de furacões, e não na alta temporada — disse Lilian, estremecendo ao pensar nisso. — Espero que não haja nenhum vento forte.

— Amém — disse Harry, com um sorriso lânguido.

— Eu vou ter que ir ao Haiti, a negócios, enquanto esti vermos aqui.

— Para quê? — perguntou Vivian, demonstrando uma curiosidade desmedida.

Harry lançou-lhe um olhar longo e preguiçoso.

— Talvez eu tenha uma amante lá — insinuou.

Foi a primeira vez em que Hermione viu Vivian ruborizar, e não foi apenas um leve rubor. Seu rosto pálido adotou uma coloração viva, em tom rosa.

— Oh, vejam, vacas! — ela disse rapidamente, mu dando de assuntou. Olhou pela janela, observando o pas to verde, aninhado entre montanhas.

Harry apenas riu, concentrando-se na estrada, enquan to passavam do lado holandês da ilha para o francês. Lilian saltitou, quando passaram por um buraco.

— Sempre percebemos quando chegamos a St. Martin — resmungou. — As estradas desse lado são terríveis!

— Como onde moramos, não? — perguntou Phillip, piscando para Hermione.

— Acho que as estradas que temos são muito boas, Phillip — Lilian disse. — Temos uma excelente comis são administrativa e um ótimo departamento rodoviário. Lembre-se, querido, que eu ajudei Jeff Brown a ser elei to para o conselho executivo do estado, e acho que ele fez um bom trabalho.

— Desculpe por esse comentário impensado — ro gou Phillip. — Que Deus me proíba de macular o nome de...

— Ah, fique quieto — reclamou Lilian. — Vivian, aqui é Marigot — informou, apontando pela janela para a baía salpicada de barcos; baía de Marigot, um pouco além das praias cristalinas.

As casas de telhados verme lhos estendiam-se por toda a região, até a praia. Às ve zes, apresentavam uma concentração mais densa, uma ao lado da outra, misturando-se a hotéis. Hermione sentiu um arrepio de animação infantil quando viu uma das ca sas, alguns minutos depois. Era a Maison Baie, ou Casa da Baía. Seus olhos analisaram a construção de pedras brancas, com as graciosas varandas de ferro lavrado e as janelas grandes e ventiladas. Esta casa também osten tava o clássico telhado vermelho e as portas de madeira talhada.

— É a sua casa? — perguntou Vivian, também obser vando os detalhes preciosos da construção e o ambiente colorido que a cercava, com palmeiras e buganvílias que se estendiam até a linha da areia.

— É — respondeu Harry, desligando o motor. — Mai son Baie. A casa pertence à minha família desde que meu pai era garoto. A segunda geração do zelador da casa, um capitão aposentado chamado Rouget e sua mulher, vive aqui durante o ano, cuidando de tudo.

— É muito bonita — elogiou Vivian, entusiasmada.

Hermione ficou ao lado de Phillip, sentindo o frio que havia dentro da casa assim que entraram. Rouget, um homem alto, magro e grisalho, veio a seu encontro, saudando-os em sua língua materna, o francês. Harry res pondeu com um sotaque impecável, e Hermione tinha que se esforçar para entender tudo o que diziam. Havia se esquecido de como era o francês desse lado da ilha. Suas tentativas enferrujadas de falar a língua sempre haviam divertido Harry. Fitando-o, perguntou-se se jamais tor naria a fazer algo que o divertisse.

O olhar em seu rosto jovem era revelador, e Phillip le vou-a para longe antes que Harry pudesse perceber algo. Ela sorriu, agradecida, enquanto saíam da espaçosa sala de estar e encaminhavam-se para seus respectivos quar tos. Mal chegaram e ela já desejava que a viagem fosse breve.

A noite, Vivian persuadiu Harry a levá-la a Marigot, para ver as lojas. Lilian e Dick Leeds decidiram que o sol estava um pouco forte demais e ficaram na varanda tomando conhaque, servidos por Rouget. Hermione passou o resto do dia tranqüilamente deitada na cama, sentindo-se um pouco mal. A combinação do vôo e do clima aba fado e tropical a havia afetado. Quando a noite chegou, mal sentiu as mãos gentis de Lilian despertando-a.

— Querida, estamos indo para Marigot comer frutos do mar. Quer vir conosco? — convidou.

Hermione sentou-se, surpresa ao ver que a náusea e o cansaço haviam desaparecido por completo.

— Claro — aceitou, sorrindo. — Me dê apenas um minuto para eu me trocar.

— Qual o problema com a roupa que você está usan do? — perguntou Harry, parado à porta. Ela sentiu os olhos dele percorrendo seu corpo esbelto, recoberto pelo vestido simples, verde e marrom, que havia subido aci ma dos joelhos enquanto dormia. Ajeitou-se rapidamen te e, esticando-o nervosamente, levantou-se.

— Eu... Acho que está bom, se é que não vamos a algum lugar chique.

— O restaurante não é formal, Herms — ele disse, en trando no quarto. — Ainda está enjoada? — acrescentou gentilmente.

O tom suave na voz dele quase a fez chorar. Virou-se para pegar a escova.

— Não — respondeu. — Estou bem. Deixe-me ape nas pentear o cabelo.

— Não demore — disse Lilian. — Parece que faz dias que não como.

Hermione assentiu, esperando que Harry também se re tirasse. No entanto, ele permaneceu ali. Fechou a porta calmamente, fazendo o coração dela disparar loucamen te. Ela o observava pelo espelho.

Ele se aproximou, por trás. Seus olhos escuros mantinham-se fixos nos dela através do espelho, estava tão perto que ela sentia o calor ardente de seu corpo gran de. Ele usava blusa listrada vermelha e branca, aberta no pescoço, revelando um vislumbre sensual da penugem negra que cobria seu peito, e de sua pele bronzeada. Ves tia calça branca, que realçava os contornos poderosos de suas coxas. Mal podia desviar os olhos dele.

— Está realmente se sentindo bem? — ele perguntou delicadamente. — Porque, se não estiver, fico em casa com você.

A preocupação que havia em sua voz profunda teria sido um presente dos céus, se não tivesse outro signifi cado. Era a compaixão de um homem por uma criança, e não de um homem por sua mulher.

— Sempre enjôo no avião — relembrou-o. — Estou bem, Harry.

— Está mesmo? — ele insistiu. — Você perdeu o brilho.

— Foi uma... longa semana — sussurrou, insegura. Ele assentiu, deixando seu olhar vagar por aqueles longos cabelos e ombros magros. Com as mãos grandes, segurou-a pela cintura, testando a suavidade de sua pele através do tecido fino do vestido, acariciando-a áspera e vagamente.

— Eu... Eu acho que todos precisamos de férias — riu, nervosa. A sensação daquelas mãos fazia seu coração vi rar do avesso.

— E — Ele a puxou contra o corpo grande e musculoso, fazendo-a sentir sua respiração no cabelo. — Está tre mendo — constatou, em um tom profundo e arrastado.

Ela fechou os olhos. Involuntariamente, pousou as mãos sobre as dele, à medida que as escorregou por sua cintura.

— Eu sei — conseguiu pronunciar, vacilante. Ele contraiu os dedos dolorosamente.

— Herms...

Ela não podia evitar. Deixou a cabeça cair contra aquele peito largo, e seu corpo rendeu-se abertamente a ele. Através do espelho, observava as mãos grandes e morenas movendo-se lenta e sedutoramente por sua cintura, até que alcançaram os seios, sobre o tecido ver de e marrom. Deixou que ele a tocasse, envolta em seus braços, impotente. Aquelas coxas fortes pressionavam suas pernas, à medida que ela se aproximava cada vez mais.

Ele a encarava pelo espelho, avaliando sua reação. Roçou a bochecha contra a cabeça dela, desarrumando seu cabelo, enquanto, com os dedos, ele a acariciava. A ação tornava-se ainda mais erótica, uma vez que ela es tava vendo tudo o que acontecia.

Colocou os dedos em cima dos dele, pressionando-os sobre suas curvas delicadas enquanto seu coração amea çava explodir de tão violentas que eram as batidas.

Ele abaixou a cabeça, fazendo-a sentir o calor de seus lábios no pescoço, roçando, provocando. Sua língua tra çava um caminho que levava até o ombro.

— Você tem cheiro de flores — ele sussurrou. A mão moveu-se para cima e, logo, para baixo, penetrando pelo decote do vestido, capturando o seio nu.

Ela gemeu, descontrolada, e mordeu o lábio para su focar o som que certamente teria passado mesmo pelas grossas paredes de pedra da casa.

— Como eu queria que estivéssemos sozinhos, Hermione — ele desejou asperamente. — Eu me deitaria nessa cama com você e, antes que eu tivesse terminado, você teria emitido muitos outros gemidos como esse. Você me morderia — murmurou, num tom sedutor, enquanto aquelas mãos agiam como mágica em seu corpo ardente.

— Me arranharia, imploraria para que eu fizesse mais, além de apenas tocar seus seios.

— Harry... — gemeu, engasgando.

Enroscou-se em seus braços, erguendo-se contra aquele corpo grande e envolvendo-o pelo pescoço. Seus lábios imploravam por mais.

— Me beije — sussurrou, trêmula. — Harry, Harry, me beije com mais vigor!

— Quanto? — murmurou ele, abaixando a cabeça. Mordeu sua boca com sensualidade. — Assim?

— Não — ela sussurrou. Estava na ponta dos pés, com os olhos anuviados por um desejo enlouquecedor. Entreabriu os lábios e segurou a cabeça dele, aproxi mando suas bocas. Mergulhou sua língua na boca dele e logo a retirou, deixando suas bocas quase coladas.

— Assim...

Ele a beijou, explorando a linha de seus lábios com a língua, invadindo-os e encontrando a cavidade calorosa de sua boca. Apertou-a com tanta força que quase a fez sentir todos os contornos enrijecidos de seu corpo.

— Você... me deseja? — sussurrou ela ardentemente.

— Meu Deus, você não consegue sentir? — rugiu ele.

— Pare de fazer perguntas tolas, Herms. Aproxime o seu corpo ao meu, aperte-o contra o meu...

— Assim, Harry? — sussurrou, trêmula. Ele mordeu sua boca.

— Com mais força — murmurou. — Não consigo senti-la.

Tremendo, ela repetiu aquela ação excitante e sentiu um pequeno arrepio percorrer o corpo poderoso dele.

— Você gostou? — perguntou, com uma voz estranha e sedutora.

— Deixe-me mostrar como gostei — ele sussurrou. Harry se inclinou e tomou-a nos braços, fitando seus olhos verdes e encaminhando-se para a grande cama de mogno, contra a parede.

Ela o segurava, retribuindo os beijos carinhosos que ele depositava em seus lábios, olhos, sobrancelhas, bo chechas. O toque inocente daquela boca contrastava com a batida forte e violenta do coração dele contra seu cor po, com a respiração pesada que traía as emoções que ele estava vivendo.

— Vai fazer amor comigo? — indagou, em um sus surro, sabendo, mesmo antes de fazer a pergunta, que lhe daria tudo o que quisesse.

— Você me deseja, Herms? Está com medo?

— Como eu poderia estar com medo? — conseguiu dizer, numa voz grave. — Quando eu... — Antes que pu desse confessar, antes de lhe dizer como o amava, ouviu uma batida forte e seca na porta. Involuntariamente, ele pulou.

A voz abrasiva de Vivian o chamava.

— Harry, você está aí? Estamos mortos de fome!

— Meu Deus, eu também — sussurrou ele. Os olhos que pousou em Hermione, ao colocá-la novamente no chão, ardiam com um desejo não satisfeito.

Insegura, ela se afastou dele. Seu coração saltava fu riosamente, sua respiração estava inconstante. Voltou para a frente do espelho e passou batom sobre os lábios inchados, enquanto Harry inspirava profundamente, ten tando se acalmar, para abrir a porta.

— Estou com muita fome, querido — murmurou Vivian, com um sorriso. Seus olhos de águia perceberam o ligeiro inchaço no lábio inferior dele e o cabelo desar rumado. — Será que podemos sair para jantar agora que você acabou de conversar com a pequena e doce Hermione?

— Também estou com fome — disse Hermione, evi tando olhar para Harry. Forçou um sorriso apertado na direção de Vivian e quase saiu correndo.

O que poderia tê-la possuído dessa maneira para permitir que Harry fi zesse o que fez? Agora, tudo estava perdido. Ele sabia como o desejava desesperadamente, e temia que ele se aproveitasse disso. O que Phillip havia dito era verdade: Harry podia perder a cabeça. Se perdesse, seria cava lheiro a ponto de se casar com ela. Mas não queria tê-lo nessas condições. Apenas queria o seu amor, e não um casamento forçado. O que ia fazer?

O pequeno restaurante francês era tão familiar para Hermione quanto a Maison Baie, e se lembrava muito bem dos donos: um casal de franceses da Martinica, que ser via o melhor suflê de lagosta e os mais extraordinários crepes flambados que Hermione já provara. Recuperou o apetite assim que viu a comida, e a presença agradável de Phillip a seu lado deixou tudo ainda mais saboroso.

Passou toda a refeição evitando o olhar lancinante de Harry e, quando voltaram para a casa, rapidamente in ventou uma desculpa e foi dormir.

Aquela noite estabeleceu o comportamento dos dois nos dias que se seguiriam. Harry esboçava uma carranca sempre que via como Hermione o evitava nervosamen te, e os planos de Phillip de apaziguar os ânimos foram mal-interpretados por Harry. Ele passou o dia fora com Vivian, levando-a para passear em Sabá e St. Eustatius, conhecido pelos locais como Statia. Mas, à noite, ele e a loura provocante ficavam em casa, enquanto Harry dis cutia o problema da fábrica com Dick Leeds. Foi depois de uma dessas intermináveis discussões que Hermione, acidentalmente, esbarrou com ele no hall.

Ele fitou-a furiosamente, congelando-a e impedindo que ela fosse se vestir para jantar em Marigot.

— Continua fugindo de mim? — perguntou, sar cástico.

— Não estou fugindo — respondeu, insegura.

— Claro que não — zombou ele. — Você tem se es condido sempre que pode para ficar longe de mim. O que houve, Hermione? Acha que é tão irresistível que não sou capaz de manter as mãos longe de você?

— Claro que não — respondeu, engasgando.

— Então, por que está me evitando assim? — per sistiu.

Ela inspirou lenta e firmemente.

— Phillip e eu estamos ocupados, só isso.

Sua expressão se acentuou. Um sorriso frio e cruel retorceu seus lábios duros.

— Ocupados? Então, finalmente decidiu provar o vinho, não? — Sua voz pedia sangue. — Muito bem. Você é muito infantil para mim, Hermione. Odeio trocar fraldas!

Ele virou-se e a deixou ali, parada.

Não podia suportar que Harry a julgasse assim e a fi tasse com olhos tão cheios de desdém, levando-a a estre mecer. Mas o que podia fazer? O impacto de sua raiva a deixava impotente.

Já no restaurante, quando o delicioso vinho branco foi servido, ela bebeu mais do que devia. Livrando-se da culpa, bebeu até a dor de cabeça desaparecer. Quando Harry avisou que iria para o Haiti na manhã seguinte, mal o ouviu. Sua mente estava longe dali, habitada por pensamentos agradáveis.

— Querida, você está embriagada — disse Phillip, preocupado, quando voltaram para a casa. — Vá para a cama e durma, certo?

Ela sorriu vagarosamente.

— Não estou com sono.

— Finja que está, antes que dê mais motivo para Vivian fazer graças a respeito — pediu delicadamente. — E não provoque mais Harry hoje. Estou surpreso por ele não ter lhe dado um sermão, por causa da quantidade de vinho que você bebeu. Mas ele não gostou, disso eu estou certo.

— Pare de encher — disse, abanando-se com a mão.

— Está muito calor!

— É, parece que o tempo vai mudar — ele concordou.

— Vá dormir.

Ela deu de ombros, para o alívio de Phillip, e subiu para o quarto antes que os outros entrassem em casa.


N/A – Oi meus amores...O que acharam deste capítulo? Eu adorooo o Phillip...ahuahaua...acho ele tão companheiro e amigo...

Mas o Harry é o Harry né?!

Sei que disse que ia agradecer a um por um..e vou... Angel Cullen McFellou, Luysa Mirella, may33, 2Dobbys, Nick Granger Potter, Lalah-Chan, Nanda Granger Potter, Erica Potter Granger, Bruna Watson, Jess Granger Potter, Lilyzinha. Meus amores...muito obrigadaaaa pelas reviews e por acompanharem a fic.

Quem quer que o próximo capítulo chegue rápido..diga EUUUUUUUUUUUUUUU! Hauahau

Beijinhosss