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Capítulo 2
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"Isso é algo sobre controle, sabia?"
"Ahn? Mas de que diabos você está falando?" Dean deixou as lembranças estranhas de lado, com um susto. Sam apontou um anúncio de hotel numa placa na beira da estrada. Pousada histórica com promoção na baixa temporada. Pensão completa.
"Parecem desesperados por hóspedes, mas podemos comer bem, pra variar." Dean aprovou a ideia, mas aparentemente, Sam não tinha desistido do assunto.
"Você sabe. Eu sei que você gostou. Aquele dia. Gostou de ter alguém cuidando de você, pra variar."
"Oh Deus, Sam, ainda isso?" Dean fez uma careta, desconversando, muito mais incomodado de Sam ainda estar pensando exatamente no que ele estava pensando. Em como aquilo foi malditamente bom. "Acha que eu preciso de alguém que fique me cobrindo, alimentando, cantando musiquinha e me babando a cara?"
"E te maquiando." Sam complementou, lançando um olhar benevolente para Dean. Aquele que dizia ao mais velho que não se importava em ser chamado de emo, Samantha ou vadia.
"Cara, você precisa de terapia. Quem raios vai achar que o próprio irmão pode ser sua Barbie pessoal?"
Sam apenas ergueu a sobrancelha como resposta, insinuando tantas coisas...
Dean até tremeu, ao pensar nisso. Com certeza, os anos passaram e tudo aquilo tinha uma absurda quantidade de muito errado e doente, quanto mais Dean pensava no assunto, com os olhos de um adulto.
O carro deslizou sobre o cascalho no pátio do hotel, mais uma pousada antiga na seqüência de coisas antigas e com histórias de outras pessoas, que era a vida deles. Os Winchester não tinham casa, nem nomes, e havia uma pressão para que o movimento fosse sempre em frente, e as pausas eram apenas do tempo exato para se recuperar e seguir. E Dean perdeu o foco por um momento, pensando que parecia o cara no barril, tentando controlar a direção enquanto descia as Cataratas do Niágara.
"Oh cara, você não tem idéia de como esta conversa está se tornando bizarra." Desceram do carro, as coisas não tinham sido divertidas como imaginava que seriam na manhã deste dia.
Sam acelerou o passo para acompanhar o mais velho, a sensação na barriga de mais cedo agora se transformando em algo nada confortável; mas Sam era assim, não conseguia simplesmente ignorar uma coisa.
"Você sabe, Dean: tipo assim, tem todas estas coisas que você diz que ama...o rock, o carro e... toda esta sua...veemência, é tão bizarra que eu não acho que você possa falar que gostar de bonecas é estranho o bastante. E além disso, não eram bonecas. Era você."
Dean até teve vontade de gritar, Eu, Vestido de boneca! mas a cara do recepcionista do motel diante do pouco que ouviu da conversa já era ruim o suficiente.
"Quarto de casal?" O homem perguntou, antecipando-se como quem quer provar sua eficiência e total falta de preconceito. Dean apenas ergueu uma sobrancelha para o irmão, e suspirou, cansado:
"Que seja."
E enquanto iam para o quarto, Dean se perguntava se aquela ansiedade, aquele calor que estava sentindo toda vez que pensava em si, imóvel sentindo os pequenos dedos de Sam deslizando sobre seus olhos com cuidado e tão leves, deitado e ridículo e feliz e entregue e confiante; se aquilo era mais que amor de irmãos e se aquilo também era desejo. E se fosse, isso explicava mesmo muita coisa.
Aquela lembrança tinha polvilhado sua pele com a mesma poeira que comichara seus lábios quando Sam passara seus dedos melados de batom na sua boca; era tão errado passar batom como era errado Sam dizer: Vou cuidar de você agora, sussurrar o no seu ouvido e Dean ficar lânguido com todos aqueles beijos melados e quentes na bochecha, cabeça, pescoço, orelha...
"Mas que raios é isso?" Dean apontou para o vestido na parede do quarto, a primeira coisa que viu quando abriu a porta. Sam coçou a cabeça, encarando a peça de roupas tratada para ser conservada, à maneira dos vestidos de noiva, exposta como se fosse alguma relíquia.
"Sei lá. Talvez o vestido de alguém que teve sua lua de mel aqui, neste quarto. Cara, é uma pousada histórica, lembra?"
"Espero que a comida que eles servem aqui valha dormir encarando o vestido da Noiva Cadáver." O mais velho resmungou, largando suas coisas e escolhendo seu lado da cama.
E no banho, esta noite, a visão embaçada enquanto a água caía e sua mão desceu para seu sexo tumescente, enquanto se imaginava lá novamente, apenas sentindo a respiração de Sam sobre si, seus dedos apoiando sua nuca com força, abra a boca, ele disse, e também Dean é a minha boneca. E Dean sabia que sua mente pervertida estava distorcendo cada palavra e cada ato, mas a sensação era tão excitante e então lembrar que, quando se esforçava a sair do estado de languidez e prazer, e olhar por baixo da cortina de seus cílios, havia o olhar doce e preocupado de Sam, o olhar de amor, o olhar que ele nunca esqueceu e a qual nenhum outro se comparou. Apoiou sua mão no azulejo e a outra trabalhava freneticamente imaginando aquilo, hoje, agora, ali, o mesmo abraço, o mesmo olhar... E era ainda melhor pensar nas mãos de Sam agora, Sam e sua mão enorme e forte, tocando seu rosto daquele jeito. Dean deslizava a mão sobre o membro rijo com mais força agora, encostou as costas na parede gelada tendo um prazer estranho com o choque, engasgando com o gozo que veio de repente ao pensar que queria muito aquilo de novo. Dean queria muito ser propriedade de alguém; ser propriedade de Sam.
...
"Dean, mais que diabos, quer parar?" Sam resmungou, sonolento, sentindo o peso sobre o colchão oscilar enquanto o irmão se ajeitava ao seu lado pela centésima vez.
"Eu não consigo dormir, cara."
Ouviu a confissão num tom de voz abafado e totalmente desperto. Sam demorou alguns segundos para assimilar aquilo na sua mente entorpecida de sono, mas quando compreendeu, isso o despertou totalmente.
"Mas... por que?"
O mais velho suspirou e demorou um pouco para responder, e isso significava muito.
"É... É o vestido, Sammy. Eu não consigo dormir com aquele vestido velho e pavoroso me encarando."
"Dean, vestidos não encaram. Como é que alguém pode ter medo de um vestido? E cara, você é um caçador!" Sam estava meio atônito e divertido, ao mesmo tempo.
O mais velho não respondeu desta vez, Sam ergueu o tronco, apoiando-se num braço, para encarar o irmão. Os olhos verdes brilhavam no escuro, bem abertos, e o rosto perfeito de Dean era iluminado pela luz da lua que entrava pela janela.
"Aposto que esta insônia é uma congestão, isso sim. Depois de tudo o que você comeu esta noite..."
Dean desviou rapidamente o olhar do vestido para o rosto do irmão, e voltou a encarar a roupa a sua frente. Sam segurou um riso, levantou-se e foi até a parede onde a peça estava. Tirou o vestido de lá.
"Uh, olhe só que assustador! Booooohohohoo!" Zombou, olhando para o irmão e alisando o tecido acetinado, mas não esperava que a sensação pudesse transportá-lo de volta àquela de Dean usando uma camisola, no começo de sua adolescência. Sentiu-se excitar na hora, olhando para o irmão debaixo do edredon, o observando.
Havia algo nos olhos de Dean, algo no ar, algo entre eles; Sam sabia o que era. Era algo que acontecia todos os dias entre eles em frações de segundos tão mínimas que passariam despercebidas, mas desta vez se alongava como se o tempo se esticasse também. Era a necessidade que um tinha do outro e aquilo tinha tantas camadas que tudo se confundia em milhões de outras coisas; Sam não achava que havia um jeito de definir. Mas hoje, inegavelmente, ele sabia que Dean o desejava, da mesma maneira que ele sempre desejara ter Dean.
Ele voltou para a cama, trazendo o vestido, colocou entre os dois, encarando o irmão. O tempo todo. Entrou naquele olhar, e o olhar de Dean não era algo a ser decifrado; ele estendeu a mão para o pescoço do mais velho, deslizando seu polegar pela jugular, sentindo a pele se arrepiar e granular sob seu toque, os pelos finos se eriçarem.
"Sammy..." Dean implorou, e Sam sabia que era medo de perder o controle. Colocou a outra mão em seu rosto, deslizou os dedos por seus lábios enquanto a outra ainda brincava com a grande veia. Deixou o polegar brincar por entre a fenda entre os lábios, até ver um flash dos dentes perfeitos de Dean, e deslizou a ponta do polegar entre eles.
"Shhhh Dean. Me deixa cuidar de você..."
Dean fechou os olhos e Sam pode sentir o calor que começava a emanar do corpo do irmão, e se inclinou sobre ele, beijando sua cabeça e o envolvendo com um braço num abraço possessivo e protetor, os corpos se encaixando e trazendo junto o vestido de cetim entre eles.
Sam deslizou depositando beijos sobre a testa, sobrancelha, pálpebras, cada uma delas, os malares bem desenhados do irmão, sentindo dentro de si o desejo crescer e percebendo pelo jeito com que Dean enlaçara os braços em volta de si, que não parariam com aquilo tão cedo. Depois beijou a ponta do nariz, sentindo a respiração acelerada de Dean, sentindo o corpo rijo dele contra o seu; apenas aquele cetim sugestivo os separando.
Mas agora eram adultos e sabiam que havia outras maneiras de expressar aquilo. Agora necessitavam daquilo. Então tomou a boca de Dean, aquela boca que o perturbava, aquela boca que o fizera ter tara por bocas, a boca de Dean, a boca carnuda de Jess; a boca de Dean onde agora podia tocar com a língua, podia contornar o desenho de seus lábios com a língua; podia separá-los com a língua, podia mergulhar a língua dentro. Podia tê-la. Sua.
"Uhn... deliciosa..." falou abafado, Dean permitia, os dedos crispando-se em volta do tecido das costas da camiseta de Sam, pernas enlaçando-se nas dele.
Sam estava surpreso sobre como Dean estava lânguido, solto em seus braços. Quando buscou por ar e afundou o rosto no pescoço do irmão, beijando a proeminência de sua clavícula sobre a pele, quando suas mãos deslizaram para seu peito e pelas laterais de suas costelas, levantando a camiseta no processo, Sam percebeu que Dean queria perder o controle desta vez.
"Ahn..." só o pensamento de que Dean tinha esta confiança nele fez seu membro fisgar com tal força que Sam jogou o quadril contra o corpo do irmão, ondulando com puro desejo. Ouvia Dean arquejar, fazendo o mesmo.
"Quer ser meu?" Sam perguntou em seu ouvido, não resistindo e colocando o lóbulo na boca, sugando, subindo sua mão por baixo da camiseta de Dean e tocando seus mamilos arrepiados.
Dean gemeu arqueando a cabeça para trás e colando as pélvis dos dois, pressionado, murmurando algo como aimeudeus e ahan. Sam preferia achar que tinha ouvido isso, de qualquer modo.
"Ahan? Foi o que você disse? Você é meu, Dean?" desceu a boca pelo pescoço dele, lambendo, sugando, desceu uma das mãos pelo quadril do irmão, descendo mais, sentindo seu traseiro firme e contraído, pele arrepiada, apertou com força, sua mão tomando todo o espaço.
"Oh, ahan, sim." Dean engasgou, sua mão deslizou pelas costas de Sam também, provocando arrepios alucinantes no mais novo. Sam voltou a beijá-lo com mais desejo, descendo suas boxer sem o menor pudor, trazendo sua mão para frente devagar, explorando a pele sensível do irmão até suas coxas, enquanto tinha encontrado o tecido de cetim novamente e o usava para acariciar os mamilos de Dean.
"Bom..." Dean gemia e arfava, deixando Sam fazer o que quisesse.
"Minha boneca..." Sam parou tudo apenas para observar o rosto de Dean dominado pelas sensações. Ele conseguia ser lindo em cada momento, os lábios intumescidos mais desejáveis agora e totalmente pornográficos.
"Me toca, por favor..." Dean abriu os olhos, as pupilas dilatadas e brilhantes o tornando a criatura mais sexy do planeta naquele momento.
"Ohmeudeus, você é lindo, Dean." Sam murmurou, completamente apaixonado. Não tinha idéia se amanhã e pelos próximos 15 anos as coisas iam mudar ou simplesmente seriam esquecidas como tinham sido até hoje. Mas simplesmente não conseguiam mais evitar que acontecesse. Ele deixou os dedos alcançaram o membro ereto e pulsante de Dean, que tremeu no exato momento. Sabia que os últimos minutos de fricção no cetim tinham deixado Dean no seu máximo. Então começou devagar, acariciando timidamente, sentindo as contrações do corpo do outro; seu próprio corpo precisava de atenção imediata, às vezes parecia que simplesmente iria ter um orgasmo a qualquer momento, quase perdendo os sentidos e esforçando-se para controlar-se. Apenas por ver as reações de Dean. Dean era incrivelmente sexy, cada movimento, cada golfada de ar que tomava, cada olhar; ele era perfeito em tudo.
Então aos poucos foi se apossando do pênis do outro, enquanto beijava seu peito, lambia seus mamilos já hipersensíveis, mantendo um movimento rítmico e descendo com a língua por seu ventre definido.
"Oh céus Sam, não..." Dean tentou impedir porque sentia que não iria agüentar tanto prazer, era tudo novo e assustador, e ele sentia-se como se estivesse em queda livre de um prédio de duzentos andares; preparava-se para morrer depois disso, e era tão bom o prazer e a liberdade!
Sam não deu ouvidos, e apenas ergueu os olhos para Dean quando ele arqueou o corpo tentando impedi-lo, quando Sam já tinha atravessado o território do umbigo e encarava com desejo seu membro latejante em suas mãos. Os olhos de Sam sorriam, brilhantes, e Dean simplesmente jogou o corpo para trás novamente, de encontro à cama, sabendo que era hora de se entregar.
"Isso, Dean. Você é meu eu vou brincar como eu quiser." Sam provocou, depositando um beijo sobre a cabeça de seu pênis, e outro e outro, e depois sua língua começou a brincar, lentamente, provocativamente, Sam computando a cada reação que arrancava do corpo do mais velho. Então, colocou tudo na boca, arrancando um grito rouco e abafado de Dean. "Oh Deus, isso é...!"
O gosto do irmão era bom, e Sam encontrou uma maneira de pegar o ritmo da coisa rápido, adorando a sensação, adorando dar todo aquele prazer para Dean, mas definitivamente ele estava bastante apertado nas próprias boxer e se livrou delas com a mão livre, sem abandonar seu posto, e logo passou a se masturbar freneticamente. Sua língua deslizou para as bolas e depois mais abaixo, estimulando e fazendo Dean literalmente dar pinotes de prazer.
"Dean... eu preciso de você, agora." Sam avisou, ele não podia mais agüentar o desejo de estar dentro de Dean, de possuí-lo por inteiro, de consumar sua posse, de gozar dentro dele. Voltou a deslizar seu corpo por cima do dele, a esfregar suas ereções uma contra a outra, tomar sua boca com volúpia. Dean erguia o corpo, oferecia o pescoço, o enlaçava com suas pernas pela cintura, aceitando. Aquilo simplesmente deixava Sam louco, aquela entrega, ambos sabiam que Dean era de Sam desde que... Desde sempre, talvez. Mas aquilo era a aceitação de ambos daquele fato, do qual não podiam mais fugir por mais que um dia quisessem. E Sam sabe que por muito tempo quiseram.
Não hoje. Até ali não eram amantes e nem nunca antes disso tinham pensado na possibilidade daquilo se tornar real. Então Sam colocou dois dedos novamente na boca de Dean, que voluptuosamente os sugou, com vontade, como se sua vida dependesse disso, olhando direto nos olhos do irmão. Sam sentiu um estremecimento imediato por todo o corpo e lutou para controlar-se diante daquela visão. Não iria durar nada, era fato. Então com os dedos cobertos de saliva procurou o ponto de Dean, penetrando com cuidado, sentindo a reação e o calor, começando um vai e vem compassado enquanto empurrava a pélvis contra a de Dean, os sexos juntos, no mesmo ritmo.
O mais velho arquejava, mudo, a testa e o peito pontilhado pelo brilho de gotículas de suor, assim como Sam. Os lábios inchados entreabertos buscando por ar e sendo violentados ocasionalmente pela boca sedenta do mais novo.
Então Dean pediu, não com palavras, com o olhar. Sam substituiu os dedos pelo próprio membro rijo como ferro, aos poucos, com o mais profundo cuidado, ate sentir o corpo do irmão impulsionar-se de encontro ao seu, capturando-o todo dentro. Ele se agarrou ao mais velho como se fosse se afogar; engasgou-se, sem ar. A sensação fora tão intensa que ele perdeu até anoção de quem era. Juntou a boca de Dean com mais beijos, enlouquecido, movimentando-se dentro dele e apertando suas costas num abraço insano.
"Meu." Sussurrou, os olhos duas fendas cegas, inebriado pelo cheiro e pelo calor e pelo amor de Dean.
"S-seu." Dean foi até o limite, gozou em ondas de prazer, os espasmos de seu corpo empurrando Sam para o próprio gozo, ali, dentro dele, o inundando, invadindo e marcando; os gemidos de um e de outro se confundindo e casando, até os corpos começarem a relaxar. As respirações começarem a voltar ao seu ritmo normal. A falta de ar e a tontura passarem.
Até Sam escorregar de Dean e o enlaçar num abraço carinhoso, de costas pra si. Beijou sua nuca, controlando a vontade de mordê-la e marcá-la.
Não queria ferir Dean. Nunca.
"Dean?"
"Ahn?"
"Nós gozamos no vestido do hotel." Sam falou sério, mas depois acabou rindo, Dean com ele.
"Mas é a porra de um vestido de casamento. Alguém tem que ter feito isso antes, certo?"
Riram novamente, se aninhando para dormir.
Pela manhã seguinte, Dean acordou com Sam passando batom em seus lábios.
......
CONTINUA
Disclaimer: nada é meu. Muito menos a cena do epílogo, retirada do episódio Playthings, da segunda temporada. Não alterei nenhum ponto da cena, entretanto.
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