Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas por J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

Fic escrita para a Dannipel no Amigo Oculto 2009 da Potter Slash Fics.

Personagens: Harry/Ron e Draco

Avisos: AU/linguagem/lobos/ação/cenas de flashback em itálico, não necessariamente em ordem cronológica.

Fiz uma capa para esta fic. Você pode encontrá-la no meu LJ: http : // pics. livejournal .com/cy_malfoy/pic/000010sf/

O 'Ron' e 'Harry' da capa são artes da Hajime (aka Frog), do doujin 'Honey days, honey magic'.


Feelings

Capítulo III

When the truth is, I miss you

Yeah the truth is, that I miss you so

And I'm tired

I should not have let you go

--

Na primeira vez que tinha voltado ali, depois que Harry fora seqüestrado, Ron estava com pressa demais para reparar na estranheza que cercava a casa. Ele acendeu as luzes da sala, mas ela continuou vazia. Ligou o rádio trouxa na estação preferida de Harry, mas faltava a voz desafinada do moreno acompanhando a melodia.

Ron suspirou e empurrou a porta do escritório, que ele tinha largado aberta na pressa de sair para a casa de Malfoy. Acendeu as luzes dali também, como fizera tantas outras vezes para encontrar Harry esparramado na cadeira do computador trouxa, jogando Mahjongg e falando com a tela do computador como se ela realmente fosse responder. Ele então sorriria para Ron e diria que só mais uma rodada e ele ia para a cama.

Mas não hoje.

Ron já ia fechar a porta novamente quando seus olhos se prenderam na bagunça que ele tinha deixado na mesa de Harry. Precisava arrumar os papéis dele ou haveria conseqüências graves quando o moreno voltasse para casa. Não era como se Potter fosse o mais organizado dos seres, porém a última gaveta da escrivaninha fugia à regra.

Ele ignorou o computador desligado e a bagunça da própria mesa, acomodando-se na cadeira giratória de Harry. Olhou para a última gaveta aberta e puxou os papéis que tinha atirado ali de qualquer maneira antes de deixar a casa durante a madrugada. Ron sabia que ali ficavam os documentos dos casos em que Harry estava trabalhando no momento, porque os casos resolvidos iam para um armário de arquivo ao canto da sala, junto com os dele. Guardou-os novamente antes de retirar o conteúdo da pasta amarela e o espalhar na mesa.

Datas, nomes, endereços. Ele usou a varinha para fazer uma cópia de cada documento. Colocou as originais num saco plástico e as falsas na pasta amarela, guardando-a novamente na gaveta e selando-a. Rabiscou "Mamãe" no saco plástico.

Levantou-se e entrou na sala, seguindo diretamente para a lareira. Ele sabia que Ginny não estaria em casa a essa hora, George e Fred estariam na loja e Percy no quarto, assim como os pais, que dormiam cedo. Ajoelhou-se, acionou o flu e passou a cabeça por entre as grades quando as chamas ficaram verdes.

Quando a cabeça de Ron apareceu na sala de estar da Toca, ela estava da forma como ele imaginou que ela estaria. Vazia. O que era ótimo. Facilitava as coisas.

Molly saberia o que fazer com os papéis.

Ron ergueu-se novamente e pela primeira vez se deu conta do quanto estava com fome. Ele olhou para a cozinha escura, onde ele e Harry se divertiram diversas vezes inventando novos pratos às três da manhã.

Deu as costas à cozinha. Ele provavelmente não estava com tanta fome assim.

Recusou-se a subir ao quarto que dividia com Harry porque não queria ver o chinelo que o outro tinha largado de qualquer jeito no chão, ou a camisa azul que ele tinha trocado depois de derrubar café nela, ou para o Sandman que ele tinha deixado em cima da mesinha de cabeceira, a página marcada.

Nem para os porta-retratos.

Levantou-se e abriu um pequeno armário do escritório, retirando de lá a mochila que já ficava pronta para as urgências do trabalho. Tirou apressado o robe do Ministério da Magia pela cabeça e o atirou a um canto da sala, passando a mochila pelo ombro. Ronald só se deu ao trabalho de apagar as luzes da casa antes de sair, batendo a porta atrás de si.

Ron trancou o portão e discretamente acionou o alarme anti-intruso da casa. Harry ficaria orgulhoso dele, era a primeira vez que se lembrava de fazê-lo.

Ajeitou a mochila no ombro e começou a descer a rua de paralelepípedos, não se importando com o vento frio da noite. Deu uma olhada em volta, garantindo que não havia ninguém bisbilhotando por de trás da cortina. Deu-se por satisfeito e parou na calçada, alguns metros antes de chegar à avenida. Esticou o braço direito no ar, a varinha em punho.

BANGUE!

Weasley precisou pular para trás quando o Nôitibus, em um tom roxo mais berrante do que nunca, parou a sua frente. Em um segundo a porta do ônibus se abriu e o condutor, de uniforme também roxo, apareceu no alto das escadas para bradar:

- Bem vindo ao Nôitibus Andante, o transporte de emerg-

- 'Tá, tá, eu já sei de tudo isso. Dá pra ser mais sucinto? – o auror resmungou, tirando algumas moedas do bolso da calça e as deixando cair na mão estendida do condutor. Lalau Shunpike arregalou os olhos para Ron.

- Que é que você está fazendo aqui?

- Dançando a polca – Ron respondeu, mal educado. Então viu que Lalau permanecia parado à porta. – Harry está em apuros, Lalau, podemos ir agora?

- Pelas gárgulas! Esse Potter... Faz a gente pensar que ele é um daqueles masoquistas não é, Ernest?

Ron estreitou os olhos quando Ernest assentiu e acenou para ele no espelho retrovisor.

- Vai ficar aonde, Richard?

- É Ronald, e você conhece este lugar aqui? – Ron estendeu um pedaço de pergaminho para Lalau.

- Claro que sim, fica em Werth, um bocado longe, vai ter que esperar um pouco. Noite da Feira anual de Cereais, Erny 'tá levando a velharada de volta pra casa.

Ron suspirou e deixou Lalau levá-lo até a cama que tinha alugado. Não era como se ele tivesse outro meio para chegar ao endereço que Marie lhe dera, de qualquer forma. Ele não arriscaria tirar o carro de Harry da garagem para morrer no primeiro poste. E Hermione nunca o levaria até lá se soubesse no que o amigo estava se metendo. E Draco...

Ron soltou um palavrão quando o Nôitibus arrancou por uma rua totalmente diferente da que morava, desviando de carros e motos no tráfego e ultrapassando um farol, freando um pouco mais a frente quando um gato resolveu atravessar a rua.

Ron subiu de volta para seu colchão, esfregando a testa onde a tinha batido.

- Odeio esse troço...

--

- Harry, você é maluco! Weasley? 'Tá amarelando? – Harry zombou, deixando a calça e a cueca escorregarem por suas pernas e descansarem em volta de seus tornozelos. Ron o olhou de cima a baixo com olhos nem um pouco inocentes. não iria fazer a vontade de Harry. não vou entrar nessa água – ele falou, retirando os tênis e as meias. – Vamos, apareça – tirou o casaco da escola e o cachecol. – Harry, 'tô avisando... Vou voltar para o castelo e levar suas roupas junto.

Ronald riu quando Harry arrancou sem jeito a camiseta e a atirou no rosto do ruivo. Quando Ron conseguiu afastar a camiseta do rosto, Harry já estava tirando os tênis com os pés enquanto brigava com o cinto da calça.

- Nós não vamos fazer isso – Ron falou, em tom de aviso, um dedo em riste. Recebeu um par de meias no rosto.

- O que foi agora, Weasley? 'Tá amarelando? – Harry zombou, deixando a calça e a cueca escorregarem por suas pernas e descansarem em volta de seus tornozelos. Ron o olhou de cima a baixo com olhos nem um pouco inocentes.

- Oh, meu Deus, você vai mesmo fazer!

Harry não respondeu. Ele apenas acenou sorridente com a cabeça antes de sair correndo na direção do lago.

- Potter, essa água está congelando – Ron berrou por entre as risadas, vendo o amigo correr completamente pelado pelos gramados de Hogwarts.

O sol já havia se posto há muito, dando lugar a lua cheia e brilhante que era a única fonte de luz dos jardins. O vento cortante de dezembro anunciava que o inverno estava a caminho. Ron enrolou-se mais no próprio casaco e teve o bom senso de juntar as roupas de Harry antes de sair correndo atrás dele.

Quando o alcançou, o moreno estava parado à beira do lago, assistindo suas águas preguiçosas uma vez que a lula gigante não estava em nenhum lugar à vista. Harry estava tremendo.

- Vem comigo? – ele perguntou, retirando os óculos e os colocando cuidadosamente sobre uma pedra próxima. Estendeu um braço para Ron.

- É claro que eu não vou com você, você é retardado? Escute, eu iria com você a muitos lugares, parceiro, mas definitivamente um lago fundo de água fria não é um deles.

- Qual o problema, Won-Won? – Harry perguntou enquanto dava largos passos para longe do lago. Riu quando o amigo torceu o nariz para o apelido. – Com medo de molhar o Bilius?

- Eu odeio quando você faz essas piadas com meu nome. Já disse isso? Tio Bilius era brilhante!

- Claro que era – Harry gritou, tendo se afastado bastante do lago. Ron percebeu a intenção dele.

- Droga, Harry, você vai ficar doente, cara. Hermione vai me matar, sabia? – ele assistiu com horror o amigo começar a correr novamente para o lago, os braços abertos. – E se tiver uma pedra aí no meio, seu biruta? POTTER, se você morrer, eu te mato!

E Harry se atirou no lago.

Ron teve de esperar alguns segundos até ele voltar à superfície.

- OHMEUDEUS, tá congelando! – Harry exclamou, quando emergiu.

- É o que venho tentando lhe dizer – rosnou Ron, se aproximando da beira.

- Ron... Ron, eu vou morrer!

- Não seja exagerado.

- Ai, é sério, Ron, me ajuda aqui.

- Você não vai me fazer cair nessa – Ron cruzou os braços contra o peito, mas não evitou lançar uma espiada preocupada em Harry pelo canto dos olhos.

- Ronald! Se eu morrer congelado você vai carregar essa culpa o resto da vida, 'tá legal? Imagina só, eu assombrando as privadas da escola com a Murta... Pela eternidade ou qualquer coisa que o valha.

- Não está funcionando...

Um curto silêncio se seguiu antes que Harry começasse a gritar.

- Ai, meu Deus, cãibra. Ron, tá me dando cãibra.

- Harry, isso já está fica- Ron começou, antes de ver Harry sumir sob as águas, agora agitadas, do lago. – Harry?

Bufou quando ninguém respondeu, e apertou com mais força os braços em volta de si. Ele não iria fazer a vontade de Harry.

- Harry Potter, eu não vou entrar nessa água – ele falou, retirando os tênis e as meias. – Vamos, apareça – tirou o casaco da escola e o cachecol. – Harry, 'tô avisando... Vou voltar para o castelo e levar suas roupas junto.

Ron já tremia até os ossos quando terminou de tirar a camisa e a gravata e as jogou para um lado. Deu uma olhada nas águas novamente calmas do lago e mordeu o interior da bochecha. Checou o relógio de pulso, mas lembrou-se que não tinha marcado a hora que Harry entrou na água. Bufou. Ele não ia cair naquela, era óbvio que Harry estava tirando uma com a cara dele. Mas já fazia um tempinho... E se fosse verdade? É claro que não era, aquela parte do lago nem era tão funda. Mas e a lula? E a lula gigante?

Ron empalideceu quando se lembrou de todas as histórias que Fred e George lhe contaram sobre a lula e os estudantes que ela tinha comido.

- Merda!

Ele levou um segundo para arrancar a calça e se atirar no lago. O primeiro contato com a água gelada o fez perder o compasso da respiração. Doía. Ela parecia atravessar sua pele e congelar seus ossos, e Ron descobriu que estava com dificuldades em respirar. Tomou o máximo de fôlego que conseguiu e mergulhou.

Ele não conseguia enxergar muita coisa ali embaixo, a precária iluminação natural não ajudava muito. Entretanto, era certo que Harry não estava ali. Nadou um pouco mais para o fundo, procurando Harry desesperadamente, mas tudo o que encontrou foram plantas marinhas dançando fantasmagoricamente debaixo d'água. Quando o ar faltou, Ron deixou-se subir.

- Procurando alguma coisa aí embaixo, Weasley? – perguntou a tão conhecida voz, cujo dono Ron iria estripar vivo assim que ele saísse dali e vestisse uma cueca.

- POTTER! Eu vou arrancar seus olhos – Ron esbravejou, nadando na direção do moreno, que estava sentado numa pedra à beira do lago enrolado no casaco de Ron e rindo feito um maníaco.

- Você demorou a ir me salvar – se fingiu de magoado e fez um bico tão ridículo que Ron não conseguiu segurar a risada. Então o ruivo lembrou-se que estava bravo e emburrou novamente.

- Você sabe... – Harry começou quando Ron parou em frente a ele, bufando. A expressão ameaçadora, no entanto, perdia todo o efeito uma vez que sua mandíbula não parava de tremer – seu traseiro é uma bela visão à luz da lua.

Harry riu porque não precisava de luz para saber que Ronald estava corado, agora. E não esperou que o ruivo retrucasse, porque estava frio demais e ele precisava aquecê-los. Passou uma das gravatas que achou no chão pelo pescoço de Ron e o puxou para perto antes de juntar seus lábios. Não demorou muito para que o mais alto jogasse os braços compridos em volta de seus ombros e retribuísse o beijo alegremente.

Harry colou mais seus corpos quando Ron começou a tremer em seus braços. Apoiou a testa contra a dele e esfregou suas costas com as palmas de suas mãos. Riu da boca roxa de Ron quando puxou levemente uma de suas orelhas.

Foi só então que a realização de algo se acomodou em sua cabeça, e Harry franziu o cenho. Um leve sorriso querendo aparecer no canto de sua boca.

- Você estava sem cueca, Ronald?

O Weasley caçula apenas sorriu de lado, amarelo, antes de começar a arrastar um Harry, que agora estava às gargalhadas, de volta para a água.

--

- Ralph! Chegamos.

Ron acordou com o chacoalhar nada delicado de uma mão calosa. Ele abriu os olhos com um grunhido para dar de cara com Stanislau Shunpike.

- Minha nossa! - Ron exclamou, sentando-se imediatamente. Levou uma mão à cabeça quando sentiu tontura. - O que aconteceu?

- Chegamos a Rynn. O endereço que você me deu fica no final daquela rua mais abaixo.

Ron piscou algumas vezes, tentando se localizar. Ele tinha cochilado e sonhado... Não, ele tinha se lembrado de uma noite que passaram em Hogwarts... Fora tão vívido que ele pensou que acordaria com Harry dormindo tranquilamente ao seu lado.

- Certo... – consultou o relógio de pulso enquanto se levantava e pegava a mochila. Quase meia noite. – Certo... hum.. obrigado, Lalau, Ernest.

- Você está legal, Robert?

- É Ronald! Sim, eu estou. Escuta, acho melhor vocês darem o fora daqui bem rápido...

- Ihh, aposto que ele vai entrar em encrenca, não é mesmo, Erny?

- Hum-hum.

- Isso. Vou entrar em encrenca. Então voltem para Londres e não digam a ninguém que me deram carona, tá certo? – Ron falou desconfiado, saltando do ônibus.

- Certo, chefe. Não se meta em encrenca. Até mais, Romualdo – Lalau acenou alegremente antes de fechar a porta do Nôitibus.

- Birutas... – Ron resmungou, assistindo o ônibus de três andares disparar pela rua deserta e empoeirada do condado de Werth.

Ele olhou em volta. Não havia muito que ver ali, na verdade. Apenas algumas casas trouxas abandonadas, fios pendurados de postes e uma placa que dizia que ele estava no bairro de Rynn. Uma bifurcação mais a frente. A rua da esquerda o levaria de volta ao centro de Werth, e a da direita para a rua principal de Rynn. O endereço que Marie tinha lhe dado.

O coração de Ron acelerou quando ele pegou a trilha da direita e começou a descer a rua de pedras. Tinha se acostumado a ter Malfoy ao seu lado quando estavam prestes a fazer alguma batida, o distraindo com histórias que Ron sabia serem mentiras, mas que o acalmava.

Mas Malfoy não estava ali agora, e ele precisava se controlar.

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O número 716 da Rua dos Canários era um casebre antigo que parecia ter sido deixado para trás há pelo menos dez anos. Uma construção simples de paredes de tijolos marrons, mas que só eram visíveis se você afastasse os cipós e trepadeiras que cresciam como um revestimento. Alguém que passasse na rua não conseguiria enxergar o lado de dentro da casa, tampouco, por causa da sujeira que se impregnava em suas janelas. A escadaria de pedra que levava à entrada era tão precária quanto todo o resto, e Ron usou um Feitiço Sustentação nelas para subir.

Não teve dificuldade em empurrar a porta de madeira, que estava quase completamente solta dos parafusos do batente. A casa cheirava a abandono e Ron demorou algum tempo brigando com enormes teias de aranha que o receberam logo na entrada.

- Lumus máxima - murmurou antes de dar um passo à frente. A larga tábua sob o seu pé rangeu sob o seu peso e Ron percebeu que não conseguiria ser tão silencioso quanto esperava. Ele começou a se perguntar, entretanto, porque ninguém havia aparecido ainda. Com certeza Auron colocaria vigias na casa em que mantinha Harry Potter cativo, certo? Ele começou a percorrer o espaço que um dia foi a sala de estar. Pela quantidade e disposição dos móveis, Ron suspeitou que quem quer que tivesse morado ali antigamente, tinha deixado a casa sem levar muito mais do que a roupa do corpo. Imaginou o que tinha acontecido para a casa ter sido abandonada daquela forma.

Ron notou que as costas do sofá estavam com o tecido cheio de marcas fundas, rasgos. Marcas de unhas. Assim como as cadeiras viradas no chão, a mesa de madeira ainda em pé e o papel de parede desbotado. Ele engoliu em seco e deu meia volta, começando a subir a escada carcomida por cupins que levava ao segundo andar.

Subia os degraus cautelosamente, fazendo o mínimo de barulho, embora alguma coisa lhe dissesse que havia algo errado. Depois de cinco anos como auror ele sabia, simplesmente sabia, que algo ou alguém já teria aparecido se ainda estivesse na casa.

Chegou ao último degrau. Havia três portas, uma em cada parede. Ron sempre segurava a respiração em momentos como este, e ele correu para a porta do meio abrindo-a com um chute, descobrindo ali apenas um banheiro vazio. Girou nos calcanhares, a varinha em posição, esperando um ataque por trás que não veio. Havia algo muito errado.

Ainda assim, ele não abaixou a guarda quando abriu a segunda porta, a mais próxima da escada. Os móveis do antigo quarto tinham sido retirados dali, e ficado para trás apenas um colchão fino e velho, que cheirava a urina. Em cima do colchão, um pedaço de pão duro e um copo com água intocados e, ao lado, óculos redondos partidos ao meio.

Ron ia se abaixar para pegar os óculos quando um estalo no quarto da frente o fez se empertigar. Não hesitou. Atravessou o patamar que ligava os três cômodos com apenas dois passos e abriu a terceira porta com um chute.

Precisou segurar-se no batente com o choque do que viu.

O corpo de uma mulher loira jazia pendurado de cabeça para baixo, amarrado pelos pés à uma das pás do ventilador de teto.

- Oh, meu Deus. Oh, meu Deus! – Ron murmurava, encarando em choque o corpo imóvel a sua frente. Ele apertou o pedaço fino de madeira entre seus dedos e tentou se lembrar como se respirava. Os pêlos em sua nuca se arrepiaram quando ele ouviu passos apressados subirem a escada. Ele teve que se obrigar a desviar os olhos da mulher e firmar o braço na hora de apontar a varinha para o ponto vazio sob o umbral da porta. Esperando...

Um jovem auror que Ron conhecia há tempos parou ofegante à porta do quarto, uma mão pálida segurando um dos lados de seu corpo enquanto a outra, cujo braço estava machucado, tentava segurar a varinha entre os dedos trêmulos.

Ron pulou no lugar e precisou piscar muitas vezes para se convencer de que era mesmo Draco Malfoy parado ali, a sua frente.


Notas:

Eu totalmente esqueci de comentar antes que essa fic tá terminada, viu. Eu só não tô tendo tempo pra postar, dá pra acreditar? ¬¬ Vou postar o quarto ainda essa semana, de qualquer forma.

Ainda vou ganhar na loteria, fugir pruma ilha e gastar o tempo escrevendo fics. u_u

Me digam o que estão achando, sim. ^-^