Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas por J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

Fic escrita para a Dannipel no Amigo Oculto 2009 da Potter Slash Fics.

Personagens: Harry/Ron e Draco

Avisos: AU/linguagem/lobos/ação/cenas de flashback em itálico, não necessariamente em ordem cronológica.

Fiz uma capa para esta fic. Você pode encontrá-la no meu LJ: http : // pics. livejournal .com/cy_malfoy/pic/000010sf/

O 'Ron' e 'Harry' da capa são artes da Hajime (aka Frog), do doujin 'Honey days, honey magic'.


Feelings

Capítulo IV

- É Marie... – o loiro falou com a voz arrastada que fazia Ron se lembrar de Lucius, parecendo satisfeito em poder descansar o braço machucado.

- Draco? – Ron perguntou bobamente.

- Não, minha vó! Por Salazar, Weasley, você fica algumas horas longe de mim e volta a ser o verme-cego de sempre? – Draco se aproximou de Marie, apoiando levemente o peso do corpo contra seu lado direito, e a analisou com olhos sérios. – Não deve estar aqui há mais de duas horas... Aposto que ainda estava viva quando a penduraram no "ventador".

Ron apenas o encarava, a boca ligeiramente aberta. Draco torceu o nariz e fechou a cara, virando-se para ele – O que que é?

- O que você 'tá fazendo aqui? – o ruivo perguntou como se fosse óbvio. - Não devia estar no hospital?

- Eu sabia que você ia fazer algo estúpido, como ir atrás de Potter sozinho – Draco enfatizou o 'sozinho'.

Ron o olhou de cima a baixo, como se conferisse que o parceiro não desmaiaria a qualquer momento. Draco tinha uma aparência doentia e sua pele tinha adquirido o tom levemente esverdeado de quem estava nauseado o tempo todo. E ele precisava trocar o curativo do braço urgentemente, pois o sangue começava a empapar a manga de seu casaco escuro. Por fim, Ron perguntou.

- O que você fez com Jansen?

Draco sorriu torto enquanto começava a andar em volta do cômodo fétido.

- Ele está num lugar seguro – respondeu apenas, ignorando as sobrancelhas erguidas de Ron.

- Astoria vai te matar quando descobrir que você fugiu. Sabia disso?

Draco estalou a língua e Ron rolou os olhos.

- Como chegou aqui, afinal?

- Ao contrário de você, alguns de nós sabemos aparatar.

Ron estreitou os olhos.

- Eu quis dizer: como você me encontrou aqui?

Draco ainda deu algumas voltas pelo quarto, cutucou uma manchinha aqui, outra ali, fungou algumas vezes e virou-se para Weasley, suspirando quando percebeu que ele não desistiria da pergunta.

- Sua mãe.

- Como é que é?

- Sua mãe, anta. Molly Weasley.

- Eu sei o nome da minha mãe.

- Então o quê?

- Argh! Malfoy!

- O que é?

- Você foi à Toca?

- É claro que não fui àquele lugar, Weasley, por Merlin – Draco girou os olhos quando Ron rosnou. – Ela veio até mim.

- A Toca?

...

- SUA MÃE!

- MINHA MÃE?

- NÃO, A MINHA!

- Minha mãe foi atrás de você?

- No hospital.

- Mas...

- Os documentos, verme, os documentos...

- Oh! - Ron coçou a cabeça, franzindo a testa. Ele riscaria Molly da lista "Sabe o que fazer com documentos importantes" assim que voltasse para casa. Então, virou-se para Draco. – Como ela sabia... você sabe... que você estava no hospital?

- Tonks contou pra ela, claro. Avisou que Potter foi... – fez um gesto vago com a mão. - E que eu fui... – ele abriu e fechou os dedos, como se imitasse uma mordida de cachorro. - Bem...

Ron assentiu brevemente com a cabeça e deixou o olhar cair novamente em Marie. Ele sentiu um arrepio em ver a mulher daquela forma, mas não se atrevia a mexer no corpo dela. Teriam que deixá-la ali até a ajuda chegar.

- Você acha que foi porque ela me ajudou?

- É claro que foi – Draco respondeu sem rodeios, fazendo os ombros de Ron caírem. – Mas ela o fez porque quis. Não foi sua culpa.

Ron quis dar um olhar agradecido ao parceiro, mas sabia que ele não aceitaria. Então apenas caminhou até a janela e a abriu com alguma dificuldade. As dobradiças tinham emperrado depois do tempo sem uso. Quando finalmente tinha a janela aberta e o ar frio da noite atingiu seu rosto, Ron ergueu a varinha para o céu e disparou uma série de faíscas vermelhas. Então murmurou algo sob a respiração e um terrier prateado saiu da ponta de sua varinha, sumindo no ar. Não demoraria muito para o Ministério chegar ali, agora, e assim que recebessem seu patrono descobririam que ele estava fazendo de tudo naquelas "férias", menos descansando.

Mas ele não se importava.

- Precisamos dar o fora daqui - falou, mas quando se virou Draco não estava no quarto. Ele saiu para o patamar e entrou no segundo quarto.

O Malfoy estava parado de costas, olhando para o colchão que provavelmente fora de Harry nos últimos dias e para os óculos quebrados no chão.

- Eu ainda não entendi essa história toda. E você?

- Ahan.

Draco o olhou com uma sobrancelha erguida ceticamente, se recusando a acreditar que Weasley tinha entendido algo que ele não. Ron talvez tenha notado isso, porque sorriu marotamente antes de fazer um sinal com a cabeça.

- Eu te conto, mas a gente tem que sair daqui.

Draco torceu o nariz para o suspense, mas concordou. De mal grado, estendeu o braço direito para Ron.

- Segure meu braço – falou, e Ron correu para ele, feliz em poder aparatar. – Mas não encoste muito!

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- Há quantos dias você não come? – Draco perguntou, olhando Ron de lado. Eles estavam seguindo por uma estrada deserta que Draco garantia que ficava bem afastada de Werth.

- Agora que você falou... – Ron franziu o cenho, tentando se lembrar qual foi a última vez que comera. – Cara, 'tô com fome.

- Que novidade, Weasley.

- Sério, Draco, eu preciso de comida! – Ron exclamou com os olhos arregalados, fazendo Draco se afastar disfarçadamente dele.

- Está bem, morto de fome. Tem um hotel trouxa mais adiante. A gente já estava indo pra lá, de qualquer forma.

- Hotel trouxa?

- É.

- Daqueles de beira de estrada?

- É.

- Igual nos filmes?

- É, Weasley.

- Você 'tá muito entendido dessas coisas trouxas, Malfoy – Ron sorriu. Draco apenas lhe lançou um olhar letal, que Ron ignorou desajuizadamente. – Você e Astoria já vieram aqui?

- Já, Weasley, por quê?

- Vocês transaram?

- COMO É QUE É?

- Oh, me conta!

- Weasley...

- Eu sempre quis transar num hotel desses...

- Muita informação... Muita informação...

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- Por que será que ele não esperou pra me pegar numa armadilha?

- Como eu vou saber, Weasley? Eu não sei o que se passa na cabeça desses loucos.

- Você é um auror. Sua obrigação é saber o que se passa na cabeça de criminosos como Auron. Entrar na mente deles.

- Olha só quem está falando sobre as obrigações de um auror. Você não consegue nem mesmo aparatar sem perder uns fios de cabelo no caminho.

Ron atirou uma rodela de cebola em Malfoy. O ruivo estava com um humor melhor agora que estava comendo.

- Mas você vê, Auron é um destes maníacos, no fim.

- E o que faz ele diferente dos outros?

Ron engoliu seu pedaço de rosbife e começou a se servir de galinha assada.

- Bem, Albert Auron faz parte de um destes grupos extremistas com que o Departamento tem de lidar todos os dias. Esse grupo em específico queria a extinção da Unidade de Captura de Lobisomens da Divisão de Feras, mas o Conselho se recusa a isso porque, a exemplo deles mesmos, nem todos os lobisomens querem ser controlados no período perigoso e a maioria não têm controle da própria agressividade. Mesmo quando estão sob forma humana.

Draco concordou com a cabeça, ocupado demais em mastigar para falar alguma coisa. Ron esticou o garfo para provar um pouco do bolo de carne – mal passada - do prato do outro e recuou dito garfo rapidamente quando o loiro estreitou os olhos para ele, se abraçou ao próprio prato e soltou um rosnado muito parecido com o de um cachorro. Os dois se encararam por mais ou menos três segundos, Ron de olhos arregalados e Draco ainda abraçado ao próprio prato, antes do ruivo quebrar o silêncio.

- Viu? É disso que eu estava falando.

Draco baixou os olhos e, no que parecia um esforço sobre-humano, soltou o prato.

- Certo, quando o Ministério não cedeu, os amiguinhos de Auron começaram a fazer pressão para desmembrar a Seção de Lobisomens do Ministério da Magia.

- Como assim?

- Bem, eles se resolveriam sozinhos, sabe. À parte das leis da Magia. Autônomos.

- Tipo os centauros?

- Tipo os centauros.

Draco avaliou Ron por alguns segundos, antes de voltar a encher a boca com bolo de carne.

- Que ridículo.

- Ahan.

- E o que Potter tem a ver com isso?

Ron levantou-se e tirou duas folhas de pergaminho de dentro do casaco. Ele voltou a se sentar e abriu as folhas sobre a mesa.

- Esta é uma ordem oficial expedida pelo Departamento das Leis da Magia – apontou para o pergaminho da direita. – E esta é a ordem que Tonks recebeu sexta-feira de manhã, autorizando a liberação de dois aurores para fazer a ronda em Nutville, um vilarejo trouxa no fim do mundo.

Draco encarou em branco as duas folhas de pergaminho. Então voltou a encarar Ron, perdido.

- Por Merlin, Malfoy, depois eu sou a lesma lenta! Não vê a diferença?

- Se eu estivesse vendo alguma coisa, não estaria te olhando com olhos de peixe morto.

- A assinatura, Draco!

Draco pegou as duas folhas nas mãos e as olhou de perto. A da direita era assinada por Edward Pratchett, chefe do Departamento de Aurores. A da esquerda era assinada por Brutus Gilmore, o próprio chefe do Departamento de Execução das leis da Magia.

Draco Malfoy sentiu o queixo cair.

O velho bruxo nunca assinava nada.

- Gárgulas! Você percebeu isso sozinho, Weasley? – Draco perguntou boquiaberto.

- Malfoy, não é hora! – Ron rosnou.

- Desculpe, não resisti – Draco sorriu amarelo.

- Enfim, o velhote sempre manda uma das seções subordinadas assinarem por ele, não é mesmo? Ou o velho Pratchett, ou a velha Hopkirk, ou... quem quer que seja o responsável pelos Serviços Administrativos da Suprema Corte dos Bruxos. Nunca o Gilmore. No fim, acho que ele também detesta relatórios e tudo o mais... – concluiu pensativo.

- Nossa... um detalhe tão ridículo... Tonks nunca ia reparar nisso.

- Mas eu não a culpo, sabe... Só fui perceber depois da vigésima vez que reli o papel.

Draco assentiu e continuou encarando a assinatura de Gilmore, pensando no trabalho que o provável infiltrado tivera em copiar a assinatura do velho bruxo para nada. Os dois ficaram em silêncio por mais alguns minutos, Ron tentando adivinhar onde Harry poderia estar agora.

De repente, seu celular começou a tocar.

"Hey! Hey! Hey, hey, hey! Macho macho maaaaaaaan..."

Draco levantou somente os olhos dos pergaminhos e ergueu as duas sobrancelhas para Ron, que estava roxo.

- Não pergunte – ele falou apenas, levantando-se para pegar o telefone de cima da mesinha de cabeceira. - Oh, merda, é a Tonks.

- Encontraram Marie.

- Ela vai arrancar minha cabeça pelo telefone, não vai?

- Vai.

- Ótimo, não vou atender.

- Ok, e o que mais nós sabemos sobre esse assunto? – Draco perguntou, quando Ron largou-se em uma das camas de solteiro, encarando o teto.

- Quando Jansen começou a trabalhar no Sex and Candy ele não demorou a desconfiar do tipo de trabalho de Auron. Ele contatou Harry, certo de que lhe entregaria só mais 'um', sem saber que ele estava atrás de Auron há muito tempo.

- Sorte.

- Pode ser sorte, pode ser azar. A pessoa que expediu a ordem para o QG, para o time de Tonks, sabia que ele estava na pista de Auron de alguma forma e sabia que ela mandaria Harry e Liesel para a ronda. Afinal, eles são a melhor dupla que ela tem. De todo modo, se Harry não fosse nessa, eles não se importariam de pegá-lo numa próxima.

- Nem de matar gente inocente.

- Nem um pouco. Eles deixaram o corpo de Liesel para termos certeza disso.

A conversa foi interrompida quando o celular de Ron apitou três vezes. Ele rolou sobre o próprio corpo para ler a mensagem de texto: "Weasley, atende esta merda!"

- Ela está brava... – murmurou, engolindo em seco. Mas Draco não estava prestando atenção.

- Por que eles mantêm Potter vivo? Quero dizer, considerando que ele esteja vivo – recebeu um olhar de Ron que, se funcionasse, o teria fulminado na hora. – É claro que ele está vivo.

- É claro que está! E eu sei disso porque Harry é o que eles têm de melhor para barganhar conosco. O Garoto de Ouro e blá blá blá por uma sala no Ministério, é mais ou menos isso.

- Cara... Temos um infiltrado no Ministério. Que falta de criatividade, por Merlin! – Draco falou, tirando o celular do bolso.

- O que você está fazendo?

- Vou mandar Jansen voltar ao trabalho. Se Auron acha que eu ainda estou no hospital, quer dizer que o tal infiltrado está mais próximo do que a gente imagina.

- Hã?

Draco não respondeu.

O telefone de Ron começou a tocar novamente.

- Weasley, atenda esta porra logo antes que eu o faça! – Draco berrou, fazendo Ron bufar e atender a chamada de número desconhecido.

- Alô? – Ron respondeu, vendo Draco brigar para abrir o telefone celular. Então, sentou-se muito reto na cama quando ouviu a voz do outro lado da linha. Arregalou os olhos. - Harry?

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Notas da autora:

Fiquei muito feliz em saber que vocês estão acompanhando Feelings e gostando. Um obrigada especial às garotas Nannao, Nagase Malfoy, SamaraKiss, Drix Potter e Dannipel. ^^ WonWon ama vocês. :3