Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas por J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

Fic escrita para a Dannipel no Amigo Oculto 2009 da Potter Slash Fics.

Personagens: Harry/Ron e Draco

Avisos: AU/linguagem/lobos/ação/cenas de flashback em itálico, não necessariamente em ordem cronológica.

Fiz uma capa para esta fic. Você pode encontrá-la no meu LJ: http : // pics. livejournal .com/cy_malfoy/pic/000010sf/

O 'Ron' e 'Harry' da capa são artes da Hajime (aka Frog), do doujin 'Honey days, honey magic'.


Feelings

Capítulo VI

So I crawl back into your open arms
Yes, I crawl back into your open arms

Astoria Greengrass pensou que tinha acabado de cair no sono quando foi acordada com um chacoalhão urgente. Ela xingou Weasley em voz alta e mandou que ele voltasse em um horário decente, pois Draco estava dormindo e ela também queria dormir. Mas o chacoalhão continuou insistente e Astoria se viu obrigada a abrir os olhos.

Deu de cara com a desconhecida expressão aflita de Draco, vestido em seu ridículo pijama de hospital. Não era a primeira vez nas últimas horas que Astoria tinha a sensação de que não estava encarando o noivo.

E ela não podia ter mais razão.

- Senhorita Greengrass... o senhor Malfoy está em perigo – falou o Draco de pijamas.

Draco e Ron aparataram em frente à antiga fábrica de fogos de artifício, a Fire Buster. Eles encontraram o que tinham esperado: um campo aberto e deserto, cercado por grama alta e árvores desfolhadas pelo outono. Não havia casas ao redor, nem qualquer lugar para onde alguém pudesse correr em busca de socorro. Ron tinha quase certeza de que a área tinha sido "desmapeada" dos registros do Ministério.

Eles deram um passo à frente, na intenção de circular o prédio em reconhecimento, mas feitiços vindos de lugar nenhum passaram por cima de suas cabeças e atingiram a parede de pedra atrás de si.

Os dois aurores jogaram-se no chão quando mais feitiços vieram da escuridão, claramente tentando acertá-los. Draco xingou alto quando rolou para cima de uma poça de lama tentando desviar de um feitiço que fez explodir o pedaço de terra onde ele estivera segundos antes.

Aquilo era ridículo, pensou, eles eram alvos fáceis naquele lugar aberto. Colocando a dor no braço de lado ele se apoiou nas mãos olhando rapidamente em volta, camuflado pelo matagal, tentando encontrar alguma coisa que pudesse ser útil naquela situação. Só o Weasley mesmo para conseguir colocá-lo naquele tipo de programa de índio!

- Malfoy! – a voz de Ronald chegou meio abafada de algum lugar à sua esquerda, seguida pelo estrondo de mais algum feitiço que errou o alvo. – O que a gente faz?

- E como é que eu vou saber? Você é o estrategista da dupla! - ele correu na direção da voz do ruivo, se desviando, por sorte, de mais dois feitiços. Agarrou o parceiro pela gola da camisa e correu com ele, agachado pelo mato alto, até uma das árvores sem folhas espalhadas pelo campo. - Devia ter pensado nisso antes, não?

- Tarde demais agora. Eles estão por toda a parte. Alguma idéia?

Os dois se encolheram quando um galho logo acima de suas cabeças simplesmente explodiu. Draco olhou para o galpão, que não estava assim tão distante, e então para Weasley, que estava com uma expressão ainda mais idiota que a normal.

- Acha que consegue correr até o galpão?

Ron olhou para a construção de pedra por cima do ombro do amigo. – Talvez.

- Ótimo. Você corre até lá. Eu te dou cobertura.

- Mas-

Ron foi empurrado para o lado segundos antes do tronco onde estivera sua cabeça explodir exatamente como o galho.

- Quando eu disser 'já', Weasley! – Draco retirou a própria camisa e os tênis com Ron o encarando, ainda caído no chão após ser empurrado, de olhos arregalados.

- O que diabos você 'tá fazendo?

- Já! - Draco berrou, mas Ron não conseguiu se mover, porque naquele momento o corpo do loiro começou a se alongar, todas as juntas de seu corpo estalando de uma forma que o auror havia visto apenas uma vez na vida, e que parecia extremamente dolorosa.

Quando acabou, um imenso lobo castanho claro o encarou do lugar em que Malfoy estivera. Ron engoliu em seco quando o lobisomem rosnou para ele, um som tão alto que praticamente fez o chão tremer. Ele piscou algumas vezes quando o lobisomem-Malfoy se virou e partiu num galope rápido pelo matagal. Um grito estrangulado em algum lugar à sua esquerda foi o que o fez ficar de pé, juntar a roupa que Draco tinha largado de qualquer jeito para trás e partir na maior velocidade que conseguiu na direção do galpão.

Quase lá. Já estava quase lá, ele pensou, se forçando a correr ainda mais rápido, ignorando a pontada dolorosa em seu lado. Só mais um pouco.

Ele esticou uma mão na direção da porta. Poucos metros agora. Desviou-se de mais um feitiço e... caiu.

Ron ainda rolou algumas vezes na terra úmida antes de olhar para baixo e ver suas pernas amarradas. Olhou novamente para a porta do galpão. Faltava tão pouco!

- Olha só quem está aqui... – disse uma voz irônica de algum lugar no matagal à sua frente pouco antes do próprio Auron surgir em meio às folhagens. – O namoradinho do Potter. Eu estava esperando por você.

Ronald praticamente ficou vesgo ao encarar a varinha apontada bem no meio de seus olhos. Só então se deu conta de que tinha perdido a própria varinha ao ser atingido pela azaração de Auron. Ele suspirou, derrotado, quando um clarão vindo de algum ponto atrás do lobisomem o fez se virar, desviando a atenção do auror.

Os gritos aumentaram no campo aberto, assim como os sons de luta. Ron não pôde deixar de sorrir ao ver Olho-Tonto Moody derrubar um lobisomem imenso com apenas um movimento de seu cajado. Auron fez uma careta e se voltou para o ruivo.

- Sortudo – ele apontou novamente a varinha para o rapaz e abriu a boca para lançar um feitiço - que, Ron tinha certeza, se não fosse letal, seria ao menos extremamente doloroso - quando caiu para trás, desacordado.

Ninfadora Tonks surgiu do mesmo local na mata de onde Auron tinha saído e se aproximou a passos rápidos de Ron, devolvendo sua varinha.

- Ainda há muitos deles por aqui. Vá buscar o Harry – e num gesto rápido, ela desamarrou suas pernas e voltou para a batalha. Ron não precisou pensar duas vezes antes de se virar e voltar a correr para o galpão.

A primeira coisa que ele enxergou quando conseguiu derrubar a porta de madeira com um Bombarda, foram os olhos de Harry arregalados de medo.

E então Ron não viu mais nada, porque ele não se importava com mais nada.

Harry apertou as costas encharcadas de suor e lama de Ron, como se tivesse medo que ele sumisse a qualquer segundo. Ron retribuiu com um sorriso fraco, mas aliviado. Quando notou que Harry não podia vê-lo, deu um beijo firme em seu pescoço.

- Você 'tá legal? – ele perguntou preocupado depois de desfazer o longo abraço. A expressão de Ron tinha se tornado sombria assim que ele parou para avaliar de perto os ferimentos no rosto de Harry.

- Vou ficar. Quando a gente sair daqui – Potter respondeu.

- A gente vai. Logo. O Ministério 'tá lá fora. Consegue ficar em pé?

- Não sei – ele se apoiou pesadamente em Ron, que passava um braço por sua cintura. Foi quando Harry soltou um "Oh, merda!" assustado.

O ruivo levantou os olhos e a varinha para o lobo gigantesco que entrava no balcão. Relaxou quando ele olhou na direção dos dois e balançou levemente o rabo.

- É o Draco.

- O QUÊ?

- Longa história, parceiro...

- Olá... Malfoy – Harry falou incerto, observando receoso o grande lobo castanho claro voltar a ser Draco Malfoy.

- Você está horrível, Potter.

- Então não estou tão mal assim – falou. Então, Ron deu o primeiro passo e Harry dobrou-se de dor pelo esforço, e o ruivo teve que fazê-lo se sentar novamente.

- Porra, não vou conseguir tirar ele daqui assim – Ron exclamou contrariado. – Draco, você tem que desaparatá-lo daqui.

- Eu não vou a lugar algum! – Harry exclamou, quando Draco começou a vestir as roupas que o Weasley trouxera.

- Harry, não comece...

- Eu não vou deixar você aqui – ele agarrou-se ao braço direito de Ron imediatamente. – Eu posso lutar.

- É claro que pode, Potter. Com uma múmia paralítica, talvez – Draco falou, se aproximando com a varinha em punho. Ele estava mancando.

- Ronald Weasley... – Harry começou em tom de aviso quando Draco tomou a vez de apoiar a sua cintura.

- Harry, seja razoável... – o ruivo pediu, mas Harry não foi capaz de responder porque Draco estava rodopiando no lugar e logo não havia nem sombra dos dois aurores.

Ron coçou a nuca e suspirou sofridamente. Nada de agradável vinha de Harry quando ele o chamava de Ronald Weasley. Sem o Bilius.

Quando Ron voltou para o campo aberto que cercava a antiga fábrica de fogos de artifício, ainda havia alguns homens de Auron para derrubar. Ron ajudou o resto da equipe a prender o bando com cordas invisíveis que não permitiriam que eles se transformassem, enquanto o grupo de Remoção trazia o veículo que os levaria para Askaban para aguardar julgamento. O auror arrastou com prazer Auron para o enorme camburão, e usou um Mobilicorpus para colocá-lo dentro do carro. Ele se afastou para fechar a porta quando sentiu um movimento atrás de si. Ronald odiava tomar sustos, e a cara feia de Auron arreganhando os dentes para ele foi o bastante para fazer o auror pular no lugar antes de desferir um murro na cara do seqüestrador, que caiu desacordado. Weasley assistiu com um sorriso enorme o camburão da remoção literalmente desaparecer de vista.

Ron ainda estava sorrindo feito bobo quando avistou Olho-Tonto vir mancando em sua direção. Ele olhou bobamente para os lados, procurando um refúgio, mas quando deu meia volta sentiu algo o prender pelos pés pela segunda vez na noite.

- Não tão rápido, Weasley.

O rapaz fechou os olhos quando foi magicamente virado de costas para encarar o rosto marcado de cicatrizes de Moody.

- Boa noite... senhor – ele tentou um sorriso simpático.

Moody descansou seu cajado entre as pernas abertas de Ron, que arregalou os olhos e dispensou uma olhada nervosa para o objeto de madeira em zonas perigosas.

Alastor sorriu, uma visão pavorosa, e Ron teve certeza de que estava em apuros.

- Por que, em nome de Merlin, eu acordo duas noites seguidas na cama de um hospital, depois de ser atacado por lobisomens, e a culpa é toda sua, Weasley? – Draco resmungou, sem abrir os olhos.

Ron se pegou sorrindo porque não deixava de ser verdade o que o loiro acabara de dizer.

- E aí? – perguntou.

- E aí – Draco respondeu, tentando se sentar. Ron hesitou um segundo antes de ajudá-lo com os travesseiros, mas Malfoy não o repeliu, para seu alívio.

- Doze Feitiços de Remendo – o ruivo apontou para a própria testa, orgulhoso – e um braço luxado.

- Dezessete Feitiços de Remendo, uma perna quebrada e uma mordida de lobisomem.

- É, você ganhou dessa vez – Ron fingiu-se chateado, mas logo estava empurrando a mesinha que ficava aos pés da cama de Draco e que agora estava lotada de presentes e flores para mais perto do auror. – Isso tudo é do pessoal do Departamento. Parece que eles ficam mais legais quando se está quase morrendo – comentou, afanando um sapo de chocolate. - Astoria já apareceu por aqui?

Draco soltou uma risada pelo nariz.

- Onde você acha que eu consegui uma perna quebrada? – Ron arregalou os olhos, fazendo Draco rir. Entretanto, o loiro não desmentiu e continuou. – Ela vai ficar bem... Só precisa gritar um pouco pra extravasar.

- Eu conheço o tipo – Ron suspirou, lembrando-se de Molly. Só então se deu conta de que não falava com a mãe há mais de dois dias e que ela provavelmente também gritaria umas boas quando eles se encontrassem. Fez careta.

- E o Potter?

- Dormindo. Os Curandeiros disseram que ele pode dormir por mais três dias, talvez.

- Hum.

Uma sensação de dejà-vu invadiu os dois aurores quando a sala caiu num silêncio desconfortante e Ron começou a se remexer desconfortável na cadeira.

- E a Sturm? – a voz de Draco finalmente quebrou o momento tenso.

- Hã? Oh. A família adiou os funerais para amanhã, então...

- Oh, claro.

- Hum-hum.

Draco estalou a língua. Ron roeu a unha.

- Er... – os dois começaram.

- Fala você – falaram juntos.

- Aff, eu falo primeiro – Draco se irritou, mas dessa vez Ron tinha a sensação de que ele preferia falar antes para não perder a coragem de dizer o que quer que ele tinha para falar. – Hum, eu só queria dizer que... Bem, não pense você que eu fui até lá porque me importo com você ou qualquer babaquice dessas. – Ron continuou o encarando, sem dizer nada. – Eu, obviamente, fui até lá para cumprir meu papel de parceiro de equipe, que, infelizmente, a gente não pode escolher, mas já que é você eu resolvi tomar uma atitude responsável e... te salvar, ou qualquer coisa parecida.

Ron ergueu uma sobrancelha cética para Draco – tomando o cuidado para o loiro não ver, já que este encarava, resoluto, uma mancha verde no teto. Então o ruivo sorriu, porque era assim que as coisas funcionavam entre ele e Draco.

- É claro que sim. E eu quero que saiba que eu faria a mesma coisa por você. Pela equipe, quero dizer.

Draco o olhou de lado, levando um tempo para decidir se acreditava nele ou não. Por fim, assentiu apenas uma vez com a cabeça, relaxando visivelmente na cama. Ele chegou a fechar os olhos quando se ajeitou sob o lençol de linho branco.

- Bom... Muito bom, porque assim você pode continuar sendo meu padrinho de casamento.

- COMO É QUE É? MALFOY, QUANDO FOI QUE EU CONCORDEI COM ISSO?

Ron acordou com a sensação de que havia alguém o observando. Ele esfregou os olhos pesados com os nós dos dedos e soltou o bocejo de uma pessoa cansada. Quando finalmente abriu os olhos, foi para dar de cara com os verdes de Harry o encarando profundamente.

- Harry! – exclamou contente. – O que você está fazendo acordado? Você devia estar descansando. Como você 'tá? 'Tá doendo alguma coisa? Quer que chame o Curandeiro? Quer uma água? Você 'tá tão pálido!

- Ron? – Harry interrompeu a verborragia do namorado.

- O quê?

- Chega mais perto, chega – ele o chamou com o indicador.

- Hã? Assim?

- Mais.

- Assim? – Ron inclinou-se mais um pouco, sorrindo.

- Mais um pouquinho.

- Ass- AI! –Ron berrou quando Harry segurou suas orelhas com força e as puxou.

- DA PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ ME DESAPARATAR DE PERTO DE VOCÊ NO MEIO DE UMA LUTA, VAI FICAR SEM SEXO POR UM MÊS!

- UM MÊS?

- UM MÊS! – Harry soltou Ron e acomodou-se contra os travesseiros da cama de hospital. Sorriu. – Agora eu tô melhor.

FiM =P


Notas:
- Os trechos usados nos capítulos 3 e 6 são da música 'A warning sign', do Coldplay.

Primeira fic de capítulos. Um desespero só. _

Espero que tenham gostado. ._.

Abraços!