Capítulo II
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Rin ouviu um som diferente no motor do avião. Deduzindo que havia um problema num dos cilindros, resolveu que era melhor aterrissar para tentar consertar o defeito. Quando contornasse a montanha, estaria sobrevoando o bagalô de Sesshoumaru. Poderia pousar e pedir-lhe a caminhonete emprestada para levar o soro até a casa dos Yamanaka. Lembrando-se, porém, de como Sesshoumaru se comportara, mudou de idéia. Não queria encontrá-lo novamente. Talvez conseguisse manter o avião no ar até a propriedade seguinte à dele.
Ignorando as medidas de segurança, fez uma curva por cima do vale em vez de cruzar pela montanha. Contudo, cinco minutos depois, viu que cometera um erro. A pressão aumentara, o motor tossiu, parou por um instante, levando dois longos segundos para pegar outra vez.
Apavorada, Rin conseguiu fazer o avião planar até a fazendola de Sesshoumaru. Em poucos minutos, chegava ao pequeno cais. Naturalmente, ele não correria a seu encontro para cumprimentá-la ou pegar a correspondência.
Depois de procurar por ele durante alguns minutos, começou a ficar realmente irritada. Precisava dele! Onde estaria?! Naquele momento, Sesshoumaru aproximou-se, correndo. Rin ficou parada. Ele era realmente maravilhoso. Enquanto corria, o cabelo esvoaçava, como chamas lançadas no ar. Vestia um short de malha, que punha em destaque os músculos fortes das pernas.
Num instante ele venceu o espaço que os separava, parando à frente dela.
- Você está bem? – perguntou, aflito.
- Estou – Rin enrubesceu, vendo que ele a examinava de alto a baixo.
Definitivamente, aquele homem a afetava. Ela tremia, e a pele de seu rosto ardia como se estivesse em brasas. Tinha ímpetos de atirar-se nos braços dele.
Por fim, perturbada, desviu o olhar.
- Ouvi seu motor falhar – ele afirmou – Deu um estalo e logo após parou.
Rin perguntou-se se ele estaria mesmo preocupado com ela ou com a idéia de ter equipes de salvamento e repórteres invadindo-lhe a propriedade.
- É verdade – admitiu – Mas felizmente já estava descendo e pude planar para aterrissar. Penso que um dos cilindros...
- Você não testa o motor antes de decolar? – ele a interrompeu, ansioso.
- Testo, claro! – respondeu, indigana. Não precisava de uma aula de como cuidar de seu avião. – Você poderia me emprestar sua caminhonete?
- E quem lhe disse que tenho caminhonete?
Rin deu de ombros e foi até o avião, para apanhar o pacote com o soro que precisava entregar aos Yamanaka.
- Não importa. Estou precisando de um meio de transporte qualquer. Tenho de entregar um remédio.
- Pois eu não tenho nenhuma condução.
- Não tem nenhum meio de transporte?! Como trouxe o material de construção para reformar a casa? Como vai ao armazém comprar suprimentos? – Pôs uma das mãos no quadril e encarou-o, indignada. Sesshoumaru estava muito perto dela, tanto que ela podia ver as gotas de suor escorrendo-lhe pela testa e caindo no peitoral. Ele irradiava calor!
-Trouxe o material de helicóptero. E comprei mantimentos para durar um verão inteiro – explicou, impaciente. – Pra que é o soro? Picada de cobra? Quem foi picado?
- Não foi cobra, e sim inseto. O sobrinho dos Yamanaka está com problema de alergia. Pediram-me então para trazer medicamentos. Preciso consertar o avião para chegar à casa dos Yamanaka.
- tenho um cavalo – informou Sesshoumaru – Eu uso quando necessito ir ao armazém. Qual a distância daqui até lá?
- A casa fica logo após a curva do rio. Talvez consiga consertar o defeito do avião. Será mais rápido, se for algo que eu possa fazer. Quem sabe é apenas um fio solto? – falou, esperançosa.
- Calculo que seja mais do que isso.
- Eu também – sussurou ela, num suspiro. – Mas demoraria muito para ir a pé.
- Já disse que pode usar o cavalo. Ele cobre essa distância em uma hora.
- Não sei andar a cavalo.
- Qualquer pessoa pode andar a cavalo.
- Não me dou muito bem com cavalos. Um deles me derrubou e ainda teve a audácia de me pisotear! – Rin tentou sorrir.
Sesshoumaru não disse nada ao vê-la rumar novamente para o avião. Rin examinou o motor com perícia e habilidade, para depois deduzir, com desgosto:
- Não há remédio. É no sistema de gás, e não há como consertar rapidamente. – Olhou para Sesshoumaru e acrescentou: - Você vai ter que ir à cavalo. Sabe aplicar injeções?
- Não, e não pretendo aprender fazendo uma criança de cobaia.
- Realmente, seria muito arriscado – concordou, desesperada, porém incapaz de encontrar uma solução. – Tenho que tentar alcançar o próximo posto de segurança e ver se descubro alguém com noção de primeiros socorros. Se tiverem um helicóp...
- Podemos ir juntos. Seguro você pra não cair. – Sesshoumaru disse, com um meio sorriso quase imperceptível.
Rin hesitou. Olhou para o avião, em seguida para o relógio e enfim assentiu:
- Está certo, vamos lá!
Enquanto Sesshoumaru preparava o cavalo, Rin esperava no portão.
Quando ele voltou, ela montou no animal com a ajuda dele, mantendo ambas as pernas no mesmo lado.
- Obrigada – agradeceu ela.
- Passe uma das pernas para o outro lado - ele falou.
Ela obedeceu e, em seguida, Sesshoumaru também montou, ficando encostado às costas delas. Logo o cavalo estava em marcha, e as pernar de Sesshoumaru roçavam as de Rin, deixando-a sem ar de tão perturbada.
Rin sentia Sesshoumaru cavalgar no mesmo ritmo que ela e não podia deixar de pensar no quanto ele era másculo com aqueles músculos fortes e aquele peito largo.
Para sua sorte, nos primeiros vinte minutos, Rin ainda se mostrava dominada pelos temores infantis. Contudo, aos poucos afastou-os, convencendo-se de que o cavalo era manso e que Sesshoumaru podia dominá-lo perfeitamente. Então, pôs-se a respirar de forma normal.
Passou os vinte minutos seguintes observando a floresta e a paisagem. Relaxando mais, sentiu a proximidade de Sesshoumaru.
Rin começou a sonhar acordada. Via-se raptada por um atraente fora-da-lei, que a levava para um lugar nunca explorado anteriormente. Lá ele faria dela sua noiva eterna, numa festa partilhada com todos os outros fora-da-lei, que comeriam e beberiam à sua felicidade. No fim da festa, ele a carregaria para dentro de um tenda, e numa cama feita de peles lhe diria...
- Não durma! – Sesshoumaru a despertou.
- Não vou dormir... não esta noite. – Rin sussurrou, sonhadora.
- Estou falando sobre este momento. Você tá pesada. – ele falou asperamente. (N/A: Que insensibilidade do Sesshy...¬¬)
Rin aprumou-se na sela, assustada com o animal, que iniciava um galope, e com Sesshoumaru.
Ao perceber-lhe o medo, ele perguntou:
- O que há com você?
- Desculpe... Estava sonhando acordada e... Nem vi que me encontrava quase caindo sobre você. Está tudo bem? – ela perguntou, procurando tranquilizá-lo.
- É melhor pararmos um pouco para Ranger descansar – Sesshoumaru anunciou, puxando a rédea.
Ele saltou e logo após ajudou-a a fazer o mesmo. Nos primeiros instantes no chão, nenhum dos dois sabia o que dizer ou o que fazer. Foi Rin quem falou primeiro:
- Esse é o nome dele?
Sesshoumaru desatrelou as rédeas, guiou o animal até um lugar onde havia grama e depois respondeu:
- Sim.
- Ele parece ser dócil... – ela afirmou - ...como você.
- Não invente qualidades pra mim. – ele falou com rudeza. Em seguida sentou-se, tirou dois sanduíches da sacola e mandou-a sentar-se também.
- Não estou errada. Posso ver por mim mesma que não estou – murmurou, aceitando o sanduíche de rosbife que ele lhe oferecia. – Foi uma excelente idéia trazer os sanduíches. Deve ter deduzido que não tive tempo de lanchar hoje, porque tive que ir ao outro lado falar com o médico, antes de ter parado em sua casa. Muito obrigada – acrescentou ela, decidida a mostrar gratidão.
Comeram em silêncio, e logo em seguida Rin falou:
- É melhor irmos. O soro... – E se pôs em pé. Mas, naquele momento, Sesshoumaru se levantava, e seus lábios ficaram muito próximos, a ponto de ela sentir-lhe a respiração.
Então, ele inclinou-se, segurando-a pelos braços e a beijou com delicadeza, porém com desejo. No entanto, aquilo durou apenas um segundo, pois Sesshoumaru se afastou de repente.
- Queria fazer isso desde que a vi pela primeira vez – ele confessou, zangado consigo mesmo.
- Fora-da-lei! – Rin exclamou, sonhadora, afagando-lhe o rosto – Robin Hood das florestas.
- Não sou um herói de ficção.
- Eu sei – murmurou, passando-lhe a mão pelos cabelos prateados e aproximando-se.
Aquele beijo fora a realização de tudo com que sonhara durante toda a vida: excitante, selvagem, assustador, gentil, doce, maravilhoso...
Sesshoumaru colou outra vez os lábios aos dela, dessa vez disposto a conhecer-lhe todos os segredos. Rin retribuiu o carinho. Enquanto suas línguas se tocavam e dançavam ao mesmo ritmo, ela acariciou-lhe os cabelos, aspirando-lhe o cheiro másculo. Ao mesmo tempo, Sesshoumaru passava as mãos por suas costas, percorrendo-as da cintura aos ombros, até provocar-lhe arrepios de paixão.
De súbito, no entanto, ele se afastou.
- É melhor continuarmos a viagem.
- Sim – Rin concordou, ainda abalada.
Em silêncio, montaram no cavalo.
- Agrade-o – Sesshoumaru solicitou-lhe com gentileza, alisando também o dorso do animal por trás dela. – Ele gosta disso. Os homens gostam de ser acariciados da mesma forma que as mulheres. Da forma que você me tocou.
- Você gostou? – Rin indagou.
- Sim. Mas temos de entregar o soro – lembrou-lhe ele, pondo o cavalo em movimento.
- Você falou que levaríamos apenas uma hora. – Rin interpelou-o, olhando o relógio. Eram quase quatro horas, e eles ainda continuavam na mesma marcha.
As sombras estavam tomando conta de tudo, pois o sol já declinava no horizonte. Teriam de fazer certo esforço para localizar a casa dos Yamanaka, e ela nem queria imaginar como seria a viagem de volta através da floresta completamente às escuras.
O pior era que teria de passar a noite na casa de Sesshoumaru. Só de pensar naquilo, sentia o coração bater acelerado no peito.
- Estamos chegando – Sesshoumaru falou finalmente, assim que ultrapassaram a curva do rio. De fato, naquele momento era possível avistar a distância a casa dos Yamanaka.
- Ali está o Yamanaka-sama, saindo de casa. Deve ter nos visto.
- Salvo pelo gongo – murmurou ele, seco.
- Na hora certa – Rin complementou, permitindo que Sesshoumaru a ajudasse a descer do cavalo.
- Graças a Deus vocês chegaram! – o Yamanaka-sama correu para cumprimentá-los – Shippou está piorando. Os inchaços estão aumentando. Acabamos de falar com o médico. Se Shippou não melhorar com o soro, terá que ir para o hospital.
- Eis aqui o remédio – Rin afirmou, procurando o pacote na sacola de Sesshoumaru e entregou ao Yamanaka-sama – Olá, Mino! – acrescentou, saudando uma senhora que se aproximava.
Sesshoumaru amarrou o cavalo numa árvore e acompanhou Rin e o Yamanaka-sama até a casa.
O garoto, que devia ter mais ou menos seis anos, achava-se deitado num dos sofás. Obviamente sentia dor. Seu rosto estava irreconhecível de tão inchado, os olhos quase quase desaparecendo em meio às bochechas. Respirava com dificuldade.
- Olá, Shippou! Trouxe algo que vai fazê-lo se sentir melhor – Rin falou, tentando passar um pouco de ânimo ao garoto. – Vou ter que aplicar umas injeções e vai doer um pouquinho. Onde você prefere levar as picadas, no braço ou no bumbum?
- Quantas são? – indagou o menino, com voz fraca.
- Duas – respondeu ela, sincera.
- No braço – ele escolheu.
Rin assentiu e preparou as seringas. Em menos de um minuto deu as injeções no garoto.
- Mostre-me as picadas para colocar remédio nelas também - pediu ela a Shippou, abrindo um frasco.
Ele obedeceu, e logo após Rin ter passado o líquido, o menino já se sentia bem melhor, caindo num sono tranquilo. Não podiam fazer mais nada senão esperar pelo efeito do soro.
Mino aproximou-se de Sesshoumaru e apresentou-se:
- Sou Yamanaka Mino.
- Meu nome é Yokoyama Sesshoumaru e moro duas montanhas ao norte. – E apontou no rumo da casa.
- Notei que vieram a cavalo - a mulher observou.
- Rin teve problemas com o avião e parou em minha fazendinha. Então, eu a trouxe a cavalo. – justificou.
Rin levantou-se do tapete ao lado do menino.
- Viram o monstro em que ele me fez montar?! - brincou, com jeito de assustada, e os três companheiros do garoto riram.
- Vamos tomar um café – Mino convidou, guiando-os em direção à sala de jantar. – Sesshoumaru, este é meu marido, Hajime. Sesshoumaru está morando na casa de Myouga. – informou ao marido.
Os dois homens se cumprimentaram, e Hajime agradeceu a Sesshoumaru por ter trazido Rin.
- Foi uma experiência muito instrutiva. Nunca havia visto alguém com tanto medo de cavalo. Foi uma luta convencê-la a montar - Sesshoumaru contou, muito à vontade.
- Não é exatamente assim... Acontece que há muitos anos fiz um pacto com os cavalos. Ficaria longe das costas deles e, em troca, ficariam longe das minhas.
Fitou Sesshoumaru com gratidão. De certo modo, esperara que agisse de modo impaciente, porém, em vez disso, ele se comportava como um perfeito cavalheiro, muito educado e gentil.
- Não me interessa como chegou, pois o importante é que veio – falou Mino. Depois diridiu-se a Sesshoumaru: - Rin é nosso anjo da guarda. Toma conta de todos nós.
- Lembra-se de meu primeiro chamado de emergência? Foi um desastre! Era meu primeiro mês de serviço. Tive que voar para buscar uma mulher grávida, cujo bebê decidiu nascer antes da hora. Levei-a para o hospital, porém quase não deu tempo. Foi aí que decidi aprender a lidar com todo tipo de situação e fiz um curso de primeiros socorros – recordou ela, explicando a Sesshoumaru.
- Entendo – disse ele, com verdadeira admiração.
Depois de tomarem café e conversarem sobre o tempo e outra amenidades, Rin julgou que era hora de irem.
- É melhor voltarmos – falou pra Sesshoumaru.
-Oh, vocês não podem! – Mino protestou. – É muito tarde. Vão ter que passar a noite conosco.
- Temos lugar suficiente para todos – Hajime assegurou. – Os dois sofás viram camas. Um de vocês pode dormir no quarto de Shippou.
Rin imediatamente aceitou a sugestão. Era melhor dormir ali do que na casa de Sesshoumaru, onde estaria a sós com ele.
- Sesshoumaru pode ficar com o quarto. Vou dormir no sofá e tomar conta de Shippou durante a noite – decidiu ela.
- Durmo na sala. Você fica com o quarto – Sesshoumaru contestou, autoritário.
- Não, seria melhor se eu ficasse com Shippou – Rin insistiu.
Hajime e mino se entreolharam.
- É... acho melhor levar Shippou para o quarto. Lá ele dormirá melhor. É logo à direita do meu e poderei ouvi-lo perfeitamente se precisar de algo – Mino interveio, dando por encerrada a discussão. – Mas agora vou preparar o jantar. Devem estar morrendo de fome.
- Vou ajudar – Rin ofereceu-se, seguindo Mino até a cozinha e evitando o olhar de Sesshoumaru.
- Você está reformando a casa de Myouga para o inverno? – Hajime perguntou a Sesshoumaru, quando as duas mulheres estavam saindo.
Rin não teve chance de ouvir a resposta.
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Após Rin haver alimentado Shippou com algumas colheres de sopa e ter-lhe passado mais remédio nas picadas, Sesshoumaru carregou o garoto para o quarto, onde Mino já preparara a cama.
Rin observou Sesshoumaru carregar o menino com uma familiaridade incrível. Tinha braços fortes, despertando confiança na criança. Seria um bom pai, com certeza. E também seria um exemplo para os filhos.
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Rin e Sesshoumaru conversaram com os Yamanaka por algum tempo, antes de irem dormir. As mulheres deram uma última olhada em Shippou, verificando que ele realmente melhorara um pouco.
Ao retornar à sala, Rin notou que do pequeno sofá em que Shippou estava deitado fora feita uma cama para ela, e do sofá maior para Sesshoumaru, que se banhava naquele momento.
Ficou folheando uma revista, esperando-o desocupar o banheiro. Não via a hora de tomar banho também.
Quando Sesshoumaru reapareceu, Rin ficou boquiaberta diante da imagem incrivelmente máscula a sua frente. Ele trajava apenas um jeans e uma camiseta branca, que deixava à mostra o tórax tentador, largo e forte. Seus braços eram um convite a um abraço carinhoso e apaixonado.
Ele sorriu para ela, e o coração de Rin bateu mais forte. Aquele sorriso a enlouquecia! Subitamente, teve medo de que Sesshoumaru nunca aprendesse o que era amar e ser amado, embora soubesse que não tinha nada a ver com a vida dele.
Sesshoumaru aproximou-se da cama e tocou de leve a fivela da calça, olhando para ela com uma fisionomia divertida. Virando-se, Rin levantou-se rapidamente e foi para o banheiro, só conseguindo recuperar a calma no meio do caminho, embora continuasse a pintar na imaginação quadros de um tórax forte e quadris estreitos que a acompanharam durante todo o banho.
Quando Rin voltou, Sesshoumaru já se encontrava embaixo das cobertas. A sala estava às escuras, a não ser pelo fogo que ele acendera.
Rin vestia a camisola que Mino lhe cedera. Hajime emprestara um pijama a Sesshoumaru, que preferira não usá-lo, e ela estava bem consciente do fato.
Depois de se deitar, Rin olhou para o fogo. Estava tão cansada que todos os músculos lhe doíam, mas não conseguia dormir. Fechando os olhos decidida, tentou cantar algumas músicas para si mesma, mas só podia se lembrar de cantigas de amor, o que a deixava ainda mais inquieta.
Fitava as chamas da lareira e suspirava, infeliz, louca para que a noite acabasse. De repente, ouviu um barulho e notou que Sesshoumaru se levantara. Para sua surpresa, ele veio a seu encontro. Não sabia se devia protestar ou cair nos braços dele, e ainda meditava sobre o que fazer quando ele parou a sua frente.
- Vire-se – pediu ele, com delicadeza.
Rin encarou-o, incapaz de adivinhar-lhe as intenções. O corpo dele, delineado contra a luz do fogo, fazia com que sua pele parecesse de bronze.
- Vou lhe fazer uma massagem. Provavelmente, está se sentindo dolorida depois de andar a cavalo. Vire-se de bruços – pediu ele.
Ela obedeceu de imediato. Assim que Sesshoumaru começou a fazer massagem com mãos fortes, sentiu-se melhor. Ele massageou-lhe o pescoço, a coluna vertebral, as costas, milímetro por milímetro. Gradualmente, Rin foi relaxando.
- Vou dormir agora. Pode parar, se quiser – ela sussurrou. – Obrigada, eu tava mesmo precisando.
- De nada. – ele respondeu, sem parar a massagem. Puxou as cobertas mais para baixo e massageou-lhe os quadris, a parte do corpo mais atingida com a longa cavalgada.
Rin suspirou, liberando naquele suspiro todas as tensões que ainda lhe restavam no corpo.
No entanto, ao mesmo tempo que relaxava, ia ficando alerta com relação a Sesshoumaru. A massagem ia se transformando aos poucos em carícia, e aquilo a inquietava. Instintivamente, voltou-se para ele.
Sesshoumaru continuou a afagá-la com movimentos cada vez mais sensuais. Suas mãos passeavam dos ombros para os braços ou para o pescoço, ocasionalmente chegando à cintura. Enfim, pegou-lhe uma das mãos entre as suas e acarinhou-lhe cada dedo, para em seguida prendê-los todos entre os seus.
- Quem é você que me faz esquecer tudo por que passei nos últimos meses? – indagou com voz rouca. – Invadiu minha vida, tirou-me a paz de espírito e me tortura com uma promessa de paraíso.
Sesshoumaru fez uma expressão de dor, e Rin logo se ergueu para acariciar-lhe a face, porém ele interceptou-lhe a mão no meio do caminho.
- O que quer de mim? - quis saber.
- Tudo – revidou ela, imediatamente.
- Eis só o que lhe posso oferecer – ele sussurrou, beijando-a de uma forma quase selvagem, entre a loucura e a razão.
Respondendo àquela ânsia com toda a paixão que a possuía, Rin o abraçou, atraindo-o para perto de si. Com um sorriso, ele deitou-se ao lado dela, cobrindo-a com seu corpo forte. Naquele momento, ela percebeu o quanto o desejava.
Com dedos trêmulos, deslizou as mãos para dentro da camiseta de Sesshoumaru, tocando-lhe cada músculo das costas. Ele soltou um gemido de prazer, beijando-a em seguida de maneira mais apaixonada. Radiante, ela o acariciou com mais ardor, quase fora de controle.
Sesshoumaru fez a mão correr para o seio de Rin, que perdeu a respiração ao senti-lo beliscar-lhe os mamilos por cima do tecido. Ao vê-la excitada, Sesshoumaru sorriu.
- Como é que isso sai? - perguntou-lhe.
- Pela cabeça – ela esclareceu.
- Que pena! – ele exclamou. – Mas é melhor desse jeito. Se a tivesse nua, provavelmente não poderia me controlar.
- Nem eu - concordou ela, mais excitada ainda ao ver que ele aproximava os lábios de seu mamilo, mordiscando-o delicadamente e correndo a língua por volta dele, até que ficasse corada de tanto desejo.
- Quero passar uma noite inteira com você em meus braços - ele murmurou, afastando os lábios dos seios dela.
Rin tirou-lhe a camiseta e deixou os dedos correrem livremente pela pele bronzeada.
- Você é maravilhoso! - ela exclamou.
- O quê? - ele sussurrou, beijando-lhe os cantos da boca e percorrendo-lhe o contorno dos lábios com a língua.
- Você me faz sentir segurança, e isso é maravilhoso. É o melhor sentimento do mundo! – confessou. – Às vezes, tenho a impressão de que se me aproximar de você vou me queimar, mas quando o toco isso não acontece. Apenas pego fogo – acrescentou, rindo baixinho.
- Se sabe o que estou sentindo, não deve se sentir tão segura – ele falou, mostrando com os olhos o quanto a desejava.
- Você está a salvo comigo – ela assegurou-lhe, abraçando-o com mais força.
- Preciso colocar um cinto de castidade em você. Só assim estarei a salvo – ele gracejou.
Com renovada energia, Sesshoumaru voltou a beijá-la, devastando-lhe a alma com a sede da paixão.
- Durma – Sesshoumaru disse por fim, com a voz embargada. – Amanhã é outro dia.
Ele colocou-a de bruços e voltou a afagar-lhe as costas, dessa vez com delicadez, como se quisesse apagar as chamas de paixão que lhe acendera, para que ela dormisse profundamente.
Rin acordou às quatro horas da manhã, e Sesshoumaru já estava acendendo o fogo. Pela primeira vez em muitos anos, ela não era a primeira a acordar numa casa.
Lembrando-se da massagem da noite anterior e da atração que havia entre eles, concluiu que Sesshoumaru era uma pessoa muito mais maravilhosa do que imaginara.
Fim do 2º capítulo!
Aii, desculpa pela demora, gente!
Disse q ia postar toda semana e acabou que não postei semana passada =S
Mas, antes tarde do que nunca!
Respondendo aos reviewspequena rin: hahahahaha. Te entendo! Tbm fico super ansiosa quando gosto de um fic e peço logo pra q não demore. Mas acho q não demorei muito, né? Rs Beijão!
Gabrielle Fioranelli: Obrigada pela review! Taí a continuação ;) Beijão!
sandramonte: Sei como é! Também não gosto de erros de português. Nem leio. rs
O capítulo anterior tava com erros de formatação e tava meio confuso de ler, então acabei repostando como deve ter visto :P Beijão!
Rukia-hime: Que bom que gostou do capítulo! ^.^ E a curiosidade vc só vai matar lendo huhu :P Obrigada por ler! Beijão!
Graziela Leon: Pois é =/ Ficou todo errado e tive que repostá-lo. Espero que saia certo agora. :D E valeuzão pelos toques!
Ah, Sesshoumaru é meio esquesitão, mas é um cara com grande valor. Você verá nos capítulos seguintes :); e a Rin não tem papas-na-língua! Fala o que vir na cabeça hehe. Beijão!
Galera, brigadão pelas reviews! Elas motivam e engrandecem! Continuem lendo e mandando reviews também, pleeeease :D:D
