Capítulo III
Quando a sala estava confortavelmente quente, Rin foi ao banheiro vestir-se. Na volta, encontrou Mino na porta do quarto de Shippou e juntas foram dar uma olhada no estado do garoto.
- O inchaço está diminuindo, não concorda? – Mino perguntou, ansiosa, curvando-se sobre o menino adormecido.
Rin assentiu e, naquele momento, Shippou agitou-se e murmurou:
- Tia Mino, quero voltar para casa.
- Claro, querido. Mas como você se sente? – indagou ela, colocando a mão na testa do garoto para sentir-lhe a temperatura.
- Melhor...
Mino aconchegou o menino e depois dirigiu-se a Rin:
- Eu ficaria mais tranquila se estivéssemos perto de um posto de saúde. Pode levá-lo ao posto com você, Rin? Nós temos o carro, porém uma parte da estrada ainda está intransitável desde a última tempestade, conforme nos informaram pelo rádio ontem. Por esse motivo, pedimos para você trazer o soro até aqui. O pai de Shippou está ansioso para tê-lo de volta em casa. Acredita que se avião estará consertado logo?
- O problema deve estar no tanque de combustível. Se for isso, pode ser fácil consertar. Vamos falar com Sesshoumaru – sugeriu.
Sesshoumaru estava na cozinha, servindo-se de uma xícara de café fresco.
- Shippou quer ir pra casa – Rin falou – Será que podemos levá-lo até sua casa, para de lá eu levá-lo de avião?
- Se consertarmos o avião, você pode transportá-lo direto daqui. Acha que pode ir sozinha no Ranger? Estarei ao seu lado, mas terei que ir a pé. Não podemos sobrecarregar o pobre animal – explicou ele, a abraçando com carinho, como se quisesse relaxar-lhe o espírito, como fizera antes com o corpo cansado.
- Farei o possível. Meu chefe não me falou nada a respeito de montar a cavalo, quando fui contratada. Mas que fazer? – sussurrou.
- Ótimo!
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Em três horas estavam prontos para partir. Rin sentou-se na sela, e Sesshoumaru pegou as rédeas. Enquanto cavalgavam em terreno plano, Sesshoumaru e o animal caminhavam rapidamente, mas quando começou a serra ambos afrouxaram a marcha, respirando pesadamente com esforço.
A velha estrada era, sem dúvida, de difícil acesso. Rin nem acreditou quando viu finalmente a estreita via que cruzava o vale até a choupana de Sesshoumaru. Contudo, só quando saíram de dentro da floresta pôde notar as nuvens no céu, indicando que haveria outra tempestade.
"Uma tempestade! Era só o que faltava! Será que nada daria certo naquela viagem?!", pensou ela. Já estava com um atraso de dois dias na entrega da correspondência. Jamais pensara que uma simples viagem de primeiros socorros se transformaria naquela aventura.
- Vamos limpar o tanque de combustível e decolar logo. Está vindo uma tempestade – ela opinou, examinando o céu escuro.
- Certo. – ele concordou, subindo na garupa e colocando o cavalo a galope.
Em vinte minutos chegaram à casa de Sesshoumaru.
- Cuide do avião que cuidarei de Ranger - disse ele a Rin.
Ela correu para o avião e, em alguns minutos, Sesshoumaru se achava a seu lado, ajudando-a a verificar o que havia de errado no tanque. Dalia uma hora detectaram o problema: um impureza obstruíra o orifício interno de uma válvula, impedindo o escoamento do combustível. Com um arame, Sesshoumaru limpou bem a peça por dentro e depois Rin levou mais uma hora remontando o tanque. Finalmente, tudo pronto!
Rin tentou dar a partida. Na primeira tentativa o motor ainda tossiu um pouco, mas em seguida pegou. Aparentemente, o avião estava pronto para decolar com segurança.
- Vejo você amanhã? – perguntou Sesshoumaru, despedindo-se.
Olhando preocupada para a tempestade que se aproximava, ela respondeu?
- Provavelmente só volto na sexta. Tenho correspondência para entregar.
Sorrindo, Rin fez o avião decolar. De longe, contemplou pela última vez a fazendinha. Tivera momentos maravilhosos, mas também tinha medo do que estava por vir.
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Da porta do hospital, Rin olhou para o céu. Tivera algumas dificuldades no voo até o hospital, por causa da tempestade. Devia estar chovendo nas montanhas. Pensou em Sesshoumaru e no que devia estar fazendo no momento.
Agora que Shippou se encontrava a salvo, sentia-se aliviada. Os médicos haviam assegurado ao pai do menino que ele não corria mais perigo, mas seria mantido em observação no hospital por uma noite.
Sem ter o que fazer, resolveu visitar Myouga-sama e ver como ele estava passando.
Ao chegar ao asilo, encontrou-o na sala, jogando cartas. Parecia bem melhor do que antes.
- Qual seu segredo da juventude? – perguntou ela, beijando-lhe o rosto.
- Estou ganhando – replicou-lhe o velho amigo, mostrando a ela o bloco de pontos. – Rin Koyoma era minha carteira - acrescentou ele, apresentando-a aos amigos, uma viúva e um casal que decidira morar no asilo depois de haver casado os filhos.
Logo após o jogo, Rin e Myouga-sama foram conversar em outra sala.
- Viu a viúva? Estou interessado nela – confidenciou-lhe.
- Ela sabe disso? – Rin indagou, rindo.
- Não ainda, porém logo saberá. Como andam as coisas nas montanhas?
Rin contou-lhe o problema com Shippou e, quando terminou, quis saber:
- Você encontrou Sesshoumaru na época em que lhe vendeu a casa?
- Claro que sim. Ficou comigo na choupana por alguns dias, para saber se era aquilo mesmo que queria. Sesshoumaru já se mudou? Ele tinha vários planos para o local.
- Está tudo muito bonito, recém-pintado e com novas janelas. Não vi ainda a casa por dentro, mas penso que também passou por várias reformas.
- Ótimo, estava precisando! Um lugar fica velho, da mesma forma que as pessoas que o habitam.
- Você não está velho.
Myouga-sama sorriu.
- Tenho de admitir que este lugar me trouxe novas energias. Naquela casa, depois da morte de minha mulher, via-me difinhando. No entando, agora estou muito bem.
- Você acha bom alguém ficar sozinho depois de um período de grande sofrimento?
O velho amigo a olhou, compreensivo:
- Fala de Sesshoumaru? Às vezes um homem precisa ficar só para se reencontrar. Ele passou por momentos muito difíceis, em que tudo o que conquistou com o próprio esforço foi questionado. Sesshoumaru deve estar precisando de solidão para redimensionar seus valores.
- Não creio ser bom ele ficar sozinho. Ainda não está amargo, porém a solidão pode torná-lo um homem intratável.
- E você resolveu que ele tem que ser feliz – deduziu Myouga-sama, piscando o olho.
- Yahiko não que que eu me envolva. Acredita que não devo me preocupar com todos os necessitados... – Quis parar, contudo já era muito tarde. Myouga-sama provavelmente se sentiria chateado por ser lembrado desse forma.
- Com o necessitado a sua frente pode parar de se preocupar - o amigo falou, rindo de seu embaraço.
- Posso ver. É melhor eu previnir a viúva – falou ela, em tom de brincadeira.
- Não faça isso! Quase a tenho em minhas mãos – sussurrou ele, no mesmo tom. E acrescentou: - Só quero dar um conselho, querida: não deixe o mundo perder um homem daqueles. Sesshoumaru merece ser feliz.
- Sesshoumaru precisa de alguém que o tire do ostracismo. Talvez um novo emprego. Provavelmente, se alguém voltar a confiar nele, ele torne a ser o mesmo. Pena que não conheço ninguém no ramo da construção...
- Claro que conhece.
- Quem?
- Suijirou Yamanaka.
- O pai de Shippou?
- Isso mesmo. Ele é dono da maior firma de construção de estradas da região. Não sabia?
- Não. Hajime e Mino nunca me falaram.
- Ele é muito poderoso no Estado. Se aceitar Sesshoumaru como empregado, ninguém mais colocará em dúvida seu caráter.
- O senhor acha que ele vai aceitar Sesshoumaru como empregado?
- Não custa nada pedir.
Rin começou a pensar nas consequências de sua atitude. Sesshoumaru poderia ficar furioso, mas ele precisava readquirir a confiança perdida, e não custava nada arriscar. Sim, ela falaria com o pai de Shippou naquela noite mesmo.
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Rin sorriu ao fazer a curva para preparar a aterrissagem na fazenda de Sesshoumaru. Era terça-feira, e fazia uma semana que não o via. Será que seria bem recebida?
Depois de aterrissar, saltou correndo do avião e se dirigiu para a casa. Sesshoumaru estava no jardim da frente, mas não fez nenhuma menção de ir a seu encontro.
- Está na hora do almoço? – Rin gritou de longe.
- Gosta de galinha frita? - perguntou, com a voz distante. – Há alguma carta?
- Não, estou aqui para um piquenique.
- Eu gosto de galinha – afirmou ele, sentando-se na mesa do terraço.
Rin sentiu-se um pouco decepcionada. Esperava ser mais bem tratada depois do que houvera entre os dois. Então, procurou ser mais cautelosa:
- Você não teve prejuízos com a tempestade da última quarta-feira? Quando falei com Mino e Hajime, no dia seguinte à nossa ida lá, eles disseram que se encontravam praticamente ilhados. Estava preocupada com...
- Não tive problemas – Sesshoumaru atalhou.
- Que bom!
- E como está Shippou? – ele perguntou, quebrando o gelo.
- Melhorando. Voltou para casa na sexta, e no domingo, quando fui visitá-lo, já andava de bicicleta.
Sesshoumaru sorriu, e Rin sentiu-se mais aliviada.
- Sabe que o pai de Shippou, Suijirou Yamanaka, é dono de um firma de construção?
- Não. E daí? – indagou ele, fechando-se novamente.
- Quando lhe disse que havia ajudado o filho dele, lembrou-se de você – continuou ela, aborrecida por ver que escolhera a hora errada para falar. Provavelmente, se sentiria humilhado com aquela interferência e se afastaria dela.
-Ah, é?
- Ele está interessado em você. Contou-me que está precisando de mais gente competente...
- Ah, é? – repetiu ele, de modo nem um pouco gentil ou amigável.
- Sim – confirmou Rin, arrependida até o último fio de cabelo.
Desapontada, terminou o lanche sem mais uma palavra. Em seguida, colocou suas coisas na sacola e despediu-se:
- É melhor eu ir embora.
- Não vá agora - Sesshoumaru pediu, pondo-se a sua frente. – Temos algo para terminar, lembra-se?
Dizendo isso, ele a pegou em seus braços de forma impetuosa.
- Que está fazendo? – Rin quis saber, com a voz levemente trêmula.
Sesshoumaru respondeu com um beijo apaixonado, arrebatador e exigente, mas que não deixava de ser doce. Num instante, todas as emoções que ele despertara em Rin na última quarta-feira vieram à tona, e ela se amoldou a ele, num abraço apertado.
Então, Sesshoumaru a ergueu nos braços fortes e musculosos e a levou para um clareira no bosque, coberta apenas por uma relva rasteira, rodeada por canteiros de flores silvestres.
Sesshoumaru a beijava com paixão, roçando os lábios no rosto de Rin, que se encontrava a ponto de explodir de emoção. Nunca pensara que um dia iria desejar tanto se unir fisicamente a um homem!
Sesshoumaru parou por um momento para observar-lhe a fisionomia, e Rin pediu-lhe, com os olhos brilhantes:
- Não se mova!
- O quê? – ele franziu as sobrancelhas.
- Tem uma abelha no seu cabelo, bem na frente - ela sussurrou bem baixinho.
- Não sou alérgico a picadas de insetos - ele informou, enxotando o inseto com o dedo.
- Você é tão bom, tão gentil e tã sozinho... Vou pedir a meu irmão para vir aqui. Vocês dois precisam de um amigo.
Ouvindo essas palavras, Sesshoumaru se afastou e, franzindo a testa, advertiu-a:
- Não necessito de sua ajuda, nem no que diz respeito a minha vida profissional, nem no que toca à particular.
- Sim, mas...
- Não precisa mandar ninguém vir aqui. Posso achar meus próprios amigos, assim como um emprego. Se quisesse falar com o Yamanaka, teria feito isso sem sua interferência. Não tenho necessidade de nenhum anjo da guarda dirigindo minha vida.
- Sim, você precisa. Está hibernando nas montanhas, como um urso. Logo vai se tornar um animal selvagem. Precisa voltar a trabalhar e a ver gente. – disse ela, levantando-se.
- Eu decido o que necessito ou não. E é melhor você ficar fora da minha vida. – disse, asperamente.
- Você precisa voltar a confiar nas pessoas.
- Tome conta de seu irmão. O que ele está fazendo nas montanhas, cavando velhas minas? Por que não leva de volta para a civilização? – desafiou-a, cinicamente.
- Esse é outro problema. Yahiko precisa descobrir um novo rumo na vida. Agora, está realmente interessado em descobrir minas. Mais tarde, pode ser que resolva se envolver com outras coisas, mas é ele que vai decidir.
- Decidi passar um tempo aqui... só. Pensei que não teria ninguém aqui pra me perturbar – afirmou secamente.
- Você tá enganado, está fugindo. Olhe o que já fez neste lugar! Você só pensa em contruir! É um engenheiro civil nato.
- Você não entende nada do assunto para afirmar isto – Sesshoumaru falou, cada vez mais irritado.
- Posso não entender, mas foi o pai de Shippou quem me disse isso, e eu acredito nele - Rin admitiu calmamente.
- Ah, você acredita nele? E em que mais acredita? Que pode me fazer voltar para a civilização apenas com um sorriso alegre?! Pensa que qpode ser meu mentor, meu guia, através de caminhos sabiamente escolhidos por você?! - ele esbravejou, segurando-a pelo braço, sacudindo-a.
- Solte-me, por favor! – Rin exclamou, assustada.
- Seus olhos são tão transparentes, tão inocentes... Você é inocente, Rin? Será que alguma mulher no mundo pode ter realmente essa inocência toda que brilha em seus olhos? - indagou ele, soltando-a.
- Sou virgem, se é o que quer saber – confessou ela.
- Por quê? Você é uma mulher tão bonita e ardente! Muitos homens devem tê-la desejado.
- A maior parte dos homens pensa em mim como uma irmã. Além do mais, nunca me apaixonei loucamente por ninguém, e ninguém nunca se apaixonou por mim.
Rin girou nos calcanhares e voltou para o avião. Fazia um retirada estratégica, porém, mesmo assim, estava muito triste.
- Pendure um lenço na caixa do correio se desejar algo! - gritou de longe.
Entrou no avião e começou a taxiar, preparando-se para a decolagem. Em alguns minutos já estava longe, e pôde deixar escorrer as lágrimas que teimavam em cair-lhe no rosto.
Bom, aí está a continuação!
Espero que tenham gostado do capítulo.
Respondendo aos reviews:
Marilia Cullen Black - Menina, também fiquei com um pouco de medo de postar, principalmente por não saber qual seria a reação das pessoas. Mas, por enquanto, tá tudo bem. :D . Mas se você já estiver com um livro na cabeça, poste. Eu faço algumas alterações e terá um capítulo em especial que vou acrescentar muita coisa. Mas vou parar de falar pq senão perde a graça :P. E que bom que tá gostando!! Obrigada pela review! ;D Beijão!
Gabi-chan - Que bom que adorou! Isso me deixa muito feliz! Apesar de eu modificar algumas coisas, os créditos não são só meu, né? rs Obrigada pela review e continue acompanhando! Beijão!
Beijão a todos!
