Capítulo dedicado à Michael Joseph Jackson – Michael Jackson – The King of Pop.

Capítulo IV


Olhando para as nuvens no horizonte, Rin forçou-se a se concentrar em seu trabalho. Tinha muita correspondência para entregar, antes que outra tempestade chegasse. Nos últimos quinze dias quase não trabalhara por causa das chuvas, e fazia um bom tempo que não via Sesshoumaru. Resolvera proporcionar a ele a solidão que tanto desejava, por mais que sofresse com aquilo.

Já era bastante tarde quando iniciou o caminho de volta para casa. Seus clientes ficavam tão satisfeitos em vê-la que retardavam sua partida ao máximo, lhe perguntando uma porção de coisas e a convidando para uma refeição. Apesar de ela recusar delicadamente os convites, acabou por se julgar sem tempo para cumprir toda a agenda, assim com fugir da próxima tempestade.

Durante o trajeto, passou a recordar a conversa que tivera com o irmão naquela manhã.

- Aqui pode ser o lugar onde tio Nakazaka descobriu ouro – ele revelara, excitado com a localização de um novo túnel na mina.

Rin sacudira a cabeça. Desde que ele estivesse feliz, não seria ela a reclamar de nada, mas não gostava de vê-lo cavar fundo na escuridão.

- Você deveria ser um esquilo – gracejara ela então, sem fazer a menor idéia de que uma grande tempestade se aproximava.

Achava-se quase sobrevoando a casa de Sesshoumaru, quando nuvens pesadas a alcançaram. As asas do pequeno avião balançavam violentamente enquanto ela tentava, desesperada, controlar o aparelho para aterrissar antes que a chuva desabasse. Tinha de aproveitar a direção do vento para uma descida em segurança.

Usando toda a sua perícia, ela pousou o avião serenamente. Assim que saltou do aparelho, correu para a cabana. Àquela altura a chuva já caía com violência.

Sesshoumaru abriu a porta, antes que ela batesse.

- Veja só, parece a moça do correio – ironizou.

Ignorando a provocação, ela parou na frente dele.

- Estou encharcada – reclamou, entrando e sorrindo para Sesshoumaru.

Ele lhe deu uma toalha.

Rin se enxugou sem fitá-lo. Quando acabou, ergueu os olhos e observou que ele estava completamente despenteado. O que aconteceu para estar daquele jeito?

O cabelo estava mais comprido que o normal e bastante emaranhado, e a barba, muito crescida. Seus olhos revelavam uma fúria evidente.

- Não sabe quanto é perigoso viajar num aviãozinho desses numa tempestade? – indagou em tom repreensivo.

Ao conscientizar-se de que Sesshoumaru se preocupava com ela, Rin teve de resistir para não se atirar nos braços dele.

- Me deixe ver se este é o lugar correto – murmurou, fingindo ler o endereço de uma carta imaginária. – Hum, o cara rabugento de Okinawa! Sim, é aqui mesmo.

Ela tentou manter-se séria, enquanto ele a observava.

- O que andou fazendo neste último mês? – quis saber Sesshoumaru, num tom queixoso.

- Andei deixando você sozinho, conforme disse que queria. O diretor geral dos correios não deseja que importunemos nossos clientes. É uma péssima maneira de fazer relações públicas.

- E daí, o que está fazendo aqui, agora?

- Precisava de um abrigo até a tempestade passar. Sua casa é a que se encontrava mais perto. Um pouco de calor seria maravilhoso! – mudou de assunto, caminhando até a lareira. Não podia olhar para ele, com medo de cair numa gargalhada.

Sesshoumaru segurou-lhe o queixo e, forçando-a a encará-lo, disse:

- Seu irmão mora logo ali, depois da próxima montanha.

- Sim - Rin concordou, já com o pulso acelerado e a respiração entrecortada. Seu corpo tremia sem que ela pudesse se controlar.

- Você tá com frio – Sesshoumaru constatou, a soltando e se dirigindo para a pilha de lenha. Em poucos minutos, a lareira crepitava, afastando todo o frio de ambiente.

Sesshoumaru caminhou em direção ao quarto, de onde voltou com uma camisa de flanela nas mãos.

- Tome, eu não tenho um robe, mas esta camisa deve te servir, se desejar tirar essas roupas molhadas. O jantar será servido em trinta minutos – falou, rumando para a cozinha.

Rin pôs a camisa por cima de suas próprias roupas. Não se achava tão molhada assim. Além do mais, não confiava muito em Sesshoumaru... nem em si mesma.

Em seguida, tirou os sapatos e sentou-se no sofá, que era do tempo de Myouga-sama, porém com um novo estofamento. O mesmo acontecia com a poltrona. Um par de mesinhas, uma cadeira de balanço e uma cadeira de cerejeira complementavam a mobília da sala.

Ficou ali por um longo tempo antes de se dirigir à cozinha.

- Posso ajudar?

- Não.

Rin então notou que Sesshoumaru fizera a barba e penteara os cabelos. E estava incrivelmente sexy...

- O cheiro está maravilhoso.

- É bom saber que sou bom pelo menos em alguma coisa. Nos últimos tempos concluí que você não se incomoda em absoluto com minha pessoa – ele murmurou, franzindo o cenho.

- Tenho passado por aqui todas as terças e sextas-feiras. Não havia nenhum lenço pendurado na caixa de correio, e eu não tinha correspondência para lhe entregar – ela se defendeu, esperando por uma resposta.

- O jantar está pronto – ele comunicou, fugindo do assunto.

Rin se sentou à mesa, tentando esconder o desapontamento, e esperou que ele se acomodasse. O jantar era simples: peixe cozido com batata, cebola e cenoura, acompanhada de pão de milho e manteiga.

- Você é do sul, não é? - ela indagou, pegando um pedaço de pão.

- Nasci em Kyoto, porém meus pais se mudaram para o Sul quando completei cinco anos – Sesshoumaru respondeu.

- A mudança foi antes ou depois de sua mãe morrer? – Rin perguntou, o observando atentamente, e não deixou de verificar que contraía o maxilar, antes de dizer:

- Depois.

- E seu pai morreu quando você tinha nove anos?

- Ele me abandonou num orfanato. Você gostaria de saber toda a história da minha vida? – revidou, com uma falsa sinceridade.

- Sim – ela sorriu, encorajada pelo olhar que ele lhe lançara.

- Foi você que pediu - ele frisou e, pegando um garfo, passou a comer.

Gradualmente, as feições de Sesshoumaru começaram a relaxar e, pouco depois, quando Rin o fitou, levou um susto com a paixão expressa nos olhos cor de jade. Entre feliz e assustada, reconhecia que não tinha experiência para lidar com aquela situação.

- Onde você aprendeu a cozinhar? – Rin quis saber, tentando amenizar o clima tenso.

- No orfanato havia uma freira, a irmã Yoko. Ela achava que todas as pessoas deveriam ser capazes de se virar sozinhas. Foi essa freira que me ensinou a cozinhar.

- Devia ser uma ótima pessoa.

- Era mesmo.

- Você recebia notícia de seu pai?

- Ele arranjou um emprego como lenhador. Escrevia todos os Natais, e às vezes me enviava algum dinheiro. Quando eu tinha quinze anos, ele pegou uma gripe e morreu.

- Eu sinto muito.

- O que a levou a aprender a voar? - Sesshoumaru indagou, mudando de conversa.

- Quando fiz dezesseis anos, meu pai perguntou o que eu queria de presente. Respondi que queria tirar o brevê – contou, constrangida por ter tido uma vida tão fácil, comparada com a dele.

- Seus pais devem ter muito dinheiro.

- Eles tem. Eu, não.

- Como você veio parar aqui, trabalhando como carteira?

- Bem, quando terminei a faculdade, não consegui emprego em meu setor. Por um ano, trabalhei como secretária em vários lugares. Depois, achei que era melhor vir para o campo. Um amigo me falou sobre este emprego, eu passei nos testes, e aqui estou.

- Você sustenta seu irmão? – Sesshoumaru indagou.

- Somos sócios – explicou, embora soubesse que Sesshoumaru não ficaria convencido com aquela história.

- Você deve participar a seu irmão que tem ficado sozinha comigo. Pode ser que ele não goste disso – falou, em tom de zombaria.

Rin ficou furiosa. Não admitia que ninguém se metesse em seu relacionamento com Yahiko. Então, sussurrou, tentando controlar a raiva:

- Obrigada, papai Sesshoumaru! Alguma outra lição a transmitir?

- Oh, sim, muitas! Mais não serei eu a dá-las.

- Ainda bem!

Permaneceram em silencio por alguns minutos, para que Rin terminasse de comer e tomasse café. Então ela retomou a palavra.

- Esta é a briga mais estranha que tive até hoje.

- Quem está brigando? – Sesshoumaru arqueou uma das sobrancelhas de maneira arrogante, num gesto evidente de superioridade.

Rin imitou-o, fazendo com que ele risse. Em seguida, sorriu.

- Creio que descobri o segredo de seu sucesso. Você leva as pessoas à beira da loucura - observou ele.

Ela deu de ombros:

- O que você... - Rin parou, mudando de idéia. Quando Sesshoumaru terminou de comer, se levantou e foi retirando os pratos. Sem dizer nada, Rin encontrou o material de limpeza e começou a lavar a louça. Ele tomou o café sem tirar os olhos dela, o que a deixava um pouco constrangida.

Não imaginava o que Sesshoumaru pudesse estar pensando. Provavelmente estaria se perguntando a respeito de seu relacionamento com o irmão. Ou, talvez, estivesse relembrando os velhos tempos e comparando-a com sua ex-noiva. Com certeza, perdia de dez a zero para aquela moça elegante e sempre bem vista.

Tentou arrumar algumas mechas rebeldes, num gesto automático. De súbito, teve uma idéia:

- Gostaria que cortasse seu cabelo? - perguntou a ele, enquanto pendurava o pano de prato.

- O quê? Oh, não, muito obrigado! – E, com os dedos, ele afastou os cabelos da testa.

- Sei cortar muito bem. Há dois anos que corto os cabelos de Yahiko.

- Bem, já que é assim, você pode tentar – ele concordou, ainda não muito convicto.

- Tem tesoura e toalha?

Em poucos minutos, Sesshoumaru já se via sentado numa cadeira no meio da cozinha, com uma toalha nos ombros. Rin penteou-lhe os longos cabelos com mãos experientes, segurou uma mecha entres os dedos e, com um gole seguro, cortou as pontas.

Eles não conversavam enquanto Rin trabalhava. No inicio, Sesshoumaru mostrava-se impaciente, e Rin sabia muito bem a razão, pois aquela proximidade também a deixava tensa, nervosa, cheia de desejo.

Ela começou a sentir calor e fez uma pausa para tirar o casaco. Logo em seguida recomeçou, primeiro pelo lado direito, depois do lado esquerdo, penteando os cabelos até ficaram brilhando. Rin gostava do formato da cabeça de Sesshoumaru, que era tão perfeita quanto o resto do corpo.

Após aparar as pontas, foi para frente dele. Então, pediu-lhe para separar bem as pernas e se instalou entre elas, a fim de ganhar espaço para ficar próxima a ele e terminar o corte.

Rin fazia força para se concentrar unicamente no trabalho, e não no calor daquelas coxas masculinas tão perto das suas. Se se inclinasse um pouco mais para frente, poderia sentir junto a si o corpo atraente de Sesshoumaru. Só de pensar nisso, o sangue fervia em suas veias e ela sentia os lábios secos.

Finalmente, Rin colocou a tesoura de lado, porém ainda permaneceu entre as coxas musculosas, lhe escovando os cabelos.

- O que está fazendo comigo? – perguntou Sesshoumaru, a voz rouca de desejo.

Ele se curvou, e seu rosto roçou os seios de Rin, que, pronta para corresponder a seus carinhos, colocou a escova na mesa, tirou a toalha do pescoço dele e correu os dedos pelos cabelos fartos, acariciando-os levemente.

Sesshoumaru fez as mãos escorregarem das costas para as coxas de Rin, explorando cada parte delas através do tecido da caça jeans. Enfraquecida e vulnerável, Rin tremia quando Sesshoumaru a atraiu para mais perto de si, procurando seus lábios e beijando-a até quase deixá-la sem ar.

- Pareço estar flutuando – ela suspirou, enquanto ele lhe beijava as faces, o queixo, o pescoço...

- Psiu, não fale!

Sesshoumaru ficou de pé, ergueu-a no colo e a carregou até a sala de estar, onde o fogo ainda crepitava na lareira. Com as mãos ligeiramente trêmulas, colocou-a com cuidado no tapete, ajoelhando-se a seu lado e a contemplando por um longo tempo.

- Você é ainda mais bonita do que eu imaginava – ele confessou, suspirando.

Sesshoumaru soltou-lhe os cabelos, depois começou a lhe desabotoar a blusa, e Rin não protestou. Como poderia fazer alguma objeção, quando era aquilo o que sempre desejara, desde que o vira pela primeira vez? Necessitava de Sesshoumaru, do seu toque carinhoso, da ternura que havia nele.

Ela não tinha dúvida. Fazer amor com Sesshoumaru era a única coisa certa de sua vida. Consciente do que queria, levantou os braços, pedindo-lhe que se aproximasse.

Com um murmúrio rouco, Sesshoumaru enterrou o rosto em seus cabelos, beijando-a centenas de vezes, buscando-lhe o calor dos braços.

- Nestas últimas semanas, só tenho pensado em você. Em seu sorriso, suas brincadeiras, na forma que seus cabelos flutuam ao vento.

Ele a afagava ternamente, mãos e lábios ardentes sobre a pele macia. Era um tormento, mas de um prazer indescritível.

- Você é como um vício – ele queixou-se, colocando as mãos em concha sobre os seios de Rin, gentilmente. - Jamais terei o suficiente de você.

- Nem eu...

Naquele instante Sesshoumaru levantou a cabeça, e ela sentiu os dedos dele deslizando levemente pelos seus seios.

- Não confunda isto com suas fantasias; não tente ver mais do que existe - alertou-a.

- Não...

Sesshoumaru repousava a mão sobre o corpo de Rin, acariciando-lhe as costas com a ponta dos dedos, mas, de repente, levantou-se de um pulo, enfiando a camisa para dentro da calça.

- Você não tem jeito. É uma sonhadora. Só escuta e vê o que deseja.

- E você é um cínico, que só escuta a você mesmo – ela revidou, triste, sentando-se e ajeitando a blusa.

- Escuto a verdade. Talvez eu precise te lembrar o que aconteceu. Estava muito feliz aqui, sozinho; então, você invadiu minha vida. Se ficar, terá que arcar com as consequências. Sou um homem normal e claro que quero fazer amor com você, mas nada mais. Você me escutou?

- Como não escutaria? Você tá quase gritando!

- Escute. Vá e salve outra pessoa qualquer. Eu gosto da minha vida do jeito que é.

- Não, não gosta. Se gostasse, não estaria lutando dessa maneira com você mesmo. E também não estaria tão preocupado comigo, se fosse tão frio quanto pretende parecer.

- Não diga o que sou ou o que não sou... – ordenou ele, confuso.

Então, Sesshoumaru abriu a porta da frente e saiu na chuva, desaparecendo completamente.

Insegura, Rin ficou olhando para a porta por alguns momentos. Depois se levantou, fechou a porta e sentou no sofá. Esperaria por Sesshoumaru, já que ele precisaria dela quando voltasse.

Pelo menos de uma coisa ela podia ter certeza: conseguia abalá-lo terrivelmente, e algo teria que acontecer.


Olá, povo!

Mais um capítulo pra vocês!

Ahh, eu sei que demorei pra postar. Juro que ia postar no fim da semana retrasada, mas o Rei do Pop morreu e eu fiquei muito abalada. Por isso, dediquei esse capítulo a ele.

E na semana passada, a minha internet ficou de gueri-gueri. Aí, não deu pra postar também. Sorry!

Agora, vamos lá!

Respondendo aos reviews:

Mari-chan: Pois é... também acho que a Rin devia dar um tempo pra ele, mas sabe como é, né? Ela é muito determinada e quando quer uma coisa, não larga! hehe

Continue lendo e mandando review! XD Beijão!!

Beijão a todos!