Pooovo que acompanha essa fic!

Mil desculpas por essa MEGA demora! Desculpas mesmo! Confesso que a minha demora foi por preguiça, mas não só por isso. Tava cheia de coisa pra fazer (ainda tô), mas arrumei um tempinho pra digitar tudo e passar pra vcs!

E, pra recompensá-los por esperarem tanto, aqui vão todos, eu disse TODOS, os capítulos que faltam!

Agora ela tá completa! =D

Chega de blá blá blá. Vamos à fic!


Os personagens de Inuyasha pertencem a Rumiko Takahashi.

E a história a Nicola Mackenzie. Com algumas modificações minhas.


Capítulo VIII

Já eram quase duas horas daquela terça-feira quando Rin aterrissou o avião no campo perto da cabana de Yahiko. Seu dia fora cansativo, porque todos tinham alguma correspondência para receber, até mesmo Sesshoumaru.

Fazia semanas que não o via. Apenas pegava e entregava a correspondência, nada mais. Era assim que ele queria, afinal. "Tudo bem", ela pensou, enquanto se dirigia para a mina, cruzando o gramado. Não ia se preocupar com ele. Prometera a si mesma que nunca mais se meteria na vida dos outros. Cuidaria só da sua.

- Yahiko? – ela chamou, ligando a lanterna que carregava sempre, e aventurou-se mina adentro, seguindo a direção das flechas que o irmão colocara na abertura estreita.

Ninguém respondeu o seu chamado, mas Rin não esperava que ele trabalhasse perto da superfície. Continuou descendo, admirando o trabalho que o irmão fizera no interior da mina desde a ultima vez em que estivera ali. Ficou emocionada ao ver quanto ele avançara sozinho. Se pudesse lhe arranjar outra atividade parecida com aquela, porém menos perigosa...

Já havia examinado praticamente tudo o que Yahiko explorara, mas não o achava. Subitamente, começou a se preocupar.

- Yahiko! – gritou. – Yahiko!

Ninguém respondeu. Sentiu arrepiar os cabelos da nuca, o pulsar do coração ecoar-lhe nos ouvidos. O silêncio era enervante. Rin seguia as setas fluorescentes cor de laranja que marcavam a trilha que Yahiko abrira, morrendo de medo, passo a passo, com a lanterna acesa.

Andou até muito fundo. Já sentia o ar escasso, a poeira cobrindo quase tudo. Ocasionalmente, ela vislumbrava um ponto onde a água escorria num filete, porém não via sinal do irmão.

Hesitante, prosseguiu descendo, cada vez mais ansiosa. Algo não ia bem. Pouco depois, descobriu outra trilha, muito recente e estreita.

- Yahikoo! - gritou bem alto.

Ela colocou o ouvido junto à rocha. Não obteve nenhuma resposta. Somente o marulhar da água escorrendo ao longo do túnel. Um arrepio percorreu-lhe a espinha.

"Yahiko... Yahiko... Yahiko...", o eco repetia numa sequência. Pôs-se a rezar, mais e mais apavorada. Ele estava preso na caverna! Só podia estar ferido, senão teria respondido.

Tentando controlar-se, decidiu investigar, antes de fazer soar o alarme. Talvez houvesse ignorado alguma trilha. Quem sabe ele fora caçar aquela manhã, em vez de ir para a mina.

Contudo, a caverna estava vazia, com a arma de Yahiko pendurada na entrada. As ferramentas que ele normalmente usava estavam espalhadas. Não havia duvida de que ele se encontrava na mina. Tinha que conseguir ajuda!

- Sesshoumaru! – ela gritou, olhando através da caverna.

Em seguida, correu para a pista e decolou o avião. Assim que se viu no ar, pediu ajuda através do rádio para o dono da loja de gêneros. Ele assegurou-lhe que iria telefonar pedindo socorro imediatamente.


Cinco minutos mais tarde, o avião aterrissava perto da casa de Sesshoumaru, e Rin rezava para que ele estivesse na cabana ou nas imediações.

- Sesshoumaru! – ela gritou, adentrando.

No entanto, ele não estava lá. Rin foi para os fundos e localizou-o rachando lenha. Antes que Sesshoumaru pudesse reclamar de sua presença ali, Rin pôs-se a falar, atropeladamente:

- Yahiko está com problemas! – ela falou – Creio que... estou certa de que se acha preso na mina. Estava explorando uma nova caverna.

- Já pediu socorro?

- Sim, consegui entrar em contato com Jin Watanabe. Ele vai telefonar para a Guarda Florestal, que mandará ajuda. Preciso de você, Sesshy, venha comigo!

- Não sou engenheiro de minas, Rin – ele se opôs, escolhendo as palavras com cuidado.

- Não estou pedindo ajuda a você como engenheiro, e sim como um ser humano que pede uma mão a outro ser humano. Meu irmão tá em perigo, e eu preciso de sua força para cavar e para tirá-lo de lá. Talvez consigamos fazer um buraco para ele ao menos conseguir um ar fresco pra respirar, antes que seja tarde demais.

Sesshoumaru concordou imediatamente.

- Voe para a mina e me espere. Vou pegar algumas ferramentas e vou para lá a cavalo. Creio que vamos precisar de Ranger e Guria para fazerem força.

- Estarei te esperando, então. – E saiu em disparada para o avião.


Rin já havia pulado fora do avião antes mesmo que o motor parasse de todo. Ao chegar, a operação de resgate tinha iniciado. Um especialista em minas achava-se a caminho, para comandar o trabalho de salvamento.

- Ele é um dos melhores do país – o Watanabe-sama assegurou a Rin. – Estudou na Universidade de Kyoto.

- Ótimo! Vou começar a remover algumas daquelas pedras soltas.

- Penso que deve esperar o especialista – Watanabe-sama sugeriu.

- Não, vou começar já! – ela teimou.

Uns poucos minutos poderiam significar a diferença entre encontrar o irmão vivo ou morto, ela raciocinou, entrando na mina e olhando em volta, procurando algumas ferramentas. Em seguida, pôs-se a descer.

Logo, Rin descobriu que a pá que trouxera não servia pra nada. Era melhor cavar com as mãos, colocar a terra no carrinho e levá-lo para a superfície. O trabalho era extenuante. Ela já se achava exausta após a primeira viagem e tinha que esvaziar o carrinho de mão para dar início à segunda. De tempos em tempos chamava por Yahiko, porém não obtinha resposta.

Depois de uma hora, conscientizou-se de que não aguentaria mais. Os músculos não suportavam mais o esforço despendido, e os braços e pernas tremiam violentamente pela energia gasta. Foi então que escutou som de botas e verificou que Sesshoumaru chegara.

- Alguma novidade? – ele perguntou.

Rin negou com um gesto de cabeça e quase se atirou nos braços em que sempre sentira conforto.

- Você precisa descansar, Rin – sentenciou, vendo o quanto ela tremia.

- Não, eu não posso – ela protestou, as palavras saindo com dificuldade devido ao cansaço – Temos que correr - acrescentou, amoldando-se ao peito de Sesshoumaru.

- Me mostre onde você imagina que ele esteja. Deixe isso – ele pediu, quando ela se dirigia para o carrinho de mão.

- Precisamos dele – revidou teimosamente, agarrando-se ao carrinho e começando a descer para a mina.

- Deixe-me levar minhas ferramentas – Sesshoumaru falou, colocando uma sacola no carrinho. Depois, com calma, disse – Deixe que eu levo; me indique somente a direção.

Eles caminharam em silêncio para o local onde Rin estivera cavando. O esforço dela fora quase nulo, comparado com a quantidade de terra e pedras que ainda havia para ser retirada.

- Ali está! – ela apontou.

- Você já chamou por ele?

- Sim... – disse ela, entristecida.

- Vamos tentar de outro jeito.

Pegando o martelo de sua sacola, Sesshoumaru deu dois toques contra a rocha. Mas não houve resposta. Continuando sistematicamente, ele prosseguiu martelando a parede pelo corredor.

Rin caminhava ao lado dele, ou atrás, quando o túnel era muito estreito.

- Yahiko não tomou esta direção já que as setas indicam que ele não veio para cá – Rin avisou, quando Sesshoumaru seguiu um rumo diferente.

- A gente nunca sabe como são os túneis dessas velhas minas. Talvez haja alguma outra entrada aqui.

Sesshoumaru manteve a marcha, batendo nas rochas e escutando. Quando chegaram ao final do corredor, ele parou e bateu novamente. O som do metal contra as rochas estava deixando Rin muito nervosa. Ela se achava impaciente para continuar cavando.

- Vamos embora...

- Psiu! - ele lhe fez um sinal levantando a mão, e bateu outra vez, colando o ouvido à rocha.

Ela não escutava nada e olhou-o, nervosa.

- Sesshy...

Justamente naquele minuto, no silêncio sepulcral da mina, obtiveram uma resposta inconfundível: um toque muito leve do outro lado da rocha. Rin ficou gelada, quase não pôde respirar. Sesshoumaru deu mais dois toques e, de novo, houve resposta.

- Ele está naquele túnel. Há outra entrada nessa mina? – Sesshoumaru indagou.

- Não... sim! Deve haver! Quero dizer, havia uma antigamente, mas Yahiko disse que ainda não tinha conseguido localizá-la. Você acredita que possa estar perto dessa entrada?

Sesshoumaru deu de ombros, fazendo arrefecer a euforia de Rin.

- Eu não sei, mas, se descobrirmos outra entrada, podemos limpá-la e procurá-lo por lá.

- Sim! Vamos tentar descobri-la. Oh, por favor, depressa!

Rin correu para a superfície. Um helicóptero sobrevoava a mina. Ela acenou e iluminou o caminho. Num instante o aparelho aterrissou e os passageiros desceram.

- Graças a Deus, a ajuda chegou – ela suspirou.

- Sim – Sesshoumaru confirmou, aliviado. – Graças a Deus.

Ela colocou a mão em seu braço e agradeceu:

- Jamais esquecerei que você foi o primeiro a prestar ajuda.

- Fiz o que tinha que ser feito – ele respondeu secamente, dirigindo-se para o carrinho de mão.

Em seu entusiasmo, Rin não percebeu o tom brusco da resposta. Mostrava-se muito excitada, e foi logo falar com Tetsuo Morita, o chefe do serviço de salvamento da área.

- Rin, estamos com sorte – o chefe afirmou, acariciando-lhe a mão entre as suas. – O maior especialista deste país está trabalhando num grande projeto aqui perto e veio conosco. Aqui está ele.

Rin sorriu para o homem jovem, alto e extremamente charmoso. Tinha um ar sério mas amigável, era o tipo em que as pessoas imediatamente confiavam.

- Rin – apresentou-a o chefe -, este é Okamoto Setsuna.

Ela arregalou os olhos, surpresa. Por um momento, ficou olhando estática para o homem. Depois deu um grito estridente e se atirou em seus braços.

- Setsuna! – exclamou, cheia de entusiasmo. Setsuna a salvara do touro. Ele também salvaria Yahiko da mina.

- Eu conheço você? – Setsuna indagou, perplexo porém natural.

- Sou Rin. Koyoma Rin. Você me salvou de um touro quando eu tinha nove anos.

- Rin! – o rapaz falou admirado, afastando-se um pouco para examiná-la. – Você está linda! O que faz aqui?

Ela recobrou-se da surpresa.

- Yahiko é meu irmão. É ele que está preso na mina. Sesshoumaru escutou uma resposta de Yahiko, há poucos minutos, por isso sabemos que está vivo. O que não sabemos é se está ferido. – ela encarou Setsuna cheia de esperança.

Ele lhe deu um tapinha no ombro:

- Nós o tiraremos de lá - prometeu numa voz profunda. – Vamos usar o sonar para determinar onde a parede é mais fina – acrescentou – e cavaremos atalhando nesse ponto.

- Poderemos achar a velha entrada – Sesshoumaru aparteou. – Talvez seja mais rápido.

Setsuna olhou pra ele.

- Existe outra entrada?

Sesshoumaru assentiu com um gesto de cabeça:

- Yahiko encontrou um túnel antigo que, aparentemente, não fazia parte daquele que já havia cavado. Não creio que seja muito fácil atalhar pelas rochas. Além do mais, ele parece estar a uma boa distância do ponto bom de perfurá-las.

- Vamos descer e verificar – Setsuna murmurou, pedindo a Sesshoumaru para acompanhá-lo.

Os dois homens saíram rápido.

- Quero ir também – Rin declarou, os seguindo.

- Acho melhor você ficar aqui em cima, é mais seguro – Setsuna se opôs.

- Conheço esta mina tão bem quanto Yahiko – ela protestou.

- Setsuna está certo – Sesshoumaru ponderou. – Você não conhece o setor em que Yahiko está.

Rin se conformou, finalmente. Resignando-se a ser paciente, ela concordou com um gesto de cabeça.

- Acho bom você fazer uma sopa para quando Yahiko chegar. Ele deve estar fraco e com fome – Sesshoumaru aconselhou, fazendo-a sentir-se bem, pois dessa forma tomava parte na operação de salvamento.

- Sim, pode deixar que eu vou fazer uma sopa. – disse ela com um sorriso.

- É melhor providenciarmos também algo para os homens comerem quando chegarem – Tetsuo sugeriu. – Vão voltar esfomeados.

Rin ajudou a montar uma tenda perto da mina. Depois, preparou um vasto sortimento de sanduíches, frutas e sucos.

- Pelo jeito, você acredita que vamos ficar aqui uma eternidade – ela comentou com Tetsuo, quando o viu distribuir sacos de viagem e cobertores para todos.

- Às vezes, um resgate pode durar semanas – ele informou, com simpatia.

- Entendo... – ela resmungou, tensa.

- No entanto, com o equipamento moderno que temos hoje em dia, torna-se tudo bem fácil – ele sussurrou.

Rin se dirigiu para a cabana de Yahiko, atrás de ingredientes para fazer uma sopa de legumes. Pouco depois, chegaram os Ikeda-sama, Yuka e Riko.

- Ouvimos seu pedido de socorro pelo rádio. Viemos ajudar – Yuka explicou.

Ela e o marido haviam trazido uma caixa de refrigerantes e saquinhos de batata-frita.

Rin tentou sorrir, agradecendo por terem vindo. Todos eram da opinião que o salvamento podia durar dias, o que a fazia se sentir ainda mais deprimida.

- Ouviram alguma coisa? – Riko quis saber.

- Sim, Sesshoumaru ouviu uma resposta quando batia nas rochas.

- Esta é uma grande notícia.

Conforme a tarde ia caindo, as pessoas chegavam, trazendo comida e ferramentas que poderiam ser de alguma utilidade. Não demorou muito e toda a população da redondeza estava ali reunida, até mesmo os dois novos moradores. Todos queriam participar da ajuda.

Tetsuo, Sesshoumaru e Setsuna decidiram dividir as pessoas em grupos para a busca. Rin, Yuka, Mino Yamanaka e Naomi ficariam na tenda principal para coordenar as equipes de resgate. Eles estenderam mapas e marcaram os setores que cada um iria explorar.

Quando anoiteceu, as quatro mulheres serviram sopa quente para os homens, conforme eles iam chegando.

Setsuna decidira abrir um túnel entre as duas minas, num local onde a parede parecia bem fina. Ele não tinha certeza de que o resgate daria certo, pois não conhecia o outro lado da mina.

- Por que não retira as pedras que caíram na ocasião em que Yahiko entrou no túnel? – Rin indagou-lhe, quando ele saiu da mina pela primeira vez.

- É impossível. Metade da montanha daquele lado desmoronou.

- Estamos nos comunicando com Yahiko, Rin. Ele parece estar bem. Responde prontamente aos toques – Sesshoumaru acalmou-a.

Rin assentiu com um gesto de cabeça, aceitando aquelas palavras de conforto. Notou que Setsuna olhava dela para Sesshoumaru e voltava de novo os olhos para ela, provavelmente querendo deduzir o grau de relacionamento entre os dois.

- Iremos varar a noite trabalhando – Sesshoumaru avisou Rin, falando baixo para não perturbar os outros que já tinham comido e descansavam um pouco.

- Pegue seu jantar e venha sentar-se comigo. – ele convidou-a.

- Quero conversar com Setsuna.

- Há bastante tempo. Acho que ele guardou um lugar para você, venha.

Sesshoumaru esperou que Rin se servisse de sopa e sanduíche, e então rumaram para o tronco onde Setsuna estava dialogando com Tetsuo.

- Estava dizendo a Setsuna que outra tempestade está a caminho, provavelmente para amanhã. – Tetsuo dirigiu-se a Rin e Sesshoumaru, quando estes se acomodaram. – Queria saber o que Setsuna pensa em fazer.

Rin olhou para o céu, ansiosa. Sesshoumaru segurou-lhe a mão e ela sentiu-lhe a força enquanto esperava pela resposta do especialista.

- Isso pode trazer muitos problemas – Setsuna declarou, confirmando as suspeitas de Rin. – O solo já está úmido e cheio de infiltrações. Mas resgataremos seu irmão antes da tempestade chegar. – E sorriu para ela, transmitindo-lhe tranquilidade.

- Espero que sim – ela respondeu, com convicção.


Só na hora de dormir Rin tomou conhecimento de que Tetsuo trouxera cobertores apenas para seus homens, e de que as famílias haviam trazido sacos de dormir. Sesshoumaru e ela teriam de procurar um lugar para ficar.

- Você precisa descansar – ela disse, olhando para Sesshoumaru. – Há dois beliches na cabana.

Por um momento, seus olhos se encontraram, fazendo-os recordar de outras noites em outra cabana. Então, Sesshoumaru sacudiu a cabeça:

- Ficarei ajudando Ranger e Guria esta noite. O beliche não terá utilidade pra mim. Dormirei mais tarde.

Rin concordou, recusando-se a olhar para ele novamente. Depois de ter feito uma cama para si, deitou-se, porém sentia-se tão cansada que não conseguia dormir. Pensava em Yahiko, sozinho no escuro, sem comida e sem agasalho. Pelo menos, a temperatura se mantinha constante na mina.

Suspirou, exausta, e tentou não pensar mais. Em poucos minutos, estava certa, dormiria.

No entanto, começou a pensar em Sesshoumaru e em como fora solícito. Não estava esperando nada dele, pois ele viera apenas para ajudar outro ser humano. Ela lhe seria eternamente grata, mesmo que Sesshoumaru não quisesse aceitar sua gratidão. Ele merecia ser feliz, concluiu, antes de cair no sono.