Os personagens de Inuyasha pertencem a Rumiko Takahashi.

E a história a Nicola Mackenzie. Com algumas modificações minhas.


Música do capítulo: Palpite - Vanessa Rangel


Capítulo XI

Tô com saudade de você
Debaixo do meu cobertor
E te arrancar suspiros
Fazer amor
Tô com saudade de você
Na varanda em noite quente
E o arrepio frio
Que dá na gente
Truque do desejo
Guardo na boca
O gosto do beijo...

Na sexta-feira seguinte, Rin terminou de entregar a correspondência às duas horas. Muitas famílias convidaram-na para passar o fim de semana, porém ela recusara todos os convites.

No caminho de volta para casa, escolhera uma rota que passava por cima da casa de Sesshoumaru. Talvez ela pudesse ficar ali, pensou com melancolia.

No entanto, ao sobrevoar a cabana de Sesshoumaru, não pôde deixar de avistar um monte de fitas vermelhas amarradas à caixa de correspondência. Ao que tudo indicava, Sesshoumaru estava lá.

Rin preparou-se para aterrissar. Não queria vê-lo, mas por lei era obrigada a parar. Ele podia estar precisando de ajuda.

Saltou do avião e correu para a caixa do correio. Dentro, havia um bilhete mandando-a seguir o cordão vermelho. De fato, um cordão vermelho estava amarrado ao porto e, ao seguir-lhe o rastro, Rin parou na porta principal da cabana. A porta se abriu antes que ela batesse. Sesshoumaru a fitou, alegre.

- Hai, Rin! Pode entrar. O almoço está pronto. – Ela parou, preocupada. Não estava certa de que devia entrar. – Não tenha medo – Sesshoumaru acrescentou.

- Não estou com medo.

- Então, venha até a cozinha.

Empinando o queixo, Rin o seguiu. A mesa estava posta para dois. No centro, Sesshoumaru pusera um vaso com flores silvestres.

- Temos hoje teriyaki de pargo - ele anunciou.

Quando Sesshoumaru se inclinou sobre ela para servi-la, por um instante Rin pensou que fosse beijá-la, porém ele não o fez. Em vez disso, também sentou-se e respirou fundo.

Rin relaxou um pouco. Aquele homem sempre a perturbava. Se ao menos ele não fosse tão atraente, tão charmoso... Começou a comer, engolindo a comida com dificuldade.

Transcorridos alguns minutos de silêncio, sussurrou:

- Isso é chantagem. Seu teriyaki de pargo é uma delícia! – Sorriu, trêmula.

- Foi Kaede quem me deu a receita.

Sesshoumaru parecia inexplicavelmente feliz. Rin nunca o vira daquela maneira. Queria fazer-lhe um milhão de perguntas, mas resolveu começar com uma:

- O que está fazendo aqui?

- Apenas descansando por uns dias.

- Sei. Li um artigo no jornal a respeito de seu projeto. Ele está sendo muito elogiado. Parabéns.

- É muito bom trabalhar na firma de Yamanaka-sama.

Rin o encarou, porém em seguida fugiu ao desafio. Os olhos dele estavam mais brilhantes do que o normal, queimando como chamas misteriosas que lhe tocavam fundo na alma. Por que a olhava daquela maneira?

- Como está a família? – Sesshoumaru perguntou.

- Bem. Yahiko resolveu fazer arqueologia. Vai pagar os estudos com o ouro que descobriu na mina. Não sei como teve coragem de voltar para pegar as sacolas de pepitas que encontrou.

- Você deve estar muito feliz.

- No mesmo dia em que ele saiu do hospital, levei-o para buscar o ouro, mas não o deixei ficar lá sozinho.

- Isto é bem próprio de você.

Sesshoumaru fez a observação de modo tão doce que Rin teve que se segurar para manter a promessa de ficar longe dele.

Desde o último final de semana, Rin se dera conta de que Sesshoumaru não a amava e de que ela teria que se conscientizar dessa realidade. Ficava feliz por ele estar bem na vida, porém não podia manter um relacionamento tão vazio.

Eu sinto a falta de você
Me sinto só
E aí?
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí?
O amor pode acontecer
De novo pra você
Palpite...

Continuaram a comer em silêncio. Ao olhar outra vez para Sesshoumaru, Rin viu desejo nos olhos dele, o mesmo desejo que crescia dentro dela. Não podiam evitar a paixão, que era um fogo tão fatal como o dos raios do sol que nascia todas as manhãs, infalivelmente.

- O quê? – Sesshoumaru indagou, estudando-a de perto. Naquele momento, Rin percebeu que estivera pensando alto.

- Nada. Só estava meditando.

- Sobre o quê?

- Nada de importante.

- Vou insistir até você me contar.

- Já disse que não é nada importante – repetiu, levantando a voz.

- Quer ver o sol nascer junto comigo? – convidou-a.

- Não.

Ele riu, surpreendendo-a:

- Gostaria de ver junto com você o sol nascer. Gostaria também de fazer um monte de coisas com você. Por exemplo: comer todas as refeições com você, olhar todos os dias nascerem com você, fazer amor com você todos os dias, todas as horas...

Ela fitou-o, assustada. O que ele queria dizer?

- Termine de comer, e em seguida conversamos – ele propôs.

Atulhando o pensamento dela com milhares de perguntas, Sesshoumaru continuou a comer em silêncio. Rin fez o mesmo, com uma enorme calma. Os dois terminaram a refeição juntos, finalmente.

- Vamos tomar café na sala – Sesshoumaru sugeriu.

Tô com saudade de você
Do nosso banho de chuva
Do calor na minha pele
Da língua tua
Tô com saudade de você
Censurando o meu vestido
As juras de amor
Ao pé do ouvido
Truque do desejo
Guardo na boca
O gosto do beijo...

Rin o seguiu e sentou-se no sofá, enquanto Sesshoumaru avivava o fogo da lareira.

- Agora vamos conversar – Sesshoumaru murmurou, sentando-se à frente dela e segurando-lhe a mão.

Devagar, beijou-lhe a ponta dos dedos com muito carinho. Logo depois, apertou-lhe as mãos entre as suas, segurando-as com paixão.

Rin o olhou, fascinada. Será que ele estava tentando seduzi-la? O tapete de pele continuava no mesmo lugar...

- Não quero ter um caso com você – ele falou com firmeza.

- Por que não? – ela perguntou, enquanto Sesshoumaru deslizava as mãos até seu pescoço e o massageava.

- Eu estava errado, Rin. Você sempre soube o que era certo pra mim.

- Obrigada – replicou friamente, controlando o fogo que lhe abrasava o coração.

- Você ainda me ama?

Ao ouvir aquela pergunta, Rin prendeu a respiração. Nunca esqueceria o dia do resgate, quando ele fora embora sem nem ao menos se despedir dela, sem uma explicação.

- Não quero vê-lo de novo, enquanto viver – ela declarou, afastando-se.

Sesshoumaru inclinou a cabeça para trás e riu como ela nunca o vira fazer antes.

- E, sendo assim, você não vem mais me visitar porque sente pena de mim?

- Claro que não – respondeu, exasperada. – Nunca senti a menor pena de você. Desde o momento em que o vi cortando lenha no meio da floresta, soube que era o homem mais decidido do mundo.

- Ótimo! – exclamou. Em seguida, respirou fundo e acrescentou num murmúrio doce: - Eu amo você.

- É mentira.

- Eu te amo e você me ama.

- Você disse que estava tentando dirigir sua vida. Não acreditou no meu amor.

- Estava errado, mas você tem que levar em conta as circunstâncias. O julgamento, o rompimento do noivado, tudo isso ofuscou a verdade, deixando-me cego – revelou, aproximando os lábios dela.

- Você não pode mudar de opinião desse jeito.

Ela suspirou com dificuldade.

- O que quer que eu diga? Por que não posso amar você? Quero você desde o primeiro momento em que a vi. A partir de então, cada vez mais preciso de você.

- Você passou mais de um mês sem me ver. Não me disse uma só palavra depois do resgate; apenas montou em Ranger e foi embora. Por que não me falou isso no fim de semana passado?

- Tinha que provar a você que podia arranjar um emprego sem sua interferência, e precisava provar a mim mesmo que podia conquistá-la só com o amor, não pela compaixão. Posso cuidar de minha vida, Rin. Só não posso é viver sem você.

Sesshoumaru buscou-lhe os olhos, mas não fez nenhum movimento para tocá-la de novo. Um longo momento se passou, depois outro. Hesitante, Rin se aproximou dele e afagou-lhe os cabelos. Ele cerrou os olhos e suspirou. Em seguida, abraçou-a bem forte, os lábios procurando os dela com ardor.

Rin aceitou o beijo, primeiro um pouco receosa, em seguida ansiosa, à medida que ele demonstrava amor e paixão.

Rin não pôde se controlar quando um arrepio a percorreu, aquecendo-lhe o sangue, deixando-a ansiosa para tê-lo cada vez mais.

Sesshoumaru explorou-lhe a boca por completo, captando-lhe toda a doçura. Suas línguas se envolveram no sensual jogo do amor, e Rin respondeu a cada pedido silencioso dele. Quando se separaram por alguns instantes, Sesshoumaru levantou a cabeça e sorriu:

- Eu amo você. Creio que nunca vou provar-lhe quanto, porém jamais a deixarei de novo. Naquele dia em que Yahiko foi resgatado, você não imagina como gostaria de ter podido consolá-la, abraçá-la, mas não podia. Tinha que vir para você por inteiro, compreende?

- Sim – ela sussurrou, dispensando mais explicações.

- Eu a amo, Rin. Eu a amo! Yahiko achou um tesouro na mina, e eu achei um tesouro em você!

Lá fora, a chuva começou a cair, e a água corria ligeira para o riacho, que desembocava no rio, que desaguava no oceano. Dentro da cabana, só se ouvia o crepitar do fogo... fogo que os unia numa única chama de amor, transformando a promessa de felicidade num sonho real. Sim, agora Rin sabia que sempre estivera certa: Sesshoumaru era o vizinho perfeito!

Eu sinto a falta de você
Me sinto só
E aí?
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí?
O amor pode acontecer
De novo pra você
Palpite...

E aí?
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí?
O amor pode acontecer
De novo pra você
Palpite...III


E FIIIIIMM!

Foi legal passar essa história bonita e quente pra vocês!

Espero que tenham gostado! :)

Obrigada a todos que leram e principalmente aos que deixaram reviews! Muito obrigada mesmo!

That's all, Folks!

Bjão e até a próxima ;)