Sequência de "A Carta" - tentei não ficar muito melodramático, pois sairia do contexto que define Bones. Espero que gostem do meu final...
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"Tire –a da cabeça, Seeley. Isso logo estará terminado. Aproveite o que você tem" Booth pensava enquanto observava Catherine caminhar do mar até ele, depois de um mergulho. O sol batia em sua pele clara, e fazia seus belos olhos azuis brilharem, assim como seu sorriso. Mas tudo que Booth conseguia pensar era no que havia acontecido antes de viajar.
"Está em suas mãos, Temperance." Pensar nas ultimas palavras que dissera doía. E pensar na promessa que fez doía ainda mais. Estava tão nervoso que nem pensou nas consequencias do que tinha prometido. Iria se mudar para a Philadelphia? E Parker? E seus amigos, sua vida em D.C? E pior. Ficaria mesmo sem ver Bones todos os dias?
"Está tudo bem, Seeley?" Perguntou Catherine, com olhar de preocupada, enquanto se enxugava. Booth voltou de seus devaneios num susto.
"Sim, está sim!" mentiu. "Vou pegar mais uma cerveja. Quer alguma coisa?"
"não. Está tudo ótimo" Ela sorriu, e lhe deu um beijo no rosto. Booth sorriu, e falou novamente para si mesmo "Tire-a da cabeça, Seeley".
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Brennan olhou assustada para o calendário em sua mesa. Já era quarta-feira, e sua semana estava acabando. Não parava de pensar no que tinha acontecido, mas também não tinha parado para pensar no que faria quando ele voltasse.
Enquanto estava distraida olhando o calendário, Perotta falava alguma coisa do caso.
"E assim acho que os pegamos. Não acha, Dra. Brennan?" Ela não respondeu.
"Brennan? Dra. Brennan?" Continuava perdida no calendário.
"Bones!"
Brennan levou um susto. Em sua mente, a voz grossa e forte de Booth lhe chamara naquele momento, e já não era mais quarta feira. Ela tremeu, mas quando olhou para cima viu o rosto preocupado de Peyton Perotta.
"Não me chame de Bones" brigou, fingindo que nada tinha acontecido.
"Você não estava me respondendo" respondeu Perotta. "Não prestou atenção em nada que eu disse, né?"
"Prestei sim" mentiu. "Acho que deve fazer isso mesmo" Seja lá o que era pra ser feito. "Vou checar se há novas informações com o corpo"
E saiu correndo de sua sala.
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Angela explicava para Cam suas teorias quando Brennan entrou em sua sala como um furacão, sentou-se no sofa e abraçou as pernas, como uma criança de 7 anos. Angela e Cam se entreolharam assustadas, e Cam logo entendeu que talvez era melhor ela ficar de fora.
"Depois continuamos, Angela. Muito bem."
"Obrigada, Cam" Disse Angela, largando o controle de seu computador na mesa, e indo para o sofa para ver o que acontecia com sua estranha melhor amiga.
"Bren, querida, está tudo bem?" Ela falou devagar, acariciando a cabeça de Brennan. Ela ficou um tempo em silencio, e depois simplesmente deitou a cabeça no colo da amiga.
"Por que eu sou assim, Ange? Por que não posso ser como todo mundo?"
"Assim como, querida?"
"Assim, Angela. Um robô"
"Você não é um robô, Brennan"
"Então por que não consigo amar como todo mundo?"
"Porque você tem diferentes conceitos em sua mente. Porque você pensa diferente."
"Porque eu tive traumas"
"Sim" Angela respirou fundo. Sabia que falar de seus traumas de infância não era algo que Brennan gostava de fazer, principalmente porque envolvia psicologia, coisa que ela odiava. "Você passou por experiências que faz com que você veja as coisas de forma diferente, Bren."
"Eu vou perdê-lo, Ange."
"Não, não vai."
"Ele vai voltar, e eu não vou saber o que fazer, e ele vai pedir transferencia. Ele vai embora de vez, Ange. Vai me abandonar de novo"
Com isso, Angela odiou Booth. Sabia que ele intencionava provocar alguma reação de Brennan, mas essa era forte demais. O que ele faria se ela precisasse de mais tempo? Iria embora mesmo assim? Ela falou que Brennan precisava de paciência. E não era assim que ele se mostrava paciente com ela.
"Querida, ele não vai te abandonar. Olha aqui."E fez a amiga levantar, olhando-a nos olhos. Brennan estava com os olhos marejados, sinal de que estava realmente com medo. "Booth estava nervoso. A carta era forte demais, e você estava ignorando. Ele te ama demais, Brennan. Você tem que considerar o lado dele também. O amor é feito de duas partes."
"Como eu faço, Angela? Para aprender a amar até segunda?"
"Não tem como. Mas, e se você pedisse para ele te ajudar com isso, hein? Talvez juntos vocês podem trabalhar uma forma. Só abra um pouco de espaço para ele, Brennan. Mostre que você também está dentro"
Brennan olhou fundo nos olhos da amiga, e recomeçou a chorar. Angela deitou-a novamente em seu colo, e acariciou o rosto da amiga como uma mãe que nina seu filho.
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O dia estava claro. Temperance andava calmamente pelo parque. Estava vestindo um leve vestido rosa, iguais aos que sua mãe gostava de vesti-la quando criança. Observava as crianças brincando em grupos, gritando, rindo. Gostava disso, observar as pessoas.
De repente, uma mulher chegou por trás e pegou sua mão. Ela era bonita e sorridente, com cabelos negros que brilhavam com a luz do sol. Temperance sorriu.
"Como está, querida?" Perguntou Christine Brennan, sorrindo para a filha.
"O dia está lindo, mamãe. Caminhe comigo"
"é por isso que estou aqui, minha filha"
As duas caminharam por mais um tempo em silêncio, até que sentaram embaixo de um grande carvalho. Temperance não conseguia parar de sorrir.
"Sinto tanto sua falta, mamãe." Disse.
"Eu também, querida, eu também. Mas saiba que estou sempre pensando em você." Christine Brennan puxou a filha para si e a deitou em seu colo. Ficou um tempo acariciando a cabeça de sua Temperance.
"Por que sofre tanto, Temperance?" Perguntou Christine, para surpresa de Temperance, que levantou-se e voltou-se para a mãe.
"O que quer dizer, mamãe? Sou inteligente, bem sucedida."
"Mas sofre. Se fechou para um mundo sombrio, abandonado. É minha culpa, não é, minha filha?"
"mãe…" Temperance pegou a mão da mãe entre as suas, e a beijou.
"Tudo que eu sempre quis é que você fosse feliz, meu amor. E fiz com que você fosse infeliz a vida toda. Me desculpe, Temperance"
As duas mulheres se olharam fixamente, e os olhos das duas se encheram de lágrimas no mesmo momento. Temperance tentou falar, mas sua mãe não deixou.
"Filha, eu e seu pai queriamos o seu bem quando os abandonamos, você e seu irmão, era para protégé-los. "
"eu sei, mãe"
"Então não se feche tanto, Temperance. Você sabe amar. Sempre soube. Sempre foi uma menina tão amorosa quando criança. Você não se lembra?"
E Temperance olhou para o lado, observando uma menina, de vestido rosa, brincando com seus pais e seu irmão. Ela sorria, e gritava para o pai a colocar em seus ombros. Depois, a menina corria para os braços da mãe e lhe dava um beijo no rosto, dizendo "Eu te amo, mamae".
"Eu tenho medo, mãe. Vocês me deixaram. E se ele me deixar?"
"Ele não irá te deixar, Temperance." Sua mãe limpou as lágrimas em seu rosto, e o abraçou com as mãos. "Ele não irá te deixar"
"Como pode ter tanta certeza?"
"Por que você o salvou, Temperance. Você é a razão de ele estar vivo hoje."
Temperance respirou fundo, e não conseguia entender o que a mãe lhe falara. Christine então levantou-se e, estendendo a mão para a filha, disse:
"Venha comigo, Temperance, há coisas que você precisa ver".
As duas caminharam de mãos dadas até uma luz branca que brilhava no centro do parque, e, ao entrarem, a luz tomou conta da visao de Temperance, que ficou sem conseguir ver por um instante. Quando sua visão voltou ao normal, viu que estavam em um bar. Era um daqueles bares de Estrada, e seus frequentadores não eram dos mais confiáveis. Agarrou mais forte a mão da mãe, que riu:
"Ninguém irá te machucar, Tempe. Ninguém consegue te ver. Estamos aqui para observar."
Caminharam mais para o fundo do bar, e passaram por uma porta fechada por uma cortina de miçangas. Do outro lado, duas mesas de jogo aconteciam simultaneamente. Temperance reconheceu um dos homens sentados em uma delas. Estava com olheiras, como quem não dorme há dias, com a barba por fazer e um olhar sombrio, como nunca viu antes.
"Aposto tudo"
"Não é grande coisa, não é, Agente? " caçoou um dos oponentes. O homem soltou um grunhido enquanto empurrava suas ultimas fichas para o centro da mesa.
"Ok, grandão. Deixe-me ver o que tem"
O agente baixou suas cartas, e mostrou dois pares. O oponente soltou uma risada irônica, e começou a puxar as fichas para si.
"Espere" disse o agente. " Mostre-me o que tem"
"Acho que já está claro, Agente, depois de tantas tentativas, que eu sempre tenho uma mão mais forte que a sua" e o oponente virou suas cartas, mostrando um royal flush. "Acho melhor você desistir. Está sem sorte pro resto da vida"
"Pode ter uma mão mais forte no jogo" Disse o agente, soltando um soco de direita no rosto do oponente "mas eu tenho a mão mais forte"
A briga causou bagunça entre todos na sala, e dois homens apareceram para segurar o homem, levando-o para fora. Temperance e Christine acompanharam.
"Vai para casa, Seeley. Aproveita o tempo que você tem" gritou o dono do bar, com pena. O agente simplesmente começou a caminhar. De repente, uma forte dor de cabeça o dominou, e ele caiu.
Temperance entrou em desespero, e correu em direção do homem:
"Booth! Booth, acorda!! "Mas não conseguia toca-lo. O dono do bar apareceu logo depois, e puxou seu cellular para chamar uma ambulancia. Christine trouxe a filha novamente para seu lado, relembrando-a que ninguém podia ve-las, nem mesmo Booth.
De repente, estavam as duas sentadas dentro da ambulancia, observando Booth deitado inconsciente enquanto os paramédicos tentavam reanimá-lo. Temperance voltou-se assustada para a mãe.
"O que significa isso, mãe?"
"Essa é a vida de Seeley sem você, Temperance. Ele está morrendo, seu cancer não foi descoberto a tempo, e não tem mais cura. Seu problema com jogo e bebida só piorou desde então, e perdeu todo e qualquer direito de ver o filho. Por causa disso, surtou e quebrou a casa de Rebecca, sendo preso e perdendo o emprego. Ele passa os dias tentando ganhar dinheiro nas casas de jogos e nas mesas de poker, enquanto continua consciente."
"Oh, não. Não pode ser. Este não é Booth!" Temperance estava muito assustada.
"Este é o que Booth seria se não tivesse te conhecido. Lembra-se da primeira coisa que ele lhe disse quando se conheceram?"
Temperance buscou na memoria por aquele dia, em que fazia uma palestra sobre análise de ossos, e aquele agente do FBI apareceu.
"Acredita em destino?" Ele lhe disse, e ela repetiu para a mãe.
"E você respondeu que não."
"E ainda não acredito"
"Só porque você não acredita em algo, não significa que ele não exista, Tempe. E Booth acredita. Foi o destino que os colocou juntos, naquele caso, e foi o destino que fez ele ir atrás de você um ano depois, quando voltou da Guatemala. Ele precisava disso na vida dele, e você na sua."
Os paramédicos aumentaram os esforços para reanima-lo, e nada acontecia. Temperance ficava com ainda mais medo. Voltou-se para a mãe, como se pedisse para ajudar.
"Naquele dia, no bar, quando ele lhe disse que estavam demitidos e você insinuou para dormirem juntos. Quando ele lhe prometeu que iria parar de jogar. Naquele momento, o destino interveio, e você fez com que ele quisesse ser um homem melhor. Mas então, o que você fez?"
Temperance reviu a cena, como se passasse em sua frente. Booth lhe falava que iria parar de jogar, e ela lhe perguntava por que ele lhe dizia isso.
" é por que acho que isso tem algum futuro" E a beijava. Neste momento, Temperance pegou o taxi sozinha, e não ficou com ele.
"Você fugiu, Temperance. E eu me culpo por isso. Você não deixou seu destino acontecer. Você interveio em seu próprio destino por medo. E tem feito isso a todo momento por esses 6 anos. A não ser em um momento"
"Que momento?"
"O momento em que aceitou voltar a trabalhar com ele, depois que ele lhe buscou no aeroporto. Aquela foi a unica vez que seu destino conseguiu se completar. Não vê, Temperance. Está escrito! Você e Booth, precisam um do outro, completam um ao outro. Não há o que temer. Nada de mal vai acontecer aos dois. Basta deixar o destino acontecer como deve."
"Não acredito nisso, Mãe" . Forçou Temperance, ainda incrédula com tudo que sua mãe lhe falava. "Não há provas de que exista um destino" Nesse momento, a máquina começou a apitar, e um dos paramédicos anunciou o óbito.
"Ainda vai se negar a acreditar em destino, Temperance? E que tal acreditar no amor? Sei que é capaz disso, acreditou em seu pai, e o perdoôu por isso. Até o salvou da morte. Preste atenção. Não afaste a única pessoa que ficará com você no momento que seu pai não puder mais."
"Mas eu não sei se consigo amá-lo."
"Você já o ama."
Neste momento, a luz branca voltou a envolver as duas, e sua mãe começou a desaparecer. Temperance gritou com toda sua força, mas ela continuava a sumir. Num susto, acordou em seu quarto, suando.
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Brennan invadiu a sala de Sweets sem ligar para o que quer que ele estivesse fazendo. O jovem psicólogo assustou-se, e logo levantou de sua mesa:
"Dra. Brennan! O que faz aqui"
"Sente-se, Sweets. Você tem que me explicar algumas coisas"
O medico ficou assustado. Normalmente Brennan não se voluntariava para sessões, muito menos falava alguma coisa. Achava sempre que psicologia era perda de tempo e sempre tinha algum comentário maldoso para falar sobre a ciência que passara tanto tempo estudando.
"O que está acontecendo?"Perguntou, enquanto Brennan sentava-se irriquieta no sofa.
"Um sonho. O que ele significa?"
"Muitas coisas. Os sonhos são o momento em que a mente entra diretamente no inconsciente, e podem representar imagens de diversas maneiras"
"Eu ver minha mãe no sonho, o que isso significa?"
"Sua mãe?" Perguntou Sweets. "Mas uma lembrança de sua mãe ou algo novo?"
"Algo novo. Novo demais, até. Ela estava me guiando, para minha vida"
"Acho melhor me contar o que sonhou, Dra. Brennan".
Brennan contou seu sonho com detalhes, e Sweets se impressionava a cada palavra. Não conseguia adequar esse sonho com nada que tivesse estudado sobre o assunto. Quando ela terminou, Sweets foi obrigado a colocar um pouco de sua fé em sua análise.
"Dra. Brennan, serei sincero. E sei que é algo que você não aceita de maneira nenhuma, mas é o que acho. Acredito que seu sonho realmente era sua mãe vindo de seja lá onde ela está para lhe dar uma lição"
"Minha mãe está morta, Sweets. Ela não está em lugar nenhum. Seus ossos estão enterrados no cemitério, só isso"
"Quer mesmo continuar acreditando nisso depois do que sonhou, Dra. Brennan?"
Brennan não sabia mais no que pensar. Estava ficando irritada com os métodos psicológicos de Sweets de avalia-la.
"O que significa esse sonhos, Sweets? "Gritou.
"Bem" O jovem doutor arrumou-se em sua poltrona, e pegou um bloco para fazer anotações."Tudo começou com um passeio no parque. Você estava vestida como costumava se vestir quando criança, quando ia ao parque com sua família. Sua mãe a encontrou em um ambiente conhecido, comum às duas. Depois, ela lhe mostrou como era feliz quando criança, e pediu desculpas. O que aconteceu com você depois que seus pais foram embora são fortes formadores do que você é hoje, Dra. Brennan. E sua mãe foca no amor. Claro, porque em seguida menciona Booth. E depois, a viagem no tempo."
"Não há essa história de viagem no tempo"
"Existem estudos que indicam a possibilidade de viagem no tempo mental, Dra. Brennan. Mas neste caso, não foi uma viagem no tempo. Você viu um possível futuro. Há quem diga que num momento de decisão, há diversos futuros possíveis, e que dependendo de nossas decisões, alguns deles desaparecem, mas eles existiram por aquele instante de indecisão. Você entrou em um futuro inexistente, mas que existiu no intervalo de tempo que levou o agente Booth até você. Sua mãe a levou até lá, o que possibilita o sobrenatural. Se sua mãe está em uma dimensão post-mortem, ela tem o poder de viajar por essas dimensões perdidas da humanidade."
"Não entendo nada que você está dizendo, mas continue"
"Bem, você viu Booth como ele estaria se não te conhecesse. O que reforça o que sua mãe lhe disse. Você salvou Booth. A vida dele é melhor porque você está nela, e Segundo sua mãe, faz parte do destino vocês dois juntos. Eu sempre soube!"
"Está bem, Sweets. Agora fale algo que faz sentido"
"tudo isso faz sentido, Dra. Brennan. Basta agora você aceitar que faz sentido. Pense agora em tudo que foi acrescentado em sua vida por conhecer Booth, e tente imaginar sua vida sem ele. Você acredita que seria melhor do que é hoje, ou estaria próximo do que viu?"
Brennan parou para pensar. Por Booth, fazia na vida real tudo que sua personagem, Kathy Reichs, fazia em seus livros. Por Booth, estava melhorando sua sociabilidade, e fazendo mais amigos. Por Booth, estava começando a acreditar em coisas que não acreditava antes, e se sentia uma pessoa melhor.
"Eu não estaria morrendo mas…"Brennan desviou o olhar de desaprovação de Sweets pelo comentário "não, eu não estaria melhor se não tivesse Booth em minha vida"
"Agora cabe a você entender o que sua mãe queria ao te encontrar em seu sonho para lhe dizer o que disse"
"Por que todo mundo fica colocando a escolha nas minhas mãos! Que coisa mais chata!" Disse Brennan, levantando-se e saindo da sala de Sweets.
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Indo em direção ao elevador, Brennan ouviu uma risada vindo da sala de Booth. A mesma risada que a fazia rir todas as vezes. Apressou-se e entrou a sala, sem pensar:
"Booth! Você voltou! Eu…" E então reparou que Catherine Bryar estava na sala, sentada em cima da mesa, enquanto Booth estava em sua cadeira. Era ela que o fazia rir, desta vez.
"oh, desculpe"
"Bones, o que faz aqui?"Booth se levantou, nervoso. Na hora, tudo aquilo que invadia sua mente durante a semana o tomou de repente. Desejou que Catherine não estivesse ali.
"Estava falando com Sweets. Desculpe." E virou-se para a porta.
"como está, Dra. Brennan?" disse Catherine Bryar, tentando ser educada, sem entender o que acontecia.
"Bem, obrigada" Brennan disse sem se virar, e saiu, antes que Booth conseguisse lhe impedir. Saiu correndo até o elevador, sem ver se ele saia atrás dela.
Ele parou na porta, vendo –a correr até o elevador. Uma mão o tocou no ombro e fez com que ele se virasse.
"O que está acontecendo, Seeley?"
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Brennan estava distraída lendo os relatórios do caso. Mesmo com tantas distrações, sua eficiente equipe resolveu o mistério, e Perotta realizou a prisão. Sentiu-se mal por ter conseguido resolver um crime sem Booth, mas considerando que ela mesma estava sempre fora, deu o crédito mais a seu estágiário da vez, o inteligente sr. Fisher.
Uma batida de leve na porta a chamou a atenção, mas não foi suficiente para tirar os olhos do papel. Apenas sinalizou quem quer que fosse para entrar:
"Só um instante, estou terminando"
"Como quiser, Dra. Brennan" A voz de Catherine Bryar entrou como uma faca afiada no peito de Brennan, que parou na hora de ler o que estava lendo. Colocou o papel na mesa, respirou fundo e esperou que ela lhe trouxesse outro caso, como na primeira vez que se viram. A mulher sentou-se na cadeira a sua frente, respirou fundo e a olhou fundo nos olhos. Brennan sabia exatamente porque ela estava ali.
"Seeley me contou sobre vocês"
"Não tem nada de mais" mentiu Brennan "Booth e eu somos parceiros, resolvemos crimes. Mais nada"
"Pare com isso, Dra. Brennan" Catherine soou repreensiva, e Brennan não gostou. Ela tentou consertar falando mais baixo "Se você não sabe o quando Seeley é valioso, talvez não o mereça"
" O que está dizendo?"
"Estou dizendo que sei que ele a ama, e vim aqui para decidir minha vida, a partir de sua decisão"
Brennan odiou novamente o fato de alguém estar colocando as responsabilidades de escolha em suas mãos, mas não falou nada. Bryar continuou falando.
"Quero saber se você o ama. Se tem consciencia de como ele é valioso, um homem que não se encontra por ai. Seja sincera"
Brennan tentou falar, mas Bryar a interrompeu
"Eu saberei se está mentindo. Estou disposta a lutar por ele, e só sairei do caminho se você for sincera."
Brennan olhou fundo nos olhos cor de mar da bióloga marinha, e seu instinto feminino a fez ter vontade de arranhar seu rosto. Segurou-se na cadeira e parou para pensar no que a mulher estava falando.
Booth realmente era muito valioso. E não merecia as incertezas de uma pessoa como ela. Mesmo depois do sonho, Brennan ainda achava desperdício depender unica e exclusivamente de uma outra pessoa. Correr esse risco é alto demais. Quando mais precisava de seus pais, eles foram embora. Quando mais precisava de Russ, ele foi embora. Sua vida era uma sequencia de abandonos, e ela sempre se virou sozinha. Não tinha amigos antes de Angela, e não lhe faziam falta.
Mas então pensou em sua vida se não tivesse Angela. Ou Hodgins, Cam ou até Sweets. Seus estagiários. Ter o prazer de ter conhecido a grande mente de Zack Addy. Tudo era diferente, e essas pessoas não a abandonaram. Tinha amigos, tinha uma vida comum. Era muito mais do que a melhor antropóloga forense, ou uma autora best-seller. Era Temperance. E a simplicidade de ser a fez se sentir bem.
Mas nunca tudo isso seria completo sem Booth. Nunca.
Olhou fundo para Catherine Bryar e falou, com toda a sinceridade que tinha disponível em seu inexperiente coração.
"Eu o amo. Eu preciso dele. Minha vida não é completa sem ele"
A bióloga respirou fundo, segurando uma lágrima nos olhos. Sorriu e levantou-se. Antes de sair da sala, porém, ousou dar um conselho àquela tão brilhante e estranha mulher
"Dra. Brennan, espero que saiba o que tem nas mãos. As mulheres todas do mundo matariam literalmente por um homem como Seeley. Homens como ele não existem mais. Apenas… não desperdice. Agora, marquei com Seeley no Fouding Fathers as 6 horas. Acha que pode cobrir para mim?"
E sorriu, saindo de cena como a dama que era.
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Booth estava nervoso. Eram 7 horas e Catherine não tinha aparecido. Resolveu ser sincero com ela, já que estava disposto a começar um relacionamento sério com ela. Tinha essa vontade, mas não queria ter de tirar Bones de sua vida mais tarde, se ela não compreendesse. Só que agora ela não aparecia. O que será que tinha acontecido.
Brennan entrou no Founding Fathers e encontrou Booth de costas, sentado no balcão. Estava impaciente. Aproximou-se com cuidado.
"Oi"
"Bones! O que faz aqui?"
"Catherine me falou que estaria aqui"
Booth tremeu com esse comentário. Já nem mais tentava um sorriso falso à presença de sua parceira.
"Ela falou com você? O que falou pra ela, Bones?"
Brennan não entendeu a repressão de Booth, e ficou magoada.
"Ela veio falar comigo, depois de você ter falado com ela"
"Olha só, eu gosto dela tá. Então não fala que falou besteira pra ela, ok?"
Brennan ficava cada vez mais nervosa com cada comentário dele. Estava se preparando desde que Catherine saira de sua sala para falar de uma vez por todas que o queria por perto, que precisava dele. Finalmente aceitar, pelo menos tentar, entregar sua vida nas mãos de outra pessoa, e ele só a atacava.
"Ela não vem mais, Booth"
"Eu não acredito, Bones! Só o que você precisava falar era me defender um pouquinho! Será que você não poderia ter feito pelo menos isso? Não se importa nem um pouco comigo?"
Brennan já não aguentava mais olhar para Booth. Uma sensação estranha de raiva e tristeza a invadia de uma forma que nunca acontecera antes, e ela ficou com medo. Fugiu, como sempre fez.
Booth só então percebeu que estava sendo injusta com sua parceira. Não sabia o que tinha acontecido com Catherine, e não precisava ter sido tão rude. É que toda essa situação já estava o esgotando. Passar os dias fingindo ser tudo o que sempre foi com Bones estava ficando a cada vez mais dificil, e agora era ela que lhe informava que sua primeira tentative de seguir em frente falhara. Quer mais ironia do que isso?
Chovia do lado de fora do Founding Fathers, mas Brennan não se importou. Seguiu caminhando pela calçada, nervosa, e decidida a nunca mais tocar neste assunto com mais ninguém. Não precisava disso em sua vida. Não de novo.
Uma mão forte a pegou pelo braço, e a virou. Booth gritava, para se fazer ouvir sobre a chuva.
"Dá pra parar com isso? Vamos pra dentro. Desculpe"
"Eu vou para casa" Disse Brennan, tentando se soltar, mas ele não soltava.
"Por favor, Bones! Desculpe! Entre, e me conte o que aconteceu com Catherine"
"Não! Me solta! " Booth apertava ainda mais o braço de Brennan, e sentia que a estava machucando, mas não a soltou.
Brennan parou e olhou nos olhos de Booth por entre a chuva. Sua visao estava embaçada pela agua, e ele lhe parecia um sonho. Uma visao, algo longinquo, inexistente. A unica coisa que lhe dava certeza que ele estava ali era o aperto cada vez mais forte no braço. Não sentia mais dor.
Ele começou a soltar o braço, e Brennan ficou com medo. Sem o aperto, nada lhe confirmava que ele estava lá. Em um impulso, agarrou os dois braços de Booth o mais forte que pode, como quem segura alguém que está caindo de um abismo.
"O que foi, Bones"
"Não me deixe"
"Não estou indo a lugar algum"
Ela o puxou para perto, e colocou seu rosto contra o peito dele. Podia ouvir seu coração bater junto com o barulho da chuva. Ele passou seus braços por ela, carinhosamente a abraçando.
"Estou aqui, Bones"
"Prometa que não vai me deixar"
"Claro que não. Sempre estarei aqui por você. Já lhe disse isso"
"Fica comigo, Booth."
De certa forma, Booth entendeu o que estava acontecendo. Ou pelo menos, torceu com todas as forças que fosse o que imaginava. Decidiu arriscar, e a afastou lentamente de si. Ela se recusava a larga-lo, e ele então passou sua mão direita pelos cabelos molhados. Agarrou sua nuca, conseguindo controle de sua cabeça, e a direcionou para si, aproximando seu rosto do dela, lentamente. Jogou, como sempre jogava, e manteve uma pequena distancia, suficiente apenas para sentir a respiração quente dela em seu rosto. Fechou os olhos e esperou.
Não demorou muito, e seus lábios foram tocados pelos lábios mais macios que já beijara na vida. Aproveitou que a tinha nos braços e a puxou para o mais proximo que conseguia, tentando evitar que ela se afastasse, como da ultima vez.
Mas ela não se afastou. Pelo contrario, ela o apertou ainda mais em seus braços, e se não fosse o momento mais esperado pelos dois, aquele aperto teria doido. De repente, a chuva parou, e eles puderam se olhar sem a névoa da água gelada que caia.
Brennan abriu os olhos , e o encontrou, nítido, claro, e tão perto quanto queria. Sorriu. Booth sorriu de volta, e assim permaneceram por um longo tempo.
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Brennan estava gritando. Gritava com toda força, mas ninguém a ouvia. Estava sozinha, e ninguém se importava.
Sentia medo, estava abandonada. Estava com frio, com fome, e não sabia onde estava. Gritou novamente, e o grito se perdeu na escuridão.
De repente, o preto do escuro se tornou branco, e a tomou por completo.
Abriu os olhos de repente, e não reconheceu o lugar onde estava. Por um momento ficou com medo, quando olhou pela janela e reconheceu a vista. Percebeu então que estava nua, coberta por uma leve colcha que a cobria até a metade das costas. Olhou para o chão e encontrou suas roupas, largadas de qualquer jeito, entre roupas de homem.
Em cima de seu vestido, descansava uma fivela vermelha que dizia "Cocky". Neste momento, Booth a abraçou por trás, e beijou sua nuca, sem acordar. Ela sorriu, e pode voltar a dormir, mais segura do que nunca.
