Casslover: Não, esta não é uma fic com um romance Dean/Cas, na verdade, coloquei o Cas ali por ele aparecer mais frequentemente do que os outros personagens da série, na verdade o romance aqui é entre Dean e Irine. Obrigada pela sua review :)

Meses haviam se passado desde que deixamos Sam, quatro meses, para falar a verdade. A presença de Castiel havia se tornado frequente, assim como os telefonemas de Bobby. Entretanto, eu ainda não havia me acostumado com o anjo, com sua sinceridade de criança inocente. Ele me assombrava. Todos tomaram suas posições, eu voltei ao quarto.

O céu havia escurecido de repente. Castiel havia nos avisado, a hora chegara. Dean e eu nos preparamos o máximo possível. Carregávamos a maior quantidade de armas que alguém poderia suportar.

Não queria deixá-lo, Deus sabe, Sam me pediu para fazer isso por ele. Um último favor para um amigo. Agora a gritaria era total, outros guerrilheiros se juntaram à nós. Eu me preparava para sair, quando Dean entrou no quarto. Me afastei mais dele do que nunca, nunca aceitei o bom grado com o qual ele deixou o próprio irmão. Se minha irmã fosse viva, eu não o faria. Então, fiquei extremamente surpresa quando ele entrou no meu quarto.

- Eu sei que você me odeia e que me protege apenas porque é seu instinto, mas me prometa que não vai morrer por mim hoje.

Sua declaração me pegou desprevenida.

- Eu não te odeio, Dean. Mas se minha irmã fosse viva e precisasse de mim, eu não a abandonaria de bom grado. Nunca.

- Você não entende.

- Você tem razão, Dean, eu não entendo! Eu entendo de dor, de perda, de morte. E eu entendo que nunca deixaria minha irmã caçula desprotegida enquanto ela é "suscetível a possessões"! Me desculpe se eu não apóio você.

Eu me virei para sair do quarto.

- Irine, não morra hoje. - O encarei pela última vez, ele parecia sombrio, saí do quarto sem dizer palavra.

Lá fora, eu ajudava as pessoas, estava levando-as ao abrigo que havíamos preparado. Lá havia provisões para um mês, muita gente precisava ser sedada, muita gente precisava de esperança. E enquanto eu pude, eu ajudei. Lutei ao lado de meus companheiros de causa, resgatei crianças. Cada pessoa que eu levava para o abrigo, eu lembrava de minha própria família, pensava estar ajudando cada um deles, como não pude fazer nos incêndios. A prova de fogo. A prova que tinha que passar, minha "lealdade" ao Céu, não sei como fui aprovada. Não procurei a Deus depois disso. Mas também não o amaldiçoei. Talvez isso tenha me dado pontos extras.

Vi Sam se aproximar de mim, vi também que não era ele. Pelo brilho dos seus olhos e o jeito feroz que me olhou, não era meu amigo Sam. Eu me afastei, virei-me e comecei a correr.

- Vá contar a Dean que eu estou aqui.

Eu não ia contar, ou Dean sucumbiria à Miguel como Sam sucumbiu a Lúcifer. Eu não deixaria isso acontecer.

- Cas! Cas, apareça, seu maldito!

Ele me olhou.

- Você não está sendo muito gentil agora.

- Eu não tenho tempo para isso. Detenha Dean, eu darei um jeito em Sam.

- Você sabe que isso não é verdade, você não vai conseguir detê-lo, Irine.

- Não me importo de morrer tentando!

Pela primeira vez em todo o tempo que o vi, ele sorriu para mim, só para mim.

- Este é o espírito, mas você não vai conseguir. Eles vão se enfrentar.

- Não! - Eu estava gritando. - Você tem que fazer alguma coisa!

- Ninguém pode fazer nada.

Não o ouvi, dei as costas à ele. Eu acharia Dean, o impediria de fazer uma loucura. Foi quando eu tive um pressentimento. Ele havia achado Sam. Imediatamente troquei de direção, me preparando para usar o rifle em minhas costas. Eu vi Dean andando até Sam, eu vi Sam sorrir de um jeito maligno. E me vi caindo em cima de Dean.

Eu travei as pernas dele com as minhas e empurrei seus ombros, com as duas mãos, contra o chão.

- Não faça isso.

Ele me olhou surpreso.

- Renie...

- Não mate o seu irmão! Não aceite essa merda de "receptáculo" e toda essa coisa gay! Você não pode matar o Sam!

Senti as lágrimas correrem quentes pelo meu rosto, eu estava ofegando, provavelmente da corrida até ele.

- Me solta.

- Não.

- Deixe meu irmãozinho, Renie.

Levantei os olhos para ele quando senti suas palavras frias e duras feito aço.

- Que fofo, a Protetora se apaixonou pelo protegido.

- Sam...

Era tudo duro demais para mim. Minha cabeça estava girando, o alerta vermelho do perigo não me deixava pensar.

- Não. Você é melhor do que isso!

- Renie.

Dean segurou meus ombros, olhava-me nos olhos.

- Me deixa sair daqui.

- Não! Você vai aceitar ser alguma coisa de Miguel, eu não quero...

- Me deixa sair.

Eu não estava com a mínima intenção de deixá-lo ir. Mas Sam, ou o que quer que o estava possuindo, me deu um chute no estômago. Eu caí longe e Dean já havia avançado para ele quando me levantei. A pistola machucou minha cintura quando caí, a dor era imensa.

Quando Sam o jogou longe, contra o muro do outro lado da rua, eu tive que fazer algo, minha vista já estava turva com a agonia em minha cabeça. Eu mirei e atirei, o tiro pegou na perna de Sam, fazendo com que ele urrasse de dor. Corri e apoiei Dean em meu ombro, correndo com ele o quanto eu podia.

- Você me prometeu... - Ele começou.

- Eu não prometi merda nenhuma para você.

Nós nos escondemos em um beco, vi várias criaturas correrem, nos procurando.

- Estamos ferrados. Muito ferrados.

Ele concordou.

- Renie, aquele não é o Sam, eu nunca mataria meu irmão.

- O corpo é dele.

- Mas a alma não é. Entenda isso!

- Mas que inferno, Dean! Não pode estar pensando nisso!

Ele tirou a pistola do bolso e a colocou na minha mão.

- Eu vou aceitar.

- Não!

Eu o puxei pela gola da blusa.

- Não vou deixar...

- Não é a sua decisão!

Meu mundo estava desmoronando, eles iam lutar até a morte.

- Eu aceito!

Ele gritou, eu tapei a boca dele com a mão, o final da frase foi abafado.

- Idiota!

Ele tirou a minha mão e estava prestes a gritar de novo quando eu o beijei. Abafei o grito dele e o meu de desespero. Ele me puxou para ele, meu coração batia descompassado, também o puxei. O beijo se tornou mais urgente, cada vez mais exigente, Dean me segurava contra seu próprio corpo. Acariciei seu rosto, sentindo-me humana outra vez.

De repente a dor em minha cabeça se tornou insuportável, eu afastei meu rosto do rosto dele, apoiei meu rosto em seu pescoço.

- Dean, ele está chegando. Não aceite, por favor.

Eu o segurava contra mim, estava de olhos fechados e podia quase ouvir os passos de Sam.

- Eu não concordo com isso. Tem que fazer isso sozinho. Mas eu estou aqui se precisar ser salvo.

Me pus na ponta dos pés e o beijei no rosto.

- Não morra hoje, Dean.

O perigo ficou ainda mais forte em meu sentido aguçado, me virei quando Sam chegou e entrei na frente do golpe que deveria ter acertado Dean, mas a dor não superava a que tomava minha cabeça, minha vista estava turva, minha boca estava seca, eu estava em total desespero. Aquilo tinha que parar. Foi quando vi a luz, Dean havia aceitado. De repente, a urgência havia ficado mais fraca, até quase desaparecer completamente. Não reconheci Dean com a inexpressividade de Miguel assim como não tinha reconhecido Sam com a frieza de Lúcifer, eles discutiam.

Eles iriam lutar de igual para igual agora. Eu não precisaria protegê-lo, não mais. Agora ele era Miguel, não mais o receptáculo. De repente eu senti todas as dores que a adrenalina não me deixara sentir até agora. O local onde a pistola batera estava roxo, senti dores por todo o meu corpo e suspeitava ter trincado duas costelas.

Eu me deitei onde estava, sentia o chão gelado e as pedrinhas me incomodando, mas estava tão cansada. Ouvia os urros e o som dos socos, ouvia-os brigando, só um venceria. Mesmo que amasse a Sam com todo o meu coração, não podia deixar de torcer para Dean, se ele ganhasse, o mundo não seria governado por "demônios". Se ele ganhasse, poderíamos ficar juntos.

Imediatamente me corrigi, com tantas mulheres por que me escolheria? Danificada e amarga, eu não sou de bom uso para ninguém, nenhum homem em sã consciência me escolheria, ainda mais um mulherengo como Dean. Uma mulher como eu... Mas eu o protegi, não é verdade? Arrisquei minha vida pela dele sem nem pensar ou hesitar, nunca hesitei em salvá-lo. Não aguentaria se depois de tudo, ele não me escolhesse, ele não me amasse. Não aguentaria mais uma decepção. Mas, eu me decepcionaria? Aquele beijo... Aquele beijo não foi além de um simples ato de luxúria? Talvez até... Um gesto de amor?

A minha cabeça girou. Dor, frustração e ansiedade faziam minha cabeça latejar e eu querer sair correndo. Senti uma enorme dor quando fui erguida pelo meu pescoço, forcei-me a abrir os olhos. Sam me segurava pelo pescoço, eu estava de frente para Dean, o ar começava a faltar em meus pulmões. Balancei os pés, tentei mostrar resistência e não olhar Dean nos olhos. Eles discutiam, eu não conseguia ouvir, estava prestes a desmaiar quando Sam me soltou e eu desabei no chão, ansiando por ar.

Não podia mais esperar pelo resultado da luta, retirei a arma da minha cintura e vi o quanto minhas mãos tremiam, fosse a falta de ar ou a ansiedade, apoiei a arma com as duas mãos. Era difícil acertar um sem ferir o outro e eu me levantei, a fim de poder mirar melhor. Me posicionei e estava prestes a apertar o gatilhos, quando uma criatura nefasta esfaqueou-me nas costas, acho que gritei. A dor latejava e meus olhos estavam cheios de lágrimas, ela me esfaqueou mais uma vez, desta vez abaixo da omoplata. Eu passei a arma para a mão esquerda e atirei no que quer que aquilo fosse, respingos de algo negro e pegajoso foram parar na minha arma e em mim. Outras criaturas foram atraídas pelo cheiro de sangue e pelo disparo, logo eliminei-as, às custas de um arranhão no rosto e outro machucados menores.

Podia sentir o sangue escorrer quente pelas minhas costas, ofeguei e me levantei, novamente me preparando para mirar a arma, quando Dean foi arremessado. A intensidade da dor em minha cabeça e a ondas lancinantes de dor das minhas costas estavam me deixando louca. Eu tinha que fazer alguma coisa. Levantei a arma e atirei, até descarregar a arma. Sam se virou para mim, imune à todas aquelas balas, caminhava até mim. Senti um arrepio na espinha, não tinha nada com o que eu pudesse me defender. Nada. Era meu fim. Fechei os olhos.

Senti o golpe em meu rosto e logo depois o soco em meu estômago. Senti quando ele me pressionou contra a parede e bateu com a minha cabeça na mesma, mais uma vez ele estava me enforcando. Ele falava coisas que eu não compreendia e não ouvia, não se ouve o Diabo, não se leva a sério o que ele diz. Abri os olhos quando os golpes cessaram, novamente os irmãos se atracavam. Os dois rolaram pelo chão. Vi Dean se levantar e vir até a mim, Sam continuou no chão, imóvel. Ele me abraçou e a última coisa que me lembro foi de ter desmaiado em seus braços.