Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 1 - The Greatest Story Ever Told

Em oitocentos anos, fui a primeira rapariga a ser aceite em Durmstrang. Não pensem que foi por conhecer pessoas poderosas ou algo do género. Nada disso. O meu pai é um simples pescador e não possui qualquer influência (excepto sobre os peixes), e a minha mãe morreu a dar-me à luz. Também não demos qualquer dinheiro ao Instituto para que me aceitasse. Tal como já referi, o meu pai tem um trabalho modesto, e os lucros que ele obtém da venda do peixe mal dão para pagar as despesas da casa.

Eu sempre ajudei em tudo o que podia, claro, mas ainda assim era insuficiente. E à medida que fui crescendo, o meu pai começou a dispensar a minha ajuda (contraditório, não concordam?). Dizia que eu precisava de uma infância mais feminina, que tinha de sair de perto dos pescadores e conviver com as meninas da minha idade; que os meus longos cabelos negros deveriam estar soltos e brilhantes, e não amarrados num coque frouxo e a cheirar a peixe; que as minhas mãos já estavam suficientemente calejadas para uma garota tão jovem.

Então eu, que na altura desta realização do meu pai tinha dez anos, tratei de arranjar algo para me entreter, já que não planeava soltar os meus cabelos ou começar de repente a brincar com bonecas como as outras meninas da minha idade.

Sempre gostara de ouvir o meu pai contar-me histórias sobre cavaleiros valorosos que combatiam monstros e salvavam princesas. Não me podia importar menos com as tais princesas, claro. O que eu gostava era da parte das lutas com as vis criaturas. O meu pai falava-me sempre em grande pormenor da maneira como cada cavaleiro brandia a sua espada, cortando, trespassando, matando todos os inimigos. Sabia que cada um tinha a sua espada preferida, uma mão com que lhe dava mais jeito segurá-la, certos movimentos de ataque e defesa que só ele podia utilizar e por aí adiante. Fascinava-me por completo. Então, com isso em mente decidi, no auge dos meus dez anos, que queria ser cavaleira: brandir uma espada, cavalgar rumo às batalhas e derrotar os vilões!

A parte que dizia respeito ao saber efectivamente andar a cavalo (o primeiro requisito, e mais do que necessário, para uma cavaleira), já estava resolvida. Chryssa, a nossa vizinha e melhor amiga da minha falecida mãe, ensinara-me a montar quando eu tinha cinco anos. Só me faltava, portanto, arranjar a espada. Corri para o centro da cidade, onde sabia que Kostas, o carpinteiro, tinha a sua oficina. Kostas era uma espécie de avô para mim, e com certeza que não se importaria de me satisfazer aquele capricho.

Quando cheguei ao seu pequeno espaço numa das ruas principais, pedi-lhe imediatamente que me construísse uma espada de madeira, nem sequer perdendo tempo para o cumprimentar. Ao questionar-me sobre o porquê daquele pedido repentino, expliquei a Kostas que era inadmissível que uma cavaleira não tivesse a sua espada. Ele riu, mas pareceu achar aquela justificação suficiente, porque quinze minutos passados, já eu segurava na mão uma bonita, polida (e romba, claro. Kostas era velho, mas não era idiota) espada. Mais satisfeita que nunca, beijei-o rapidamente e saí dali a correr, rumo à praia deserta, disposta a começar o meu treino de cavaleira o quanto antes.

Passei horas naquela praia. Usava os movimentos que o meu pai descrevia nas suas histórias para manobrar a minha nova arma. Treinei até ficar sem forças e o meu pai aparecer gritando como louco que passara o dia inteiro à minha procura. Mas apesar de todo o cansaço, voltei no dia seguinte. E no dia a seguir a esse. E no outro, e depois no seguinte. E acabou por ser por isso, pela minha vontade desmedida de ser cavaleira, que o destino me levou a Durmstrang. Porque um dia qualquer, depois de sair de mais uma sessão de treino na praia, comecei a achar que até tinha algum jeito para manobrar a espada. Quando demonstrei a Kostas, ele concordou. Seguiu-se a aprovação do meu pai, de Chryssa e, por fim, de toda a cidade. E de repente, estava a deixar tudo para trás ao entrar num barco rumo ao continente, a Atenas, para treinar com os profissionais.

Foi também por essa altura que os meus poderes mágicos se começaram a revelar (será que foram os ares do continente?). A primeira vez aconteceu quando, ao treinar com um dos meus novos professores o meu desporto, que eu aprendera a chamar esgrima, o atirei contra um dos colchões mais afastados só por desejar que acontecesse (ora, ele estava a deixar-me frustrada com toda aquela gritaria sobre dobrar os joelhos!). Fui então de novo levada para outro local, onde me explicaram tudo o que eu precisava de saber sobre o mundo da feitiçaria.

Tenho de admitir que fiquei triste quando descobri aquela minha nova peculiaridade. Se tudo aquilo que me haviam dito sobre ter de ir para uma escola para pessoas como eu era verdade, provavelmente teria de abandonar tudo: o meu país, a minha família e o meu sonho de ser cavaleira. Mas quando me asseguraram de que iria poder continuar a esgrimir, fiquei aliviada. Afinal, parecia que nem tudo estava perdido.

Os anos passaram. Durante os três que se seguiram, fui apenas por seis vezes a casa. As aulas eram extenuantes e os treinos muito intensos. Assim que caía na cama todas as noites, adormecia imediatamente. E se mal tinha tempo para dormir, ainda tinha menos para visitar o meu pai e Kostas.

Algumas semanas antes do meu décimo quarto aniversário, recebi uma carta de Durmstrang, indicando-me que fora aceite e congratulando-me por ser a primeira rapariga a conseguir tal façanha. Fiquei muito confusa, porque eu não me inscrevera em escola nenhuma. Rapidamente os meus tutores me explicaram que tinham enviado uma candidatura a bolsa de estudos a várias escolas por toda a Europa, já que as crianças feiticeiras normalmente iniciavam a escola aos onze ou doze - coisa que eu não pudera fazer devido ao meu intenso treino -, e por isso, havia já muito pouco que eles poderiam continuar a fazer por mim nesse aspecto. Eu era demasiado velha, e embora estivesse na presença de feiticeiros com relativa frequência, eles não tinham conhecimentos suficientes para me ensinar. Precisava de obter a minha educação mágica num local apropriado e com pessoas da minha idade com as mesmas habilidades que eu (ou seja, nenhumas), e não no simples colégio interno muggle que era a minha casa desde que chegara a Atenas.

Depois do choque inicial, aceitei o meu destino e deixei a minha amada (e quente!) Grécia para ir estudar magia no cume da Europa, onde o frio era constante e o sol brilhava muito pouco. Estava completamente aterrorizada. Não só pela mudança drástica de temperatura, mas também porque não tinha, de novo, a certeza de que iria poder continuar a praticar o desporto que aprendera a amar e que era a coisa mais importante da minha vida, a única coisa que ainda me ligava à minha ilha, à minha família e ao meu sonho.

Vim mais tarde a descobrir que foi exactamente por isso que me tinham aceite em Durmstrang: eu era a menina-prodígio da esgrima, e o Instituto não produzia campeões há mais de vinte anos, desde Viktor Krum. Eu não me achava assim tão boa, mas talvez estivesse apenas a ser modesta. Fosse como fosse, passei os seguintes cinco anos sendo a única presença feminina naquele castelo, com excepção da ocasional visita da enfermeira, que me levava roupas novas e tampões (abençoada!). Dominei a língua com alguma rapidez e, apesar das minhas fracas apetências para a sociabilidade, fiz amigos relativamente rápido. O facto de serem todos rapazes não me fazia qualquer diferença. Afinal, passara a minha infância rodeada de pescadores e professores. Tornei-me inseparável de Nikolai e Dragan logo nos primeiros dias que passei no Instituto.

Era bastante boa aluna dado que as minhas aulas eram quase todas práticas. Havia muito poucos momentos por dia em que estivéssemos sentados a ler qualquer coisa. O lema dos nossos professores era 'se tens uma varinha, utiliza-a'. E como eu estava habituada a usar um florete com o triplo do tamanho, uma varinha não foi problema.

Perto do final do meu sexto ano, Durmstrang enviou os seus melhores atletas – eu incluída – para Inglaterra para representar o Instituto numa competição interescolar. Hogwarts e Beauxbatons eram os nossos adversários. Perdemos para eles em todas as categorias excepto na esgrima. Venci todos os oponentes do meu escalão e, por diversão, dos escalões superiores. Talvez o facto de verem uma rapariga a competir por uma escola exclusivamente masculina lhes tenha toldado o discernimento, apesar de aquele ser o meu segundo ano de competições. Em todo o caso, depois daquele campeonato, Hogwarts e Durmstrang entraram em negociações sobre o meu futuro, como se eu fosse algum quadro valiosíssimo que eles queriam transportar de um museu para o outro.

O Director de Durmstrang era, desde que eu começara a frequentar o Instituto, o meu tutor. O meu pai, que era muggle e pobre, e não podia deixar a nossa casa e o seu trabalho para andar comigo de um lado para o outro, entregara a minha guarda ao Director. E ele agora usava e abusava desse papel, tratando-me como se eu fosse um simples objecto, uma moeda de transacção. Prometi a mim mesma, naquele momento, que não iria deixar aquilo continuar. E, realmente, não continuou, porque, no dia seguinte, o Director entregou todos os meus pertences e os papéis da minha transferência a Theodore Lupin, que vim a saber ser o responsável pela prática desportiva em Hogwarts.

Então, sem escolha, e sem sequer me poder despedir de Nikolai e Dragan em pessoa, fui imediatamente viver para Londres, num apartamento minúsculo junto ao Tamisa. Theodore era muito simpático e prestativo, e apesar de ser bem mais velho que eu, formámos uma sólida amizade. Ele aparecia de vez em quando para me levar a ver a cidade ou para irmos jantar a casa da avó dele. Mas, ainda assim, o verão que passei em Londres foi o pior da minha vida. Tinha saudades de Nikolai e Dragan, do meu pai e da minha ilha e, acima de tudo, da esgrima. Passei três meses sem pegar no meu florete. A única parte positiva foi que, já que completara dezoito anos em Outubro do ano anterior, pudera finalmente emancipar-me (na Rússia a maioridade era apenas atingida aos vinte e um), ou seja, a minha guarda passou apenas e unicamente a pertencer-me a mim. Nunca mais voltaria a ser moeda de troca. Mas é claro que os meus antigos tutores se tinham esquecido de me avisar que, em Inglaterra, os feiticeiros atingem maioridade aos dezassete e, portanto, tinham conseguido efectuar aquele último 'negócio' – que consistia na minha ida para Hogwarts.

O primeiro dia de Setembro chegou rapidamente. No entanto, às dez e cinquenta e cinco desse dia, Theodore ainda não aparecera para me vir buscar, embora eu tivesse a certeza de que ele me tinha dito que o Expresso de Hogwarts saía de Kings Cross pontualmente às onze. Começando a achar que talvez tivesse mesmo percebido mal, deixei-me ficar pelo apartamento. Eram já quase sete da tarde quando Ted se materializou na minha sala de estar/quarto/cozinha (sim, era mesmo minúsculo o apartamento!), pedindo imensas desculpas por se ter esquecido de mim (pois, porque ele apanhou o Expresso e só quando chegou a Hogwarts é que se deu conta que lhe faltava uma coisa: eu!).

Apetecia-me lançar-lhe algumas pragas em grego ou russo, mas não o fiz. Não conhecia mais ninguém naquele país e, para além de estimar a amizade que partilhava com ele, Theodore era a minha única ligação àquela nova escola. Por isso, limitei-me a suspirar resignada, a pegar nas minhas coisas e a agarrar-me ao braço dele que, com um sorriso, nos fez desmaterializar rapidamente para fora dali.


Durmstrang era uma toca de coelho comparado com a imponência e magnificência de Hogwarts. Quando passei as portas duplas que davam entrada para o castelo, não sabia para onde olhar primeiro: se para o mármore brilhante, se para a enorme escadaria, que parecia erguer-se até ao céu, se para o sem fim de quadros que embelezavam as paredes, ou se para o comité de fantasmas que acabara de passar à minha frente. Sim, porque o Instituto era completamente masculino. Não havia quadros, flores, as paredes eram escuras e as lareiras só se acendiam para algumas aulas. E quanto aos fantasmas? Pois é, aqueles eram os primeiros que eu via na minha vida.

- Sempre atrasado, Teddy! – exclamou um, deixando-se ficar para trás, deixando-me de olhos arregalados e fazendo o meu acompanhante rir.

- Já me conhece, Sir Nicholas, não consigo evitar. – Ele tinha um aspecto bastante antigo. Medieval, talvez.

- E vejo que desta vez arrastaste alguém inocente contigo. – continuou o fantasma, desta feita olhando para mim.

- É verdade. Sir Nicholas, apresento-lhe Kyrianne Argyris, uma nova aluna, transferida de Durmstrang. Kyri, este é Sir Nicholas de Mimsy-Porpington, fantasma da Equipa dos Gryffindor.

- Ah, a campeã! – afirmou ele, sorrindo. – Não cessas de me surpreender, Teddy.

- Muito prazer. – respondi eu, num inglês sem falhas (modéstia à parte). Muito prazer? Por Zeus, eu estava a dizer muito prazer a um fantasma?

- Já serviram o jantar, Sir Nick?

- Penso que ainda estão na selecção.

- Pode então, por favor, avisar a professora McGonagall de que já voltei?

- Mas é claro. – voltou o seu olhar sorridente para mim. – Espero vê-la na minha equipa, Miss Argyris.

- Obrigada. – retorqui, sorrindo de volta e vendo-o desaparecer na parede.

- Pronta? Lembras-te de tudo o que falámos? – assenti. – Óptimo. Então eu… - ele hesitou em continuar, olhando-me de alto a baixo. – Porque é que não vestiste o uniforme que eu te dei? – revirei os olhos. Aquilo era tão típico dele.

- Não me deste nenhum uniforme, Ted.

- Não?

- Não. – ele passou as mãos pelos cabelos que, naquele momento, eram castanhos escuros.

- Mas dei-te os livros, certo? – perguntou, a medo.

- Também não. Mas isso eu presumi que fosse necessário, portanto fiz umas viagens pela Diagon-Al e comprei-os a todos. – ele soltou o ar, aliviado.

- Perfeito. E o teu material de esgrima? – olhei-o, de sobrancelha erguida.

- Por Zeus, Theodore, entregaste-o há dois minutos àquele vigilante seboso. Já pensaste em começar a fazer listas ou arranjar uma agenda?

- Diz-se 'por Merlin', Kyri. E não, normalmente a Victoire lembra-me do que tenho de fazer.

- Prefiro manter-me fiel à minha cultura, obrigada. Mas e quando a Victoire vai para fora, como é o caso? Não achas que deverias manter a tua vida – e a minha, por extensão – minimamente organizadas? – insisti, cruzando os braços. Ele sorriu e olhou-me.

- Agora que estás aqui, serás tu a minha agenda. Vai ficar tudo bem, suponho eu.

- Sou uma atleta de alta competição, Theodore, não a tua moça de recados. – ele encolheu os ombros.

- Eu sei, mas não me podes dar nem uma ajudinha? E não me chames Theodore. – suspirei.

- Depende do talento que tiveres para me treinar.

- Então prepara-te para te tornares minha escrava. – comentou ele, rindo.

- Veremos.

- Teddy, a professora McGonagall pediu que seguisses para o salão. A selecção dos primeiros anos já acabou.

- Obrigado, Sir Nicholas. – fez uma pausa, deixando o fantasma desaparecer de vista. - Vamos? – acrescentou, olhando para mim. Suspirei.

- Tenho alguma escolha?

- Só espero que a McGonagall não me mate por vires vestida assim.

'Assim como?', pensei. Até achava que estava bastante bem. Usava as minhas calças castanhas justas e enfiara-as para dentro das botas negras até ao joelho; levava uma camisola de gola alta também castanha e o colete magenta de pele de dragão, com pêlo na gola e com o símbolo de Durmstrang ao peito. O meu cabelo estava finalmente como o meu pai gostava de o ver: solto, brilhante e emoldurando-me a face pálida (eu costumava ser bastante bronzeada, mas os ares do norte…) e levemente sardenta (produto das horas infinitas que passava nas praias da minha ilha) e os olhos azuis, da mesma cor do mar que eu via da janela do quarto do meu pai, e do qual morria de saudades.

Afastando a aparente crítica de Ted à minha indumentária da minha mente, comecei a segui-lo em direcção ao salão. O silêncio reinava. As minhas botas a calcar o mármore polido era o único som audível. Um arrepio percorreu-me a espinha, tal como acontecia sempre que me sentia nervosa. Evitando o impulso de roer as unhas (um mau hábito que eu estava a tentar há algum tempo controlar), coloquei as mãos nos bolsos e olhei o chão, organizando as ideias por um momento.

Há anos que eu sabia que era feiticeira, claro, e há anos que tinha noção que, eventualmente teria de me mudar para um mundo onde as pessoas como eu viviam. Mas a verdade é que, na altura em que me contaram sobre a minha verdadeira natureza, só me explicaram o básico. E depois desse momento, voltei à vida normal – de muggle – que sempre levara, sentindo-me exactamente como dantes e sem sequer demonstrar qualquer outro sinal de magia; depois desse momento, nunca mais foi mencionado absolutamente nada sobre o meu futuro como feiticeira, e eu também não pensei nisso, já que nem sequer me encarava como uma.

E apesar de todos os conhecimentos (práticos!) que adquirira no Instituto e de tudo aquilo que Ted me explicara sobre a história da feitiçaria durante o Verão, ali estava eu, em Hogwarts, num castelo descomunal, com muitos mais alunos que Durmstrang - e que, com certeza, possuíam culturas e tradições muito diferentes das minhas -, vestida de uma maneira que, aparentemente, não era a correcta, e sabendo tão pouco sobre o mundo mágico.

- Respira, Kyri. Vai correr tudo bem. – disse Theodore, de repente, olhando para mim por cima do ombro com o seu típico sorriso traquina na face.

- Eu sei. Não é como se ainda não tivesse passado por isto. – respondi, parando a seu lado, perto de uma porta dupla que se encontrava aberta.

- Então não preciso de perguntar se estás pronta.

- Vamos apenas despachar isto, sim?

Ele riu e avançou para dentro do salão. Segui atrás dele, engolindo em seco. Assim que uma feiticeira idosa – que eu presumi que fosse a Directora – nos avistou, começou a falar numa voz séria e calma que se propagou pelo salão cheio de alunos, que olhavam espantados para mim (ou talvez fosse para Theodore. Digamos apenas que, naquele momento, o seu cabelo já não era completamente castanho escuro).

- Para além dos nossos novos primeiranistas, este ano daremos também as boas vindas a uma amiga do Norte, que ficará connosco até concluir a sua educação mágica. – disse ela, enquanto eu e Ted caminhávamos na sua direcção por entre as mesas. – Com certeza que muitos de vós a reconhecerão, pois foi uma das atletas que competiu por Durmstrang nas Olimpíadas Interescolares há apenas alguns meses atrás.

Feita esta referência, os meus futuros colegas olharam para mim com os olhos ainda mais arregalados e começaram a cochichar sonoramente entre si. Fantástico. Realmente era o que mais me faltava. Nem a minha entrada em Durmstrang, onde havia uma centena de rapazes a olhar embasbacados para mim, tinha sido tão espantosa. Estava mesmo a imaginar como iriam ser as minhas primeiras semanas por ali.

- Kyrianne Argyris! – chamou a feiticeira, mais alto, quando eu e Ted parámos um par de metros à frente do estrado onde ela se encontrava, ladeada por um banco que tinha sobre ele um chapéu velho e esfarrapado.

Tendo já Theodore me explicado o que era suposto eu fazer quando ela me chamasse, avancei uns passos, tirei as mãos dos bolsos e sentei-me, deixando que a feiticeira me colocasse o chapéu na cabeça.

- Hum…definitivamente, não pode ser Slytherin. – disse uma voz sobre os meus cabelos. – Talvez Ravenclaw, vejo aqui muita...

Enquanto ele se decidia sobre que equipa iria ser a minha nova família, coloquei as mãos nos joelhos e olhei à volta do salão, dando-me conta da beleza das centenas de candeias que iluminavam a divisão e dos estandartes pendurados no tecto, por cima de cada mesa, com os brasões das quatro equipas. Observando depois os meus colegas, reparei que todos eles tinham os seus olhos postos no chapéu, aguardando ansiosamente a sua decisão. Todos excepto dois rapazes, que se encontravam sentados em mesas opostas.

À minha direita, na mesa dos que ostentavam o símbolo verde e prata, sentado perto do final da mesa mas ligeiramente afastado dos outros alunos, um rapaz pálido, de nariz direito e cabelos loiros, fitava serenamente o seu prato, de braços cruzados em cima da mesa e sem qualquer expressão na sua face que, de onde eu estava sentada, parecia perfeita. Deixei o meu olhar pousar nele por alguns momentos, mas depois voltei-o para a mesa no extremo oposto da sala, onde se encontrava a antiga equipa de Ted, os Gryffindor. O outro rapaz, diferente em tudo do anterior – cabelos negros despenteados e, parecia-me, bastante bem constituído -, escrevia qualquer coisa apressadamente com um bonito sorriso a bailar-lhe no rosto.

Fiquei curiosa para saber a identidade daqueles dois rapazes que pareciam não se importar absolutamente nada com o meu status de 'pseudo-celebridade' (obviamente não criado por mim, mas sim pelos meus antigos tutores).

- Ainda estás connosco, Kyrianne? – exclamou a voz grave do chapéu, fazendo-me retomar a atenção na realidade. – Não creio que tenhas ouvido sequer uma palavra das minhas deliberações.

- Se foram apenas deliberações, com certeza que não perdi nada de importante. – respondi, sorrindo, ouvindo depois Theodore gargalhar baixinho. O chapéu fungou e fez um som de clara desaprovação.

- Talvez queiras prestar atenção à minha decisão, então.

- Sou toda ouvidos.

- HUFFLEPUFF!


N/A: I'm back 8D espero que gostem desta fic tanto quanto gostaram das outras duas. É completamente diferente e demorou-me apenas dois meses a escrever, mas acho que está bastante boa e digna de estar aqui postada. Mas vou esperar pelas vossas opiniões, claro :p

A fic está totalmente terminada mas vou deixar o status como 'in progress' porque a partir da próxima semana tenho o Rock in Rio (JOHN MAYER! IVETE! SHAKIRA! IUUUUUUUPIIII!) e o estudo para os exames de Junho, e não sei quando vou ter tempo de vir aqui postar. Se eu estiver mesmo a demorar muito, enviem-me reviews ou mails ou pm a pedir postagem que eu dou aqui um salto, mesmo estando ocupada (:

Reviews, babes! Primeiras impressões, opiniões, críticas, sugestões. I need to know what you think :D

Love,
~Nalamin