Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 2 - The Fellowship of the Ring

Túneis. A sério. Pequenos túneis que acabam em portas redondas e que dão acesso a quartos ainda mais redondos. Juro que pensei que estava a entrar na casa de um hobbit. Por Zeus, esperava a qualquer momento que o Frodo aparecesse por ali a gritar que tinha destruído o anel.

- Um hobbit? O que é isso? – perguntou Theodore, enquanto me escoltava até à camarata que eu ia dividir com mais quatro raparigas perto de dois anos mais novas que eu. Revirei os olhos.

- Esquece, é uma coisa muggle. Não entenderias.

- Nunca vi nenhum feiticeiro descendente de muggles que, depois de seis anos de educação mágica, ainda está tão em contacto com o seu lado não-mágico. – disse ele, abanando a cabeça.

- Lá porque consigo fazer umas peripécias com um pauzinho, não significa que quero perder aquilo que sempre fui antes de isso acontecer. – argumentei, colocando as mãos nos bolsos.

- Mas tu não és a mesma pessoa. Agora, e desde há seis anos, és feiticeira. – olhei-o, entediada.

- Isso não mudou absolutamente nada em mim.

- Impossível. – encolhi os ombros.

- Talvez para ti. – ele riu.

- Não me digas que tens poderes especiais que andaste a esconder de todos até agora, Kyri.

- Nada disso. Mas parece-me que sou bem mais inteligente do que todos os feiticeiros descendentes de muggles que conheceste. E também menos impressionável. – ele franziu a sobrancelha e fez-me sinal para voltar à esquerda para outro túnel.

- O que é que queres dizer com isso?

- Quando soube que era feiticeira, a minha vida permaneceu igual. Não tive qualquer tipo de preparação para entrar no Instituto e não voltei a revelar qualquer sinal de magia. E depois de entrar na escola, encarei tudo o que lá aprendi como adições aos meus conhecimentos, e não substituições. Esta coisa da magia nunca me impressionou como imagino que tenha impressionado muitos outros na mesma posição que eu. – respondi, serenamente. Ele suspirou.

- Encaras tudo assim com essa atitude entediada e ligeiramente anti-feitiçaria? – sorri.

- A maior parte do tempo.

- És estranha.

- Obrigada, Theodore.

- Espero que isso não se manifeste nos treinos. – olhei-o, rindo.

- Vais descobrir que sou uma pessoa completamente diferente quando tenho um florete na mão.

- Terei razões para temer pela minha vida? – perguntou, parando à frente de uma porta castanha clara e começando a procurar qualquer coisa nos bolsos.

- Sem dúvida. – ele olhou-me, surpreendido. – É aqui? – acrescentei, olhando a porta e tentando não me rir da cara de assustado dele - como se eu, possuindo perfeito juízo, fosse capaz de fazer mal a uma mosca! Ele assentiu.

- Estou à procura da palavra passe. – continuou a remexer nos bolsos até encontrar um pedaço de pergaminho. – Aqui está. Texugo!

- Texugo? Estás a brincar? – inquiri, enquanto a porta se abria.

- Não sei se reparaste, mas é o símbolo da tua equipa. – suspirei e entrei no quarto.

- Fantástico. Posso ao menos escolher a minha cama?

Bom, a verdade é que eram todas iguais, não havia muitos critérios de desempate. Mas duas delas tinham pequenas janelas ao lado, de onde, naquele momento, se podia ver um pouco dos jardins das traseiras do castelo. Avancei aleatoriamente para uma delas e sentei-me, avaliando a maciez do colchão. Ali estava um ponto positivo: era definitivamente melhor do que a porcaria dura e tipicamente masculina onde eu me deitava todas as noites em Durmstrang.

- Não te esqueças que tens de usar a palavra passe para entrar aqui e na sala comum. – assenti. – E que o recolher é às dez.

- Eu sei. Mas, antes que te esqueças, onde é que está esse tal uniforme?

Com um sorriso maroto, Theodore avançou até ao fundo da minha cama e abriu uma pequena arca que lá se encontrava, tirando e colocando em cima da cama várias peças de roupa que eu analisei rapidamente. Pareciam-me bastante normais. Fora a gravata amarela (porquê amarelo, porquê?).

- Só não estão aqui sapatos, mas as tuas botas servem perfeitamente. E as tuas roupas e objectos pessoais estão no teu malão, debaixo da cama. – afirmou ele, sentando-se a meu lado.

- E os floretes e o fato? – questionei, olhando-o.

- Estão lá em cima na sala que usaremos para treinar. – suspirei.

- Está bem. Nesse caso, acho que me vou deitar. Onde é que tu dormes? Com certeza que não é numa destas camaratas sobrepovoadas. – Ele riu e levantou-se, dirigindo-se à porta.

- Porque é que queres saber? Planeias visitar-me durante a noite?

- Perguntaste se devias temer pela tua vida. Só te estou a dar um avanço para poderes fugir. – respondi, séria, levantando-me também e andando dois passos na sua direcção, vendo-o depois dar-me umas rápidas boas noites e sair do quarto apressado.

Rindo, comecei a procurar o meu pijama no malão. Apesar de não achar que tivesse qualquer jeito para a representação, pensei que aquela minha interpretação de Hannibal Lecter tinha sido digna de Óscar. Encontrando o pijama, comecei a gargalhar. Ocorrera-me de repente que nunca nenhum dos meus colegas iria partilhar a minha opinião (principalmente porque eu duvidava que algum deles soubesse o quem era Hannibal Lecter, e muito menos o que era um Óscar). Portanto…

Quem votaria em mim?


Primeiro minuto depois de acordar para o primeiro dia de aulas em Hogwarts:

Pensamento nº1 – Bom, ao menos aqui não começo a correr de calções, na neve, às seis da manhã.

Pensamento nº2 – Não sabia que era possível ser-se tão histérica pela manhã. Cala-te, rapariga, por Zeus.

Pensamento nº3 – Espero que não demorem muito na casa de banho. O meu cabelo tem o triplo do comprimento dos delas.

Pensamento nº4 – Qual é a minha primeira aula?

Décimo minuto depois de acordar para o primeiro dia de aulas em Hogwarts:

Pensamento nº 43 – História da Magia é a primeira aula de amanhã.

Pensamento nº 44 – Bom, já não era sem tempo.

Pensamento nº 45 – Bem, os olhos desse tal Scorpius devem ser mesmo fantásticos, para a Karen estar a saltar daquela maneira.

Pensamento nº 46 – Tenho saudades de Nikolai. E Dragan. Quem me dera que eles me viessem salvar.

Pensamento nº 47 – Pensando bem, talvez eu pudesse espadeirar o meu caminho para fora daqui.

Pensamento nº 48 – O problema é que existem feiticeiros bem mais dotados que eu que, com uma pirueta de varinha, me tiravam o florete e me faziam sabe-se lá o quê.

Pensamento nº 49 – Odeio magia.

Vigésimo quinto minuto depois de acordar para o primeiro dia de aulas em Hogwarts:

Pensamento nº 92 – Obrigado por terem usado toda a água quente, suas criaturazinhas histéricas.

Pensamento nº 93 – Onde é que eu pus as meias? Parece que o Theodore me está a pegar a falta de memória.

Pensamento nº 94 – Debaixo da almofada. Boa, Kyri.

Pensamento nº 95 – POR TODOS OS DEUSES DO OLIMPO!

Pensamento nº 96 – Isto não é uma saia! É uma abominação da natureza!

Pensamento nº 97 – A Victoire vai certamente odiar-me quando eu matar o Ted.

Pensamento nº 98 – Mas quem é que se importa? Nem sequer a conheço.

- Mr. Lupin, vais sofrer uma morte incrivelmente dolorosa…. – sibilei eu, de roupa interior, pegando na saia (pois sim) do uniforme e erguendo-a à frente dos meus olhos.

- Lupin? Referes-te a Teddy Lupin? – perguntou alguém, pondo a cabeça para fora da casa de banho.

- Quem mais poderia ser idiota ao ponto de se esquecer que já não tenho treze anos? – respondi, continuando a olhar irritada para a aquela peça de vestuário.

- Nós não temos treze anos. – exclamou outro alguém nas minhas costas.

- Realmente, ontem entraste com ele no salão. É ele que vai ser teu professor de esgrima? – perguntou a mesma cabeça fora da casa de banho. Desta vez levantei a cabeça e olhei para a rapariga que respondia pelo nome de Jennifer.

- Sim. – fiz uma pausa, suspirando. – Mas não por muito tempo. – acrescentei, mais baixo.

- Ele é tão lindo! – resignada, e ignorando as opiniões das minhas colegas sobre a beleza (efémera…) de Theodore, pousei a saia na cama e vesti rapidamente a camisa e o pulôver. – Não achas, Kyrianne?

- Ele está sempre a mudar de aparência, por isso, nem ligo. – respondi, sem olhar para quem me fizera a pergunta.

- Tu és mais velha que nós, certo? – tornou a questionar Jennifer, depois de uns momentos.

- Exacto. – ela sorriu e saiu da casa de banho, enrolada na toalha.

- E então…tu e o Teddy… - olhei-a, entediada, percebendo onde ela queria chegar.

– Isso seria errado, a muitos níveis. Ele tem a Victoire. Estão noivos ou algo do género. – voltei-me para a minha…pseudo-saia e vesti-a rapidamente, calçando as botas em seguida.

- Oh, é uma pena um homem como ele já estar comprometido. – comentou Karen, encostando-se ao poste da minha cama, enquanto eu avançava para o espelho e olhava para a minha imagem reflectida nele com algum desagrado.

- Uma pena é eu ter de sair para as aulas vestida assim. – consegui ver os olhares confusos delas através do espelho. – Já olharam bem para a falta de comprimento desta saia? Theodore deve ter-se enganado no número.

- Eu acho que estás muito bem. – elogiou Jennifer.

- Vais ter os rapazes todos a olhar para ti. – corroborou Karen. Oh, isso era óptimo. Perfeito! (conseguem sentir o sarcasmo, certo?)

- Quem me dera ter umas pernas como as tuas. – comentou outra rapariga, passando por nós três e saindo do quarto.

- Mas Kyrianne, tu estudaste em Durmstrang, com certeza estás habituada a ter um bando de rapazes a perseguir-te pelos corredores, não? – Ri-me, pondo os livros na mala.

- Só se estivessem muito desesperados para tirar alguma dúvida ou para me fazerem perguntas sobre os treinos. – elas olharam-me, chocada. – Eu era uma deles. Era tratada como qualquer rapaz. Até dormia numa camarata com um dos meus melhores amigos.

- Estás a dizer-me que nunca aconteceu nada entre ti e aqueles rapazes!

- É claro que aconteceu. Mas o que perguntaste foi se eu estava habituada a tê-los a perseguir-me pelos corredores, e não se me tinha envolvido com algum deles. – retorqui, ajeitando o cabelo ainda molhado e pegando na minha mochila. – Vou andando. Vemo-nos por aí.

Ah, a minha lógica irrefutável. A Dra. Brennan ficaria orgulhosa.


Depois de comer qualquer coisa rapidamente no salão, comecei a deambular por Hogwarts, procurando a sala de Encantamentos. Passados breves minutos, encontrava-me perdida. Eu estava habituada a um castelo mais quadrado, com quatro pisos direitos, e nada de escadas que mudavam de lugar conforme lhes apetecesse. Acabei por parar num corredor do segundo andar e sentei-me na base de uma armadura. No meu horário dizia que a aula era leccionada na sala 2E, que eu presumi que fosse naquele andar. Mas já dera três voltas ao local e não vira nenhuma sala com aquele nome.

- Perdida? – ecoou uma voz, à minha esquerda.

Uma rapariga alta e esguia, de cabelos ruivos encaracolados e olhos castanhos, olhava para mim com um sorriso. Ao peito ostentava o símbolo dos Ravenclaw e na mão trazia um saco tão cheio de livros em que, com certeza, ela tinha posto um encantamento para os tornar mais leves e poder carregá-los sem esforço.

- Nota-se muito? – ela riu.

- Um bocadinho. Para onde é que queres ir?

- Para a sala de Encantamentos.

- Ah, falhaste por pouco. Ala certa, andar errado. É no terceiro andar, mesmo por cima do sítio onde estamos agora. – ergui-me, suspirando. – Já vais um pouco atrasada, mas o velho Flitwick perdoa sempre.

- Ainda bem. Bom, obrigada. – afirmei, sorrindo.

- De nada. – respondeu ela, acenando e continuando o seu caminho.

Segui então na direcção que a rapariga me indicara e acabei por encontrar a sala que procurava já cheia de alunos. Olhei em volta em busca de um lugar livre, e vi Jennifer acenar na minha direcção. Avancei para o lugar a seu lado e, depois de lhe contar o motivo do meu ligeiro atraso, ela rapidamente se prontificou a acompanhar-me às restantes aulas do dia.

Portanto, depois de Encantamentos, seguiu-se DCAT, disciplina com a qual eu estava bem familiarizada e, depois do almoço – onde, tal como Jennifer e Karen tinham previsto, todos os elementos do sexo masculino pareciam nunca ter visto um par de pernas em toda a sua vida -, Transfiguração e Poções finalizaram o dia de aulas. Sim, porque enquanto os meus colegas iam para a sala comum relaxar um pouco antes do jantar, eu ia treinar com Theodore para o campo de Quidditch.

Passavam poucos minutos depois das cinco da tarde quando eu, muito feliz por poder tirar o uniforme, fui até à minha camarata e o troquei por umas calças de fato de treino, um sutiã de desporto e um casaco simples, só para não andar pelos corredores até aos campos meio despida. Apanhei o meu farto cabelo num rabo-de-cavalo, calcei os ténis e tornei a sair, rumando aos terrenos de Hogwarts.

Theodore esperava-me encostado a um dos postes que serviam de balizas, com as mãos atrás das costas. Naquele momento ostentava um cabelo encaracolado cor de mel, que lhe batia nas orelhas e ondulava com a brisa que corria. Parei por uns momentos, olhando para ele e para o cenário. Realmente, dava uma óptima fotografia. Já para não falar de que era digno da mais cara produção de Hollywood. Por Zeus, se os magnatas da indústria soubessem que havia tal coisa como a magia, nem quero imaginar o que seria.

Abanando a cabeça e afastando estes pensamentos, tornei a avançar para ele. Sabia que era Ted porque, por muito que ele mudasse a sua aparência, a cicatriz no seu antebraço esquerdo era permanente. Não sei se ele a mantinha de propósito ou se simplesmente não a conseguia tirar mas, fosse como fosse, era o que fazia de Ted ele mesmo e era a única maneira que eu tinha de o reconhecer sempre que ele mudava de aparência (o que acontecia todos os dias, praticamente).

- Nem acredito que não te esqueceste dos treinos, Theodore. – comentei eu, fazendo-o voltar-se e fixar-me com um sorriso. – Ah, olhos verdes? Hum, prefiro castanhos com esse tom de cabelo.

- Como queira, madame. – rapidamente os seus olhos mudaram para a cor que eu requisitara, fazendo-me rir. – E jamais me esqueceria de ti.

- Penso que ontem aconteceu precisamente isso, não foi? – ele cruzou os braços e fez um ar culpado.

- Ontem foi uma excepção. Mas agora deixa-te de conversas e começa a correr. Vinte voltas.

Fazendo uma breve continência, despi o casaco e acatei a sua ordem, começando a correr à volta do campo.


- Por Merlin, Kyrianne, o que é que se passa contigo!

Jennifer e Karen sabiam que eu tinha treinos, claro, portanto suponho que deviam saber que eu chegaria cansada ao jantar. O que elas não sabiam é que eu não treinava daquela maneira há três meses. Estava para lá de falecida. Não sentia as minhas pernas, mal conseguia mover os braços e a minha cabeça pesava tanto que tive de pousar a testa na mesa. Daí a pergunta de uma delas, que eu nem me dei ao trabalho de levantar a cabeça para responder.

- Theodore está a competir com os deuses para ver quem me mata primeiro. – Jennifer deu um risinho.

- Quem me dera que ele tentasse fazer isso a mim. – ri-me com gosto. Quem me dera presenciar essa cena.

- Achas que o podias apresentar a mim e a Jennifer? – virei a cabeça para a olhar, cansada.

- Planeias começar a fazer desporto?

- Bom, não.

- Então não vejo a relevância.

- Porque é que aquela Weasley esquisita está a olhar para nós, Karen? – inquiriu Jennifer, de repente.

- Sei lá. Conhece-la? - perguntou a outra, chocada.

- É claro que não!

Levantei a cabeça para ver a quem elas se referiam e deparei-me com a rapariga que me ajudara a encontrar a minha sala mais cedo naquele dia. Quando o meu olhar alcançou o dela, ela sorriu suavemente e acenou. Erguendo a minha mão direita – oh deus, as dores! -, acenei de volta. Parecendo satisfeita, a rapariga tornou a voltar-se para o seu jantar. Lembrei-me que talvez eu devesse fazer o mesmo e, por isso, comecei a servir-me de puré. Grandes quantidades de puré. Adoro puré.

- Kyrianne?

- Hum?

- Conheces a Weasley? – encolhi os ombros.

- É esse o nome dela?

- Chama-se Rose Weasley. Mas estás cá há menos de vinte e quatro horas, como é que te cruzaste com ela?

- Estava perdida e ela indicou-me a sala de encantamentos. – aquilo era mesmo um assunto assim tão importante para elas?

Suspirei, lembrando-me de repente de que a tranquilidade de que usufruía em Durmstrang acabara. Porquê? Simples. Em Hogwarts, há raparigas. Montes delas. E raparigas significam mexericos, panelinhas, grupinhos, ódios e dramas para os quais eu não possuo paciência. Não me irrita, mas são simplesmente chatos. Problemáticos, melhor dizendo. E eu ia estar demasiado cansada o tempo todo para sequer lhes dar importância. Por Zeus, tenho saudades de ter apenas testosterona à minha volta.

- Falaste-lhe!

- Creio que era requisito necessário se queria que ela me apontasse no caminho certo.

- Pelas barbas de Merlin! – exclamou Jennifer, totalmente em choque. Ahahaha, 'pelas barbas de Merlin'. Engraçado. Parece um grito de guerra. Era fantástico se no Braveheart, o Mel Gibson gritasse 'PELAS BARBAS DE MERLIN!' quando eles fossem atacar. - Isso pode destruir-te a reputação!

- Por completo! – completou Karen, num solidário (para com Jennifer) estado de também completo choque. Continuei a comer o meu puré como se aquela conversa estivesse realmente a fazer sentido.

- Não sei se repararam, mas eu tenho uma espada. Várias espadas, na verdade. Não me parece que falar com uma pessoa que, aparentemente, está mais abaixo na vossa lista, me vá causar algum dano. Não que eu me importe, de qualquer maneira.

- Como é que podes dizer uma coisa dessas? Reputação é tudo. Também ajuda quando saíres da escola, claro, mas aqui dentro é o mais importante!

- E ela não está mais abaixo na nossa lista. Está abaixo na lista de toda a gente excepto dos professores. – Ri.

- Ah, estou a ver. Isso significa que ela é mais inteligente que vocês as duas. Juntas, desconfio.

- Ela é uma sabe-tudo convencida, tal e qual a mãe dela. – Passei para as maçãs assadas. Caramba, comia-se mesmo bem naquela escola. E já agora, eu tinha acabado de lhes insultar a inteligência e não parecera surtir qualquer efeito. O que só comprovara que eu estava certa.

- Passaram sete anos desde que cheguei a Hogwarts e nunca a vi com ninguém, nenhum amigo humano. Só anda por aí com os seus preciosos livrinhos. Típica Ravenclaw.

Parei de comer e olhei para a rapariga. Estava sentada mesmo à minha frente, também perto do fim da mesa. Mas, realmente, ao contrário de mim, que tinha imensos alunos à minha volta, ela encontrava-se acompanhada, não de pessoas, mas de um fantasma gordo. Parecia-me um monge franciscano. Bendita professora Lena. Tornava qualquer porcaria histórica tremendamente interessante.

Fosse como fosse, não percebia porque é que ela estava sozinha. Parecera-me muito simpática e acabara de descobrir que era muito mais inteligente do que aquelas duas galinhas que cacarejavam aos meus ouvidos. Theodore explicara-me aquela coisa das equipas rivais mas, do que me lembrava, Hufflepuff dava-se bem com toda a gente. E por isso eram tidos como franganitos - ah, analogias animais! -, os alunos fracotes e sem habilidades especiais que os colocassem nas outras casas. Claro que para se ser Hufflepuff, segundo Ted, era preciso dar importância à honra, à amizade, ao fair-play e à justiça mas, por alguma razão idiota, isso nunca era mencionado quando alguém dizia 'sou Hufflepuff'. Por Zeus, apesar da comida boa, aquela escola era muito esquisita.

- O Theodore explicou-me que isto das Equipas às vezes causa rivalidades, mas não me lembro de ele ter dito alguma coisa sobre uma querela Hufflepuff – Ravenclaw. – disse, recomeçando a comer.

- Não há nenhuma. Eu até conheço muita gente dos Ravenclaw. Mas aquela Weasley…digamos que, ao contrário de nós, não é parte da elite.

- Exacto. Nem nunca vai ser. – corroborou Karen.

- Ela é simplesmente….esquisita. – Jennifer fez uma pausa e engoliu uma garfada minúscula de puré. – Não concordas, Kyrianne?

- Não tenho qualquer opinião sobre a rapariga, nem sequer a conheço. – disse eu, acabando de comer. – Meter-me nesses grupinhos é demasiado cansativo. Eu sou território neutro. Sou a Suíça! – elas olharam para mim, muito confusas.

- Suíça? Não vieste de Durmstrang? Que eu saiba, o Instituto fica na Rússia. – levantei-me, olhando para elas num misto de estupefacção e divertimento.

- Vocês deviam mesmo sair da vossa concha de elite e conhecer o mundo real.


N/A: Kudos para a Inês que me relembrou do Braveheart e que tem uns óculos que, na minha cabeça, vejo Rose Weasley a usar :p

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