Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 4 - Idiocracy

- Mas que infantilidade.

Foi o meu comentário perante a aparente estupidez de todos os presentes naquela sala de aula, incluindo Jennifer e Karen. E estupidez porquê, perguntam vocês. Simples. Rose tinha tido razão quando dissera que eu iria poder ver com os meus próprios olhos aquilo que as minhas colegas me tinham contado: assim que ela entrou na sala, os presentes lançaram-lhe olhares de profunda repugnância – que eu tomei como sendo, obviamente, de inveja – e começaram imediatamente a verbalizar, num tom quase gritado, criativos e inusitados insultos, sendo que alguns deles foram seguidos por feitiços pouco educados que, não fosse Rose ser uma feiticeira inteligentíssima e exemplar, lhe tinham com certeza criado, no mínimo, algum desconforto e sem dúvida muita humilhação.

Perplexa com aquelas atitudes, entrei também na sala, avancei para a mesa de Rose e sentei-me calmamente a seu lado, o que despoletou mais uma série de comentários inapropriados. Por Zeus, se eu ao menos tivesse pachorra o suficiente para me importar com aquele tipo de coisas!

- Isto vai, provavelmente, destruir-te a reputação. – comentou Rose, tirando os livros da mala. Ri-me.

- Qual reputação? Acabei de chegar a Hogwarts. Dificilmente possuo uma coisa dessas. Além disso, parece-me ser algo bastante desagradável. – respondi, desapertando ligeiramente a gravata. Caramba, estava mesmo calor. Ora, eu vivera no Norte durante anos, ok? Não me censurem.

- És campeã, Kyrianne. Isso traz consigo uma data de regras que, supostamente, deverias respeitar.

- Na verdade, Rose, sou tricampeã. E, tal como Theodore também te poderá dizer, regras nunca foram o meu forte. Excepto quando compito. Dado que não estou a fazer isso no momento, escolho simplesmente ignorá-las. – retorqui, com um sorriso, no momento em que o Casper entrou na sala.

Quarenta minutos passados, reparei que eu e Rose éramos as únicas a prestar atenção ao fantasminha. O resto dos alunos parecia estar numa espécie de transe afásico, completamente a leste de tudo o que estivesse a acontecer naquela realidade que eu presenciava. Não percebi realmente porquê, porque eu até estava a achar aquela disciplina bastante interessante. Mas já começava a habituar-me a não perceber muitas coisas no que dizia respeito aos alunos daquela escola.

O toque para a saída acordou a maior parte das pessoas, mas alguns ainda precisaram de uns abanões dos colegas para se libertarem da apatia em que tinham estado mergulhados na última hora. Se eu achava estranho ver Nikolai salivar por uma sandes de doce de pêssego com cereais (reparem, o doce não continha os cereais. Ele barrava o pão e depois colocava os cereais lá dentro, como se fossem fiambre ou queijo), era porque ainda não tinha chegado a Hogwarts.

- Vemo-nos mais tarde? – disse Rose, arrumando rapidamente as suas penas.

- Não vens almoçar? – ela abanou a cabeça.

- Tenho Poções.

- Bom, então até logo.

Acenando levemente, peguei na minha mala e saí da sala, apertando de novo a gravata. Vá, eu já andava por ali sem capa e pulôver, não queria pisar ainda mais os calos da Directora. Continuei o meu caminho até ao salão, que achei bastante facilmente. Não me tinha sentado nem há dois segundos na minha mesa quando Jennifer e Karen me ladearam e me começaram a bombardear com perguntas (idiotas).

- Vais explicar-nos?

- Porque é que chegaste à sala com a Weasley?

- Não, porque é que te sentaste ao pé dela?

- Ela fez-te um feitiço ou algo do género?

- E quanto a Teddy, o que é que ele te disse quando viemos embora?

- Falou de nós?

- Ele sabe quem nós somos?

- É claro que não, Karen. Se soubesse, com certeza que já tinha deixado aquela namoradinha dele. – Aquilo só podia ser piada. Aquela rapariga sonhava demasiado alto.

- Mas e então, Kyrianne? Responde!

- Vejamos se eu me lembro bem da ordem das vossas perguntas. – respondi, suspirando e começando a servir-me. – Cheguei à sala com Rose porque passei a manhã com ela, na biblioteca. Sentei-me ao pé dela porque aprecio a sua companhia. Não, ela não me fez qualquer feitiço. Theodore não falou de vocês e o que ele me disse não é, de todo, da vossa conta. Não que aquilo que fiz ou deixei de fazer com Rose seja, mas enfim. Devo estar num humor muito generoso para partilhar estas informações convosco.

- Porque raio passaste tu a manhã com aquela zé-ninguém?

- Aprecias a companhia dela? Tomaste alguma poção esquisita do Sluggy, Kyrianne?

- Não, Jennifer, não tomei absolutamente nada. A tua insipiência deixa-me absolutamente embasbacada.

- Insipiência? – revirei os olhos.

- Santa ignorância….

- Ignorância santa? O que é isso? – Insurgiu-se Karen, juntinho ao meu ouvido esquerdo.

Vou confessar uma coisa. Eu posso achar muitas, muitas coisas idiotas, irrelevantes, insípidas, pouco estimulantes ou seja o que for, mas nenhuma dessas coisas me irrita. São problemáticas e, por isso, tendo a não me preocupar sequer. No entanto, apesar do meu tédio, sou como qualquer outra pessoa, e existem coisas que me tocam os nervos de uma maneira mais intensa. São poucas, é certo, mas estão lá. E aquela voz de Karen a ecoar no meu tímpano fez-me perceber que havia mais um par de coisas que se lhes iam juntar em breve.

- Não te choca que a minha língua materna, o grego, e a minha segunda língua, o russo, possuam alfabetos, estruturas frásicas, sujeitos, predicados e tudo isso completamente diferentes do inglês e, ainda assim, eu conseguir falar a língua melhor que tu?

- Não tentes fugir à questão, Kyrianne! Estávamos a falar de ti e daquela Weasley. – Olhei-a, agora já levemente irritada.

- Então, Jennifer, aqui está o que precisas de saber: a minha vida não te diz respeito. Sugiro que te reduzas à tua – olhei-a de alto a baixo – inqualificável insignificância e te concentres apenas na tua vida. – ela fitou-me, indignada.

- Bom, desculpa por me preocupar com a tua reputação! – revirei os olhos, o nível de irritação a aumentar.

- Essa palavra é alguma espécie de lema desta escola, não? – Eu por acaso morri e acabei no filme Mean Girls? Por Zeus, a Lindsey Lohan possuiu o corpo de Jennifer?

- Não, o lema desta escola é draco dormiens nunquam titilandus! – exclamou Karen, de novo demasiado perto do meu ouvido.

- Irónico, no mínimo.

- Ainda não disseste o que é que Teddy falou contigo. – interrompeu Jennifer.

- Já te respondi a isso. Mas dado que a tua velocidade de processamento de informação parece ser a de um Pentium 5, eu repito: não tens nada com isso.

- Pentium 5? – inquiriu Karen, confusa.

- Isso quer dizer que ele falou contigo sobre nós, não foi?

- Que dedução mais estúpida, Jennifer.

- Ah, e essas negações todas só me dão razão! – engoli o último pedaço do meu bife, tirei uma maçã da taça mais perto e olhei irritadíssima para aquela energúmena a meu lado.

- Jennifer, quero dizer-te duas coisas: a primeira, é que tanto a estupidez como a minha paciência têm limites, e tu já ultrapassaste ambos. A segunda é que, como já te disse antes, eu tenho muitas espadas afiadas que sei usar terrivelmente bem. – ela olhou-me, assustada. – Portanto, sugiro que, se tornares a falar comigo, tenhas sempre isso em mente.

E dito isto, levantei-me rapidamente da mesa e saí do salão, sentido a falta de Nikolai e Dragan mais do que nunca.


Tal como prometera a mim mesma que faria, quarenta e cinco minutos antes dos meus treinos com Ted e já vestida com o meu habitual sutiã de desporto, calças largas e casaco de algodão, segui para o campo de Quidditch, disposta a curtir os últimos raios de sol daquela invulgarmente quente tarde de Setembro.

Deparei-me com o recinto vazio quando lá cheguei, o que me deixou satisfeita. Avancei até aos postes mais perto, onde deixei os meus ténis. Descalça, caminhei um pouco mais para adiante, afastando-me das sombras gigantes daquelas balizas. Quando achei um sítio satisfatório, despi o casaco, pousei-o na relva e deitei-me em cima dele, sentindo quase imediatamente o sol beijar cada centímetro do meu corpo. A minha barriga destapada aquecia suavemente, fazendo-me sorrir. A sensação lembrava-me as praias gregas, de areias brancas e águas tão azuis quanto os meus olhos.

Tinha tantas saudades de casa! Não via o meu pai há mais de um ano. Também nada sabia de Chryssa ou Kostas. Escrever-lhes era possível, mas complicado. Eles não se entendiam com toda a logística das corujas e eu desconfiava que havia muito poucas pessoas na cidade que sabiam que eu era feiticeira. Quanto a Nikolai e Dragan, as notícias eram poucas e espaçadas. As cartas que chegavam de ambos eram curtas e pouco informativas.

Suspirei. Eu podia não ter mudado nada depois de descobrir que era feiticeira, mas o mundo à minha volta alterara-se por completo, transformara-se em algo que, salvo raras excepções, não me agradava nada. Talvez por isso me tenha agarrado à esgrima com unhas e dentes. Talvez ainda me sentisse uma estranha naquele mundo de poções e feitiços, e queria manter viva a única coisa que me ligava ao meu antigo Eu, aquele que não era nada daquilo que tinham feito de mim.


- Quem é aquela?

- Quem, James?

- Olha ali, no campo. Está uma rapariga ali deitada. E com bastante pele à mostra, parece-me. – O outro voltou o olhar na direcção que James indicara.

- Acho que é a miúda nova, de Durmstrang. A campeã de esgrima.

- Ela é da nossa equipa?

- Não a viste a ser seleccionada? – James encolheu os ombros.

- Estava ocupado.

- É Hufflepuff.

- Então o que é que está aqui a fazer? – o outro franziu o sobrolho.

- Em que mundo é que vives, James? Teddy é o treinador dela, obviamente.

- E ela é bonita? Não consigo ver daqui. – comentou, semicerrando os olhos.

- É. Cabelos escuros, olhos azuis, lábios cheios, algumas sardas. E com certeza consegues inferir tu próprio sobre as suas curvas.

- Sem dúvida, caro Hugo. Sem dúvida.


Deixei-me ficar assim quieta, só curtindo o sol, imaginando-me numa das praias mais sossegadas da minha ilha. Mas, subitamente, deixei de sentir o calor na minha pele. Abri os olhos para me deparar com Theodore fazendo-me sombra, com um sorriso divertido no rosto e os meus ténis na mão.

- Saudades de casa? – suspirei e ergui-me parcialmente, apoiando-me nos cotovelos.

- Nada que não seja controlável.

- Então podemos começar a treinar? – disse ele, abanando o meu par de sapatos.

Sorrindo, trocista, puxei as minhas calças até aos joelhos e depois estendi a minha perna direita, pousando o pé na coxa dele. Ele fitou-me, claramente espantado.

- Calça-me o sapatinho, Teddy. – disse eu, num tom meloso. Ele sorriu, maroto.

- Não és a Cinderela, Kyri. – abri a boca, fingindo espanto.

- Theodore, andaste a ler livros muggles! Trabalhando para o aumento da cultura?

- Não, é apenas para não fazer figura de idiota à tua frente. – ri-me.

- Não sabia que era assim tão importante não revelares a tua verdadeira natureza na minha presença, Ted.


- Pelas barbas de Merlin, o que é que está a acontecer ali! Será que eles…

- Estás louco? Teddy nunca faria isso a Victoire! Além disso, ela é muito nova para ele.

- Bom, visto deste ângulo, eu arriscava-me a dizer que faria. Ela está bastante mais nua do que as raparigas que vemos a todas as horas, é muito mais bonita que metade da população feminina de Hogwarts e não é assim tão mais nova de que Teddy.

- Como assim, Hugo? Que idade é que ela tem?

- Creio que é perto de dois anos mais velha que tu. Entrou mais tarde na escola por causa das competições. – acrescentou, vendo o ar de confuso de James.

- Não posso dizer que a prejudicou.

- De maneira absolutamente nenhuma.


- Tudo para te manter motivada, Kyri. – respondeu ele, suspirando e começando a calçar-me o ténis.

- Pergunto-me se tens todos estes cuidados com os teus outros alunos. – comentei, sorrindo ao vê-lo corar ligeiramente.

- Não, nem todos se conseguem armar em princesa como tu.

- Ora, porquê? Não são tão bonitos quanto eu? – ele riu.

- O facto de seres linda não te faz parecida com uma princesa. – respondeu ele, fazendo sinal para que eu erguesse a outra perna. – Aliás, acho que de princesa não tens rigorosamente nada.

- Já tu pareces-te imenso com a madrasta má. – retorqui, obedecendo. Ele olhou-me, traquina.

- Não me tentes.


- Vou pedir a Teddy para fazer o aquecimento com ela.

- Achas que ele vai na tua conversa? – James sorriu, maroto.

- Ora, é um simples e inocente aquecimento. O que é que de mal pode acontecer enquanto corremos?

- Queres mesmo que te responda, James?

- Vais ser sincero?

- Obviamente.

- Então não.


- Tenho de admitir que era um look que gostava que experimentasses. Principalmente quando fôssemos jantar a casa de Andromeda. O que eu não daria para a ver esbofetear-te com o pano da cozinha. – afirmei, levantando-me e começando a atar o cabelo num rabo de cavalo.

- Incrível como encontras prazer e diversão em cenas de violência que envolvem a minha pessoa. – comentou ele, abanando a cabeça.

- É a minha maneira de demonstrar carinho. – gracejei.

- Sabes qual é a minha? Vinte voltas em oito minutos.

- Cheira-me a desafio! Posso participar? - ecoou uma voz atrás de mim.

Voltei-me para me deparar com o outro rapaz que me fitara na noite anterior. Bem, ele era muito mais bonito visto de perto. Era dono de um dos sorrisos mais bonitos que eu já vira em toda a minha vida e de uns magníficos orbes verdes. E olhava para mim com tal intensidade que parecia estar a contar o número de pestanas que eu possuía.

- James, eu vou treinar com vocês daqui a uma hora. – respondeu Ted.

- Bom, não consegui esperar. Não me vais apresentar à tua nova aluna? – ele suspirou.

- James, Kyrianne Argyris. Kyri, James… - revirei os olhos, entediada.

- Deixa-me adivinhar: James, o primo que te fez a cicatriz no antebraço. – ele olhou-me espantado com os meus poderes de adivinhação.

- Como é que sabias? – suspirei.

- Isto está a tornar-se um fenómeno recorrente. – suspirei. – Vinte voltas, disseste tu?

- Sim, podes começar.

Assenti e comecei a correr velozmente à volta do campo. Tinha acabado a minha segunda volta quando ele me alcançou e começou a correr a meu lado.

- Posso fazer-te companhia?

- Estás à vontade.

- Vais participar nas Olimpíadas, suponho. – disse ele, depois de umas voltas.

- Supões bem.

- Eu também. Sou o…

- Keeper dos Gryffindor. Eu sei. – ele sorriu, convencido.

- Andaste a investigar-me?

- Óbvio que não. A Rose mencionou isso, hoje de manhã.

- Conheces a Rosie?

- Desde há algumas horas, sim.

- E o Teddy? – revirei os olhos.

- Como deves imaginar, conheço o Theodore há muito mais que umas horas. – ele riu.

- Não foi isso que quis dizer. Queria saber que tipo de relação tens com o Teddy. - olhei-o, entediada.

- Porque é que toda a gente nesta escola se interessa pela relação que mantenho ou não com o Theodore? Vocês começam seriamente a mexer com o meu sistema nervoso.

E não estando disposta a aturar mais perguntas idiotas, aumentei a velocidade e deixei James para trás.


N/A: Okay, em relação à referência ao Pentium 5: não faço a mais pequena ideia se o 5 e mais lento que o 3 ou seja o que for xD. Não percebo nada dessas coisas. A minha nerdgeekisse só serve mesmo para Harry Potter, Naruto e Rurouni Kenshin :o De qualquer forma, se estiver a cometer uma enorme gafe, avisem-me, sim?

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~Nalamin