Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 9 - Love Actually

- Ainda bem que voltaste, Kyri. Lamento muito pelo teu familiar. – disse Rose, na manhã seguinte à minha chegada a Hogwarts quando, depois do pequeno almoço, nos dirigíamos para a sala de História da Magia.

- Obrigada, Rosie.

- E lamento por não ter estado lá. – sorri.

- Não te preocupes, Theodore serviu para o gasto.

- Quem não ficou muito contente com a súbita vontade dele de fugir para outro país para ir ter contigo foi Victoire. – comentou, depois de um curto silêncio. Suspirei.

- Eu disse-lhe isso. E disse-lhe algumas vezes que deveria voltar.

- É claro que ele não te ia deixar sozinha, Kyri. – revirei os olhos. Porque raio assumiam eles que eu estaria sozinha? O facto de ser com relacionamentos não queria imediatamente dizer que eu não sabia formá-los de todo.

- Mas eu não estava sozinha. Estava em casa, com amigos e família.

- Mesmo assim, Ted queria ter a certeza de que não ficarias desamparada. – Assenti.

- Eu sei, e apreciei o gesto. – fiz uma pausa. - Mas então e tu? Como foram as tuas férias? – ela encolheu os ombros.

- Boas, o costume. Teddy disse-te que avisei Scorpius?

- Sim, obrigada por isso.

- Bom, a verdade é que eu queria falar contigo sobre esse assunto. – disse ela, meio a medo. Franzi o sobrolho, confusa.

- Sobre teres avisado Scorpius sobre o meu retorno tardio a Hogwarts?

- Sim. Não. Mais ou menos. – foi a resposta extremamente elucidativa que recebi.

- Terás de escolher uma das três, Rose. – ela suspirou, como se estivesse a ganhar coragem.

- Eu e Scorpius trocámos algumas cartas naquele dia, e temos falado bastante desde que chegámos a Hogwarts. – disse, rapidamente.

- Estou a ver. E isso é mau?

- Não, não, de maneira nenhuma. – ela olhou-me. – Quer dizer, se tu achas que é…

- Porque haveria de achar tal coisa? Acho óptimo que os meus amigos se dêem bem com os meus outros amigos.

- Achas que ele me vê como amiga? – inquiriu ela, desconsolada. Olhei-a, extremamente confusa.

- Como é que hei-de saber? Cheguei há dezasseis horas atrás, Rose, ainda não falei com Scorpius e descobri apenas há segundos que vocês se estão a dar bem. – fiz uma pausa, olhando-a com mais atenção. – Queres dizer-me o que se passa realmente?

- Prometes que não te zangas comigo? – suspirei, entediada.

- Eu raramente me zango.

- ! – respondeu, tão rápido que eu não percebi absolutamente nada.

- Desculpa? Creio que vais ter de repetir isso mais devagar, Rose. – ela suspirou, corando violentamente.

- Eu acho que posso estar a começar a gostar dele, Kyri. A sério. – fiz um esgar de compreensão.

- Percebo.

- Mas claro que, se tu gostares dele, eu me afasto imediatamente. – revirei os olhos. Via-se mesmo que Theodore e Rose eram aparentados.

- Rose, nós somos só amigos. Estás à vontade para o seduzir.

- A verdade é que também esperava que me ajudasses com isso. – ri. Aquela era, sem dúvida, a piada do dia.

- Eu? Como é que eu te posso ajudar com este tipo de coisa?

- Disseste que já te envolveste com alguns rapazes.

- Sim, mas de modo carnal. Nunca por gostar deles como tu aparentemente pensas gostar de Scorpius. Talvez Theodore fosse uma boa alternativa.

- Mas Ted é rapaz! Eu preciso de uma perspectiva feminina! – encolhi os ombros.

- Victoire, então?

- Tens de ser tu, Kyri. Preciso que sejas a minha consciência.

- Não me pareço com um grilo falante pois não? E acredito que o teu pai se chame Ronald, não Gepeto.

- Por favor, Kyrianne!

- Não estou a ver como é que tal coisa poderia funcionar. – ela riu, feliz.

- Teremos de ir improvisando a medida dos acontecimentos. – suspirei, concordando.

- Não me responsabilizo por qualquer dano que, inconscientemente, possa vir a causar.

- Estou disposta a aceitar essa condição. E Kyri…tens mesmo a certeza de que não sentes nada pelo Scorpius? Nada mais profundo que uma simples amizade, quero dizer.

- Sou fiel ao meu planeta, Rose. O meu coração pertence à esgrima.


- Rose pensa que pode estar apaixonada por ti. – disse eu, certa noite, perto de um mês depois de Rose me confessar que estava a gostar daquele meu amigo, enquanto tentávamos curar as nossas insónias na cozinha. Ele corou.

- O quê!

- Rose pensa que pode estar apaixonada por ti. – repeti.

- Tens a certeza? – inquiriu, céptico.

- Absoluta.

- Mas…foi ela que te pediu para dizer isso?

- Não. Até penso que ela desaprovaria esta minha acção. Mas pensei que se não fosse eu a dizer, ela nunca te diria e, por esta altura, ainda estaríamos a discutir os vários significados dos teus 'olás'. – respondi, encolhendo os ombros e mordendo uma maçã.

- E o que é que queres que faça em relação a essa informação?

- Simples: retribuis os seus sentimentos? – ele sorriu.

- Acho que sim.

- Também me pareceu. Nesse caso, convida-a para sair. Não há uma visita a Hogsmeade no fim-de-semana?

- Achas que devo?

- Não te posso responder a isso. Apenas tu sabes o que sentes. Eu só fiz uma sugestão para o caso de retribuíres os seus sentimentos. Se não o fazes, considera a minha sugestão nula. – ele riu.

- Essa é a tua maneira de dizer 'sim, acho que deves'?

- Não, é a minha maneira de dizer 'só tu e que podes decidir sobre actuar sobre a minha sugestão ou não'.

- Nesse caso, vou pedir-lhe para que me acompanhe a Hogsmeade. Mas posso pedir-te um favor?

- Obviamente.

- Se ela aceitar, importas-te de ir também? – franzi o sobrolho, confusa.

- Um encontro a três? - ele sorriu.

- Não, é claro que não. Mas era bom se pudesses estar por perto, para o caso das coisas correrem mal. – suspirei.

- Tudo bem. Só não percebo porque é que vocês me pedem a mim, logo a mim, ajuda neste tipo de coisas.

- Parece que és boa nisto.

- Não, não sou. Eu só chego e constato o óbvio. O óbvio. Significa que já lá estava antes de eu falar sobre ele.

- Bom, às vezes é tudo o que uma pessoa precisa: uma nova perspectiva. – ponderei por momentos sobre o que ele dissera, acabando a minha maçã. - E óbvia ou não, eu agradeço toda a ajuda que possas dispensar. A minha experiencia neste tipo de coisas é pouca ou nenhuma. – revirei os olhos.

- Como se a minha fosse muito maior.


- Ok, isto talvez tenha sido má ideia. Quer dizer, e se eu me apaixono mesmo por ele e ele não gosta de mim? – inquiriu Rose, enquanto despia a terceira camisola no espaço de um minuto.

- Nesse caso, procuras por outra pessoa que goste.

- Mas e se não houver outra pessoa?

- Nesse caso, compras meia dúzia de gatos.

- Não é altura para piadas, Kyrianne Argyris! – suspirei.

- Calça-te e vai-te embora, Rose. Scorpius está a espera.

- Tu não vens?

- Com vocês? Obvio que não.

- Não vais a Hogsmeade?

- Sim, Rose, vou a Hogsmeade. – respondi, pacientemente.

- Acompanhada? – perguntou, enquanto parecia ter-se finalmente decidido sobre a camisola a levar.

- James implorou-me para que não o deixasse sozinho no dia dos namorados e eu acedi ao seu pedido. – ela riu.

- E Teddy?

- Com Victoire, creio eu.

- Então achas que podias ficar por perto? Sabes, só para o caso de as coisas correrem horrivelmente mal.

- Ou espantosamente bem, tão bem que tenhas de vir ter comigo a correr para me informares que ele é o homem da tua vida. – Comentei sarcástica e dramaticamente. Mas Rose não se apercebeu disso.

- Achas que isso pode acontecer!

- Quem sabe? É um mistério!


- Olha ali, Theodore. – disse eu, depois de um momento de silêncio na nossa conversa, apontando para a janela do Três Vassouras que era visível da entrada do beco onde nos encontrávamos.

- O que é que é suposto eu estar a ver? – Sorri.

- Sabes, é como pornografia. Vais perceber quando vires. – ele olhou-me chocado, fazendo-me rir. – És realmente um puritano, Ted.

- Vou tomar isso como um elogio, Miss Argyris.

- Como queiras. – ele abanou a cabeça e voltou o seu olhar para o sítio que eu indicara no preciso momento em que Scorpius entregava uma rosa rubra a Rose, fazendo-a sorrir.

- Aquela é a Rose? Com o Malfoy?

- Exacto.

- Mas eu pensava que tu e ele…

- Não te disse que éramos só amigos? Não estava a mentir, Theodore.

- Bom, às vezes é difícil acreditar que uma mulher como tu não tem milhares de pretendentes a fazer fila à tua porta.

- Não percebo porquê. Sabes perfeitamente onde a minha porta se situa. Ninguém no seu perfeito juízo iria fazer fila à porta daquele apartamento miserável. – ele riu.

- Não era isso que queria dizer. Por falar em pretendentes, onde está James?

- Voltou há pouco para a rua principal. Não o ia obrigar a ficar a vigiar este encontro comigo, apesar de ele me ter garantido que seria uma honra.

- Sim, James é mesmo um cavalheiro. – comentou Ted, sarcástico. - Mas, de qualquer forma, como é que aquilo aconteceu? – perguntou, apontado para Rose e Scorpius, que agora pareciam dividir um pedaço de tarte de abóbora.

- Rose falou comigo sobre o que sentia sobre Scorpius, eu contei a Scorpius o que ela me dissera, ele afirmou que retribuía os seus sentimentos e eu sugeri que ele a convidasse para Hogsmeade. Convite que podes ver que ela aceitou. – ele sorriu e passou o braço esquerdo sobre os meus ombros.

- Isso foi muito bonito, Kyri.

- Ao contrário de Rose, eu posso sempre usar a minha reputação de campeã para este tipo de coisas. – ele puxou-me para mais perto.

- Como se tu fosses fazer uma coisa dessas. – encolhi os ombros.

- Se faço ou não, é irrelevante. Ela só precisa de ficar descansada sabendo que existe a possibilidade, e que por isso não me está a roubar nada, nenhuma oportunidade de, como ela diria, aproveitar o que ando a perder. Porque Rose, tal como tu, pensava que eu gostava de Scorpius. – fiz uma pausa, aquecendo as mãos enluvadas. – Ela está apaixonada, Theodore. Finalmente acha que encontrou alguém que a faz feliz. Não é pela minha falta de acção no campo dos relacionamentos que ela vai perder isso.

- Obrigado, Kyri. – olhei-o.

- Por quê?

- Por teres feito o que fizeste pela felicidade de Rose.

- Não foi, realmente, nada de mais.

- Ela teria feito o mesmo por ti.

- Eu sei. Mesmo que fosse uma paixão completamente desvairada, ou até um amor proibido, tenho a certeza que Rose faria tudo para que desse certo. – sorri. – Às vezes, é só isso que as pessoas precisam: um pequeno empurrão, uma nova perspectiva. – olhei-o. – Scorpius disse-me isso. – ele suspirou.

- Tens de parar de andar na companhia de génios como Rose e Scorpius, senão vais perceber o quão pouco inteligente eu sou.

- Oh, não te preocupes com isso.

- Devo atrever-me a perguntar porquê?

- Há muito tempo que me apercebi da tua falta de inteligência. – ele fechou a cara. Suspirei. – O que eu acabei de dizer é, enfim, verdade. No entanto, soou bastante mal. O que eu deveria ter dito era que eu realmente não me importo que sejas menos inteligente. Está melhor?

- Não. De maneira nenhuma.

- Bom, deixa-me tentar explicar. Existe a inteligência que Rose e Scorpius têm. E eu também, se quisermos deixar a modéstia de lado.

- É claro que deixamos.

- Mas existe outra qualidade, que é a capacidade de usar a inteligência. É isso que tu possuis, Theodore. – ele sorriu.

- Obrigado, Kyri.

- De nada. E, para que conste, não são apenas Scorpius e Rose que me ensinam coisas. Tu também o fazes. – ele fitou-me interrogativamente. – Assim que chegaste, fizeste-me compreender que, apesar de ter vivido na Rússia, onde mesmo com várias camadas de roupa o frio nos congela até os pêlos dos braços, não devo subestimar os Invernos ingleses e que, portanto, deveria ter trazido um gorro, porque já não sinto as minhas orelhas.

Rindo, Theodore tirou o seu gorro e enfiou-o na minha cabeça, tapando-me não só as orelhas como todo o resto da minha face.


N/A: Ando com uns horríveis bloqueios criativos. Já para não falar que ando a marrar Saramago e Sttau Monteiro para o exame de dia 16 -'. Portanto, quando esta fic acabar, não sei o que vai ser de mim. Não tenho nada para a substituir :o. Enfim, pode ser que entretanto tenha algum rasgo de genialidade 8D

Keep reading (:

Love,
~Nalamin