Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 11 - In the Mood For Love

Tal como ocorrera na volta anterior, a segunda ronda das Olimpíadas tinha sido agendada para pouco tempo antes das férias da Páscoa. Por isso, no dia em que os atletas de Hogwarts regressaram à escola vindos do sul de França, faltavam apenas três semanas para o começo oficial das ditas. Mas dessas três semanas, duas foram passadas a estudar que nem loucos para conseguir assimilar toda a matéria que tínhamos perdido para conseguirmos passar nos testes que se realizariam nos últimos cinco dias de aulas.

Claro que, para alguns de nós, ou devo dizer, para os vencedores, as coisas foram facilitadas. Testes foram mudados de dia e hora para que os pudéssemos realizar à vontade e sem pressões. Não era, de todo, justo, e não era o tipo de coisa com que eu costumava concordar, mas tenho de admitir que foi conveniente poder usufruir do meu estatuto de vencedora daquela volta para poder realizar calmamente as minhas avaliações porque, realmente, era imensa a matéria que tínhamos perdido. A única pessoa que, apesar de ter vencido, não se preocupou em usar a sua vantagem foi Rose que, provavelmente, já teria tudo estudado antes de partirmos para a Academia.

Por isso, quando o relógio bateu as cinco horas da tarde daquela última sexta-feira e os alunos do sétimo ano da minha equipa pousaram as penas e deram o teste de Feitiços como terminado, toda a gente respirou fundo. Por aquele período, acabara. No próximo teríamos exames e a formatura mas, por enquanto, pelas próximas duas semanas, só queríamos pensar em descanso e em ovos de chocolate.

Saí da sala sozinha e encontrei Rose à minha espera, sentada na base de uma armadura e que, quando me viu, se levantou rapidamente e sorriu.

- Tenho boas notícias. Mas primeiro, como é que te correu o teste?

- Bem. Era fácil. E que notícias são essas? – perguntei, caminhando a seu lado rumo ao salão.

- Vou ficar em Hogwarts nas férias da Páscoa. Os meus pais vão viajar e deram-me a escolher entre ficar com os meus tios ou ficar aqui. Como também vais ficar, decidi fazer-te companhia. – Ri.

- É querido da tua parte dizeres que ficas por minha causa quando ambas sabemos que Scorpius é o verdadeiro motivo dessa decisão. – Ela corou. – Como é que vão as coisas?

- Vão bem. Estáveis.

- Creio que a pronunciação dessa palavra foi feita com algum desagrado. – comentei.

- Bom, é que já saímos juntos há quase um mês e mal nos tocámos! – encolhi os ombros.

- Quando estás com alguém, não é a ginástica que importa. É quem tu és. São as tuas intenções e o quanto te importas com a outra pessoa. – respondi. Ela sorriu, divertida.

- Uau, isso foi profundo.

- Obrigada, mas estou apenas a parafrasear o que li num livro. De qualquer modo, se a situação não te agrada, podes sempre pregar-lhe um beijo. – ela olhou-me, chocada.

- Eu não seria capaz de fazer uma coisa dessas.

- Claro que serias. Se eu consegui, não vejo porque não conseguirias tu.

- Tu beijaste Scorpius! – ri.

- Óbvio que não. Estou só a dizer que já estive na mesma situação que tu e resolvi-a com um beijo.

- E resultou?

- Bom, se te estou a dizer que a resolvi é porque sim, resultou.

- E o que é que aconteceu depois? – Encolhi os ombros, enquanto descíamos as escadas até ao Hall.

- Dormimos juntos. Mas não te estou a mandar dormir com Scorpius, Rose. – acrescentei, rindo, temendo que ela interpretasse mal as minhas palavras. – Apenas apresentei a solução do beijo para o teu problema de estabilidade.

- Eu aprovo essa solução. – disse Scorpius, atrás de nós, fazendo-me voltar sorridente e Rose estacar num dos últimos degraus, de boca aberta.

- Ah, óptimo. Vês, Rose, Scorpius aprova a solução! – comentei eu, dramática, percebendo que era a minha deixa para sair rapidamente dali.

Desci então completamente as escadas e, no último olhar que dei para trás, vi Scorpius a contornar uma Rose tipo estátua, que olhava o chão com a face completamente em chamas, e falar-lhe calmamente. Querendo dar privacidade àquele futuro casal, entrei no salão e sentei-me na mesa dos Hufflepuff, apenas relaxando enquanto observava os meus colegas a conversar e a usufruir das primeiras horas de descanso em algum tempo.

A certa altura, um riso conhecido fez-me voltar o olhar para a entrada do salão. Theodore, avistando-me, caminhava na minha direcção, dando alguns olhares por cima do ombro e rindo levemente.

- Aquilo foi obra tua? – perguntou-me ele, sentando-se a meu lado. Percebi que ele se referia a Rose e a Scorpius.

- Foi inteiramente obra do destino.

- Estás a mentir. – Sorri.

- Estou a ser misteriosa. É isso que as mulheres fazem. – olhei-o. – Mas a que devo a tua companhia a esta hora, Theodore? Pensei que depois dos treinos de ontem tivesses voltado para casa, para a tua família. – ele encolheu os ombros.

- Decidi ficar por aqui nestas férias. Costumava fazê-lo quando andava na escola e tenho saudades. – Franzi o sobrolho.

- Isso não é possível. Tu estás em Hogwarts todos os dias, como é que podes ter saudades disto?

- Ok, talvez essa não seja a verdadeira razão.

- Vais dizer-ma, então? – ele fitou-me, preocupado.

- Acho que não queria que ficasses sozinha. Não vais a casa e, ainda para mais, Kostas morreu há apenas uns meses.

- Estás a dizer que ficas por minha causa? – ele assentiu, dando um sorriso leve. – É querido da tua parte, mas eu já não sou uma criança, como muito bem sabes. Posso cuidar de mim.

- Eu sei, Kyri. Mas amigos cuidam uns dos outros. – ponderei sobre isso durante os momentos.

- Muito bem, aceito esse argumento. Nesse caso, aceitas também que, para que isso seja possível, amigos devem ser verdadeiros e honestos uns com os outros? – a sua expressão ficou mais séria.

- Sim.

- E que devem dizer o que pensam, mesmo que isso magoe?

- Sim, se for dito com algum tacto.

- Sendo assim, deixa-me dizer-te que acho que devias voltar para casa.

- Porquê? A minha companhia não é agradável? – revirei os olhos.

- É claro que é, Theodore. Mas há outras pessoas que precisam mais da tua companhia que eu. Entre elas, Victoire. Rose contou-me que ela não ficou particularmente feliz quando foste a Anáfi no Ano Novo. O que é perfeitamente compreensível, claro. – ele suspirou.

- Não, não é. – fiquei confusa perante aquela refutação.

- Não é?

- Não.

- Bom, explicas-me porquê, por favor? Acabou de se tornar um caso muito fascinante para mim. – ele sorriu.

- Parece que te vou ensinar qualquer coisa.

- Parece que sim. – ele respirou fundo e baixou ligeiramente o tom de voz.

- Victoire não consegue aceitar que eu possa ter apenas amizades com pessoas do sexo feminino. – franzi o sobrolho.

- Porquê?

- Ciúmes, suponho.

- Mas ficar aqui não aumentaria a psicose dela? – Theodore lançou-me um olhar de censura quando proferi a palavra psicose. – Desculpa, era só uma maneira de ilustrar o meu ponto de vista.

- Talvez. Mas estou a ficar com cada vez menos paciência para os teatros dela.

- Theodore, há quase um ano na minha presença e nenhuma parte do meu tédio se passou para ti? Seria útil, neste caso.

- Poderia ser que por esta altura já se tivesse passado, se eu não tivesse visto a Ariel em Anáfi. – ri com gosto, ouvindo Theodore fazer uma referência muggle. – Ela é a verdadeira Kyri e é dela que me recordo quando penso em ti.

- Aquela Kyri é uma miúda de dez anos que ama o mar e o sonho de ser cavaleira mais do que qualquer coisa na vida. – refutei. - Não é a verdadeira Kyri. É aquilo que a verdadeira Kyri foi e gosta de se recordar quando volta a casa. E porque é que estamos a falar de mim na terceira pessoa?

- Seja como for, eu gosto daquela Kyri.

- Porquê? Porque ela mostra as pernas? – ele revirou os olhos.

- Porque é livre. Seja por mostrar as pernas ou por se poder dar ao luxo de ser ela mesma, não se importando minimamente com aquilo que os outros possam pensar.

- A Kyri de que falas é a mesma que tens ao teu lado. Com a excepção da parte das pernas, claro.

- Eu sei. – disse ele, suavemente, sorrindo.

- Mas se gostas mais da outra Kyri, tudo bem, eu compreendo. – respondi, fingindo indignação.

- Eu não disse que gostava mais daquela Kyri. Disse simplesmente que gostava dela. – retorquiu ele, endireitando-se na cadeira quando o jantar apareceu magicamente à nossa frente.

- Isso é apenas semântica. – ele riu, começando a servir-se.

- Sempre a mesma Kyri, com as suas palavras grandes e complicadas.

- Sempre o mesmo Theodore, a fazer comentários semelhantes ao último simplesmente porque não sabe o significado das palavras 'grandes e complicadas'.


Apesar de ainda estarmos no quarto mês do ano, a primavera revelava-se bastante quente e, por isso, eu e Theodore passávamos a maior parte do nosso tempo livre à beira do lago, onde estava substancialmente mais fresco. Rose e Scorpius passavam o mínimo de tempo connosco possível, apenas para que não pudéssemos dizer que eles não nos ligavam nenhuma. Ora, eu compreendia-os, claro. Nunca sentira, mas acho que até compreendia a paixão assolapada que eles tinham um pelo outro. Via-se nos olhos deles sempre que se fixavam ou se tocavam, ainda que muito suavemente. Eles transpiravam amor e era uma coisa tão magnificamente bela de se ver que, inconscientemente, comecei a desejá-la para mim.

Não que eu quisesse Scorpius, nada disso. Não era a pessoa que eu ambicionava. Era o sentimento, a sensação, o desejo de querer entregar-me por completo a uma pessoa. E não me refiro a sexo, porque isso eu já tinha feito mais do que uma vez. Mas, nesse caso, tinha sido apenas para saciar um ímpeto natural da espécie humana. Fora descomplicado, sem compromissos e não houvera qualquer tipo de ligação. No entanto, depois de observar Rose e Scorpius durante uns dias vivendo o seu amor puro e inocente, eu queria não só satisfazer as minhas necessidades físicas e carnais, como queria fazê-lo com alguém que conseguisse, ao mesmo tempo, tomar conta do que eu precisava emocionalmente.

A minha parte racional dizia-me que eu me estava a tornar uma sentimental, uma lamechas, que o amor era uma empreitada épica digna de D. Afonso Henriques, que a maior parte das pessoas falhava em completar. Quereria eu ser uma dessas pessoas? Quereria eu ser D. Afonso, que sem medo conquistara Portugal à espadeirada aos mouros, ou D. Sebastião, a quem a sua coragem imprudente levara à morte em tão tenra idade e deixara o país entregue aos espanhóis?

- Theodore... – chamei, olhando para ele, que se encontrava deitado a meu lado, de olhos fechados. – Sabes alguma coisa da história de Portugal? – ele riu.

- Não. – suspirei e olhei as nuvens.

- Tal como eu imaginava.

- Porque é que querias saber?

- Estava a pensar sobre isso.

- Sobre a história de Portugal? – inquiriu ele, incrédulo.

- Sobre dois reis desse país, para ser mais específica. – ele ergueu metade do seu corpo e apoiou a cabeça no braço direito, voltando-se para mim com o sobrolho franzido.

- E o que é que te levou a pensar tal coisa?

- O amor. – ele ficou ainda mais confuso.

- As tuas linhas de pensamento são extremamente fascinantes, Kyrianne.

- Obrigada. – ele suspirou.

- Vamos tentar outra abordagem: o que é que te levou a pensar em amor em primeiro lugar?

- Não é óbvio? Rose e Scorpius.

- Certo. Agora, elabora. – olhei-o.

- Estava a cogitar sobre o quão bonito é aquilo que eles partilham. E como seria agradável, um dia, eu poder ter algo semelhante com alguém. – ele sorriu. - Depois pensei que isso é uma coisa dificílima de encontrar, pelo menos ao nível que Rose e Scorpius aparentam. – o sorriso dele morreu. - Por isso, perguntei a mim mesma se quereria ser D. Afonso Henriques ou D. Sebastião, os tais reis de Portugal. – ele revirou os olhos.

- Porque é que complicas tudo, Kyri?

- Não estava a complicar. Foi a primeira metáfora que me veio à cabeça.

- É exactamente isso que quero dizer. Porque é que tens de usar metáforas e reis de Portugal para pensares sobre o que sentes? – encolhi os ombros.

- Acredito ser um processo bastante eficaz.

Ele deu um suspiro derrotado e voltou à sua posição original. Voltei o meu olhar de novo para o céu e considerei o que Theodore dissera. Dei-me conta que, quase desde que chegara a Inglaterra, aprendera a levar em conta quase tudo o que saía da boca de Theodore. Nem sempre pelos mesmos motivos mas, ainda assim, era um facto que a opinião dele era uma influência maioritária na maior parte das minhas decisões. Não tinha a certeza se gostava muito disso. Quer dizer, por vezes os comentários, sugestões ou conselhos de Theodore eram bastante correctos. Mas a ideia de, de alguma maneira, deixar outra pessoa pensar por mim punha-me algo nervosa.

Lembrei-me, então, que o amor consistia nisso mesmo: perder-se de tal forma na outra pessoa que se tornava una com ela, deixando de se poder distinguir, metaforicamente, um coração do outro, um cérebro do outro e, por conseguinte, um pensamento do outro. E se assim era, eu preferiria manter a minha liberdade de pensamento acima de qualquer outra coisa.

Ergui-me e caminhei até ao lago, entrando nele até a água me bater nos joelhos nus. Theodore rapidamente se me juntou e passou o braço direito por cima dos meus ombros, como sempre fazia quando se preparava para dizer algo mais sério.

- Sabes qual é a definição de amor, Kyri?

- Isso é claramente subjectivo, Theodore. – ele suspirou.

- Amor significa liberdade absoluta. – franzi o sobrolho.

- Estou ansiosa por ouvir esse ponto de vista.

- Quando amas alguém, a única coisa que desejas para essa pessoa é a sua felicidade, certo? E quando não queres mais nada na vida do que ver isso acontecer, és livre. E és livre porque te soltas de tudo: das regras, das coisas sobre as quais não tens domínio, daquilo que os outros possam pensar.

- Há uma falha no teu raciocínio, Theodore. Soltamo-nos de tudo excepto da pessoa que amamos. A liberdade é, sempre foi, e sempre será incompatível com o amor. Quem ama é sempre escravo da outra pessoa.

- Desisto. – disse ele, deixando o seu braço escorregar pelas minhas costas.

- No entanto, penso que percebo o que existe entre as linhas dessa tua afirmação. Nunca me apaixonei, por isso posso estar enganada, mas creio que quando as pessoas estão nesse estado, há uma certa euforia, uma alegria que se torna quase intrínseca, um sorriso que nunca sai da face. E é sabido que isso torna as pessoas menos capazes de pensarem coerentemente. O que, por conseguinte, faz delas seres mais livres. Segundo aquela que creio ser a tua definição de liberdade, claro. – ele olhou-me, espantado. Eu sorri. - 'Eu, que tenho mais consciência, terei menos liberdade!' – citei.

- Quem é que disse isso?

- Um poeta muggle espanhol. – respondi, voltando para terra.

- Lês demasiadas coisas muggles, Kyri. – suspirei, enquanto tirava uma maçã da minha mala.

- Tenho saudades de visitar uma boa biblioteca muggle. – afirmei, vendo Ted, em seguida, roubar-me a maçã que eu segurava.

- Tenho saudades de conviver com pessoas normais.


- Pode dispensar-me um pouco do seu tempo, Miss Argyris?

A voz de Theodore fez-me levantar os olhos do livro que lia e voltá-los para ele, que caminhava rapidamente rumo ao banco de jardim onde eu me encontrava sentada. As aulas haviam começado há três dias e tudo havia voltado ao normal em termos de treinos e de tempo na companhia não só de Theodore, como também de Rose e Scorpius.

- O tempo não existe, Mr. Lupin, é apenas uma convenção. – respondi, sorrindo e fechando o livro. – Um escritor argentino ensinou-me isso.

- Muggle, claro. – disse ele, rindo e sentando-se a meu lado.

- Obviamente. – fiz uma pausa. – Que desejas da minha humilde pessoa, Theodore?

- A tua companhia. – retorquiu ele, num tom que não achei normal.

- Apenas a minha companhia? – ele assentiu. Eu revirei os olhos. – Theodore, lembras-te daquela conversa que tivemos em Hogsmeade, sobre a questão da inteligência?

- Como poderia esquecer?

- Nesse caso, recordas-te de que estabelecemos como facto de que eu sou bastante inteligente?

- Perfeitamente, Kyri. – retorquiu ele, rindo.

- Então porque é que me estás a tomar como idiota?

- O quê?

- Bom, é óbvio que não estás aqui apenas pela minha magnífica companhia, Theodore. – ele suspirou.

- Há, na verdade, um assunto que quero falar contigo.

- Tens toda a minha atenção.

- As coisas com Victoire estão tensas. – disse ele, devagar.

- Aconteceu alguma coisa?

- Eu já quase não suporto os ciúmes. Todos os dias recebo cartas com interrogatórios cerrados sobre as actividades do meu dia.

- Já pensaram em chegar a uma qualquer espécie de meio-termo? Não que eu perceba esse conceito, mas vamos admitir que sim, para o seguimento desta conversa. – ele riu.

- Talvez, se ela estivesse disposta a isso. Mas com ela é oito ou oitenta.

- Perdoa-me, Theodore, mas parece-me que poderia vir a gostar de Victoire. – ele gargalhou.

- Merlin, ela não é nada como tu, se é isso que estás a pensar. As tuas razões para não aceitares meias medidas são totalmente diferentes das dela. Victoire quer simplesmente ter as coisas feitas à maneira dela. É puro egoísmo.

- Nesse caso, devo inferir que planeias fazer algo respeitante à tua relação com Victoire? Ou estou errada?

- Não sei. Estou dividido.

- Entre?

- Por um lado, eu e Victoire temos uma história. Estamos juntos há anos, e eu não tenho a certeza se quero deitar isso a perder. Mas por outro, ela está diferente. Cada vez mais ciumenta, mais possessiva, e isso faz-me questionar se ainda sente o mesmo por mim. E se eu ainda sinto o que sentia por ela.

- Bom, isso parece-me um verdadeiro dilema.

- Algum conselho?

- Nenhum. – ele riu.

- Nada?

- Como posso eu aconselhar-te? Compreendo a situação, claro, mas nunca estive no teu lugar. E, além disso, penso que só tu é que podes decidir sobre uma coisa destas. Qualquer influência externa poderia levar-te a escolher um caminho do qual, mais tarde, te arrependerias. – fiz uma pausa. – A não ser, claro, que os ciúmes de Victoire sejam fundamentados. Nesse caso, posso aconselhar-te.

- Ai sim? De que maneira?

- Da única maneira possível: exigindo-te que fizesses a coisa certa que, no caso, seria, libertares Victoire do vosso relacionamento para que ela pudesse ser feliz com outra pessoa que não a magoasse dessa maneira. – olhei-o. – Claro que isto era adequado apenas no caso de Victoire ter alguma razão, o que não me parece possível.

- Porquê?

- Não és esse tipo de pessoa, Theodore. Por Zeus, ofendi a tua sensibilidade quando entrei com uns calções minúsculos numa igreja. Como é que alguma vez poderias trair Victoire? – ele suspirou e ficou alguns minutos em silêncio.

- Existe mais do que um tipo de traição, Kyri. – revirei os olhos.

- Essas coisas dignas de Oprah são totalmente idiotas, Ted. Só há uma maneira de se trair uma pessoa com quem se tem uma relação como a que tu tens com Victoire: estabelecer uma relação romântica ou sexual com outra pessoa.

- Não sei quem é a Oprah, e estás enganada, Kyri. Existe, pelo menos, mais uma, e é muito mais grave do que a que mencionaste.

- Nesse caso, gostaria que me elucidasses.

Ele olhou-me, mas não respondeu logo. Fitou-me uns segundos em silêncio mas acabou por desviar o seu olhar para o pátio à nossa frente, onde alunos das várias equipas conversavam e conviviam. Vendo que ele não me planeava responder, suspirei e retomei a leitura do meu livro.

- É rude da tua parte começar um raciocínio e não o acabar. Pelo menos, quando estás a falar comigo. – ele riu.

- Ora, tu consegues quase sempre que eu te diga no que estou a pensar. – respondeu ele, levantando-se e começando a ir embora.

- Sim, e a lição que tiramos disso é que nunca te poderás tornar espião.


N/A: Faltam apenas quatro capítulos para o término da fic :'). Acho que depois a minha conta vai ficar em hiatus por uns tempos, porque não tenho absolutamente NADA escrito para postar aqui. Estava a trabalhar numa fic de Naruto, mas quando comecei a estudar para os exames abandonei-a por completo e agora já nem sei que seguimento lhe dar. Se alguém estiver interessado em beta-la, avise-me. Agradecia algumas sugestões :D

Keep reading, will you?

Love,
~Nalamin