Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c
Silver Heart
Fanfic by Nalamin
Chapter 12 - Weapons of Mass Distraction
As aulas corriam normalmente, os dias passavam pachorrentos, os treinos tinham hora marcada. A rotina tornara a instalar-se em todos os alunos de Hogwarts. Mas havia qualquer coisa de diferente no ar daquele mês de Abril. Não sabia ao certo se era uma coisa boa ou má, mas não conseguia deixar de sentir que algo iria mudar. Infelizmente, essa sensação perturbava a minha tranquilidade, e deixava-me, por vezes, extremamente desconcertada. Por outro lado, Theodore adorava o facto de eu parecer importar-me com qualquer outra coisa que não fosse a esgrima e os meus amigos, mesmo que a dita coisa não fosse necessariamente boa.
Por isso, naquele dia em que o sol brilhava intensamente e uma brisa fresca corria pelo ar, encaminhei-me para a sala do sétimo andar, para duas horas de treino intensivo com Ted. Ele, por uma razão que eu considerava inválida, apesar do fantástico tempo lá fora, recusara-se a treinar-me nos campos. Demasiadas distracções, dissera. Por Zeus, como se eu me fosse distrair enquanto esgrimia. Fosse como fosse, aceitei o meu destino, resignada. Às vezes Theodore era muito estranho, mas eu já aprendera e me habituara a aceitar todas as suas peculiaridades. Afinal, eram o que faziam de Theodore ele mesmo.
Entrei então na sala para o encontrar a preparar as marcações no chão que fariam de estrado. Depois dos cumprimentos, despi o meu casaco e pousei-o na cadeira, ostentando depois o meu uniforme habitual: um pequeno sutiã de desporto e as minhas calças velhas e largas. Vendo-me já preparada e tendo acabado o que estava a fazer, Theodore deu o treino como iniciado.
- Excelentes reflexos, Kyri. Estás cada vez melhor. – comentou ele, a um quarto de hora do final das duas horas.
- Obrigada. – respondi, vendo-o virar-me costas e começar a despir a camisola. – O que é que estás a fazer, Theodore?
- Fazes-me esforçar demasiado para te acompanhar. Tenho calor. – retorquiu ele, agora em tronco nu e ainda de costas para mim.
- Compreendo. Não deixa no entanto de ser…
Ele voltou-se antes de eu poder acabar a frase como planeava. Se eu achara que o abdómen dele era perfeito visto por entre as roupas brancas da sua fatiota e apenas à luz fraca das velas daquele corredor escuro há meses atrás, tinha obviamente subestimado o poder de uma boa iluminação.
Ted não era o protótipo de homem alto. Media um pouco mais que os meus cento e setenta centímetros. E também não era magríssimo, como grande parte dos rapazes daquela escola. O facto de ter praticado muitos desportos durante alguns anos deixara-o com um aspecto saudável e com músculos salientes nos sítios certos. É claro que, como Metamormago, ele podia mudar a sua aparência quando quisesse e, por isso, aquilo que eu vira na outra noite ou aquilo que estava a ver naquele momento podia não ser o verdadeiro Ted. Mas dado que o seu cabelo e olhos estavam castanhos e o resto das suas feições me pareciam bastante 'Teddy', admiti que estava a ver the real thing. Mas the real thing ou não, era definitivamente algo bastante agradável para visionar.
-...desapropriado. – terminei eu, finalmente, elevando o meu olhar até ao dele, que sorria.
- Já olhaste bem para ti? Também estás meio despida. Além disso, não me pareces incomodada.
- Não estou. – respondi. Como é que podia estar? Era humana, afinal de contas. Entediada o tempo todo, mas humana. E do sexo feminino, obviamente. – Só não entendo porque é que levas tanto gosto a desrespeitar as regras que os teus iguais se esforçam tanto por manter nesta escola. – ele riu e tornou a aproximar-se.
- Os meus iguais?
- As pessoas desta escola.
- Tu és uma pessoa desta escola.
- Não como vocês. Mas seja como for, ainda vai demorar para acabarmos o treino? Tenho um compromisso. – ele olhou-me, de sobrolho franzido.
- Com uma pessoa? – inquiriu ele, como se isso não fosse de maneira nenhuma possível. Revirei os olhos.
- Sim, Theodore, um compromisso real com uma pessoa de carne e osso. E nunca te disseram que responder a uma pergunta com outra pergunta é simplesmente rude?
- E quem é essa pessoa? – continuou, avançando mais uns passos e cruzando os braços. Três palavras: bíceps, bíceps e bíceps.
- Não é, obviamente, da tua conta. Se fosse, eu tinha mencionado o nome da pessoa quando afirmei que tinha um compromisso.
- É um rapaz, portanto. – sorri. – Eu conheço-o? - Não lhe respondendo, contornei-o e arrumei o meu florete e a viseira.
- Tu conheces toda a gente desta escola, Theodore.
- E onde é que pensas que vais? – terminei de vestir o casaco e olhei-o.
- Tomar banho.
- Mas ainda não acabámos. – suspirei e voltei ao meu lugar inicial, olhando-o entediada e de braços cruzados.
- Sim, sensei? – ele sorriu.
- Os teus reflexos estão, realmente, muito bons, mas falta-te um pouco de força nos ataques. Por isso, achei que devíamos treinar um pouco de luta corpo a corpo, para aumentar a tua força física. – franzi o sobrolho.
- Tomaste alguma coisa, Theodore? Tens noção de que se eu partir um pulso ou um pé nesta tua brincadeira não poderei competir nas finais?
- Kyri, por Merlin, o chão é almofadado, se caíres não te magoas. – ele riu. – Não me digas que estás com medo de lutar comigo?
Sorrindo, dei dois passos em frente, o meu nariz quase tocando na boca dele. Levei as minhas mãos aos seus pulsos e fi-las subir devagar pelos braços fortes de Theodore. Não olhei para ele, mas sentia a sua respiração a ficar mais rápida, o seu hálito fresco a embater com mais frequência na minha bochecha. Quando as minhas mãos chegaram à lateral dos seus ombros, movi a minha perna direita por entre as suas e, rapidamente, encaixei o meu calcanhar no seu tornozelo e fi-lo cair de costas no chão maleável.
- Medo ainda é a tua opinião oficial? – perguntei, cruzando os braços e olhando para baixo, para ele, que sorria.
- Parece que não. E parece que és melhor nisto do que eu pensava. – respondeu, sentando-se.
- Obrigada. Agora, se me dás licença…
Passei um pé por cima dele e quando lhe ia juntar o outro, Theodore puxou-o, fazendo-me imediatamente cair, não para o chão, mas para cima dele, que ria, qual criança matreira. Tinha as minhas pernas entre as dele e ele rodeava a minha cintura com um dos braços; os meus olhos estavam ao nível dos seus, mas afastei-me um pouco para poder ver melhor aquele sorriso, que eu sempre achara muito bonito. Quando ele finalmente parou, voltei a olhar para os seus orbes castanhos.
- Estás contente?
- Bastante. – comentou ele, olhando também para mim. – Merlin, os teus olhos são mesmo azuis. – suspirei.
- Pensei que já tivesses reparado.
- Nunca os vi de tão perto.
O que fez perceber que a posição em que nos encontrávamos talvez fosse ligeiramente desapropriada. Ainda para mais estando ele de tronco nu e eu quase nesse estado. Por isso, fiz menção de me tentar levantar. No entanto, não consegui, pois ele juntara o braço livre ao outro que me rodeava a cintura e prendera-me contra si. Olhei-o, interrogativamente.
- Eu disse que íamos tentar aumentar a tua força física. Tens de te libertar sozinha. – respondeu ele, sorrindo vitorioso. – Mas nada de golpes baixos. – acrescentou.
Ri-me, o que certamente o fez questionar-se se eu estaria mesmo a planear usar esse truque, porque, com uma meia volta, as posições tinham-se invertido: eu estava deitada de costas no chão com os meus pulsos presos pelas mãos de Theodore, que colocara uma perna de cada lado da minha cintura mas tivera o cuidado de não se sentar em cima de mim, facto pelo qual eu estava agradecida.
- Assim é mais seguro. – disse ele, a escassos centímetros da minha face, o que me fez revirar os olhos e voltar a cabeça para a direita.
Não dissemos nada durante um momento. Não sei o que se passava pela mente dele, mas a minha estava a elaborar muitas e variadas maneiras de escapar ao seu aperto sobre os meus pulsos. Quando voltei o meu olhar para ele, ele fixava-me, com um pequeno sorriso nos lábios.
- Eu tinha razão. – murmurou ele.
- Em relação a quê?
- Naquilo que disse ao teu amigo russo.
- E o que foi isso?
- Que eras a mulher mais bonita que alguma vez vi.
Arregalei os olhos, em ligeiro choque. Em primeiro lugar, que raio de conversa teriam tido Nikolai e Dragan com Theodore que o levara a dizer tal coisa? Em segundo lugar, porque é que ele dissera tal coisa? Consigo admitir, embora com algumas reservas, que Theodore me possa achar atraente. Mas não deveria manter essa opinião para ele, dado que estava noivo de uma mulher, aparentemente, algo ciumenta e possessiva? E em último lugar…Não, não queria nem pensar nisso. Não poderia ser possível. Não seria ético, não seria inteligente, não seria prudente, não seria certo.
- Não exageres, Theodore. - disse, ao fim de alguns segundos, quando reorganizei os meus pensamentos. Ele abanou a cabeça.
- Não estou a exagerar. – suspirei.
- Discordo, mas agradeço sinceramente o elogio. – ele sorriu largamente.
- Sempre que quiseres. - Sorri-lhe de volta e ia responder quando as batidas na porta soaram forte e repetidamente.
- Miss Argyris? Miss Argyris, está pronta? – inquiria a professora Sprout, numa voz esganiçada. Theodore arregalou ligeiramente os olhos.
- Disseste que o compromisso era com um rapaz! – exclamou, baixinho.
- Eu não disse tal, tu é que assumiste isso.
- Miss Argyris! – repetiu a professora.
- Sim, professora, dê-me um minuto! - respondi, olhando de sobrancelha arqueada para Theodore, que ainda se encontrava a segurar-me os pulsos. – Vais deixar-me ir?
Suspirando contrariado, Theodore desfez a pressão sobre os meus pulsos e levantou-se, estendendo depois uma mão para me ajudar também a erguer-me.
- O que é que vais fazer com a Sprout?
- Ofereci a minha ajuda com as mandrágoras a troco de créditos extra. – ele riu.
- Estás assim tão má a Herbologia?
- Claro que não. Mas ela disse que precisava de ajuda e eu ofereci-me. Era isso ou passar o resto da tarde contigo. – retorqui, brincalhona, vestindo rapidamente o casaco.
- Muito engraçada, Kyri. Vais demorar? – sorrindo, abri a porta e olhei para ele por cima do ombro.
- Apenas o suficiente para que sintas a minha falta.
- O que é que estás a ler? – perguntou Theodore, ao jantar, sentando-se ao meu lado na ponta da mesa dos Hufflepuff.
- Uma carta de Louis. – ele franziu o sobrolho.
- Porque é que Louis te escreveu?
- A curiosidade matou o gato, Theodore.
- Se o gato for Mrs. Norris… - ri.
- Não deixes o Filch ouvir-te.
- O que é que o Filch não pode ouvir? – disse Rose, sentando-se à minha frente. – Insultos à gata que só é ultrapassada por Voldemort no que toca à maldade?
- Exacto, Ted estava a deixar implícito que deseja ver Mrs. Norris debaixo da terra. – Rose suspirou dramaticamente e começou a servir-se.
- Não queremos todos?
- Podemos voltar ao tópico importante, Kyrianne? O que é que diz a carta?
- Que carta, Kyri? – abanei o pedaço de pergaminho que tinha na mão.
- Louis escreveu-me. – Rose sorriu.
- Louis, o treinador da equipa de xadrez de Beauxbatons? – assenti. – Aconteceu alguma coisa na última ronda das Olimpíadas que te esqueceste de mencionar, Miss Argyris? – sorri.
- Rigorosamente nada… - Theodore olhou-me de modo esquisito, mas Rose riu.
- Envolveste-te com ele?
- Ainda não.
- Isto promete. Está para breve, suponho.
- Penso que vontade não lhe falta. Como é que ele disse, Theodore?
- Por alguma razão, não consigo recordar-me. – comentou ele, espetando uma batata com o garfo.
- Ah sim: ' o que eu não pagaria para usufruir de tal experiência'.
- Parece-me que está mesmo interessado.
- Mais é impossível! – exclamou Ted, em surdina, fazendo Rose rir.
- Convidou-me para tomar uma cerveja de manteiga com ele na próxima visita a Hogsmeade. - afirmei, continuando a ler a carta.
- É já este fim-de-semana, então. – disse Rose.
Assentindo, pousei os talheres acabando a minha refeição e deixando aquele tópico de conversa assentar. Olhei em volta, observando vagamente os meus colegas. Dei-me conta que estava extremamente cansada, como acontecia todas as sextas feiras desde começara a frequentar a escola em Atenas. E sempre que as finais de algum campeonato se aproximavam, era exaustão a dobrar. Por isso, e já que Rose parecia entretida a ler o livro de Encantamentos enquanto comia e Theodore descascava ferozmente uma maçã, levantei-me do banco.
- Vocês são muito boa companhia, mas eu estou exausta. Vou até ao corujal e depois sigo logo para o quarto. Vemo-nos amanhã?
- Sim, claro. Eu e Scorpius esperamos por ti no pátio.
- Óptimo. Até amanhã, Rose, Theodore. – respondi, afastando-me finalmente da mesa e saindo do salão.
Se tivesse olhado por cima do ombro, teria visto Ted a seguir-me com o olhar e a prima a segui-lo com o dela, rindo-se com o suspiro dado por Theodore quando eu desapareci da sua vista.
- Nunca acendas um fogo que não possas apagar, Teddy. Principalmente se já estás a tentar apagar outro, também sem sucesso. – ele revirou os olhos.
- Odeio quando vocês falam por enigmas. – sorrindo, Rose olhou na direcção de Scorpius que lhe fez um pequeno sinal.
- Costuma-se dizer que para bom entendedor, meia palavra basta. – respondeu, pegando numa maçã e seguindo na direcção de Scorpius, deixando para trás um Theodore algo confuso e irritado.
Kyrianne,
Merci beaucoup pela resposta. Devo admitir que as expectativas em relação à recepção de uma eram poucas. Imaginei que talvez Theodore pudesse colocar objecções. Mas creio que mesmo que ele as tivesse colocado, nada te impediria de me escrever de volta, chérrie, se assim o desejasses. Ninguém doma Miss Argyris (a não ser que ela queira. Nesse caso, alguém como eu teria todo o prazer em fazê-lo…).
Fico trés content por te teres divertido na minha companhia em Hogsmeade. Bem sei que nada te deve distrair dos treinos para as finais, mas pensei que uma caneca de cerveja de manteiga e a promessa de mais um convite alegraria o teu dia sem dúvida cansativo. E, tal como disse na nosso passeio, aqui estou eu a fazer o tal convite.
No último dia das Olympiques, os atletas de Beauxbatons organizarão uma pequena festa privada, com algumas 'singularités' que o jantar de celebração não possui. Apenas quem pertence a uma lista muito restrita, gerenciada por moi, poderá entrar. Venho então por este meio tão pouco conveniente (decerto te apercebeste no nosso último encontro que prefiro pequenos rendezvous em pessoa), perguntar-te se me darás a honra de ser a minha acompanhante nessa noite. Prometo diversão, musique, sotaques diversos e, se estiveres disposta a isso, un afterparty. Que me dizes, mon cher?
E agora que sei que a possibilidade de obter resposta é elevada, por favor não me deixes na expectativa.
L .
Louis,
Em primeiro lugar, peço desculpa pelo que vai ser uma carta minúscula, redigida à pressa num intervalo entre Poções e Encantamentos. Estes minutos entre aulas são os únicos que, hoje em dia, pareço ter livres, e achei adequado passá-los a escrever uma resposta à tua carta.
É claro que aceito o convite, com todo o gosto. Convenceste-me com 'sotaques diversos' (e com 'un afterparty').
Vai dando notícias. Sempre que tiver uns minutos, prometo responder. Jamais te deixaria na expectativa de propósito (a não ser que me pedisses...).
Kyrianne
L,
Sabes que te considero um bom amigo, que tenho mais do que respeito por ti e que, por isso, não gosto de me meter nos teus assuntos. Mas, desta vez, tenho de te dizer uma coisa: não prometas nada a Kyrianne que não possas cumprir. Não a magoes. E, acima de tudo, mantém o fluxo da correspondência ao mínimo. Ela já anda a descuidar da esgrima o suficiente por causa das aulas. É dispensável outro motivo de distracção.
Espero que esteja tudo bem contigo. Espero ver-te nas finais.
Ted Lupin
Theodore,
Mon ami, como estás? A tua carta apanhou-me algo de surpresa! Não pelo conteúdo, claro, por isso já esperava, mas pelo tempo que demoraste a enviá-la! Contava com uma pequena nota tua logo após o meu pequeno passeio com Kyrianne há algumas semanas. Daqui só posso depreender duas coisas, Theodore: ou não sabias da ocorrência desse passeio, ou então não esperavas que a troca de correspondência se tornasse frequente.
Mas tudo isto são teorias. Vamos ao que interessa, àquilo que deves saber, amigo Ted: a única coisa que prometi à tua protégé foi a entrada numa festa exclusiva. E creio que sabes que, se eu tivesse, de alguma forma, ferido os seus sentimentos, a tua ira seria o menor dos meus problemas. Estamos a falar da tricampeã de esgrima, Theodore. Se lhe fizesse tal coisa, provavelmente acabaria aos pedaços.
Seja como for, esse não é o meu interesse na lindíssima Kyrianne. Não possuo sentimentos profundos por ela e acredito que ela também não os tem por moi. Nous somme seulement amis (avec des avantages), e se algum dia acontecer algo mais entre nós, será apenas por pura e descomplicada folie.
Conheço-te, Theodore, e consigo imaginar a tua cara a ficar rouge com esta afirmação. Ora, meu caro, penso que chegou a hora de admitires que a dotada esgrimista que tens como aluna é uma mulher espantosamente beau, espirituosa, inteligente e, por muito que te doa pensar, sexualmente activa.
Confessa, Ted, tu próprio já te imaginaste com ela nos teus braços, não já? Os lábios dela nos teus, as tuas mãos a percorrer cada centímetro daquela pele marmórea, os seus sussurros de plaisir…Como podes culpar-me por querer vivenciar essa experiência ao invés de a ter apenas guardada na minha mente, como tu? No entanto, dou-te razão numa coisa: les Olympiques estão muito perto e Kyrianne necessita de se concentrar nos treinos. Reduzirei o número de cartas, Theodore, prometo.
Ficaste esclarecido, espero? Envia mon respects a Rose. Anseio por ver os meus alunos jogar contra a mente prodigiosa dela daqui a pouco mais de um mês.
Ton ami,
Louis
- Kyri? – chamou Rose, levemente, sentada a meu lado numa das várias mesas da biblioteca.
- Hum? – respondi, sem dar muita atenção, concentrada no trabalho de DCAT que planeava acabar naquela tarde.
- Não notaste nada de estranho em Theodore nas últimas semanas? - Espantada com aquela pergunta, parei de escrever e pensei por um momento.
- Tem-me parecido mais mal-humorado do que o normal, sim.
- Fazes ideia porquê? – inquiriu, olhando para mim. Encolhi os ombros e voltei a concentrar-me na escrita.
- Proximidade das finais? – ela riu.
- Não devias ser tu a preocupares-te com isso?
- Normalmente Theodore preocupa-se por ambos, por isso acho inútil ficar também nervosa. Mas a que propósito veio este tópico de conversa? – acrescentei, depois de uma pausa.
- Só queria saber se estava a imaginar coisas. – respondeu, num tom que não consegui decifrar.
Olhei-a e reparei que o seu semblante estava um pouco mais sério que o normal, e que ela fitava o livro de Poções sem o ver realmente. Passava-se claramente algo. Talvez tivesse discutido com Theodore? Talvez Scorpius tivesse, por alguma razão, ficado ciumento? Fosse como fosse, percebi que ela não iria dizer mais nada e, por isso, achei mais produtivo deixá-la com os seus pensamentos enquanto eu tentava tornar a focar os meus.
- Parabéns Kyri! – exclamou Rose, fazendo-me voltar.
A final das Olimpíadas tinha acabado há uma hora. Sem surpresas, eu subira ao pódio em primeiro lugar, Rose vencera as partidas de xadrez do seu escalão e Durmstrang não levara nenhum título de volta à Rússia. O que era incrível era que, pela primeira vez em mais de duas décadas, os Slytherin ganhavam uma competição. Eu vira Scorpius há alguns minutos e ele não cabia em si de felicidade.
- Obrigada, Rose, igualmente. – respondi, apontando para a grande medalha que ela trazia ao pescoço. Ela sorriu e assentiu.
- Já falaste com os teus amigos de Durmstrang? Aposto que neste momento desejavam não te ter enviado para Hogwarts. – gargalhei.
- Não há qualquer vergonha em ficar em terceiro lugar, Rosie.
- É claro que não. Mas há uma certa vergonha em ser ultrapassado por Beauxbatons.
- Ora, eles estavam bastante bons este ano. A esgrimista que me feriu na segunda ronda era óptima. Ficou em terceiro lugar. E os treinadores dela pareciam-me muito contentes, vi-os abraçados e a festejar quando subimos ao pódio.
- Por falar em treinador, Ted vem aqui ter? – assenti.
- Ele disse que sim. Scorpius?
- Nos balneários. E Louis? – perguntou, com um sorriso maroto, o qual eu retribuí na mesma moeda.
- Foi avisar os atletas da Academia para não se demorarem com os banhos.
- Sempre vais à festa?
- Claro. – ela suspirou.
- O Teddy não vai gostar nada disso.
- Theodore não tem voto na escolha das minhas actividades recreativas.
- Ele está só a tentar proteger-te. – argumentou ela, olhando para mim.
- De quê, exactamente? – inquiri, franzindo o sobrolho.
- Da dor de um coração partido, penso eu. – Ri-me com gosto.
- Para isso era preciso eu gostar de Louis dessa maneira, não achas?
- Ah, então vais com ele a esta festa apenas como amigos? Não vai acontecer nada?
- Não posso dizer que não vai acontecer nada, mas posso garantir que, se acontecer, não haverá paixão nem amor à mistura.
- Porquê? – fiquei confusa.
- Porquê o quê?
- Porque é que não haverá? Quer dizer, ele é lindo. E simpático e divertido. Fazia sentido que gostasses dele dessa forma. – encolhi os ombros.
- Mas não gosto.
- A não ser… - continuou ela, ignorando-me. -… que gostes de outra pessoa.
- Que seria quem? – questionei, divertida. – O Filch? – olhando por cima do ombro dela, reparei de Scorpius olhava em volta, provavelmente à nossa procura. – Scorpius! – gritei, acenando.
- O quê! – exclamou ela, chocada, obviamente interpretando mal o meu chamamento. Ri.
- Atrás de ti. – ela voltou-se e deixou escapar um suspiro aliviado ao ver o loiro correr na nossa direcção.
- Assustaste-me, por momentos. – confessou ela, afastando-se na direcção do namorado.
- O que é que fizeste desta vez, Kyrianne? – disse Theodore, aparecendo atrás de mim e prostrando-se depois à minha frente, olhando de Rose para mim.
- Ganhei uma medalha. – respondi, mostrando-lhe o círculo de ouro que trazia ao peito. – E tu?
- Dei-me conta que sou o melhor treinador de todos os tempos. – Sorri.
- Tão modesto!
- Apenas realista.
- Que visão mais destorcida da realidade, Theodore.
- Desmancha-prazeres. – retorquiu, qual rapazote amuado. – Onde está o Louis? – acrescentou, depois de uma pausa, num tom completamente diferente. – Pensei que ias àquela festinha dele.
- E vou. Estou à espera que ele venha ter comigo.
- Espero que amanhã estejas pronta a horas para voltarmos para Hogwarts. – disse, autoritário.
- Não te preocupes comigo, Theodore. Já tenho mais do que idade para ter juízo. – respondi, revirando os olhos.
- Não é o que parece. – argumentou, em surdina.
- Não entendo quais são as tuas objecções ao meu convívio com Louis. Estás apenas a agir como um namorado ciumento. – ele fitou-me, chocado. – Aqui fala Kyrianne, Theodore, não Victoire. Não tenho paciência para esse tipo de dramas.
- Kyrianne! – chamou Nikolai, do outro lado do complexo, fazendo sinal para que fosse ter com ele. Assenti e tornei a olhar para Ted, que ainda me fitava.
- E agora, se me dás licença, vou parabenizar as equipas que não dispõem do melhor treinador de todos os tempos.
N/A: Antes de mais, muitas desculpas por não ter postado mais cedo, mas andei uns dias sem saber da minha pen onde estavam guardados os capítulos. Foram uns dias muito frustrantes, deixem-me dizer-vos. Tudo o que já escrevi - e não está em formato de papel - está guardado ali. Naquele momento apercebi-me do valor de ter backups. Já fiz uns 4, just in case :D
Anyways, prometo que até ao final da semana, a fic fica finalmente completa :D
Lots of love,
~Nalamin
