Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c


Silver Heart
Fanfic by Nalamin

Chapter 13 - Eyes Wide Shut

Os corredores de Hogwarts estavam completamente despidos de um terço dos alunos da escola naquele magnífico dia de Primavera. Não, nenhum de nós estava nos jardins, apesar do incrível sol que brilhava lá fora e da brisa fresca que corria devagar. Na verdade, os quintanistas e os finalistas estavam praticamente todos fechados nas salas comuns e na biblioteca a estudar arduamente para os exames que começariam dali a dois dias.

Eu e Rose, querendo fugir aos burburinhos dos nossos colegas que nos roubavam a concentração, seguimos até à sala onde eu costumava ter os meus treinos de esgrima, dispostas a rever Transfiguração, Encantamentos e Herbologia, os nossos primeiros exames. Mas, para Rose, Encantamentos era como respirar, Transfiguração como beber água e Herbologia como comer e, por isso, a sua revisão da matéria durou apenas duas horas. Durante as seguintes, ela entreteve-se a brincar com o meu florete ou a dissertar sobre a cerimónia da formatura. Ela, claro, não se iria formar, mas dado que James e eu éramos, efectivamente, finalistas, Rose compareceria à cerimónia.

Quando ela começou a falar sobre o seu vestido, abstraí-me rapidamente do som da sua voz e voltei os pensamentos para o compêndio de Encantamentos que tinha à minha frente e que continha toda a matéria leccionada durante os sete anos de educação mágica. Claro que, apesar da minha relativa boa memória, era necessária uma mente prodigiosa (como a de Rose) para que eu me conseguisse recordar de todos os feitiços e as suas respectivas definições. Por isso, pouco tempo depois de começar a minha educação mágica em Durmstrang, desenvolvera uma técnica que me permitiria, em situações como as de exame, recordar a maior parte, se não todos eles: depois de ler a definição de cada um, tentava estabelecer uma ligação entre essa definição e algo muggle. Podia ser qualquer coisa: uma situação, um filme, uma pessoa, um objecto.

Então, no momento em que me deparei com o Accio, um dos primeiros feitiços que aprendi, rapidamente me recordei daquilo que escolhera para me ajudar a lembrá-lo: ímanes. Sorri ao lembrar-me do meu raciocínio. Eu pensara que o acto de convocar algo daquela forma era muito parecido ao colocar dois ímanes com pólos opostos frente a frente: eles iriam, inquestionavelmente, atrair-se. No entanto, essa atracção dependeria do alcance do seu campo magnético. Dois pequenos ímanes colocados a uma grande distância permaneceriam quietos no mesmo sítio, apesar de estarem voltados um para o outro com os pólos opostos. Ora, o mesmo acontecia com o Accio: quanto mais longe o feiticeiro se encontra do objecto que quer convocar, mais difícil é de o chamar para si.

Subitamente, e ainda com a voz de Rose no fundo a falar sobre os tons de verde do seu vestido, a minha mente deu um salto e estabeleceu outra comparação: o Accio, os pólos norte e sul, os campos magnéticos…era tudo assustadoramente igual à minha relação com Theodore.

Olhei pela janela e devotei mais alguns segundos a pensar sobre as semelhanças entre tudo aquilo. Era facto que, sempre que Theodore me chamava ou necessitava da minha presença por qualquer razão, eu atendia ao seu pedido – e vice-versa; era facto que, quando estava tudo perfeito entre nós, éramos como dois ímanes que se atraíam constantemente: passávamos grande parte do tempo juntos, ríamos, falávamos a sério, treinávamos. Exercíamos uma força tão intensa um sobre o outro que, nessas alturas, era quase impossível afastarmo-nos. Mas, por outro lado, era também facto que, quando havia algo que destabilizava a nossa relação e nos separávamos, era como se demorasse um certo tempo para que os nossos campos magnéticos conseguissem restaurar-se e nos podermos atrair outra vez.

Dei então por mim na dúvida: em primeiro lugar, que tipo de magnetismo era aquele que parecíamos partilhar? Seria natural, tendo nascido e crescido à medida que nos conhecíamos e ficávamos bons amigos, ou artificial, tendo sido introduzido de repente, por uma razão ou outra? Seria temporário, acabando um dia sem aviso, ou permanente, mantendo sempre aquele poder magnético? Baseando-me em tudo o que acontecera desde o dia em que conhecera Theodore, tinha de dizer que o nosso magnetismo era natural - já que tínhamos vindo a ficar mais próximos à medida que o tempo passava -, e permanente. No entanto, mesmo sendo permanente, se exposto a altas temperaturas (leia-se: discussões sem sentido) perderia temporariamente alguma força magnética, tornando a adquiri-la quando a temperatura baixasse (leia-se: quando fizessemos as pazes).

Mas agora que definira o tipo de magnetismo que era o nosso, deparava-me com outra questão. Seria o dito uma coisa boa? Seria possível que, uma vez exposto a altas temperaturas (mais altas do que o que era normal para nós), fosse impossível voltar a esfriar? Seria concebível que os nossos pólos pudessem gastar-se e deixar de exercer aquela força magnética que nos atraía? E, acima de tudo, seria eu, agora que me habituara e gostava muito, capaz de viver feliz sem ela?

Suspirando e olhando para Rose, que agora falava sobre possíveis escolhas de sapatos, a resposta àquela última pergunta apareceu na minha mente brilhando como néon.


- Então Kyri, como correu? – inquiriu Scorpius, quando o alcancei, a uns passos da porta da sala de Transfiguração.

- Muito bem, tendo em conta que era a teórica. Como foi o de Poções?

- Longo, mas pouco complicado. Qual é o próximo? – suspirei, cansada.

- Herbologia e História da Magia, depois do almoço. Amanhã DCAT, Poções e Astronomia. Quando chegar aos práticos vou suspirar de alívio. – ele riu. – Onde está Rose?

- A rever as repostas dos exames. – respondeu ele, abanando a cabeça. – Somos só tu e eu, Kyrianne. A não ser que estejas à espera de Theodore. – cerrei ligeiramente o maxilar antes de responder.

- Não, ele não vai aparecer. Vamos indo? Preciso de me alimentar se me quero conseguir lembrar de todas as revoltas dos goblins.


Quando o examinador deu por terminado a minha prestação relativamente à parte prática de DCAT e eu saí do salão, suspirei longamente. Tinham finalmente acabado os exames. O meu próximo plano era dirigir-me à minha cama e só acordar na semana seguinte. Mas quando fui, efectivamente, pô-lo em prática, o dito falhou. Estava tão cansada que não conseguia dormir. Deixei-me então ficar apenas deitada, olhando o tecto e gozando o facto de que, durante a próxima semana, não teria de me preocupar com absolutamente mais nada. Excepto, talvez, a formatura.

Como finalista, era obrigada a desempenhar um qualquer papel na organização da cerimónia. Então, há um par de semanas atrás, quando os Prefeitos os atribuíram, a minha sentença foi a de porta-voz da minha equipa. Teria de ser eu a fazer o discurso de abertura antes da entrega dos diplomas aos formandos. Não era o ideal, mas podia ser muito pior. Imagine-se se eu ficasse encarregue da música. Toda a gente estaria condenada a ouvir música muggle da qual nunca tinham ouvido falar.

Fosse como fosse, a parte em que teria de escrevinhar um discurso era a única coisa, relativamente à cerimónia, que me poderia preocupar. Ao contrário da maior parte das minhas colegas de dormitório, que a toda a hora discutiam sobre o melhor vestido, os melhores acessórios, o melhor perfume, eu já tinha tudo isso definido desde que voltara de Anáfi, no Natal. Chryssa, Tahlia e mais algumas das costureiras mais dotadas da ilha tinham criado o vestido cor de pérola que eu usaria na formatura.

Ao contrário do que eu esperava quando elas me informaram de que o tinham feito para mim, o vestido não era em nada típico da nossa ilha, com a única excepção da cor e dos enfeites. O tradicional linho tinha sido trocado por cetim e, para meu espanto, chiffon. O pequeno corpete, que acabava uns centímetros abaixo do meu peito e abria numa leve e solta saia de várias camadas que se estendia até aos meus pés, era adornado com pequenas missangas de vários tons de bege e castanho, formando um padrão parecido ao de uma carapaça de tartaruga e sobre o qual repousava uma estrela-do-mar de cetim de um tom de pérola mais escuro, com uma pequena concha no seu centro. Finalmente, do seio esquerdo à omoplata direita, e desta última até a meio das costas, do lado esquerdo, uma longa e larga fila de conchas de cor clara ajudavam o meu razoável peito a segurar o vestido. Era lindíssimo e eu sabia que, assim que o vestisse, não o iria querer tirar.

O meu pai, quando vira o vestido que a bondosa Chryssa fizera para mim, dissera-me algo emocionado que lhe fazia lembrar o vestido de casamento da minha mãe. E, por isso, oferecera-me um dos seus bens mais preciosos e que eu, sabendo o que significava para ele, nunca lhe pediria: a pulseira de pérolas que a minha mãe lhe entregara pouco antes de falecer. Prometi usá-la na formatura, para o sentir perto de mim.

Lembrei-me subitamente que, dali por pouco mais de duas semanas estaria de volta a casa, permanentemente. Apenas naquele momento me atingiu que as Olimpíadas que eu ganhara tinham sido as últimas em que eu alguma vez competiria a não ser, claro, que fosse convidada para as seguintes edições. Mas dado que a escola estava a acabar e até me iria formar com notas bastante boas, duvidava que me fossem permitir voltar a competir como qualquer outro aluno.

E foi com um sentimento de desconforto e alguma tristeza que deslizei para um merecido sono sem sonhos.


N/A: Contagem decrescente! Mais dois capítulos e puff, mas uma fic que acaba.

Ando completamente sem ideias para escrever. Ou melhor, tenho imensas ideias mas não consigo escrever algo que adore e que ache original. Sou sempre demasiado influenciada pelas coisas que leio. E como leio sobre tudo, é difícil arranjar maneira de escrever algo que outra pessoa não tenha já escrito antes. Nevertheless, I keep trying :D

O verão vem a caminho, os dias de praia aproximam-se (neste hemisfério, claro). Pode ser que isso me traga alguma inspiração 8D

Keep reading, will you?

Lots of love,
~Nalamin